coleção amores expressos

Semana cinquenta e quatro

Os lançamentos da semana são:

Liberdade, de Jonathan Franzen (Tradução de Sérgio Flaksman)
Um estudante idealista e meio nerd, uma jogadora de basquete com carreira promissora e um roqueiro rebelde metido a poeta se conhecem no fim dos anos 1970, na Universidade de Minnesota. Duas décadas depois, a crise do casamento de Walter e Patty Berglund ameaça estilhaçar sua imagem arquetípica de família liberal de classe média, ao mesmo tempo que Richard Katz se torna um espectro promíscuo e solitário que deseja apenas fugir da própria fama. No despertar do novo milênio, eles têm a impressão de já terem vivido tudo. Mas é somente agora, numa época em que a liberdade lhes parece tão onipresente quanto fugidia, que as coisas começam realmente a se complicar. Poderoso painel da vida contemporânea, povoado por personagens tão reconhecíveis quanto surpreendentes, Liberdade reatesta a posição de Jonathan Franzen como um dos grandes autores americanos da atualidade. Veja o vídeo do editor, André Conti, falando sobre o livro:

As correções, de Jonathan Franzen (Tradução de Sérgio Flaskman; Nova edição econômica)
Alfred Lambert é um engenheiro ferroviário aposentado, teimoso e cheio de manias agravadas pelo mal de Parkinson recentemente diagnosticado. Enid Lambert é uma dona de casa comum, às vezes mesquinha, às vezes frívola. O casal, na faixa dos setenta anos, leva um cotidiano de torturas mútuas numa pequena cidade do Meio-Oeste americano. Gary, Chip e Denise, os três filhos, mudaram-se para metrópoles da costa Leste a fim de tentar a sorte e deixar para trás a mediocridade da vida em família. Jonathan Franzen, uma das principais vozes da ficção americana, conta uma saga contemporânea a um só tempo trágica e cômica, que vai de Nova York até a Lituânia, e expõe dramas pessoais, crises conjugais, a sedução irresistível do dinheiro e os conflitos religiosos e culturais que separam duas gerações.

Estrela amarela, de Jennifer Roy (Tradução de Ernani Ssó)
Em setembro de 1939 os alemães invadiram a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Pouco tempo depois, trataram de isolar os judeus em guetos, como o de Lodz, onde, entre 233 mil pessoas, havia uma menina de quatro anos chamada Sylvia — uma entre as doze crianças desse gueto que sobreviveram ao Holocausto. Em Estrela amarela, a própria Sylvia, tia da autora, fala sobre esses seis anos de luta pela sobrevivência, compartilhando as dúvidas, os medos e as pequenas alegrias de uma criança judia em meio ao nazismo.

Essencial Franz Kafka, tradução e organização de Modesto Carone
Apesar de seu estado fragmentário, o espólio literário de Kafka — publicado na maior parte em edições póstumas, graças à generosa traição de Max Brod, que se recusou a destruí-lo conforme a vontade do amigo — é considerado um dos monumentos artísticos mais importantes do século XX. O Essencial Kafka reúne momentos antológicos do autor de O processo, incluindo contos, fábulas e a novela A metamorfose, na íntegra, além de 109 aforismos. Modesto Carone é responsável pela introdução e pelos comentários, além de assinar a tradução, feita a partir dos originais em alemão, o que permitem que os textos sejam lidos (ou relidos) com fidelidade ao estilo labiríntico da prosa kafkiana.

O livro de Praga, de Sérgio Sant’Anna
Os sete contos de que compõem o sexto volume da coleção Amores Expressos narram a viagem improvável do escritor Antônio Fernandes à capital tcheca. Ele está interessado em arte: sua atenção se volta para a pintura de Andy Warhol, a música da pianista Béatrice Kromnstadt, as esculturas da ponte Carlos, a peça teatral em que a Alice de Carroll contracena com sua sombra, o texto de Kafka tatuado num corpo feminino… Suas aventuras insistem na ideia de que transcendência, arte e sexo convergem em morte.

Chão de meninos, de Zélia Gattai
Entre viagens a países longínquos e sentimentos ambíguos diante da política e da realidade, pequenas histórias do dia a dia e amigos que não param de lhe trazer surpresas, Zélia Gattai continua sua trajetória de narradora sábia e serena neste livro de memórias delicado. Lançado no ano em que Jorge Amado completou oitenta anos de idade, Chão de meninos retoma os temas que guiaram Zélia Gattai em sua travessia do mundo. Em primeiro lugar, a paixão por Jorge. Depois, a fé, às vezes vacilante, mas sempre forte, no socialismo. E, por fim, o amor incondicional pelos amigos, a aposta, sem receio, nos outros.

As variações Bradshaw, de Rachel Cusk (Tradução de Fernanda Abreu)
Com quase quarenta anos e pais de uma filha de oito, Thomas Bradshaw e sua mulher, Tonie, têm uma vida estável nos arredores de Londres. No entanto, quando Tonie é chamada a trocar as aulas de literatura em tempo parcial pelo cargo de chefe do departamento de inglês na universidade, abandona a zona de conforto do trabalho entremeado à vida doméstica e avança com curiosidade por seu novo universo solidamente regulado. Movido por curiosidade simetricamente oposta, Thomas abdica de seu próprio emprego e assume o antigo lugar de Tonie, cuidando dos afazeres domésticos e estudando piano, à procura de resposta para a pergunta: “O que é a arte?”. Composto de cenas fragmentárias, esse romance apresenta um sutil panorama social por meio de consciências singulares.

Vida de um homem: Francisco de Assis, de Chiara Frugoni (Tradução de Federico Carotti)
O grande traço distintivo de Francisco de Assis foi saber responder com uma religiosidade ativa e generosa às trevas terrenas. Ele falava mais de perto a homens e mulheres às voltas com novos problemas e práticas, que não se deixavam guiar apenas pelo temor a um Deus punitivo. De modo simples, preciso e delicado, a historiadora medievalista Chiara Frugoni investiga a vida do homem (e santo) que forjou o conceito de individualidade e, para muitos, antecipou os valores do Renascimento.

Semana cinquenta

Os lançamentos da semana são:

Eva Braun — A vida com Hitler, de Heike B. Görtemaker (Tradução de Luiz A. de Araújo)
Mundana e vaidosa, amante dos esportes, do cinema, da música e da dança, fumante e adepta do nudismo, Eva Braun incorporava pouco o ideal de mulher nacional-socialista. Talvez por causa dessa pecha de futilidade e inconsequência que sempre roundou a figura da namorada do Führer, as historiografia tenha ressaltado persistentemente a insignificância de Eva, sua posição à margem das decisões que levaram aos piores crimes do século XX. Tentando mudar esse estado de coisas — e, por meio da vida íntima, ajudar na compreensão histórica do Terceiro Reich —, a historiadora Heike B. Görtemaker fez extensa pesquisa, da qual emergem não só os anos de formação da biografada, sua família e meio social, como uma inédita história social da bizarra corte nacional-socialista, em especial no refúgio alpino do ditador, o Berghof, no qual Eva reinava como clara soberana entre as poucas figuras medíocres a quem era permitido o convívio com Hitler. Aliando rigor acadêmico e fluência literária, Eva Braun oferece um panorama vívido desse mundo assustador em que a normalidade cotidiana convivia com um ideário genocida.

Brooklyn, de Colm Tóibín (Tradução de Rubens Figueiredo)
No início dos anos 1950, a Irlanda não oferece futuro para jovens como Eilis Lacey. Sem encontrar emprego, ela vive na pequena Enniscorthy com a mãe viúva e a irmã Rose. Mas eis que o padre Flood lhe faz uma oferta de trabalho e moradia no Brooklyn, Estados Unidos. De início apavorada com a ideia de sair do ninho familiar, ela acaba partindo rumo à América. Triste e solitária em seu novo mundo, a tímida Eilis acaba por estabelecer uma rotina de trabalho diurno e estudo noturno na faculdade de contabilidade. No baile semanal da paróquia, conhece um jovem de origem italiana que aos poucos entra em sua vida. Mas quando começa a se sentir mais livre e segura, Eilis é obrigada a voltar, por algumas semanas, para Enniscorthy. E ali ela se vê, mais uma vez, diante de uma escolha muito difícil.
Sem nunca fazer de Eilis uma heroína clássica, Colm Tóibín trama uma delicada teia de sentimentos ocultos, de aceitação do destino e de sonhos abandonados que deixará o leitor preso à história muito tempo depois de terminar o livro.

Nunca vai embora, de Chico Mattoso
Renato Polidoro conheceu Camila no consultório odontológico — não em consulta, mas durante uma filmagem. Ocorreu então um pequeno milagre: a esperta aluna de cinema se apaixonou pelo dentista em eterna crise de autocomiseração. Para Renato, o romance com Camila foi providencial, pois varreu para debaixo do tapete boa parte de suas agruras emocionais. Quando a garota termina a faculdade, decide arrastar o namorado para a viagem tão sonhada: Havana. Na capital cubana, ela pretende fazer um documentário que dê vazão a suas elevadas (e um tanto quanto idealizadas) ambições estéticas. Mas logo o que prometia ser uma temporada caliente resulta em uma sucessão de desencontros — e em um desaparecimento misterioso.
Em ritmo vertiginoso, Nunca vai embora é o relato de uma paixão obsessiva, que encontra eco nas idiossincrasias de um país que também parece viver à deriva, flutuando em algum lugar entre a nostalgia e a esperança. Combinando humor e melancolia, este é um livro sobre a busca de um jovem por amor, sexo e, talvez principalmente, algum sentido para um mundo que não admite se deixar controlar.
[Haverá sessão de autógrafos em São Paulo dia 3 de maio.]

Borges — Uma vida, de Edwin Williamson (Tradução de Pedro Maia Soares)
Esta é a primeira biografia que abrange toda a vida e a obra de um dos maiores escritores de todos os tempos. Com base em fontes anteriormente desconhecidas ou fora do alcance dos pesquisadores, revela o lado humano de Jorge Luis Borges: suas relações com uma família complexa e com os muitos amigos (e inimigos), as dificuldades de relacionamento com as mulheres e as profundas raízes argentinas desse escritor cosmopolita. Professor de literatura espanholoa em Oxford, Edwin Williamson traça com maestria a evolução das ideias políticas de Borges, desde as inclinações esquerdistas da juventude, a defesa do nacionalismo cultural e a postura claramento antifacista que o levou a se posicionar contra Perón, até o controvertido apoio às ditaduras militares da década de 1970 e o pacifismo de seus últimos anos. Williamson estabelece também correlações inéditas e surpreendentes entre a vida e a obra de Borges, numa tentativa ousada de compreender a vida através da obra e de dar uma explicação psicológica para os enigmáticos textos do maior escritor argentino do século XX.

A viúva grávida, de Martin Amis (Tradução de Rubens Figueiredo)
Três estudantes da Universidade de Londres passam férias de verão num castelo da tórrida Campania italiana. O ano é 1970. Lily namora Keith Nearing, estudante de literatura inglesa e aspirante a poeta. Às vésperas de completar 21 anos, entretanto, Keith só tem olhos para a bela Scheherazade, para suas medidas exuberantes e seus inocentes banhos de sol à beira da piscina. À maneira de uma divertida e apimentada comédia de costumes, o novo romance de Amis nos situa, de início, entre uma galeria variada de personagens que tateiam por um mundo em transformação radical. Mas trinta longos anos são necessários até que o verão de 1970 alcance um Keith Nearing já cinquentenário. E sobre cada um deles paira uma sombra trágica: Violet. Ousado e controvertido, A viúva grávida é um acerto de contas com a revolução sexual e com o mundo que ela gestou, mas é também um tributo pungente à irmã de Amis, Sally, morta em 1999 aos 46 anos de idade.

Fotos da 8ª Flip

Hoje chegou ao fim a 8ª Festa Literária Internacional de Paraty. Nós da Companhia das Letras gostaríamos de agradecer a todos que nos visitaram na Casa dos Clássicos, um canto montado pela editora lá em Paraty para comemorar o lançamento do selo Penguin-Companhia das Letras.

Casa dos Clássicos, a sede da Penguin-Companhia na Flip 2010

Entre as mesas, as pessoas podiam passar lá para descansar nas espreguiçadeiras e ler os clássicos da Penguin-Companhia, ou a história em quadrinhos de Gabriel Bá que a Companhia estava distribuindo.

E todo mundo queria tirar uma foto com o pinguim!

Lilia Moritz Schwarcz e Robert Darnton

Rafael Coutinho e Eucanaã Ferraz

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Semana dez

Os lançamentos desta semana foram:

Atravessar o fogo, de Lou Reed (Tradução de Christian Schwartz e Caetano W. Galindo)
Por meio das mais de trezentas letras disponíveis nessa edição bilíngue, é possível contemplar o gênio de Lou Reed em suas múltiplas facetas: o cronista do submundo nova-iorquino, o narrador de inegável talento para capturar as vozes das ruas, o fetichista depressivo com tendências suicidas e masoquistas, o amante da literatura e das artes de vanguarda. Um retrato completo da obra de uma das figuras mais polêmicas e influentes da música contemporânea.

Fogo amigo, de A.B. Yehoshua (Tradução de Davy Bogomoletz)
Fogo amigo acompanha sete dias decisivos na vida de um casal israelense de meia-idade. Durante a semana do Hanukah, Daniela parte para uma viagem de cinco dias à Tanzânia, para onde o cunhado, decidido a cortar todos os vínculos com Israel, se mudou após o único filho ter sido morto por fogo amigo. Enquanto isso, o engenheiro Yaári permanece em sua casa, em Tel-Aviv, onde tenta descobrir a origem dos uivos lancinantes emitidos pelo poço de elevadores de um edifício ultramoderno projetado por ele.

O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de J.P. Cuenca
Destaque da nova geração de escritores brasileiros, J.P. Cuenca narra a tórrida e acidentada relação de um jovem executivo de Tóquio com uma garçonete do Leste Europeu. O casal é ameaçado pelo perverso pai do rapaz, um velho poeta que vive com uma boneca erótica e mantém uma rede de voyeurismo. Leia aqui o começo do livro, que faz parte da coleção Amores Expressos.

A casa do Rio Vermelho, de Zélia Gattai
Zélia Gattai e Jorge Amado viveram longos anos num belo casarão no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Casa festiva e cheia de amigos, distante da clausura dos gabinetes e das academias literárias, é ela o centro deste livro. Em A casa do Rio Vermelho, Zélia continua a narrar a saga de sua vida — que se mistura não só com a do marido Jorge Amado, mas com a aventura de toda uma geração de artistas. Sua grande proeza é fazer da literatura não só registro de emoções e de acontecimentos, mas uma maneira de se apropriar do mundo.

A teoria das janelas quebradas, de Drauzio Varella
Seleção de crônicas publicadas na Folha de S.Paulo ao longo de dez anos, A teoria das janelas quebradas traz a voz ponderada, a graça narrativa e a sabedoria sem artifícios de Drauzio Varella. O cardápio é variado, incluindo desde histórias engraçadas de adultério, reflexões sobre o crime, temas atuais de ciência e medicina, até questões sociais, sempre abordadas pelo autor com seu olhar atento para os dramas humanos. Clique aqui para ler uma das crônicas.

Haroun e o mar de histórias, de Salman Rushdie (Tradução de Isa Mara Lando)
Rashid, um contador de histórias profissional, é o próprio “mar de ideias”. Um dia, porém, ele perde o dom da palavra, e com isso perde também seu ganha-pão e toda a alegria de viver. É então que seu filho Haroun descobre que toda história vem de um grande mar de histórias, o que o faz entregar-se à fantástica aventura de ir em busca das palavras. Escapando de muitos perigos, Haroun conseguirá vencer as tenebrosas forças da escuridão e do silêncio.

O beijo de Lamourette, de Robert Darnton (Tradução de Denise Bottmann)
Em quinze ensaios que tratam da história em geral e da história dos meios de comunicação, o historiador norte-americano Robert Darnton mostra como o passado atua no presente e propõe a criação de uma disciplina particular: a história do livro.

O único final feliz para uma história de amor é um acidente

Foto de J.P. Cuenca por Jorge Bispo.

A Companhia lança esta semana O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de J.P. Cuenca. O livro faz parte da coleção Amores Expressos, e dessa vez a ação se passa em Tóquio.

Com uma estrutura caleidoscópica e narradores tão surpreendentes quanto uma melindrosa boneca erótica, o romance se apropria da cultura japonesa de ontem e de hoje — dos quadrinhos, dos seriados —, para narrar uma história de amor perturbadora, em que a vida fragmentada das metrópoles, o voyeurismo e a perversão figuram como vilões onipresentes.

Haverá eventos de lançamento na Livraria da Travessa da Ipanema, no dia 13 de agosto, e durante a Flip. Abaixo você lê o começo do livro, e no YouTube você pode ver o trailer dele.

* * * * *

1.

Antes do sr. Atsuo Okuda abrir a caixa, tudo estava escuro.

Mais que isso: não havia nada para ser iluminado antes do sr. Okuda abrir a caixa. Se o sr. Okuda nunca houvesse aberto a caixa, nada existiria. O mundo só começou a partir do momento em que o sr. Okuda abriu a caixa e disse a palavra. Ele disse: Yoshiko.

E Yoshiko ficou sendo o meu nome.

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