freud

Semana trezentos e vinte

Companhia das Letras

Freud (1901-1905) Teoria da sexualidade, “O caso Dora” e outros textos, de Sigmund Freud (tradução de Paulo César de Souza)
Este sexto volume das obras completas de Freud traz textos fundamentais para o entendimento da psicanálise, como “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” que recorre a sexólogos contemporâneos do psicanalista e às observações feitas a partir de seus pacientes para enfatizar a centralidade do sexo na vida humana. Tratando das aberrações sexuais, da sexualidade infantil e adulta, Freud amplia e reformula o conceito de sexualidade. Outro grande texto deste volume é “O caso Dora”, primeiro dos cinco casos clínicos mais importantes de Freud. Interpretando dois sonhos de “Dora”, ele procura desvendar seus sintomas histéricos e sua correlação com a recusa do sexo.

Alfaguara

O marechal de costas, de José Luiz Passos
Operando no limite entre fato e ficção, O marechal de costas traça um retrato sem paralelos da história do país. Por trás de um olhar imóvel e de um silêncio desconcertante, o marechal Floriano definiu o período mais turbulento da nossa República. Mas o marechal de ferro oculta o sonhador casado com a própria irmã e obcecado por Napoleão Bonaparte. Nascido em Alagoas, Floriano é a figura de maior importância política nos primeiros anos da República. Nas páginas deste romance, passado e presente se intercalam de forma espantosa. Acompanhamos não só um Floriano Peixoto humano e o nascimento da República, como os acontecimentos turbulentos do presente, por meio de uma antiga cozinheira que segue, de perto, as manifestações de 2013 e seus desdobramentos políticos. Um livro poderoso sobre a construção de nossa nação.

A vista particular, de Ricardo Lísias
A improvável parceria entre um artista plástico recluso e um traficante dará início a uma das jornadas mais absurdas e cômicas da literatura brasileira. José de Arariboia é um artista relativamente bem-sucedido. Sua série de quadros sobre o Rio de Janeiro fez algum sucesso, e ele está prestes a montar sua primeira exposição individual. Mas tudo muda quando ele é visto subindo a favela do Pavão-Pavãozinho. Ninguém sabe o que acontece por lá. Na volta, uma inesperada performance deixa as pessoas em delírio. O que poderia ter sido uma catástrofe se transforma em sensação. Filmado pelos pedestres, o acontecimento se torna um fenômeno na internet, e Arariboia arma uma parceria com Biribó, o traficante do morro, que está disposto a ajudar o artista em uma nova e ousada ideia. Mescla de sátira feroz e crítica social, A vista particular é um livro que leva ao limite — e nos faz questionar — os absurdos do cotidiano.

Objetiva

Rio em shamas, de Anderson França (Dinho)
Com mais de 40 mil inscritos em sua página do Facebook, Anderson França destila humor em suas crônicas sobre o subúrbio do Rio de Janeiro. É o Rio de Janeiro, mas poderia ser a periferia de São Paulo, ou a região metropolitana do Recife, até mesmo o subúrbio de uma cidade de médio porte. Com textos repletos de humor e ironia, Rio em shamas traz um olhar diferente sobre a cidade, seus moradores e a relação entre diversas camadas sociais. Com linguagem e estilo singulares, Anderson França é capaz de fazer o leitor gargalhar, pensar e se emocionar com seus textos cheios de força. A crônica, o mais brasileiro dos gêneros literários, sempre conversou com o cotidiano e a irreverência. Neste livro, Dinho traz o gênero para a era da internet: tão compartilhável quanto um post do Facebook, engraçado como uma piada de Whatsapp e tão ágil quanto um tweet.

Seguinte

Chapeuzinho esfarrapado e outros contos feministas do folclore mundial, organizado por Ethel Johnston Phelps e ilustrações de Bárbara Malagoli
Quem disse que as mulheres nos contos de fadas são sempre donzelas indefesas, esperando para ser salvas pelo príncipe encantado? Esta coletânea reúne narrativas folclóricas do mundo inteiro — do Peru à África do Sul, da Escócia ao Japão — em que as mulheres são as heroínas das histórias e vencem os desafios com esforço, coragem e muita inteligência. O livro é para todo mundo que não se identifica com as princesas típicas dos contos de fadas. É para garotas e garotos, para que todos possam aprender que as maiores virtudes de um herói não são exclusivas a um só gênero. Enriquecida com textos de apoio e ilustrações modernas, esta edição é uma fonte inestimável de heroínas multiculturais – e indispensável para qualquer estante.

Fontanar

João de Deus, um médium no coração do Brasil, de Maria Helena P.T. Machado
Nos últimos anos João de Deus foi catapultado ao papel de celebridade. Homem carente de educação formal, oriundo do interior de Goiás, seu nome é conhecido hoje por pessoas dos mais diversos países, que o consideram o maior curador vivo da atualidade. Calcula-se que o médium brasileiro atenda, por meio da sua “corrente da cura” e de cirurgias espirituais, pelo menos 1500 pessoas por dia na Casa Dom Inácio de Loyola, localizada na pequena cidade de Abadiânia. Personalidades internacionais como Oprah Winfrey, Shirley McLaine, Marina Abramovic e Wayne Dwyer – campeão mundial de vendas de livros de autoajuda – visitaram o médium e se mostraram publicamente impressionados por seu trabalho. Políticos brasileiros do alto escalão frequentam a Casa. Não faltam testemunhas para falar das curas mais extraordinárias realizadas por João de Deus. Única pessoa até hoje a receber o consentimento de João de Deus para escrever um livro, Maria Helena P. T. Machado parte de seu encontro pessoal com ele para procurar entender tamanho fenômeno. Por meio de entrevistas com os voluntários da Casa, pessoas próximas ao médium e uma pesquisa extensa e profunda sobre a diversidade religiosa no Brasil, ela apresenta um material exclusivo e impressionante sobre o líder espiritual que fascina pessoas de todas as partes do planeta.

Reimpressões

Fabián e o caos, de Pedro Juan Gutiérrez
Diário de um ano ruim, de J. M. Coetzee
Like a rolling stone, de Greil Marcus
O ano da morte de Ricardo Reis, de José Saramago
Poemas escolhidos, de Elizabeth Bishop
Viva a língua brasileira!, de Sérgio Rodrigues
Cadê o meu penico?, de Mij Kelly
Histórias de antigamente, de Patricia Auerbach
O menino que chovia, de Cláudio Thebas
Cozinha confidencial, de Anthony Bourdain
O valor do amanhã, de Eduardo Giannetti
After 1, de Anna Todd
O acordo, de Elle Kennedy
O erro, de Elle Kennedy
Grandes esperanças, de Charles Dickens
O mal-estar na civilização, de Sigmund Freud
Maus, de Art Spiegelman
Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo, de Benjamin Alire Sáenz
Felizes para sempre, de Kiera Cass
Laços de sangue, de Richelle Mead

Semana noventa e cinco

Os lançamentos da semana são:

Maya, de Jostein Gaarder (Tradução Eduardo Brandão)
Frank é um paleontólogo que faz pesquisas no arquipélago de Fiji. Pouco a pouco, estranhas criaturas começam a perturbar seus estudos – Ana, a dançarina que parece ler pensamentos, ou a salamandra que toda noite se lança em reflexões sobre as origens da vida. Uma bailarina vidente, um anfíbio filósofo: Frank passa a duvidar da lógica das coisas, e acaba se convencendo de que a relatividade do tempo é uma teoria muito esquisita. O mundo parece ter irado do avesso. Como em seus livros anteriores, Jostein Gaarder, autor de O mundo de Sofia, lança mão de uma estrutura ficcional bem arquitetada para refletir sobre diferentes campos do conhecimento humano. Aqui, ele parte da evolução das espécies e dos mistérios do Universo em busca de respostas para uma de nossas perguntas eternas: “Quem sou eu?”.

Patrimônio, de Philip Roth (Tradução de Jorio Dauster)
“Estar sozinho também me possibilitava expressar toda a emoção que eu sentia sem necessidade de assumir uma postura máscula, madura ou filosófica. A sós, eu chorava quando me dava vontade de chorar, e nunca essa vontade foi tão grande como quando tirei do envelope a série de imagens do cérebro dele – não porque eu fosse capaz de identificar com facilidade o tumor que lhe invadia o cérebro, mas simplesmente porque se tratava do cérebro dele, do cérebro do meu pai, daquilo que o fazia pensar da forma curta e grossa com que pensava, falar da forma enfática com que falava, raciocinar da forma emotiva com que raciocinava, decidir da forma impulsiva com que decidia. Aquele  era o tecido que produzira seu conjunto de infindáveis preocupações e por mais de oito décadas sustentara sua teimosa autodisciplina, a fonte de tudo que me havia frustrado tanto como filho adolescente, a coisa que comandara nossos destinos nos tempo em que ele era todo-poderoso e ditava os propósitos da família – tudo isso agora estava sendo comprimido, deslocado e destruído por ‘uma grande massa localizada predominantemente na região dos ângulos cerebelopontinos e das cisternas prepontinas.’”

Freud – Uma vida para o nosso tempo, de Peter Gay (Tradução Denise Bottmann)
Ler este livro significa mergulhar no mundo de Sigmund Freud: sua família, a cidade onde viveu, suas dificuldades profissionais, sua vida extraordinariamente produtiva e sofrida. O leitor é apresentado a um grande investigador em luta consigo mesmo e obcecado por questões que somente ele propõe. O historiador e psicanalista Peter Gay utilizou documentos inéditos, incluindo centenas de cartas até então inacessíveis, e assim pôde oferecer uma narrativa minuciosa das relações de Freud com discípulos problemáticos como Carl Jung e Sándor Ferenczi. Ele aborda francamente as controvérsias sobre a vida íntima de Freud e suas inovações teóricas, que perturbaram o sono da humanidade. Os casos clínicos, os ensaios técnicos e especulativos, conjunção com as experiências pessoais e a formação cultural de Freud. Peter Gay expõe com clareza as teorias sobe os sonhos, as neuroses, a sexualidade. Esta é a biografia definitiva de um pensador magistral e sua obra.

A gaia ciência, de Friedrich Nietzche (Tradução de Paulo César de Souza)
A gaia ciência traz algumas das discussões mais originais de Friedrich Nietzsche a respeito de arte, moral, história, conhecimento, ilusão e verdade. Ao longo de suas 383 seções, aparecem três noções particularmente associadas ao filósofo: a proclamação da “morte de Deus”, a ideia do “eterno retorno” e a mítica figura de Zaratustra. Ao mesmo tempo, este é o livro de Nietzsche com a maior diversidade de formas literárias, incluindo versos humorísticos, aforismos, breves diálogos, parábolas, poemas em prosa e pequenos ensaios. Nietzsche publicou A gaia ciência em 1882 e o ampliou substancialmente em 1887 (ano da segunda edição), acrescentando-lhe o prólogo, o quinto capítulos – o mais substancial – e o apêndice com poemas (que constam deste volume também em alemão).

A marcha para o oeste, de Orlando Villas Bôas e Cláudio Villas Bôas
Pouco antes do início da expedição que transformaria radicalmente suas vidas, os jovens irmãos Cláudio, Leonardo e Orlando Villas Bôas eram pacatos moradores da capital paulista, funcionários do comércio e do serviço público. Entretanto, o fascínio do sertão – nutrido pela origem interiorana da família e expresso na paixão compartilhada pela cartografia do Brasil – sempre os conectara intimamente aos grandes rios e florestas que sabiam existir nas áreas em branco dos mapas. Em 1943, ao engajar-se na Expedição Roncador-Xingu, organizada pelo governo federal, os irmãos Villas Bôas deram início a uma jornada épica que resultaria em milhares de quilômetro de trilhas e rios percorridos, dezenas de pistas de aviação abertas e cidades inauguradas e, sobretudo, na fundação do Parque Nacional do Xingu. A macha para o oeste é o relato arrebatador de suas décadas de andanças pelo coração da ancestralidade brasileira e um documento de valor incalculável para a história do país no século XX.

O papiro sagrado, de Aude Gros de Beler (Tradução de Heliosa Jahn e ilustrações de Louise Heugel)
A escrita em hieróglifos adotada pelos antigos egípcios é certamente a mais bela escritaa já desenhada pelo homem, com suas centenas de signos representando fielmente os seres humanos, os animais, as plantas e as coisas. Aqui você conhecerá essa escrita graças à história de um papiro sagrado, presente de um Faraó. Nos relatos da chamada Idade de Ouro, em que deuses egípcios e homens coabitavam na Terra, você aprenderá a decifrar esses desenhos misteriosos e descobrirá os segredos da humanidade. Segrewdos que só iniciados podem conhecer…

Siga a seta!, de Isabel Minhós Martins (Ilustrações de Andrés Sandoval)
Vivemos cercados de regras e rotinas por todos os lados. Estamos acostumados a seguir um mesmo caminho, a realizar certas atividades em determinados horários, a guiar nosso olhar para os mesmos lugares. As crianças, dotadas de um certo espírito libertário, vivem bagunçando essa ordem. Como é o caso do menino desta história, que, mordido pela curiosidade, um belo dia resolveu investigar o que havia no espaço entre as setas, e depois decidiu mudá-las de lugar. Ele acabou conhecendo coisas incríveis – como um urso que toca piano – e também conseguiu mudar o percurso de umas tantas pessoas. Siga a seta! é um livro que nos faz questionar a maneira como organizamos e enchemos os nossos dias, por vezes com pouco espaço para o devaneio, para o imprevisto e para a surpresa; e que nos convida a pensar no que aconteceria se olhássemos melhor para as setas obrigatórias que compõem os nossos próprios dias.

Silêncio – Doze histórias universais sobre a morte, de Ilan Brenman e Heidi Strecker
Desde os tempos mais remotos, em todos os lugares e entre todos os povos, a morte é um tema que suscita incertezas. Muitas vezes nos esquivamos dela, tentamos fingir que ela não existe, mas a morte faz parte da vida de todos nós, sem exceção. Por mais universal que seja, cada um tem uma maneira de encará-la. Neste livro,, doze narrativas de diferentes partes do mundo tentam explicar o que ninguém seria capaz de responder. Basta embarcar nas histórias de Gilgamesh, Ísis e Osíris, Tristão e Isolda, Buda, Catirina, entre outros deuses, heróis, reis, pessoas comuns ou animais encantados, e conhecer um pouco mais sobre as tantas facetas que a morte pode adquirir em cada lugar.

Cadê o meu penico?, de Mij Kelly (Ilustrações de Mary McQuillan)
A coitada da Hortênsia estava louca de vontade de fazer “uma tal coisa”, mas não encontrava o seu penico por nada… Enquanto isso, a bicharada toda se divertia com um objeto misterioso. Seria uma gamela? Um tigelão? Quando eles descobrem que aquele pote serve para fazer xixi e cocô, ficam encantados com a novidade: estão todos muito apertados e não querem mais saber de sujar o terreiro!
Enquanto isso, Hortênsia pergunta aos animais sobre seu penico, mas eles não o conhecem por esse nome, por isso não podem ajudar. Coitada, será que ela vai recuperá-lo a tempo?
Escrita em versos rimados, esta história fala de maneira divertida sobre uma fase de crescimento e aprendizado na vida das crianças pequenas.