dennis lehane

Leia antes (ou depois) de assistir: conheça as adaptações de 2016

Em 2016, vários títulos publicados pelo Grupo Companhia das Letras vão ganhar versões para o cinema ou televisão. Organizamos uma lista para você planejar as leituras antes ou depois daquilo que vai ver nas telinhas. Confira!

As relações perigosas

O clássico de Chordelos de Laclos acompanha um grupo peculiar da nobreza francesa que troca cartas secretamente. No centro da intriga está o libertino visconde de Valmont, que tenta conquistar a presidenta de Tourvel, e a dissimulada marquesa de Merteuil, suposta confidente da jovem Cécile, a quem ela tenta convencer a se entregar a outro homem antes de se casar. As relações perigosas ganhou uma adaptação pela Rede Globo em Ligações perigosas, ambientada no Brasil durante os anos 1920 e protagonizada por Selton Mello e Patrícia Pillar. A minissérie de dez capítulos estreou na segunda-feira e fica no ar até o final da semana que vem.

Charlie Brown não desiste nunca!

Desde que foi anunciado, o filme 3D de Snoopy e sua turma é aguardado por todos os fãs das tirinhas de Charles M. Schulz. Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, o filme estreia no próximo dia 14 nos cinemas brasileiros, e o longa conta como Charlie Brown tenta conquistar a menininha ruiva, sua nova vizinha e colega de escola. E, claro, toda a turma e seu cachorrinho fiel vão dar aquela ajuda para o bom e velho Charlie Brown. A história do filme está em duas edições infantis lançadas pela Companhia das Letrinhas: Charlie Brown não desiste nunca!, um belíssimo livro em capa dura, e Você tem talento, Charlie Brown!, lançados no final de 2015. Dois livros para todos os fãs de Snoopy!

Steve Jobs

Dois nomes de peso de Hollywood estão envolvidos na adaptação da biografia do criador da Apple para as telonas: Danny Boyle, responsável pela direção do filme, e Aaron Sorkin, que fez o roteiro com base no livro de Walter Isaacson. O livro, baseado em mais de quarenta entrevistas com Jobs ao longo de dois anos  e entrevistas com mais de cem familiares, amigos, colegas, adversários e concorrentes , narra a vida atribulada do empresário extremamente inventivo e de personalidade forte e polêmica, cuja paixão pela perfeição e energia indomável revolucionaram seis grandes indústrias: a computação pessoal, o cinema de animação, a música, a telefonia celular, a computação em tablet e a edição digital. Protagonizado por Michael Fassbender, Steve Jobs chega nos cinemas brasileiros também no próximo dia 14.

Pastoral Americana

Em Pastoral Americana, Philip Roth narra os esforços de Seymour Levov para manter de pé um paraíso feito de enganos. Filho de imigrantes judeus que deram duro para subir na vida, Seymour tenta comunicar um legado moral à terceira geração da família Levov. Esmagado entre duas épocas que não se entendem e desejam destruir-se mutuamente, Seymour se apega até o fim a crenças que se mostram cada vez mais irreais. O filme baseado em um dos principais romances de Roth tem estreia prevista para 2016 nos EUA (ainda sem data para o Brasil), e será dirigido pelo ator Ewan McGregor, que também protagoniza o longa. O elenco ainda conta com Jennifer Connelly, Dakota Fanning e Uzo Aduba.

De amor e trevas

Confrontado com o suicídio da mãe aos doze anos, três anos depois Amós Oz declara sua independência e volta as costas para o mundo em que crescera a fim de assumir uma nova identidade num novo lugar: o kibutz Hulda, na fronteira com o mundo árabe. Entre a autobiografia e o romance, De amor e trevas é a extraordinária recriação dos caminhos percorridos por Israel no século XX, da diáspora à fundação de uma nação e de uma língua: o hebraico moderno. O livro de Amós Oz foi adaptado pela atriz Natalie Portman, que assumiu a direção e roteiro do filme e também atua no papel da mãe do escritor. O longa estreou em 2015 em Israel e tem previsão de lançamento no Brasil em abril.

Um holograma para o rei

Tom Hanks faz o papel de um empresário em apuros financeiros que realiza uma última e desesperada tentativa de evitar a falência completa, pagar a caríssima faculdade da filha e, talvez, fazer algo de bom e surpreendente com sua vida. Ambientado em uma próspera cidade da Arábia Saudita, a história do filme é baseada no livro Um holograma para o rei, de Dave Eggers, que nos leva por uma viagem pelo outro lado do mundo e pela comovente e por vezes cômica jornada de um homem para manter a família unida e a vida nos eixos diante da crise. O filme estreia em 2016 nos EUA.

Desventuras em série

Finalmente Violet, Klaus e Sunny Baudelaire vão voltar para as telas  mas dessa vez da TV e do computador. A Netflix anunciou que está trabalhando em uma série baseada nos livros de Lemony Snicket que contam a história de três irmãos órfãos que sofrem com a constante ameaça de seu tio, o conde Olaf, que quer roubar sua fortuna. A série de 11 livros já ganhou uma versão para os cinemas em 2004 com Jim Carrey no papel do malévolo conde Olaf. Ainda sem data de estreia (mas que deverá acontecer em 2016), as gravações de Desventuras em série começam agora no início do ano. Ou seja: ainda não temos imagens da adaptação nova para mostrar, mas um fã da série fez este trailer que representa muito bem o clima do livro. Até lá, você pode ir se familiarizando com os irmãos Baudelaire com a série de Snicket.

O Círculo

Mais um romance de Dave Eggers vai ganhar sua versão para as telonas em 2016: O CírculoQuem vai viver a protagonista Mae Holland nos cinemas será Emma Watson, uma jovem profissional contratada para trabalhar na empresa de internet mais poderosa do mundo. Sediada num campus idílico na Califórnia, O Círculo incorporou todas as empresas de tecnologia que conhecemos, conectando e-mail, mídias sociais, operações bancárias e sistemas de compras de cada usuário em um sistema operacional universal, que cria uma identidade online única e, por consequência, uma nova era de civilidade e transparência. Quem está no Círculo é incentivado a contar tudo, e segredos não são permitidos. O círculo, que deve estrear este ano, é uma eletrizante trama de suspense que levanta questões fundamentais sobre memória, história, privacidade, democracia e os limites do conhecimento humano.

Os livros da selva

Muitos conheceram a história de Mowgli, o menino lobo, com o desenho da Disney lançado em 1967. Em 2016, a história baseada no clássico Os livros da selva, de Rudyard Kipling, ganha uma versão live-action protagonizada pelo jovem ator Neel Sethi e com vozes de Bill Murray, Ben Kingsley, Idris Elba, Lupita Nyongo, Scarlett Johansson e Christopher Walken. O filme deve estrear no Brasil no dia 14 de abril. A nova edição da Penguin-Companhia de Os livros da selva está nas livrarias desde o final do ano passado.

Novembro de 63

Os próximos itens da lista são duas adaptações baseadas em histórias de Stephen King. Em Novembro de 63o professor Jake Epping corrigia as redações dos seus alunos do supletivo quando se depara com um texto brutal e fascinante, escrito pelo faxineiro Harry Dunning. Cinquenta anos atrás, Harry sobreviveu à noite em que seu pai massacrou toda a família com uma marreta. Jake fica em choque… mas um segredo ainda mais bizarro surge quando Al, dono da lanchonete da cidade, recruta Jake para assumir a missão que se tornou sua obsessão: deter o assassinato de John Kennedy. O livro virou a série 11.22.63, com James Franco como protagonista, e estreia no dia 15 de fevereiro na plataforma Hulu.

Celular

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E se uma simples ligação de celular fosse capaz de transformar todos os seus usuários em assassinos impiedosos? Clay Riddell finalmente consegue vender um de seus livros de histórias em quadrinhos quando as pessoas ao seu redor, que por acaso falavam ao celular naquele momento, enlouquecem. Fora de si, começam a atacar e matar quem passa pela frente. Apenas Clay e mais duas pessoas que estavam sem celular no momento escapam e tentam sobreviver à loucura que se instaura. Celular é o próximo livro de Stephen King a virar filme. Com previsão de estreia ainda neste ano, será estrelado por Samuel L. Jackson, John Cusak e Isabelle Fuhrman.

Os filhos da noite

Esta estreia vai acontecer apenas em 2017, mas achamos que você já pode se preparar para ler Os filhos da noite, livro de Dennis Lehane que está se transformando em roteiro do novo filme de Ben Affleck como diretor. O livro acompanha a vida de Joe Coughlin, filho mais novo de um proeminente capitão da polícia de Boston, no mundo do crime em plena Lei Seca. Dos pequenos delitos cometidos na infância, Joe agora desfruta com gosto de uma carreira no crime construída a soldo de um dos mais temidos mafiosos da cidade. Combinando uma história de amor e uma saga de vingança, Lehane traz à vida uma época em que o pecado era motivo de celebração e o vício era uma virtude nacional.

Ansioso para as estreias? Não deixe de ler as histórias que deram origem aos filmes e séries que vêm por aí.

 

Semana duzentos e sessenta e dois

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A entrega, Dennis Lehane (Tradução de Luciano Vieira Machado)
Bob é um bartender solitário e desiludido, que tenta encontrar razões para continuar vivo. Três dias depois do Natal, seu marasmo é interrompido por um latido abafado. Esse filhote de cachorro mudará para sempre a sua vida. Nessa mesma noite, ele conhece Nadia, uma garota sofrida que, como ele, busca algo em que acreditar. Unidos pelo desejo de resgatar o cachorro, Bob e Nadia estreitam seus laços. Quando as coisas parecem ter tomado rumo, eles se encontrarão em um jogo sujo, que envolve a máfia chechena, um assassino, dois trambiqueiros profissionais, um policial e o próprio dono do cachorro.

Boa Companhia

Éramos mais unidos aos domingos — e outras crônicas, de Sérgio Porto
Um dos mais divertidos de nossos cronistas, numa seleção com textos engraçados, líricos ou francamente debochados. Sua escrita vai além: a linguagem das ruas, as situações inusitadas do dia-a-dia, a comédia da vida privada, as transformações dos costumes nas grandes cidades brasileiras, as mentiras que contamos para os outros, a convivência com os vizinhos. Tudo isso vem recuperado numa prosa deliciosa, que demonstra um ouvido apurado para capturar a realidade, transformando-a em literatura e em diversão.

Fontanar

A felicidade da busca, de Chris Guillebeau (Tradução de Bruno Correia)
Aos 35 anos, Chris Guillebeau decidiu visitar todos os países do mundo, mas nunca imaginou que a maior revelação de sua viagem seria descobrir outras pessoas como ele — cada uma dedicada a uma jornada desafiadora. As buscas eram diversas: alguns queriam correr maratonas, outros lutavam contra injustiças, mas todos buscavam trazer significado e felicidade para suas vidas. Quanto mais investigava, mais notava a ligação entre esse empreendedorismo e a felicidade e, aos poucos, descobriu que buscar uma meta de forma determinada enriquece a vida e traz imensa satisfação.

Paralela

After 4 — Depois da esperança, Anna Todd (Tradução de Alexandre Boide e Carolina Caires Coelho)
Depois de tantos obstáculos, Tessa e Hardin estão, enfim, mais maduros como casal. As dificuldades causadas pelo gênio forte dele e pela impulsividade dela ainda existem, mas eles já não conseguem negar o amor que sentem um pelo outro. Mesmo morando em cidades diferentes, estão mais apaixonados do que nunca. Se a química entre os dois já era explosiva antes, agora que eles se entregaram de vez a essa paixão, cada encontro será mais ardente do que o anterior. Mas uma cruel reviravolta do destino trará à tona todos os fantasmas do passado de Hardin. Depois da esperança, haverá forças para enfrentar mais dificuldades?

Semana cento e oitenta e oito

Os lançamentos desta semana são:

Medo, reverência, terror, de Carlo Ginzburg (Tradução de Federico Carotti, Joana Angélica d’Avila Melo e Júlio Castañon Guimarães)
Em quatro ensaios dedicados à história das representações artísticas da política, Carlo Ginzburg investiga os significados cambiantes de gestos, objetos e palavras em momentos selecionados do imaginário visual do Ocidente. Baseando-se num conceito do historiador alemão Aby Warburg (1866-1929) ainda pouco explorado — a recorrência de “fórmulas de emoções” [Pathosformeln] no repertório iconográfico das culturas europeias desde a Grécia clássica –, o autor de O queijo e os vermes analisa as interseções entre religião, ideologia, arte e propaganda.

Os filhos da noite, de Dennis Lehane (Tradução de Fernanda Abreu)
A Lei Seca fez brotar do chão uma vasta rede de destilarias subterrâneas, bares clandestinos, gângsteres e policiais corruptos. Há muito que Joe Coughlin, o filho mais novo de um proeminente capitão da polícia de Boston, deu as costas à sua criação rígida e severa. Dos pequenos delitos cometidos na infância, Joe agora desfruta com gosto de uma carreira no crime construída a soldo de um dos mais temidos mafiosos da cidade.
A jornada de Joe pelos escalões do crime organizado o leverá de Boston e de seus bares tomados pelo jazz ao bairro latino de Tampa e até às ruas efervescentes de Cuba. Os filhos da noite é um épico à maneira de Scarface e Os bons companheiros, repleto de traficantes, femmes fatales, amigos leais e inimigos implacáveis, todos lutando pela sobrevivência e por seu quinhão do sonho americano. Lehane traz à vida uma época em que o pecado era motivo de celebração e o vício era uma virtude nacional.

O maior de todos os mistérios, de Giselda Laporta Nicolelis e Miguel Nicolelis (Ilustrações de Nick Neves)
Imagine que em vez de as pessoas se comunicarem pela internet ou pelo celular, a pesquisa científica tenha avançado tanto que no futuro todos nós seremos capazes de conversar à distância usando apenas o nosso cérebro. Imagine também controlar todo tipo de máquina apenas com a força do pensamento. E que tal escutar as memórias de seus antepassados que foram gravadas e estocadas para que seus descendentes tenham acesso a elas? Parece impossível? Para os autores de O maior de todos os mistérios, que contam com muito bom humor e clareza as últimas descobertas a respeito do cérebro, impossível é tudo aquilo que ainda não foi descoberto.

Semana cento e cinco

Os lançamentos desta semana são:

A memória de nossas memórias, de Nicole Krauss (Tradução de José Rubens Siqueira)
O que acontece quando estamos a ponto de perder tudo — inclusive a esperança? A busca por uma resposta atravessa o tempo e o espaço, marcando a trajetória daqueles que precisam lidar com suas memórias e com a consequente necessidade de esquecimento em nome da autopreservação. O resultado é um painel (que tem algo elegíaco) narrado com elegância, por meio de personagens que aos poucos, no decorrer da leitura, vão descortinando aspectos inesperados de seu próprio percurso. Narrativa que mesmo sem ser detetivesca transcorre a partir do mistério escondido na vida de cada um de nós, A memória de nossas memórias conduz o leitor pelos emaranhados fios que somente a reconstrução do passado é capaz de desvendar.

Éramos nós, de Thomas L. Friedman & Michael Mandelbaum (Tradução de Ivo Korytovski)
Os dois autores travam uma conversa descontraída sobre a política norte-americana, conduzindo o leitor em uma agradável viagem pelos fatos históricos que tornaram os Estados Unidos a maior potência mundial, e apontam as causas da atual crise desse modelo. Juntos, eles traçam um texto esperançoso, analítico e opinativo, que busca explicar por que a ideia de que a Grã-Bretanha dominou o século XIX, os EUA o século XX e de que a China vai inevitavelmente reinar no XXI está errada, apesar de coisas muito estranhas ocorrerem em todo o país. Embora o cenário pareça devastador, Friedman e Mandelbaum conseguem localizar pequenas ações que os enchem de esperança no futuro, e lhes dão a certeza de que o fim da hegemonia americana não está tão perto quanto se imagina.

Sobre meninos e lobos – Mystic river, de Dennis Lehane (Tradução de Luciano Vieira Machado)
Um carro encosta perto de três meninos que brigam numa rua da violenta periferia de Boston. Aturdidos com a inesperada abordagem, Sean e Jimmy veem o amigo Dave ser levado por dois homens que, ao que tudo indica, pertencem à polícia. Mas eles logo percebem que há algo de errado: uma simples disputa entre três garotos de onze anos não justificaria tal intervenção. Vinte e cinco anos mais tarde, os três companheiros se reencontram numa encruzilhada armanda por um trágico destino. Espelhados nas águas turvas do rio Mystic, Sean, Jimmy e Dave tentarão se livrar definitivamente de um passado que por tanto tempo ficou encoberto.

Fotografia e império, de Natalia Brizuela (Tradução de Marcos Bagno; co-edição IMS)
Natalia Brizuela resgata um aspecto pouco explorado da história do Brasil no século XIX: o extraordinário papel da mídia recém-inventada na formação de uma identidade nacional brasileira. Mais que um simples aparato para registrar paisagens e rostos, a fotografia foi utilizada — de forma mais ou menos consciente — como um instrumento para fixar e configurar o vasto território do Império tropical. Pintado como uma espécie de paraíso selvagem, o Brasil se tornou um território de desejo para olhos estrangeiros — e um espaço a ser dominado pelo Estado, fosse ele a Coroa ou a República.
[A autora estará no Rio de Janeiro e em São Paulo para bate-papo sobre o livro.]

Paralelo 10, de Eliza Griswold (Tradução de Ângela Pessoa)
Nos últimos anos, a escritora e jornalista norte-americana Eliza Griswold visitou 6 países assolados por violentas hostilidades entre cristãos e muçulmanos: na África, as regiões conflagradas da Nigéria, do Sudão e da Somália; na Ásia, os arquipélagos da Indonésia e das Filipinas e as florestas da Malásia continental. Visitando por perigosas zonas de conflito, a autora entrevistou personagens-chave de batalhas supostamente travadas em defesa dos ensinamentos de Maomé e Jesus Cristo. Suas conversas com pastores evangélicos, xeques, guerrilheiros, políticos e líderes tribais — e, sobretudo, com os sobreviventes de diversos massacres — revelam que os crimes cometidos em nome da religião não se dissociam da luta pela dominação econômica em territórios historicamente marcados pela desigualdade. Como demonstram as impactantes reportagens reunidas em Paralelo 10, a disputa por terras e matérias-primas quase sempre subjaz ao confronto entre islã e cristandade ao redor do planeta.

Pai, não fui eu!, de Ilan Brenman (Ilustrações de AnnaLaura Cantone)
A imaginação infantil pode ir longe — tão longe a ponto de fazer parte da própria realidade em que vivem os pequenos. Brincando com essa poderosa capacidade de inventar típica da infância, Ilan Brenman narra a história de um pai que, enquanto trabalhava tranquilamente no escritório de sua casa, ouve um estrondo. A filha dele, que presenciou o desastre, logo chega para dar explicações: o barulho foi por causa do livro italiano gigante — o preferido do pai — que, de repente, despencou da prateleira da estante. E quem o deixou cair foi o leopardo, que, ao ver a menina folheando o livrão, disse que adorava ler e se aproximou, mas acabou esbarrando nele e lá foi o livro gigante estante abaixo… Depois de todo aquele esclarecimento, qual não foi a surpresa do pai ao abrir o seu livro!… Com um final surpreendente e divertido, esta é uma pequena amostra da relação entre pais e filhos, ilustrada com delicadeza por AnnaLaura Cantone.

Semana oitenta e cinco

Os lançamentos da semana são:

Estrada escura, de Dennis Lehane (Tradução de Fernanda Abreu)
Em 1998, o detetive Patrick Kenzie, de Boston, encontrou a menina Amanda McCready, então com quatro anos, e a arrancou do casal que a criava com segurança e afeto para devolvê-la à sua mãe biológica, uma mulher viciada em drogas e álcool. Doze anos depois, a precoce adolescente Amanda sumiu de novo, e Kenzie tem a chance de se redimir. Sua missão não será fácil. Em seu caminho, o detetive e sua parceira — e agora esposa — Angela Gennaro deparam com a máfia russa e com um sórdido emaranhado de crimes que incluem tráfico de bebês, falsificação de documentos e o roubo de uma relíquia histórica.

A ponte invisível, de Julie Orringer (Tradução de Rubens Figueiredo)
O ano é 1937, e as vidas de Andras e Tibor Lévi estão prestes a ser radicalmente transformadas. Os jovens irmãos judeus, que já haviam emigrado do interior húngaro para trabalhar na capital Budapeste, têm diante de si um futuro promissor. Andras está de mudança para Paris, onde estudará na École Spéciale d’Architecture. Tibor pretende se matricular na faculdade de medicina de Modena, na Itália, assim que reunir o dinheiro necessário. Nascidos numa pequena cidade do leste da Hungria, Andras e Tibor nunca saíram do país e mal conseguem conter o entusiasmo. Contudo, a Europa que os aguarda — tensionada pela barbárie nazista e assolada pelo ódio antissemita — não é um lugar adequado para o otimismo.

Infiel, de Ayaan Hirsi Ali (Nova edição econômica; Tradução de Luiz A. de Araújo)
Em 2004, Ayaan Hirsi Ali foi ameaçada de morte por participar do filme Submissão, sob a situação da mulher muçulmana. No ano seguinte, a revista Time a incluiu entre as cem pessoas mais influentes do mundo. E assim essa jovem exilada somali, eleita deputada do parlamento holandês e conhecida por sua luta pelos direitos da mulher muçulmana e críticas ao fundamentalismo islâmico, tornou-se famosa mundialmente. Como foi possível para uma mulher nascida em um dos países mais miseráveis e dilacerados da África chegar a essa notoriedade no Ocidente? Em Infiel, sua autobiografia precoce, Ayaan, aos 37 anos, narra a impressionante trajetória de sua vida, desde a infância tradicional muçulmana na Somália até o despertar intelectual na Holanda e a existência cercada de guarda-costas no Ocidente. Um relato de superação e crença profunda nos valores ocidentais iluministas da liberdade, igualdade e democracia liberal.

A gênese da sociedade do espetáculo, de Christophe Charle (Tradução de Hildegard Feist)
A partir da década de 1860, o universo do teatro — o principal entretenimento das cidades europeias à época — foi ampliado consideravelmente. De um lado, há o aumento do número de salas e a criação de novos gêneros populares, e, de outro, a invenção da luz elétrica e o desenvolvimento das ferrovias, que possibilitaram a realização de espetáculos cada vez mais luxuosos para públicos crecentes. Nas grandes capitais essas transformações deram ensejo à formação de um conjunto diferenciado de profissões teatrais, composto da multidão de artistas, autores, técnicos e diretores envolvidos nas encenações. O historiador francês Christophe Charle investiga as origens sociais, a formação profissional e o desempenho econômico das pessoas responsáveis por tal boom teatral. O panorama sociológico delineado, além de iluminar aspectos obscuros da vida cultural europeia no século XIX, permite compreender os fundamentos históricos do império midiático que dominaria todo o planeta no século seguinte.

A vida está em outro lugar, de Milan Kundera (Tradução de Denise Rangé Barreto)
Jaromil cresce na Tchecoslováquia ocupada pelos nazistas. Para o júbilo de sua mãe, manifesta já na infância o dom de criar rimas. O menino pouco conhecerá o pai, que é preso pela Gestapo e morre num campo de concentração. Assim, é a mãe quem vai cuidar para que seja um grande poeta. O jovem, porém, se entusiasma com a revolução e põe sua arte a serviço da sociedade socialista. Para o desespero da mãe, ele não faz mais versos rimados. Agora redige palavras de ordem. O poeta quer ser livre e pertencer a algo maior, e ele não está sozinho. A seu lado estão Rimbaud, Lermontov, a poesia da afirmação, da embriaguez. Mas Jaromil nunca será verdadeiramente livre, pois o universo que o gestou não lhe permitirá emancipar-se de suas amarras.