friedrich nietzsche

Semana cento e dezenove

Os lançamentos desta semana são:

Guerreiras da paz, de Leymah Gbowee (Trad. Donaldson M. Garschagen)
Nas imagens de guerra, as mulheres costumam aparecer como pano de fundo, chorando seus mortos em desespero. Os protagonistas e narradores dessas histórias em geral são homens, que se exibem de armas em punho ou engravatados tomando decisões. Neste livro, Leymah Gbowee mostra como essa imagem é incompleta, e dá voz à população feminina da África. Uma voz que se fez ouvir na Libéria, onde, sentadas em protesto, as mulheres pediram a paz, fizeram greve de sexo e se ergueram vitoriosas contra o governo do ditador Charles Taylor e a guerra civil que arrasou o país entre 1989 e 2003. A luta e a influência dessa jovem que tinha dezessete anos no início do conflito lhe renderam o prêmio Nobel da paz de 2011, junto com Ellen Johnson Sirleaf – que viria a ser presidente da Libéria – e a iemenita Tawakkol Karman.

As relações perigosas, de Choderlos de Laclos (Trad. Dorothée de Bruchard)
Por seis meses de algum desconhecido ano do século XVIII, um grupo peculiar da nobreza francesa troca cartas secretamente. De um lado, o libertino visconde de Valmont tenta conquistar a presidenta de Tourvel; de outro, a dissimulada marquesa de Merteuil, soposta confidente da jovem Cécile, incentiva a adolescente a entregar-se a outro homem antes de um casamento de conveniência. Com sua feroz sátira da aristocracia, As relações perigosas conquistou um sucesso escandaloso em 1782, quando foi publicado. Vinte reedições esgotadas apenas naquele ano e uma condenação à destruição pela corte real de Paris atestam o burburinho em torno do romance, que se consagrou, já no século XIX, como uma das causas desencadeadoras da Revolução Francesa. Desde então, o livro foi adaptado para peças de teatro, ópera e filmes, que o tornaram ainda mais popular. Este volume traz ainda introdução da editora e tradutora inglesa Helen Constantine.

Os enamoramentos, de Javier Marías (Trad. Eduardo Brandão)
Com uma prosa profunda e cativante, a obra traz uma reflexão sobre o estado de enamoramento, que parece justificar todas as coisas: das ações mais nobres e desinteressadas aos maiores excessos e maldades. A especulação sobre a presença dos mortos no imaginário e no dia a dia dos vivos perpassa todo o livro, pontuado por referências literárias como Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas, Macbeth, de Shakespeare, e, sobretudo, O coronel Chabert, de Balzac, romance indluído nesta edição como presente ao leitor.

100 aforismos sobre o amor e a morte, de Friedrich Nietzsche (Trad. Paulo César de Souza)
A maioria dos treze livros publicados durante a vida de Nietzsche se compõe de breves seções numeradas. São os chamados “aforismos”, que ele adotou dos moralistas franceses do século XVIII e a que deu mais estensão e amplitude temática. Trata-se de milhares de reflexões sobre os mais diversos temas de filosofia, moral, religião, literatura, sociedade, sexualidade, política, e também sobre inúmeras personalidades históricas e artísticas. Desse extraordinário conjunto de observações, o tradutor Paulo César de Souza retirou uma centena de aforismos sobre dois temas universais que talvez definam o que é ser humano: a necessidade do amor e a consciência da morte.

O casamento da lua e outros contos de amor, de vários autores
Amamos nossos pais, nossos irmãos, nossos amigos, nossos avós, nossos tios, nossos filhos. Amamos nossos bichos de estimação, nossa casa, nossos livros nossos objetos. Amamos o que fazemos, algumas coisas que comemos, nossos costumes, nossas coleções. Por acaso alguém duvida que amor está em tudo e em todo lugar? Nesta antologia, ele é o fio condutor de dezesseis contos de alguns dos melhores escritores da literatura brasileira. Há amores impossíveis, platônicos, felizes, tristes, entre os homens e pelos animais. Todos juntos, eles comprovam uma frase de Paulo Mendes Campos, segundo a qual estamos todos “atados aos pequenos amores da grande armadilha terrestre”.

No restaurante submarino: contos fantásticos, de vários autores
Histórias fabulosas, extraordinárias, inesperadas – daquele tipo que ao mesmo tempo bagunça e amplia nossa compreensão dos eventos cotidianos. É o que pode esperar o leitor desta seleção de contos de alguns dos maiores praticantes do gênero fantástico na literatura brasileira. Nas histórias de Murilo Rubião, Lygia Fagundes Telles, Moacyr Scliar e Amilcar Bettega aquilo que parece sonho (ou, em alguns casos, pesadelo) se materializa em palavras que fazem o leitor não querer desgrudar delas. Animais fantásticos, situações absurdas, a vida normal revirada de cabeça para baixo, o mundo dos sonhos e outras loucuras ocupam as páginas de

A linguagem dos animais: contos e crônicas sobre bichos, de vários autores
Um rouxinol sentimental com alma de poeta, um canário com ares de filósofo, um lobo que rompe com uma antiga tradição familiar… Os personagens dos dezesseis textos desta antologia nos mostram o quanto os animais estão presentes em nossa imaginação – e sobretudo como eles têm muito a nos ensinar. Criados por autores clássicos, modernos e contemporâneos, eles nos falam sobre a liberdade, o meno, o amor, o humor e a fantasia, alguns dos principais ingredientes que compõem a grande literatura mundial.

Verso livre: poemas, de vários autores
Um elenco de primeira – que atesta a vitalidade da tradição lírica brasileira – foi reunido para esta antologia de poesia verde-amarela dos séculos XX e XXI. São cinco autores – Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, José Paulo Paes, Francisco Alvim e Eucanaã Ferraz -, que demonstram, cada um a sua maneira mas sempre com inteligência aguda e percepção emocional poderosa, por que a poesia está entre nossas artes mais destacadas. O amor, a cidade, o cotidiano e o próprio fazer poético ocupam as páginas desta antologia. Temas que, graças aos poetas reunidos neste volume, nos ajudam – com delicadeza e força, sabedoria e alegria – a entender o Brasil. E a decifrar um pouco mais a nossa alma.

Semana oitenta e três

Os lançamentos da semana são:

Nove ensaios dantescos & A memória de Shakespare, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Ainda muito moço, Borges começou a percorrer a árdua topografia do mundo dantesco ao longo das viagens de bonde que o levavam ao trabalho cotidiano na biblioteca municipal de Buenos Aires. Os ensaios deste livro são como relatos que refazem, numa tela fragmentária, os sugestivos pormenores simbólicos da história dessa viagem, ao mesmo tempo comum e insólita. Depois vêm “A memória de Shakespeare” e mais 3 contos fantásticos, em que o tranquilo domínio do estilo e as pulsantes obsessões se casam a motivos recorrentes da obra de Borges.

O fim da Terra e do Céu, de Marcelo Gleiser
Ao tratar das relações entre religião e ciência diante da questão do “fim de tudo”, Marcelo Gleiser homenageia a imaginação e a criatividade do homem. Seu enfoque é multidisciplinar, mostrando de que maneira ideias sobre o “fim” inspiram não só as religiões e a pesquisa científica, mas também a literatura, a arte e o cinema.

Crônica de um vendedor de sangue, de Yu Hua (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Na China recém-convertida ao comunismo, um operário se vê obrigado a vender o próprio sangue para sustentar a família. Quando desconfia que o seu primogênito é fruto de uma relação clandestina de sua mulher, ele tem de empreender uma batalha contra seus próprios valores para provar que os vínculos afetivos que o unem ao garoto podem ser mais fortes que os laços consanguíneos.

Ho-ba-la-lá: à procura de João Gilberto, de Marc Fischer (Tradução de Sergio Tellaroli)
Um detetive alemão improvisado e sua assistente brasileira vasculham a cidade do Rio de Janeiro em busca de alguma pista que conduza ao misterioso… João Gilberto. A missão é quase impossível; o tempo para cumpri-la, curtíssimo. Menescal, Miéle, João Donato, Marcos Valle, Miúcha, o cozinheiro, o duplo, o Copacabana Palace, Diamantina — em tom de uma divertida história detetivesca, o jornalista Marc Fischer faz uma bela declaração de amor à bossa nova.

A vida de Joana d’Arc, de Erico Verissimo (Ilustrações de Rafael Anton)
Erico Verissimo constrói com delicadeza exemplar a personalidade de Joana, a menina francesa do século XV que ouvia vozes de santos e que transgrediu as convenções de seu tempo e de seu gênero vestindo-se de homem, lutando entre os soldados e defendendo seu rei.

A luz no túnel (Os subterrâneos da liberdade, vol 3), de Jorge Amado
O volume que fecha a épica trilogia apresenta o painel ficcional de um momento muito sombrio, quando republicanos espanhóis perdem a Guerra Civil para Franco, os alemães começam a Segunda Guerra e Getúlio Vargas mostra simpatia por Hitler e Mussolini.

O livro selvagem, de Juan Villoro (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Juan precisa ler um livro completamente selvagem, que não se deixa ler. Mas por que o livro resiste à leitura? E por que Juan é o único capaz de desvendar seus mistérios? Com ele, os leitores vão descobrir não só a companhia que os livros podem nos fazer nos bons e maus momentos, como também a importância de se compartilhar o prazer e o conhecimento que as leituras nos proporcionam.

Assim falou Zaratustra, de Friedrich Niestzsche (Tradução de Paulo César de Souza)
Escrito e publicado progressivamente, entre 1883 e 1885, este veio a se tornar o mais famoso livro de Nietzsche. Nele se acha o relato das andanças, dos discursos e encontros inusitados do profeta Zaratustra, que deixa seu esconderijo nas montanhas para pregar aos homens um novo evangelho. Muitas das concepções apresentadas em outras obras do autor (como a morte de Deus, o super-homem, a vontade de poder e o eterno retorno) reaparecem aqui em nova linguagem, numa singular mistura de ficção poética, indagação filosófica e reflexão religiosa.

Olavo Holofote, de Leigh Hodgkinson (Tradução de Érico Assis)
Este livro é fantástico porque ele é totalmente dedicado ao Olavo Holofote. Aliás, é tão fantástico que o Olavo acha que não sobra epaço para mais ninguém além dele… Mas, quando todo mundo cai fora, Olavo começa a pensar: para que serve se exibir para si mesmo? Com certeza, isso não é muito divertido…

Fotobiografia de Fernando Pessoa, de Richard Zenith & Joaquim Vieira
Concebido por um editor experiente e por um dos grandes especialistas em Fernando Pessoa, o livro apresenta centenas de imagens inéditas e conhecidas do poeta e sua família, desde os primeiros anos de vida do autor até os principais acontecimentos de sua vida — incluindo fotos, desenhos, caricaturas, cartas, diários, rascunhos, manuscritos e datiloscritos, reproduções de jornais e revistas em que publicou, além de obras de arte feitas em homenagem a Pessoa.

Ismael e Chopin, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Entre seus 52 irmãos coelhos, Ismael foi o escolhido pelo pai para aprender tudo o que ele tinha para ensinar. Juntos, os dois passam os dias a se aventurar pelos cantos da floresta, observando animais e plantas, e aprendendo segredos sobre um outro mundo. É que o pai de Ismael conhece a língua dos homens e a ensina ao filho — sem nem imaginar que isso levaria ao início de uma amizade muito especial, entre um coelho e um dos maiores compositores da música ocidental.

O segredo do rio, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Era uma vez um rio que passava bem em frente à casa de um menino. Ali, ele formava um lago, onde esse pequeno camponês passava grande parte de seu tempo, nadando de olhos abertos em suas águas cristalinas ou se aquecendo em um banco de areia que se formava nas laterais. Neste rio, se escondia um segredo surpreendente.

Garrafinha, de Mariana Caltabiano (Ilustrações de Rodrigo Leão)
Com seus óculos fundo de garrafa e altura de tampinha, Garrafinha se sente rejeitada por sua aparência e, como acontece a partir de certa idade, quer mais é ter amigos e ser popular. Mas seu grande motivo de sofrimento acabou se tornando a sua solução: como ela estava sempre sozinha, passava boa parte do tempo observando os outros — e também desenhando o que via. Esses desenhos fizeram sucesso entre as crianças, e Garrafinha achou o seu jeito de se expressar. Acesse o hotsite da Garrafinha para conhecer mais da personagem.