elisa braga

Quem é quem na Companhia das Letras

Nome: Elisa Braga

Há quanto tempo trabalha na editora? Este mês faz 25 anos. Na minha carteira profissional só tem o registro da Companhia das Letras.

Função: Sou diretora de produção. Trabalho com uma superequipe de 23 pessoas no departamento de produção, responsável por transformar o texto liberado pelo editorial em livro impresso. Escolhemos o tipo e o tamanho da letra, a mancha tipográfica, contratamos a diagramação, as revisões, encomendamos a capa, cuidamos das imagens, compramos o papel e os serviços gráficos, enfim, cuidamos da qualidade do produto final, sempre de olho nos custos e no prazo de publicação.

Um livro: O monge endinheirado, a mulher do bandido e outras histórias de um rio indiano, de Gita Mehta. Como tantos outros, este livro me atraiu pela capa, considerada uma inovação para a época. E tem uma bela história.

Sua parte favorita do trabalho: Toda vez que chega um livro da gráfica, principalmente quando participei do projeto de publicação desde o início, como os livros do Jorge Amado e a coleção Boa Companhia.

Por que você decidiu seguir essa carreira? Aos 15 anos, passeava com o meu pai na Bienal do Livro (naquela época ainda era no Ibirapuera!) e vi uma exposição dos trabalhos dos alunos do curso de Editoração, ali me apaixonei pelo processo de produção do livro. Tive certeza que queria fazer Editoração e fui até a USP para conhecer o curso. No último ano, dois meses antes de me formar, entrei na Companhia.

Uma história que você se lembre da editora: Sempre que um livro chega da gráfica, fazemos um controle de qualidade. Na hora de liberar o livro Nunca vai embora, de Chico Mattoso, percebemos que uma formiguinha foi impressa no meio do texto. É sempre muito difícil recusar uma tiragem inteira, e neste caso a Marta Garcia, editora do livro, resolveu consultar o autor, que pediu para deixar como um pequeno amuleto.

[Explicação sobre o caso raríssimo da formiguinha:]

No momento da gravação da chapa offset, uma formiguinha entrou na máquina e foi “gravada”, assim como o texto do livro, nesta matriz que é utilizada na impressão do livro.

25 anos em busca de qualidade

Por Elisa Braga

Muitas vezes vejo pessoas admiradas com a grande quantidade de profissionais envolvidos no processo de produção de um livro. Realmente é muita gente, são funcionários, colaboradores, parceiros, que precisam fazer bem a sua parte para o processo seguir adiante.

Em sua coluna desta semana na Folha de S.Paulo, Janio de Freitas cumprimenta a Companhia das Letras pelos seus 25 anos e diz “Os 25 anos da Companhia das Letras são mesmo para comemorar. Com sua chegada, o livro ganhou no Brasil um novo status, na elaboração carinhosa, no tratamento respeitoso ao texto, na elegância da identidade editorial. […] O significado da Companhia das Letras chegou até mesmo à indústria gráfica brasileira, obsoleta e extenuada, e de repente forçada a repor-se à altura das edições pretendidas”. Sempre ouvimos o Nelson Vido, sócio-diretor da Geográfica, nos agradecer por isso.

Ontem, quase às dez da noite, recebi uma mensagem do Fabio, nosso supervisor de produção de capas, dizendo que a Geográfica recebeu o Prêmio Fernando Pini da Indústria Gráfica, na categoria Livros de Texto, pela impressão dos doze volumes da “Coleção Prêmio Nobel ― 25 anos da Companhia das Letras“. Na produção desta coleção, trabalharam juntos, cuidando de cada detalhe, a minha superequipe (incluindo o Teco), a dupla de artistas gráficos Claudia Warrak e Raul Loureiro (adoramos trabalhar com vocês), e os sempre atenciosos funcionários da Geográfica. Parabéns e obrigada a todos.

Para nós do departamento de produção, este prêmio é um símbolo do reconhecimento da qualidade que sempre buscamos, com a participação essencial de todos os nossos parceiros, as gráficas (Bartira, Donnelley e Prol, além da Geográfica), a indústria de papel, os artistas gráficos, os ilustradores, os diagramadores e os revisores.

Nos próximos 25 anos, vamos continuar querendo mais.

* * * * *

Elisa Braga é diretora de produção e trabalha na Companhia das Letras desde 1987.

60,8 sextilhões de capas

Por Elisa Braga

O lançamento de livro mais bonito que já vi foi em 1988 na Livraria Cultura, no mesmo espaço onde hoje funciona a loja Companhia das Letras por Livraria Cultura. Na ocasião, ao invés do autor, a capa, ou melhor, as capas foram as estrelas da festa. O livro era Os escritores – As históricas entrevistas da Paris Review vol. 1, e cada um dos 3 mil exemplares da primeira edição foi pintado à mão pelos artistas plásticos Marco Mariutti e Clovis França, sobre projeto gráfico de João Baptista da Costa Aguiar. Foram quinze dias de produção, e no final, com o prazo ficando apertado, lembro de o Luiz e eu irmos ajudar os artistas a colocar as capas para secar em estantes de arame na gráfica do avô do Luiz. A Júlia Schwarcz, cronista deste blog, na época tinha 7 anos e também pintou uma capa, que depois foi comprada no lançamento, na frente dela, que ficou vigiando.

O Luiz pediu ao Pedro Herz, da Livraria Cultura, para forrar todas as prateleiras da loja com os livros pintados artesanalmente. Para todos os lados que olhássemos só se encontrava o mesmo título, e assim ficou “menos difícil” de os leitores escolherem o seu exemplar.

Este projeto realça o caráter de unicidade do livro, a ideia de que o livro é formado pela leitura, que é singular a cada leitor.

No ano passado, quando soube que iríamos fazer uma nova edição das entrevistas da Paris Review,  pensei em reeditar a ideia de capas únicas, mas agora utilizando as novas tecnologias gráficas que não param de aparecer. Chamamos a artista gráfica Flavia Castanheira e a gráfica R. R. Donnelley para juntos pensarmos na possibilidade de usar a impressão digital com dados variáveis (método que utiliza impressão digital e um software especial, permitindo personalizar cada parte de um projeto — é a tecnologia utilizada para imprimir o nome e o endereço do destinatário em correspondências, por exemplo). Deu certo: graças ao software que faz as diversas combinações, podemos ter 60,8 sextilhões de capas com variações nas cores das tarjas, na posição dos nomes dos entrevistados e no logo da editora.

Começamos com 3 mil!

[Veja mais fotos da nova edição e da edição original]

* * * * *

Elisa Braga é diretora de produção e trabalha na Companhia das Letras desde 1987.

A Companhia das Letras responde – parte 4

Nesta 4ª e última parte do “A Companhia das Letras responde”, temos mais dois vídeos. No primeiro, Fabiana e Thais falam sobre o trabalho de revisão:

No segundo, Elisa e Fabio falam sobre a escolha do design e da capa dos livros:

E, respondendo algumas questões que foram enviadas na última semana:

Rodrigo Strobel: Existe previsão de lançamento de A origem das espécies, de Charles Darwin, pela Penguin-Companhia das Letras?
R: Por enquanto não há previsão para lançarmos A origem das espécies, mas obrigado pela dica!

Luis: Olá, gostaria de saber quando o Asterios Polyp será lançado. Obrigado. (:
R: Asterios Polyp está previsto para junho.

Holq: Gostaria de saber quando o Mestres antigos, de Thomas Bernhard, será lançado. Além disso, vi que vocês lançarão Wilson, de Daniel Clowes — mas e quanto a David Boring e Ghost World, alguma previsão ou, ao menos, interesse em lançá-los? (E bem que vocês poderiam criar um espaço fixo para dúvidas e respostas sobre datas de lançamentos, né?) Um abraço.
R: Por enquanto não pretendemos lançar Mestres antigos nem as outras obras de Daniel Clowes. Todavia, Meus prêmios, de Thomas Bernhard, será lançado no meio do ano.  Quanto às datas de lançamento, você sempre pode nos perguntar pelo twitter ou pela nossa página de contato.

Muito obrigado a todos que enviaram perguntas e acompanharam os vídeos, esperamos que vocês tenham gostado!

Assista aos outros vídeos do “A Companhia das Letras responde”:

Parte 1: Maria Emilia, Thyago, André e Ana Paula respondem questões sobre processo de edição, Jorge Amado, tradução e aquisição de direitos autorais estrangeiros.

Parte 2: Júlia, Ana Maria e Helen explicam o processo de edição e produção dos livros infantis e juvenis.

Parte 3: Lucila, Julia, Vanessa e Otávio explicam o dia a dia do trabalho de edição e falam sobre a avaliação de manuscritos. Marta e Matinas falam sobre Daniel Galera, Lygia Fagundes Telles e jornalismo literário.