fernando moreira salles

Poesia contemporânea

A coleção de poesia contemporânea da Companhia das Letras atualmente conta com seis autores: Fabrício Corsaletti, Alberto Martins, Antonio Fernando de Franceschi, José Almino, Zulmira Ribeiro Tavares e Fernando Moreira Salles. Para que você conheça um pouco mais do trabalho deles, pedimos que cada um lesse um verso de sua obra:

Veja também os poetas recitando alguns poemas que os inspiram.

Os poemas que inspiram nossos poetas

Acaba de chegar da gráfica Vesuvio, novo livro de Zulmira Tavares, que integra a coleção de poesia contemporânea brasileira da Companhia das Letras. Para marcar o lançamento, pedimos a todos os poetas da coleção que lessem um poema de um autor que os inspira. O resultado você confere abaixo:

Quatro dos poemas de Zulmira foram publicados na revista Piauí deste mês. Entre eles, “Travesti”:

Travesti

Prendeu a roupa no varal
e do outro lado dos lençóis
o mundo.

Esconde-se no branco lavado.
Não quer que o mundo, os outros a revelem

no sol que a incendeia.
E o seu nome é Radiância.

Quem o deu foi o doutor do Abrigo
sabedor dos que trazem na matalotagem
assombramento e luz.

Tendo por nome de chegada Cipriano
vindo da Paraíba ele
para São Paulo — Hoje

… Radiância ela,
no lusco-fusco das esquinas
___Rainha.

Semana vinte e um

Os lançamentos desta semana foram:

Solar, de Ian McEwan (Tradução de Jorio Dauster)
Michael Beard é um físico britânico internacionalmente consagrado, que há anos vive às custas da fama angariada por uma descoberta que lhe concedeu o prêmio Nobel. Em 2000, decadente, entediado e amoral, Beard aceita por pura inércia um cargo honorífico no recém-criado Centro Nacional de Energia Renovável, concebido por políticos oportunistas sob o pretexto de combater o aquecimento global. No entanto, a descoberta da traição de sua quinta mulher, Patrice, o deixa inesperadamente transtornado.

Cacau, de Jorge Amado
Segundo livro de Jorge Amado, Cacau é narrado em primeira pessoa por um lavrador, filho de industrial decaído, que trabalhara brevemente como operário fabril. O pequeno romance é a saga de uma tomada de consciência social e política. Atesta o clima de polarização ideológica da época em que foi escrito e o entusiasmo revolucionário de seu jovem autor.

História de eternidade, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Essa coletânea de ensaios marca uma virada na carreira do escritor, que se abre ostensivamente para a universalidade estampada desde o título. São agora motivos da inquirição intelectual do ensaísta as doutrinas do tempo cíclico, as Mil e uma noites e seus tradutores, a metáfora e as velhas imagens da poesia da Islândia. Numa das notas finais, discreta e tímida em meio a preocupações retóricas, desponta uma narrativa disfarçada de resenha crítica: A aproximação a Almotásim, em que se dá a ver um de seus primeiros exercícios de prosa de ficção. O ensaio que almeja espraiar-se até o infinito de repente desemboca no conto de uma aproximação sem termo, história de uma busca infindável.

A chave do mar, de Fernando Moreira Salles
Em sua concisão, estes poemas desvendam horizontes. A percepção fina e a atenção aguda do poeta operam o passe de mágica que é prerrogativa da poesia: expor, desprotegido, o momento que passa. Terceira coletânea de Fernando Moreira Salles, A chave do mar confirma a presença de seu autor entre os novos nomes da poesia brasileira.

Romeu e Julieta, de Andrew Matthews (Ilustrações de Tony Ross; Tradução de Érico Assis)
Nesta adaptação dirigida ao público infantojuvenil, a peça de William Shakespeare foi transformada em prosa e ganhou ilustrações em preto e branco do premiado artista inglês Tony Ross. O livro inclui ainda um prefácio de Heloisa Prieto e dois posfácios: um discute a questão do amor e do ódio na trama e o outro conta sobre o Globe Theatre, onde muitas das peças de Shakespeare foram encenadas pela primeira vez.
Este é o volume inicial de uma série de adaptações, destinadas ao público juvenil, das histórias mais conhecidas desse autor excepcional.

Metamorfoses: antologia de contos (Organização de Heloisa Prieto, Ilustrações de Sergio Kon)
Ana Miranda, Ricardo Azevedo, Angela-Lago e Heloisa Seixas leram dois textos sobre o tema da transmutação — um trecho das Metamorfoses de Ovídio e o primeiro capítulo da Metamorfose de Kafka. A partir dessa leitura, eles criariam seus próprios contos. Os resultados foram textos tão díspares quanto nossos universos pessoais. Ora mais próximos de um diálogo com a literatura clássica, ora inspirados nos textos da modernidade, eles falam de uma indiazinha que, de certa maneira, vira pássaro; de alguém que resolve se enterrar vivo, optando por afundar em seu próprio abismo; da solidão de uma viúva mineira e sua paixão por gatos vira-latas, aparentemente inocentes; e até de Raul Seixas. Os contos são ilustrados e vêm acompanhados pelos dois textos que lhes serviram de inspiração.