contos

Semana noventa e dois

Os lançamentos da semana são:

Sentimento do mundo, Carlos Drummond de Andrade
Sentimento do mundo é o terceiro livro de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1940. Aqui, o poeta surge atento aos acontecimentos políticos da época. “Tenho apenas duas mãos/ e o sentimento do mundo”, escreve nos versos que abrem  este volume. Esse Drummond humanista lamenta que as pessoas mantenham olhos cerrados par ao mundo a ponto de permitir a violência – a Segunda Guerra Mundial – e de trocar a compaixão pelo egoísmo de quem vive em um “terraço mediocremente confortável” (“Privilégio do mar”). A visão de mundo pouco otimista não o impede de ser lírico nos delicados “Menino chorando na noite” e “Noturno à janela do apartamento”. E ainda sobre tempo para escrever sobre o amigo Manuel Bandeira, num “apelo de um homem humilde” que funciona ainda como um elogio e uma reflexão sobre o fazer poético.

Claro enigma, Carlos Drummond de Andrade
Profundos e metafísicos, os poemas reunidos em Claro enigma ocupam uma posição singular na obra de Carlos Drummond de Andrade. Aparentemente dando as costas para aquela realidade que tanto calor trouxe à sua lírica anterior (e que iria reaparecer em livros publicados mais tarde, aliás), aqui o autor parece querer buscar, por meio da retomada de formas e dicções clássicas da poesia, um equilíbrio delicado entre o passado e o presente. O amor, a brevidade da vida e a herança cultural são alguns dos temas elaborados – com maestria técnica e profundidade filosófica – por um homem que sempre quis fazer parte do seu próprio tempo.

A rosa do povo, Carlos Drummond de Andrade
A rosa do povo ocupa uma posição central não apenas no longo percurso de Carlos Drummond de Andrade. Não resta dúvida alguma que este livro, publicado em 1945, pode ser lido hoje como uma das mais importantes coleções de poemas do século XX em qualquer idioma literário. Falando da guerra e dos afetos, do passado familiar e da experiência de viver no Rio de Janeiro – a primeira grande metrópole brasileira –, além de especular sobre o lirismo em tempo sombrios, o livro estabeleceu definitivamente a figura do poeta mineiro no panorama da melhor poesia de língua portuguesa.

Contos de aprendiz, Carlos Drummond de Andrade
Nas quinze histórias reunidas neste livro, Carlos Drummond de Andrade transfere para a prosa de ficção algumas das maiores qualidades de sua poesia. E vai além: divertidos, emocionantes, transpirando argúcia e escritos machadianamente com a “tinta da melancolia”, os contos falam de um Brasil provinciano, que começava a se deslumbrar com novidades como cinema, telefone e outros confortos modernos. Publicado em 1951, quando o autor estava prestes a completar cinquenta anos e já tinha uma sólida carreira como poeta, Contos de aprendiz contém alguns dos melhores momentos da narrativa breve de um autor essencial.

Fala, amendoeira
, Carlos Drummond de Andrade
Na crônica, gênero brasileiro por excelência, Carlos Drummond de Andrade conseguiu transpor algumas das maiores qualidades de sua produção poética (como a ironia e a suave melancolia) sem nem por um momento deixar de revisitar os temas clássicos dessa modalidade de literatura mais leve, urbana e atenta às transformações do tempo. Em textos que falam, entre outros temas, do Rio de Janeiro, do cinema, da política e dos afetos, o autor oferece – com delicadeza, inteligência cortante e uma prosa a um só tempo clássica e moderna – um retrato do Brasil de sua época. E que, como sabemos hoje, alcançaria a eternidade.

Antologia Hede, Manuel Graña Etcheverry (Traduzido do espanhol pelo autor com a supervisão de Aline dos Santos e Luis Mauricio Graña Drummond)
Entrego agora ao público, traduzidas par ao português, a totalidade das poesias hedes que chegaram até nós e um estudo a seu respeito: esta é a única versão para uma l[íngua culta e, tambpem, a primeira publicação no Brasil sobre o assunto. Ao fazer tais esclarecimentos preliminares, não é meu intuito predispor os leitores em meu favor mencionando méritos deste trabalho; bem pelo contrário, quis reclamar benevolência com os meus defeitos, pois não tive outras traduções a meu alcance para com elas confrontar a validade das minhas (…), e os obstáculos que enfrenta um hedólogo não são comparáveis com os que possam apresentar-se ao tradutor de nenhuma outra língua.

Formas do nada, Paulo Henriques Britto
Desde o título, Formas do nada não deixa dúvida sobre o jeito de Paulo Henriques Britto praticar a poesia. O som aberto e incisivo dos “as” e a batida firme e séria do ritmo anunciam a pegada combativa de quem não está para contemplações ou devaneios. Sua poesia, permeada pelo humor irônico de quem quase não se permite ter esperança, opera uma prestidigitação impecável e engana o leitor: diz produzir “sofríveis simulacros de sentido”, mas na verdade produz vida palpável e sonora.

Estórias abensonhadas, Mia Couto
Depois de quase trinta anos de guerra, Moçambique vive agora um longo período de paz. Nestas Estórias abensonhadas, o premiado escritor Mia Couto capta um país em transição. Numa prosa poética e carregada das tradições orais africanas, o autor tece pequenas fábulas e registros que, sem irromper em grandes acontecimentos, capturam os movimentos íntimos dessa passagem. São histórias que formam um retrato afetivo e mágico da Moçambique de Mia Couto, onde o fantástico faz parte do cotidiano, e a música reside na própria fala das ruas. A partir de vidas enganosamente pequenas, revela-se um prodigioso universo literário, inovador na linguagem, mas sempre atento à força das grandes narrativas.

Fome de monstro, Ed Vere (Traduzido por Júlia Moritz Schwarcz)
Você alguma vez já imaginou que, em algum lugar não tão distante da sua casa, talvez existam…monstros? Sim, monstros como este aqui. Aliás, por que será que ele está babando tanto? Você por acaso está ouvindo o ronco do barrigão dele? Xi, o que será que ele quer com você?!

Semana oitenta e oito

Os lançamentos da semana são:

1922 – A semana que não terminou, de Marcos Augusto Gonçalves
Na noite de 13 de fevereiro de 1922, curiosos, estudantes, figurões da política e sobrenomes de tradicionais famílias paulistas compareceram ao Teatro Municipal para a inauguração da Semana de Arte Moderna. Iniciativa de representantes da elite de São Paulo e de talentos da nova geração, como o pintor Di Cavalcanti e os escritores Mário e Oswald de Andrade, a Semana, com o passar dos anos, transformou-se numa espécie de mito sobre a fundação da cultura moderna no Brasil. Noventa anos depois, o jornalista Marcos Augusto Gonçalves mescla reportagem e relato histórico para revisitar os principais fatos e personagens da semana mais polêmica do país.

Festa no covil, de Juan Pablo Villalobos (Tradução de Andreia Moroni)
Tochtli é um pequeno príncipe herdeiro do narcotráfico mexicano. Fechado numa fortaleza no meio do nada, engana a solidão colecionando chapéus e palavras exóticas. Ele também tem uma ideia fixa: completar seu minizoológico com hipopótamos anões da Libéria e é bem capaz de conseguir que o rei, Yolcault, atenda seu desejo. Involuntariamente assustador e hilário em sua cândida crueldade, Tochtli relata sua própria educação sentimental, mostrando o coração do crime para além do bem e do mal. Nas ingênuas e disparatadas especulações desse improvisado detetive-antropólogo, atravessadas por suas fantasias e caprichos infantis, revela-se um quadro sinistro e doce como uma caveira de açúcar. Leia o post sobre a capa do livro, e um texto do autor.

Chamadas telefônicas, de Roberto Bolaño (Tradução de Eduardo Brandão)
O autor chileno compôs uma série de histórias breves, com desfechos inesperados, ocasionalmente abruptos, que abrem caminho para múltiplas interpretações. São tramas que muitas vezes ocultam mais do que revelam sobre seus personagens. O universo da literatura é tema recorrente na obra de Bolaño, e confere o eixo da primeira parte do livro. Na segunda parte, em que o espectro metaliterário cede lugar à violência, os leitores de Bolaño reencontrarão personagens já conhecidos. A sensação de déjá-vu estende-se também à terceira e última parte, protagonizada por personagens femininas indecifráveis, cujas ações nunca são inteiramente compreendidas.Ao repetir personagens e cenas, Bolaño constrói, livro a livro, um vasto universo ficcional. As breves narrativas de Chamadas telefônicas são assim tanto um complemento para ávidos leitores do autor quanto uma porta de entrada para esse território de figuras solitárias e deslocadas.

O xá dos xás, de Ryszard Kapuscinski (Tradução de Tomasz Barcinski)
Mohammed Reza Pahlevi governou o Irã por 25 anos. Após meses de manifestações populares nas ruas das principais cidades do país, o xá renunciou em janeiro de 1979. Imagens da revolução rodaram o mundo, mas poucos cronistas foram capazes de compreender as bases desse impressionante levante popular. Imiscuindo-se no cotidiano dos cidadãos comuns de Teerã, Ryszard Kapuscinski ouviu dezenas de anônimos, recortou pequenos textos de jornais locais, atentou para fotos antigas, coletou relatos de crianças. Assim nasceu O xá dos xás, não apenas a mais abrangente reportagem sobre a Revolução Iraniana como um relato sensível da experiência vivida pelo repórter naquele país.

Miguel Street, de V.S. Naipaul (Tradução de Rubens Figueiredo)
Um estranho podia passar de carro pela Miguel Streel e dizer apenas: “Favela!”, porque não conseguia enxergar mais nada. No entanto nós que morávamos lá víamos nossa rua como um mundo, onde cada um era completamente diferente do resto. Homem-homem era maluco; George era burro; Pé Grande era brigão; Hat era um aventureiro; Popo era um filósofo; e Morgan era nosso comediante.

O Estado como obra de arte, de Jacob Burckhardt (Tradução de Sergio Tellaroli)
A partir do século XIV, numerosos tiranos e déspotas começam a tomar o poder nos pequenos Estados da Península Italiana, então dividida entre as influências antagônicas da Igreja e do imperador germânico. Valendo-se de métodos ilegítimos e quase sempre sangrentos, os Baglioni de Peruga, os Sforza de Milão, os Médici de Florença, entre outros, estabeleceram ferozes ditaduras em seus domínios. Ao mesmo tempo, todo uma nova classe de intelectuais e artistas surge em torno das suntuosas cortes desses príncipes, criando as condições para o Renascimento. Em O Estado como obra de arte, primeira parte de A cultura do Renascimento na Itália, Jacob Burckhardt analisa a tumultuada evolução política dos Estados italianos durante um dos períodos mais decisivos da história do Ocidente.

Semana oitenta e três

Os lançamentos da semana são:

Nove ensaios dantescos & A memória de Shakespare, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Ainda muito moço, Borges começou a percorrer a árdua topografia do mundo dantesco ao longo das viagens de bonde que o levavam ao trabalho cotidiano na biblioteca municipal de Buenos Aires. Os ensaios deste livro são como relatos que refazem, numa tela fragmentária, os sugestivos pormenores simbólicos da história dessa viagem, ao mesmo tempo comum e insólita. Depois vêm “A memória de Shakespeare” e mais 3 contos fantásticos, em que o tranquilo domínio do estilo e as pulsantes obsessões se casam a motivos recorrentes da obra de Borges.

O fim da Terra e do Céu, de Marcelo Gleiser
Ao tratar das relações entre religião e ciência diante da questão do “fim de tudo”, Marcelo Gleiser homenageia a imaginação e a criatividade do homem. Seu enfoque é multidisciplinar, mostrando de que maneira ideias sobre o “fim” inspiram não só as religiões e a pesquisa científica, mas também a literatura, a arte e o cinema.

Crônica de um vendedor de sangue, de Yu Hua (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Na China recém-convertida ao comunismo, um operário se vê obrigado a vender o próprio sangue para sustentar a família. Quando desconfia que o seu primogênito é fruto de uma relação clandestina de sua mulher, ele tem de empreender uma batalha contra seus próprios valores para provar que os vínculos afetivos que o unem ao garoto podem ser mais fortes que os laços consanguíneos.

Ho-ba-la-lá: à procura de João Gilberto, de Marc Fischer (Tradução de Sergio Tellaroli)
Um detetive alemão improvisado e sua assistente brasileira vasculham a cidade do Rio de Janeiro em busca de alguma pista que conduza ao misterioso… João Gilberto. A missão é quase impossível; o tempo para cumpri-la, curtíssimo. Menescal, Miéle, João Donato, Marcos Valle, Miúcha, o cozinheiro, o duplo, o Copacabana Palace, Diamantina — em tom de uma divertida história detetivesca, o jornalista Marc Fischer faz uma bela declaração de amor à bossa nova.

A vida de Joana d’Arc, de Erico Verissimo (Ilustrações de Rafael Anton)
Erico Verissimo constrói com delicadeza exemplar a personalidade de Joana, a menina francesa do século XV que ouvia vozes de santos e que transgrediu as convenções de seu tempo e de seu gênero vestindo-se de homem, lutando entre os soldados e defendendo seu rei.

A luz no túnel (Os subterrâneos da liberdade, vol 3), de Jorge Amado
O volume que fecha a épica trilogia apresenta o painel ficcional de um momento muito sombrio, quando republicanos espanhóis perdem a Guerra Civil para Franco, os alemães começam a Segunda Guerra e Getúlio Vargas mostra simpatia por Hitler e Mussolini.

O livro selvagem, de Juan Villoro (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Juan precisa ler um livro completamente selvagem, que não se deixa ler. Mas por que o livro resiste à leitura? E por que Juan é o único capaz de desvendar seus mistérios? Com ele, os leitores vão descobrir não só a companhia que os livros podem nos fazer nos bons e maus momentos, como também a importância de se compartilhar o prazer e o conhecimento que as leituras nos proporcionam.

Assim falou Zaratustra, de Friedrich Niestzsche (Tradução de Paulo César de Souza)
Escrito e publicado progressivamente, entre 1883 e 1885, este veio a se tornar o mais famoso livro de Nietzsche. Nele se acha o relato das andanças, dos discursos e encontros inusitados do profeta Zaratustra, que deixa seu esconderijo nas montanhas para pregar aos homens um novo evangelho. Muitas das concepções apresentadas em outras obras do autor (como a morte de Deus, o super-homem, a vontade de poder e o eterno retorno) reaparecem aqui em nova linguagem, numa singular mistura de ficção poética, indagação filosófica e reflexão religiosa.

Olavo Holofote, de Leigh Hodgkinson (Tradução de Érico Assis)
Este livro é fantástico porque ele é totalmente dedicado ao Olavo Holofote. Aliás, é tão fantástico que o Olavo acha que não sobra epaço para mais ninguém além dele… Mas, quando todo mundo cai fora, Olavo começa a pensar: para que serve se exibir para si mesmo? Com certeza, isso não é muito divertido…

Fotobiografia de Fernando Pessoa, de Richard Zenith & Joaquim Vieira
Concebido por um editor experiente e por um dos grandes especialistas em Fernando Pessoa, o livro apresenta centenas de imagens inéditas e conhecidas do poeta e sua família, desde os primeiros anos de vida do autor até os principais acontecimentos de sua vida — incluindo fotos, desenhos, caricaturas, cartas, diários, rascunhos, manuscritos e datiloscritos, reproduções de jornais e revistas em que publicou, além de obras de arte feitas em homenagem a Pessoa.

Ismael e Chopin, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Entre seus 52 irmãos coelhos, Ismael foi o escolhido pelo pai para aprender tudo o que ele tinha para ensinar. Juntos, os dois passam os dias a se aventurar pelos cantos da floresta, observando animais e plantas, e aprendendo segredos sobre um outro mundo. É que o pai de Ismael conhece a língua dos homens e a ensina ao filho — sem nem imaginar que isso levaria ao início de uma amizade muito especial, entre um coelho e um dos maiores compositores da música ocidental.

O segredo do rio, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Era uma vez um rio que passava bem em frente à casa de um menino. Ali, ele formava um lago, onde esse pequeno camponês passava grande parte de seu tempo, nadando de olhos abertos em suas águas cristalinas ou se aquecendo em um banco de areia que se formava nas laterais. Neste rio, se escondia um segredo surpreendente.

Garrafinha, de Mariana Caltabiano (Ilustrações de Rodrigo Leão)
Com seus óculos fundo de garrafa e altura de tampinha, Garrafinha se sente rejeitada por sua aparência e, como acontece a partir de certa idade, quer mais é ter amigos e ser popular. Mas seu grande motivo de sofrimento acabou se tornando a sua solução: como ela estava sempre sozinha, passava boa parte do tempo observando os outros — e também desenhando o que via. Esses desenhos fizeram sucesso entre as crianças, e Garrafinha achou o seu jeito de se expressar. Acesse o hotsite da Garrafinha para conhecer mais da personagem.

Semana oitenta e um

Os lançamentos da semana são:

O espetáculo mais triste da Terra, de Mauro Ventura
Com base num minucioso trabalho de campo e de pesquisa, Mauro Ventura traz à tona um drama sem precedentes na história do Brasil: o incêndio no Gran Circo Norte-Americano, que tem entre seus heróis médicos, escoteiros, religiosos e até uma elefanta, que salvou dezenas de espectadores ao abrir um rasgo na lona.

Reparação, de Ian McEwan (Nova edição econômica; Tradução de Paulo Henriques Britto)
Na tarde mais quente do verão de 1935, na Inglaterra, a adolescente Briony Tallis vê uma cena que vai atormentar a sua imaginação: sua irmã mais velha, sob o olhar de um amigo de infância, tira a roupa e mergulha, apenas de calcinha e sutiã, na fonte do quintal da casa de campo. A partir desse episódio e de uma sucessão de equívocos, a menina, que nutre a ambição de ser escritora, constrói uma história fantasiosa sobre uma cena que presencia. Comete um crime com efeitos devastadores na vida de toda a família e passa o resto de sua existência tentando desfazer o mal que causou.

14 contos, de Kenzaburo Oe (Tradução de Leiko Gotoda)
Estes contos brilhantes e provocadores revelam a trajetória literária de um dos maiores escritores japoneses vivos, ganhador do prêmio Nobel de 1994. Escritos entre 1957 e 1990, eles refletem não apenas a evolução da escrita do autor, mas também os seus temas recorrentes. Kenzaburo Oe foi construindo aos poucos um universo tipicamente japonês, habitado por personagens que jamais poderiam ser ocidentais. Inéditos em português e traduzidos direto do japonês.

Bom dia para nascer, de Otto Lara Resende
Em textos leves e cheios de estilo, o escritor comenta, discute e ilumina grandes momentos da história, mas
também aqueles eventos que quase passam desapercebidos em nosso cotidiano. Publicadas originalmente no início dos anos 1990, as crônicas de Otto converteram-se em um clássico instantâneo do gênero. Lirismo, comentário político, literatura e humor — nada escapa ao olhar agudo daquele que foi chamado por Paulo Francis de “o mais carioca dos mineiros e o mais mineiro dos cariocas”.

O Rio é tão longe: cartas a Fernando Sabino, de Otto Lara Resende
Um dos maiores missivistas das nossas letras em cartas francas, doloridas, engraçadas e altamente literárias. Honesto e até impiedoso consigo mesmo, Otto Lara Resende enfileira cartas em que relata ao amigo Fernando Sabino seu cotidiano em lugares como Bruxelas e Lisboa. A insônia, a literatura, os amigos (como Vinicius de Moraes, Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos) e as mudanças culturais no Brasil e na Europa aparecem na prosa encantatória e sempre inteligente desse carteador incurável.

O romancista ingênuo e o sentimental, de Orhan Pamuk (Tradução de Hildegard Feist)
Em ciclo de seis conferências ministradas em Harvard, Orhan Pamuk fala sobre seu gênero literário de predileção, o romance, e sobre a experiência de ser escritor em um país periférico.

O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, adaptado por Stanislas Gros (Tradução de Carol Bensimon)
Em sua versão para os quadrinhos do clássico de Oscar Wilde, Stanislas Gros reconta com maestria a história do jovem narcisista que se dedica aos prazeres da vida, morais ou imorais, enquanto um retrato escondido em sua casa mostra sua decadência ao passar do tempo.

Mercado sombrio, de Misha Glenny (Tradução de Augusto Pacheco Calil, George Schlesinger e Luiz A. de Araújo)
A internet mudou a face do crime. Os novos ladrões e falsários têm conhecimentos avançados em engenharia eletrônica e programação, e podem lucrar milhões morando confortavelmente na casa dos pais. Misha Glenny narra aqui a história do crime organizado na internet e das primeiras comunidades eletrônicas do crime, grandes feiras digitais em que era possível adquirir e vender números de cartões de crédito e dados pessoais de usuários, além de uma série de outros serviços e programas escusos.

Madame Bovary, de Gustave Flaubert (Tradução de Mário Laranjeira)
Madame Bovary, publicado pela primeira vez em 1856, ainda é uma história atual sobre desilusão, infidelidade e a busca da felicidade. Revolucionário em sua época, foi o primeiro romance a exprimir a extenuante busca de Gustave Flaubert pela perfeição. Além do prefácio de Lydia Davis, um dossiê recupera a importância de Flaubert em seu tempo, com destaque para um artigo de Charles Baudelaire, escrito em defesa do escritor, reconhecendo a beleza deste livro.

Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar)
Por volta de 1830, aos trinta e poucos anos de idade, Honoré de Balzac elegeu seu projeto de vida: escrever uma série de romances, novelas e contos que retratasse a sociedade de sua época em todos os seus aspectos. Publicado em três partes entre 1837 e 1843, Ilusões perdidas explora com maestria três aspectos fundamentais para compreender a sociedade francesa do século XIX: os jogos de poder e intriga das classes aristocráticas, o contraste entre a vida na capital e na província e o lado sujo — cínico e politiqueiro — da atividade jornalística.

Apontamentos de viagem, de Joaquim de Almeida Leite Moraes
Diário de viagem escrito no final do século XIX pelo político e jurista J. A. Leite Moraes, avô de Mário de Andrade, é considerado um marco do gênero no Brasil. Introdução de Antonio Candido.

Saúde em questão, de Francisco I. Bastos (Ilustrações de Mariana Newlands)
Dos átomos e moléculas mais elementares até as grandes estruturas econômicas e sociais, Saúde em questão explica em linguagem acessível as bases do funcionamento da vida humana e de sua incessante luta contra as doenças. Da mesma série de Biodiversidade em questão, desenvolvida em parceria com a Fiocruz.

Biodiversidade e renovação da vida, de Henrique Lins de Barros (Ilustrações de Mariana Newlands)
Volume de lançamento da série Em Questão, desenvolvida em parceria com a Fiocruz, Biodiversidade apresenta a história da vida na Terra e sua atual degradação ambiental, propondo uma nova abordagem para a preservação dos ecossistemas ainda não destruídos — entendendo-a num sentido global, indissociável da cultura e da cidadania.

De olho em Zumbi dos Palmares, de Flávio dos Santos Gomes
Neste novo volume da coleção De Olho Em, Flávio Gomes elabora uma biografia de Zumbi dos Palmares a partir de ricas fontes documentais, discutindo a transformação do personagem em herói da resistência contra a escravidão e em símbolo da luta contra o preconceito racial.

Semana oitenta

Os lançamentos da semana são:

Agonia da noite (Os subterrâneos da liberdade, vol. 2), de Jorge Amado
No segundo volume da trilogia, Jorge Amado retrata ficcionalmente um momento sombrio da história brasileira: o endurecimento do Estado Novo, quando havia um temor real de que o país se alinhasse com as potências fascistas europeias e se tornasse uma ditadura totalitária.

Vento sul, de Vilma Arêas
Vento sul reúne vinte contos de leitura fácil, sentido cristalino e efeito impactante. Eles estão organizados em quatro blocos: “Matrizes”, “Contracanto”, “Planos paralelos” e “Garoa, sai dos meus olhos”. Neles se articulam histórias fundadoras, lembranças de personagens e vivências, vinhetas poéticas, aqui e ali uma quase parábola. Em todas as histórias: a perda — e sua outra face: a persistência da memória.

Dia de pinguim, de Valeri Gorbachev (Tradução de Érico Assis)
Tartaruguinha gostou tanto da história que o pai leu sobre pinguins que acaba sonhando naquela noite que é um pinguim. Quando acorda, decide tornar o sonho realidade. Veste o paletó do avô e faz tudo que um pinguim faz: anda bamboleando e desliza de barriga no chão, brinca de passar o ovo e come bolachas em forma de peixe. É um verdadeiro dia de pinguim!

O segredo do licorne & O tesouro de Rackham, o terrível, de Hergé (Tradução de Eduardo Brandão)
Enquanto aguardam a chegada do filme As aventuras de Tintim, os fãs do herói dos quadrinhos já podem se deliciar com a edição especial dupla dos episódios que inspiraram a trama. Na história, levada ao cinema pelo diretor Steven Spielberg e pelo produtor Peter Jackson, não faltam piratas, navios, tesouros e grandes emoções. Sempre com o cachorro Milu ao seu lado e a ajuda dos detetives Dupond e Dupont, Tintim vai tentar descobrir o mistério que envolve as réplicas em miniatura do Licorne, o misterioso navio do cavaleiro de Hadoque.

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