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Semana cento e dezoito

Os lançamentos desta semana são:

A Odisseia de Homero adaptada para jovens, de Frederico Lourenço
Para o grande herói da guerra de Troia, a aventura estava apenas começando. Depois de combater em sangrentas batalhas e de arquitetar o golpe final que daria a vitória ao povo grego, Ulisses precisa apenas regressar à sua terra natal. Mas não vai ser nada fácil, e ele só chegará a Ítaca após dez longos anos. Perseguido pelo poderoso Posêidon, o deus dos mares, ele enfrenta inimigos ainda mais perigosos que os resistentes troianos: mata o ciclope Polifemo, sobrevive ao ameaçadores canibais, resiste ao encanto das sereias, escapa do cativeiro de Calipso. Nesta adaptação em prosa pensada especialmente para o público jovem, Frederico Lourenço narra essas e outras peripécias do célebre guerreiro atentando para a fluência narrativa do texto. Assim, respeitando a obra-prima de Homero, esta Odisseia traz nova vida à Antiguidade Clássica e à viagem mais famosa de todos os tempos.

Cosmópolis, de Don DeLillo (Trad. Paulo Henriques Britto, Nova edição)
O multimilionário Eric Michael Packer, 28 anos, é dono da Packer Capital e mora num triplex no prédio residencial mais alto de Nova York e do mundo. Certo dia de abril do ano 2000, levanta-se de manhã cedo e resolve cortar o cabelo. O presidente da República está na cidade, os mercados estão nervosos, um protesto antiglobalização toma conta da Times Square e o trânsito está completamente abarrotado. Para chegar ao lado oposto de Manhattan – percorrendo uma distância de pouco mais de dez quarteirões -, Eric é obrigado a passar o dia inteiro dentro de sua limusine, de onde controla os negócios, recebe assessores e tem encontros amorosos. No decorrer do dia, a existência de Eric é gradualmente corroída: suas certezas e seus valores se revelam vazios, ao mesmo tempo que o sistema financeiro global é arrastado para uma crise sem precedentes. Cosmópolis é uma novela em forma de fábula – uma fábula amarga para os tempos pós-modernos, assinada por um dos maiores romancistas norte-americanos contemporâneos. O filme baseado no livro estreia no Brasil esta semana, com direção de David Cronenberg.

Toda a saudade do mundo, org. de João Jorge Amado
Jorge Amado era um homem epistolar: cultivava a arte da correspondência, não deixava leitores sem resposta e mantinha o hábito de enviar cartões-postais aos amigos e parentes. Com Zélia Gattai, sua companheira por 55 anos, o autor manteve a troca de cartas mais frequente – e mais apaixonada. Este livro, organizado pelo filho do casal, reúne cartas de Jorge enviadas a Zélia desde a partida para o exílio na França até o período em que a família se estabeleceu em Salvador, na Casa do Rio Vermelho. A correspondência registra as provações do pós-guerra, a vida cultural e política em Paris, a participação do escritor no Conselho Mundial da Paz e as frequentes viagens por cidades como Berlim, Viena, Praga, Bucareste, Estocolmo, Helsinque e Varsóvia. Além das cartas do próprio escritor, de Zélia e de parentes, há também cartões-postais e bilhetes, alguns deles trocados com os filhos Paloma e João Jorge. O livro fornece dados biográficos relevantes do período em que Jorge Amado escreveu e publicou seus maiores sucessos e permite conhecer um pouco mais do cotidiano do autor, de sua escrita íntima e de seus cuidados para com a família, os amigos e a literatura.

A Idade Média passo a passo, de Vincent Carpentier (Trad. Julia da Rosa Simões)
Quantos anos durou a Idade Média? Como era a vida em uma cidade da época? Qual era a importância da religião? De que maneira se transmitia a peste negra? Muitos se referiam à Idade Média como um tempo  de trevas. Mas, se esse período de mil anos entre a Antiguidade e o Renascimento tem seu lado tenebroso – com muita guerra, pestes e ignorância -, há outro, da cultura, que é repleto de riqueza. Este livro nos permite descobrir a vida cotidiana dos homens e das mulheres daquela época e penetrar em suas aldeias, cidades e mercados, onde monges, senhores e camponeses desenvolvem o ensino, inventam ferramentas agrícolas, constroem catedrais e castelos, traçam rotas e se deslocam pela Europa e pelo Oriente. Seguindo os passos dos arqueólogos, descubra mais um período apaixonante da história!

Editora Paralela

Não há dia fácil, de Mark Owen (Trad. Donaldson M. Garschagen)
Não há dia fácil é um retrato da vida nas equipes do Seal e o único relato interno sobre a Operação Lança de Netuno, realizada em 1º de maio de 2011, que resultou na morte do terrorista Osama bin Laden. Desde a pane no helicóptero Black Hawk – que quase fez com que a missão fosse abortada – até o comunicado pelo rádio via satélite confirmando que o alvo estava morto, a operação dos vinte e quatro homens na propriedade secreta de Bin Laden é recontada em mínimos detalhes. Das ruas de Badgá ao resgate do capitão Richard Phillips no oceano Índico; das montanhas ao leste de Cabul ao terceiro andar do esconderijo de Osama bin Laden em Abbottabad, no Paquistão. Não há dia fácil coloca o leitor dentro de uma das mais surpreendentes tropas de elite do mundo. Mark Owen, ex-membro do Grupo para o Desenvolvimento de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos, mais conhecido como Equipe Seis do Seal, foi líder de uma das mais memoráveis operações especiais da história recente, assim como de inúmeras outras missões que nunca chegaram às manchetes.

Semana cinquenta e um

Os lançamentos da semana são:

Ilustrado, de Miguel Syjuco (Tradução de Fernanda Abreu)
Crispin Salvador, escritor filipino de fama internacional, porém ignorado pela crítica de seu próprio país, aparece morto em Nova York sob circunstâncias obscuras. Com ele some o manuscrito do livro que iria incomodar muita gente e mudar de vez sua reputação. Seu jovem discípulo, um escritor filipino mais jovem e também no exílio, resolve investigar o caso e juntar as peças da biografia de Salvador, cuja trajetória tem inúmeros pontos em comum com a sua. Ilustrado é um romance inteligente, engraçado e habilmente construído, que transita com desenvoltura por vários tipos de registro para explorar as verdades ocultas que assombram qualquer família, e compor uma sátira vívida e multifacetada da cultura e da sociedade filipinas das últimas décadas. Vencedor do Man Asian Literary Prize, foi comparado Roberto Bolaño, Haruki Murakami e David Mitchell.

Tudo o que tenho levo comigo, de Herta Müller (Tradução de Carola Saavedra)
Romênia. Fim da Segunda Guerra Mundial. Leo Auberg, de origem alemã, tem dezessete anos, mora com os pais e os avós, estuda, e nas horas vagas vivencia seus primeiros e fortuitos encontros com outros homens, num país em que o homossexualismo é crime. Inesperadamente, porém, Leo é obrigado a pagar por outro crime. Stálin decreta a deportação das minorias étnicas alemãs para campos de trabalhos forçados, sob a acusação de terem colaborado com Hitler. Do dia para a noite, Leo é retirado de sua vida e encerrado num mundo de horror, desumanidade, torturas, fome e morte. Resta a ele apegar-se às palavras. Às palavras que dão sentido ao que não tem sentido algum. E que servem como âncora, profecia, salvação. Leo se apega, entre outras coisas, às palavras da avó, que ao vê-lo fazer a mala e se despedir, diz: “Eu sei que você vai voltar”. É preciso esperar o retorno. E que, finalmente, a guerra acabe.

A mulher de vermelho e branco, de Contardo Calligaris
Numa trama que une passado e presente em cidades como Nova York, São Paulo e Paris, Carlo Antonini se vê às voltas com duas mulheres misteriosas e fascinantes. Aparências enganosas, pistas deixadas para confundir, verdades construídas pelos mecanismos frágeis e subjetivos da memória, tudo se soma para tornar ainda mais complexa uma investigação que une elementos da psicanálise à ação dos melhores thrillers. Colunista da Folha de S. Paulo e autor de O conto do amor, Contardo Calligaris fará uma turnê de lançamento que começa amanhã, em São Paulo.

Ponto ômega, de Don DeLillo (Tradução de Paulo Henriques Britto)
Jim Finley é autor de uma única obra, um documentário que pouca gente viu. Seu novo projeto é um filme sobre a guerra. Entretanto, em vez de registrar cenas de combate, ele pretende fazer apenas uma entrevista. Para isso, procura Richard Elster, acadêmico e ex-funcionário do governo americano, que passou dois anos trabalhando no Pentágono, durante a Guerra do Iraque. A princípio, ele resiste a falar sobre a experiência. Mas depois convida Jim a passar uma temporada em uma casa no deserto. Na paisagem árida do Oeste americano, o jovem cineasta e o intelectual da guerra experimentam a lentidão da passagem do tempo. Ali, estão próximos do ponto ômega, em que a consciência caminha para um estágio essencial. Neste romance sobre as ambivalências da representação e os limites do humano, um evento indecifrável, porém, vem abalar a paz desse refúgio espiritual e desafiar as próprias convicções sobre arte e realidade, controle e acaso, guerra e paz.

Hamlet, de Andrew Mattews (Tradução de Érico Assis; Ilustrações de Tony Ross)
“Ser ou não ser? Eis a questão”: quem não conhece essa frase, uma das mais célebres de todos os tempos? Pois foi justamente desta tragédia que ela foi retirada. Aqui é Hamlet quem conta a sua história. Quando ouve o fantasma do pai dizer que foi assassinado pelo próprio irmão, Hamlet passa a ser atormentado pela dúvida: o fantasma do velho rei diz a verdade ou seria um demônio tentando fazê-lo cometer uma loucura? O jovem príncipe vai buscar desesperadamente a verdade. Nesta edição de, além de ter um primeiro contato agradável com o universo dos clássicos universais, as crianças poderão ler um prefácio de Flavio de Souza sobre os atrativos desta tragédia e dois posfácios: um sobre o tema da vingança na peça e outro sobre Richard Burbage, o ator mais famoso e requisitado no teatro de Londres nos tempos da rainha Elizabeth. Da mesma coleção, a Companhia das Letrinhas publicou Romeu e Julieta e Muito barulho por nada.

Do contrato social, de Jean-Jacques Rousseau (Tradução de Eduardo Brandão)
“O homem nasceu livre, e em toda parte vive acorrentado. O que se crê amo dos outros não deixa de ser mais escravo que eles. Como essa mudança se deu? Não sei. O que a pôde tornar legítima?” Este é o famoso enunciado que abre Do contrato social, tratado político escrito pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau e publicado pela primeira vez em 1762. Polêmico e controverso, o livro suscitou um debate que dura até os dias de hoje e que atravessa muitos campos do conhecimento humano. Rejeitando a ideia de que qualquer um tem o direito natural de exercer autoridade sobre o outro, Rousseau defende um pacto, o “contrato social”, que deveria vigorar entre todos os cidadãos de um Estado e que serviria de fonte para o poder soberano. Aos olhos de Rousseau, é a sociedade que degenera o homem, ele próprio um animal com pendor para o bem. Esta edição inclui prefácio do cientista político Maurice Cranston, em que ele examina as ideias políticas e históricas que influenciaram Rousseau.

Jean-Jacques Rousseau: a transparência e o obstáculo, de Jean Starobinski (Tradução de Maria Lucia Machado)
Neste livro já clássico, Jean Starobinski — a exemplo dos grandes humanistas — esquadrinha com o olhar do filósofo, do ensaísta, do médico, do músico e do crítico literário a obra de Jean-Jacques Rousseau. Delicadamente, dedica a mesma atenção à evidência e às sombras do espírito, interroga o sentido dos gestos começados e interrompidos, investiga a amarga reflexão de Rousseau ao ter de afrontar a perda de um mundo regido pela transparência e ser condenado a viver em um mundo mediado pela propriedade e pelas instituições. Apoiando suas análises na sensibilidade do artista e na razão do filósofo e cientista, Starobinski segue um duplo movimento, que alguns críticos chamam de “dialética das aparências”: interroga o mundo visível, denunciando as aparências enganosas, mas ao mesmo tempo dá a essas aparências um sentido novo.