david lagercrantz

Semana duzentos e sessenta e cinco

 

Nova reunião – 23 livros de poesia, Carlos Drummond de Andrade
Ideal para estudantes e amantes de poesia, é esta Nova reunião de 23 livros em um único volume. Um amplo painel da obra de Carlos Drummond de Andrade, que atravessou boa parte do século XX construindo um depoimento – lírico e político, metafísico e sensual – sobre o Brasil.

Rio de Janeiro – Histórias de vida e morte, Luiz Eduardo Soares
Este livro é resultado dessa experiência singular. O líder do tráfico que deseja sair do crime e procura o então secretário em busca de uma salvação impossível. Os policiais que metralham a casa da família do autor em represália a suas tentativas de sanear a corporação. O rico que abandona uma vida de luxo e conforto para se tornar traficante de drogas. Tudo isso está neste Rio de Janeiro. Mas os relatos ultrapassam o memorialismo. Escrito com mão leve, ritmo de thriller e faro jornalístico, o livro é um retrato impactante das desigualdades, do racismo, da degradação da política, da violência do Estado e do ódio que se derrama sobre a cidade, colocando em risco a beleza exuberante do eterno cartão-postal do Brasil.

A garota na teia de aranha – Millennium vol.4, David Lagercrantz (Tradução de Guilherme Braga e Fernanda Sarmatz Åkesson)
A genial e atormentada justiceira Lisbeth Salander está de volta. Mas por que Lisbeth, uma hacker fria e calculista que nunca dá um passo sem pesar as consequências, teria cometido um crime gravíssimo e ainda provocado de forma quase infantil um dos maiores especialistas em segurança dos Estados Unidos? Depois de finalmente se livrar da polícia sueca e de todas as acusações que pesavam sobre si, que motivo ela teria para se atirar em outro lamaceiro político? É o que se pergunta Mikael Blomkvist, principal repórter da explosiva revista Millennium, além de amigo e eventual amante de Lisbeth. Mas Blomkvist precisa lidar com seus próprios demônios: afundada numa crise sem precedentes, a revista foi comprada por um grupo que pretende modernizá-la. Nada mais repulsivo ao jornalista que prefere apurar e pesquisar suas histórias a ceder às demandas e ao ruído das redes sociais. Ainda assim, há tempos o repórter não emplaca um de seus furos, e por isso não hesita em sair no meio da madrugada para atender a um chamado que promete ser a grande história de sua carreira. Presos a uma teia de aranha mortífera, Lisbeth e Blomkvist terão mais uma vez que unir forças, agora contra uma perigosa conspiração internacional. Uma volta em grande estilo da dupla que mudou para sempre os romances de mistério e aventura.

Para explicar o mundo – a descoberta da ciência moderna, Steven Weinberg (Tradução de Denise Bottmann)
Nesta envolvente história da ciência, o prêmio Nobel Steven Weinberg conduz o leitor através de séculos de grandes descobertas, da Grécia Antiga à Bagdá medieval, da Academia de Platão ao Museu de Alexandria e à Royal Society of London. Aristóteles, Descartes, Kepler, Copérnico, Galileu e Isaac Newton são alguns dos protagonistas deste enredo armado com leveza e humor – sem a menor cerimônia, o autor faz um acerto de contas com as contribuições de cada um deles.

Paralela

Muito mais que 5inco minutos, Kéfera Buchmann
Se o YouTube é de fato a nova televisão, como acha muita gente, hoje Kéfera é o equivalente aos antigos astros globais. Tão conhecida e amada quanto eles. Neste livro, que tem literalmente a sua cara, Kéfera parte de sua vida para falar de relacionamentos, bullying, moda e gafes e conta uma série de histórias divertidas com as quais é impossível não se identificar.

Suma de Letras

O vilarejo, de Raphael Montes
Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome.

Semana duzentos e sessenta e quatro

blog

A queda do céu, Davi Kopenawa e Bruce Albert (Tradução de Beatriz Perrone-Moisés)
A queda do céu foi escrito a partir de suas palavras contadas a um etnólogo com quem nutre uma longa amizade – foram mais de trinta anos de convivência entre os signatários e quarenta anos de contato entre Bruce Albert, o etnólogo-escritor, e o povo de Davi Kopenawa, o xamã-narrador. A vocação de xamã desde a primeira infância, fruto de um saber cosmológico adquirido graças ao uso de potentes alucinógenos, é o primeiro dos três pilares que estruturam este livro. O segundo é o relato do avanço dos brancos pela floresta e seu cortejo de epidemias, violência e destruição. Por fim, os autores trazem a odisseia do líder indígena para denunciar a destruição de seu povo. Recheada de visões xamânicas e meditações etnográficas sobre os brancos, esta obra não é apenas uma porta de entrada para um universo complexo e revelador. É uma ferramenta crítica poderosa para questionar a noção de progresso e desenvolvimento defendida por aqueles que os Yanomami – com intuição profética e precisão sociológica – chamam de “povo da mercadoria”.

A garota na teia de aranha – Millennium vol.4, David Lagercrantz (Tradução de Guilherme Braga e Fernanda Sarmatz Åkesson)
A genial e atormentada justiceira Lisbeth Salander está de volta. Mas por que Lisbeth, uma hacker fria e calculista que nunca dá um passo sem pesar as consequências, teria cometido um crime gravíssimo e ainda provocado de forma quase infantil um dos maiores especialistas em segurança dos Estados Unidos? Depois de finalmente se livrar da polícia sueca e de todas as acusações que pesavam sobre si, que motivo ela teria para se atirar em outro lamaceiro político? É o que se pergunta Mikael Blomkvist, principal repórter da explosiva revista Millennium, além de amigo e eventual amante de Lisbeth. Mas Blomkvist precisa lidar com seus próprios demônios: afundada numa crise sem precedentes, a revista foi comprada por um grupo que pretende modernizá-la. Nada mais repulsivo ao jornalista que prefere apurar e pesquisar suas histórias a ceder às demandas e ao ruído das redes sociais. Ainda assim, há tempos o repórter não emplaca um de seus furos, e por isso não hesita em sair no meio da madrugada para atender a um chamado que promete ser a grande história de sua carreira. Presos a uma teia de aranha mortífera, Lisbeth e Blomkvist terão mais uma vez que unir forças, agora contra uma perigosa conspiração internacional. Uma volta em grande estilo da dupla que mudou para sempre os romances de mistério e aventura.

Devagar e simples, André Lara Resende 
André Lara Resende herdou do pai, Otto, o dom da palavra, o prazer do convívio, a clareza de raciocínio e o foco no que importa. E aprimorou essas qualidades ao longo da vida. Este livro é um exemplo dessas virtudes. Os treze artigos aqui reunidos têm alguns eixos comuns, que não derivam apenas de um passageiro interesse do autor no momento em que os escreveu. Alguns são imprescindíveis para o debate público do momento no Brasil. Outros são muito relevantes para entender o atual debate no mundo e seu significado para o Brasil.

O caso de Saint-Fiacre, Georges Simenon (Tradução de Eduardo Brandão)
O caso Saint-Fiacre é o décimo terceiro livro protagonizado por Jules Maigret, em que, finalmente, conhecemos seu passado. Ele é filho do administrador de um castelo ao sul de Paris, para onde volta pela primeira vez desde o enterro do pai. O motivo? Um bilhete anônimo: um crime seria cometido no local durante a missa de finados. Antes do fim do sermão, a condessa de Saint-Fiacre morre subitamente. Sua família está falindo. O filho é um aproveitador. O secretário, seu amante e possível herdeiro. Os atuais administradores do castelo, oportunistas em potencial. O padre, um omisso.

Seguinte

Capitolina – O poder das garotas, Vários autores
A revista on-line Capitolina surgiu em 2014 como uma alternativa à mídia tradicional voltada para meninas adolescentes. Sua proposta é criar um conteúdo colaborativo, inclusivo e livre de preconceitos, abordando temas como relacionamentos, feminismo, cinema, moda, games, viagens e muito mais. Esta edição reúne os melhores textos publicados em um ano de revista, além de vários artigos inéditos, todos eles ilustrados. No total, são 41 jovens escritoras e 23 artistas talentosas. Para completar, há atividades interativas para que cada leitora ajude a construir o livro e dê a ele seu toque pessoal. As leitoras vão encontrar conselhos, dicas, reflexões, muito apoio e, principalmente, a sensação de que não estão sozinhas.

Os bons segredos, Sarah Dessen (Tradução de Cristian Clemente)
Sydney sempre se sentiu invisível, já que Peyton, seu irmão mais velho, era o foco da atenção da família. Até que ele causa um acidente por dirigir bêbado, deixando um garoto paralítico, e vai para a prisão. Sydney parece ser a única a responsabilizá-lo, ao contrário de seus pais, que enxergam o filho como vítima. Para fugir do clima insuportável em casa, certa tarde Sydney entra numa pizzaria ao acaso. Lá conhece Layla, filha do dono do restaurante, e a amizade entre as duas é instantânea. Logo Sydney se vê contando à garota segredos que ninguém mais sabe, e encontra entre a família dela um espaço onde todos a enxergam e a aceitam como é.

Penguin-Companhia

Hamlet, William Shakespeare (Tradução de Lawrence Flores Pereira)
Um jovem príncipe se reúne com o fantasma de seu pai, que alega que seu próprio irmão, agora casado com sua viúva, o assassinou. O príncipe cria um plano para testar a veracidade de tal acusação, forjando uma brutal loucura para traçar sua vingança. Mas sua aparente insanidade logo começa a causar estragos – para culpados e inocentes.

Piloto de guerra, Antoine de Saint-Exupéry (Tradução de Mônica Cristina Corrêa)
Durante a Segunda Guerra Mundial, Saint-Exupéry serviu como piloto nas forças armadas francesas. Em 1940, foi designado para um sobrevoo da região de Arras, ao norte da França, numa missão de alto risco. Em parte relato dessa expedição, em parte indagação sobre o sentido da guerra – o conflito não é uma aventura, mas uma doença, afirma o narrador -, Piloto de guerra é um clássico a ser redescoberto por todas as gerações de leitores.

Companhia das Letrinhas

O pequeno príncipe, Antoine de Saint-Exupéry (Tradução de Mônica Cristina Corrêa)
Nesta edição, depois de ler a história do piloto que encontra um menino de cachos dourados no deserto do Saara, o leitor é convidado a fazer um mergulho na vida do autor e nos detalhes e curiosidades que envolvem a obra, em um posfácio recheado de fotos inéditas e informações imprescindíveis.

Mônica é daltônica?, Mauricio de Souza
Nesta história, a primeira publicada na revista Mônica, em 1970, o Zé Luís – e não o Cebolinha, acredite se quiser -, inaugura a tradição dos planos mirabolantes para tentar acabar com as temidas coelhadas da dona da rua. E o Titi, o Cascão, o Cebolinha, junto com o líder do grupo, executam passo a passo o combinado, até que… Além de descobrir o fim da aventura, o leitor vai conhecer curiosidades sobre a turma e as ilustrações surpreendentes de Odilon Moraes, que reinterpreta um clássico de Mauricio de Sousa.

Lisbeth está de volta

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Depois de muita espera, finalmente A garota na teia de aranha chega às livrarias.

Hoje, 27 de agosto, é o dia do lançamento mundial do quarto livro da série Millennium, escrito por David Lagercrantz, que dá continuidade às histórias de Stieg Larsson publicadas há 10 anos. Na entrevista coletiva realizada ontem na Suécia, Lagercrantz confessou que “sentia medo de não estar à altura” dos três livros da série escritos por Larsson, mas a recepção, como mostram as resenhas do The New York TimesUSA Today The Guardian, garantem que a nova aventura de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist vai agradar aos novos e antigos leitores de Millennium. Quem se encantou com as personagens fortes e polêmicas em Os homens que não amavam as mulheresA menina que brincava com fogoA rainha do castelo de ar, com certeza não vai perder este novo capítulo da série.

Neste novo livro, Lisbeth e Mikael estão presos a uma teia de aranha mortífera e terão mais uma vez que unir forças, agora contra uma perigosa conspiração internacional. É tarde da noite quando Blomkvist recebe o telefonema de uma fonte confiável, dizendo que tem informações vitais aos Estados Unidos. A fonte está em contato com uma jovem e brilhante hacker — parecida com alguém que ele conhece. Blomkvist, que precisa de um furo para a revista Millennium, pede ajuda a Lisbeth. Ela, porém, tem objetivos próprios.

A seguir, leia a tradução da resenha publicada ontem no The New York Times, por Michiko Kakutani.

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A garota na teia de aranha traz de volta a dupla de detetives de Stieg Larsson

Os fãs do cativante e estranho casal da ficção policial moderna criado por Stieg Larsson — a genial hacker punk Lisbeth Salander e o seu parceiro ocasional, o determinado jornalista investigativo Mikael Blomkvist — não ficarão desapontados com suas aventuras mais recentes, escritas não pelo criador dos personagens, Stieg Larsson (que morreu de um ataque cardíaco aos cinquenta anos, em 2004), mas por um jornalista e escritor sueco chamado David Lagercrantz. Apesar de haver alguns sobressaltos ao longo do romance, Salander e Blomkvist sobreviveram intactos à transição de autores e continuam tão atraentes quanto sempre foram.

Em A garota na teia de aranha, a dupla se envolve no caso do enigmático cientista da computação Frans Balder: um proeminente especialista em inteligência artificial que se vê enredado em uma trama global envolvendo a Polícia de Segurança Sueca, a máfia russa, espiões industriais do vale do Silício e interesses de segurança nacional dos Estados Unidos.

Os esforços de Lagercrantz para conectar crimes na Suécia a maquinações dentro da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) são confusos e forçados — uma tentativa óbvia de capitalizar em cima das revelações de Edward Snowden sobre a agência e do debate a respeito dos seus métodos de vigilância. Por outro lado, os leitores de Os homens que não amavam as mulheres não foram arrebatados por conta da trama (fortemente baseada em clichês cinematográficos de serial killers), de sua plausibilidade ou da visão política anti-autoritarista de Larsson. Eles foram arrebatados pelo livro e pelos dois subsequentes — A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar — por causa do charme rude de Salander e Blomkvist e da química improvável entre os dois. E também porque Larsson foi tão hábil em retratar uma Suécia taciturna e com ares noir que transformou o estereótipo de uma Escandinávia limpa e resplandecente (onde as pessoas dirigem Volvos e compram móveis da Ikea) em uma terra de invernos longos, assombrada pelos fantasmas de Strindberg e Bergman.

Em A garota na teia de aranha, Langercrantz parece entender instintivamente o mundo que Larsson criou e os seus dois investigadores nada convencionais: Blomkvist, o repórter dedicado e honrado (e improvável sedutor de mulheres de meia-idade), e Salander, a garota hostil e machucada que parece uma versão raivosa e punk de Audrey Hepburn (se você conseguir imaginar Holly Golightly com tatuagens e piercings em vez da tiara), que luta com as habilidades arrasadoras da Lara Croft nos videogames.

Lagercrantz captura o cansaço, e até a vulnerabilidade, que se esconde por detrás da aparência de força desses dois personagens, e entende que eles são motivados por uma sede de justiça — Blomkvist por causa de um idealismo combativo, e Salander, de uma determinação para vingar o abuso que sofreu quando criança nas mãos do pai, Zala, um ex-agente da União Soviética que desertou e virou o comandante de uma vasta organização criminosa.

Assim como os romances anteriores, A garota na teia de aranha dá mais pistas sobre o passado de Salander, que lançam nova luz sobre como essa antiga vítima se tornou uma sobrevivente determinada e impiedosa, e foi capaz de se reinventar como uma espécie de super-heroína vingadora. De fato, a sua misteriosa gêmea Camilla, há muito desaparecida, ressurge aqui em algumas cenas exageradamente melodramáticas como sua arqui-inimiga, uma mulher bonita e perigosa que parece mais uma vilã de um filme de James Bond do que um ser humano de verdade.

Um personagem bem mais interessante e comovente é August, filho de Balder, um menino autista de oito anos de idade: um savant extraordinariamente talentoso como artista e matemático, mas severamente traumatizado pelos maus-tratos que sofreu do amante violento da mãe e quase incapaz de falar. August, que testemunhou o assassinato do pai e desempenha um papel crucial na busca pelo assassino, fará com que alguns leitores se lembrem do narrador autista do emocionante romance de 2003, O curioso incidente do cão a meia-noite, de Mark Haddon (posteriormente adaptado para o teatro e vencedor do Tony Award). Lagercrantz faz desse menino um personagem cativante. Seu sofrimento e suas habilidades excepcionais o transformam numa espécie de alter-ego de Lisbeth Salander, que usará toda a sua habilidade, toda a sua engenhosidade — em hackear, coletar informações e em sobreviver — para protegê-lo, quando os inimigos do pai do menino se lançam em sua caçada.

A garota na teia de aranha é menos sangrento e aterrorizante que os livros anteriores. Em outros aspectos, Lagercrantz parece ter canalizado — de maneira bastante hábil, em sua maior parte — o estilo narrativo de Larsson, misturando clichês do gênero com detalhes investigativos e originais, e concebe reviravoltas que lembram cenas dos romances de Larsson, com descrições muito bem pesquisadas sobre essa terra sem lei que é o lado obscuro da internet. É provável que a NSA tenha entrado na história em parte como um meio de prestar homenagem ao anti-autoritarismo de Larsson e sua visão sombria do poder do estado (desenvolvida de maneira mais completa em A rainha do castelo de ar, que abordava a corrupção política na Suécia e a conduta ilegal da Polícia Secreta).

E, ainda que o envolvimento da NSA com o caso investigado por Salander e Blomkvist nem sempre seja descrito por Lagercrantz de forma totalmente convincente, sua narrativa demonstra tanta segurança e agilidade nas sequências finas do livro que ele supera facilmente essas passagens mais dúbias.

Em vez de parar e analisar a plausibilidade de parte das conspirações interligadas em A garota na teia de aranha, o leitor vira as páginas com rapidez para ver como Salander e Blomkvist montarão as peças do quebra-cabeça do caso Balder (com grande ajuda de August). Nos perguntamos como as decisões tomadas por eles no calor do momento — em plena fuga ou sob ataque — lançam nova luz sobre quem eles são a esta altura de suas vidas. E, se a missão de cada um — no caso dele, desvendar a história de Balder; no dela, rastrear a organização criminosa comandada por seu pai odiado — os colocará em rota de colisão ou os irá transformar num par, romântico ou não, mais uma vez.

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Leia um trecho exclusivo de A garota na teia de aranha

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Leia um trecho inédito de A garota na teia de aranha

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Falta pouco para a volta de uma das personagens mais enigmáticas da literatura. Vinte e sete de agosto é o dia do lançamento mundial de mais um livro da série Millennium, A garota na teia de aranha, escrito por David Lagercrantz, que assumiu o desafio de continuar a aclamada série de Stieg Larsson. Enquanto o dia 27 não chega, apresentamos a vocês um trecho inédito liberado antecipadamente para quem já quer entrar no clima das histórias de Lisbeth e Mikael Blomkvist. A seguir, leia uma amostra de como será o quarto livro da série Millennium.

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9. MADRUGADA DE 21 DE NOVEMBRO

Lisbeth acordou atravessada na imensa cama de casal e lembrou que tinha sonhado com o pai. Um sentimento ameaçador a envolvia como um véu. Mas em seguida se lembrou da noite anterior e concluiu que devia ser uma reação química do corpo. Estava de ressaca e se levantou com as pernas ainda bambas para ir vomitar no enorme banheiro de mármore equipado com banheira de hidromassagem e todas essas idiotices dos ricos. Mas apenas se ajoelhou e começou a respirar fundo.

Depois de algum tempo se levantou e se olhou no espelho, o que não foi muito animador. Seus olhos estavam vermelhos. Mal passava da meia-noite. Não podia ter dormido só umas poucas horas. Ao sair do banheiro, pegou um copo e o encheu com água. No mesmo instante, as lembranças do sonho voltaram, e Lisbeth apertou com força o copo que segurava e se cortou nos estilhaços. O sangue pingou no assoalho e ela soltou um palavrão ao perceber que não iria mais conseguir dormir.

Será que devia tentar descriptografar o arquivo que havia baixado no dia anterior? Não, não valia a pena, pelo menos não naquele instante. Lisbeth enrolou um curativo na mão, foi até a estante de livros e pegou o mais recente estudo da pesquisadora de Princeton Julie Tammet no qual ela descrevia o colapso e a transformação das estrelas em buracos negros. Depois se deitou no sofá vermelho que ficava junto à janela com vista para Slussen e o lago de Riddarfjärden.

Lisbeth se sentiu um pouco melhor assim que começou a ler. O sangue da mão pingava nas páginas e sua cabeça não parava de latejar. Mesmo assim se deixou levar pela leitura e de vez em quando fazia uma anotação na margem. Sabia melhor do que a maioria das pessoas que uma estrela se mantém viva graças a duas forças opostas — as explosões nucleares em seu interior, que a levam a tentar se expandir, e a força da gravidade, que assegura sua integridade estrutural. Lisbeth via isso como um cabo de guerra que passa milhões de anos empatado e que apenas no fim, depois que o combustível nuclear acaba e as explosões perdem força, achega ao inevitável vencedor.

Continue a leitura do trecho aqui

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13725_gA GAROTA NA TEIA DE ARANHA
Sinopse: Uma muralha virtual impenetrável: é assim que se pode definir a rede da NSA, a temida agência de segurança americana. Quando a mensagem “Você foi invadido” piscou na tela de Ed Needham, responsável pelos computadores que guardam alguns dos maiores segredos do mundo, ele custou a acreditar. A tentativa de localizar o criminoso também não trazia frutos, as pistas não levavam a lugar nenhum, cada indício terminava num beco sem saída. Que hacker seria capaz de algo assim? Para o leitor que acompanha a série Millennium, criada por Stieg Larsson, só há uma resposta possível: a genial e atormentada justiceira Lisbeth Salander está de volta. Mas por que Lisbeth, uma hacker fria e calculista que nunca dá um passo sem pesar as consequências, teria cometido um crime gravíssimo e ainda provocado de forma quase infantil um dos maiores especialistas em segurança dos Estados Unidos? Depois de finalmente se livrar da polícia sueca e de todas as acusações que pesavam sobre si, que motivo ela teria para se atirar em outro lamaceiro político?

A garota na teia de aranha, de David Lagercrantz, chega às livrarias no dia 27 de agosto.

 

Por que Millennium continua

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Quando foi anunciado que seria lançado um novo volume da série Millennium, A garota na teia de aranha, muitos se perguntaram o motivo de continuar publicando, após a morte de Stieg Larsson, novas histórias de Lisbeth Salander. Joakim e Erland Larsson, pai e irmão de Stieg, escreveram uma carta para explicar aos fãs da série como será essa continuação. Leia a seguir na íntegra a carta da família de Stieg Larsson.

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Agosto marca o aniversário de dez anos da publicação de Os homens que não amavam as mulheres na Suécia. Foi o começo de uma das maiores histórias de sucesso literário sueco de todos os tempos. Até hoje, os três romances da série Millennium venderam em torno de 80 milhões de cópias em 48 idiomas ao redor do mundo. Todos os anos turistas de diversos países viajam a Estocolmo para seguir os passos de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist.

Maior do que isso é a nossa tristeza por nosso filho e irmão Stieg Larsson não ter tido a chance de testemunhar este sucesso fenomenal. Menos de um ano antes da publicação do primeiro livro ele faleceu, rápida e inesperadamente. Foi, é claro, uma dor insuperável perder alguém querido tão de repente. Além disso, o fato de não termos conseguido chegar a um acordo amigável com a parceira de Stieg, Eva Gabrielsson, permanece como uma ferida aberta para todos os envolvidos.

Após a morte de Stieg, nós, seu pai e irmão, herdamos os direitos de seu espólio literário. Uma vez que Eva Gabrielsson se recusou a cooperar conosco em relação ao legado de Stieg, nós somos os únicos responsáveis por decidir como as obras dele podem ser usadas.

Concordamos que David Lagercrantz escrevesse sua própria sequência independente para a série Millennium. Em agosto, bem a tempo do décimo aniversário do primeiro romance, A garota na teia de aranha chegará às livrarias. O livro será traduzido e lançado simultaneamente em pelo menos 35 países. Leitores de todo o mundo poderão viver novas aventuras com os protagonistas Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist. Nós sabemos que muitos estão ansiosos por isso.

A decisão de publicar um quarto livro na série Millennium foi recebida com críticas por algumas pessoas. Uma das objeções é que seria antiético permitir que outro autor escreva uma sequência baseada nos personagens de um autor falecido. Também foi sugerido que o principal objetivo desta publicação fosse o lucro. Stieg teria se oposto se estivesse vivo, alguns afirmaram.

Nós respeitamos o fato de que outras pessoas têm suas opiniões sobre como escolhemos administrar o legado de Stieg. Mas em um ponto, porém, os críticos estão indiscutivelmente errados: no de que isto foi feito para ganhar um dinheiro rápido. Desde o princípio, deixamos claro que qualquer lucro que obtivermos com A garota na teia de aranha irá diretamente para a revista antirracista Expo, da qual Stieg foi cofundador.

Desde a morte de Stieg, a Expo recebeu 18 milhões de coroas suecas da renda gerada pelas vendas da trilogia Millennium. Ao longo dos últimos anos, o nível de apoio financeiro recebido tem ficado, em média, em torno de 2 milhões anuais. Graças à receita gerada por A garota na teia de aranha, a Expo vai se beneficiar com um capital adicional no valor de vários milhões de coroas suecas. Numa sociedade em que o racismo e a xenofobia estão em ascensão, sua causa parece mais urgente do que nunca.

Apesar disso, é verdade que as editoras poderão, naturalmente, ganhar dinheiro com A garota na teia de aranha. O que nos parece um bom negócio, já que a renda e a lucratividade geradas por publicações bem-sucedidas são essenciais para manter uma indústria editorial forte e dinâmica. Consideramos ainda que ainda Norstedts e as editoras internacionais de Stieg trataram suas obras e seu falecimento prematuro com grande dignidade. Caso contrário, nós jamais teríamos aprovado uma sequência independente para a série Millennium.

Nós nos orgulhamos do que Stieg criou com seus romances. Enxergamos uma oportunidade de permitir que seus personagens e histórias continuem vivos na sequência de David Lagercrantz. Sua maestria literária é célebre, e ele demonstrou perspicácia e empatia ao dar voz a pessoas como Göran Kropp, Alan Turing e Zlatan Ibrahimovic. Não conseguimos pensar em um autor melhor para esse projeto.

David Lagercrantz assinou o romance com seu nome, como ficará perfeitamente claro em todos os materiais de venda, incluindo a capa do livro. Afirmar que estamos tentando vender A garota na teia de aranha como se fosse uma obra de Stieg não faz o menor sentido.

Vale lembrar que a história da Literatura está repleta de exemplos de sequências escritas após a morte do criador original dos personagens, do James Bond de Ian Fleming à Agatha Christie de Sophie Hannah.

Nós esperamos e acreditamos, ainda, que a publicação de A garota na teia de aranha contribuirá para despertar um interesse renovado nos títulos da série Millennium escritos pelo próprio Stieg.

Como herdeiros, não podemos nos esquivar da responsabilidade associada à administração de seu legado. Nós sabemos que Stieg esperava — e sentia — que a trilogia Millennium estivesse destinada a um grande sucesso comercial, e agora tomamos a decisão de permitir que David Lagercrantz continue a esta missão.

Joakim Larsson

Erland Larsson

Publicado originalmente no Expressen no dia 21 de junho de 2015. 

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A garota na teia de aranha chega às livrarias no dia 27 de agosto. Assine nossa newsletter para receber novidades sobre a série Millennium.