ciência

Semana noventa e três

Os lançamentos da semana são:

Vozes, Arnaldur Indridason (Tradução de  Álvaro Hattnher)
O porteiro de um luxuoso hotel de Reykjavík é encontrado morto em circunstâncias no mínimo estranhas: na cama manchada de sangue, Gudlaugur está com um traje de Papai Noel e um preservativo que parece conter traços de saliva. Ao chegar ao local do crime, o inspetor Erlendur, avesso às festividades de fim de ano em razão de um trauma de infância, decide ficar hospedado no hotel até o fim das investigações. Quem era, afinal, Gudlaugur, funcionário antigo do hotel mas que ninguém parecia de fato conhecer? Alguém frequentava o seu quarto? Para manter a reputação do lugar, ou preservar seus próprios interesses, os funcionários não dizem tudo o que sabem. Mas, entre as visitas da filha e as velhas lembranças que o aterrorizam, Erlendur embrenha-se aos poucos na misteriosa vida da vítima. Tendo como pano de fundo a atmosfera claustrofóbica do inverno islandês, Arnaldur Indridason cria um duro retrato do país, bem distante dos sonhos de Natal, onde intrincadas e violentas relações familiares se escondem sob as vozes do passado.

Preto no branco, Thomas E. Skidmore (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Em Preto e branco, Thomas E. Skidmore, decano entre os “brasilianistas”, examina como as elites intelectuais brasileiras enxergavam a sociedade multirracial do país nas últimas décadas do Império e nas primeiras da República. Com base nos escritos e discursos de uma grande gama de cientistas, políticos e romancistas, o livro revela que a intelligentsia local, influenciada por padrões e formas europeus, procurou acomodar as teorias racistas então em voga – que consideravam o negro inferior e condenavam a mestiçagem – à situação local. A solução original encontrada foi o “branqueamento” da sociedade, por meio da imigração européia. Skidmore mostra, no entanto, como as idéias deterministas foram gradualmente cedendo lugar a novas perspectiva, que davam ênfase aos aspectos positivos da miscigenação, e acabaram por produzir um consenso sobre a existência de uma “democracia racial” no país, tese que gerou uma percepção distorcida do racismo brasileiro. O livro é prefaciado por Lilia Moritz Schwarcz.

Segundos fora, Martín Kohan (Tradução de Heloisa Jahn)
De um lado, o embate mítico entre os boxeadores Jack Dempsey, campeão mundial, e Luis Angel Firpo, conhecido como El Toro Salvaje de lãs Pampas. De outro, a paresentação da primeira sinfonia de Gustav Mahler no Teatro Colón, em BuenosAires, regida por Richard Strauss. Setembro de 1923 foi abalado por esses dois eventos, que décadas mais tarde concorrem para ser a matéria principal da edição comemorativa do cinqüentenário do jornal de uma cidadezinha na Patagônia. A disputa é travada por dois colegas jornalistas: enquanto Ledesma defende Mahler e a cultura erudita, Verani aposta na popularidade da luta que aconteceu em Nova York e foi transmitida pelo rádio, abalando o moral da nação Argentina. À margem desse debate, surge a notícia de um assassinato (ou terá sido suicídio?) naquela mesma época – um mistério não solucionado que será o ponto de interseção entre as esferas erudita e popular, que, à primeira vista, pareciam incompatíveis.

A magia da realidade, Richard Dawkins (Tradução de Laura Teixeira Motta; Ilustrações de Dave McKean)
De que são feitas as coisas? Por que existe noite e dia, inverno e verão? O que é o Sol? Quando e como tudo começou? Existe vida fora da Terra? A resposta para essas e muitas outras perguntas que fazemos sobre o planeta e o universo pode ser encontrada neste livro divertido e surpreendente sobre os cientistas e suas descobertas. Escrito pelo best-seller mundial Richard Dawkins e com ilustrações do renomado Dave McKean, A magia da realidade contrapõe antigos mitos em que muitos ainda acreditam a verdades científicas por vezes desconhecidas para mostrar que a realidade é bem mais impressionante que qualquer invenção.

O acendedor de sonhos, Dorothée Piatek e Gwendal Blondelle (Tradução de Eduardo Brandão)
Num tempo em que a noite tinha se tornado eterna, em que não existiam nbem plantas, nem mesmo água, um acendedor de sonhos trabalhava sem parar, tentando trazer um pouco de luz à Terra. Ele era tão grande que tinha que se curvar para não encostar no céu! Um dia, ele recebe um pedido especial: ajudar uma criança a regar uma flor feita de sol. Juntos em busca da água, os dois vão aprender que a Terra é um bem muito precioso que todos precisamos preservar.

Semana oitenta e três

Os lançamentos da semana são:

Nove ensaios dantescos & A memória de Shakespare, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Ainda muito moço, Borges começou a percorrer a árdua topografia do mundo dantesco ao longo das viagens de bonde que o levavam ao trabalho cotidiano na biblioteca municipal de Buenos Aires. Os ensaios deste livro são como relatos que refazem, numa tela fragmentária, os sugestivos pormenores simbólicos da história dessa viagem, ao mesmo tempo comum e insólita. Depois vêm “A memória de Shakespeare” e mais 3 contos fantásticos, em que o tranquilo domínio do estilo e as pulsantes obsessões se casam a motivos recorrentes da obra de Borges.

O fim da Terra e do Céu, de Marcelo Gleiser
Ao tratar das relações entre religião e ciência diante da questão do “fim de tudo”, Marcelo Gleiser homenageia a imaginação e a criatividade do homem. Seu enfoque é multidisciplinar, mostrando de que maneira ideias sobre o “fim” inspiram não só as religiões e a pesquisa científica, mas também a literatura, a arte e o cinema.

Crônica de um vendedor de sangue, de Yu Hua (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Na China recém-convertida ao comunismo, um operário se vê obrigado a vender o próprio sangue para sustentar a família. Quando desconfia que o seu primogênito é fruto de uma relação clandestina de sua mulher, ele tem de empreender uma batalha contra seus próprios valores para provar que os vínculos afetivos que o unem ao garoto podem ser mais fortes que os laços consanguíneos.

Ho-ba-la-lá: à procura de João Gilberto, de Marc Fischer (Tradução de Sergio Tellaroli)
Um detetive alemão improvisado e sua assistente brasileira vasculham a cidade do Rio de Janeiro em busca de alguma pista que conduza ao misterioso… João Gilberto. A missão é quase impossível; o tempo para cumpri-la, curtíssimo. Menescal, Miéle, João Donato, Marcos Valle, Miúcha, o cozinheiro, o duplo, o Copacabana Palace, Diamantina — em tom de uma divertida história detetivesca, o jornalista Marc Fischer faz uma bela declaração de amor à bossa nova.

A vida de Joana d’Arc, de Erico Verissimo (Ilustrações de Rafael Anton)
Erico Verissimo constrói com delicadeza exemplar a personalidade de Joana, a menina francesa do século XV que ouvia vozes de santos e que transgrediu as convenções de seu tempo e de seu gênero vestindo-se de homem, lutando entre os soldados e defendendo seu rei.

A luz no túnel (Os subterrâneos da liberdade, vol 3), de Jorge Amado
O volume que fecha a épica trilogia apresenta o painel ficcional de um momento muito sombrio, quando republicanos espanhóis perdem a Guerra Civil para Franco, os alemães começam a Segunda Guerra e Getúlio Vargas mostra simpatia por Hitler e Mussolini.

O livro selvagem, de Juan Villoro (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Juan precisa ler um livro completamente selvagem, que não se deixa ler. Mas por que o livro resiste à leitura? E por que Juan é o único capaz de desvendar seus mistérios? Com ele, os leitores vão descobrir não só a companhia que os livros podem nos fazer nos bons e maus momentos, como também a importância de se compartilhar o prazer e o conhecimento que as leituras nos proporcionam.

Assim falou Zaratustra, de Friedrich Niestzsche (Tradução de Paulo César de Souza)
Escrito e publicado progressivamente, entre 1883 e 1885, este veio a se tornar o mais famoso livro de Nietzsche. Nele se acha o relato das andanças, dos discursos e encontros inusitados do profeta Zaratustra, que deixa seu esconderijo nas montanhas para pregar aos homens um novo evangelho. Muitas das concepções apresentadas em outras obras do autor (como a morte de Deus, o super-homem, a vontade de poder e o eterno retorno) reaparecem aqui em nova linguagem, numa singular mistura de ficção poética, indagação filosófica e reflexão religiosa.

Olavo Holofote, de Leigh Hodgkinson (Tradução de Érico Assis)
Este livro é fantástico porque ele é totalmente dedicado ao Olavo Holofote. Aliás, é tão fantástico que o Olavo acha que não sobra epaço para mais ninguém além dele… Mas, quando todo mundo cai fora, Olavo começa a pensar: para que serve se exibir para si mesmo? Com certeza, isso não é muito divertido…

Fotobiografia de Fernando Pessoa, de Richard Zenith & Joaquim Vieira
Concebido por um editor experiente e por um dos grandes especialistas em Fernando Pessoa, o livro apresenta centenas de imagens inéditas e conhecidas do poeta e sua família, desde os primeiros anos de vida do autor até os principais acontecimentos de sua vida — incluindo fotos, desenhos, caricaturas, cartas, diários, rascunhos, manuscritos e datiloscritos, reproduções de jornais e revistas em que publicou, além de obras de arte feitas em homenagem a Pessoa.

Ismael e Chopin, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Entre seus 52 irmãos coelhos, Ismael foi o escolhido pelo pai para aprender tudo o que ele tinha para ensinar. Juntos, os dois passam os dias a se aventurar pelos cantos da floresta, observando animais e plantas, e aprendendo segredos sobre um outro mundo. É que o pai de Ismael conhece a língua dos homens e a ensina ao filho — sem nem imaginar que isso levaria ao início de uma amizade muito especial, entre um coelho e um dos maiores compositores da música ocidental.

O segredo do rio, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Era uma vez um rio que passava bem em frente à casa de um menino. Ali, ele formava um lago, onde esse pequeno camponês passava grande parte de seu tempo, nadando de olhos abertos em suas águas cristalinas ou se aquecendo em um banco de areia que se formava nas laterais. Neste rio, se escondia um segredo surpreendente.

Garrafinha, de Mariana Caltabiano (Ilustrações de Rodrigo Leão)
Com seus óculos fundo de garrafa e altura de tampinha, Garrafinha se sente rejeitada por sua aparência e, como acontece a partir de certa idade, quer mais é ter amigos e ser popular. Mas seu grande motivo de sofrimento acabou se tornando a sua solução: como ela estava sempre sozinha, passava boa parte do tempo observando os outros — e também desenhando o que via. Esses desenhos fizeram sucesso entre as crianças, e Garrafinha achou o seu jeito de se expressar. Acesse o hotsite da Garrafinha para conhecer mais da personagem.

Semana quarenta e quatro

Os lançamentos da semana são:

A vida imortal de Henrietta Lacks, de Rebecca Skloot (Tradução de Ivo Korytovsky)
A vida imortal de Henrietta Lacks reconstitui a vida e a morte de uma das mais injustiçadas personagens da história da medicina. O livro demonstra como o progresso científico do século XX deveu-se em grande medida a uma mulher negra, pobre e quase sem instrução. Doadora involuntária da linhagem “imortal” de células HeLa, a mais pesquisada em todo o mundo, a protagonista do premiado livro de estreia de Rebecca Skloot recebe uma merecida e tardia homenagem. O livro foi eleito pelo New York Times como um dos melhores de 2010, e você pode ver seu trailer e ler a resenha publicada pela revista Época.

Diário da queda, de Michel Laub
Um garoto de treze anos se machuca numa festa de aniversário. Quando adulto, um de seus colegas narra o episódio. A partir das motivações do que se revela mais que um acidente, cujas consequências se projetam em diversos fatos de sua vida nas décadas seguintes — a adolescência conturbada, uma mudança de cidade, um casamento em crise —, ele constrói uma reflexão corajosa sobre identidade, afeto e perda. Dessa reflexão fazem parte também as trajetórias de seu pai, com quem o protagonista tem uma relação difícil, e de seu avô, sobrevivente de Auschwitz que passou anos escrevendo um diário secreto e bizarro. São três gerações, cuja história parece ser uma só. É uma viagem inusitada pela memória de um homem no momento em que ele precisa fazer a escolha que mudará sua vida. Assista ao trailer no nosso canal do YouTube.

O décimo primeiro mandamento, de Abraham Verghese (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Em 1954, nascem num hospital de Adis Adeba os gêmeos Marion e Shiba, filhos da união trágica entre um cirurgião inglês e uma jovem freira indiana. Com a morte da mãe no parto e o desaparecimento do pai, os meninos são criados por um casal de médicos missionários. Crescem unidos e interessados em medicina, numa Etiópia marcada pela turbulência política. Mas é o amor de Marion por uma mulher, muito mais do que a política, que vai separar de vez o destino dos dois irmãos. E é a medicina que vai uni-los quilômetros e anos depois, quando Marion terá de confiar sua vida aos dois homens de quem ele mais desconfiava: o pai, que o abandonou, e o irmão, que o traiu. Uma viagem inesquecível pela África e pelos Estados Unidos, pela medicina e pela literatura, e uma história sobre o poder, a intimidade e a beleza que existe no trabalho daqueles que cuidam de salvar a vida dos outros.

2 cores, de Renata Bueno (Ilustrações de Mirella Marino e Renata Bueno)
Este livro é o resultado de uma espécie de jogo: duas amigas ilustradoras escolheram duas cores — preto e vermelho — para criar ilustrações juntas. Uma começava o desenho e depois o passava à outra para que ela o terminasse. Manchas viraram bichos, linhas formaram pessoas, um simples círculo se transformou em um monstro. O último desafio foi criar o texto para cada uma dessas ilustrações, que, agrupadas, dão uma aula de imaginação às crianças. Ao final do livro, as autoras falam sobre essa experiência e sugerem aos leitores que se divirtam da mesma maneira: basta chamar um amigo para que um complete o desenho do outro.

Às avessas, de Joris-Karl Huysmans (Tradução de José Paulo Paes)
Este romance turbulento e original tem apenas um personagem. Des Esseintes é um aristocrata doente e em decadência que, ao se refugiar no campo, entrega-se à luxúria e ao excesso. Oscilando entre a inquietude e a debilidade, ele satisfaz seu apetite estético com literatura clássica, arte, joias exóticas, perfumes caros e um caleidoscópio de experiências sensuais. Às avessas, nas palavras do autor, caiu “como um meteorito” no cenário literário de sua época, e seu status de obra cult só fez aumentar ao longo do tempo. Esta edição traz introdução e notas de Patrick McGuinness e um prefácio escrito pelo autor em 1903, vinte anos deois da publicação do romance. E, complementando a fortuna crítica do livro, uma seleção de textos escritos por Mallarmé, Émile Zola e Oscar Wilde, entre outros.

Fama, de Daniel Kehlmann (Tradução de Sonali Bertuol)
Nove histórias se entrelaçam para formar este romance do premiado escritor alemão Daniel Kehlmann. Ele nos apresenta situações absurdas, mal-entendidos ou trocas de papéis, decisões inusitadas, encontros e desencontros que revelam a fragilidade das relações humanas nos universos da fama e do anonimato. Entram em cena escritores, um ator de cinema famoso e pessoas ditas “comuns”. Logo percebemos que todos eles correm o risco de perder a própria identidade, por conta da exposição excessiva a que estão sujeitos — uma das consequências de tantas novas tecnologias e meios de comunicação. Com uma prosa elegante, boas doses de humor e sem cair nas armadilhas da superficialidade, Kehlmann constrói um jogo provocador, em que não para de questionar as fronteiras entre ficção e realidade.

Na casa do Leo — Os egípcios, de Philip Ardagh (Ilustrações de Mike Gordon; Tradução de Érico Assis)
Leo é um menino como outro qualquer, a não ser por um detalhe: em sua casa, ele costuma receber as visitas mais extraordinárias. Desta vez, são os antigos egípcios que vão aparecer por lá — e tudo pode acontecer ao se abrir uma porta, como dar de cara com uma pirâmide no quintal ou um faraó na sala de estar. Com seu cachorro de estimação, o Naftalina, Leo vai percorrer os cômodos da casa guiado por Bata, o herdeiro do faraó, e descobrir, entre outras coisas, as brincadeiras preferidas das crianças egípcias; a escrita em hieróglifos; as pirâmides e seu método de construção; e como os mortos eram mumificados. Repleto de ilustrações e em formato de história em quadrinhos, o livro é escrito em linguagem acessível para leitores que estão começando a aprender sobre as antigas civilizações.

Move tudo!, de Marcelo Cipis
Ao assistirmos às imagens projetadas na imensa tela do cinema, muitas vezes sentimos vontade de estar naqueles incríveis cenários, ou até nos identificamos com os personagens, como que entrando imaginariamente em seus papéis. A brincadeira deste novo livro do artista plástico Marcelo Cipis é exatamente esta: em uma projeção de cinema, cenário e personagens do filme influenciam a plateia, assim como os espectadores acabam imprimindo modificações no que se passa na tela, entrando e saindo de lá. O fundo do mar projetado transforma espectadores em banhistas; ao assistir a uma cena de corrida, todos viram corredores; um balão sai da tela, recolhendo os espectadores e levando-os para bem longe… Não há regras e a movimentação é intensa.