david armitage

Semana quarenta e oito

Os lançamentos da semana são:

Desejo, paixão e ação na ética de Espinosa, de Marilena Chaui
Os oito ensaios reunidos neste livro foram escritos originalmente para conferências e artigos, e neles Marilena Chaui aborda os temas principais da ética de Espinosa, cuja obra ela estuda desde a época do doutorado. Como é característico das outras obras da autora, sua enorme capacidade de síntese e sua escrita clara são fundamentais para oferecer um vasto painel da história da filosofia, aproximando o leitor comum dos conceitos intrincados do sistema filosófico e oferecendo instrumentos valiosos para pensar a sociedade contemporânea.

Scott Pilgrim contra o mundo — vol. 3, Bryan Lee O’Malley (Tradução de Érico Assis)
Mesmo que não aparente, Scott Pilgrim deu passos importantes em direção à vida adulta. Entretanto, algo de estranho pode estar acontecendo com Ramona. São mensagens no celular, cartas suspeitas e o brilho que surge em torno de sua cabeça toda vez que ela entra num assunto de que não gosta. Será que isso tem a ver com a chegada de Gideon, o líder de todos os Ex-Namorados do Mal, a Toronto? Videogames, música indie, amores adolescentes tardios, mangás e a chegada da vida adulta misturam-se no universo do canadense mais famoso do planeta em seu último volume de aventuras – que reúne duas histórias originais do herói que virou cult instantâneo nos cinemas.

A menina do capuz vermelho e outras histórias de dar medo, de Angela Carter (Tradução de Luciano Viera Machado)
Nesta edição, a Penguin-Companhia selecionou alguns dos mais célebres (e assustadores) contos de fadas compilados por Angela Carter, num breve painel do folclore mundial e das tradições narrativas dos mais variados povos. Há poucas fadas nessas páginas, e o leitor também terá dificuldades em encontrar príncipes encantados e caçadores que salvam o dia no último momento. Escritas numa época em que esse tipo de história não era destinado a crianças, as fábulas aqui contidas dão lugar a uma série de tias malévolas, esposas traiçoeiras, irmãs excêntricas e perigosas feiticeiras.

Declaração de independência — Uma história global, de David Armitage (Tradução de Angela Pessoa)
Hoje cultuada nos Estados Unidos pelos direitos individuais que assegura, a Declaração teve por razão primeira uma demanda cuja originalidade é hoje pouco lembrada: a independência desvinculada de outro poder soberano. Embora não seja o primeiro documento a questionar a autoridade de um território sobre outro, a Declaração forjou o conceito de Estado, em oposição ao de império, e assim serviu de fundamento e inspiração para dezenas de documentos similares. No livro, David Armitage, professor de história na Universidade Harvard, analisa esse documento fundador dos EUA, e seu papel como modelo e inspiração para a emancipação de comunidades políticas ao redor do mundo.

Para conhecer melhor os tabus e as proibições, de Patrick Banon (Ilustrações de Sabine Allard; Tradução de Eduardo Brandão)
“Não ponha a mão no fogo! Não enfie o dedo na tomada!” Desde bem cedo, nossa vida é cercada de proibições. Em Para conhecer melhor os tabus e as proibições, Patrick Banon investiga a origem dessas regras, procurando desvendar os medos ancestrais dos homens — ligados principalmente às forças naturais e sobrenaturais — e analisar os sistemas criados para enfrentar esses medos desde os primórdios da história humana. Dessa forma, ele sugere que as ligações existentes entre os tabus e o pensamento dos antigos clãs permitem compreender melhor as leis e as proibições que regem nossa vida. O que Banon nos mostra é que todos os tabus têm um denominador comum: pretendem proteger o fraco contra o forte e permitir uma vida social tranquila. Para ele, um mundo sem tabus seria um mundo desumano.

Contradança, de Roger Mello
Alguns de nossos grandes ilustradores têm se revelado escritores de mão-cheia. Não é de estranhar: quem conta histórias com o traço está igualmente sensibilizado com a narrativa através de palavras. Roger Mello é um grande exemplo. Indicado ao prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil, ele agora lança um de seus livros mais ousados e inventivos. Em um diálogo que mais parece sonho, a filha de um vidraceiro conversa com um macaco que é quase o seu reflexo. Em poucas palavras, os dois falam sobre medo e coragem, e sobre os infinitos reflexos que nossa imagem pode gerar e sobre os outros tantos que podemos enxergar de nós mesmos e dos outros.