David Priestland

Semana duzentos e quinze

O demônio do meio-dia, de Andrew Solomon (Trad. Myriam Campello)
Partindo de sua própria batalha contra a depressão, Andrew Solomon constrói um retrato monumental da doença que assola os nossos tempos. o vasto amálgama de medicações disponíveis, a eficácia de tratamentos alternativos, o impacto do distúrbio nas várias populações demográficas, as implicações histórias, sociais, biológicas, químicas e médicas da depressão: nada fica de fora deste que é um dos maiores tratados já escritos sobre o tema. No epílogo inédito à nova edição brasileira, o autor retoma seu percurso, os avanços da medicina e a trajetória dos entrevistados desde a primeira edição do livro, em 2000. Com rara humanidade, sabedoria e erudição, Solomon convida o leitor a uma jornada sem precedentes pelos meandros de um dos assuntos mais espinhosos, significativos e complexos dos nossos dias. Um livro obrigatório para todos aqueles que sofrem ou conhecem alguém que sofre de depressão.

Uma nova história do poder, de David Priestland (Trad. Isa Mara Lando e Mauro Lando)
Quem manda no mudo hoje? Neste livro brilhante, o historiador e professor de Oxford David Priestland propõe  um olhar radicalmente novo sobre a nossa história, com uma interpretação ousada para desvendar as estruturas de poder que resultaram na atual crise financeira.

Obra autobiográfica, de Celso Furtado
Obra autobiográfica de Celso Furtado é formada por uma trilogia. Em A fantasia organizada, ele relembra o Rio de Janeiro dos anos 1940 e seu ambiente intelectual que deslumbrou o jovem recém-chegado da Paraíba; a devastada Europa do pós-guerra, que percorreu durante seu doutorado de economia em Paris; os anos vividos na América Latina, como diretor da Cepal, onde se formulava um pensamento econômico de influência mundial; os estudos em Cambridge, convivendo com os contemporâneos de lorde Keynes. A fantasia desfeita cobre os seis anos em que trabalhou com Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart, como diretor da Sudene, e primeiro-ministro do Planejamento do país. Punido pelo golpe militar de 1964, dedicou-se, no exílio, à atividade acadêmica nas universidades de Paris, Yale, Cambridge e Columbia, onde produziu uma obra teórica vasta e original que expandiu as fronteiras da ciência econômica e aproximou-a das relações internacionais e da cultura. É o que conta no terceiro volume, Os ares do mundo, em que evoca também a vida na França, as viagens aos países do bloco comunista, da Ásia e da África. Villa-Lobos, Lévi-Strauss, Jean-Paul Sartre, Amartya Sen, Juan Perón, Fernand Braudel, Ernesto Sabato, Glauber Rocha e Che Guevara são alguns nomes que cruzam com o autor e personagem deste mosaico autobiográfico.

O amigo americano, de Antonio Pedro Tota
Herdeiro de uma das maiores fortunas do mundo, membro da ala “liberal” do Partido Republicano, Nelson Aldrich Rockefeller foi governador do estado de Nova York por quatro mandatos, vice-presidente dos Estados Unidos e eterno aspirante ao primeiro posto da República ianque. Mas o que se revela neste saboroso perfil é a faceta menos conhecida de sua biografia: a de propulsor do capitalismo brasileiro. Rockefeller aproximou-se do país quando se tornou chefe do Office of Inter-American Affairs, a agência para assuntos interamericanos dos Estados Unidos (a qual trouxe Orson Welles e Walt Disney para o Brasil, e mandou Carmen Miranda na via inversa), organismo que tinha por missão afastar o governo Vargas do nazifascismo e, uma vez vencida a Segunda Guerra, garantir que o Brasil permanecesse no bloco de influência norte-americano. Com afinco, “boas intenções” e fortemente imbuído da ideologia de seu país e de sua classe, o político manifestou genuíno interesse pelo Brasil, e aqui se envolveu, inclusive como investidor direto, mecenas e empresário, nas mais diversas atividades, do cultivo da borracha ao planejamento urbanístico de São Paulo, do incentivo às artes à constituição de fundos de investimento que modernizaram o mercado de capitais local, sempre na tentativa de importar a eficiência e o American way of life como antídotos à expansão do comunismo.

Editora Paralela

Necrotério, de Patricia Cornwell (Trad. Angela Pessoa)
O ritmo alucinante de traição e tecnologia está presente na nova aventura de Scarpetta. Conhecemos o início de sua carreira,   quando aceitou uma bolsa de estudos da Força Aérea para pagar a universidade. Agora, mais de vinte anos mais tarde, suas conexões militares secretas a trazem de volta para a base aérea Dover, onde esteve em um programa de treinamento. Como chefe do novo Centro Forense de Cambridge, em Massachusetts, Scarpetta enfrenta um caso que pode destruir sua reputação e tudo aquilo que lutou para conquistar pessoal e profissionalmente.