eric williams

Semana noventa e quatro

Os lançamentos da semana são:

Antropofagia, de Caetano Veloso

Desnecessário apresentar o autor deste ensaio. Uma das figuras mais importantes da nossa cultura, Caetano Veloso é tão múltiplo quanto sua obra. Para além do trabalho musical, ele é antes de tudo um pensador do Brasil. Política, sociologia, arte: nenhum assunto está longe de seu campo de interesse. Publicado em 1997 como capítulos do livro Verdade tropical, este ensaio-memória remonta ao encontro de Caetano com o legado  dos modernistas, em especial a obra de Oswald de Andrade. A partir de uma montagem da peça O rei da vela, pelo Teatro Oficina, de José Celso Martinez Corrêa, em 1967, Caetano refaz o trajeto intelectual que culminaria na apropriação do conceito de antropofagia pelos tropicalistas. Ao mesmo tempo, traça um retrato afetivo dessa época de efervescência cultural e política, da qual ele foi um dos principais protagonistas.

Capitalismo e escravidão, de Eric Williams (Tradução de Denise Bottmann)

Este livro é um dos marcos fundadores da historiografia sobre a escravidão negra nas Américas, com grandes desdobramentos nos estudos sobre a história do Brasil. Eric Williams foi o primeiro autor a relacionar de modo sistemático a formação do capitalismo inglês à escravidão em massa dos africanos no Novo Mundo. Publicado no final da Segunda Guerra, o livro abriu caminho para toda uma linhagem de investigações sobre o problema do desenvolvimento desigual na arena da economia mundial capitalista, ao combinar a abordagem econômica da história a fortes argumentos morais. Com base em uma perspectiva profundamente inovadora, pioneira em apontar como os processos históricos desenrolados no espaço atlântico constituíram uma unidade orgânica, Williams inscreveu a escravidão no cerne da gênese do mundo moderno. Em nova tradução para o português, o livro prova manter a capacidade de gerar debate — e de instigar a imaginação histórica.

Zeus e a conquista do Olimpo, de Hélène Montardre (Tradução de Dorothée de Bruchard)

Uma terrível profecia dizia que algum dos filhos de Cronos um dia lhe tomaria o trono. Assombrado com o mau agouro, o terrível deus do tempo engole todos os seus descendentes, menos o caçula, Zeus. Anos depois, em um pequeno vale de Creta, Zeus decide que chegou o momento de enfrentar o pai. Cara a cara com Cronos, ele recupera seus irmãos e se instala no alto do Olimpo, fundando uma nova raça de deuses, da qual será o chefe — os olimpianos. E tudo estaria perfeito se não fossem os terríveis titãs, que não se conformam com a derrota de Cronos…É assim que o herói inicia sua mais perigosa jornada: das profundezes da Terra ele liberta os ciclopes, gigantes de um olho só, para juntos entrarem em guerra contra os titãs. Dez anos se passam até que o exército de Zeus finalmente consegue vencer. Mas quem disse que a paz reinaria a partir de então? Agora o grande deus dos deuses precisa encontrar uma esposa e se certificar de que a profecia não se concretize mais uma vez.