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25 anos em busca de qualidade

Por Elisa Braga

Muitas vezes vejo pessoas admiradas com a grande quantidade de profissionais envolvidos no processo de produção de um livro. Realmente é muita gente, são funcionários, colaboradores, parceiros, que precisam fazer bem a sua parte para o processo seguir adiante.

Em sua coluna desta semana na Folha de S.Paulo, Janio de Freitas cumprimenta a Companhia das Letras pelos seus 25 anos e diz “Os 25 anos da Companhia das Letras são mesmo para comemorar. Com sua chegada, o livro ganhou no Brasil um novo status, na elaboração carinhosa, no tratamento respeitoso ao texto, na elegância da identidade editorial. […] O significado da Companhia das Letras chegou até mesmo à indústria gráfica brasileira, obsoleta e extenuada, e de repente forçada a repor-se à altura das edições pretendidas”. Sempre ouvimos o Nelson Vido, sócio-diretor da Geográfica, nos agradecer por isso.

Ontem, quase às dez da noite, recebi uma mensagem do Fabio, nosso supervisor de produção de capas, dizendo que a Geográfica recebeu o Prêmio Fernando Pini da Indústria Gráfica, na categoria Livros de Texto, pela impressão dos doze volumes da “Coleção Prêmio Nobel ― 25 anos da Companhia das Letras“. Na produção desta coleção, trabalharam juntos, cuidando de cada detalhe, a minha superequipe (incluindo o Teco), a dupla de artistas gráficos Claudia Warrak e Raul Loureiro (adoramos trabalhar com vocês), e os sempre atenciosos funcionários da Geográfica. Parabéns e obrigada a todos.

Para nós do departamento de produção, este prêmio é um símbolo do reconhecimento da qualidade que sempre buscamos, com a participação essencial de todos os nossos parceiros, as gráficas (Bartira, Donnelley e Prol, além da Geográfica), a indústria de papel, os artistas gráficos, os ilustradores, os diagramadores e os revisores.

Nos próximos 25 anos, vamos continuar querendo mais.

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Elisa Braga é diretora de produção e trabalha na Companhia das Letras desde 1987.

Semana setenta e sete

Os lançamentos da semana são:

Rock’n’roll e outras peças, de Tom Stoppard (Tradução de Caetano W. Galindo)
Tom Stoppard é uma das vozes mais importantes do teatro europeu pós-Beckett. Longe de ser um total desconhecido por aqui, o autor, responsável pelo roteiro de Shakespeare apaixonado, entre outros, ainda não tinha sido traduzido no Brasil. Com uma seleção de peças que cobre as características mais importantes e mais renovadoras de cada fase da produção de Stoppard, o volume apresenta desde as releituras satíricas dos clássicos e da história (como em Rosencrantz e Guildenstern morreram, que reencena o Hamlet de Shakespeare pelos olhos de dois personagens menores; e em Pastiches, que revê o enredo de A importância de ser prudente, de Oscar Wilde, com um elenco composto por Lênin, Tristan Tzara e James Joyce), passando pela produção mais vanguardística (O verdadeiro inspetor Cão, O Hamlet de Dogg, o Machbeth de Cahoot), chegando aos momentos mais “ortodoxos” da produção dos anos 1980 (aqui representada pela brilhante De verdade) e finalmente à fase lírica e pessoal mais recente do autor (representada por Arcadia e pela própria Rock ‘n’ roll).

Formação do Brasil contemporâneo, de Caio Prado Jr.
Neste livro, Caio Prado Jr. volta ao passado colonial da sociedade brasileira para entender os impasses do presente, e acaba por concluir que aquele permanecia vivo em alguns de seus traços fundamentais. A formação da nação é interpretada como parte do sistema colonial, modo de pertencimento ao capitalismo mercantil que teria conferido unidade, ainda que problemática, à vida social que se veio formando desde a colônia. O autor afirma que o processo de colonização acabou por permitir que se esboçasse no Brasil uma nacionalidade diferente daquela de modelo europeu, e até relativamente nova em termos sociais e culturais, sem que isso significasse autonomia para a sociedade nascente, mesmo depois da independência política. Apresentando nossa formação em longa duração e como parte de um todo maior, a abordagem historiográfica inovadora de Formação do Brasil contemporâneo conferiu ao livro o posto de um dos poucos clássicos incontestes da historiografia brasileira no século XX.

O último da tribo: a epopeia para salvar um índio isolado na Amazônia, de Monte Reel (Tradução de Marcos Bagno)
Um segredo bem guardado da floresta amazônica foi descoberto em 1996: o homem mais solitário do mundo. Avistado em Rondônia — um lugar que carrega a triste fama dos conflitos entre madeireiros e indígenas —, percebeu-se que era preciso conhecer esse homem de perto para criar uma área garantindo a sua proteção. Mas a dificuldade de contato com o índio extremamente arredio não é o maior obstáculo que a expedição composta de sertanistas e pessoas ligadas à Funai precisaria enfrentar. O verdadeiro pesadelo são os fazendeiros e seus advogados pouco idôneos, os deputados ditos desenvolvimentistas e o emaranhado burocrático dos órgãos oficiais de Brasília. Narrada como um thriller que tem como pano de fundo a selva amazônica, esta reportagem remonta os passos incríveis dessa saga para proteger a riqueza da floresta e o que talvez seja o último resquício de uma cultura prestes a ser extinta.

Chatô: o rei do Brasil, de Fernando Morais (Nova edição econômica)
Dono de um império de quase cem jornais, revistas, estações de rádio e televisão — os Diários Associados — e fundados do Masp, Assis Chateaubriand, ou apenas Chatô, sempre atuou na política, nos negócios e nas artes como se fosse um cidadão acima do bem e do mal. Mais temido que amado, sua complexa e muitas vezes divertida trajetória está associada de modo indissolúvel à vida cultural e política do país entre as décadas de 1910 e 1960. Chantagista, crápula, escroque, patife, ladrão tarado — de tudo o que se pode imaginar de ruim ele foi chamado (poucas vezes pela frente, é verdade) por críticos e inimigos. Mas palavras de alta voltagem como empreendedor, pioneiro, visionário, gênio e mecenas também se usaram, torrecialmente, para tentar defini-lo. Como bem mostra Fernando Morais, em nenhum dos dois casos isso se dá sem razão. Chatô, o rei do Brasil, um dos maiores best-sellers dos anos 1990 no Brasil, é obra de grande esforço jornalístico para retratar, como equilíbrio e rigor, um personagem tão complexo quanto fascinante.

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Além destes, também foram lançados mais 4 volumes da Coleção Prêmio Nobel. São títulos de autores que receberam o prêmio Nobel de Literatura, em edição limitada de capa dura e revestida de tecido.