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O mundo não está mais tão simples, né?

Por Fabio Uehara

Quando o carteiro trazia cartas. Na época em que lembrar do nome daquela música era um suplício, e a solução dependia daquele amigo que tinha dinheiro para comprar todos os discos e não te gravava uma fita cassete sequer. Se pintasse a dúvida “qual o nome do pintor das Niféias?” ou “como é mesmo o nome da capital da Iugoslávia?” você não tinha outra opção senão consultar a Barsa ou a Mirador. Se eu falasse que encontrei um amigo da escola, as pessoas logo imaginariam que eu esbarrei com ele na videolocadora ou na fila do orelhão.

Hoje essas situações não são mais que lembranças para muita gente. Dos objetos afetados pelas mudanças tecnológicas o livro é o que talvez interesse mais aos leitores deste blog. Então é sobre as mutações dele que eu vou falar. O livro se tornou independente do papel, um arquivo que roda em um software de um determinado hardware. Você pode lê-lo no celular, no computador, no tocador de música, no leitor de livros digitais Kindle, COOL-ER e iPad.

É muito fácil ter os seus livros em um pedaço de plástico. Carregar uma biblioteca ali, no formato de uma lousa mágica, com a tela cinza, onde as letras vão surgindo ao toque de um botão e se desenham quase como um mimeógrafo digital na sua frente. Em alguns casos o livro pode ser ditado para você. Mais alguns cliques e um dicionário também está lá, para que a solução chegue tão logo apareça a dúvida sobre o significado de uma palavra, junto com informações que a princípio não te interessavam, como a etimologia e os antônimos.

Qualquer livro já digitalizado pode estar ao seu alcance em segundos, basta seu cartão de crédito ter o limite necessário. Além dos e-readers, existem os tablets: pequenas maravilhas de vidro e plástico capazes de reproduzir tudo aquilo que antes precisava de uma TV, um videocassete, um videogame, um terminal de videotexto, um fax e, claro, de espaço físico no caso do armazenamento de livros e pilhas de revistas. Ou seja, para ser portátil, só com um caminhão da Granero. E, apesar da praticidade desses meios, não podemos dizer que o livro em papel é ou será um objeto em extinção. O objetivo desse post não é discutir o futuro do livro, e sim mostrar a variedade de meios pelos quais podemos lê-lo, suas vantagens e desvantagens:

  • E-readers (Sony Readers, COOL-ER, Kindle): tela ótima para leitura, diagramação dos livros simplificada (poucas fontes e ilustrações pobres), “apenas” para leitura. Ótimos para uma leitura rápida, aquisição prática de arquivos.
  • Tablets (iPad, Slater, e outros tantos a caminho): tela ótima para imagens e vídeos. Uso muito fácil. Possibilidade dos livros terem interação, áudio e vídeo. A tela emite luz, não dá para ler no escuro (parece que tem uma lanterna na sua cara), nem muito no claro (imagina ver TV na sala, ao meio-dia, com um baita sol batendo na janela sem cortinas). Esqueça a idéia de usar o iPad à beira de uma piscina em um dia ensolarado. Mas também, quem seria louco de deixar o iPad tão perto da água?
  • O livro de papel: não precisa de bateria nem conexão com internet. Dá pra ler  no sol, na penumbra ― minha mulher não reclama mais do abajur e sim do iPad! Se você for ler algo que exija mais que um terço dos seus neurônios, ler no papel é bem melhor.

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Fabio Uehara é designer, fã de gadgets e produtor gráfico da Companhia das Letras, onde coordena o departamento de arte dos selos Companhia das Letras, Cia. das Letras e Companhia de Bolso.

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