filosofia

Semana oitenta e três

Os lançamentos da semana são:

Nove ensaios dantescos & A memória de Shakespare, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Ainda muito moço, Borges começou a percorrer a árdua topografia do mundo dantesco ao longo das viagens de bonde que o levavam ao trabalho cotidiano na biblioteca municipal de Buenos Aires. Os ensaios deste livro são como relatos que refazem, numa tela fragmentária, os sugestivos pormenores simbólicos da história dessa viagem, ao mesmo tempo comum e insólita. Depois vêm “A memória de Shakespeare” e mais 3 contos fantásticos, em que o tranquilo domínio do estilo e as pulsantes obsessões se casam a motivos recorrentes da obra de Borges.

O fim da Terra e do Céu, de Marcelo Gleiser
Ao tratar das relações entre religião e ciência diante da questão do “fim de tudo”, Marcelo Gleiser homenageia a imaginação e a criatividade do homem. Seu enfoque é multidisciplinar, mostrando de que maneira ideias sobre o “fim” inspiram não só as religiões e a pesquisa científica, mas também a literatura, a arte e o cinema.

Crônica de um vendedor de sangue, de Yu Hua (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Na China recém-convertida ao comunismo, um operário se vê obrigado a vender o próprio sangue para sustentar a família. Quando desconfia que o seu primogênito é fruto de uma relação clandestina de sua mulher, ele tem de empreender uma batalha contra seus próprios valores para provar que os vínculos afetivos que o unem ao garoto podem ser mais fortes que os laços consanguíneos.

Ho-ba-la-lá: à procura de João Gilberto, de Marc Fischer (Tradução de Sergio Tellaroli)
Um detetive alemão improvisado e sua assistente brasileira vasculham a cidade do Rio de Janeiro em busca de alguma pista que conduza ao misterioso… João Gilberto. A missão é quase impossível; o tempo para cumpri-la, curtíssimo. Menescal, Miéle, João Donato, Marcos Valle, Miúcha, o cozinheiro, o duplo, o Copacabana Palace, Diamantina — em tom de uma divertida história detetivesca, o jornalista Marc Fischer faz uma bela declaração de amor à bossa nova.

A vida de Joana d’Arc, de Erico Verissimo (Ilustrações de Rafael Anton)
Erico Verissimo constrói com delicadeza exemplar a personalidade de Joana, a menina francesa do século XV que ouvia vozes de santos e que transgrediu as convenções de seu tempo e de seu gênero vestindo-se de homem, lutando entre os soldados e defendendo seu rei.

A luz no túnel (Os subterrâneos da liberdade, vol 3), de Jorge Amado
O volume que fecha a épica trilogia apresenta o painel ficcional de um momento muito sombrio, quando republicanos espanhóis perdem a Guerra Civil para Franco, os alemães começam a Segunda Guerra e Getúlio Vargas mostra simpatia por Hitler e Mussolini.

O livro selvagem, de Juan Villoro (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Juan precisa ler um livro completamente selvagem, que não se deixa ler. Mas por que o livro resiste à leitura? E por que Juan é o único capaz de desvendar seus mistérios? Com ele, os leitores vão descobrir não só a companhia que os livros podem nos fazer nos bons e maus momentos, como também a importância de se compartilhar o prazer e o conhecimento que as leituras nos proporcionam.

Assim falou Zaratustra, de Friedrich Niestzsche (Tradução de Paulo César de Souza)
Escrito e publicado progressivamente, entre 1883 e 1885, este veio a se tornar o mais famoso livro de Nietzsche. Nele se acha o relato das andanças, dos discursos e encontros inusitados do profeta Zaratustra, que deixa seu esconderijo nas montanhas para pregar aos homens um novo evangelho. Muitas das concepções apresentadas em outras obras do autor (como a morte de Deus, o super-homem, a vontade de poder e o eterno retorno) reaparecem aqui em nova linguagem, numa singular mistura de ficção poética, indagação filosófica e reflexão religiosa.

Olavo Holofote, de Leigh Hodgkinson (Tradução de Érico Assis)
Este livro é fantástico porque ele é totalmente dedicado ao Olavo Holofote. Aliás, é tão fantástico que o Olavo acha que não sobra epaço para mais ninguém além dele… Mas, quando todo mundo cai fora, Olavo começa a pensar: para que serve se exibir para si mesmo? Com certeza, isso não é muito divertido…

Fotobiografia de Fernando Pessoa, de Richard Zenith & Joaquim Vieira
Concebido por um editor experiente e por um dos grandes especialistas em Fernando Pessoa, o livro apresenta centenas de imagens inéditas e conhecidas do poeta e sua família, desde os primeiros anos de vida do autor até os principais acontecimentos de sua vida — incluindo fotos, desenhos, caricaturas, cartas, diários, rascunhos, manuscritos e datiloscritos, reproduções de jornais e revistas em que publicou, além de obras de arte feitas em homenagem a Pessoa.

Ismael e Chopin, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Entre seus 52 irmãos coelhos, Ismael foi o escolhido pelo pai para aprender tudo o que ele tinha para ensinar. Juntos, os dois passam os dias a se aventurar pelos cantos da floresta, observando animais e plantas, e aprendendo segredos sobre um outro mundo. É que o pai de Ismael conhece a língua dos homens e a ensina ao filho — sem nem imaginar que isso levaria ao início de uma amizade muito especial, entre um coelho e um dos maiores compositores da música ocidental.

O segredo do rio, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Era uma vez um rio que passava bem em frente à casa de um menino. Ali, ele formava um lago, onde esse pequeno camponês passava grande parte de seu tempo, nadando de olhos abertos em suas águas cristalinas ou se aquecendo em um banco de areia que se formava nas laterais. Neste rio, se escondia um segredo surpreendente.

Garrafinha, de Mariana Caltabiano (Ilustrações de Rodrigo Leão)
Com seus óculos fundo de garrafa e altura de tampinha, Garrafinha se sente rejeitada por sua aparência e, como acontece a partir de certa idade, quer mais é ter amigos e ser popular. Mas seu grande motivo de sofrimento acabou se tornando a sua solução: como ela estava sempre sozinha, passava boa parte do tempo observando os outros — e também desenhando o que via. Esses desenhos fizeram sucesso entre as crianças, e Garrafinha achou o seu jeito de se expressar. Acesse o hotsite da Garrafinha para conhecer mais da personagem.

Semana cinquenta e um

Os lançamentos da semana são:

Ilustrado, de Miguel Syjuco (Tradução de Fernanda Abreu)
Crispin Salvador, escritor filipino de fama internacional, porém ignorado pela crítica de seu próprio país, aparece morto em Nova York sob circunstâncias obscuras. Com ele some o manuscrito do livro que iria incomodar muita gente e mudar de vez sua reputação. Seu jovem discípulo, um escritor filipino mais jovem e também no exílio, resolve investigar o caso e juntar as peças da biografia de Salvador, cuja trajetória tem inúmeros pontos em comum com a sua. Ilustrado é um romance inteligente, engraçado e habilmente construído, que transita com desenvoltura por vários tipos de registro para explorar as verdades ocultas que assombram qualquer família, e compor uma sátira vívida e multifacetada da cultura e da sociedade filipinas das últimas décadas. Vencedor do Man Asian Literary Prize, foi comparado Roberto Bolaño, Haruki Murakami e David Mitchell.

Tudo o que tenho levo comigo, de Herta Müller (Tradução de Carola Saavedra)
Romênia. Fim da Segunda Guerra Mundial. Leo Auberg, de origem alemã, tem dezessete anos, mora com os pais e os avós, estuda, e nas horas vagas vivencia seus primeiros e fortuitos encontros com outros homens, num país em que o homossexualismo é crime. Inesperadamente, porém, Leo é obrigado a pagar por outro crime. Stálin decreta a deportação das minorias étnicas alemãs para campos de trabalhos forçados, sob a acusação de terem colaborado com Hitler. Do dia para a noite, Leo é retirado de sua vida e encerrado num mundo de horror, desumanidade, torturas, fome e morte. Resta a ele apegar-se às palavras. Às palavras que dão sentido ao que não tem sentido algum. E que servem como âncora, profecia, salvação. Leo se apega, entre outras coisas, às palavras da avó, que ao vê-lo fazer a mala e se despedir, diz: “Eu sei que você vai voltar”. É preciso esperar o retorno. E que, finalmente, a guerra acabe.

A mulher de vermelho e branco, de Contardo Calligaris
Numa trama que une passado e presente em cidades como Nova York, São Paulo e Paris, Carlo Antonini se vê às voltas com duas mulheres misteriosas e fascinantes. Aparências enganosas, pistas deixadas para confundir, verdades construídas pelos mecanismos frágeis e subjetivos da memória, tudo se soma para tornar ainda mais complexa uma investigação que une elementos da psicanálise à ação dos melhores thrillers. Colunista da Folha de S. Paulo e autor de O conto do amor, Contardo Calligaris fará uma turnê de lançamento que começa amanhã, em São Paulo.

Ponto ômega, de Don DeLillo (Tradução de Paulo Henriques Britto)
Jim Finley é autor de uma única obra, um documentário que pouca gente viu. Seu novo projeto é um filme sobre a guerra. Entretanto, em vez de registrar cenas de combate, ele pretende fazer apenas uma entrevista. Para isso, procura Richard Elster, acadêmico e ex-funcionário do governo americano, que passou dois anos trabalhando no Pentágono, durante a Guerra do Iraque. A princípio, ele resiste a falar sobre a experiência. Mas depois convida Jim a passar uma temporada em uma casa no deserto. Na paisagem árida do Oeste americano, o jovem cineasta e o intelectual da guerra experimentam a lentidão da passagem do tempo. Ali, estão próximos do ponto ômega, em que a consciência caminha para um estágio essencial. Neste romance sobre as ambivalências da representação e os limites do humano, um evento indecifrável, porém, vem abalar a paz desse refúgio espiritual e desafiar as próprias convicções sobre arte e realidade, controle e acaso, guerra e paz.

Hamlet, de Andrew Mattews (Tradução de Érico Assis; Ilustrações de Tony Ross)
“Ser ou não ser? Eis a questão”: quem não conhece essa frase, uma das mais célebres de todos os tempos? Pois foi justamente desta tragédia que ela foi retirada. Aqui é Hamlet quem conta a sua história. Quando ouve o fantasma do pai dizer que foi assassinado pelo próprio irmão, Hamlet passa a ser atormentado pela dúvida: o fantasma do velho rei diz a verdade ou seria um demônio tentando fazê-lo cometer uma loucura? O jovem príncipe vai buscar desesperadamente a verdade. Nesta edição de, além de ter um primeiro contato agradável com o universo dos clássicos universais, as crianças poderão ler um prefácio de Flavio de Souza sobre os atrativos desta tragédia e dois posfácios: um sobre o tema da vingança na peça e outro sobre Richard Burbage, o ator mais famoso e requisitado no teatro de Londres nos tempos da rainha Elizabeth. Da mesma coleção, a Companhia das Letrinhas publicou Romeu e Julieta e Muito barulho por nada.

Do contrato social, de Jean-Jacques Rousseau (Tradução de Eduardo Brandão)
“O homem nasceu livre, e em toda parte vive acorrentado. O que se crê amo dos outros não deixa de ser mais escravo que eles. Como essa mudança se deu? Não sei. O que a pôde tornar legítima?” Este é o famoso enunciado que abre Do contrato social, tratado político escrito pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau e publicado pela primeira vez em 1762. Polêmico e controverso, o livro suscitou um debate que dura até os dias de hoje e que atravessa muitos campos do conhecimento humano. Rejeitando a ideia de que qualquer um tem o direito natural de exercer autoridade sobre o outro, Rousseau defende um pacto, o “contrato social”, que deveria vigorar entre todos os cidadãos de um Estado e que serviria de fonte para o poder soberano. Aos olhos de Rousseau, é a sociedade que degenera o homem, ele próprio um animal com pendor para o bem. Esta edição inclui prefácio do cientista político Maurice Cranston, em que ele examina as ideias políticas e históricas que influenciaram Rousseau.

Jean-Jacques Rousseau: a transparência e o obstáculo, de Jean Starobinski (Tradução de Maria Lucia Machado)
Neste livro já clássico, Jean Starobinski — a exemplo dos grandes humanistas — esquadrinha com o olhar do filósofo, do ensaísta, do médico, do músico e do crítico literário a obra de Jean-Jacques Rousseau. Delicadamente, dedica a mesma atenção à evidência e às sombras do espírito, interroga o sentido dos gestos começados e interrompidos, investiga a amarga reflexão de Rousseau ao ter de afrontar a perda de um mundo regido pela transparência e ser condenado a viver em um mundo mediado pela propriedade e pelas instituições. Apoiando suas análises na sensibilidade do artista e na razão do filósofo e cientista, Starobinski segue um duplo movimento, que alguns críticos chamam de “dialética das aparências”: interroga o mundo visível, denunciando as aparências enganosas, mas ao mesmo tempo dá a essas aparências um sentido novo.

Semana quarenta e oito

Os lançamentos da semana são:

Desejo, paixão e ação na ética de Espinosa, de Marilena Chaui
Os oito ensaios reunidos neste livro foram escritos originalmente para conferências e artigos, e neles Marilena Chaui aborda os temas principais da ética de Espinosa, cuja obra ela estuda desde a época do doutorado. Como é característico das outras obras da autora, sua enorme capacidade de síntese e sua escrita clara são fundamentais para oferecer um vasto painel da história da filosofia, aproximando o leitor comum dos conceitos intrincados do sistema filosófico e oferecendo instrumentos valiosos para pensar a sociedade contemporânea.

Scott Pilgrim contra o mundo — vol. 3, Bryan Lee O’Malley (Tradução de Érico Assis)
Mesmo que não aparente, Scott Pilgrim deu passos importantes em direção à vida adulta. Entretanto, algo de estranho pode estar acontecendo com Ramona. São mensagens no celular, cartas suspeitas e o brilho que surge em torno de sua cabeça toda vez que ela entra num assunto de que não gosta. Será que isso tem a ver com a chegada de Gideon, o líder de todos os Ex-Namorados do Mal, a Toronto? Videogames, música indie, amores adolescentes tardios, mangás e a chegada da vida adulta misturam-se no universo do canadense mais famoso do planeta em seu último volume de aventuras – que reúne duas histórias originais do herói que virou cult instantâneo nos cinemas.

A menina do capuz vermelho e outras histórias de dar medo, de Angela Carter (Tradução de Luciano Viera Machado)
Nesta edição, a Penguin-Companhia selecionou alguns dos mais célebres (e assustadores) contos de fadas compilados por Angela Carter, num breve painel do folclore mundial e das tradições narrativas dos mais variados povos. Há poucas fadas nessas páginas, e o leitor também terá dificuldades em encontrar príncipes encantados e caçadores que salvam o dia no último momento. Escritas numa época em que esse tipo de história não era destinado a crianças, as fábulas aqui contidas dão lugar a uma série de tias malévolas, esposas traiçoeiras, irmãs excêntricas e perigosas feiticeiras.

Declaração de independência — Uma história global, de David Armitage (Tradução de Angela Pessoa)
Hoje cultuada nos Estados Unidos pelos direitos individuais que assegura, a Declaração teve por razão primeira uma demanda cuja originalidade é hoje pouco lembrada: a independência desvinculada de outro poder soberano. Embora não seja o primeiro documento a questionar a autoridade de um território sobre outro, a Declaração forjou o conceito de Estado, em oposição ao de império, e assim serviu de fundamento e inspiração para dezenas de documentos similares. No livro, David Armitage, professor de história na Universidade Harvard, analisa esse documento fundador dos EUA, e seu papel como modelo e inspiração para a emancipação de comunidades políticas ao redor do mundo.

Para conhecer melhor os tabus e as proibições, de Patrick Banon (Ilustrações de Sabine Allard; Tradução de Eduardo Brandão)
“Não ponha a mão no fogo! Não enfie o dedo na tomada!” Desde bem cedo, nossa vida é cercada de proibições. Em Para conhecer melhor os tabus e as proibições, Patrick Banon investiga a origem dessas regras, procurando desvendar os medos ancestrais dos homens — ligados principalmente às forças naturais e sobrenaturais — e analisar os sistemas criados para enfrentar esses medos desde os primórdios da história humana. Dessa forma, ele sugere que as ligações existentes entre os tabus e o pensamento dos antigos clãs permitem compreender melhor as leis e as proibições que regem nossa vida. O que Banon nos mostra é que todos os tabus têm um denominador comum: pretendem proteger o fraco contra o forte e permitir uma vida social tranquila. Para ele, um mundo sem tabus seria um mundo desumano.

Contradança, de Roger Mello
Alguns de nossos grandes ilustradores têm se revelado escritores de mão-cheia. Não é de estranhar: quem conta histórias com o traço está igualmente sensibilizado com a narrativa através de palavras. Roger Mello é um grande exemplo. Indicado ao prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil, ele agora lança um de seus livros mais ousados e inventivos. Em um diálogo que mais parece sonho, a filha de um vidraceiro conversa com um macaco que é quase o seu reflexo. Em poucas palavras, os dois falam sobre medo e coragem, e sobre os infinitos reflexos que nossa imagem pode gerar e sobre os outros tantos que podemos enxergar de nós mesmos e dos outros.

Semana quarenta e um

Os lançamentos da semana são:

Lições de filosofia primeira, de J. A. Giannotti
Giannotti compõe um roteiro didático diferente das “introduções à filosofia” usuais. Em vez de apresentar um desfile mais ou menos apressado de nomes, conceitos e sistemas, o autor prefere concentrar-se nos momentos que conduziram à grande crise do século XX, quando pensadores como Heidegger e Wittgen-stein solaparam as bases do discurso filosófico tradicional. Dividido em duas partes, dedicadas respectivamente aos pensadores clássicos e contemporâneos, o livro percorre as principais questões da metafísica desde Platão e Aristóteles, proporcionando a estudantes e especialistas um excelente guia para a prática e o ensino da filosofia.

Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida, de Xinran (Tradução de Caroline Chang)
Xinran, jornalista e autora do best-seller internacional As boas mulheres da China, retorna às histórias verídicas de mulheres chinesas que a tornaram mundialmente conhecida. Desta vez ela aborda com delicadeza um dos aspectos mais cruéis e polêmicos da sociedade chinesa contemporânea: em dez capítulos, são apresentadas dez histórias marcadas pela interrupção da relação mãe-filha. Após relutar, Xinran decidiu abordar esse delicado tema e dedicar um livro às centenas de milhares de mães chinesas que se viram levadas a rejeitar — e até mesmo a matar — suas bebês: pela primeira vez, elas teriam suas histórias ouvidas. São, é claro, histórias alarmantes, como a vez em que a própria autora testemunhou uma parteira afogar uma menina recém-nascida num balde de água suja. Juntos, material humano, dados históricos e informações estatísticas compõem um envolvente panorama de tristes experiências de maternidade e confirmam a autora como uma das principais vozes a traduzir a complexa realidade chinesa para o público-leitor ocidental.

Apego, de Isabel Fonseca (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza)
Aos 46 anos, Jean Hubbard é uma profissional de sucesso que leva uma vida doméstica relativamente feliz. Jornalista formada em Oxford, escreve colunas sobre saúde e bem-estar para inúmeras publicações e é casada com Mark, homem igualmente bem-sucedido, proprietário de uma das mais criativas agências de publicidade da Inglaterra. A harmonia cotidiana se dissolve quando Jean intercepta uma carta indecorosa remetida pelo escritório londrino de Mark. Em vez de apresentar sua descoberta e inquirir o marido, Jean decide acessar um endereço de e-mail fornecido pela signatária da carta e encontra fotos picantes da suposta amante. Tomada por um misto de ciúme, curiosidade masoquista e dependência, Jean começa a se corresponder com a moça, passando-se por Mark. Num crescendo de drama e suspense, Fonseca compõe um painel delicado e surpreendente da meia-idade, mostrando que a maturidade e o sucesso não trazem necessariamente segurança ou amadurecimento emocional.

Mortalha para uma enfermeira, de P.D. James (Tradução de Daniel Estill)
Mortalha para uma enfermeira é um dos primeiros e mais elogiados livros de P. D. James, tido pelo New York Times como “a narrativa de mistério em sua melhor forma”. Os métodos inteligentes e minuciosos de investigação de Adam Dalgliesh, o charmoso inspetor da Scotland Yard que protagoniza uma série de romances da autora, serão postos à prova por intrigas que envolvem algumas mortes misteriosas em Nightingale House, escola de enfermagem anexa a um renomado hospital do sul da Inglaterra. O assassinato de duas jovens estudantes inaugura a série de crimes. A primeira vítima foi envenenada e a segunda era uma bela aluna que, descobre-se, estava grávida de três meses. No cenário de um sombrio casarão vitoriano, com a atmosfera pesada dos ambientes hospitalares, os principais suspeitos serão os estudantes, professores e médicos — justo aqueles que deveriam proteger vidas.

Um lugar incerto, de Fred Vargas (Tradução de Dorothée de Bruchard)
Para o delegado Jean-Batiste Adamsberg seria apenas uma curta estada do outro lado do canal da Mancha, mas a participação em um colóquio sobre crimes ligados à imigração reservou surpresas macabras. Dezessete pés foram encontrados, dentro de sapatos, junto ao cemitério de Highgate. O local é famoso. Corre a lenda que Highgate tem um “mestre”, uma entidade vampiresca que assombra o cemitério e tem ligação com ninguém menos que Bram Stoker, o criador do conde Drácula. Mas Adamsberg tem de retornar à rotina em Paris, onde irá se confrontar com um crime não menos assustador e repulsivo: o corpo de um velho jornalista é encontrado em pedacinhos, estripado em sua residência em um subúrbio de luxo. Pouco depois, descobre-se que um crime semelhante aconteceu recentemente na Áustria. Nessa galeria de personagens, crimes e lugares sinistros, só a imaginação e a argúcia de Adamsberg são capazes de deslindar as relações que ligam suspeitos, épocas e paisagens tão incertos quanto sombrios.

Grande, pequeno, de Blandina Franco (Ilustrações de José Carlos Lollo)
Muito adulto jura de pés juntos que nunca fez aquelas coisas que criança sempre faz — pintar a parede com canetinha, vestir uma capa e pular da cadeira, tentando voar, enfiar o dedo no nariz… Pois os autores deste livro revelam alguns segredinhos de infância de personagens insuspeitos: um campeão de natação que perdeu a sunga na piscina; a freira carmelita que usava vestido de chita, o segurança grandão que no teatro da escola fez papel de abelhinha; e muitos mais. Ser grande ou pequeno é mesmo curioso. E só depende do ângulo de que a gente está olhando. Dos mesmos autores de Quem soltou o Pum?.