fred vargas

Semana quarenta e um

Os lançamentos da semana são:

Lições de filosofia primeira, de J. A. Giannotti
Giannotti compõe um roteiro didático diferente das “introduções à filosofia” usuais. Em vez de apresentar um desfile mais ou menos apressado de nomes, conceitos e sistemas, o autor prefere concentrar-se nos momentos que conduziram à grande crise do século XX, quando pensadores como Heidegger e Wittgen-stein solaparam as bases do discurso filosófico tradicional. Dividido em duas partes, dedicadas respectivamente aos pensadores clássicos e contemporâneos, o livro percorre as principais questões da metafísica desde Platão e Aristóteles, proporcionando a estudantes e especialistas um excelente guia para a prática e o ensino da filosofia.

Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida, de Xinran (Tradução de Caroline Chang)
Xinran, jornalista e autora do best-seller internacional As boas mulheres da China, retorna às histórias verídicas de mulheres chinesas que a tornaram mundialmente conhecida. Desta vez ela aborda com delicadeza um dos aspectos mais cruéis e polêmicos da sociedade chinesa contemporânea: em dez capítulos, são apresentadas dez histórias marcadas pela interrupção da relação mãe-filha. Após relutar, Xinran decidiu abordar esse delicado tema e dedicar um livro às centenas de milhares de mães chinesas que se viram levadas a rejeitar — e até mesmo a matar — suas bebês: pela primeira vez, elas teriam suas histórias ouvidas. São, é claro, histórias alarmantes, como a vez em que a própria autora testemunhou uma parteira afogar uma menina recém-nascida num balde de água suja. Juntos, material humano, dados históricos e informações estatísticas compõem um envolvente panorama de tristes experiências de maternidade e confirmam a autora como uma das principais vozes a traduzir a complexa realidade chinesa para o público-leitor ocidental.

Apego, de Isabel Fonseca (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza)
Aos 46 anos, Jean Hubbard é uma profissional de sucesso que leva uma vida doméstica relativamente feliz. Jornalista formada em Oxford, escreve colunas sobre saúde e bem-estar para inúmeras publicações e é casada com Mark, homem igualmente bem-sucedido, proprietário de uma das mais criativas agências de publicidade da Inglaterra. A harmonia cotidiana se dissolve quando Jean intercepta uma carta indecorosa remetida pelo escritório londrino de Mark. Em vez de apresentar sua descoberta e inquirir o marido, Jean decide acessar um endereço de e-mail fornecido pela signatária da carta e encontra fotos picantes da suposta amante. Tomada por um misto de ciúme, curiosidade masoquista e dependência, Jean começa a se corresponder com a moça, passando-se por Mark. Num crescendo de drama e suspense, Fonseca compõe um painel delicado e surpreendente da meia-idade, mostrando que a maturidade e o sucesso não trazem necessariamente segurança ou amadurecimento emocional.

Mortalha para uma enfermeira, de P.D. James (Tradução de Daniel Estill)
Mortalha para uma enfermeira é um dos primeiros e mais elogiados livros de P. D. James, tido pelo New York Times como “a narrativa de mistério em sua melhor forma”. Os métodos inteligentes e minuciosos de investigação de Adam Dalgliesh, o charmoso inspetor da Scotland Yard que protagoniza uma série de romances da autora, serão postos à prova por intrigas que envolvem algumas mortes misteriosas em Nightingale House, escola de enfermagem anexa a um renomado hospital do sul da Inglaterra. O assassinato de duas jovens estudantes inaugura a série de crimes. A primeira vítima foi envenenada e a segunda era uma bela aluna que, descobre-se, estava grávida de três meses. No cenário de um sombrio casarão vitoriano, com a atmosfera pesada dos ambientes hospitalares, os principais suspeitos serão os estudantes, professores e médicos — justo aqueles que deveriam proteger vidas.

Um lugar incerto, de Fred Vargas (Tradução de Dorothée de Bruchard)
Para o delegado Jean-Batiste Adamsberg seria apenas uma curta estada do outro lado do canal da Mancha, mas a participação em um colóquio sobre crimes ligados à imigração reservou surpresas macabras. Dezessete pés foram encontrados, dentro de sapatos, junto ao cemitério de Highgate. O local é famoso. Corre a lenda que Highgate tem um “mestre”, uma entidade vampiresca que assombra o cemitério e tem ligação com ninguém menos que Bram Stoker, o criador do conde Drácula. Mas Adamsberg tem de retornar à rotina em Paris, onde irá se confrontar com um crime não menos assustador e repulsivo: o corpo de um velho jornalista é encontrado em pedacinhos, estripado em sua residência em um subúrbio de luxo. Pouco depois, descobre-se que um crime semelhante aconteceu recentemente na Áustria. Nessa galeria de personagens, crimes e lugares sinistros, só a imaginação e a argúcia de Adamsberg são capazes de deslindar as relações que ligam suspeitos, épocas e paisagens tão incertos quanto sombrios.

Grande, pequeno, de Blandina Franco (Ilustrações de José Carlos Lollo)
Muito adulto jura de pés juntos que nunca fez aquelas coisas que criança sempre faz — pintar a parede com canetinha, vestir uma capa e pular da cadeira, tentando voar, enfiar o dedo no nariz… Pois os autores deste livro revelam alguns segredinhos de infância de personagens insuspeitos: um campeão de natação que perdeu a sunga na piscina; a freira carmelita que usava vestido de chita, o segurança grandão que no teatro da escola fez papel de abelhinha; e muitos mais. Ser grande ou pequeno é mesmo curioso. E só depende do ângulo de que a gente está olhando. Dos mesmos autores de Quem soltou o Pum?.