colm tóibin

Semana duzentos e cinquenta e cinco

 

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Nora Webster, de Colm Tóibin (Tradução de Rubens Figueiredo)
Ambientado na Irlanda, este romance apresenta a formidável Nora Webster. Viúva aos quarenta anos, com quatro filhos e pouco dinheiro, Nora perdeu o amor de sua vida, Maurice, o homem que a resgatou do mundo acanhado em que foi criada. E agora ela teme ser arrastada de volta para esse universo. Ferida, determinada, inclinada à discrição numa comunidade onde todos querem saber da vida de todos, Nora afunda na própria dor e fecha os olhos ao sofrimento dos filhos. Mas ainda assim ela tem momentos de impressionante empatia e bondade, e, quando volta a cantar, depois de décadas, encontra um consolo, uma causa, um porto seguro – ela mesma. Nora Webster é uma obra-prima de construção de personagem e ponto máximo na obra de um escritor no auge de sua carreira.

Herege, de Ayaan Hirsi Ali (Tradução de Laura Teixeira Motta e Jussara Pinto Simões)
Ayaan Hirsi Ali, autora do best-seller Infiel, faz nesse livro um apelo poderoso por uma reforma do islamismo, como único modo de acabar com o terrorismo, as guerras sectárias e a repressão contra mulheres e minorias. Desafiando com coragem os jihadistas, ela identifica as cinco mudanças que precisam ser feitas na religião islâmica para que muçulmanos abandonem os dogmas que os prendem ao século VII. Segundo Ali, “o islã não é uma religião de paz”; o Ocidente deve apoiar os reformistas muçulmanos e não tolerar os extremistas. Concluído logo depois do ataque ao Charlie Hebdo e num momento em que milhares de pessoas ainda são mortas em nome de Alá, o livro oferece uma resposta a um dos mais graves problemas do mundo hoje.

Seguinte

A rainha vermelha, de Victoria Aveyard (Tradução de Cristian Clemente)
O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe – e Mare contra seu próprio coração.

Fontanar

Filosofia de bem-viver – como mudar a vida sem mudar de vida, de Lúcia Barros e Márcia de Luca
É raro encontrar pessoas que estejam satisfeitas com a própria vida; estamos sempre em busca de felicidade e realizações, mas o que geralmente encontramos são cobranças, estresse e muita correria. Filosofia de bem viver apresenta mudanças pequenas, mas consistentes, que trazem saúde e bem estar. As sugestões vão desde uma alimentação mais adequada, até exercícios físicos, respiratórios e massagens. A partir dos princípios do Ayurveda, a tradicional medicina indiana e o mais antigo sistema de cura do mundo, Márcia De Luca e Lúcia Barros irão ajudar a direcionar seu esforço no sentido de conquistar seus objetivos, ter disciplina e dedicação e dar tempo ao tempo – permitindo uma vida muito mais saudável e equilibrada, física e mentalmente.

Penguin-Companhia

O primo Basílio, de Eça de Queirós
Durante uma viagem prolongada de seu marido, Luísa se deixa seduzir por Basílio, um primo seu que voltava a Portugal depois de uma temporada no Brasil. Imprudentes e indiscretos, os amantes acabam flagrados por Juliana, a empregada da casa, que passa a chantagear a patroa. Com o anúncio da iminente volta do marido, está armado o cenário para um caso exemplar de decadência do estilo de vida pequeno-burguês, com seus preconceitos e moralismos, seus tipos parasitários, suas relações amesquinhadas e seu frágil equilíbrio. Esta edição de O primo Basílio traz textos introdutórios inéditos de Lilian Jacoto, professora de literatura portuguesa da Universidade de São Paulo, e do escritor e crítico literário Silviano Santiago.

Paralela

After Vol.3 – depois do desencontro, de Anna Todd (Tradução de Alexandre Boide e Carolina Caires Coelho)
Tessa passa pelo momento mais difícil de sua vida. Enquanto luta para crescer na carreira com a qual sempre sonhou, seu mundo é virado de ponta-cabeça: a inesperada aparição de seu pai e uma traição imperdoável a deixam mais fragilizada do que nunca. Hardin – com seus beijos viciantes, seu toque incendiário e seu charme de bad boy – seria o único capaz de fazê-la se esquecer das dificuldades, mas até ele se vira contra Tessa quando descobre o segredo que ela vem guardando. Se este casal intenso e apaixonado já vivia por um fio antes, agora os obstáculos são maiores do que nunca. Depois do desencontro, essa história de amor sobreviverá?

Quem eu? – Uma avó. Um neto. Uma lição de vida, de Fernando Aguzzoli
Em 2013, Fernando Aguzzoli abriu mão do emprego e dos estudos para cuidar de sua avó, Nilva, diagnosticada com Alzheimer. Da convivência dos dois surgiram momentos divertidíssimos, histórias e confidências que o neto resolveu compartilhar em uma página criada no Facebook. Alimentada diariamente por Fernando com posts e vídeos, a página comoveu centenas de leitores e conquistou milhares de fãs. Quem, eu? chega agora em forma de livro, uma reunião de todos os momentos vividos entre os dois, além de entrevistas com profissionais para ajudar outras famílias que enfrentam esse mesmo obstáculo. Uma história real e uma lição de vida, que promete muitas risadas e momentos emocionantes.

Esperança – Dez anos de cativeiro: um relato de superação em Cleveland, de Amanda Berry e Gina DeJesus e Mary Jordan/ Kevin Sullivan (Tradução de Guilherme Miranda)
Ariel Castro, um motorista de ônibus escolar, enganou Amanda Berry, Gina DeJesus e Michelle Knight para que entrassem em sua casa, onde as manteve acorrentadas por anos. Ao longo da década seguinte, as garotas sofreram abusos sexuais e psicológicos e foram ameaçadas de morte.
Em Esperança, Amanda Berry e Gina DeJesus descrevem uma história de tormenta inimaginável com base em suas memórias e no diário mantido por Amanda. Com a ajuda dos premiados repórteres Mary Jordan e Kevin Sullivan, elas narram a história completa por trás das manchetes – incluindo detalhes nunca antes revelados sobre a vida e motivações de Castro -; um relato assombroso, mas inspirador, de duas mulheres cuja coragem, inocência e fé permitiram que sobrevivessem e voltassem para suas famílias.

Meu passado me condena, de Tati Bernardi
Meu passado me condena foi sucesso no cinema (mais de 3,5 milhões de espectadores) e no teatro (mais de cem mil pessoas) e agora, em forma de livro, traz de volta Fábio e Miá em histórias inéditas, marcadas pela sinceridade desconcertante costumeira. Enquanto chocam um ao outro, o leitor se diverte com este livro que reúne ainda os melhores momentos dos dois na peça. Tudo isso fruto do texto inteligente, bem-humorado e cheio de personalidade de Tati Bernardi.

 

A literatura do luto

Por Colm Tóibín (tradução de Carlos Alberto Bárbaro)

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Colm Tóibín é um dos principais nomes confirmados para a Flip 2015. Autor de Mães e filhosBroolkyn O testamento de Maria, lança agora pela Companhia das Letras Nora Webster, um romance que conta a história de uma recém-viúva que afunda na própria dor e fecha os olhos ao sofrimento dos filhos. Para conhecer melhor o autor que vem ao Brasil e o livro que acaba de chegar às livrarias, traduzimos este artigo publicado originalmente no The Guardian em que Tóibín fala sobre luto e literatura. Leia a seguir.

* * *

Quando fui estudar em Dublin, em 1972, a escritora Mary Lavin era presença constante na cidade. Eu a observava enquanto ela passava com certa majestade entre as mesas da Biblioteca Nacional rumo à mesa principal, ou enquanto ela se sentava em uma pequena cafeteria chamada Country Shop, ou enquanto ela tomava um café na Bewley da Grafton Street. Normalmente desacompanhada. Vestindo preto. O cabelo repartido ao meio e desleixado em um coque. Sua expressão era gentil, triste e estranhamente alheia, mas apresentando também uma força engraçada. Ela passara a vida a descrever os outros e descobrindo estratégias para criar versões dela mesma; não era uma pessoa fácil de classificar, ou mesmo de identificar só de olhar.

Não lembro ao certo como soube que ela ficara viúva ainda jovem, e com filhos, mas tenho certeza de que já sabia disso antes de vir para Dublin. Eu tinha interesse pela palavra “viúva” e teria prestado muita atenção a uma escritora, ou a qualquer mulher, na verdade, que fosse viúva, pelo fato de minha mãe ser uma. Pode ser que eu tenha sabido ao ler um conto de Lavin na escola, “O filho da viúva”.

Quando comecei a cruzar com ela em Dublin, eu já tinha lido um bocado de sua obra. Algumas de suas histórias nada significavam para mim. Os retratos da vida da classe média alta no condado de Meath, no norte de Dublin, eram muito rarefeitos. Mas as histórias que descreviam a vida de uma viúva eram demasiado próximas do modo como vivíamos então em nossa casa e àquilo que não era pronunciável — o trabalho de silêncio em torno ao luto, a vida de uma mulher solitária, a ausência palpável de um homem, de um marido, de um pai, nosso pai, meu pai, a noção da conversa como um modo de ocultar a dor em lugar de revelar o que quer que fosse, principalmente sentimento — para que eu não a tivesse lido com total identificação. A identificação era tão clara, na verdade, que não me recordo de ter identificado algo. Eu a lia demasiado superficialmente.

E eu devo ter precisado sentar quando cheguei a esse trecho do conto de Lavin chamado “Felicidade”:

“Quando o Pai foi para o hospital, a Mãe foi com ele, e se hospedou em um pequeno hotel do outro lado da rua para poder estar com ele o dia todo, da manhã até o final do dia. ‘Porque era muito chato pra ele, ficar em Dublin’, ela disse. ‘Você não faz ideia do quanto ele detesta aquilo.’”

Talvez eu tenha pensado que isso iria estar em outros livros no futuro — uma imagem tão precisa do que tinha se passado conosco —, mas jamais reencontrei isso. Só lá. E está no romance que acabo de escrever, Nora Webster, mas levou um bom tempo para que eu encontrasse uma forma dramática para aquelas palavras.

As personagens de Lavin, em suas histórias sobre solidão e viuvez, vivem num tempo crepuscular. Elas mal e mal prosseguem. Uma de suas histórias sobre luto e o que vem a seguir, a cessação do luto, é “No meio dos campos”. Na primeira frase, ela estabelece que sua heroína está só, em um local isolado na zona rural. Assim, lê-se a seguir: “E a despeito disso ela estava menos solitária para ele aqui em Meath do que em outro lugar qualquer.”

A perda é algo complexo, ou se manifesta de modo complexo. As pessoas acham que ela quer falar sobre o seu marido morto, ou ser lembrada do que ela perdeu. “Pensavam que ela estava abraçando fortemente cada memória que tinha dele. O que é que eles sabem sobre a memória?” Ela sonhava com um tempo em que tivesse “esquecido dele por um minuto”. É claro que o luto não tem de ser nomeado “luto”, ou esmiuçado com uma lupa. Tudo o que ela sabe é que o jeito dela sentir não é estável, não é confiável. É refratário.

Nas histórias de Lavin sobre a perda, a viúva recente tem de refazer as próprias regras, inclusive as mais banais regras de comportamento. Emoções afloram, surgem novos desejos; as ações de suas personagens podem facilmente tornar-se irracionais e difíceis de explicar; frequentemente elas fazem o contrário do que pretendiam. Não serem preservadas da perda afeta todo o seu raciocínio, mesmo quando não estão refletindo sobre a perda, e, na verdade, afeta tudo o que fazem.

Essa noção da personalidade como algo repentinamente adaptável sob a pressão da perda pertence, fundamentalmente, à literatura do luto porque, naturalmente, pertence à experiência.

Na escola, lembro-me de estar sentado na última fileira da sala, logo após meu pai ter morrido, ouvindo um debate sobre a loucura de Hamlet e sobre o caráter de Hamlet, em que todos se perguntavam como é que Hamlet podia estar apaixonado num instante e no seguinte não apresentar qualquer traço de amor, e então estar furioso e pronto para a vingança e a seguir disposto a procrastinar, num minuto, melancólico, no seguinte, brincalhão, e por que seu tom podia ser tão sábio e repentinamente também tão amargo e de um sarcasmo cortante e rude. Como podia ele ser tantas coisas, e como poderíamos nós definir seu caráter?

Eu queria ter levantado a mão para dizer que eu achava que entendia o que estava na raiz de todas as suas disposições. O seu pai tinha morrido há pouco. Isso era tudo. Ele tinha sido deixado à deriva. Enquanto todos ao seu redor tentavam lhe explicar que o que havia acontecido era normal, que era parte da natureza, e tentavam seguir em frente, Hamlet havia ficado sem chão; e, por sorte, Shakespeare enxergara as possibilidades dramáticas dessa situação.

No prefácio a seu Grief Lessons [Lições de luto], a tradução de quatro peças de Eurípides, Anne Carson reflete sobre o luto. “Por que existe a tragédia?”, ela pergunta. E em seguida responde: “Porque se está cheio de fúria. Pergunte a um caçador de cabeças porque ele corta as cabeças das pessoas. Ele dirá que a ira o impele, e a ira nasce do luto. O ato de cortar e jogar fora a cabeça da vítima lhe permite purgar a ira de todos os seus lutos. Talvez você julgue que isso não se aplica a você. No entanto, lembre-se do dia em que sua esposa, ao volante rumo ao funeral de sua mãe, virou à esquerda em vez de à direita no cruzamento e você teve que gritar com ela tão alto que os outros motoristas se voltaram para ver o que estava acontecendo. Quando você arrancou a cabeça dela e a atirou pela janela, eles assentiram com a cabeça, mudaram de marcha e seguiram seu caminho”.

Alguns anos antes, na introdução para a sua tradução de Electra, de Sófocles, uma das grandes peças sobre o luto, o tom empregado por Carson transpira menos certeza quando ela escreve sobre a cena em que Orestes volta pra casa e entrega à sua irmã uma urna com cinzas que ele diz ser de Orestes, seu irmão morto. Orestes escuta por alguns instantes o pranto de Electra antes de revelar que estava apenas pregando-lhe uma peça, estando na verdade vivo por o tempo todo, e agora parado ali, à frente dela. Carson cita a declaração da atriz Fiona Shaw, que considera a “cena de decepção/reconhecimento entre Electra e Orestes indizivelmente impossível de interpretar”.

Carson prossegue: “Críticos e estudiosos (e tradutores) concordam que esta cena é algo difícil de entender. Por que Orestes resolve enganar sua irmã fazendo-a pensar que ele está morto? Por que ele desiste no meio? Qual o objetivo buscado por Sófocles aqui? A alternação entre mentiras e verdades, emoções altas e baixas, é desconcertante e cruel, o cabo de guerra sobre uma urna, quase bizarro”. Da mesma forma, Phillip Vellacott, tradutor da versão de Eurípides da mesma peça, indaga sobre esta cena e identifica o ponto “em que Orestes deveria revelar-se… Ele não se revela. Por quê?”.

A solução é com certeza simples. A trapaça de Orestes, claro, é o próprio câmbio do luto. Orestes, tendo perdido o seu pai, é incapaz de voltar impávido. As questões de vida e morte invadiram o seu espírito e o envenenaram de tal modo que a abordagem de que faz uso para reencontrar sua irmã será completamente tortuosa. Ele simplesmente não consegue lidar com a emoção. Como Carson escreve sobre a versão euripidiana de Orestes: “Ao fim e ao cabo, Orestes é um cliente peculiar — não propriamente louco, mas estranho e irreconhecível. Sua consciência é inteira e totalmente dele apenas.” Assim, sua resposta será repleta de dubiedade e trapaça sobre a coisa em si — a diferença entre estar vivo e morto —  com a qual ele não consegue ser capaz de chegar a um termo. Tornar-se “desconcertante e cruel”, segundo a definição de Carson, e “bizarro” é o que aconteceu a sua personalidade sob pressão. Enquanto à irmã coube toda a catarse, Orestes deixou a dor se acomodar silenciosamente no âmago mesmo de seu ser, de forma que nada que ele fizesse seria jamais fácil de explicar. Enquanto as pessoas deram um jeito de evitar sua irmã por conta das coisas que ela dizia, talvez elas estivessem ainda mais ocupadas em evitar Orestes por conta do seu silêncio.

Algumas semanas depois da morte de meu pai, fui com minha tia à casa de uma velha amiga dela e de minha mãe para pegar algo. Quando minha tia disse que minha mãe estava no carro lá fora, a amiga recuou um passo, deixando claro, sem que fosse preciso dizer nada, que não estava preparada para isto e que preferia que minha mãe permanecesse no carro. Ao presenciar isto, eu me recolhi. Ninguém sabe o que fazer na presença de alguém que tenha sofrido uma perda, ou o que dizer.

Em seu A grief observed [Um luto cumprido], publicado em 1961, após a morte da esposa, C. S. Lewis descreve exatamente essa sensação, no pós-luto, de ser alguém a ser evitado. “Um produto estranhamente inesperado de minha perda é ter a consciência de ser um constrangimento para todos que encontro… Outros também se dão conta disso. R. esteve me evitando por uma semana… Talvez os enlutados devessem ser isolados em acampamentos especiais, como os leprosos.” Em Levels of life [Níveis de vida], escrito após a morte de sua esposa, Julian Barnes escreve: “Como, então, você se sente? Como se, após ter sido largado de uma altura de muitas centenas de metros, consciente o tempo todo, tivesse primeiro aterrissado em um leito de rosas com um impacto que o tivesse feito se ajoelhar, e cujo choque tivesse feito com que seus órgãos internos se rompessem e fossem arremessados para fora do seu corpo. É essa a sensação, e como poderia ser diferente? Não admira que alguns queiram desviar a conversa para um assunto mais tranquilo. E talvez eles não estejam evitando a morte, e ela; talvez eles estejam te evitando.”

Em A história de uma viúva, escrito após a morte do marido, Joyce Carol Oates descreve os esforços da amiga C. para organizar um enorme jantar festivo para ela, convidando muitos dos seus amigos, a fim de aliviar a sua dor. “Eu vislumbro uma mesa de jantar de nove metros quadrados, com a viúva colocada na extremidade mais afastada, como uma leprosa, o mais distante possível da amável C.” Apesar de Oates sugerir um evento menor, C. persiste, apenas para descobrir, claro, que os amigos não estão livres em nenhuma das noites sugeridas. Oates escreve: “Começo a perceber que embora C. tenha dito que ela e seu marido estão ansiosos para me encontrar, eles estão na verdade atemorizados com a possibilidade.”

A escrita de Lewis, Barnes e Oates sobre o luto é profundamente pessoal, precisa e particular. O sentimento que descrevem é único porque a pessoa perdida é única. A perda acontece apenas uma vez. Mas a escrita é também pública; ela não vem sob a forma de um diário com várias referências crípticas. Sua fonte é talvez a mesma fonte da ficção em si — a misteriosa e compulsiva necessidade de encontrar um ritmo e um tom elaborado para sugerir e comunicar os sentimentos, imagens e fatos mais privados a outrem, de construir frases que partam do simples espelhamento do escritor para proporcionar ao leitor um vislumbre mais intenso do mundo.

Romancistas inventam coisas, mas as coisas, ou os sentimentos que as envolvem, vêm do mundo; elas têm uma forma, como a forma do mundo, ou a forma, de fato, da experiência, incluindo a experiência do escritor ou suas preocupações mais prementes. Assim, para um romancista, a experiência do luto abre seu caminho para se tornar obra do mesmo modo que as águas de uma inundação podem ser canalizadas em uma correnteza. O ano do pensamento mágico e Noites azuis, os dois livros de Joan Didion sobre a perda de seu marido e de sua filha, e Diga o nome dela, o livro de Francisco Goldman sobre a morte de sua esposa, fazem uso, com técnica e sutileza, do próprio dom para a narrativa que distingue os autores como romancistas.

Os romancistas se tornaram personagens em seus próprios livros. Pela urgência do tom, eles deixam claro, contudo, que, na ressaca da perda, nada que eles possam inventar se compara a isso. E que, dado serem escritores, o que aconteceu precisa ser escrito para poder ser compartilhado e entendido, e assim poder se despir de sua incoerência. E para que eles, em sua impotência e fragilidade, possam ao menos fazer isso, possam ao menos escrever como é que foi.

Para outros escritores, o luto opera de um modo mais estranho e hesitante, como se o volume de água ficasse parado e começasse a se infiltrar pelas coisas. Tanto na ficção de Nadine Gordimer quanto na de Juan Goytisolo há uma vigorosa distância emocional, tornada palpável pela inteligência e preocupações políticas dos escritores. Quão estranho, então, descobrir, no último livro de contos de Gordimer, uma história intitulada “O sonho dos mortos”, em que ela sonha que está tendo uma refeição com seus velhos amigos, Anthony Samson, Edward Said e Susan Sontag, mas passa todo o tempo à espera do seu recém-falecido marido, a quem o livro é dedicado. “Você voltou ontem à noite? Eu tento te materializar via sonhos, mas você não aparece”, começa o conto. E termina assim: “Eu sentei à mesa, você não apareceu, tarde demais. Você não virá. Nunca”. E no miolo, a ausência dele paira sobre cada gesto, cada palavra, cada pensamento.

O romance de Goytisolo, The blind rider, é coalhado pela ausência da esposa do escritor de uma longa relação, uma ausência mencionada nas primeiras páginas apenas como “sua partida”. Lentamente, as referências momentâneas à perda, à morte dela, dão lugar ao mais abjeto luto. À semelhança de Gordimer, o tom pessoal e o desamparo são tão mais agudos e surpreendentes em razão da ausência dela da maior parte das outras obras de ficção de Goytisolo.

Comecei este meu romance, Nora Webster, na primavera de 2000. E mesmo tendo escrito outros livros durante os treze anos e meio seguintes, adicionei algo a Nora Webster em cada um desses anos, ou pelo menos eliminei algo dele. Eu pensava no livro quase todo dia. Embora alguns dos detalhes sejam inventados, inclusive os do lugar para onde Nora vai para trabalhar, não há nada inventado no que se refere ao clima na casa de cidade pequena onde eu e meu irmão mais novo vivemos com minha mãe nos anos seguintes à morte do meu pai.

A princípio pensei em escrever o livro de minha própria perspectiva, em vez da de minha mãe, mas ao tentar compor algo a partir daí, descobri que não havia nada, ou pelo menos não o suficiente para um romance. Era como se a experiência tivesse me esvaziado e fosse, do meu ponto de vista, demasiadamente repleta de silêncio e distância para me permitir ser capaz de juntar tudo para um romance.

Meu pai era professor na escola secundária da cidade. Eu conhecia as salas em que ele lecionava porque, como um estudante do primário, dirigia-me às salas dele na escola e esperava ali que ele terminasse sua aula. Bem, cinco ou seis semanas depois de sua morte, comecei, pela primeira vez, a frequentar a escola onde ele lecionava. Eu sentava nas salas de aula em que ele havia estado no quadro negro. O estranho é eu não me recordar de ter sentido nada; não houve drama, nenhum luto óbvio, apenas um vazio.

Pouco a pouco, seu nome parou de ser mencionado em minha casa. C.S. Lewis tem a descrição do mesmo silêncio após a morte de sua mulher: “Eu não consigo falar com as crianças sobre ela. No momento em que tento, em suas faces, não parece nem luto, nem amor, nem medo, nem piedade, mas o mais letal e frio dos condutores, a vergonha. Olhavam-me como se eu estivesse cometendo uma indecência. Torciam para que eu parasse. Eu senti exatamente o mesmo após a morte da minha mãe, quando meu pai mencionava ela. Não posso culpá-los. Os meninos são assim”.

O que amadureceu então foi uma estranha e insistente vigília que me deu, entre outras coisas, recordação total, de modo que há cenas em Nora Webster que, no mais mínimo dos detalhes — quem estava no quarto, quem disse o quê, quem olhou para quem, quem não disse nada —, aconteceram assim. Quando percebi que não poderia contar a história da minha própria perspectiva, que eu não tinha história, ou uma história tão repleta de caos e silêncio que não podia resultar em nada, foi quando vi que poderia, porque estivera observando e escutando tão ferozmente, dramatizar as coisas da perspectiva de minha mãe, ver as coisas do seu lado. Eu poderia combinar os truques e estratégias da ficção com o insistente trabalho do fato. Eu sabia o suficiente para ser capaz de imaginar tudo.

No primeiro capítulo que escrevi, Nora Webster resolve jamais voltar ao lugar no litoral de Wexford onde a família passava os verões. Eu escrevi uma grande porção do livro exatamente nesse lugar, não longe da casa onde nos hospedávamos, a casa para a qual nunca retornamos. O último capítulo do livro tem a cena mais difícil e emocional. Num sábado de agosto do ano passado eu levantei à primeira luz da madrugada para escrever a cena. Ela vinha estando na minha cabeça já há um bom tempo.

Depois, recordo que fui nadar no mar, ficando na água pelo maior tempo que pude. A cena estava escrita. Seria adorável dizer que eu me senti livre de tudo então, que por escrever tudo eu de algum modo tinha apagado tudo, ou que havia lidado com isso pelo menos da maneira apropriada, quebrado o silêncio. Mas escrever exige uma tal quantidade de apuro técnico, uma tamanha fria deliberação, que não dá pra ser uma forma de autoajuda. A página está branca quando você começa; não se trata de um espelho. Eu escrevi o romance porque ele estava em minha cabeça. Eu o escrevi porque o que está em minha cabeça tem o costume de tomar ritmo quase por si só. Mas eu sabia, não obstante, que isso era provavelmente algo para o qual eu não voltaria, e que portanto devia ser um alívio na sua conclusão, quando fosse escrito. Mas, como outros escritores que descreveram seu luto e sua perda devem saber, as coisas não são assim tão simples.

* * * * *

Colm Tóibín é autor de seis romances, entre os quais A luz do farol (2004), O mestre (2005), Mães e filhos (2008), Brooklyn (2011) e O testamento de Maria. É ganhador do Costa Book Award e do Los Angeles Times Book Prize, entre diversos outros prêmios. Vive em Dublin e em Nova York. Lança em junho pela Companhia das Letras Nora Webster

Prepare-se para a Flip

Hoje tivemos a coletiva da Festa Literária Internacional de Paraty, que anunciou os convidados de sua 13ª edição. Em 2015, a Flip vai acontecer entre os dias 1º e 5 de julho e tem como autor homenageado Mário de Andrade. A Companhia das Letras e a Objetiva têm diversos autores entre os convidados deste ano. Conheça!

Colm Tóibín

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Um dos principais nomes da ficção estrangeira, o irlandês Colm Tóibín ganhou o Costa Book Award e o Los Angeles Times Book Prize, entre diversos outros prêmios. É autor de seis livros, todos publicados no Brasil pela Companhia das Letras: A luz do farol (2004), O mestre (2005), Mães e filhos (2008), Brooklyn (2011) — que ganhou uma adaptação para os cinemas — e O testamento de Maria (2013). Seu romance mais recente, Nora Webster, está nas listas de melhores livros de 2014 dos principais jornais e revistas literárias, e chega em junho às livrarias brasileiras. O autor vive em Dublin e em Nova York.

Mesa Encontro com Colm Tóibín — Quinta-feira, 2 de julho, às 19h30.

Eucanaã Ferraz

Eucanaã Ferraz

Eucanaã Ferraz nasceu no Rio de Janeiro em 1961. É autor de, entre outros, Martelo (1997), Desassombro (2002) — vencedor do prêmio Alphonsus Guimarães, da Biblioteca Nacional, de melhor livro de poesia de 2002 — e Cinemateca (2008). É professor de literatura brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro e, além de autor, também foi organizador de livros como Letra só (2003) e O mundo não é chato (2005), de Caetano Veloso. É coordenador editorial da Coleção Vinicius de Moraes. Seu livro de poemas mais recente, Escuta, foi lançado março deste ano. Na Flip, Eucanaã vai participar da mesa “A Cidade e o Território”, um diálogo entre arquitetura e literatura brasileira com Antonio Risério.

Mesa “A cidade e o território” — Quinta-feira, 2 de julho, às 10h.

Ngũgĩ wa Thiong’o

Ngugi - credito - Daniel Anderson

Ngũgĩ wa Thiong’o é um escritor queniano. A sua obra inclui novelas, peças teatrais, contos e ensaios, da crítica social à literatura infantil. Um grão de trigo, publicado originalmente em 1967, será lançado no Brasil pela Alfaguara em junho e trata do difícil processo de independência do Quênia. O autor participa da mesa com Richard Flanagan sobre literatura no Hemisfério Sul.

Mesa “Escrever ao sul” — Sexta-feira, 3 de julho, às 17h15.

Eduardo Giannetti

Eduardo Giannetti, filósofo.

Eduardo Giannetti nasceu em Belo Horizonte em 1957. É formado em economia e em ciências sociais pela USP e PhD em Economia pela Universidade de Cambridge. Foi o vencedor do Prêmio Jabuti de 1994 na categoria Estudos Literários (Ensaio) com o livro Vícios privados, benefícios públicos?, e no Jabuti de 2006 ficou em segundo lugar na categoria Economia, Administração, Negócios e Direito com O valor do amanhã. Giannetti participa de uma conversa sobre a mente na mesa com o neurocientista Sidarta Ribeiro.

Mesa “As ilusões da mente” — Sexta-feira, 3 de julho, às 15h.

José Miguel Wisnik

Jose Miguel Wisnik1 - 2008 ©Adriana Vichi

Nasceu em São Vicente, São Paulo, em 1948. É professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo, além de pianista e compositor. Pela Companhia das Letras, publicou O som e o sentido — Uma outra história das músicas (1989) e Veneno remédio — O futebol e o Brasil (2008). Também selecionou e escreveu o prefácio do livro Poemas escolhidos de Gregório de Matos (2010). Em sua mesa, que encerra a Flip 2015, fará um retrato de Mário de Andrade, autor homenageado desta edição.

Conferência de encerramento — Domingo, 5 de julho, às 14h.

Rafael Campos Rocha

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Nascido em São Paulo, em 1970, Rafael Campos Rocha já trabalhou como produtor gráfico, desenhista de animação, professor de história da arte, cenógrafo, artista plástico, cartunista e ilustrador. Em 2012 lançou pela Quadrinhos na Cia. a sua primeira graphic novelDeus, essa gostosa, em que Deus assume a forma de uma mulher negra, proprietária de um sex-shop, ligada nos movimentos mais exóticos (e esotéricos) do assim chamado amor carnal. Vai participar da mesa com Riad Sattouf, ex-colaborador da Charlie Hebdo, sobre batalhas culturais nas HQs.

Mesa “Letras e imagens” — Sexta-feira, 3 de julho, às 10h30. 

Arnaldo Antunes

ANTUNES, Arnaldo

Músico, compositor, artista visual e poeta, Arnaldo Antunes nasceu em São Paulo em 1960 e foi integrante da banda Titãs até 1992. Entre projetos solo e com outros músicos, é um dos principais compositores brasileiros. Já tem 18 livros publicados, entre eles As coisas, que ganhou o Prêmio Jabuti de Poesia em 1993. Em junho, lança pela Companhia das Letras Agora aqui ninguém precisa de si. Rock e poesia se unem na mesa com o autor e a estreante Karina Buhr.

Mesa “Desperdiçando verso” — Sábado, 4 de julho, às 21h30.

Roberto Pompeu de Toledo

Roberto Pompeu de Toledo, São Paulo, 2015.

Roberto Pompeu de Toledo nasceu em São Paulo. Desde 1991 assina uma coluna na revista Veja. Trabalhou no Jornal da Tarde, no Jornal da República, na revista Isto É e no Jornal do Brasil. É autor de reportagens sobre política, cultura e história e autor dos livros A capital da solidãoA capital da vertigem, que chega em breve nas livrarias. Participa da mesa “Como era a cidade em que o Mário viveu?”.

Mesa “São Paulo! comoção de minha vida…” — Sexta-feira, 3 de julho, às 12h.

Reinaldo Moraes

REINALDO MORAES

Nasceu em São Paulo, em 1950. Estreou na literatura em 1981 com Tanto faz e depois publicou Abacaxi (1985) — reeditados em 2011 num volume único pelo selo Má Companhia. Passou dezessete anos sem publicar ficção, até lançar o romance juvenil A órbita dos caracóis (2003), os contos de Umidade (2005), a história infantil Barata! (2007) e o romance Pornopopéia (2009, Objetiva). Reinaldo Moraes vai participar da mesa Os Imoraes sobre literatura erótica e pornográfica.

Mesa “Os imoraes” — Sexta-feira, 3 de julho, às 21h30.

Confira a programação completa da Flip.

Livros para ler antes do filme (ou da série) em 2015

Reunimos uma lista com os principais filmes e séries baseados em livros publicados pela Companhia das Letras, Editora Objetiva e seus selos. Confira!

1) Vício inerente, de Thomas Pynchon

  • Filme: Vício inerente, dirigido por Paul Thomas Anderson e estrelado por Joaquim Phoenix, Josh Brolin, Owen Wilson, Benicio Del Toro, Catherine Waterston e Reese Whiterspoon.
  • Estreia: 19 de fevereiro
  • Sinopse: Doc Sportello é contratado por uma ex-namorada para investigar o sumiço de um poderoso barão do mercado imobiliário. Esse desaparecimento é parte de uma conspiração maior, que envolve surfistas, traficantes, contrabandistas, policiais corruptos e a temível entidade conhecida como Presa Dourada. O livro marca a volta de Pynchon ao cenário de outros dois romances, Vineland e O leilão do lote 49, ambientado na Califórnia no início dos anos 1970.

2) Dois irmãosde Milton Hatoum

  • Série: Dois irmãos, dirigida por Luiz Fernando de Carvalho e estrelada por Cauã Raymond, Juliana Paes, Antônio Fagundes e Eliane Giardini.
  • Estreia: Segundo semestre de 2015, pela Rede Globo.
  • Sinopse: O livro e a série se passam em Manaus e tem como centro a história de dois irmãos gêmeos — Yaqub e Omar — e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado em busca da identidade de seu pai entre os homens da casa. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança e à paixão desmesurada. Dois irmãos ganhou o Prêmio Jabuti de 2001 de Melhor Romance.

3) Livre, de Cheryl Strayed

  • Filme: Livre, dirigido por Jean-Marc Valleé e estrelado por Reese Whiterspoon, Laura Dern e Gaby Hoffmann. Roteiro de Nick Hornby.
  • Estreia: 15 de janeiro
  • Sinopse: Aos 22 anos, Cheryl Strayed achou que tivesse perdido tudo. Após a repentina morte da mãe, a família se distanciou e seu casamento desmoronou. Quatro anos depois, sem nada a perder, tomou a decisão mais impulsiva da vida: caminhar 1.770 quilômetros da chamada Pacific Crest Trail (PCT) — trilha que atravessa a costa oeste dos Estados Unidos — sem qualquer companhia. Cheryl não tinha experiência em caminhadas de longa distância e a trilha era bem mais que uma linha num mapa. O filme é apontado como um dos favoritos ao Oscar de 2015.

4) Invencível, de Laura Hillenbrand

  • Filme: Invencível, dirigido por Angelina Jolie e estrelado por Jack O’Connell, Domhnall Gleeson e Garrett Hedlund.
  • Estreia: 15 de janeiro
  • Sinopse: Em uma tarde de maio de 1943, um avião da Força Aérea americana caiu no meio do oceano Pacífico e desapareceu, deixando para trás alguns escombros e um rastro de óleo e sangue. Em seguida, na superfície do oceano, apareceu um rosto. Era de um jovem tenente, um dos artilheiros do avião, que se esforçava para chegar a um bote salva-vidas. Assim começou uma das mais impactantes odisseias da Segunda Guerra Mundial. O nome do tenente era Louis Zamperini. Quando criança, foi um rebelde incorrigível. Adolescente, canalizou a rebeldia no atletismo e descobriu um talento que o levou às Olimpíadas de Berlim e à perspectiva de ganhar uma medalha de ouro nos Jogos seguintes. Mas com o início da guerra, Zamperini foi obrigado a desistir de seu sonho.

5) Um holograma para o rei, de Dave Eggers

  • Filme: A hologram for the king, dirigido por Tom Twyker e estrelado por Tom Hanks, Tom Sekerritt e Sarita Choudhury.
  • Estreia: Setembro (EUA – sem previsão de estreia no Brasil)
  • Sinopse: Em uma cidade emergente da Arábia Saudita marcada por uma recente recessão na América, um persistente homem de negócios chamado Alan Clay possui um último recurso para evitar a falência, pagar a faculdade de sua filha e finalmente fazer algo grandioso. O livro será lançado em agosto pela Companhia das Letras.

6) O quarto azul, de Georges Simenon

  • Filme: O quarto azul, dirigido e estrelado por Mathieu Amalric, Léa Drucker e Stéphanie Cléau.
  • Estreia: Sem previsão de estreia no Brasil
  • Sinopse: Um dos “romances duros” de Simenon, que mergulham em atmosferas sombrias e personagens perturbados, O quarto azul conta a história de Tony Falcone e Andrée Despierre, que não se viam desde a infância. Numa noite de setembro, reencontram-se por acaso e tornam-se amantes. Durante onze meses marcam encontros no “Quarto Azul” de um hotel mantido pela irmã de Tony.
    No último encontro, porém, o marido de Andrée, Nicolas, é visto caminhando em direção ao hotel. Bem naquele dia, ela se declarara, sugerindo que abandonem os casamentos e fiquem juntos. Tony consegue fugir antes de ser flagrado — mas, pouco depois, a morte repentina de Nicolas o deixa em uma situação complicada.

7) Brooklyn, de Colm Tóibín

  • Filme: Brooklyn, dirigido por John Crowley e estrelado por Saoirse Ronan, Michael Zegen, Alisha Heng e Mary O’Driscoll. Roteiro de Nick Hornby.
  • Estreia: 26 de janeiro (EUA – sem previsão de estreia no Brasil)
  • Sinopse: No início dos anos 1950, a Irlanda não oferece futuro para jovens como Eilis Lacey. Sem encontrar emprego, ela vive na pequena Enniscorthy com a mãe viúva e a irmã Rose, até que o padre Flood lhe faz uma oferta de trabalho e moradia no Brooklyn, Estados Unidos. Triste e solitária em seu novo mundo, a tímida Eilis estabelece uma rotina de trabalho diurno e estudo noturno na faculdade de contabilidade. No baile semanal da paróquia, conhece um jovem de origem italiana que aos poucos entra em sua vida. Mas quando começa a se sentir mais livre e segura, Eilis é obrigada a voltar, por algumas semanas, para Enniscorthy. E ali ela se vê, mais uma vez, diante de uma escolha muito difícil.

8) No coração do marde Nathaniel Philbrick

  • Filme: No coração do mar, dirigido por Ron Howard e estrelado por Chris Hemsworth, Benjamin Walker e Cillian Murphy.
  • Estreia: 3 de dezembro
  • Sinopse: Livro e filme contam a história real inspirou Herman Melville a escrever Moby Dick. Em 1820, o baleeiro Essex foi atacado por um cachalote enfurecido e afundou rapidamente. Nunca se imaginara que uma baleia pudesse reagir aos pescadores que a perseguiam. O que se seguiu ao naufrágio foi uma longa provação pelas águas do Pacífico: amontoados em três botes, os marujos navegaram durante três meses, experimentando os horrores da inanição e da desidratação, da doença, da loucura e da morte, chegando à prática do canibalismo.

9) Samba, de Delphine Coulin

  • Filme: Dirigido por Eric Toledano e Olivier Nakache e estrelado por Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim e Izïa Higelin.
  • Estreia: 4 de junho
  • Sinopse: Samba é um imigrante do Senegal que vive há 10 anos na França e, desde então, tem se mantido no novo país às custas de empregos pequenos. Alice, por sua vez, é uma executiva experiente que tem sofrido com estafa devido ao seu trabalho estressante. Enquanto ele faz o possível para conseguir os documentos necessários para arrumar um emprego digno, ela tenta recolocar a saúde e a vida pessoal no trilho, cabendo ao destino determinar se eles estarão juntos nessa busca em comum. O livro será lançado em junho pela Editora Paralela.

 10) A humilhação, de Philip Roth

  • Filme: Dirigido por Barry Levinson e estrelado por Al Pacino, Greta Gerwig e Dianne Wiest.
  • Estreia: 26 de março
  • Sinopse: Aos 65 anos, Simon Axler, um renomado ator de teatro, sobe no palco e constata que não sabe mais atuar. A partir daí, sua vida entra numa espiral de perdas: a mulher vai embora, o público o abandona e seu agente não consegue convencê-lo a retomar o trabalho. Obcecado com a ideia do suicídio, Simon se interna numa clínica psiquiátrica. Simon se envolve numa relação passional com uma mulher mais jovem, homossexual, filha de um casal de atores que ele conheceu na juventude. Nasce daí um desejo erótico avassalador, um consolo para uma vida de privação, mas tão arriscado e aberrante que aponta não para o conforto e a gratificação, e sim para um desenlace ainda mais negro e chocante.

11) Jonathan Strange e Mr. Norrell, de Susanna Clarke

  • Série: Direção de Toby Haynes e estrelada por Eddie Marsan, Bertie Carvel e Vincent Franklin.
  • Estreia: Sem previsão de estreia, pela BBC.
  • Sinopse: Mr. Norrell é um senhor recluso que, em 1806, revela ser um mago poderoso. Com fama e poder, ele vai até Londres, onde colabora com o governo no combate a Napoleão Bonaparte. Começa então a colocar em prática seu plano secreto de controlar a magia na Inglaterra. Tudo corre bem até que seu discípulo, o arrogante e impetuoso Jonathan Strange, resolve se rebelar contra a visão restrita de Norrell sobre o lugar destinado à magia. Strange decide seguir seu próprio rumo como mago e resgatar os poderes do lendário Rei Corvo, colocando em risco a si próprio, aos que o cercam e a toda a Inglaterra.

12) Deep, down, dark, de Hector Tobar

  • Filme: The 33, dirigido por Patricia Riggen e estrelado por Cote de Pablo, Rodrigo Santoro e Antonio Banderas.
  • Estreia: Previsto para setembro
  • Sinopse: O filme e o livro narram a história dos 33 mineiros que, em 2010, ficaram 69 dias presos a 700 metros de profundidade após a explosão de uma mina de ouro e cobre no Chile. O livro será publicado pela Editora Objetiva em agosto.

 13) Madame Bovary, de Gustave Flaubert

  • Filme: Madame Bovary, dirigido por Sophie Barthes e estrelado por Mia Wasikowska, Rhys Ifans, Ezra Miller e Paul Giamatti.
  • Estreia: Sem previsão de estreia
  • Sinopse: Em um tempo em que as mulheres eram submissas, Emma Bovary encontra nos tolos romances dos livros o antídoto para o tédio conjugal e inaugura uma galeria de famosas esposas adúlteras atormentadas na literatura. Em busca de maiores emoções através de aventuras extraconjugais, Flaubert narra o gradual declínio da vida de Emma.

Semana cinquenta

Os lançamentos da semana são:

Eva Braun — A vida com Hitler, de Heike B. Görtemaker (Tradução de Luiz A. de Araújo)
Mundana e vaidosa, amante dos esportes, do cinema, da música e da dança, fumante e adepta do nudismo, Eva Braun incorporava pouco o ideal de mulher nacional-socialista. Talvez por causa dessa pecha de futilidade e inconsequência que sempre roundou a figura da namorada do Führer, as historiografia tenha ressaltado persistentemente a insignificância de Eva, sua posição à margem das decisões que levaram aos piores crimes do século XX. Tentando mudar esse estado de coisas — e, por meio da vida íntima, ajudar na compreensão histórica do Terceiro Reich —, a historiadora Heike B. Görtemaker fez extensa pesquisa, da qual emergem não só os anos de formação da biografada, sua família e meio social, como uma inédita história social da bizarra corte nacional-socialista, em especial no refúgio alpino do ditador, o Berghof, no qual Eva reinava como clara soberana entre as poucas figuras medíocres a quem era permitido o convívio com Hitler. Aliando rigor acadêmico e fluência literária, Eva Braun oferece um panorama vívido desse mundo assustador em que a normalidade cotidiana convivia com um ideário genocida.

Brooklyn, de Colm Tóibín (Tradução de Rubens Figueiredo)
No início dos anos 1950, a Irlanda não oferece futuro para jovens como Eilis Lacey. Sem encontrar emprego, ela vive na pequena Enniscorthy com a mãe viúva e a irmã Rose. Mas eis que o padre Flood lhe faz uma oferta de trabalho e moradia no Brooklyn, Estados Unidos. De início apavorada com a ideia de sair do ninho familiar, ela acaba partindo rumo à América. Triste e solitária em seu novo mundo, a tímida Eilis acaba por estabelecer uma rotina de trabalho diurno e estudo noturno na faculdade de contabilidade. No baile semanal da paróquia, conhece um jovem de origem italiana que aos poucos entra em sua vida. Mas quando começa a se sentir mais livre e segura, Eilis é obrigada a voltar, por algumas semanas, para Enniscorthy. E ali ela se vê, mais uma vez, diante de uma escolha muito difícil.
Sem nunca fazer de Eilis uma heroína clássica, Colm Tóibín trama uma delicada teia de sentimentos ocultos, de aceitação do destino e de sonhos abandonados que deixará o leitor preso à história muito tempo depois de terminar o livro.

Nunca vai embora, de Chico Mattoso
Renato Polidoro conheceu Camila no consultório odontológico — não em consulta, mas durante uma filmagem. Ocorreu então um pequeno milagre: a esperta aluna de cinema se apaixonou pelo dentista em eterna crise de autocomiseração. Para Renato, o romance com Camila foi providencial, pois varreu para debaixo do tapete boa parte de suas agruras emocionais. Quando a garota termina a faculdade, decide arrastar o namorado para a viagem tão sonhada: Havana. Na capital cubana, ela pretende fazer um documentário que dê vazão a suas elevadas (e um tanto quanto idealizadas) ambições estéticas. Mas logo o que prometia ser uma temporada caliente resulta em uma sucessão de desencontros — e em um desaparecimento misterioso.
Em ritmo vertiginoso, Nunca vai embora é o relato de uma paixão obsessiva, que encontra eco nas idiossincrasias de um país que também parece viver à deriva, flutuando em algum lugar entre a nostalgia e a esperança. Combinando humor e melancolia, este é um livro sobre a busca de um jovem por amor, sexo e, talvez principalmente, algum sentido para um mundo que não admite se deixar controlar.
[Haverá sessão de autógrafos em São Paulo dia 3 de maio.]

Borges — Uma vida, de Edwin Williamson (Tradução de Pedro Maia Soares)
Esta é a primeira biografia que abrange toda a vida e a obra de um dos maiores escritores de todos os tempos. Com base em fontes anteriormente desconhecidas ou fora do alcance dos pesquisadores, revela o lado humano de Jorge Luis Borges: suas relações com uma família complexa e com os muitos amigos (e inimigos), as dificuldades de relacionamento com as mulheres e as profundas raízes argentinas desse escritor cosmopolita. Professor de literatura espanholoa em Oxford, Edwin Williamson traça com maestria a evolução das ideias políticas de Borges, desde as inclinações esquerdistas da juventude, a defesa do nacionalismo cultural e a postura claramento antifacista que o levou a se posicionar contra Perón, até o controvertido apoio às ditaduras militares da década de 1970 e o pacifismo de seus últimos anos. Williamson estabelece também correlações inéditas e surpreendentes entre a vida e a obra de Borges, numa tentativa ousada de compreender a vida através da obra e de dar uma explicação psicológica para os enigmáticos textos do maior escritor argentino do século XX.

A viúva grávida, de Martin Amis (Tradução de Rubens Figueiredo)
Três estudantes da Universidade de Londres passam férias de verão num castelo da tórrida Campania italiana. O ano é 1970. Lily namora Keith Nearing, estudante de literatura inglesa e aspirante a poeta. Às vésperas de completar 21 anos, entretanto, Keith só tem olhos para a bela Scheherazade, para suas medidas exuberantes e seus inocentes banhos de sol à beira da piscina. À maneira de uma divertida e apimentada comédia de costumes, o novo romance de Amis nos situa, de início, entre uma galeria variada de personagens que tateiam por um mundo em transformação radical. Mas trinta longos anos são necessários até que o verão de 1970 alcance um Keith Nearing já cinquentenário. E sobre cada um deles paira uma sombra trágica: Violet. Ousado e controvertido, A viúva grávida é um acerto de contas com a revolução sexual e com o mundo que ela gestou, mas é também um tributo pungente à irmã de Amis, Sally, morta em 1999 aos 46 anos de idade.