biografia

Semana noventa e oito

Os lançamentos da semana são:

Uma morte em família, de James Agee (Tradução de Caetano Galindo)
Uma morte. Em pleno vigor, um homem é tirado de sua família. Uma notícia que poderia ser dada em qualquer momento, em qualquer romance. Para James Agee, que já havia demonstrado seu imenso talento e seu amor prodigioso pelo estudo detalhado das personalidades e dos fatos no clássico livro de reportagem Elogiemos os homens ilustres, trata-se da oportunidade de escrever um romance dedicado quase integralmente a investigar o impacto dessa morte nos membros daquele grupo. Da pequena Catherine, que ainda mal consegue compreender a vida, ao agnóstico Joel, passando pelo torturado Andrew e, talvez principalmente, pelo desorientado Rufus, o filho mais velho, Agee se debruça sobre cada um de seus personagens com uma dedicação e um detalhismo plenamente amorosos, empregando os mais sofisticados recursos da prosa de ficção para retratar essas pessoas e revelar a percepção que têm da realidade.

O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (Tradução de Paulo Schiller)
Publicado em sua versão final em 1891, O retrato de Dorian Gray foi o primeiro sucesso literário de Oscar Wilde e, algo que se tornaria frequente durante a curta carreira do autor, motivo de grande escândalo. Exemplo extremo de um indivíduo que leva uma vida dupla, seu protagonista comete todo tipo de atrocidade enquanto mantém uma aparência  intocada de beleza e virtude. Seu segredo, porém, está materializado em um retrato guardado em uma sala trancada, que reflete fisicamente as deformações de seu caráter. Ao longo da década em que Wilde conviveria com doses idênticas de fama e infâmia, seu único romance foi usado como parâmetro tanto de sua capacidade artística como de sua total inadequação à sociedade em que vivia. E, se mais de cem anos depois ainda consegue fascinar leitores de todo o mundo, é porque revela muito mais sobre a condição humana do que inicialmente se imaginava.

Paris: A festa continuou – A vida cultural durante a ocupação nazista, 1940-4, de Alan Riding (Tradução Celso Nogueira e Rejane Rubino)
Poucos momentos da história foram mais trágicos e complexos do que a ocupação de Paris pelos nazistas, entre 1940 e 44. Mas o que aconteceu nesses anos sombrios com a efervescente vida cultural da Cidade Luz? Como era o dia a dia dos parisienses obrigados a conviver com a caça aos judeus, a presença opressiva da Gestapo e a escassez de víveres? Neste amplo e vívido painel da vida no período, Alan Riding mostra que, surpreendentemente, “a festa continuou”, ou seja, cabarés, teatros e cinemas continuaram lotados, assim como os salões da elite, e o mercado de arte viveu até um aquecimento. Mas revela também uma trama complexa de relações perigosas dos intelectuais com os ocupantes e seus órgãos de propaganda e controle. Entre o heroísmo da resistência, muitas vezes pago com a vida, e a franca adesão ao nazismo, o autor demonstra que foram inúmeras as atitudes intermediárias, não raro ambíguas e até paradoxais, de artistas e escritores como  Sartre, Picasso, Malraux e Colette.

O diabo & Sherlock Holmes – histórias reais de assassinato, loucura e obsessão, de David Grann (Tradução Álvaro Hattnher)
O líder do principal grupo paramilitar de extermínio do Haiti se torna corretor de imóveis numa pacata cidade dos Estados Unidos. O maior especialista mundial em Sherlock Holmes morre em circunstâncias tão misteriosas quanto as de uma aventura do detetive. Um mestre francês do disfarce assume sucessivas identidades de adolescentes órfãos de diferentes países. Um escritor polonês comete um crime quase perfeito para pôr em prática suas mal digeridas leituras de Nietzsche e Foucault e espalha pistas autoincriminadoras num romance. Essas são algumas das dozes histórias extraordinárias narradas neste livro pelo jornalista norte-americano David Grann. Unindo rigor investigativo e talento literário, o autor que escreveu também o elogiado Z, a cidade perdida, explora com maestria os territórios em que a realidade é tão inverossímil que parece ficção.

Navegação de cabotagem – Apontamentos para um livro de memórias que jamais escreverei, de Jorge Amado
Poucos indivíduos viveram com tanta intensidade as turbulências do século XX. Nestas memórias escritas com a verve, o humor e a sensualidade que caracterizam sua melhor ficção, Jorge Amado passa em revista sua trajetória singular. Da convivência com personalidades da cultura mundial – como Pablo Picasso, Oscar Niemeyer, Pablo Neruda, Dorival Caymmi e Glauber Rocha – ao aprendizado em bordéis, botequins e terreiros de candomblé, os episódios se sucedem como cenas de um filme. Os cenários podem ser o Kremlin de Moscou, um palácio na Suíça, uma redação de jornal carioca, as margens do Sena ou uma ladeira de Salvador. Por trás de tudo, dois grandes temas perpassam estas páginas: o amor, de todas as formas, e o trauma da política.

O fardo da nobreza, de Donna Leon (Tradução de Carlos Alberto Bárbaro)
Os jardins de uma casa abandonada em uma pequena vila na Itália permaneceram intocados por cinquenta anos. Quando o novo proprietário assume o imóvel e dá início a uma reforma, um túmulo macabro vem à tona. Animais, fungos e bactérias fizeram seu terrível trabalho e o cadáver encontra-se em estado avançado de decomposição, o que impede o reconhecimento do corpo. Um anel valioso torna-se a principal pista desse mistério que leva o comissário Guido Brunetti ao coração da aristocracia veneziana e a uma família que ainda sobre com o desaparecimento do filho.

A mulher calada, de Janet Malcolm (Tradução de Sergio Flaskman)
Considerada uma das poetas mais originais do século XX, Sylvia Plath se suicidou numa madrugada de inverno, em 1963, poucos meses depois de se separar do marido, o também poeta Ted Hughes. Esse gesto último selou definitivamente, em torno de sua vida e sua obra, um campo de forças tão poderoso que por muito tempo opôs não só os vivos aos mortos, como todos aqueles que sobreviveram à tragédia. Neste livro, Janet Malcolm – um dos maiores nomes do jornalismo americano, autora de O jornalista e o assassino – se debruçou sobre todas as biografias já escritas sobre Sylvia Plath e sobre as entrevistas com os Hughes, além de adentrar um intrincado mundo de cartas, arquivos e delicadas situações familiares. Assim pôde demonstrar, a cada linha, como é tênue o limite que demarca fato e ficção, trafegando o tempo inteiro entre as várias versões do mito. Dotada de elegância e senso narrativo excepcionais, Malcolm mescla psicanálise, poesia, biografia e reportagem, num ensaio de amplitude e profundidade surpreendentes, capaz de envolver o leitor com o magnetismo de uma trama policial.

Martinha versus Lucrécia, de Roberto Schwarz
Internacionalmente reconhecido pelos livros Um mestre na periferia do capitalismo e Ao vencedor as batatas, que revelaram aspectos ocultos – e notáveis – da arte literária de Machado de Assis, Roberto Schwarz reúne em Martinha versus Lucrécia momentos recentes de sua produção crítica. No livro estão algumas das melhores peças da crítica literária do autor, que, além de Machado de Assis, contempla nomes como Caetano Veloso – com um ensaio inédito sobre a autobiografiaVerdade tropical -, Chico Buarque, o poeta Francisco Alvim e o filósofo Theodor Adorno.

Divinas travessuras – Mais histórias da mitologia grega, de Heloisa Prieto
Depois das Divinas aventuras, em que alguns deuses da mitologia grega contam suas histórias, das Divinas desventuras, narradas por Cronos, o deus do tempo, agora é a vez de Hermes, o deus da trapaça, contar as suas preferidas – que são repletas de travessuras, é claro. Muito arteiro, ele fala sobre o dia em que roubou os novilhos de seu irmão Apolo; sobre quando ajudou, com sua tamanha esperteza, seu tataraneto Odisseu a vencer o gigante Polifemo, entre demais peripécias. São histórias que ensinam sobre a mitologia grega e seus deuses – como o poderoso Zeus e a vingativa Hera, entre outros -, em um tom divertido e próximo do leitor, por conta da narrativa do faceiro Hermes. Ao final, um glossário apresenta a vida dos principais personagens do livro.

Semana oitenta e três

Os lançamentos da semana são:

Nove ensaios dantescos & A memória de Shakespare, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Ainda muito moço, Borges começou a percorrer a árdua topografia do mundo dantesco ao longo das viagens de bonde que o levavam ao trabalho cotidiano na biblioteca municipal de Buenos Aires. Os ensaios deste livro são como relatos que refazem, numa tela fragmentária, os sugestivos pormenores simbólicos da história dessa viagem, ao mesmo tempo comum e insólita. Depois vêm “A memória de Shakespeare” e mais 3 contos fantásticos, em que o tranquilo domínio do estilo e as pulsantes obsessões se casam a motivos recorrentes da obra de Borges.

O fim da Terra e do Céu, de Marcelo Gleiser
Ao tratar das relações entre religião e ciência diante da questão do “fim de tudo”, Marcelo Gleiser homenageia a imaginação e a criatividade do homem. Seu enfoque é multidisciplinar, mostrando de que maneira ideias sobre o “fim” inspiram não só as religiões e a pesquisa científica, mas também a literatura, a arte e o cinema.

Crônica de um vendedor de sangue, de Yu Hua (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Na China recém-convertida ao comunismo, um operário se vê obrigado a vender o próprio sangue para sustentar a família. Quando desconfia que o seu primogênito é fruto de uma relação clandestina de sua mulher, ele tem de empreender uma batalha contra seus próprios valores para provar que os vínculos afetivos que o unem ao garoto podem ser mais fortes que os laços consanguíneos.

Ho-ba-la-lá: à procura de João Gilberto, de Marc Fischer (Tradução de Sergio Tellaroli)
Um detetive alemão improvisado e sua assistente brasileira vasculham a cidade do Rio de Janeiro em busca de alguma pista que conduza ao misterioso… João Gilberto. A missão é quase impossível; o tempo para cumpri-la, curtíssimo. Menescal, Miéle, João Donato, Marcos Valle, Miúcha, o cozinheiro, o duplo, o Copacabana Palace, Diamantina — em tom de uma divertida história detetivesca, o jornalista Marc Fischer faz uma bela declaração de amor à bossa nova.

A vida de Joana d’Arc, de Erico Verissimo (Ilustrações de Rafael Anton)
Erico Verissimo constrói com delicadeza exemplar a personalidade de Joana, a menina francesa do século XV que ouvia vozes de santos e que transgrediu as convenções de seu tempo e de seu gênero vestindo-se de homem, lutando entre os soldados e defendendo seu rei.

A luz no túnel (Os subterrâneos da liberdade, vol 3), de Jorge Amado
O volume que fecha a épica trilogia apresenta o painel ficcional de um momento muito sombrio, quando republicanos espanhóis perdem a Guerra Civil para Franco, os alemães começam a Segunda Guerra e Getúlio Vargas mostra simpatia por Hitler e Mussolini.

O livro selvagem, de Juan Villoro (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Juan precisa ler um livro completamente selvagem, que não se deixa ler. Mas por que o livro resiste à leitura? E por que Juan é o único capaz de desvendar seus mistérios? Com ele, os leitores vão descobrir não só a companhia que os livros podem nos fazer nos bons e maus momentos, como também a importância de se compartilhar o prazer e o conhecimento que as leituras nos proporcionam.

Assim falou Zaratustra, de Friedrich Niestzsche (Tradução de Paulo César de Souza)
Escrito e publicado progressivamente, entre 1883 e 1885, este veio a se tornar o mais famoso livro de Nietzsche. Nele se acha o relato das andanças, dos discursos e encontros inusitados do profeta Zaratustra, que deixa seu esconderijo nas montanhas para pregar aos homens um novo evangelho. Muitas das concepções apresentadas em outras obras do autor (como a morte de Deus, o super-homem, a vontade de poder e o eterno retorno) reaparecem aqui em nova linguagem, numa singular mistura de ficção poética, indagação filosófica e reflexão religiosa.

Olavo Holofote, de Leigh Hodgkinson (Tradução de Érico Assis)
Este livro é fantástico porque ele é totalmente dedicado ao Olavo Holofote. Aliás, é tão fantástico que o Olavo acha que não sobra epaço para mais ninguém além dele… Mas, quando todo mundo cai fora, Olavo começa a pensar: para que serve se exibir para si mesmo? Com certeza, isso não é muito divertido…

Fotobiografia de Fernando Pessoa, de Richard Zenith & Joaquim Vieira
Concebido por um editor experiente e por um dos grandes especialistas em Fernando Pessoa, o livro apresenta centenas de imagens inéditas e conhecidas do poeta e sua família, desde os primeiros anos de vida do autor até os principais acontecimentos de sua vida — incluindo fotos, desenhos, caricaturas, cartas, diários, rascunhos, manuscritos e datiloscritos, reproduções de jornais e revistas em que publicou, além de obras de arte feitas em homenagem a Pessoa.

Ismael e Chopin, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Entre seus 52 irmãos coelhos, Ismael foi o escolhido pelo pai para aprender tudo o que ele tinha para ensinar. Juntos, os dois passam os dias a se aventurar pelos cantos da floresta, observando animais e plantas, e aprendendo segredos sobre um outro mundo. É que o pai de Ismael conhece a língua dos homens e a ensina ao filho — sem nem imaginar que isso levaria ao início de uma amizade muito especial, entre um coelho e um dos maiores compositores da música ocidental.

O segredo do rio, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Era uma vez um rio que passava bem em frente à casa de um menino. Ali, ele formava um lago, onde esse pequeno camponês passava grande parte de seu tempo, nadando de olhos abertos em suas águas cristalinas ou se aquecendo em um banco de areia que se formava nas laterais. Neste rio, se escondia um segredo surpreendente.

Garrafinha, de Mariana Caltabiano (Ilustrações de Rodrigo Leão)
Com seus óculos fundo de garrafa e altura de tampinha, Garrafinha se sente rejeitada por sua aparência e, como acontece a partir de certa idade, quer mais é ter amigos e ser popular. Mas seu grande motivo de sofrimento acabou se tornando a sua solução: como ela estava sempre sozinha, passava boa parte do tempo observando os outros — e também desenhando o que via. Esses desenhos fizeram sucesso entre as crianças, e Garrafinha achou o seu jeito de se expressar. Acesse o hotsite da Garrafinha para conhecer mais da personagem.

Semana setenta e sete

Os lançamentos da semana são:

Rock’n’roll e outras peças, de Tom Stoppard (Tradução de Caetano W. Galindo)
Tom Stoppard é uma das vozes mais importantes do teatro europeu pós-Beckett. Longe de ser um total desconhecido por aqui, o autor, responsável pelo roteiro de Shakespeare apaixonado, entre outros, ainda não tinha sido traduzido no Brasil. Com uma seleção de peças que cobre as características mais importantes e mais renovadoras de cada fase da produção de Stoppard, o volume apresenta desde as releituras satíricas dos clássicos e da história (como em Rosencrantz e Guildenstern morreram, que reencena o Hamlet de Shakespeare pelos olhos de dois personagens menores; e em Pastiches, que revê o enredo de A importância de ser prudente, de Oscar Wilde, com um elenco composto por Lênin, Tristan Tzara e James Joyce), passando pela produção mais vanguardística (O verdadeiro inspetor Cão, O Hamlet de Dogg, o Machbeth de Cahoot), chegando aos momentos mais “ortodoxos” da produção dos anos 1980 (aqui representada pela brilhante De verdade) e finalmente à fase lírica e pessoal mais recente do autor (representada por Arcadia e pela própria Rock ‘n’ roll).

Formação do Brasil contemporâneo, de Caio Prado Jr.
Neste livro, Caio Prado Jr. volta ao passado colonial da sociedade brasileira para entender os impasses do presente, e acaba por concluir que aquele permanecia vivo em alguns de seus traços fundamentais. A formação da nação é interpretada como parte do sistema colonial, modo de pertencimento ao capitalismo mercantil que teria conferido unidade, ainda que problemática, à vida social que se veio formando desde a colônia. O autor afirma que o processo de colonização acabou por permitir que se esboçasse no Brasil uma nacionalidade diferente daquela de modelo europeu, e até relativamente nova em termos sociais e culturais, sem que isso significasse autonomia para a sociedade nascente, mesmo depois da independência política. Apresentando nossa formação em longa duração e como parte de um todo maior, a abordagem historiográfica inovadora de Formação do Brasil contemporâneo conferiu ao livro o posto de um dos poucos clássicos incontestes da historiografia brasileira no século XX.

O último da tribo: a epopeia para salvar um índio isolado na Amazônia, de Monte Reel (Tradução de Marcos Bagno)
Um segredo bem guardado da floresta amazônica foi descoberto em 1996: o homem mais solitário do mundo. Avistado em Rondônia — um lugar que carrega a triste fama dos conflitos entre madeireiros e indígenas —, percebeu-se que era preciso conhecer esse homem de perto para criar uma área garantindo a sua proteção. Mas a dificuldade de contato com o índio extremamente arredio não é o maior obstáculo que a expedição composta de sertanistas e pessoas ligadas à Funai precisaria enfrentar. O verdadeiro pesadelo são os fazendeiros e seus advogados pouco idôneos, os deputados ditos desenvolvimentistas e o emaranhado burocrático dos órgãos oficiais de Brasília. Narrada como um thriller que tem como pano de fundo a selva amazônica, esta reportagem remonta os passos incríveis dessa saga para proteger a riqueza da floresta e o que talvez seja o último resquício de uma cultura prestes a ser extinta.

Chatô: o rei do Brasil, de Fernando Morais (Nova edição econômica)
Dono de um império de quase cem jornais, revistas, estações de rádio e televisão — os Diários Associados — e fundados do Masp, Assis Chateaubriand, ou apenas Chatô, sempre atuou na política, nos negócios e nas artes como se fosse um cidadão acima do bem e do mal. Mais temido que amado, sua complexa e muitas vezes divertida trajetória está associada de modo indissolúvel à vida cultural e política do país entre as décadas de 1910 e 1960. Chantagista, crápula, escroque, patife, ladrão tarado — de tudo o que se pode imaginar de ruim ele foi chamado (poucas vezes pela frente, é verdade) por críticos e inimigos. Mas palavras de alta voltagem como empreendedor, pioneiro, visionário, gênio e mecenas também se usaram, torrecialmente, para tentar defini-lo. Como bem mostra Fernando Morais, em nenhum dos dois casos isso se dá sem razão. Chatô, o rei do Brasil, um dos maiores best-sellers dos anos 1990 no Brasil, é obra de grande esforço jornalístico para retratar, como equilíbrio e rigor, um personagem tão complexo quanto fascinante.

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Além destes, também foram lançados mais 4 volumes da Coleção Prêmio Nobel. São títulos de autores que receberam o prêmio Nobel de Literatura, em edição limitada de capa dura e revestida de tecido.

Semana setenta e seis

Os lançamentos da semana são:

Seu genoma por mil dólares, de Kevin Davies (Tradução de Ivo Korytowski)
Câncer, diabetes, mal de Alzheimer, esclerosa múltipla, problemas cardíacos diversos: algumas das doenças mais mortíferas podem estar com os dias contados. O vertiginoso desenvolvimento das técnicas de decodificação do DNA já permite que muitas pessoas conheçam sua predisposição a vários males evitáveis. Ao mesmo tempo, pesquisas farmacêuticas imbricadas com o progresso da genética têm originado medicamentos altamente específicos e eficientes, que tornam a cura dessas doenças algo real. Da bilionária decodificação do primeiro genoma humano até os atuais serviços de análise cromossômica por correspondência, Seu genoma por mil dólares discute as principais questões tecnológicas e culturais ocasionadas pela revolução genética.

Omeros, de Derek Walcott (Tradução de Paulo Vizioli)
Poeta mulato das Antilhas, prêmio Nobel de literatura de 1992, Derek Walcott escreveu um poema destinado a permanecer entre os mais belos e instigantes do século XX. Com um desenho circular, que enfeixa tanto o mundo atemporal dos heróis gregos como o dia a dia de uma aldeia de pescadores do Caribe, Omeros (grego moderno para Homero) é, antes de tudo, uma história viva do oceano, dos povos e idiomas que por ele ressoam. Das raízes mediterrâneas aos grandes autores da língua inglesa, passando pelo patois crioulo das Antilhas e os sons africanos que pulsam até hoje nas margens do Caribe, este é um canto universal, que funde de modo magnífico o encontro de raças, línguas e culturas que se deu nas praias americanas.

Steve Jobs, de Walter Isaacson (Tradução de Berilo Vargas, Denise Bottmann e Pedro Maia Soares)
A vida de Steve Jobs tem o fascínio dos grandes folhetins: entregue para adoção ao nascer, imerso na contracultura dos anos 70 – com direito à maconha, LSD, vegetarianismo radical e peregrinação à Índia em busca de iluminação – milionário aos 25 anos, expulso de sua própria empresa aos 30 anos, retorna triunfalmente 12 anos depois. Essa biografia escrita a seu pedido, no momento em que lutava contra o câncer, é mais um exemplo dos paradoxos de Steve Jobs, conhecido por sua obsessão pelo controle de tudo: ele deixou claro que em nenhum momento interferiria em sua execução, nem exigiria ler o manuscrito antes da publicação. Como resume o próprio autor, “este é um livro sobre a vida de altos e baixos e a personalidade intensa e abrasadora de um empreendedor criativo, cuja paixão pela perfeição e cujo ímpeto feroz revolucionaram 6 indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital. É uma história tão instrutiva quanto admonitória, cheia de lições sobre inovação, caráter, liderança e valores”.

Travessias difíceis, de Simon Schama (Tradução de Denise Bottmann)
A travessia do oceano Atlântico nos porões dos navios negreiros foi uma das mais sombrias experiências de migração na história humana. Neste livro, Simon Schama trata da luta dos abolicionistas para encerrar o infame tráfico negreiro transatlântico e de suas relações com a história da colonização de Serra Leoa — a terra prometida dos ex-cativos, onde não havia escravidão. Articulando episódios fundadores do movimento antiescravista inglês ao papel desempenhado pela escravidão negra na Guerra de Independência dos EUA, Schama oferece uma envolvente narrativa sobre a luta dos africanos e de seus descendentes pela liberdade nos dois lados do Atlântico.

As esganadas, de Jô Soares
Rio, 1938. Um perigoso assassino está à solta nas ruas. Seu alvo: mulheres jovens, bonitas e… gordas. Sua arma: irresistíveis doces portugueses. Com requintes de crueldade gastronômica, ele mata sem piedade suas vítimas, e depois expõe seus cadáveres acintosamente, escarnecendo das autoridades. Com o hilariante e engenhoso As esganadas, Jô Soares está de volta ao seu gênero de predileção: o romance histórico policial. Veja um vídeo com Jô lendo um trecho do livro.

Antônio Vieira, jesuíta do rei, de Ronaldo Vainfas
Educado no colégio jesuítico de Salvador, fluente em tupi ainda na juventude e testemunha da invasão holandesa da Bahia, na maturidade Vieira foi um missionário incansável entre as tribos bravias do Maranhã e do Pará; já septuagenário, após uma longa temporada na Europa, recolheu-se a uma modesta casa religiosa na capital baiana, onde organizou a maior parte de seus escritos para publicação. Tais fatos já seriam mais que suficientes, segundo o historiador Ronaldo Vainfas, para justificar a inclusão de Vieira na coleção Perfis Brasileiros. Contudo, mesmo quando ausente do Brasil, o religioso exerceu vasta influência sobre os destinos da principal colônia portuguesa. Antônio Vieira, jesuíta do rei oferece um abrangente panorama biográfico dessa figura capital da literatura e da história da lusofonia.

Essencial Padre Antônio Vieira (Organização e introdução de Alfredo Bosi)
Embora o mundo monárquico, escravista e radicalmente dogmático de Vieira já tenha há muito desaparecido, sua extensa obra continua a iluminar a história e a literatura da lusofonia. Jesuíta, político e pregador, confessor de reis e profeta do Quinto Império, autor de centenas de sermões e de uma riquíssima correspondência, Vieira foi um homem de múltiplos interesses, unificados por sua fé inquebrantável e pela crença nos altos destinos de Portugal. Essencial Padre Antônio Vieira é uma generosa amostra de sua eloquente produção literária, incluindo alguns de seus melhores sermões, cartas e textos proféticos, além de uma esclarecedora introdução de Alfredo Bosi, membro da Academia Brasileira de Letras, e de excertos de A chave dos profetas.

A paixão de A., de Alessandro Baricco (Tradução de Roberta Barni)
Turim, anos 1970. Quatro adolescentes de 16, 17 anos, levam uma vida de classe média, pacata e sem sobressaltos. Todos são católicos, tocam numa banda de paróquia e fazem trabalho voluntário em um hospital da cidade. É quando aparece Andre, jovem rica, fascinante, desinibida, que reduz a pó a estabilidade do grupo de amigos. Seduzidos pela beleza da garota e pelo mundo completamente diferente no qual ela se move, os quatro amigos aos poucos vão se abrindo para experiências antes impensáveis, o que colocará em xeque suas convicções mais arraigadas, a começar pela fé. Tudo se precipita de modo muito veloz e, a partir de certo ponto, cada um deles seguirá seu rumo — um caminho necessariamente solitário e doloroso, mas também cheio de prazer.

E o cérebro criou o homem, de António R. Damásio (Tradução de Laura Motta)
O que é a consciência? Onde ela fica? Como se desenvolveu ao longo do processo evolutivo e que vantagens traz à sobrevivência? A ciência vem avançando na busca por essas respostas, que este livro apresenta numa discussão rica e instigante. Mas que não se espere uma resposta final. “A tarefa de compreender como o cérebro produz a mente consciente continua incompleta. O mistério da consciência ainda é mistério, apesar de termos conseguido penetrar um pouquinho em seus segredos”, diz o autor. Uma coisa é certa: sem a consciência em seu desenvolvimento máximo, a humana, não haveria ciência nem arte. E não haveria a possibilidade de buscar desvendar essa consciência. Neurocientista português radicado nos EUA, Damásio é um dos pensadores mais influentes do mundo no que diz respeito à investigação da mente.

Budapeste, de Chico Buarque
Nova edição do terceiro romance de Chico Buarque, que ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Livro de 2003. José Costa é um ghostwriter: ele escreve anonimamente, por encomenda, monografias escolares, cartas de amor, autobiografias romanceadas e até best-sellers involuntários. A versátil picaretagem mistura-se, na trama, com o seu enfeitiçamento pela língua húngara, após uma escala forçada de seu avião em Budapeste. A língua ininteligível invade-lhe os sonhos e o toma como uma idéia fixa, levando-o a criar uma tresloucada vida paralela em Budapeste. Casado aqui com uma apresentadora de telejornais, envolve-se lá com uma professora de húngaro. O que o leva, na verdade, a se afundar num estranhamento permanente, entre duas cidades, duas mulheres, dois livros, duas línguas…

A casa dos náufragos, de Guillermo Rosales (Tradução de Eduardo Brandão)
Internado pela família em uma instituição psiquiátrica em Miami, o escritor William Figueras, um cubano exilado, mergulha em um processo de desumanização gradual, apenas adiado pelo amor por uma mulher e o sonho de voltar a escrever. Massacrado pela doença mental e emparedado entre o ressentimento por Cuba e a marginalidade a que é relegado na “América livre”, Figueras naufraga sem esperança de encontrar, seja no passado ou no presente, um porto seguro. Escrito em evidente paralelismo com a experiência vivida no exílio pelo jornalista e escritor cubano Guillermo Rosales, este romance é considerado um marco da literatura hispano-americana do século XX.

Lulu: um livro sobre ser pequenininho, de Camilla Reid (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz; Ilustrações de Ailie Busby)
A Lulu tem um gato chamado Aroldo e uma coelha muito bonitinha, a Coelhalda. Vai com a mãe ao supermercado, depois ao parquinho e faz bagunça em casa com seus dois melhores amigos, a Bia e o Teo. Espiando embaixo das abas, as crianças são apresentadas aos pais da Lulu, à sua casa e a seus brinquedos favoritos. Acompanham um dia na vida da personagem, a ajudam a encontrar a Coelhalda, a contar as pombas, e adivinham qual é a janela do quarto da menininha, entre outras brincadeiras. Com linguagem atenta ao universo das crianças pequenas, as histórias da Lulu são sucesso entre o público de um a quatro anos.

Fotografando Verger, de Angela Lühning (Ilustrações de Maria Eugênia)
Pierre Verger nasceu em Paris, em 1902, em uma família com boa situação social e econômica. Contudo, a vida confortável e os costumes da sociedade europeia de seu tempo não lhe satisfaziam. Aos 30 anos, aprendeu a fotografar com um de seus amigos artistas, e fez desse o seu principal ofício. Por meio da fotografia, despediu-se de forma definitiva do mundo que lhe era familiar, e partiu em busca de novas experiências, viajando por quase todo o planeta. Nessas viagens, Verger procurava captar a identidade de cada lugar visitado, registrando em suas fotos sobretudo pessoas, em situações cotidianas e da maneira mais espontânea: em seus afazeres domésticos, no trabalho, nas horas de lazer. Na década de 1940, Pierre chegou a Salvador, cidade que desejava conhecer desde que lera Jubiabá, de Jorge Amado, ainda na França. E foi na capital baiana que ele se estabeleceu até o fim de sua vida, dedicando-se às imagens e aos estudos da cultura africana. Em 1988, na casa onde morava, criou uma fundação destinada a preservar e divulgar sua obra, bem como destacar a importância das culturas africanas e afro-brasileiras.

Dormindo com o inimigo: A guerra secreta de Coco Chanel

Jornalista experiente em política europeia, Hal Vaughan pesquisou por anos arquivos ingleses, franceses e alemães, além de coleções privadas e inúmeras entrevistas, para iluminar o “período negro” de Coco Chanel em Dormindo com o inimigo, que será lançado nesta sexta-feira (16). Com elementos de thriller de espionagem e compondo um pano de fundo arrepiante da Paris ocupada, o livro traça, com imparcialidade e grande fôlego narrativo, um novo perfil dessa grande mulher que revolucionou seu próprio tempo e é por muitos considerada um dos grandes gênios do século passado.

Abaixo, leia um trecho do primeiro capítulo do livro Dormindo com o inimigo:

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Metamorfose — de Gabrielle a Coco

Gabrielle Chanel, que se tornaria a essência da sofisticação francesa, nasceu num abrigo para pobres em Saumur, no Pays de la Loire, na França, numa tarde abrasadora de agosto de 1883. Ela descendia de uma família de camponeses que moravam nos limites de um bosque de castanheiras nas Cévennes, e foram obrigados pela praga da ferrugem a virar vendedores ambulantes. Gabrielle foi registrada com o sobrenome “Chasnel”. Possivelmente foi um erro do funcionário do cartório ou, mais provável, era essa a antiga grafia do sobrenome da família, alterada mais tarde para soar melhor. (O “s” adicional iria causar um pouco de confusão em documentos posteriores na polícia).

A mãe, Jeanne Devolle, solteira quando Chanel nasceu, e o pai, Albert Chanel, feirante, finalmente se casaram alguns anos depois. Nos doze anos anteriores à morte de Jeanne, o casal e os cinco filhos — três irmãs, Julia-Berthe, Gabrielle e Antoinette; e dois irmãos, Alphonse e Lucien — não tinham residência fixa, hospedando-se em espeluncas miseráveis enquanto Albert levava produtos para os mercados das vilas numa carroça. Quando Jeanne faleceu aos 33 anos, em 1895, Albert pôs os dois filhos para trabalhar numa propriedade rural e enviou Gabrielle, com doze, e as duas irmãs para a região inóspita de Corrèze, na França central. Lá, no orfanato do convento Aubazine, fundado no século XII por Étienne d’Aubazine, as irmãs Chanel fi caram sob a tutela de freiras.

Anos   depois,  pensando   nos   anos   humildes   no   convento, Chanel recordou: “Desde a infância, tive certeza de que haviam tirado tudo de mim, que tinha morrido. Soube disso aos doze anos. Pode-se morrer mais de uma vez na vida”.

Nenhum de seus biógrafos refletiu sobre o que teria sentido a menina Chanel em relação à vida no convento. Ela nunca falou sobre o período que passou com as freiras, nem sobre os longos anos de disciplina católica — o trabalho duro, a vida frugal. Na época, a doutrina e a teologia católicas davam ênfase ao pecado, à penitência e à salvação. Também sabemos que, na virada do século XX, instituições católicas como Aubazine doutrinavam os jovens a odiar os judeus. Chanel não era exceção. Era dada a frequentes acessos de antissemitismo. Marcel Haedrich, conhecido escritor francês e editor-chefe da revista de moda Marie Claire, relata uma conversa que teve com Chanel sobre seu livro Et Moïse créa Dieu [E Moisés criou Deus]. Ela lhe perguntou: “Por que Moisés? Você não acredita que essas velhas histórias ainda têm algum interesse, não é? Ou acha que os judeus vão gostar de sua história? Eles não vão comprar o livro!”. Quando a conversa migrou às novas butiques  de moda que se multiplicavam como cogumelos em Paris, Chanel disse: “Só tenho medo dos judeus e dos chineses, e mais dos judeus que dos chineses”. Haedrich comentou: “O antissemitismo de Chanel não era apenas verbal; mas veemente, antiquado e muitas vezes embaraçoso. Como todas as crianças de sua época, ela aprendeu o catecismo: os judeus não haviam crucificado Jesus?”.

Durante séculos, a doutrina cristã sustentou que os judeus tinham sido os assassinos de Cristo. Desde a Idade Média, os europeus pregavam que “os judeus trazem azar” e proibiam que eles ingressassem nas corporações e profissões liberais. Os judeus estavam banidos na Inglaterra na época de Shakespeare, considerados socialmente inferiores, aptos apenas para arrecadar impostos — não o tipo de trabalho que lhes traria a simpatia de famílias camponesas como os Chanel. Mais tarde, os nazistas e mesmo muitos europeus menos fanáticos acreditavam fervorosamente numa conspiração judaico-bolchevista, culpando os judeus pela invenção do comunismo.

Aos dezoito anos, Chanel se mudou para um pensionato feminino católico em Moulins. Naquele período, os franceses ainda discutiam o caso Dreyfus, escândalo que dividiu a França por quase dez anos. A saga se iniciou em 1894, com a prisão, julgamento e condenação por alta traição, com provas falsas, do capitão Alfred Dreyfus, um jovem oficial da artilharia francesa de origem alsácio-judaica. Condenado, Dreyfus foi desterrado para uma colônia penal na ilha do Diabo, na Guiana Francesa; mais tarde, passou por novo julgamento e finalmente foi absolvido em 1906. Reintegrado ao Exército francês com a patente de major, Dreyfus combateu honrosamente na Primeira Guerra Mundial, aposentando-se como tenente-coronel em 1919.

O caso Dreyfus pôs a nu as paixões antissemitas da época e a influência decisiva da Igreja católica e de seus aliados monarquistas e nacionalistas. Na adolescência de Chanel no convento e, depois, na comunidade católica em Moulins, “o antissemitismo estava em plena efervescência”. La Croix, jornal católico assuncionista de grande circulação, “atacava ferozmente os judeus”. Um típico porta-voz da posição da Igreja era o padre jesuíta Du Lac, guia espiritual do jornalista Édouard Drumont, autor de La France Juive [A França judaica]. Drumont cunhou o lema “A França para os franceses” — que ainda hoje ressoa na política francesa, em especial nas campanhas de Jean-Marie le Pen e sua filha Marine, agora líder do poderoso partido de extrema direita, Front National.

Chanel não teria como escapar à campanha de propaganda da Igreja católica contra o oficial judeu Dreyfus. Mais tarde, o medo e o ódio que alimentava pelos judeus se tornaram notórios e muito constrangedores — mesmo para os que abraçavam uma forma mais branda de antissemitismo.

Aos vinte anos, Chanel começou a trabalhar como costureira e, nas horas vagas, cantava num bar frequentado basicamente por oficiais da cavalaria. Lá ela se tornou “Coco”, nome extraído de uma cançoneta de seu repertório, ou talvez diminutivo de cocotte, termo francês para uma mulher sustentada por amantes.

Foram seus olhos negros ardentes, o corpo admirável, a beleza e a magreza quase infantis que acabaram cativando o coração de um rico ex-oficial, Étienne Balsan. Chanel pôs de lado agulhas, linhas, a coqueteria dos bares e a perspectiva de uma vida insípida. Aos 23 anos tornou-se amante de Balsan, morando nos três anos seguintes em seu castelo e haras em Compiègne, a 75 quilômetros de Paris. Na densa floresta de Compiègne, entre pântanos e charnecas, várzeas e lagoas, Chanel, o amante e seus amigos iam à caça nos cavalos do haras de Balsan, em trilhas antes usadas pelos reis da França.

Balsan, filho de uma rica família de industriais têxteis que forneciam uniformes ao Exército francês, providenciou que Chanel adquirisse sólida formação hípica — montando de lado e de frente — e lhe ensinou a administrar o haras. As fotos de Chanel a cavalo mostram seu porte altivo; numa, em especial, ela monta um belo baio de caça, com quepe e tranças, conduzindo-se com orgulho e segurança. Seu gosto por cavalos e seus dotes hípicos lhe seriam muito úteis anos depois, ao caçar com Hugh Grosvenor, duque de Westminster, conhecido como Bendor, e seus amigos, entre eles Winston Churchill e seu filho Randolph.

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