fernando henrique cardoso

Semana trezentos

Diários da Presidência 1997-1998, de Fernando Henrique Cardoso
Os bastidores da emenda da reeleição, crises internacionais e pressões especulativas contra a moeda brasileira, indecisões de fundo quanto à política cambial, a morte de dois fiéis escudeiros, supostos “escândalos” e chantagens. Neste volume de seus diários (1997-1998), Fernando Henrique Cardoso registra alguns dos maiores desafios — tanto políticos quanto macroeconômicos — de seus anos no poder e transmite ao leitor a sensação palpável do áspero cotidiano presidencial. Em meio à tenaz batalha para a implementação de reformas modernizadoras, tendo por aliados setores arcaicos do país ante a impossibilidade de acordo com a esquerda tradicional, o então presidente encontra tempo para reflexões premonitórias sobre o jogo de forças da política brasileira. Leitura indispensável para a compreensão do país hoje.

A memória rota, de Arcadio Díaz-Quiñones (Tradução de Pedro Meira Monteiro)
Em 1993, Arcadio Diaz-Quinones, um dos maiores intelectuais de Porto Rico, publicou La memoria rota, livro de ensaios sobre a polarização do mundo durante a Guerra Fria e a situação porto-riquenha. Mais de duas décadas depois, chega ao Brasil esta edição que reúne reflexões sobre o Caribe e um extenso caderno de fotos. Antologia inédita, traduzida e selecionada pelo professor da Universidade de Princeton Pedro Meira Monteiro, A memória rota reflete sobre as relações entre literatura e história, o poder das palavras e da cultura nas ilhas caribenhas. Um trabalho profundo e contundente sobre a história de um lugar que, embora geográfica, política e culturalmente distinto, dialoga muito com a realidade brasileira.

Histórias Naturais, de Marcílio França Castro
Exibindo um fantástico domínio técnico, um olhar original sobre as relações humanas e um ponto de vista singular para tratar a matéria imaginativa, Marcílio França Castro se debruça sobre as estranhezas que compõem a vida cotidiana. Um dublê de mãos em filmes sobre escritores explora a relação entre o ritmo do dedilhado e o estilo de seus escritos. O assistente de um velho ator nota que este já não diferencia sua vida e as peças em que atuou. A partir de situações aparentemente corriqueiras, um mundo de extravagâncias absorve o leitor, fazendo-o desconfiar das armadilhas que construímos para nós mesmos e para os outros. Tudo isso sem que se perca de vista o prazer das melhores histórias.

A teus pés, de Ana Cristina Cesar
A teus pés é o primeiro e único livro de poemas que Ana Cristina Cesar lançou em vida por uma editora, em 1982. Além de material inédito, a obra reunia os três breves volumes que a autora havia publicado entre 1979 e 1980 em edições caseiras: Cenas de abril, Correspondência completa e Luvas de pelica. Desafiando o conceito de “literatura feminina” e dissolvendo as fronteiras entre prosa, poesia e ensaio, o eu lírico e o eu biográfico, Ana logo chamou a atenção de críticos como Heloisa Buarque de Hollanda e Silviano Santiago.

Caprichos & relaxos, de Paulo Leminski
Em 1983 Paulo Leminski lançava um livro que se tornaria best-seller na época e um clássico para as futuras gerações. Ali estavam os principais poemas que o curitibano tinha escrito até então, muitos inéditos e outros publicados em edições independentes ou na revista de arte e vanguarda Invenção, encabeçada pelos irmãos Augusto e Haroldo de Campos e por Décio Pignatari. Os pais da poesia concreta no Brasil haviam adotado aquele jovem poeta ilustrado, audacioso e contundente. No mesmo ano, a crítica Leyla Perrone-Moisés cunharia o célebre epíteto “samurai malandro”, reconhecendo no autor o pacto entre a precisão oriental e o jogo de cintura tipicamente tropical.

Me segura qu’eu vou dar um troço, de Waly Salomão
Em 1970, Waly Salomão esteve preso no Carandiru por portar, nas palavras do próprio poeta, “uma bagana de fumo”, e ali começou a escrever seu primeiro livro, Me segura qu’eu vou dar um troço, publicado dois anos mais tarde. Entre a prosa, a poesia e o ensaio, esta obra visceral e revolucionária se tornou determinante para o movimento de contracultura que floresceu no Brasil naquela década, tendo inspirado a apreciação crítica de leitores como Antonio Candido, Heloisa Buarque de Hollanda e Antonio Cicero. Incluído em Poesia total, este clássico contemporâneo capaz de nocautear o leitor por sua densidade e potência volta às livrarias em sua forma avulsa, com cronologia inédita do autor.

Suma de Letras

A guerra dos mundos, de H.G. Wells (Tradução de Thelma Médici Nóbrega)
Publicado pela primeira vez em 1898, A guerra dos mundos aterrorizou e divertiu muitas gerações de leitores. Esta edição especial contém as ilustrações originais criadas em 1906 por Henrique Alvim Corrêa, brasileiro radicado na Bélgica. Conta também com um prefácio escrito por Braulio Tavares, uma introdução de Brian Aldiss, membro da H. G. Wells Society, e uma entrevista com H. G. Wells e o famoso cineasta Orson Welles — responsável pelo sucesso radiofônico de A guerra dos mundos em 1938 —, que fazem desta a edição definitiva para fãs de Wells.

Paralela

52 mitos pop, de Pablo Miyazawa
O cenário pode variar: o recreio da escola, a mesa de um bar, o cafezinho do trabalho. Mas quem nunca se viu numa discussão sobre temas como “Han Solo atirou primeiro” (no “Episódio IV” de Guerra nas estrelas) ou “a máfia matou Bruce Lee” ou “Os Simpsons são capazes de prever o futuro”? Se esse tipo de conversa era comum no passado, a internet, esse terreno fértil para espalhar lendas urbanas, fez que ficasse cada vez mais frequente. Ele mesmo um habitué desse tipo de discussão, Pablo Miyazawa decidiu usar seus conhecimentos como um dos jornalistas de cultura pop mais respeitados do país para tentar separar o que é fato do que é ficção. O resultado é um livro divertido e fácil de ler, repleto de anedotas e histórias de bastidores. Informativo sem nunca ficar restrito somente aos fãs de cada tema. Indispensável para viciados em cultura pop (e não somos todos hoje em dia?) ou simplesmente para quem tem um fraco por teorias da conspiração da internet (de novo, todos nós).

Os melhores livros de 2015

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Já é tradição fazermos um balanço no blog dos melhores livros do ano que passou. Reunimos neste post diversas listas de importantes veículos da imprensa nacional que escolheram os destaques de 2015. Se você perdeu algum lançamento e procura uma boa história para ler agora em 2016, conheça os livros do Grupo Companhia das Letras que mais se destacaram no último ano.

Entre o mundo e eu

Em Entre o mundo e eu, Ta-Nehisi Coates relembra seus momentos da infância em Baltimore e sobre como as tensões raciais sempre estiveram presentes em um Estados Unidos que se recusa a acordar do sonho americano. Na lista de melhores livros de: O GloboRisca Faca.

Dois irmãos

O grande e trágico épico de Milton Hatoum adaptado por dois dos mais extraordinários quadrinistas da atualidade, Fábio Moon e Gabriel Bá, entrou na lista de melhores HQs do ano do site Risca Faca.

Jeito de matar lagartas

Vencedor do Prêmio APCA na categoria contos/crônicas, o livro de Antonio Carlos Viana narra histórias do cotidiano aparentemente banais, mas que tocam em questões fundamentais como o envelhecimento, o sexo (ou a ausência dele) e a solidão. Na lista de melhores livros de: O Globo e Suplemento Pernambuco.

A capital da vertigem

No segundo livro de Roberto Pompeu de Toledo sobre a cidade de São Paulo, o jornalista faz um panorama monumental da capital, sobre como surge uma cidade que deixa a condição de vila e se impregna com a fuligem das chaminés, o vapor das fábricas e a fumaça dos automóveis.Na lista de melhores livros do Risca Faca.

Submissão

Em Submissão, Michel Houellebecq faz uma sátira precisa, devastadora, sobre os valores da nossa própria sociedade, e foi também um dos livros mais comentados de 2015. Na lista de melhores livros de: Estado de S. Paulo, El País BrasilJornal Opção e Veja

A noite do meu bem

A noite do meu bem, novo livro de Ruy Castro, mergulha na vida noturna da capital carioca nos anos 1940, 50 e 60 para contar a história do samba-canção, e entrou na lista de melhores livros do jornal O Globo.

A ilha da infância

Terceiro livro da série Minha Luta, de Karl Ove Knausgård, este volume narra a infância do autor em uma pequena ilha da Noruega. A ilha da infância está na lista de melhores livros do ano do Risca Faca.

Ainda estou aqui

Após 35 anos do lançamento de Feliz Ano Velho, Marcelo Rubens Paiva volta a falar sobre a história de sua família durante a ditadura militar em Ainda estou aqui. Concentrando o relato também em sua mãe, Eunice, o livro entrou na lista de melhores livros de O Globo.

A queda do céu

Davi Kopenawa, grande xamã e porta-voz dos Yanomami, e o antropólogo francês Bruce Albert oferecem neste livro um relato excepcional sobre a realidade indígena, ao mesmo tempo testemunho autobiográfico, manifesto xamânico e libelo contra a destruição da floresta Amazônica. Na lista de melhores livros de: O Globo e Suplemento Pernambuco.

O livro das semelhanças

O livro das semelhanças desperta o leitor para o prazer sempre iluminador e sensível de uma das vozes mais originais da poesia brasileira: Ana Martins Marques. Na lista de melhores livros de: O Globo e Suplemento Pernambuco

Revival

Revival, publicado no Brasil pela Suma de Letras, é uma história eletrizante de Stephen King sobre vício, fanatismo e o que existe do outro lado da vida. Está na lista de melhores livros da revista Veja.

O amor das sombras

Os contos de Ronaldo Correia de Brito em O amor nas sombras falam de traição, repressão, segredos e linhagens assombradas por uma herança de violência. A cada conto, a cada personagem, ele revela algo novo, sempre buscando um caminho distinto. Na lista de melhores livros de: O Globo e Suplemento Pernambuco.

A zona de interesse

A zona de interesse, de Martin Amis se passa em Auschwitz em 1942, e cada um dos vários narradores do livro testemunha o horror inominável  do campo de concentração a sua maneira. Na lista de melhores livros da Veja.

Brasil: Uma biografia

Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa M. Starling tratam o país como um personagem em Brasil: Uma biografia, livro com texto acessível que propõe uma nova e pouco convencional história do Brasil. Na lista de melhores livros do Suplemento Pernambuco.

Diários da presidência

Durante seus dois mandatos como presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso manteve o hábito quase semanal de registrar, num gravador, o dia a dia do poder. O primeiro volume de Diários da presidência, que traz a transcrição dos dois primeiros anos de FHC como presidente, entrou na lista de melhores livros do Jornal Opção.

Escuta

Com Escuta, Eucanaã Ferraz mais uma vez avança em sua escrita e confere vigor a toda a poesia brasileira. É o que levou o livro a figurar na lista de melhores do ano do Suplemento Pernambuco.

Assim começa o mal

Tendo como título um verso da tragédia shakespeariana Hamlet, o novo romance de Javier Marías apresenta um olhar arrebatador e inesquecível sobre o desejo e o rancor tendo como cenário a Madri pós-ditadura franquista nos anos 1980. Na lista de melhores livros de: Suplemento Pernambuco e Jornal Opção.

Uma menina está perdida no seu século à procura do pai

Hannah, de 14 anos, é portadora de uma doença congênita e está perdida. No cenário de destruição da Europa após a Segunda Guerra Mundial, ela encontra Marius, um homem que guarda seus próprios segredos e parte com a menina em busca de seu pai. O livro de Gonçalo M. Tavares está na lista de melhores livros do Suplemento Pernambuco.

Assim foi Auschwitz

Primo Levi e Leonardo De Benedetti, logo após o fim da Segunda Guerra, são encarregados de elaborar um relatório detalhado sobre as abomináveis condições de saúde dos campos de concentração. O relato está em Assim foi Auschwitz, que entrou na lista de melhores livros do Jornal Opção.

Semana duzentos e setenta e três

 

Diários da Presidência 1995-1996 (Volume1), Fernando Henrique Cardoso
Os diários têm a franqueza das confissões deixadas à posteridade – como de fato era a intenção original do autor. Neles transparecem as hesitações do cotidiano, os julgamentos duros de amigos próximos, os pontos de vista que mudam com os fatos, as afinidades que se criam e as que arrefecem. Para o leitor, são não só uma janela aberta para a intimidade do poder como uma ferramenta valiosa para a compreensão do Brasil contemporâneo. Os registros orais de FHC foram transcritos por Danielle Ardaillon, curadora do acervo da Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso, revistos pelo autor e pela editora, e serão organizados em quatro volumes bianuais (1995-6; 1997-8; 1999-2000; 2001-2). Os dois primeiros anos compreendem quase noventa horas de gravação, decupadas a partir de 44 fitas cassete, que renderam mais de novecentas páginas.

Doutor Fausto, Thomas Mann (Tradução de Herbert Caro)
Último grande romance de Thomas Mann,Doutor Fausto foi publicado em 1947. O escritor fez uma releitura moderna da lenda de Fausto, na qual a Alemanha trava um pacto com o demônio – uma brilhante alegoria à ascensão do Terceiro Reich e à renúncia do país a sua própria humanidade. O protagonista é o compositor Adrian Leverkühn, um gênio isolado da cultura alemã, que cria uma música radicalmente nova e balança as estruturas da cena artística da época. Em troca de 24 anos de verve musical sem paralelo, ele entrega sua alma e a capacidade de amar as pessoas. Mann faz uma meditação profunda sobre a identidade alemã e as terríveis responsabilidades de um artista verdadeiro.

A morte em Veneza & Tonio Kröger, Thomas Mann (Tradução de Herbert Caro e Mario Luiz Frungillo)
A morte em Veneza (1912), aqui na tradução de Herbert Caro, é uma das novelas exemplares da moderna literatura ocidental. A história do escritor Gustav von Aschenbach, que viaja a Veneza para descansar e lá se vê hipnotizado pela beleza do jovem polonês Tadzio, mais tarde daria origem ao notável filme homônimo do diretor italiano Luchino Visconti, de 1971. O volume traz ainda Tonio Kröger, narrativa de 1903 que Thomas Mann declarava ser uma de suas favoritas. A novela tem diversos traços autobiográficos e está centrada na relação entre artista e sociedade, um tema muito caro à obra de ficção do escritor, sobretudo nos primeiros trabalhos. A nova tradução é de Mario Luiz Frungillo.

A vida dos elfos, Muriel Barbery (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar)
Maria e Clara são jovens órfãs unidas por dons secretos. A chegada de Maria a uma granja na Borgonha traz prosperidade à terra, o que leva todos a acreditarem que a menina conversa com a natureza. Enquanto isso, Clara cresce numa aldeia perdida nos Abruzos, no sul da Itália, aprende italiano “na velocidade do milagre” e, depois de se revelar um prodígio no piano, é enviada a Roma para desenvolver sua veia musical. As duas garotas, cada uma à sua maneira, se comunicam com um mundo misterioso que garante à vida dos homens sua profundidade e beleza, mas ao mesmo tempo oferece uma ameaça grave contra nossa espécie. As sombras da guerra e do mal avançam, e só Maria e Clara poderão combatê-las, reinstaurando a paz. Mas elas ainda não compreendem os muitos enigmas que as envolvem. De onde vêm? O que as conecta?

Benjamin Franklin, Walter Isaacson (Tradução de Pedro Maia Soares)
Um dos chamados Pais Fundadores dos Estados Unidos, Benjamin Franklin está entre as figuras mais influentes de sua época, cujas descobertas científicas e ideias filosóficas e de negócios reverberam mundo afora. É também um homem de carne e osso que foi fundamental no desenvolvimento do que é hoje a nação mais poderosa do mundo. Nessas páginas, Walter Isaacson – autor do best-seller Steve Jobs: A biografia – narra a tumultuada trajetória desse escritor, cientista, inventor, diplomata e jornalista. Isaacson mostra como essa vida inacreditável ultrapassa o seu próprio tempo, e como a colaboração de Franklin em documentos como a Declaração de Independência Americana ajudou a moldar o mundo moderno.

Um crime na Holanda, Georges Simenon (Tradução de André Telles)
Quando um professor francês em visita a um pacato vilarejo da Holanda se vê acusado de assassinato, o comissário Maigret é enviado para investigar o caso.
A comunidade parece satisfeita em acusar um estrangeiro desconhecido, mas há pessoas do lugarejo que sabem muito mais do que aparentam: Beetje, a filha insatisfeita de um fazendeiro da região, Any van Elst, cunhada do falecido, e um notório vigarista local.
Nesta sétima jornada de Maigret – Simenon escreveu 75 livros com o personagem -, o carismático investigador francês aprende a duvidar de suas certezas.

Seguinte

Star Wars: A arma de um jedi, Jason Fry (Tradução de Álvaro Hattnher)
Nesta história, que se passa entre Uma nova esperança (episódio IV) e O Império contra-ataca (episódio V), Luke está no meio de uma tarefa para a Aliança Rebelde quando um chamado da Força o leva até Devaron, um planeta misterioso onde há muito tempo erguia-se um templo Jedi, agora reduzido a ruínas.
Luke decide se desviar temporariamente da missão e seguir aquele chamado, com a ajuda de um guia local corajoso o suficiente para ignorar as lendas que diziam que o lugar era mal-assombrado. Em meio aos escombros, Luke descobrirá que, mesmo sem um mestre, poderá continuar seu treinamento Jedi – isto é, caso consiga sobreviver à sua primeira batalha com um sabre de luz. Nesta série, você encontrará aventuras inéditas de seus personagens favoritos, além de algumas caras novas. Mas leia com atenção! Há pistas escondidas nas páginas dos livros, que dão dicas preciosas sobre o episódio VII, O despertar da Força!

Star Wars: Alvo em movimento, Jason Fry e Cecil Castellucci (Tradução de Érico Assis)
Nesta história, que se passa entre O Império contra-ataca (episódio V) e O retorno de Jedi(episódio VI), Leia descobre que o Império está construindo uma nova Estrela da Morte e, enquanto o alto-escalão da Aliança organiza um ataque, a princesa bola um plano para ajudar: atrair parte da frota imperial para outro setor da galáxia, distante de onde o verdadeiro ataque iria acontecer. Para isso, ela precisará passar por três planetas do setor Corva, recrutando líderes para uma reunião da causa rebelde. A primeira parada seria no planeta rochoso de Basteel, seguida pelo planeta aquático de Sesid e terminando nas terras rurais de Jaresh. Logo Leia chama a atenção do Império, conforme o planejado – mas talvez um Destróier Estelar e uma capitã implacável em sua cola sejam demais! Nesta série, você encontrará aventuras inéditas de seus personagens favoritos, além de algumas caras novas. Mas leia com atenção! Há pistas escondidas nas páginas dos livros, que dão dicas preciosas sobre o episódio VII, O despertar da Força!

Star Wars: A missão do contrabandista, Greg Rucka (Tradução de André Czarnobai)
Nesta história, que se passa entre Uma nova esperança (episódio IV) e O Império contra-ataca (episódio V), Han e Chewie precisam pilotar a Millennium Falcon numa missão ultrassecreta da Aliança Rebelde: resgatar o tenente Ematt, um oficial da Rebelião que está sozinho e desprotegido no venenoso planeta de Cyrkon.
A dupla viaja até lá e logo percebe que a missão será bem complicada, já que Han Solo está sendo procurado por todos os contrabandistas da galáxia, que querem levá-lo a Jabba para receber uma alta recompensa. Para piorar, a oficial do Império Alecia Beck também está no planeta procurando por Ematt. Agora, Han precisa encontrá-lo e fugir dali o quanto antes – para seu próprio bem. Nesta série, você encontrará aventuras inéditas de seus personagens favoritos, além de algumas caras novas. Mas leia com atenção! Há pistas escondidas nas páginas dos livros, que dão dicas preciosas sobre o episódio VII, O despertar da Força!

Claro Enigma

A Grécia Antiga passo a passo, de Éric Teyssier e Éric Dars (Tradução de Julia da Rosa Simões)
Grécia antiga passo a passo faz um passeio pela cultura grega em suas muitas facetas, desde as informações mais comuns até as descobertas científicas nos campos física, matemática e astrologia. E ainda traz curiosidades culturais como o repúdio à profissão de pescador, que “ousava” viver como os deuses, e o status dos piratas, que eram bem vistos pela sociedade. Com leveza e humor, o leitor entenderá que o legado dessa antiga civilização está muito mais próximo de nosso cotidiano do que conseguimos imaginar.

Feliz aniversário com um documento histórico

Por Luiz Schwarcz

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Danielle Ardaillon durante debate sobre curadoria e acervo de documentos públicos (Magdalena Gutierrez/Acervo Pr.FHC)

niverHoje, terça-feira, dia 27 de outubro, a Companhia das Letras celebra 29 anos de vida. Em algum momento deste mesmo dia, chegarão às minhas mãos alguns exemplares do primeiro volume dos Diários da presidência, de Fernando Henrique Cardoso. Trata-se de um documento histórico sem precedentes, para ser lido como talvez a mais profunda radiografia do poder no Brasil — tanto por simpatizantes como por opositores do seu autor.

Para nós da Companhia, este é, portanto, um dia da maior importância. O término da manufatura deste livro — sim, edição ainda tem muito de manufatura — é um daqueles momentos que permitem vislumbrar como a Companhia vem evoluindo no seu trabalho editorial. Tal sensação ocorreu em vários momentos da minha vida de editor, como durante a realização da coleção História da vida privada no Brasil, dirigida por Fernando Novais; ou com os quatro volumes da História da Ditadura Militar no Brasil, de autoria de Elio Gaspari — estes últimos, infelizmente, não fazem mais parte de nosso catálogo. Neste ano, há alguns meses, senti o mesmo com a edição de Brasil: uma biografia, de Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, por ter sido um livro de encomenda, realizado em conjunto com a Penguin, no qual a atuação editorial se deu desde a ideia inicial até a confecção final do livro — com dez capas de cores diferentes, simbolizando um dos pontos-chave do texto, onde as autoras exploraram, entre outros temas, o assim chamado enigma racial brasileiro.

Os Diários da presidência cobrirão os oito anos em que Fernando Henrique Cardoso governou o país e serão publicados em quatro volumes, em princípio em menos de dois anos. O calor do relato gravado a cada semana pelo presidente mostra, sem retoques, a solidão do poder, as agruras e fragilidades do cargo. O texto é límpido e transparente. Não sei julgar se há outros retratos sobre o funcionamento do poder com este grau de profundidade publicados em outros países. Aqui, como escrevi acima, certamente não há.

A grande realização editorial — depois das gravações feitas solitariamente por FHC — começou no Instituto que leva o seu nome e foi comandada por uma fantástica antropóloga argelina, radicada há décadas no Brasil, Danielle Ardaillon, que cuidou da manutenção das fitas e de sua transcrição. Há poucos profissionais do nível de Danielle no Brasil, juntando-se todas as áreas possíveis e imagináveis. Um jornalista escritor que conheci bem costumava dizer que gostara tanto do trabalho de nossa preparadora Márcia Copola que ela seria sua candidata ao Ministério da Economia do Brasil, cargo que reúne historicamente os maiores desafios profissionais do planeta. Pois, fazendo uso da mesma expressão, sugiro que qualquer futuro governo cogite escolher Danielle para o Ministério da Economia. Não sei como FHC não pensou nisso. Depois de Danielle, Miguel Darcy foi o intelectual que fez a primeira edição e organização do material transcrito com o mesmo profissionalismo de sua antecessora. Sem Danielle e Miguel estes livros talvez não existissem, ou não teriam tal grau de excelência. Foi só após o trabalho da dupla do Instituto FHC que a equipe da editora entrou em ação, comandada pelo Otávio Marques da Costa e pela Lucila Lombardi. Os dois contaram com o apoio da Márcia Copola, já citada aqui; de Ciça Caropreso na preparação do texto; e do meticuloso talento de Érico Melo, responsável pelas notas de conjuntura e de contexto que acompanham o livro. Espero olhar para esse documento em forma de diário, logo mais, e sentir o peso e a leveza de mais um feliz aniversário.

Um site jornalístico atribuiu a mim e ao João Moreira Salles o incrível poder de convencer Fernando Henrique Cardoso a publicar seus diários em vida. Não se trata da verdade. João contribuiu muito mais do que eu para isso, insistindo — de maneira menos tímida que a minha — no pedido de publicar alguns trechos no número de aniversário da revista Piauí. Minha colaboração foi irrisória. Apenas ofereci a dignidade da editora e a vontade pessoal de ver tal documento publicado um dia pela Companhia das Letras, e mesmo assim fiz isso em poucas ocasiões. A decisão, é claro, nada se deve à minha vontade, ou mesmo do João, mas sim à coragem e ao desejo de FHC de ver suas anotações lidas e comentadas em vida.

Mas uma história de bastidor que gostaria de contar começou logo nos primeiros dias da presidência, nos idos de 1995. Foi quando procurei o recém-empossado presidente para sugerir que um grande jornalista, Roberto Pompeu de Toledo, acompanhasse a nova gestão e fizesse uma grande reportagem dos anos que, todos imaginavam e com razão, iriam começar a mudar o nosso país. Meu convite foi encaminhado ao presidente através de Ana Tavares, sua assessora de imprensa, que gentilmente logo me retornou dizendo: “Luiz, o FHC agradece o convite, respeita muito o Pompeu, mas ele quer escrever ele mesmo este livro”. Restou a vontade que resultou na realização, por Roberto Pompeu, de um excelente livro-entrevista com FHC, intitulado O presidente segundo o sociólogo. Nele já apareciam as primeiras reflexões de Fernando Henrique sobre a sua presidência ainda em curso.

Alguns anos depois, numa jogada certeira, a editora Record se adiantou, encaminhando a FHC — às vésperas deste se desincumbir do cargo — a proposta de editar suas memórias. Jogo jogado e vencido pela Record, com justo e largo placar.

Para nós, a comemoração agora se dá com o primeiro volume dos Diários publicado, texto através do qual FHC se coloca de peito aberto para a análise e julgamento da história. Em conjunto com as edições da Record, fica evidente o papel cultural das editoras no Brasil; papel que ainda persiste, apesar do país, apesar da realidade que nos empurra para o raciocínio de curto prazo, em que o lucro rápido assume papel central.

Esta história talvez se complemente com o livro que encomendamos ao presidente Lula em parceria com Fernando Morais; desta vez com o registro das memórias, em primeira pessoa, do presidente que sucedeu ao FHC. Com esta outra encomenda a Companhia mostra seu apartidarismo político, como cabe a uma boa editora, que vive de bons títulos, independente das opiniões pessoais de seus proprietários ou funcionários.

O livro de Lula e Fernando Morais ainda não foi entregue. Está três anos atrasado, segundo nossas previsões iniciais e o contrato. Durante esse período, tivemos notícias de que os autores talvez preferissem transformar a obra em uma biografia autorizada, isto é, com narração em terceira pessoa. Torço para que o livro seja realizado como a encomenda inicial, com a visão direta do presidente Lula sobre os seus anos no exercício do poder.

São livros como os Diários da presidência que fazem a história de uma editora saltar de nível. Livros para o julgamento do leitor, especialista ou não, através dos quais nos confrontamos com a trajetória de um país que reluta em dar certo. Com o autoconhecimento e a reflexão propiciados pela melhor literatura, de ficção e não ficção, quem sabe ainda haja alguma chance para os nossos tristes trópicos.

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Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de sinais, entre outros.

Companhia das Letras publica os diários de Fernando Henrique Cardoso

Chega às livrarias em 29 de outubro, editado pela Companhia das Letras, o primeiro volume dos Diários da Presidência, de Fernando Henrique Cardoso. Trechos do livro serão antecipados na edição de número 109 da revista piauí, comemorativa de seu nono aniversário, nas bancas em 5 de outubro.

Gravados com frequência quase semanal durante os dois mandatos de FHC (a primeira entrada data ainda de 25 de dezembro de 1994, quando o presidente eleito mas não empossado reflete sobre a composição do ministério), os registros foram transcritos por Danielle Ardaillon, curadora do acervo da Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso, revistos pelo autor e pela editora, e serão organizados em quatro volumes bianuais (1995-6; 1997-8; 1999-2000; 2001-2). Os dois primeiros anos compreendem quase noventa horas de gravação, decupadas a partir de 44 fitas cassete.

Relato franco da prática política no Brasil, os Diários são a um só tempo documento histórico de valor inestimável e crônica cativante do exercício do poder. A editora planeja concluir a publicação dos Diários em meados de 2017.

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