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Todo final de novela tem um casamento

Mais um quadrinho de Caeto está chegando na Quadrinhos na Cia.: Dez anos para o fim do mundoEm Memória de elefante, ele criou uma das mais belas autobiografias do quadrinho nacional, num livro que explora sua difícil relação com o pai, cuja morte pelo vírus da AIDS ele acompanhou no começo da vida adulta. Agora, em Dez anos para o fim do mundo, ele retoma sua história pessoal — os dramas, os apertos, os momentos bons e os ruins — numa extraordinária história sobre o passado, a família, o processo de amadurecimento e a arte.

Assim, acompanhamos o casamento de Caeto (que você pode conferir no trecho abaixo) e o nascimento de seu primeiro filho. Partimos da lua de mel, narrada com doçura e espantosa sinceridade, para chegarmos a uma narrativa íntima e dolorosa na vida conjugal. Nas mãos de Caeto, e na sua impressionante memória, são os pequenos detalhes do dia a dia que se acumulam para formar um retrato tão único quanto universal da vida a dois. Dez anos para o fim do mundo já está nas livrarias.

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11 HQs para ler no Dia do Quadrinho Nacional

Hoje é o Dia do Quadrinho Nacional! Para comemorar a data, listamos algumas dicas de HQs brasileiras para você ler e conhecer nossos autores. Confira!

1) Cachalotede Daniel Galera e Rafael Coutinho

CACHALOTE

Somando mais de trezentas páginas, as seis tramas de Cachalote são amarradas por temas e subtextos recorrentes, tais como o confronto dos personagens com acontecimentos drásticos ou misteriosos que transformam suas vidas, a conciliação da vida com a arte e a tentativa de preservar o afeto e o amor em relacionamentos ameaçados por circunstâncias adversas. Entre as histórias, há um escultor que recebe um inusitado convite para protagonizar um filme cujo roteiro parece estranhamente inspirado em sua vida privada, e uma velha senhora grávida e solitária vaga por sua mansão e tem encontros oníricos com uma baleia cachalote na piscina de sua casa.

2) Vida e obra de Terêncio Hortode André Dahmer

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Começando a publicar suas tirinhas na internet, André Dahmer reúne em Vida e obra de Terêncio Horto as histórias de um escritor eternamente frustrado, tão ambicioso quanto amargurado. Terêncio passa os dias em frente a uma máquina de escrever, seja redigindo suas memórias, seja dando vida a personagens cínicos, desiludidos e de um pessimismo assombroso. É a partir desse esqueleto enganosamente simples que Dahmer vai dar vazão a impressões sobre literatura, pintura, música e, por que não?, sobre a vida em geral.

3) Campo em branco, de Emilio Fraia e DW Ribatski

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Numa trama sobre família e memória, o escritor Emilio Fraia e o quadrinista DW Ribatski tratam com suspense e humor, doçura e medo, a jornada de dois irmãos que se reencontram numa cidade estrangeira com a ideia de, aparentemente, refazer uma viagem da infância, quando visitaram com um tio uma cidade nas montanhas. A arte vibrante de Ribatski e os temas enigmáticos de Fraia combinam-se num road movie às avessas, onde a viagem só começa quando podemos reconstruí-la, desmontá-la, inventá-la.

4) Có! & Birds, de Gustavo Duarte

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Gustavo Duarte teve passagem por vários jornais e revistas como cartunista, e com Có! & Birds despontou nos quadrinhos. As histórias de Gustavo, construídas inteiramente sem diálogos, são um primor do traço, da energia cinética e do humor torto e deslavado. Có! & Birds reúne pela primeira vez as aventuras do fazendeiro em guerra com os ETs que querem roubar seus porcos e a trágica história dos pássaros que tentaram enganar a morte.

5) Deus, essa gostosa, de Rafael Campos Rocha

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Nesta HQ, Deus assume a forma que, segundo consta, é a sua preferida: a de uma mulher negra, proprietária de um sex-shop, ligada nos movimentos mais exóticos (e esotéricos) do assim chamado amor carnal. Em Deus, essa gostosa, primeira graphic novel do artista plástico e quadrinista Rafael Campos Rocha, o leitor acompanhará sete dias na vida dessa Criadora incomum, fã de futebol e cerveja, amiga de Karl Marx e do Diabo em pessoa.

6) Diomedesde Lourenço Mutarelli

Diomedes

Esta é uma história policial de Mutarelli. Seu protagonista não é um tipo durão, envolvido com perigosas intrigas e belas mulheres. É um delegado aposentado, gordo e sedentário, em busca de uns trocados para completar o orçamento. Nunca resolveu um caso, e passa a maior parte do tempo bebendo e fumando em seu escritório imundo. No entanto, ao partir no encalço do há muito desaparecido mágico Enigmo, seu cotidiano ordinário fica para trás. Em busca da sorte grande e metido em circunstâncias cada vez mais desfavoráveis em seu caminho repleto de figuras bizarras, Diomedes será obrigado a usar todo o talento que jamais imaginou possuir para desvendar o “Enigma de Enigmo”.

7) Guadalupe, de Angélica Freitas e Odyr

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Às vésperas de completar trinta anos, tudo o que Guadalupe quer é esquecer seu trabalho no sebo de Minerva, seu tio travesti. É ela quem pilota um furgão velho pela Cidade do México, apanhando coleções de livros que Minerva arremata por poucos pesos de famílias enlutadas. Mas um telefonema muda seus planos. No meio do pior engarrafamento do ano, fica sabendo que a avó, Elvira, morreu ao chocar sua scooter com uma banca de tacos sobre duas rodas. Como Guadalupe tem o furgão, ela é a única que pode cumprir o último desejo da avó: um enterro com banda de música em Oaxaca, onde nasceu. Guadalupe embarca com Minerva e sua inseparável poodle, mais o caixão, rumo à cidade. No caminho, contrariando a opinião de Guadalupe, Minerva dá carona a um exótico rapaz, que se diz guatemalteco, e os problemas começam.

8) Muchachade Laerte

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Publicado originalmente na Folha de S.Paulo, Muchacha é, nas palavras do autor, o primeiro “graphic-folhetim” de sua carreira. Tendo como mote os bastidores de um programa de tevê, Laerte, ao mesmo tempo que cria uma elaborada e divertida revisão dos seriados de aventura da década de 1950, também faz uma espécie de resgate afetivo de suas memórias de infância.

9) A máquina de Goldberg, de Vanessa Barbara e Fido Nesti

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A máquina de Goldberg se passa num acampamento de férias onde Getúlio, um garoto punk e asmático, cumpre pena por ser antissocial na escola. Em meio à perversidade dos colegas e à temida hora da ginástica, ele conhece o zelador Leopoldo, um velho melancólico com uma obsessão: construir geringonças. Juntos, arquitetam uma ambiciosa vingança que une as fugas de Bach às variações de Rube Goldberg, numa engenharia absurda que vai se expandindo até derrubar todas as peças do dominó, instaurando o terror no coração da Montanha Feliz.

10) Memória de elefante, de Caeto

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Tudo parecia ir bem para o quadrinista até que seus projetos caem por terra antes que possam alçar voos mais altos: suas HQs não chegam ao grande público, sua música não é comercial o suficiente para fazer sucesso e seus quadros são vendidos a conta-gotas. Em Memória de elefante, Caeto faz uma reconstrução prodigiosa de sua memória, narrando a agitada vida noturna paulistana, as aventuras sexuais, o calvário familiar, a passividade da mãe, a agonia do pai, vítima do vírus HIV, e a contribuição fundamental de cada uma das pessoas que o acompanharam em sua jornada desesperada rumo à redenção.

11) Toda Rê Bordosa, de Angeli

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Mais de dez anos após o tenebroso assassinato, Angeli, um dos principais nomes do quadrinho brasileiro, ainda é cobrado por fãs por ter, literalmente, apagado Rê Bordosa. Surgida nas páginas da Folha de S.Paulo em 1984, Rê Bordosa extrapolou sua própria tira e tornou-se uma das mais conhecidas personagens da HQ nacional. Dotada de um humor ácido e de um cinismo incontornável, Rê Bordosa viveu porres homéricos, ressacas épicas e amores tão duradouros quanto uma tira de jornal. Reunidas pela primeira vez num álbum de luxo e restauradas digitalmente a partir dos originais do autor, as tiras de Toda Rê Bordosa trazem de volta à vida a musa do quadrinho brasileiro.

Semana cinquenta e oito

Os lançamentos da semana são:

Idade Média, idade dos homens, de Georges Duby (Tradução de Jônatas Batista Neto)
O livro reúne diversos textos do grande historiador francês Georges Duby, tratando em sua maior parte da questão do amor na Idade Média. Permitindo uma visão de conjunto de seu pensamento, este trabalho é quase um “caderno de anotações”, no qual Duby se permitiu, de forma menos rígida e mais ensaística, interrogar-se sobre aspectos fundamentais da chamada “sociedade feudal”. Grande parte dos textos tem, como tema, o amor e o casamento, e é por isso que se fala de uma “Idade dos Homens”. Além de estudar o casamento monogâmico a partir do século XII, Duby examina as estruturas familiares, a vida da aristocracia, o amor cortês e a questão do sofrimento físico na Idade Média.

Orgulho e preconceito, de Jane Austen (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza)
Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu. A edição conta com prefácio e notas de Vivien Jones, e introdução de Tony Tanner.

Primeiros socorros, de Drauzio Varella e Carlos Jardim (Ilustrações de Caeto)
Quando alguém se acidente ao seu lado, você: a) fica desesperado; b) faz um pouco de tudo o que passa pela sua cabeça; c) procura atendimento médico; d) nenhuma das anteriores. Em geral, pensamos que prestar os primeiros socorros é coisa de médico, mas isso só é verdade quando desconhecemos o que fazer em casa situação. Mas, como você verá neste manual, essas providências não passam de um conjunto de medidas práticas e bastante simples, ditadas pelo bom senso. São procedimentos que podem e devem ser aprendidos por mulheres, homens e crianças, pois acidentes ocorrem de forma imprevista, esteja quem estiver por perto. Conhecendo os primeiros socorros, sentimos menos medo ao enfrentar a adversidade, e nos tornamos muito mais capazes de cuidar dos outros e de nós mesmos.

Água sim, de Eucanaã Ferraz (Ilustrações de Andrés Sandoval)
Eucanaã Ferraz é um grande poeta, atualmente apaixonado pelos livros para crianças. Depois de Palhaço, macaco, passarinho, com a parceria de Jaguar, escreveu um poema sobre a água, com ilustrações de Andrés Sandoval. A partir de frases extremamente simples, com pequenas mudanças a cada página, Eucanaã serpenteia com a água em todos os seus estados físicos, pelas pedras, árvores, nuvens, passando pelo gelo, pelo sol, pelo rio. As ilustrações de Andrés partiram de um desafio gráfico — o trabalho com a monotipia, uma técnica de impressão explorada a fundo neste livro — e alcançaram uma linguagem totalmente nova e específica. Recheados de texturas que remetem à água, os desenhos acompanham o jogo de experimentação de sensações que existe no texto. Uma verdadeira viagem poética.

Memória de elefante

Memória de elefante, graphic novel autobiográfica de Caeto, foi lançada na semana passada, e nós pedimos a ele que escrevesse para o blog contando um pouco sobre o processo de criação.

Caeto participa de palestra com Rafael Coutinho e o editor André Conti na FestComix (sexta-feira, 15 de outubro, às 14h). Ele também autografará Memória de elefante em São Paulo no dia 22 de outubro, a partir das 19h, no Espaço +SOMA (Rua Fidalga, 98 – Vila Madalena).

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No próprio roteiro do livro já está dito como surgiu a idéia de escrever esta história, então vou contar aqui um pouco de como foi fazer a HQ.

Quando eu resolvi começar a escrever o roteiro do Memória de elefante, eu só tinha experiência fazendo HQs de, no máximo, vinte páginas. E como eu tinha a história quase inteira na cabeça, pensei que escreveria o roteiro em duas semanas. No fim das contas, só fui terminar de escrever seis meses depois.

Não foi fácil pensar em tudo que tinha me acontecido, ter que reviver algumas coisas, isso me fez empacar várias vezes. Não escrevia o roteiro, o que me deixava muito ansioso. Quando terminei, foi um alívio.

Meses depois veio a aprovação da editora, e daí pra frente o maior desafio: desenhar o livro.

Pra fazer isso, a Luana, o Ulisses e meu primo Tulio fizeram muitas fotos minhas interpretando os personagens — e em algum momento eles mesmos também interpretaram alguns dos personagens —, e essas fotos me serviram de guia para desenhar as cenas da HQ (veja alguns exemplos abaixo).

Demorei um ano e meio pra desenhar o álbum, sem contar a primeira versão de 37 páginas que redesenhei.

Foi muito bom trabalhar com uma equipe pela primeira vez: um revisor de texto, que tenho certeza que trabalhou bastante, o pessoal que cuida da imagem do livro, e todos que participam dando opinião, apontando algum caminho e deixando o livro super bonito, foi do caralho!

Acho que o processo todo de fazer o livro, desde o momento da idéia, até ele ser publicado, demorou uns quatro anos e meio, nos quais tive que cuidar da minha cabeça na hora de escrever, e aprender a ser disciplinado na hora de desenhar.

Quase todos os dias rezava pra não morrer antes de terminar o trabalho, que parecia não ter fim.

Agora que está pronto, eu espero é que gostem do livro.

Caeto

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Semana vinte

Os lançamentos desta semana foram:

Introdução à história da filosofia — Volume 2, de Marilena Chaui
Nesta aguardada e inédita segunda parte da Introdução à história da filosofia, Marilena Chaui aborda as escolas helenísticas. O rigor dos conceitos filosóficos se combina à leveza do texto, convidando novos leitores a entrar no universo da filosofia, árduo na exigência de reflexão e, ao mesmo tempo, de incomparável beleza.

Atlas, de Jorge Luis Borges com María Kodama (Tradução de Heloisa Jahn)
Em 1984, Borges reuniu pela primeira vez num volume os relatos de suas andanças pelo mundo. O resultado é uma coletânea ímpar em capa dura de breves textos permeados pelas lembranças dos locais que amorosamente visitou, ilustrados pelas fotos de sua companheira, María Kodama.

O grande, de Juan José Saer (Tradução de Heloisa Jahn)
Construída com elementos de romance policial, a obra póstuma de Saer se desenvolve em torno de uma pergunta central: por que Willi Gutiérrez voltou a sua cidade natal depois de trinta anos de ausência? Uma obra brilhante, do escritor que a crítica considera um dos maiores desta virada de século.

Operação Massacre, de Rodolfo Walsh (Tradução de Hugo Mader)
Publicado em 1957, Operação Massacre narra os bastidores da ação policial que resultou no fuzilamento clandestino de doze civis acusados de conspirar contra o governo ditatorial que depusera Perón um ano antes. Ao empregar técnicas narrativas da ficção, esta reportagem inaugura o jornalismo literário na Argentina.

Essencial Jorge Amado (Seleção e introdução de Alberto da Costa e Silva)
Escritor profícuo, Jorge Amado também é dono de uma das obras mais vastas da literatura brasileira. Neste Essencial Jorge Amado, o historiador Alberto da Costa e Silva, que, ao lado de Lilia Moritz Schwarcz, coordena a Coleção Jorge Amado na Companhia das Letras, realizou uma seleção a fim de oferecer ao leitor um panorama geral desta obra. Como ocorre na coleção Portable, da Penguin, que inspirou a série, Essencial Jorge Amado dá um giro por toda a produção do autor: são trechos de romances, reportagens, contos e uma novela completa, A morte e a morte de Quincas Berro d’Água. Cada trecho é precedido de um comentário de Alberto da Costa e Silva, que contextualiza a obra e a aproxima do leitor de hoje.

Muchacha, de Laerte
Partindo dos bastidores de uma série de tevê da década de 1950 — e do enlouquecimento de um de seus protagonistas —, Laerte cria uma história que é ao mesmo tempo homenagem e reinvenção dos antigos programas televisivos de aventura. Série publicada originalmente na Folha de S.Paulo, Muchacha é, nas palavras do autor, o primeiro “graphic-folhetim” de sua carreira.

Memória de elefante, de Caeto
Seguindo a trilha aberta por autores de romances gráficos autobiográficos como Art Spiegelman e David B., em Memória de elefante o quadrinista Caeto transforma sua vida em matéria-prima para uma epopeia de dissabores sucessivos, empregos miseráveis, lares inabitáveis e porres monumentais.