crítica literária

Semana cinquenta e sete

Os lançamentos da semana são:

A mulher trêmula, de Siri Hustvedt (Tradução de Celso Nogueira)
Desde a infância, a escritora Siri Hustvedt sofria de enxaqueca crônica. Uma condição que, a despeito de incomodá-la durante as crises, não parecia provocar maiores implicações em sua vida. Isso até a luminosa manhã de maio no campus de uma universidade em Minnesota, quando deveria proferir um discuro em homenagem ao pai, morto dois anos antes. Durante a apresentação, seu corpo inteiro começou a tremer convulsivamente e sem controle, embora isso não tivesse afetado a sua fala, que continuava clara. O que estava acontecendo com seus nervos, afinal? Haveria relação entre esses tremores e a velha enxaqueca? E mais: a suposta patologia seria capaz de fornecer uma chave de entendimento para a própria personalidade da autora?

Muito além do nosso eu, de Miguel Nicolelis
Em Muito além do nosso eu, Miguel Nicolelis nos apresenta um cenário de ficção científica, mas que em breve se tornará real: braços robóticos movidos só com a força do pensamento, dispositivos intracranianos que eliminam os efeitos terríveis do mal de Parkinson e uma veste especial que torna possível aos paraplégicos voltar a caminhar. Indo mais além, Nicolelis antevê um futuro no qual, “sentado na varanda de sua casa de praia, de frente para seu oceano favorito, você um dia poderá conversar com uma multidão, fisicamente localizada em qualquer parte do planeta, por meio de uma nova versão da internet (a ‘brainet’), sem a necessidade de digitar ou pronunciar uma única palavra. Nenhuma contração muscular envolvida. Somente através do seu pensamento”.
Nicolelis passará por 7 cidades para apresentar sua pesquisa.

Silenciosa algazarra, de Ana Maria Machado
A literatura — o uso estético das palavras — é fundamental e necessária a cada um de nós, e, mais ainda, é um direito de todos. Isso é o que defende Ana Maria Machado há muitos anos, em artigos, palestras e livros para o público adulto e infantojuvenil. Nesta coletânea, que reúne textos recentes, ela trata de temas diversos — como os pontos de contato entre o folclore brasileiro e a obra dos irmãos Grimm; os problemas do convívio entre escritores e críticos; a prática da literatura com os pequenos pacientes de hospitais; o trabalho dos ilustradores nas obras infantis, entre outros — para discutir a importância da leitura e dos livros. Imaginando que, em uma imensa biblioteca imaginária da cultura universal, os livros estariam calados em suas estantes à espera de seus leitores, Ana Maria Machado nos convida a ouvir esse alarido secreto e a perscrutar a sua silenciosa disposição.

Obras completas, vol 16: O eu e o id, estudo autobiográfico e outros textos, de Sigmund Freud (Tradução de Paulo César de Souza)
O volume 16 contém os textos publicados por Freud entre 1923 e 1925, dos quais se destaca O Eu e o Id, um de seus principais trabalhos teóricos, no qual faz a mais detalhada exposição da estrutura e do funcionamento da psique, lançando a hipótese de que ela se dividiria em três partes: Id, Eu (ou “ego”) e Super-eu (ou “superego”). O segundo texto, “Autobiografia”, contém, na verdade, poucas informações pessoais. É um relato do desenvolvimento intelectual do autor e de suas contribuições para o surgimento e a elaboração da psicanálise. Ensaios de menor extensão incluídos no volume, mas bastante influentes, são, entre outros, “A dissolução do complexo de Édipo” e “A negação”.

Guerra aérea e literatura, de W. G. Sebald (Tradução de Carlos Abbenseth e Frederico Figueiredo)
Nos dois últimos anos da Segunda Guerra Mundial, as cidades alemãs foram arrasadas pelos bombardeios aliados, esfacelando famílias e multidões. No entanto, esse triste espetáculo humano está praticamente ausente da literatura alemã pós-1945, e, nos poucos casos em que aparece, é distorcido pelo esteticismo ou pela retórica mística. Esse é o diagnóstico feito por Sebald, que busca compreender essa estranha omissão, relacionando-a com os sentimentos de culpa e humilhação recalcados pelos alemães durante o período de reconstrução material do país. O livro se completa com um estudo sobre Alfred Andersch, tomado como caso exemplar de escritor que viveu o chamado “exílio interno” durante o Terceiro Reich e depois tentou redefinir sua imagem política e moral. Sebald investiga corajosamente um assunto polêmico: de um lado, revela a insensata “história da destruição natural” das cidades e, de outro, expõe a complexa cicatriz da catástrofe nazista.

Quem sou eu?, de Sílvia Zatz (Ilustrações de Simone Matias)
Narrada em versos, esta é a história de um personagem muito misterioso: vive cercado de água por todos os lados, mas não é uma ilha; dele saem pernas, mas não é uma cadeira; passa o tempo todo ouvindo um sonoro baticum, mas não é um relógio; tem a cabeça maior que o corpo, e não se trata de um alfinete; e conforme vão passando os dias vai crescendo tanto que o lugar onde vive já não é mais suficiente para abrigá-lo… Todo montado em forma de adivinhas, Quem sou eu? fala do começo da vida de todos nós, antes de nascermos, quando ainda estamos dentro da barriga de nossas mães. Ao tentar achar a resposta para esse jogo de adivinhação, e acertar quem é o personagem misterioso que passa por incríveis transformações, as crianças vão aprender inúmeras curiosidades sobre esse importante momento da vida.

Semana trinta e nove

Os lançamentos desta semana são:

O campo e a cidade, de Raymond Williams (Tradução de Paulo Henriques Britto)
O campo e a cidade é considerado a obra-prima de Raymond Williams, um dos mais finos e respeitados críticos literários ingleses do século XX. O autor oferece leituras detalhadas de poemas bucólicos e antibucólicos, comparando-os com o desenvolvimento efetivo da sociedade rural inglesa, e examina as reações aos centros urbanos a partir dos séculos XVI e XVII, as mudanças decisivas ocorridas na Londres do século XVIII e a nova literatura urbana dos séculos XIX e XX.

O caderno de Liliana, de Livia Garcia-Roza (Ilustrações de Taline Schubach)
Liliana não entende por que a mãe, que foi internada, não vai mais voltar para casa. Como não pode visitá-la, a menina se põe a escrever. Contar sua rotina — as visitas da avó, os irmãos bagunceiros, o batizado da boneca preferida… — é uma forma de continuar conversando com a mãe. Palavra atrás de palavra, com leveza e sabedoria que só as crianças têm, Liliana vai aprender a dizer o que sente e a descobrir como dar sentido a sua tristeza, a suas alegrias e a sua maneira de ver o mundo.

Ordinário, de Rafael Sica
Ordinário é uma coletânea da série de tiras de mesmo nome, publicada por Rafael Sica em seu blog desde 2009. Essas tiras, em preto e branco e sem falas, retratam a vida na metrópole, marcada por sentimentos intensos como solidão, tristeza, medo e horror, sempre com um humor ácido e um toque de surrealismo. Nesse universo bastante particular — e facilmente reconhecível — criado por Sica, de um modo quase tragicômico questiona-se a vida urbana e o comportamento do homem contemporâneo. O resultado seria algo próximo de Macanudo, se fosse escrito por alguém como Tim Burton. Haverá lançamentos com sessão de autógrafos em Porto Alegre, São Paulo e Curitiba.