elizabeth gilbert

Semana duzentos e setenta

O grifo de Abdera, de Lourenço Mutarelli
Mauro é roteirista dos quadrinhos de Paulo. Os dois publicam sob a alcunha de Lourenço Mutarelli, e são representados publicamente pelo bêbado Raimundo. Mas a morte de Paulo forçará Mauro a tentar uma carreira solo com O cheiro do ralo, seu primeiro e bem-sucedido livro. É quando ele recebe de um estranho uma moeda antiga, o Grifo de Abdera, e sua vida muda. Oliver não conhece Paulo, Mauro, Raimundo ou Lourenço. Mas, quando Mauro recebe a moeda, uma conexão se forma entre eles. É este delicioso jogo que alimenta O grifo de Abdera, primeiro romance de Mutarelli desde Nada me faltará, de 2010. Um labirinto de obsessões, taras, perguntas e mistérios, acompanhado ainda de uma longa história em quadrinhos.

Primeiro amor, de Ivan Turguêniev
Em um passeio por sua casa de veraneio nos arredores de Moscou, o garoto Vladímir Petróvitch, filho único de uma família tradicional, vê uma moça exuberante brincando nos fundos da propriedade. Trata-se de Zinaida, filha de sua vizinha, por quem se apaixonará de forma avassaladora.  À medida que eles se aproximam, fica claro quem está no controle da situação. Disposto a tudo para ser correspondido, Vladímir terá de aprender rapidamente o intrincado jogo da sedução, em que as regras são tão aleatórias quanto obscuras. Admirado por Henry James e Gustave Flaubert, Ivan Turguêniev foi o primeiro autor russo a ser traduzido na Europa, reconhecido, ainda em vida, como um dos grandes escritores de sua época.

Contos de odessa, de Isaac Bábel
No alvorecer do século XX, Odessa, na Ucrânia, era uma dessas cidades que, como Paris e Nova York, atraíam todo mundo: comerciantes do Leste, marujos, minorias, estudantes, bandidagem. A cidade portuária fervilhava; os jornais estampavam notícias sensacionalistas e a população se amontoava em cortiços. O sublime e o grotesco apareciam em um simples passeio pelas ruas. É este mundo que vem à tona nos contos de Isaac Bábel. Em uma prosa sintética e cortante, o escritor – que renovou a narrativa curta – captura a vida da cidade, com foco na comunidade judaica. Como em um filme de Tarantino, figuras violentas e burlescas de ladrões e mafiosos cômicos aparecem registradas de maneira quase jornalística.

Editora Alfaguara

Homens sem mulheres, de Haruki Murakami
Murakami é um autor capaz de criar universos próprios, que se desdobram em romances de fôlego e personagens cativantes. Mas ele é também um excelente contista, e sua produção mais recente está reunida neste volume: sete histórias que tratam de relações amorosas e trazem o estilo único do autor. São contos sobre o isolamento e a solidão que permeiam as relações amorosas: homens que perderam uma mulher depois de um relacionamento marcado por mal-entendidos. No entanto, as verdadeiras protagonistas destas histórias — cheias de referências à música, a Kafka, às Mil e uma noites e, no caso do título, a Hemingway — são as mulheres, que misteriosamente invadem a vida dos homens e desaparecem, deixando uma marca inesquecível na vida daqueles que amam.

Editora Objetiva 

A grande magia, de Elizabeth Gilbert
De volta à não-ficção, Elizabeth Gilbert compartilha histórias pessoais, de amigos e pessoas que sempre a sinpiraram, e reflete sobre oq ue significa vida criativa. Segundo ela, ser criativo não é estar voltado exclusivamente às artes: uma vida criativa é aquela motivada pela curiosidade. Uma vida mais ampla, um ato de coragem. A partir de uma perspectiva única, Grande Magia nos mostra como abraçar essa curiosidade e nos entregar àquilo que mais amamos: escrever um livro, encontrar novas formas de lidar com as dificuldades no trabalho, embarcar de vez em um sonho sempre adiado ou simplesmente acrescentar paixão à vida cotidiana. Com profunda empatia e generosidade, Elizabeth Gilber oferece poderosas reflexões sobre os mistérios da inspiração.

Sete breves lições de física, de Carlo Rovelli
Sete breves lições de física traz pequenas lições que nos guiam, com simplicidade e clareza, pelas revoluções científicas que transformaram os séculos XX e XXI. Nesta linda e comovente introdução à física moderna, Carlo Rovelli explica a teoria geral da relatividade de Einstein, a mecânica quântica, os buracos negros, as partículas elementares, a gravidade e a complexa arquitetura do universo. Best seller na Itália, Sete breves lições de física é um livro sobre a alegria da descoberta. “À beira daquilo que sabemos, em contato com o oceano do desconhecido, reluzem o mistério e a beleza do mundo” escreve Rovelli. “E é de tirar o fôlego”.

Alfaguara

Maracanazo, de Arthur Dapieve
Arthur Dapieve mescla ficção e realidade para compor cinco histórias que mostram uma enorme coesão narrativa, seja na sua atualidade, seja no seu impacto. No primeiro conto, dois garotos pegam onda no mar batido de Copacabana, sem saber que estão prestes a enfrentar um evento inesperado. Os dois contos seguintes apresentam o universo da música — em um concerto em Viena, em 1939, e em um ensaio do Pink Floyd em Londres. Já “Bloqueio” descreve uma situação absurda de uma pessoa que se vê num impasse nas ruas do Rio. “Maracanazo”, história que fecha o volume, é um relato surpreendente que se inicia com a partida que eliminou a seleção espanhola da Copa do Mundo de 2014.

Suma de Letras

Antes que aconteça, de Juliana Parrini
Isabel passou um ano fugindo. Depois de uma grande desilusão, ela não acreditava que conseguiria ser feliz novamente. Até que conhece Daniel e decide recomeçar. Quando Isabel finalmente dá uma segunda chance ao amor, o destino a surpreende com uma notícia que poderá mudar sua vida para sempre. Em Antes que aconteça, o desfecho de Depois do que aconteceu, Isabel terá a chance de reencontrar o passado e lutar pela sua felicidade.

Paralela

After – Depois da promessa, de Anna Todd
Bem quando Hardin acreditava já ter enfrentado todos os fantasmas de seu passado, um terrível segredo sobre seus pais é revelado, despertando os seus piores demônios internos. Tessa sabe que só ela tem o poder de aliviar todos os sentimentos de raiva, traição e confusão que afligem seu amado badboy. Só ela sabe como salvá-lo de seu ciclo de autodestruição. Mas, dessa vez, ela não pode. Porque, quando menos espera, sua vida é para sempre alterada por uma tragédia. Hardin e Tessa prometem lutar com todas as suas forças para que o destino não os separe para sempre. Mas o que acontecerá quando suas forças chegarem ao fim? Depois da promessa… qual será o desfecho dessa história?

 

 

 

Gênio criativo

Por Fernanda Pantoja 

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Quando o livro de memórias Comer, rezar, amar, de Elizabeth Gilbert, foi publicado pela Editora Objetiva em 2007, ele já era um acontecimento de vendas nos Estados Unidos. Ocupou por mais de cinquenta semanas o primeiro lugar na lista de mais vendidos do New York Times e vendeu mais de dez milhões de exemplares em trinta países — no Brasil, quase 1 milhão. O número brasileiro impressiona, sobretudo por ser um livro de não ficção escrito por uma autora americana sem notoriedade por aqui. Na história, a autora parte para uma viagem de autoconhecimento na Itália, na Índia e na Indonésia, onde se apaixona por um brasileiro, com quem é casada até hoje.

Gilbert escrevia ficção, e jamais poderia esperar a enorme repercussão de Comer, rezar, amar. Em 2009, ainda colhendo os frutos do sucesso de suas memórias, apresentou uma palestra no TED, na qual discorre sobre nosso gênio criativo, o processo de escrever Comer, rezar, amar e como foi lidar com o peculiar, assustador e mega bombástico — em suas próprias palavras — sucesso internacional do livro. O vídeo foi acessado por mais de dez milhões de pessoas e figura entre os dez mais assistidos de todos os tempos. Em 2014, já tendo publicado Comprometida, uma espécie de continuação de Comer, rezar, amar, e sido interpretada por Julia Roberts nos cinemas, apareceu novamente no TED e falou mais uma vez sobre criatividade. Nos dois momentos, a autora discursa de forma apaixonada sobre a necessidade de repensarmos nosso relacionamento com o processo criativo, de o dissociarmos da declaração do escritor americano Norman Mailer, que em sua última entrevista, pouco antes de morrer, afirmou que “cada um dos meus livros me matou um pouco”.

De volta à não ficção com o livro Grande Magia, que a Objetiva publicará em outubro, alguns dias após o lançamento nos Estados Unidos, Elizabeth Gilbert lança mão de relatos autobiográficos para ampliar suas reflexões sobre criatividade. E, dessa vez, faz questão de esclarecer que viver criativamente não é apenas viver dedicando-se profissional ou exclusivamente às artes: uma vida criativa é aquela motivada pela curiosidade, uma vida sem medo, um ato de coragem.

Assista aos vídeos:

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Fernanda Pantoja é editora do selo Objetiva.