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Leia antes (ou depois) de assistir: conheça as adaptações de 2016

Em 2016, vários títulos publicados pelo Grupo Companhia das Letras vão ganhar versões para o cinema ou televisão. Organizamos uma lista para você planejar as leituras antes ou depois daquilo que vai ver nas telinhas. Confira!

As relações perigosas

O clássico de Chordelos de Laclos acompanha um grupo peculiar da nobreza francesa que troca cartas secretamente. No centro da intriga está o libertino visconde de Valmont, que tenta conquistar a presidenta de Tourvel, e a dissimulada marquesa de Merteuil, suposta confidente da jovem Cécile, a quem ela tenta convencer a se entregar a outro homem antes de se casar. As relações perigosas ganhou uma adaptação pela Rede Globo em Ligações perigosas, ambientada no Brasil durante os anos 1920 e protagonizada por Selton Mello e Patrícia Pillar. A minissérie de dez capítulos estreou na segunda-feira e fica no ar até o final da semana que vem.

Charlie Brown não desiste nunca!

Desde que foi anunciado, o filme 3D de Snoopy e sua turma é aguardado por todos os fãs das tirinhas de Charles M. Schulz. Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, o filme estreia no próximo dia 14 nos cinemas brasileiros, e o longa conta como Charlie Brown tenta conquistar a menininha ruiva, sua nova vizinha e colega de escola. E, claro, toda a turma e seu cachorrinho fiel vão dar aquela ajuda para o bom e velho Charlie Brown. A história do filme está em duas edições infantis lançadas pela Companhia das Letrinhas: Charlie Brown não desiste nunca!, um belíssimo livro em capa dura, e Você tem talento, Charlie Brown!, lançados no final de 2015. Dois livros para todos os fãs de Snoopy!

Steve Jobs

Dois nomes de peso de Hollywood estão envolvidos na adaptação da biografia do criador da Apple para as telonas: Danny Boyle, responsável pela direção do filme, e Aaron Sorkin, que fez o roteiro com base no livro de Walter Isaacson. O livro, baseado em mais de quarenta entrevistas com Jobs ao longo de dois anos  e entrevistas com mais de cem familiares, amigos, colegas, adversários e concorrentes , narra a vida atribulada do empresário extremamente inventivo e de personalidade forte e polêmica, cuja paixão pela perfeição e energia indomável revolucionaram seis grandes indústrias: a computação pessoal, o cinema de animação, a música, a telefonia celular, a computação em tablet e a edição digital. Protagonizado por Michael Fassbender, Steve Jobs chega nos cinemas brasileiros também no próximo dia 14.

Pastoral Americana

Em Pastoral Americana, Philip Roth narra os esforços de Seymour Levov para manter de pé um paraíso feito de enganos. Filho de imigrantes judeus que deram duro para subir na vida, Seymour tenta comunicar um legado moral à terceira geração da família Levov. Esmagado entre duas épocas que não se entendem e desejam destruir-se mutuamente, Seymour se apega até o fim a crenças que se mostram cada vez mais irreais. O filme baseado em um dos principais romances de Roth tem estreia prevista para 2016 nos EUA (ainda sem data para o Brasil), e será dirigido pelo ator Ewan McGregor, que também protagoniza o longa. O elenco ainda conta com Jennifer Connelly, Dakota Fanning e Uzo Aduba.

De amor e trevas

Confrontado com o suicídio da mãe aos doze anos, três anos depois Amós Oz declara sua independência e volta as costas para o mundo em que crescera a fim de assumir uma nova identidade num novo lugar: o kibutz Hulda, na fronteira com o mundo árabe. Entre a autobiografia e o romance, De amor e trevas é a extraordinária recriação dos caminhos percorridos por Israel no século XX, da diáspora à fundação de uma nação e de uma língua: o hebraico moderno. O livro de Amós Oz foi adaptado pela atriz Natalie Portman, que assumiu a direção e roteiro do filme e também atua no papel da mãe do escritor. O longa estreou em 2015 em Israel e tem previsão de lançamento no Brasil em abril.

Um holograma para o rei

Tom Hanks faz o papel de um empresário em apuros financeiros que realiza uma última e desesperada tentativa de evitar a falência completa, pagar a caríssima faculdade da filha e, talvez, fazer algo de bom e surpreendente com sua vida. Ambientado em uma próspera cidade da Arábia Saudita, a história do filme é baseada no livro Um holograma para o rei, de Dave Eggers, que nos leva por uma viagem pelo outro lado do mundo e pela comovente e por vezes cômica jornada de um homem para manter a família unida e a vida nos eixos diante da crise. O filme estreia em 2016 nos EUA.

Desventuras em série

Finalmente Violet, Klaus e Sunny Baudelaire vão voltar para as telas  mas dessa vez da TV e do computador. A Netflix anunciou que está trabalhando em uma série baseada nos livros de Lemony Snicket que contam a história de três irmãos órfãos que sofrem com a constante ameaça de seu tio, o conde Olaf, que quer roubar sua fortuna. A série de 11 livros já ganhou uma versão para os cinemas em 2004 com Jim Carrey no papel do malévolo conde Olaf. Ainda sem data de estreia (mas que deverá acontecer em 2016), as gravações de Desventuras em série começam agora no início do ano. Ou seja: ainda não temos imagens da adaptação nova para mostrar, mas um fã da série fez este trailer que representa muito bem o clima do livro. Até lá, você pode ir se familiarizando com os irmãos Baudelaire com a série de Snicket.

O Círculo

Mais um romance de Dave Eggers vai ganhar sua versão para as telonas em 2016: O CírculoQuem vai viver a protagonista Mae Holland nos cinemas será Emma Watson, uma jovem profissional contratada para trabalhar na empresa de internet mais poderosa do mundo. Sediada num campus idílico na Califórnia, O Círculo incorporou todas as empresas de tecnologia que conhecemos, conectando e-mail, mídias sociais, operações bancárias e sistemas de compras de cada usuário em um sistema operacional universal, que cria uma identidade online única e, por consequência, uma nova era de civilidade e transparência. Quem está no Círculo é incentivado a contar tudo, e segredos não são permitidos. O círculo, que deve estrear este ano, é uma eletrizante trama de suspense que levanta questões fundamentais sobre memória, história, privacidade, democracia e os limites do conhecimento humano.

Os livros da selva

Muitos conheceram a história de Mowgli, o menino lobo, com o desenho da Disney lançado em 1967. Em 2016, a história baseada no clássico Os livros da selva, de Rudyard Kipling, ganha uma versão live-action protagonizada pelo jovem ator Neel Sethi e com vozes de Bill Murray, Ben Kingsley, Idris Elba, Lupita Nyongo, Scarlett Johansson e Christopher Walken. O filme deve estrear no Brasil no dia 14 de abril. A nova edição da Penguin-Companhia de Os livros da selva está nas livrarias desde o final do ano passado.

Novembro de 63

Os próximos itens da lista são duas adaptações baseadas em histórias de Stephen King. Em Novembro de 63o professor Jake Epping corrigia as redações dos seus alunos do supletivo quando se depara com um texto brutal e fascinante, escrito pelo faxineiro Harry Dunning. Cinquenta anos atrás, Harry sobreviveu à noite em que seu pai massacrou toda a família com uma marreta. Jake fica em choque… mas um segredo ainda mais bizarro surge quando Al, dono da lanchonete da cidade, recruta Jake para assumir a missão que se tornou sua obsessão: deter o assassinato de John Kennedy. O livro virou a série 11.22.63, com James Franco como protagonista, e estreia no dia 15 de fevereiro na plataforma Hulu.

Celular

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E se uma simples ligação de celular fosse capaz de transformar todos os seus usuários em assassinos impiedosos? Clay Riddell finalmente consegue vender um de seus livros de histórias em quadrinhos quando as pessoas ao seu redor, que por acaso falavam ao celular naquele momento, enlouquecem. Fora de si, começam a atacar e matar quem passa pela frente. Apenas Clay e mais duas pessoas que estavam sem celular no momento escapam e tentam sobreviver à loucura que se instaura. Celular é o próximo livro de Stephen King a virar filme. Com previsão de estreia ainda neste ano, será estrelado por Samuel L. Jackson, John Cusak e Isabelle Fuhrman.

Os filhos da noite

Esta estreia vai acontecer apenas em 2017, mas achamos que você já pode se preparar para ler Os filhos da noite, livro de Dennis Lehane que está se transformando em roteiro do novo filme de Ben Affleck como diretor. O livro acompanha a vida de Joe Coughlin, filho mais novo de um proeminente capitão da polícia de Boston, no mundo do crime em plena Lei Seca. Dos pequenos delitos cometidos na infância, Joe agora desfruta com gosto de uma carreira no crime construída a soldo de um dos mais temidos mafiosos da cidade. Combinando uma história de amor e uma saga de vingança, Lehane traz à vida uma época em que o pecado era motivo de celebração e o vício era uma virtude nacional.

Ansioso para as estreias? Não deixe de ler as histórias que deram origem aos filmes e séries que vêm por aí.

 

Um holograma para o rei

blog

Em uma próspera cidade da Arábia Saudita, longe da complicada realidade da recessão que assola os Estados Unidos, um empresário em apuros financeiros realiza uma última e desesperada tentativa de evitar a falência completa, pagar a caríssima faculdade da filha e, talvez, fazer algo de bom e surpreendente com sua vida.

Um holograma para o rei é o novo livro de Dave Eggers publicado aqui no Brasil. O autor de O Círculo nos conduz por uma viagem pelo outro lado do mundo e pela comovente e por vezes cômica jornada de um homem para manter a família unida e a vida nos eixos diante da crise que devasta todos como uma tempestade. Nesse deserto insólito, ele irá se deparar com uma estranha e fascinante galeria de personagens, gente vinda do mundo inteiro para cumprir todo tipo de ambição, como se convergissem para lá os pontos de uma realidade que parece se esfacelar. É nesse espelho quebrado de nacionalidades e aspirações que o protagonista tentará juntar os cacos de sua própria vida e recriar sua existência.

Leia a seguir um trecho de Um holograma para o rei, com tradução de Jorio Dauster, que já está nas livrarias.

* * *

Alan sempre tivera um fraco por maquetes desse tipo, visões como aquela, planos de trinta anos, algo criado do nada — embora suas próprias experiências em concretizar tais visões não tivessem sido tão bem-sucedidas.

Certa vez ele encomendara uma maquete. Só de pensar nisso sentia uma pontada de tristeza. Aquela fábrica em Budapeste não tinha sido sua ideia, mas ele aceitara prazerosamente a tarefa achando que lhe proporcionaria voos mais altos. Mas converter uma fábrica da era soviética num modelo de eficiência capitalista sob o controle da Schwinn tinha sido uma loucura total. Ele fora mandado para a Hungria a fim de tocar o projeto, introduzir os métodos americanos de fabricação de bicicletas no Leste Europeu, abrir todo o continente para a Schwinn.

Alan tinha encomendado a maquete e organizara uma inauguração festiva marcada por grandes esperanças. Talvez pudessem exportar as bicicletas húngaras para fora da Europa. Talvez até para os Estados Unidos. Os custos de mão de obra seriam ínfimos, a capacitação técnica, de primeira. Essas eram as premissas.

Mas foi um fracasso total. A fábrica nunca atingiu a capacidade prevista, nunca foi possível treinar os trabalhadores, que continuaram ineficientes, e a Schwinn não tinha capital suficiente para modernizar o equipamento. Um fracasso colossal, e desde então os dias de Alan na Schwinn — onde antes era visto como um homem capaz de fazer as coisas acontecerem — estavam contados.

No entanto, vendo agora aquela maquete, Alan tinha a sensação de que a cidade realmente podia ser construída, que com o dinheiro de Abdullah isso ocorreria. Sayed e Mujaddid contemplavam a maquete, pelo jeito com igual fascínio, enquanto explicavam as várias etapas da construção. A cidade, disseram, ficaria pronta em 2025, com uma população de um milhão e meio de habitantes.

“Muito impressionante”, disse Alan. Procurou por Yousef, que vagava pelo vestíbulo. Alan captou seu olhar e fez sinal para que ele se aproximasse, porém Yousef sacudiu a cabeça rapidamente, rejeitando a coisa toda.

“Estamos aqui”, disse Mujaddid.

Indicou com a cabeça um prédio bem abaixo de seu nariz, idêntico àquele em que se encontravam, embora do tamanho de uma uva. Na maquete, estava situado à beira de um extenso passeio que corria ao longo da costa. De repente, apareceu um ponto de laser vermelho no seu segundo andar, como se uma nave espacial o tivesse assinalado como alvo para ser desintegrado.

Alan terminou o suco mas não viu onde depositar o copo. Não havia nenhuma mesa, o homem com a bandeja tinha desaparecido. Com a manga do paletó, secou o fundo do copo e o colocou na superfície do que parecia ser o mar Vermelho, a uns oitocentos metros da costa. Sayed sorriu educadamente, pegou o copo e saiu do aposento.

Mujaddid deu um riso amarelo. “Podemos ver um filme?”

Alan e Yousef foram conduzidos a um salão de baile de teto alto, resplandecente de espelhos e folhas de ouro, onde uma série de sofás amarelos, dispostos em fileiras, ficava de frente para uma tela gigantesca que cobria toda a parede. Sentaram-se e a sala foi escurecida.

Uma voz feminina começou a falar com o típico sotaque inglês, rápido e esmerado.

“Inspirado pela liderança exemplar e visão audaciosa do rei Abdullah…” Apareceu uma versão da maquete gerada no computador, mostrando a cidade à noite. A câmera mergulhou sobre uma cordilheira de vidros escuros e luzes. “Apresentamos o despertar da próxima grande cidade econômica do mundo…”

Alan olhou na direção de Yousef. Queria que ele ficasse impressionado. O filme devia ter custado milhões de dólares. Yousef lia as mensagens em seu celular.

“… para diversificar a maior economia do Oriente Médio…”

Logo depois já era dia na cera, ao nível da rua, com lanchas cruzando os canais, homens de negócio trocando apertos de mão junto ao mar, navios porta-contêineres chegando aos portos, presumivelmente transportando os muitos produtos fabricados
na CERA.

“… cooperação financeira entre os países árabes…”

Apareceu uma série de bandeiras, representando a Jordânia, a Síria, o Líbano, os Emirados Árabes Unidos. Um segmento exibiu a mesquita capaz de acomodar duzentos mil fiéis de uma vez. Em breve tomada, mulheres de um lado e homens do outro numa sala de aula da universidade.

“… uma cidade ativa durante vinte e quatro horas…”

Um porto capaz de processar dez milhões de contêineres por ano. Um terminal dedicado à hajj que poderia receber trezentos mil peregrinos na temporada. Um gigantesco complexo esportivo que se abriria como uma concha!

Agora Yousef se interessou. Curvou-se na direção de Alan. Alan não achou graça. Estava convencido. O filme era espetacular. Parecia ser a maior cidade depois de Paris. Alan anteviu o papel da Reliant em tudo aquilo: tráfego de informações,
vídeos, telefones, transporte em redes, etiquetas rfid para os contêineres marítimos, tecnologia nos hospitais, escolas, tribunais. As possibilidades eram infinitas, muito além do que até mesmo ele, Ingvall ou qualquer um tivesse imaginado. Finalmente, o filme alcançou seu clímax, com a câmera se elevando a fim de mostrar toda a Cidade Econômica Rei Abdullah à noite, coruscante, fogos de artifício pipocando por cima de toda a área.“Um estádio em forma de vagina. Nada mau.”

Livros para ler antes do filme (ou da série) em 2015

Reunimos uma lista com os principais filmes e séries baseados em livros publicados pela Companhia das Letras, Editora Objetiva e seus selos. Confira!

1) Vício inerente, de Thomas Pynchon

  • Filme: Vício inerente, dirigido por Paul Thomas Anderson e estrelado por Joaquim Phoenix, Josh Brolin, Owen Wilson, Benicio Del Toro, Catherine Waterston e Reese Whiterspoon.
  • Estreia: 19 de fevereiro
  • Sinopse: Doc Sportello é contratado por uma ex-namorada para investigar o sumiço de um poderoso barão do mercado imobiliário. Esse desaparecimento é parte de uma conspiração maior, que envolve surfistas, traficantes, contrabandistas, policiais corruptos e a temível entidade conhecida como Presa Dourada. O livro marca a volta de Pynchon ao cenário de outros dois romances, Vineland e O leilão do lote 49, ambientado na Califórnia no início dos anos 1970.

2) Dois irmãosde Milton Hatoum

  • Série: Dois irmãos, dirigida por Luiz Fernando de Carvalho e estrelada por Cauã Raymond, Juliana Paes, Antônio Fagundes e Eliane Giardini.
  • Estreia: Segundo semestre de 2015, pela Rede Globo.
  • Sinopse: O livro e a série se passam em Manaus e tem como centro a história de dois irmãos gêmeos — Yaqub e Omar — e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado em busca da identidade de seu pai entre os homens da casa. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança e à paixão desmesurada. Dois irmãos ganhou o Prêmio Jabuti de 2001 de Melhor Romance.

3) Livre, de Cheryl Strayed

  • Filme: Livre, dirigido por Jean-Marc Valleé e estrelado por Reese Whiterspoon, Laura Dern e Gaby Hoffmann. Roteiro de Nick Hornby.
  • Estreia: 15 de janeiro
  • Sinopse: Aos 22 anos, Cheryl Strayed achou que tivesse perdido tudo. Após a repentina morte da mãe, a família se distanciou e seu casamento desmoronou. Quatro anos depois, sem nada a perder, tomou a decisão mais impulsiva da vida: caminhar 1.770 quilômetros da chamada Pacific Crest Trail (PCT) — trilha que atravessa a costa oeste dos Estados Unidos — sem qualquer companhia. Cheryl não tinha experiência em caminhadas de longa distância e a trilha era bem mais que uma linha num mapa. O filme é apontado como um dos favoritos ao Oscar de 2015.

4) Invencível, de Laura Hillenbrand

  • Filme: Invencível, dirigido por Angelina Jolie e estrelado por Jack O’Connell, Domhnall Gleeson e Garrett Hedlund.
  • Estreia: 15 de janeiro
  • Sinopse: Em uma tarde de maio de 1943, um avião da Força Aérea americana caiu no meio do oceano Pacífico e desapareceu, deixando para trás alguns escombros e um rastro de óleo e sangue. Em seguida, na superfície do oceano, apareceu um rosto. Era de um jovem tenente, um dos artilheiros do avião, que se esforçava para chegar a um bote salva-vidas. Assim começou uma das mais impactantes odisseias da Segunda Guerra Mundial. O nome do tenente era Louis Zamperini. Quando criança, foi um rebelde incorrigível. Adolescente, canalizou a rebeldia no atletismo e descobriu um talento que o levou às Olimpíadas de Berlim e à perspectiva de ganhar uma medalha de ouro nos Jogos seguintes. Mas com o início da guerra, Zamperini foi obrigado a desistir de seu sonho.

5) Um holograma para o rei, de Dave Eggers

  • Filme: A hologram for the king, dirigido por Tom Twyker e estrelado por Tom Hanks, Tom Sekerritt e Sarita Choudhury.
  • Estreia: Setembro (EUA – sem previsão de estreia no Brasil)
  • Sinopse: Em uma cidade emergente da Arábia Saudita marcada por uma recente recessão na América, um persistente homem de negócios chamado Alan Clay possui um último recurso para evitar a falência, pagar a faculdade de sua filha e finalmente fazer algo grandioso. O livro será lançado em agosto pela Companhia das Letras.

6) O quarto azul, de Georges Simenon

  • Filme: O quarto azul, dirigido e estrelado por Mathieu Amalric, Léa Drucker e Stéphanie Cléau.
  • Estreia: Sem previsão de estreia no Brasil
  • Sinopse: Um dos “romances duros” de Simenon, que mergulham em atmosferas sombrias e personagens perturbados, O quarto azul conta a história de Tony Falcone e Andrée Despierre, que não se viam desde a infância. Numa noite de setembro, reencontram-se por acaso e tornam-se amantes. Durante onze meses marcam encontros no “Quarto Azul” de um hotel mantido pela irmã de Tony.
    No último encontro, porém, o marido de Andrée, Nicolas, é visto caminhando em direção ao hotel. Bem naquele dia, ela se declarara, sugerindo que abandonem os casamentos e fiquem juntos. Tony consegue fugir antes de ser flagrado — mas, pouco depois, a morte repentina de Nicolas o deixa em uma situação complicada.

7) Brooklyn, de Colm Tóibín

  • Filme: Brooklyn, dirigido por John Crowley e estrelado por Saoirse Ronan, Michael Zegen, Alisha Heng e Mary O’Driscoll. Roteiro de Nick Hornby.
  • Estreia: 26 de janeiro (EUA – sem previsão de estreia no Brasil)
  • Sinopse: No início dos anos 1950, a Irlanda não oferece futuro para jovens como Eilis Lacey. Sem encontrar emprego, ela vive na pequena Enniscorthy com a mãe viúva e a irmã Rose, até que o padre Flood lhe faz uma oferta de trabalho e moradia no Brooklyn, Estados Unidos. Triste e solitária em seu novo mundo, a tímida Eilis estabelece uma rotina de trabalho diurno e estudo noturno na faculdade de contabilidade. No baile semanal da paróquia, conhece um jovem de origem italiana que aos poucos entra em sua vida. Mas quando começa a se sentir mais livre e segura, Eilis é obrigada a voltar, por algumas semanas, para Enniscorthy. E ali ela se vê, mais uma vez, diante de uma escolha muito difícil.

8) No coração do marde Nathaniel Philbrick

  • Filme: No coração do mar, dirigido por Ron Howard e estrelado por Chris Hemsworth, Benjamin Walker e Cillian Murphy.
  • Estreia: 3 de dezembro
  • Sinopse: Livro e filme contam a história real inspirou Herman Melville a escrever Moby Dick. Em 1820, o baleeiro Essex foi atacado por um cachalote enfurecido e afundou rapidamente. Nunca se imaginara que uma baleia pudesse reagir aos pescadores que a perseguiam. O que se seguiu ao naufrágio foi uma longa provação pelas águas do Pacífico: amontoados em três botes, os marujos navegaram durante três meses, experimentando os horrores da inanição e da desidratação, da doença, da loucura e da morte, chegando à prática do canibalismo.

9) Samba, de Delphine Coulin

  • Filme: Dirigido por Eric Toledano e Olivier Nakache e estrelado por Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim e Izïa Higelin.
  • Estreia: 4 de junho
  • Sinopse: Samba é um imigrante do Senegal que vive há 10 anos na França e, desde então, tem se mantido no novo país às custas de empregos pequenos. Alice, por sua vez, é uma executiva experiente que tem sofrido com estafa devido ao seu trabalho estressante. Enquanto ele faz o possível para conseguir os documentos necessários para arrumar um emprego digno, ela tenta recolocar a saúde e a vida pessoal no trilho, cabendo ao destino determinar se eles estarão juntos nessa busca em comum. O livro será lançado em junho pela Editora Paralela.

 10) A humilhação, de Philip Roth

  • Filme: Dirigido por Barry Levinson e estrelado por Al Pacino, Greta Gerwig e Dianne Wiest.
  • Estreia: 26 de março
  • Sinopse: Aos 65 anos, Simon Axler, um renomado ator de teatro, sobe no palco e constata que não sabe mais atuar. A partir daí, sua vida entra numa espiral de perdas: a mulher vai embora, o público o abandona e seu agente não consegue convencê-lo a retomar o trabalho. Obcecado com a ideia do suicídio, Simon se interna numa clínica psiquiátrica. Simon se envolve numa relação passional com uma mulher mais jovem, homossexual, filha de um casal de atores que ele conheceu na juventude. Nasce daí um desejo erótico avassalador, um consolo para uma vida de privação, mas tão arriscado e aberrante que aponta não para o conforto e a gratificação, e sim para um desenlace ainda mais negro e chocante.

11) Jonathan Strange e Mr. Norrell, de Susanna Clarke

  • Série: Direção de Toby Haynes e estrelada por Eddie Marsan, Bertie Carvel e Vincent Franklin.
  • Estreia: Sem previsão de estreia, pela BBC.
  • Sinopse: Mr. Norrell é um senhor recluso que, em 1806, revela ser um mago poderoso. Com fama e poder, ele vai até Londres, onde colabora com o governo no combate a Napoleão Bonaparte. Começa então a colocar em prática seu plano secreto de controlar a magia na Inglaterra. Tudo corre bem até que seu discípulo, o arrogante e impetuoso Jonathan Strange, resolve se rebelar contra a visão restrita de Norrell sobre o lugar destinado à magia. Strange decide seguir seu próprio rumo como mago e resgatar os poderes do lendário Rei Corvo, colocando em risco a si próprio, aos que o cercam e a toda a Inglaterra.

12) Deep, down, dark, de Hector Tobar

  • Filme: The 33, dirigido por Patricia Riggen e estrelado por Cote de Pablo, Rodrigo Santoro e Antonio Banderas.
  • Estreia: Previsto para setembro
  • Sinopse: O filme e o livro narram a história dos 33 mineiros que, em 2010, ficaram 69 dias presos a 700 metros de profundidade após a explosão de uma mina de ouro e cobre no Chile. O livro será publicado pela Editora Objetiva em agosto.

 13) Madame Bovary, de Gustave Flaubert

  • Filme: Madame Bovary, dirigido por Sophie Barthes e estrelado por Mia Wasikowska, Rhys Ifans, Ezra Miller e Paul Giamatti.
  • Estreia: Sem previsão de estreia
  • Sinopse: Em um tempo em que as mulheres eram submissas, Emma Bovary encontra nos tolos romances dos livros o antídoto para o tédio conjugal e inaugura uma galeria de famosas esposas adúlteras atormentadas na literatura. Em busca de maiores emoções através de aventuras extraconjugais, Flaubert narra o gradual declínio da vida de Emma.

Dave Eggers fala sobre O círculo

Situado num ponto indefinido do futuro, O círculo conta a história de Mae Holland, uma jovem contratada pela mais poderosa empresa de internet do mundo. Nascida e expandida a partir de um campus na Califórnia, O Círculo absorveu todas as empresas de tecnologia até então conhecidas, unificando e-mails pessoais, redes sociais, transações bancárias e compras virtuais em seu sistema operacional universal, estabelecendo a identidade online e uma nova era de civilidade e transparência. Ao percorrer os amplos espaços da empresa, seus imponentes refeitórios de vidro e os confortáveis dormitórios para os que passam a noite no trabalho, Mae se empolga com a modernidade e com o movimento da empresa. Festas que viram a noite, músicos célebres tocando no jardim, equipes esportivas, clubes, cafés e até mesmo um aquário com peixes raros mandados buscar na Fossa das Marianas pelo próprio CEO. Mae não acredita na própria sorte, em sua grande oportunidade de trabalhar para a mais influente empresa do mundo — mesmo quando seus laços com o campus ficam cada vez mais estremecidos, mesmo quando um inusitado encontro com um colega de trabalho a deixa abalada, mesmo quando o seu papel em O Círculo se torna cada vez mais público.

O que começou como uma cativante história de ambição e idealismo de uma mulher, logo se revela um romance pulsante de suspense, abordando questões como memória, privacidade, democracia e os limites do conhecimento humano.

Dave Eggers respondeu algumas perguntas sobre O círculo, que chega nas livrarias no início de setembro. Leia:

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Seu livro é sobre o Google, o Facebook ou alguma empresa específica?
Não, nada disso. O livro se passa após uma empresa chamada O Círculo ter absorvido todas as grandes empresas de tecnologia existentes hoje em dia, modelando em um só os sistemas de busca e rede social, o que lhe permitiu se expandir de modo muito acelerado, em tamanho e poder.

A descrição do campus é tão vívida. Todos irão concluir que você esteve em todos os campus do Vale do Silício, especialmente no Google.
A certa altura eu pensei que deveria visitar esses campi de tecnologia, mas por desejar um livro independente de quaisquer premissas estabelecidas na vida real, optei por não fazê-lo. Na verdade, nunca passei pelo Google, Facebook, Twitter ou qualquer outro campus da internet, sequer li os livros sobre eles. Não queria ser influenciado por nenhuma empresa ou pessoas existentes. Porém, passei a maior parte dos últimos vinte anos de minha vida no sul da baía de São Francisco, tendo, portanto, vivido muito próximo a tudo isso por um longo período.

Há um bocado de novos programas e sistemas operacionais inventados em O Círculo. Considerando a velocidade com que a tecnologia avança na vida real, foi difícil acompanhar esse movimento?
Por diversas vezes eu imaginava algo que uma empresa como O Círculo poderia conceber, algo meio assustador, somente para ler exatamente sobre aquela invenção, ou mesmo algo mais extremo, no dia seguinte. O mesmo se deu com os nomes com que eu batizava alguns dos programas e sistemas, que tive que alterar por vezes ao descobrir que já existiam de fato. Mas no geral, tentei escrever um livro que não fosse exclusivamente sobre a tecnologia em si, e mais sobre suas implicações para o nosso sentido de humanidade e equilíbrio.

Perto o suficiente para sentir

Por Carol Bensimon

Eu sabia muito pouco sobre Dave Eggers (“ele é bacana, fundou a editora McSweeney’s”) quando decidi ler seu O que é o quê, no ano passado. E sabia menos ainda sobre guerras étnicas no Sudão e campos de refugiados na Etiópia. Baseado na história de Valentino Achak Deng, um sudanês que cruzou o inferno até chegar a uma vida bastante razoável nos Estados Unidos, o livro de Eggers foi minha maneira de entender as sacanagens históricas e de me desesperar e chorar pelo Sudão. Outros teriam preferido ler uma grande reportagem. Eu, por outro lado, tenho essa tendência de querer chegar à realidade pelo caminho da ficção. Realidade em estado bruto me cansa.

Dave Eggers é aparentemente um mestre em romancear coisas que de fato aconteceram; publicou também Zeitoun, sobre o Katrina. Zeitoun é um sujeito real, que literalmente ficou no olho do furacão para tentar salvar sua casa. Descendente de sírios, ele construiu em New Orleans um negócio próspero, formou uma família, ganhou o respeito da comunidade. Em agosto de 2005, os meios de comunicação começaram a falar na aproximação do Katrina, mas Zeitoun não ficou nem um pouco preocupado; sempre falavam de furacões em agosto, mas sempre eles chegavam fracos em New Orleans (lembre-se de Pedro e o lobo). Ele fica, e é surpreendido pela fúria da natureza, e vê a casa ruir, e decide sair de barco pelas ruas alagadas tirando velhinhas dos tetos e alimentando cachorros que foram deixados para trás. Então ele some. Dizer mais seria estragar o prazer da leitura, cujo desfecho é kafkiano, mas todos nós já estamos cansados de que alguém nos diga que algo é kafkiano, não é?

A New Orleans de Zeitoun está muito longe do jazz. Parece que uma vida pragmática também é possível por lá. E você, o amante da música, que só se perguntava se tudo estava bem na Bourbon Street.

De qualquer maneira, 24 horas de CNN em agosto de 2005 não o teriam levado ao âmago da questão. Isso é com a literatura. É ela que o coloca em um lugar perto o suficiente para sentir.

Aproveitando o gancho, recomendo com todas as forças a série televisiva Treme (Tremé, com acento no original, é o nome de um bairro histórico de New Orleans). A ação se passa três meses depois do furacão. Bons personagens e ótimos cenários desolados, além de músicas como essa.

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Carol Bensimon nasceu em Porto Alegre, em 1982. Publicou Pó de parede em 2008, e no ano seguinte, a Companhia das Letras lançou seu primeiro romance, Sinuca embaixo d’água (finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura). Ela contribui para o blog com uma coluna quinzenal.

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