caio prado jr.

Semana cento e onze

Os lançamentos desta semana são:

O convidado de Raposela, de Alex T. Smith (Trad.  Érico Assis)
Quando Raposela DaMatta convida O Ovo para um lanchinho, na verdade ela está bolando um saboroso plano para transformá-lo em café da manhã! Mas Raposela não sabe o que a aguarda quando, na manhã seguinte, O Ovo começa a rachar… Uma história de eriçar as penas!!

Os cristãos e a queda de Roma, de Edward Gibbon (Trad. José Paulo Paes e Donaldson M. Garschagen)
Entre as causas da decadência irreversíveldas instituições imperiais romana, a partir do século III d.C., o historiador inglês Edward Gibbon (1737-94) destaca a rápida expansão da religião cristã. O cristianismo, poucas décadas depois da morte dos apóstolos, não passava de uma pequena seita judaica. perseguida pelas autoridades e radicada sobretudo nas regiões periféricas do Império. Gradativamente, o grande crescimento do número de crentes ocasionou a formação de uma verdadeira confederação de repúblicas episcopais, que acabaria por conquistar o poder secular de Roma e proscrever o culto de deuses como Apolo e Saturno. Neste esclarecedor capítulo de sua obra capital, Declínio e queda do Império Romano, Gibbon apresenta uma visão pioneira sobre o cristianismo primitivo e sua disseminação do Oriente para o Ocidente. Empregando com habilidade os escassos dados históricos disponíveis em sua época, o autor elucida os fatores que conduziram ao avanlo decisivo da Igreja cristã no território imperial.

Razão e sensibilidade, de Jane Austen (Trad. Alexandre Barbosa de Souza)
Razão e sensibilidade é o primeiro dos quatro livros publicados em vida por Jane Austen (1775-1817). Concebida em 1795 como romance epistolar, mas amplamente reformulada até 1811, quando foi editada na versão final, a história das venturas e desenganos amorosos das jovens irmãs Elinor e Marianne Dashwood já inspirou inúmeras adaptações teatrais e cinematográficas. Duzentos anos após sua primeira publicação, este clássico da ficção em língua inglesa segue apaixonando leitores com um enredo que explora temas como a virtude, o sofrimento e a redenção. Esta nova edição traz alentados textos introdutórios dos críticos e professores britânicos Tony Tanner e Ros Ballaster, especialistas em ficção inglesa dos séculos XVIII e XIX, além de notas explicativas sobre o texto, a autora e o contexto histórico.

Evolução política do Brasil e outros estudos, de Caio Prado Jr.
Em Evolução política do Brasil, Caio Prado Jr. estuda os acontecimentos cruciais do nosso processo de Independência. Ao investigar as potencialidades e os limites da ação política, o ensaio articula de modo fino as relações de poder e os constrangimentos estruturais à democratização do Estado nascente. Uma dialética entre conjuntura e processos de média e longa duração está em jogo, na qual os embates políticos do passado sempre têm consequências na definição do presente. O interesse de Evolução política do Brasil – livro de estreia de Prado Jr. e abordagem marxista pioneira em nossa historiografia – reside portanto não apenas no exame do contexto de fundação do Estado brasileiro, mas também no modo original de interpretação e análise. Esta edição baseia-se na terceira do clássico de Prado Jr., que em 1953 foi acrescida de nove escritos, como “A cidade de São Paulo” e “Roteiro para a historiografia do Segundo Reinado (1840-89)”.

Caio Prado, hoje

Por Lilia Moritz Schwarcz e Otávio Marques da Costa

Otávio no seminário “A atualidade da obra de Caio Prado Jr.”

Dos dias 27 a 29 de março, em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros e os departamentos de Ciência Política e de Antropologia da FFLCH/USP, a editora organizou um seminário para comemorar o relançamento da obra de Caio Prado Jr. e os setenta anos de publicação de Formação do Brasil contemporâneo. Sob título provocador — “A atualidade da obra de Caio Prado Jr. —, a intenção era chacoalhar a ideia corrente, no senso comum, de que a obra de Prado Jr. teria resistido mal ao decurso do tempo, e ficado para a história apenas como um “vestígio” de momentos passados.

Talvez sintoma de certo abandono do marxismo na historiografia, da influência da Nova História e de uma produção mais atenta à sociedade e à cultura, sobretudo a partir dos anos 1970 e 80, o alegado “envelhecimento” da obra de Caio Prado trouxe consequências negativas de duas ordens: de um lado, o esquecimento de proposições que, na época de sua formulação, foram radicalmente inovadoras — ou, como bem apontado por Bernardo Ricupero no novo posfácio de Formação, uma “normalização” de conceitos, tratados hoje como obviedades —; de outro, um interesse decrescente pela obra na própria academia.

Por isso nosso desafio era grande, o que já ficou expresso no “arejamento” da nova edição, a qual explorou não só documentos pertencentes ao acervo do historiador e pouco utilizados até hoje — a exemplo da produção fotográfica de Caio Prado Jr. — como procurou conferir, no próprio acabamento gráfico, um ar, digamos assim, renovado.

Da mesma maneira, o seminário teve como meta “provocar” o público a refletir sobre a importância da obra para o presente; ou melhor, como bons livros nunca vêm com “prazo de validade”. Na sessão de abertura, composta por Fernando Novais, Maria Arminda do Nascimento Arruda e Elisabete Ribas, com mediação de Lilia Moritz Schwarcz, o professor Novais — talvez o principal herdeiro intelectual e continuador de Prado Jr. entre nossos historiadores — lembrou o caráter inovador do marxismo de Caio, o qual, numa época em que as teses do Partido Comunista Brasileiro ainda defendiam a existência das etapas históricas clássicas no Brasil (até do feudalismo!), propunha inovações como o desenvolvimento da noção de “sistema colonial”, que tinha por sentido a produção de riqueza para a metrópole.

A tese central de Formação, livro que, segundo Novais, guarda mais afinidade com um segundo momento do marxismo no Brasil — o da academia (ligado a Florestan Fernandes) e o cepalino, ambos florescendo plenamente só anos 1960 —, redefiniu a historiografia do Brasil colônia, fincou bases na compreensão histórica dominante e, ainda que para ser contestada ou relativizada, não pôde mais ser mais ignorada pelas gerações seguintes de historiadores. Novais enfatizou, enfim, a novidade da concepção que vinculou o Brasil a uma lógica internacional, mostrando seu papel no “concerto das nações”. Na próxima intervenção, Maria Arminda do Nascimento Arruda abordou, de forma sistemática, as relações entre as obras de Caio Prado Jr. e de Fernando Novais.

O primeiro dia contou ainda com a relevante participação de Elisabete Ribas, que apresentou o arquivo existente no IEB com documentos outrora pertencentes ao historiador paulista, e que serviu de base para nossa pesquisa iconográfica. Como ressaltou Ribas, ainda há muita pesquisa a ser feita a partir da documentação legada por Caio Prado Jr…

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Semana setenta e sete

Os lançamentos da semana são:

Rock’n’roll e outras peças, de Tom Stoppard (Tradução de Caetano W. Galindo)
Tom Stoppard é uma das vozes mais importantes do teatro europeu pós-Beckett. Longe de ser um total desconhecido por aqui, o autor, responsável pelo roteiro de Shakespeare apaixonado, entre outros, ainda não tinha sido traduzido no Brasil. Com uma seleção de peças que cobre as características mais importantes e mais renovadoras de cada fase da produção de Stoppard, o volume apresenta desde as releituras satíricas dos clássicos e da história (como em Rosencrantz e Guildenstern morreram, que reencena o Hamlet de Shakespeare pelos olhos de dois personagens menores; e em Pastiches, que revê o enredo de A importância de ser prudente, de Oscar Wilde, com um elenco composto por Lênin, Tristan Tzara e James Joyce), passando pela produção mais vanguardística (O verdadeiro inspetor Cão, O Hamlet de Dogg, o Machbeth de Cahoot), chegando aos momentos mais “ortodoxos” da produção dos anos 1980 (aqui representada pela brilhante De verdade) e finalmente à fase lírica e pessoal mais recente do autor (representada por Arcadia e pela própria Rock ‘n’ roll).

Formação do Brasil contemporâneo, de Caio Prado Jr.
Neste livro, Caio Prado Jr. volta ao passado colonial da sociedade brasileira para entender os impasses do presente, e acaba por concluir que aquele permanecia vivo em alguns de seus traços fundamentais. A formação da nação é interpretada como parte do sistema colonial, modo de pertencimento ao capitalismo mercantil que teria conferido unidade, ainda que problemática, à vida social que se veio formando desde a colônia. O autor afirma que o processo de colonização acabou por permitir que se esboçasse no Brasil uma nacionalidade diferente daquela de modelo europeu, e até relativamente nova em termos sociais e culturais, sem que isso significasse autonomia para a sociedade nascente, mesmo depois da independência política. Apresentando nossa formação em longa duração e como parte de um todo maior, a abordagem historiográfica inovadora de Formação do Brasil contemporâneo conferiu ao livro o posto de um dos poucos clássicos incontestes da historiografia brasileira no século XX.

O último da tribo: a epopeia para salvar um índio isolado na Amazônia, de Monte Reel (Tradução de Marcos Bagno)
Um segredo bem guardado da floresta amazônica foi descoberto em 1996: o homem mais solitário do mundo. Avistado em Rondônia — um lugar que carrega a triste fama dos conflitos entre madeireiros e indígenas —, percebeu-se que era preciso conhecer esse homem de perto para criar uma área garantindo a sua proteção. Mas a dificuldade de contato com o índio extremamente arredio não é o maior obstáculo que a expedição composta de sertanistas e pessoas ligadas à Funai precisaria enfrentar. O verdadeiro pesadelo são os fazendeiros e seus advogados pouco idôneos, os deputados ditos desenvolvimentistas e o emaranhado burocrático dos órgãos oficiais de Brasília. Narrada como um thriller que tem como pano de fundo a selva amazônica, esta reportagem remonta os passos incríveis dessa saga para proteger a riqueza da floresta e o que talvez seja o último resquício de uma cultura prestes a ser extinta.

Chatô: o rei do Brasil, de Fernando Morais (Nova edição econômica)
Dono de um império de quase cem jornais, revistas, estações de rádio e televisão — os Diários Associados — e fundados do Masp, Assis Chateaubriand, ou apenas Chatô, sempre atuou na política, nos negócios e nas artes como se fosse um cidadão acima do bem e do mal. Mais temido que amado, sua complexa e muitas vezes divertida trajetória está associada de modo indissolúvel à vida cultural e política do país entre as décadas de 1910 e 1960. Chantagista, crápula, escroque, patife, ladrão tarado — de tudo o que se pode imaginar de ruim ele foi chamado (poucas vezes pela frente, é verdade) por críticos e inimigos. Mas palavras de alta voltagem como empreendedor, pioneiro, visionário, gênio e mecenas também se usaram, torrecialmente, para tentar defini-lo. Como bem mostra Fernando Morais, em nenhum dos dois casos isso se dá sem razão. Chatô, o rei do Brasil, um dos maiores best-sellers dos anos 1990 no Brasil, é obra de grande esforço jornalístico para retratar, como equilíbrio e rigor, um personagem tão complexo quanto fascinante.

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Além destes, também foram lançados mais 4 volumes da Coleção Prêmio Nobel. São títulos de autores que receberam o prêmio Nobel de Literatura, em edição limitada de capa dura e revestida de tecido.