boris fausto

Semana trezentos e dezesseis

Companhia das Letras

Trabalho urbano e conflito social – 1890-1920, de Boris Fausto
Trabalho urbano e conflito Social, do historiador Boris Fausto, foi publicado pela primeira vez em 1976. O livro trata da história da formação da classe trabalhadora e do movimento operário no Rio de Janeiro e em São Paulo, entre 1890 e 1920. O surgimento de uma classe trabalhadora urbana e industrial no Brasil é acompanhado de perto pela reconstituição de suas formas de organização e mobilização política. Visionário e rigoroso, este livro é uma referência obrigatória para quem deseja entender o que foram as relações de trabalho no século XX no Brasil.

Paralela

A espiã, de Paulo Coelho
“Sou uma mulher que nasceu na época errada e nada poderá corrigir isso. Não sei se o futuro se lembrará de mim mas, caso isso ocorra, que jamais me vejam como uma vítima, mas sim como alguém que deu passos com coragem e pagou sem medo o preço que precisava pagar.” Mata Hari foi a mulher mais desejada de sua época: a famosa bailarina de danças orientais que chocava e encantava as plateias ao se desnudar nos palcos, a companheira de confidências e de encontros amorosos com os homens ricos e poderosos de seu tempo, a pessoa de passado enigmático que despertava o ciúme e a inveja das damas da aristocracia parisiense. Ela ousou se libertar do moralismo e dos costumes provincianos das primeiras décadas do século XX e pagou caro por isso: em 1917, foi executada pelo pelotão de fuzilamento do exército francês, sob alegações de espionagem de guerra. Em seu novo romance, Paulo Coelho mergulha com brilhantismo na vida dessa mulher fantástica, revivendo-a para o leitor contemporâneo como uma lição de que as árvores mais altas nascem de pequenas sementes.

Seguinte

Lobo por lobo, de Ryan Graudin (tradução de Guilherme Miranda)
Era uma vez, em outra época, uma garota que vivia no reino da morte. O Eixo ganhou a Segunda Guerra Mundial, e a Alemanha e o Japão estão no comando. Para comemorar a Grande Vitória, todo ano eles organizam o Tour do Eixo: uma corrida de motocicletas através das antigas Europa e Ásia. O vencedor, além de fama e dinheiro, ganha um encontro com o recluso Adolf Hitler durante o Baile da Vitória. Yael é uma adolescente que fugiu de um campo de concentração, e os cinco lobos tatuados em seu braço são um lembrete das pessoas queridas que perdeu. Agora ela faz parte da resistência e tem uma missão: ganhar a corrida e matar Hitler. Mas será que Yael terá o sangue frio necessário para permanecer fiel à missão?

Objetiva

Petrobras – Uma história de orgulho e vergonha, de Roberta Paduan
Um retrato revelador da crise da maior empresa do Brasil. Como a empresa que por tanto tempo foi espelho do que o Brasil tem de melhor se tornou sinônimo de roubo em grande escala? É o que a jornalista Roberta Paduan explica no impactante “Petrobras – Uma história de orgulho e vergonha”, que a Editora Objetiva lança em julho. Fruto de um trabalho extenso de pesquisa e apuração, o livro narra como a estatal foi cenário de vários casos de mau uso político e desvio de verbas ao longo de sua existência, nos governos posteriores à ditadura militar, até se tornar totalmente refém de um esquema de corrupção bilionário sob as presidências de Lula e Dilma. Repórter e editora da revista “Exame”, onde cobriu o Petrolão de perto, Roberta revê a cronologia do escândalo combinando histórias chocantes de bastidores com informações apresentadas de maneira acessível, ajudando o leitor a compreender a magnitude dos danos feitos à petroleira e seus desdobramentos. A Operação Lava-Jato surge como fio-condutor nos principais momentos, muitos dos quais ganham ares de thriller dado o ritmo do texto e o caráter cinematográfico dos personagens e suas ações. Um retrato revelador do debacle de um dos maiores simbolos do Brasil.

Fontanar

Nunca é tarde demais, de Julia Cameron com Emma Lively (tradução Alexandre Boide)
Um programa objetivo, que oferece ferramentas simples e acessíveis para inspirar e aproveitar ao máximo a melhor fase da vida. A chamada “terceira idade” pode ser um momento de grandes inseguranças: tédio, falta de disposição, sensação de vazio e medo do desconhecido são apenas alguns dos aspectos que podem nos assombrar. A liberdade adquirida pela aposentadoria pode ser muito estimulante, mas também bastante assustadora. Nunca é tarde demais transforma esses temores em grandes possibilidades. Repleto de exemplos práticos, este livro mostra como desenvolver a própria criatividade, usando o tempo e a experiência a nosso favor, para fazer deste o período mais rico, completo e criativo da vida, comprovando que nunca é tarde demais para começar de novo.

Companhia das Letrinhas

Karlsson no telhado, de Astrid Lindgren (ilustrações de Ilon Wikland e tradução de Fernanda Sarmatz Åkesson)
Lillebror queria muito ganhar um cachorrinho. Mas, em vez disso, acabou ganhando um amigo muito peculiar, que chegou voando pela janela: Karlsson, um morador do telhado de seu prédio. Karlsson é um homenzinho muito confiante. Apesar de criar várias confusões, ele não perde a pose e acha que é o melhor do mundo em tudo! E para Lillebror, sem dúvida ele é o melhor companheiro de brincadeiras. Os dois vivem aventuras no telhado, fazem shows de mágica, se disfarçam de fantasma e brincam até de mamãe e filhinho. Mas será que essa figura tão particular existe mesmo? Ou Karlsson é fruto da imaginação de Lillebror?

Reimpressões

A grande história da evolução, Richard Dawkins
A varanda do Frangipani (nova capa), Mia Couto
Antes de nascer o mundo (nova capa), Mia Couto
Ética, Fabio Konder Comparato
Foe, J. M. Coetzee
O continente – Vol. 2, Erico Verissimo
O último voo do flamingo (nova capa), Mia Couto
Poemas escolhidos, Mia Couto
Uma menina está perdida no seu século à procura do pai, Gonçalo M. Tavares
O livro dos porquês, Vários autores
Cisnes selvagens (edição de bolso), Jung Chang
O homem duplicado (edição de bolso), José Saramago
Orações de Nossa Senhora, Carolina Chagas
Os desafios à força de vontade, Kelly McGonigal
Foco, Daniel Goleman
O erro, Elle Kennedy
Dez dias que abalaram o mundo, John Reed
O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

Semana vinte e nove

Os lançamentos desta semana foram:

A ponte: vida e ascensão de Barack Obama, de David Remnick (Tradução de Celso Nogueira e Isa Mara Lando)
A ponte é a mais completa biografia já escrita sobre Barack Obama. Através de centenas de entrevistas e uma cuidadosa reconstituição biográfica e histórica, o jornalista David Remnick empreendeu uma viagem às raízes do presidente americano, refazendo os passos de sua educação “política, racial e sentimental”.

Memórias de um historiador de domingo, de Boris Fausto
Neste segundo volume de suas memórias, Boris Fausto — um dos mais respeitados historiadores brasileiros — se debruça sobre o começo de sua vida adulta, a formação em direito, a luta política e a construção da família. Leia aqui o post que Lilia Moritz Schwarcz escreveu ao receber o manuscrito.

O Natal do carteiro, de Janet & Allan Ahlberg (Tradução de Eduardo Brandão)
É Natal! Para que todos fiquem felizes, o Papai Noel deve receber as cartas com os pedidos das crianças, assim como cada um de nós — os personagens dos contos de fada incluídos — deve receber a sua correspondência. E viva o Carteiro, o grande responsável por toda essa troca de afetos.

O emblema vermelho da coragem, de Stephan Crane (Tradução de Sérgio Rodrigues)
Um dos primeiros clássicos modernos da literatura norte-americana, O emblema vermelho da coragem foi também pioneiro ao retratar de maneira realista a Guerra Civil americana, do ponto de vista de um soldado jovem e inexperiente. Essa chave serve para situar o leitor no conflito em pé de igualdade com o protagonista, e conforme ele vai desvendando a incipiente máquina de guerra da União somos transportados a campos de batalha e lutas sangrentas, numa prosa rica e vibrante.

Bis, de Ricardo da Cunha Lima (Ilustrações de Luiz Maia)
Poemas que falam de uma máquina de fazer chuva, e chuva com sabor de frutas, de uma geladeira de micro-ondas, que em vez de esquentar congela, e de muito mais, além de uma generosa lição de poesia, são os componentes deste Bis.

Bafinhaca e a Vingança dos Gnomos, de Kaye Umansky (Ilustrações de Nick Price; Tradução de Ricardo Gouveia)
Na Floresta do Bruxedo andam acontecendo coisas estranhas: uma Vassoura fica aterrorizada ao ouvir a palavra “gnomo”, enquanto um Gênio da lâmpada anda maluco por um Lixão… Será que Bafinhaca está alerta aos perigos que a cercam?

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A Companhia também fez três pacotes especiais para o Natal: José Saramago, Chico Buarque e Stieg Larsson em embalagens limitadas!

Fotografando pessoas

Por Renato Parada

A ideia que tenho de fotógrafo não é das melhores. Penso em um sujeito desconhecido que chega, com uma câmera na mão, pedindo para o fotografado repetir gestos e expressões, colocando-o muitas vezes em situações ridículas, repetindo tudo, à exaustão, até o sujeito do outro lado da lente ficar cansado e, talvez, se sentindo a maior fraude do mundo.

É o que imagino que as pessoas esperam de mim quando vou fotografá-las. Quando o retrato é de escritores, esse contrangimento antecipado piora um pouco. São pessoas inteligentes, com senso estético apurado,  acostumados e muitas vezes cansados de lidar com a imprensa.

Lembro da última vez que José Saramago veio ao Brasil. A Companhia me contratou para fotografá-lo. Haveria uma rápida e reservada sessão. Apenas eu e outro fotógrafo de uma rede de tevê em que Saramago dava uma entrevista.

Meu colega foi mais rápido e avisou que seria o primeiro. Após os primeiros cliques, ele pediu para um Saramago que acabara de escapar da morte: “Dê um sorriso!”. Recebeu como resposta algo mais ou menos como “Não acho que meu sorriso em fotos transmita algo de sincero”.

Quando chegou minha vez, não troquei nenhuma palavra. Fiz poucos cliques. Ele estava cansado, e rapidamente dei por encerrada a sessão. A foto não ficou tão boa como eu imaginava. Fiquei um pouco decepcionado, me questionando se não deveria ter insistido um pouco mais.

O desafio de fotografar qualquer pessoa é fazê-lo da forma mais rápida possível, sem incomodar muito, e ao mesmo tempo dar significado a um momento com grandes chances de passar despercebido.

O resultado dessa comunicação, que aparentemente acontece de forma precária em contraponto com as infinitas possibilidades da fotografia, é o que tanto me fascina e surpreende durante as sessões.

Uma lembrança marcante é de quando, também para a Companhia, fui fotografar o escritor e historiador da USP Boris Fausto. Boris passava por um momento dificílimo. Acabara de perder sua esposa. Porém, me recebeu de forma excelente. Sua aparência era de uma força enorme.

Mais tarde, me disse que estava difícil disfarçar sua angústia. As fotos foram feitas e tudo ocorreu bem. Pedi algumas variações, porém sem saber na hora o resultado daquilo. Quando fui editar o material, a foto abaixo me chamou a atenção em especial.

Não conseguia tirar o olho dela, e na hora não sabia muito por quê. A sensação era de que Boris tinha me dado uma espécie de lembrete de esperança ao mesmo tempo em que vivia um difícil sentimento de perda.

Lembrei dessa e de outras histórias ao selecionar as fotos para minha exposição “12 retratos de escritores”, que faço a convite de Marcelino Freire para a Balada Literária. A exposição acontecerá na Livraria da Vila do dia 19 de novembro a 08 de dezembro. Todos estão convidados.

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Renato Parada é natural de São Joaquim da Barra, interior de São Paulo. Mudou-se para a capital há três anos e desde então vem colaborando com seus retratos para as principais editoras e revistas do país. Veja mais de seu trabalho em www.renatoparada.com.

Boris Fausto e Cynira

Por Lilia Moritz Schwarcz

Fotografia da casa de móveis da família de Boris Fausto, usada na capa de Negócios e ócios. (Coleção Boris Fausto)

No começo da semana passada, Boris Fausto veio à Companhia discutir seu novo original: Memórias de um historiador de domingo.

Sensível e muito informativo, o documento dá continuidade a Negócios e ócios, e dessa vez, com o mesmo tom memorialístico, Boris narra um pouco de sua “vida adulta”. O estilo é impecável, as lembranças, comoventes, e ficamos sabendo como é que o ativista trostkista se transforma em advogado e, ao mesmo tempo, em historiador.

Uma das partes mais emocionantes do futuro livro é quando Boris conta a história de sua companheira da vida toda: a Cynira. A menina de fazenda ganha a cidade, para conquistar utopias e montar, em um bairro da periferia, seu modelo de educação, contra tudo e todos.

Quem conhece Cynira  sabe de seu trabalho incessante na formação da escola Vera Cruz — outro modelo de projeto de formação escolar —, mas não imagina a força da garota que enfrenta tabus de toda ordem; tudo em nome dos ideais de época. E Boris capricha nas palavras quando trata de descrever a atividade de sua futura esposa, ou admirar sua coragem, determinação e coerência.

Ainda no escritório, conversei longamente com Boris sobre o seu original, e fiz apenas um pedido: – aumente um pouco a parte da Cynira. Mal sabíamos que o destino aprontaria das suas. Na última quinta-feira faleceu essa musa das memórias de Fausto, que, se não teve tempo de ler o livro pronto, vai ao menos ficar, para sempre, como a grande homenageada dessa obra que tem tudo para se transformar num clássico para nossos tempos. Há discussões se o título será esse, mas o livro vai entrar no catálogo da Companhia neste ano de 2010.

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Lilia Moritz Schwarcz é professora titular no Departamento de Antropologia da USP, além de autora de O espetáculo das raças, As barbas do imperador (vencedor do prêmio Jabuti na categoria ensaio), D. João carioca (em coautoria com Spacca) e O sol do Brasil (vencedor do prêmio Jabuti na categoria biografia), entre outros.