biografia

Semana sessenta e um

Os lançamentos da semana são:

Os fatos são subversivos, de Timothy Garton Ash (Tradução de Pedro Maia Soares)
Timothy Garton Ash dedica-se há décadas a uma atividade híbrida entre jornalismo e historiografia: escrever a “história do presente”. Ele vai ao lugar onde as coisas estão acontecendo, entrevista pessoas nas ruas, discute com políticos, intelectuais e militantes. E essas reportagens são complementadas com a pesquisa e a reflexão que faz nas universidades de Oxford e Stanford, onde leciona. Neste livro estão reunidos artigos sobre a primeira década do século XXI, que tratam, por exemplo, das relações entre islamismo e terror, temática que o autor aborda com uma visão liberal equilibrada, sempre preocupada com a tolerância e o respeito pela diversidade. Com esse mesmo olhar, ele acompanha de perto a situação em países como Ucrânia, Belarus, Sérvia e Macedônia, bem como Birmânia, Brasil, Egito e Irã.

O cavaleiro da esperança, de Jorge Amado (Posfácio de Anita Leocadia Prestes)
Jorge Amado decidiu escrever a biografia de Prestes em 1941, como forma de pressionar pela libertação do líder revolucionário, preso desde 1936. Viajou então ao Uruguai e à Argentina, onde Prestes havia se exilado anos antes. O autor narra os momentos mais dramáticos da trajetória de Prestes: a épica coluna que atravessou o Brasil entre 1924-27, o exílio, a tentativa frustrada de levante contra Getúlio Vargas em 1935, a prisão na solitária, a entrega de Olga Benário — grávida de Anita Leocadia, que escreve o posfácio desta edição — ao governo nazista, a campanha internacional de Leocadia, mãe de Prestes, pela libertação do filho e de Olga, e pela guarda da filhinha do casal.

Monsieur Pain, de Roberto Bolaño (Tradução de Eduardo Brandão)
Paris, 1938. Enquanto a maioria dos franceses ainda lutava com os fantasmas da Primeira Guerra, pairava no ar uma tensão causada pela ascensão de regimes fascistas na Europa. Neste peculiar período, a capital francesa era habitada por poetas e romancistas vanguardistas, artistas selvagens e curandeiros nada convencionais: os mesmeristas. Discípulo dessa terapia heterodoxa, o obscuro protagonista do livro tem a missão ingrata de curar um poeta com ataques crônicos de soluço. Monsieur Pain, um dos primeiros romances escritos por Bolaño, é uma peça rara em sua obra: um livro atmosférico, repleto de temas caros à literatura de gênero, como o ocultismo, a busca detetivesca e a confusão entre sonho e realidade. Enquanto Pain se deixa levar pelo mistério, as fronteiras entre o que é real e o que é imaginação se dissolvem.

Borges oral & Sete noites, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Em Borges oral (1979) e Sete noites (1980) se acham escritas palavras que brotaram da boca de um narrador cego, que falava como um sábio sibilino e irônico a auditórios do mundo todo. Sempre modesto, mas sem deixar de aludir a modelos gloriosos — Sócrates, Pitágoras, Cristo, Buda — e a outros mais próximos, como Macedonio Fernández, Borges (1899-1986) apresentava-se, na última etapa de sua vida, como um grande mestre da oralidade. A princípio tímido e reservado, a ponto de se ocultar em meio à plateia e pedir a um amigo para ler a conferência que redigira, com os anos e a progressiva cegueira, o escritor argentino tornou-se um narrador oral, como se quisesse dissolver-se na tradição épica dos narradores anônimos. Embora aparentemente abstratos e intelectuais, os temas de suas conferências são tratados num recorte concreto, a que servem exemplos precisos, sempre manipulados com perfeição pelo refinado contador de casos, que não perde uma deixa para uma frase de humor e se orienta em meio às dificuldades do assunto pela força da memória e da imaginação.

O anexo: a incrível história do garoto que amava Anne Frank, de Sharon Dogar (Tradução de Luiz A. de Araújo)
O diário de Anne Frank, um dos textos mais célebres do século XX, lido por jovens e adultos do mundo inteiro, só foi publicado graças ao pai da menina, o único sobrevivente dentre as 8 pessoas que passaram 2 anos escondidas no anexo de uma casa em Amsterdam, durante a perseguição aos judeus organizada pelos nazistas. Neste romance, a inglesa Sharon Dogar se baseia no diário mundialmente conhecido para imaginar como teria sido conviver de perto com Anne Frank e até se apaixonar por ela. É através dos outros de outro adolescente que acompanhamos a sensação clautrofóbica de morar no esconderijo, a revolta por não poder lutar contra o inimigo e as aflições de se viver numa época tão sombria.

Macbeth, de Andrew Matthews (Ilustrações de Tony Ross; Tradução de Érico Assis)
Macbeth, general do exército escocês, é um defensor leal do rei e de sua pátria. Mas, ao voltar de uma batalha, depara com três bruxas que lançam uma profecia: ele se tornará rei. A previsão desperta as ambições mais secretas de Macbeth: impelido pela esposa, ele assassina o rei e é proclamado o novo regente. E este é só o primeiro de uma série de crimes que irá cometer. Bruxas, um fantasma e um punhal espectral… prepare-se para muita aventura, nesta que se tornou uma das mais famosas peças de Shakespeare. Além da adaptação em prosa da peça, o livro traz um prefácio da autora e pesquisadora brasileira Marta de Senna e dois posfácios: um sobre a questão do mal em Macbeth e outro sobre a dificuldade enfrentada pelos escritores da época de Shakespeare em encontrar papel para escrever.

Semana cinquenta e quatro

Os lançamentos da semana são:

Liberdade, de Jonathan Franzen (Tradução de Sérgio Flaksman)
Um estudante idealista e meio nerd, uma jogadora de basquete com carreira promissora e um roqueiro rebelde metido a poeta se conhecem no fim dos anos 1970, na Universidade de Minnesota. Duas décadas depois, a crise do casamento de Walter e Patty Berglund ameaça estilhaçar sua imagem arquetípica de família liberal de classe média, ao mesmo tempo que Richard Katz se torna um espectro promíscuo e solitário que deseja apenas fugir da própria fama. No despertar do novo milênio, eles têm a impressão de já terem vivido tudo. Mas é somente agora, numa época em que a liberdade lhes parece tão onipresente quanto fugidia, que as coisas começam realmente a se complicar. Poderoso painel da vida contemporânea, povoado por personagens tão reconhecíveis quanto surpreendentes, Liberdade reatesta a posição de Jonathan Franzen como um dos grandes autores americanos da atualidade. Veja o vídeo do editor, André Conti, falando sobre o livro:

As correções, de Jonathan Franzen (Tradução de Sérgio Flaskman; Nova edição econômica)
Alfred Lambert é um engenheiro ferroviário aposentado, teimoso e cheio de manias agravadas pelo mal de Parkinson recentemente diagnosticado. Enid Lambert é uma dona de casa comum, às vezes mesquinha, às vezes frívola. O casal, na faixa dos setenta anos, leva um cotidiano de torturas mútuas numa pequena cidade do Meio-Oeste americano. Gary, Chip e Denise, os três filhos, mudaram-se para metrópoles da costa Leste a fim de tentar a sorte e deixar para trás a mediocridade da vida em família. Jonathan Franzen, uma das principais vozes da ficção americana, conta uma saga contemporânea a um só tempo trágica e cômica, que vai de Nova York até a Lituânia, e expõe dramas pessoais, crises conjugais, a sedução irresistível do dinheiro e os conflitos religiosos e culturais que separam duas gerações.

Estrela amarela, de Jennifer Roy (Tradução de Ernani Ssó)
Em setembro de 1939 os alemães invadiram a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Pouco tempo depois, trataram de isolar os judeus em guetos, como o de Lodz, onde, entre 233 mil pessoas, havia uma menina de quatro anos chamada Sylvia — uma entre as doze crianças desse gueto que sobreviveram ao Holocausto. Em Estrela amarela, a própria Sylvia, tia da autora, fala sobre esses seis anos de luta pela sobrevivência, compartilhando as dúvidas, os medos e as pequenas alegrias de uma criança judia em meio ao nazismo.

Essencial Franz Kafka, tradução e organização de Modesto Carone
Apesar de seu estado fragmentário, o espólio literário de Kafka — publicado na maior parte em edições póstumas, graças à generosa traição de Max Brod, que se recusou a destruí-lo conforme a vontade do amigo — é considerado um dos monumentos artísticos mais importantes do século XX. O Essencial Kafka reúne momentos antológicos do autor de O processo, incluindo contos, fábulas e a novela A metamorfose, na íntegra, além de 109 aforismos. Modesto Carone é responsável pela introdução e pelos comentários, além de assinar a tradução, feita a partir dos originais em alemão, o que permitem que os textos sejam lidos (ou relidos) com fidelidade ao estilo labiríntico da prosa kafkiana.

O livro de Praga, de Sérgio Sant’Anna
Os sete contos de que compõem o sexto volume da coleção Amores Expressos narram a viagem improvável do escritor Antônio Fernandes à capital tcheca. Ele está interessado em arte: sua atenção se volta para a pintura de Andy Warhol, a música da pianista Béatrice Kromnstadt, as esculturas da ponte Carlos, a peça teatral em que a Alice de Carroll contracena com sua sombra, o texto de Kafka tatuado num corpo feminino… Suas aventuras insistem na ideia de que transcendência, arte e sexo convergem em morte.

Chão de meninos, de Zélia Gattai
Entre viagens a países longínquos e sentimentos ambíguos diante da política e da realidade, pequenas histórias do dia a dia e amigos que não param de lhe trazer surpresas, Zélia Gattai continua sua trajetória de narradora sábia e serena neste livro de memórias delicado. Lançado no ano em que Jorge Amado completou oitenta anos de idade, Chão de meninos retoma os temas que guiaram Zélia Gattai em sua travessia do mundo. Em primeiro lugar, a paixão por Jorge. Depois, a fé, às vezes vacilante, mas sempre forte, no socialismo. E, por fim, o amor incondicional pelos amigos, a aposta, sem receio, nos outros.

As variações Bradshaw, de Rachel Cusk (Tradução de Fernanda Abreu)
Com quase quarenta anos e pais de uma filha de oito, Thomas Bradshaw e sua mulher, Tonie, têm uma vida estável nos arredores de Londres. No entanto, quando Tonie é chamada a trocar as aulas de literatura em tempo parcial pelo cargo de chefe do departamento de inglês na universidade, abandona a zona de conforto do trabalho entremeado à vida doméstica e avança com curiosidade por seu novo universo solidamente regulado. Movido por curiosidade simetricamente oposta, Thomas abdica de seu próprio emprego e assume o antigo lugar de Tonie, cuidando dos afazeres domésticos e estudando piano, à procura de resposta para a pergunta: “O que é a arte?”. Composto de cenas fragmentárias, esse romance apresenta um sutil panorama social por meio de consciências singulares.

Vida de um homem: Francisco de Assis, de Chiara Frugoni (Tradução de Federico Carotti)
O grande traço distintivo de Francisco de Assis foi saber responder com uma religiosidade ativa e generosa às trevas terrenas. Ele falava mais de perto a homens e mulheres às voltas com novos problemas e práticas, que não se deixavam guiar apenas pelo temor a um Deus punitivo. De modo simples, preciso e delicado, a historiadora medievalista Chiara Frugoni investiga a vida do homem (e santo) que forjou o conceito de individualidade e, para muitos, antecipou os valores do Renascimento.

Semana cinquenta

Os lançamentos da semana são:

Eva Braun — A vida com Hitler, de Heike B. Görtemaker (Tradução de Luiz A. de Araújo)
Mundana e vaidosa, amante dos esportes, do cinema, da música e da dança, fumante e adepta do nudismo, Eva Braun incorporava pouco o ideal de mulher nacional-socialista. Talvez por causa dessa pecha de futilidade e inconsequência que sempre roundou a figura da namorada do Führer, as historiografia tenha ressaltado persistentemente a insignificância de Eva, sua posição à margem das decisões que levaram aos piores crimes do século XX. Tentando mudar esse estado de coisas — e, por meio da vida íntima, ajudar na compreensão histórica do Terceiro Reich —, a historiadora Heike B. Görtemaker fez extensa pesquisa, da qual emergem não só os anos de formação da biografada, sua família e meio social, como uma inédita história social da bizarra corte nacional-socialista, em especial no refúgio alpino do ditador, o Berghof, no qual Eva reinava como clara soberana entre as poucas figuras medíocres a quem era permitido o convívio com Hitler. Aliando rigor acadêmico e fluência literária, Eva Braun oferece um panorama vívido desse mundo assustador em que a normalidade cotidiana convivia com um ideário genocida.

Brooklyn, de Colm Tóibín (Tradução de Rubens Figueiredo)
No início dos anos 1950, a Irlanda não oferece futuro para jovens como Eilis Lacey. Sem encontrar emprego, ela vive na pequena Enniscorthy com a mãe viúva e a irmã Rose. Mas eis que o padre Flood lhe faz uma oferta de trabalho e moradia no Brooklyn, Estados Unidos. De início apavorada com a ideia de sair do ninho familiar, ela acaba partindo rumo à América. Triste e solitária em seu novo mundo, a tímida Eilis acaba por estabelecer uma rotina de trabalho diurno e estudo noturno na faculdade de contabilidade. No baile semanal da paróquia, conhece um jovem de origem italiana que aos poucos entra em sua vida. Mas quando começa a se sentir mais livre e segura, Eilis é obrigada a voltar, por algumas semanas, para Enniscorthy. E ali ela se vê, mais uma vez, diante de uma escolha muito difícil.
Sem nunca fazer de Eilis uma heroína clássica, Colm Tóibín trama uma delicada teia de sentimentos ocultos, de aceitação do destino e de sonhos abandonados que deixará o leitor preso à história muito tempo depois de terminar o livro.

Nunca vai embora, de Chico Mattoso
Renato Polidoro conheceu Camila no consultório odontológico — não em consulta, mas durante uma filmagem. Ocorreu então um pequeno milagre: a esperta aluna de cinema se apaixonou pelo dentista em eterna crise de autocomiseração. Para Renato, o romance com Camila foi providencial, pois varreu para debaixo do tapete boa parte de suas agruras emocionais. Quando a garota termina a faculdade, decide arrastar o namorado para a viagem tão sonhada: Havana. Na capital cubana, ela pretende fazer um documentário que dê vazão a suas elevadas (e um tanto quanto idealizadas) ambições estéticas. Mas logo o que prometia ser uma temporada caliente resulta em uma sucessão de desencontros — e em um desaparecimento misterioso.
Em ritmo vertiginoso, Nunca vai embora é o relato de uma paixão obsessiva, que encontra eco nas idiossincrasias de um país que também parece viver à deriva, flutuando em algum lugar entre a nostalgia e a esperança. Combinando humor e melancolia, este é um livro sobre a busca de um jovem por amor, sexo e, talvez principalmente, algum sentido para um mundo que não admite se deixar controlar.
[Haverá sessão de autógrafos em São Paulo dia 3 de maio.]

Borges — Uma vida, de Edwin Williamson (Tradução de Pedro Maia Soares)
Esta é a primeira biografia que abrange toda a vida e a obra de um dos maiores escritores de todos os tempos. Com base em fontes anteriormente desconhecidas ou fora do alcance dos pesquisadores, revela o lado humano de Jorge Luis Borges: suas relações com uma família complexa e com os muitos amigos (e inimigos), as dificuldades de relacionamento com as mulheres e as profundas raízes argentinas desse escritor cosmopolita. Professor de literatura espanholoa em Oxford, Edwin Williamson traça com maestria a evolução das ideias políticas de Borges, desde as inclinações esquerdistas da juventude, a defesa do nacionalismo cultural e a postura claramento antifacista que o levou a se posicionar contra Perón, até o controvertido apoio às ditaduras militares da década de 1970 e o pacifismo de seus últimos anos. Williamson estabelece também correlações inéditas e surpreendentes entre a vida e a obra de Borges, numa tentativa ousada de compreender a vida através da obra e de dar uma explicação psicológica para os enigmáticos textos do maior escritor argentino do século XX.

A viúva grávida, de Martin Amis (Tradução de Rubens Figueiredo)
Três estudantes da Universidade de Londres passam férias de verão num castelo da tórrida Campania italiana. O ano é 1970. Lily namora Keith Nearing, estudante de literatura inglesa e aspirante a poeta. Às vésperas de completar 21 anos, entretanto, Keith só tem olhos para a bela Scheherazade, para suas medidas exuberantes e seus inocentes banhos de sol à beira da piscina. À maneira de uma divertida e apimentada comédia de costumes, o novo romance de Amis nos situa, de início, entre uma galeria variada de personagens que tateiam por um mundo em transformação radical. Mas trinta longos anos são necessários até que o verão de 1970 alcance um Keith Nearing já cinquentenário. E sobre cada um deles paira uma sombra trágica: Violet. Ousado e controvertido, A viúva grávida é um acerto de contas com a revolução sexual e com o mundo que ela gestou, mas é também um tributo pungente à irmã de Amis, Sally, morta em 1999 aos 46 anos de idade.

Semana quarenta e quatro

Os lançamentos da semana são:

A vida imortal de Henrietta Lacks, de Rebecca Skloot (Tradução de Ivo Korytovsky)
A vida imortal de Henrietta Lacks reconstitui a vida e a morte de uma das mais injustiçadas personagens da história da medicina. O livro demonstra como o progresso científico do século XX deveu-se em grande medida a uma mulher negra, pobre e quase sem instrução. Doadora involuntária da linhagem “imortal” de células HeLa, a mais pesquisada em todo o mundo, a protagonista do premiado livro de estreia de Rebecca Skloot recebe uma merecida e tardia homenagem. O livro foi eleito pelo New York Times como um dos melhores de 2010, e você pode ver seu trailer e ler a resenha publicada pela revista Época.

Diário da queda, de Michel Laub
Um garoto de treze anos se machuca numa festa de aniversário. Quando adulto, um de seus colegas narra o episódio. A partir das motivações do que se revela mais que um acidente, cujas consequências se projetam em diversos fatos de sua vida nas décadas seguintes — a adolescência conturbada, uma mudança de cidade, um casamento em crise —, ele constrói uma reflexão corajosa sobre identidade, afeto e perda. Dessa reflexão fazem parte também as trajetórias de seu pai, com quem o protagonista tem uma relação difícil, e de seu avô, sobrevivente de Auschwitz que passou anos escrevendo um diário secreto e bizarro. São três gerações, cuja história parece ser uma só. É uma viagem inusitada pela memória de um homem no momento em que ele precisa fazer a escolha que mudará sua vida. Assista ao trailer no nosso canal do YouTube.

O décimo primeiro mandamento, de Abraham Verghese (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Em 1954, nascem num hospital de Adis Adeba os gêmeos Marion e Shiba, filhos da união trágica entre um cirurgião inglês e uma jovem freira indiana. Com a morte da mãe no parto e o desaparecimento do pai, os meninos são criados por um casal de médicos missionários. Crescem unidos e interessados em medicina, numa Etiópia marcada pela turbulência política. Mas é o amor de Marion por uma mulher, muito mais do que a política, que vai separar de vez o destino dos dois irmãos. E é a medicina que vai uni-los quilômetros e anos depois, quando Marion terá de confiar sua vida aos dois homens de quem ele mais desconfiava: o pai, que o abandonou, e o irmão, que o traiu. Uma viagem inesquecível pela África e pelos Estados Unidos, pela medicina e pela literatura, e uma história sobre o poder, a intimidade e a beleza que existe no trabalho daqueles que cuidam de salvar a vida dos outros.

2 cores, de Renata Bueno (Ilustrações de Mirella Marino e Renata Bueno)
Este livro é o resultado de uma espécie de jogo: duas amigas ilustradoras escolheram duas cores — preto e vermelho — para criar ilustrações juntas. Uma começava o desenho e depois o passava à outra para que ela o terminasse. Manchas viraram bichos, linhas formaram pessoas, um simples círculo se transformou em um monstro. O último desafio foi criar o texto para cada uma dessas ilustrações, que, agrupadas, dão uma aula de imaginação às crianças. Ao final do livro, as autoras falam sobre essa experiência e sugerem aos leitores que se divirtam da mesma maneira: basta chamar um amigo para que um complete o desenho do outro.

Às avessas, de Joris-Karl Huysmans (Tradução de José Paulo Paes)
Este romance turbulento e original tem apenas um personagem. Des Esseintes é um aristocrata doente e em decadência que, ao se refugiar no campo, entrega-se à luxúria e ao excesso. Oscilando entre a inquietude e a debilidade, ele satisfaz seu apetite estético com literatura clássica, arte, joias exóticas, perfumes caros e um caleidoscópio de experiências sensuais. Às avessas, nas palavras do autor, caiu “como um meteorito” no cenário literário de sua época, e seu status de obra cult só fez aumentar ao longo do tempo. Esta edição traz introdução e notas de Patrick McGuinness e um prefácio escrito pelo autor em 1903, vinte anos deois da publicação do romance. E, complementando a fortuna crítica do livro, uma seleção de textos escritos por Mallarmé, Émile Zola e Oscar Wilde, entre outros.

Fama, de Daniel Kehlmann (Tradução de Sonali Bertuol)
Nove histórias se entrelaçam para formar este romance do premiado escritor alemão Daniel Kehlmann. Ele nos apresenta situações absurdas, mal-entendidos ou trocas de papéis, decisões inusitadas, encontros e desencontros que revelam a fragilidade das relações humanas nos universos da fama e do anonimato. Entram em cena escritores, um ator de cinema famoso e pessoas ditas “comuns”. Logo percebemos que todos eles correm o risco de perder a própria identidade, por conta da exposição excessiva a que estão sujeitos — uma das consequências de tantas novas tecnologias e meios de comunicação. Com uma prosa elegante, boas doses de humor e sem cair nas armadilhas da superficialidade, Kehlmann constrói um jogo provocador, em que não para de questionar as fronteiras entre ficção e realidade.

Na casa do Leo — Os egípcios, de Philip Ardagh (Ilustrações de Mike Gordon; Tradução de Érico Assis)
Leo é um menino como outro qualquer, a não ser por um detalhe: em sua casa, ele costuma receber as visitas mais extraordinárias. Desta vez, são os antigos egípcios que vão aparecer por lá — e tudo pode acontecer ao se abrir uma porta, como dar de cara com uma pirâmide no quintal ou um faraó na sala de estar. Com seu cachorro de estimação, o Naftalina, Leo vai percorrer os cômodos da casa guiado por Bata, o herdeiro do faraó, e descobrir, entre outras coisas, as brincadeiras preferidas das crianças egípcias; a escrita em hieróglifos; as pirâmides e seu método de construção; e como os mortos eram mumificados. Repleto de ilustrações e em formato de história em quadrinhos, o livro é escrito em linguagem acessível para leitores que estão começando a aprender sobre as antigas civilizações.

Move tudo!, de Marcelo Cipis
Ao assistirmos às imagens projetadas na imensa tela do cinema, muitas vezes sentimos vontade de estar naqueles incríveis cenários, ou até nos identificamos com os personagens, como que entrando imaginariamente em seus papéis. A brincadeira deste novo livro do artista plástico Marcelo Cipis é exatamente esta: em uma projeção de cinema, cenário e personagens do filme influenciam a plateia, assim como os espectadores acabam imprimindo modificações no que se passa na tela, entrando e saindo de lá. O fundo do mar projetado transforma espectadores em banhistas; ao assistir a uma cena de corrida, todos viram corredores; um balão sai da tela, recolhendo os espectadores e levando-os para bem longe… Não há regras e a movimentação é intensa.

Semana quarenta e três

Os lançamentos da semana são:

Cláudio Manuel da Costa, de Laura de Mello e Souza
O mineiro Cláudio Manuel da Costa, consagrado pelos versos de Vila Rica, poema dedicado à fundação da capital “das Minas Gerais”, é revisitado de maneira inovadora nesse perfil biográfico escrito por Laura de Mello e Souza, que pesquisou inventários, escrituras e processos judiciais para reconstituir os passos do poeta no Brasil e na Europa. O leitor é transportado à Minas Gerais do século XVIII, onde Cláudio Manuel da Costa exerceu a carreira de advogado paralelamente à de poeta, engajando-se também no movimento da Inconfidência Mineira. Leia o post que Lilia Moritz Schwarcz fez sobre uma das muitas controvérsias que marcam a vida do poeta.

Onde os homens conquistam a glória, de Jon Krakauer (Tradução de Ivo Korytovski)
Jon Krakauer, autor de Na natureza selvagem, reconstitui a trajetória de Pat Tillman — astro do futebol americano que se tornou um dos principais ícones do patriotismo pós-11 de setembro ao abrir mão de uma carreira milionária para servir no Afeganistão. Tillman foi morto acidentalmente por um colega após uma sequência de manobras equivocadas de sua unidade de combate. A reação oficial foi um cínico encobrimento da verdade aprovado pelos mais altos escalões do governo e uma série de investigações que resultariam ineptas não fosse a determinação de Dannie Tillman em descobrir o que acontecera com seu filho. Em uma pesquisa de fôlego, Krakauer reconstrói a trajetória de Pat Tillman e expõe a farsa arquitetada para encobrir aquele que se tornaria um dos mais emblemáticos escândalos militares da era Bush.

O negócio do Brasil, Evaldo Cabral de Mello
Sessenta e três toneladas de ouro: esse foi o preço que Portugal pagou aos holandeses para que eles devolvessem o Nordeste aos lusitanos; essa negociação teria sido o arremate de uma guerra que já havia sido vencida pelos portugueses, que mesmo assim sentiam-se vulneráveis ao rivalizar com a principal potência econômica e militar do século XVII. A tese heroica de que os holandeses foram expulsos mediante a valentia dos portugueses, dos índios e dos negros é revista nessa reconstituição histórica feita por Evaldo Cabral de Mello, um dos maiores historiadores brasileiros, especialista em história regional e no período de domínio holandês em Pernambuco no século XVII.

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