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11 livros para ler no Dia do Rock

Biografias, romances, livros que se inspiram em canções ou bandas e que falam sobre grandes nomes da música: escolhemos onze leituras para você aproveitar no Dia do Rock! :)

1. Atravessar o fogo, de Lou Reed

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O primeiro da lista não poderia ser outro. Atravessar o fogo, que faz parte da coleção listrada da Companhia das Letras, reúne traduções de Christian Schwartz e Caetano W. Galindo para mais de 300 letras de Lou Reed. À frente do Velvet Underground, Reed “trouxe dignidade, poesia e rock and roll a temas como as drogas pesadas, as anfetaminas, a homossexualidade, o sadomasoquismo, o assassinato, a misoginia, a passividade entorpecida e o suicídio”, nas palavras do lendário crítico musical Lester Bangs, com quem mantinha uma notória relação de amor e ódio. Com sua carreira solo não foi diferente. Neste livro, o leitor pode contemplar o gênio de Lou Reed em suas múltiplas facetas: o cronista do submundo nova-iorquino, o narrador de inegável talento para capturar as vozes das ruas, o fetichista depressivo com tendências suicidas e masoquistas, o amante da literatura e das artes de vanguarda.

2. John Lennon, de Philip Norman

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Biografias de grandes nomes do rock estão no nosso catálogo, e uma delas é de John Lennon. Escrito após três anos de pesquisa, e longe de contentar-se com curiosidades ou mexericos, Philip Norman fez de John Lennon: a vida o relato biográfico mais completo já escrito sobre uma das personalidades mais fascinantes da segunda metade do século XX. Com acesso a documentos inéditos e testemunhos diretos de Yoko Ono, Sean Lennon e Paul McCartney, entre outros, Norman começa por descrever em detalhes infância e adolescência do ex-Beatle, e logo traz à tona episódios e personagens cruciais para o entendimento de uma figura tão unanimemente admirada quanto controvertida.

3. Linha Mde Patti Smith

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Em 1970 Patti Smith lançou Horses, considerado precursor do punk rock e um dos cem melhores álbuns de todos os tempos. Daí para frente, Patti não parou com sua carreira na música, que é marcada pela sua paixão por poesia. Linha M é um livro onde podemos ver seu talento também para a literatura. Num tom que transita entre a desolação e a esperança — e amplamente ilustrado com suas icônicas polaroides -, Linha M é uma reflexão de Patti Smith sobre viagens, séries de detetives, literatura e café. Um livro poderoso e comovente de uma das mais multifacetadas artistas em atividade.

4. Só garotos, de Patti Smith

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Não tem como falar de Patti Smith sem lembrar de Só garotos, livro em que fala sobre o início de sua carreira, quando se muda para Nova York no final dos anos 1960, e de seu relacionamento de amor e amizade com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, para quem prometeu escrever a sua história. Só garotos é uma autobiografia cativante e nada convencional. Tendo como pano de fundo a história de amor entre Patti e Mapplethorpe, o livro é também um retrato apaixonado, lírico e confessional da contracultura americana dos anos 1970.

5. Cidade em chamas, de Garth Risk Hallberg

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Não só de música é feito Cidade em chamas, primeiro romance de Garth Risk Hallberg, mas ela é parte importante dessa história que recria a Nova York dos anos 1970. Clássicos álbuns do rock inspiraram o autor na escrita do livro (como The Rolling Stones, Patti Smith e Lou Reed, já citados na lista), e um de seus protagonistas é ex-vocalista de uma lendária banda de punk-rock, a fictícia Ex-Post Facto. Entre shows em bares abafados da cultura underground, os negócios de uma rica família de NY e a investigação de um crime, as personagens de Cidade em chamas se esbarram pela cidade que passa por transformações sociais e culturais.

6. Minha fama de mau, de Erasmo Carlos

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Com cabeça de homem e coração de menino, o cantor e compositor Erasmo Carlos conta em Minha fama de mau suas divertidas memórias, da infância humilde à consagração como ídolo do rock. Considerado por Rita Lee como “o pai do rock brasileiro”, Erasmo reuniu por dois anos e meio passagens que costuram os detalhes de sua vida e sua carreira para narrar como o menino criado pela mãe numa casa de cômodos superou todas as limitações e o preconceito da Zona Sul carioca, consagrando-se, junto ao amigo Roberto Carlos, como o porta-voz sentimental de milhões de pessoas.

7. Do que é feita uma garotade Caitlin Moran

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Do que é feita uma garota não é um livro sobre rock, mas ele é constante na vida da narradora, a adolescente Johanna Morrigan. Depois de passar vexame num programa de TV local aos 14 anos, a jovem decide mudar de vez para virar uma “garota legal”: se transforma em Dolly Wilde, uma menina gótica, loquaz e Aventureira do Sexo, que salvará a família da pobreza com sua literatura. Nos anos 1990, ela escreve críticas de shows e álbuns para uma revista de música, se relaciona com rockstars, vê nas letras das canções que escuta aquilo que faltava para a sua vida. Mas e se Johanna tiver feito Dolly com as peças erradas? Será que uma caixa de discos e uma parede de pôsteres bastam para se fazer uma garota? Caitlin Moran faz do livro uma história divertida sobre crescer e construir sua própria identidade.

8. Mick Jagger, de Philip Norman

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Mick Jagger é o astro da música que melhor encarnou o ideal de sexo, drogas e rock’n’roll. Nesta que é a mais completa biografia do líder dos Rolling Stones, Philip Norman refaz os passos da consagração de Mick Jagger e mostra como ele se tornou um showman sedutor, o protótipo do pop star genial, escandaloso e milionário. Passando pela infância e momentos turbulentos de sua carreira, Norman narra como, em sua longa trajetória de mais de cinquenta anos como astro e ícone sexual, Mick Jagger foi assimilado pelo establishment, mas manteve a mística transgressiva e fascinante do rock.

9. Norwegian Wood, de Haruki Murakami

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Uma música dos Beatles leva o narrador deste livro, Toru Watanabe, a lembrar de sua juventude em Tóquio, onde chegou aos 17 anos para estudar teatro. E é esta música que dá título a Norwegian Wood, romance de Haruki Murakami. Vivendo solitariamente em um alojamento de estudantes, um dia reencontra um rosto de seu passado: Naoko, antiga namorada de seu grande amigo de adolescência antes deste cometer suicídio. Marcados por essa tragédia em comum, os dois se aproximam e constroem uma relação delicada onde a fragilidade psicológica de Naoko se torna cada vez mais visível até culminar com sua internação em um sanatório. Ambientado em meio à turbulência política da virada dos anos 1960 para os anos 1970, Norwegian Wood é uma balada de amor e nostalgia cuja rara beleza confirma Murakami como uma das vozes mais talentosas da ficção contemporânea.

10. A maçã envenenada, de Michel Laub

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Em 1993, o grupo norte-americano Nirvana fez uma única e célebre apresentação no estádio do Morumbi, em São Paulo. Um estudante de dezoito anos, guitarrista de uma banda de rock e cumprindo o serviço militar em Porto Alegre, precisa decidir se foge do quartel — o que o levaria à prisão — para assistir ao show ao lado da primeira namorada. A escolha ganha ressonâncias inesperadas à luz de fatos das décadas seguintes. Um deles é o suicídio de Kurt Cobain, líder do Nirvana, que chocou o mundo em 1994. Outro é o genocídio de Ruanda, iniciado quase ao mesmo tempo e aqui visto sob o ponto de vista de uma garota, Immaculée Ilibagiza, que escapou da morte ao passar 90 dias escondida num banheiro com outras sete mulheres. Focado nos anos 1990, A maçã envenenada é o segundo volume da trilogia sobre os efeitos individuais de catástrofes históricas iniciada com Diário da queda, cuja ação central se dá nos anos 1980. Como no volume anterior, Michel Laub aborda o tema da sobrevivência usando os recursos da ficção, do ensaio e da narrativa memorialística, numa linguagem que alterna secura e lirismo, ironia e emoção no limite do confessional.

11. Alta fidelidadede Nick Hornby

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E terminamos nossa lista do Dia do Rock com um livro cheio de listas musicais! Rob é um sujeito perdido. Aos 35 anos, o rompimento com a namorada o leva a repensar todas as esferas da vida: relacionamento amoroso, profissão, amizades. Sua loja de discos está à beira da falência, seus únicos amigos são dois fanáticos por música que fogem de qualquer conversa adulta e, quanto ao amor, bem, Rob está no fundo do poço. Para encarar as dificuldades, ele vai se deixar guiar pelas músicas que deram sentido a sua vida e descobrir que a estagnação não o tornou um homem sem ambições. Seu interesse pela cultura pop é real, sua loja ainda é o trabalho dos sonhos e Laura talvez seja a única ex-namorada pela qual vale a pena lutar. Alta fidelidade é um romance sobre música e relacionamento, sobre as muitas caras que o sucesso pode ter e sobre o que é, afinal, viver nos anos 1990.

Lendo Cidade em chamas

Por Carol Bensimon

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Foto: Logan Hicks

A minha maluquice é querer entender demais as coisas. Quando pego um livro para ler, óbvio que uma parte de mim está andando com a história, vivendo aquele lance que a gente chama de suspensão da descrença, mas outra certamente fica pensando em como é que a ficção está conseguindo tirar (ou não tirar) aquilo de mim; como é que, em resumo, a ficção está me deixando naquele estadinho emocional constrangedor. Normalmente dá pra entender o funcionamento de algumas engrenagens, porque a gente treina bastante para isso. Mas há mistérios insolúveis, lindos mistérios. Recentemente, os contos de Alice Munro. Eu não conseguiria nem falar sobre esses contos se quisesse, e a sensação de que eu perdi alguma coisa parece proporcional à minha atração por eles. Não dá para entender.

Cidade em chamas. Melhor não citar os fatos que costumam começar qualquer resenha ou matéria sobre o livro-de-mais-de-mil-páginas do norte-americano Garth Risk Hallberg. Eles não têm nada a ver com o romance de fato. São fofocas literárias e movimentos de mercado editorial. Estou na metade do livro, portanto leve isso em consideração se quiser, o fato de que ainda não terminei a leitura e estou me metendo a falar sobre ele sem ter lido, por exemplo, a parte que se passa durante o grande blecaute de 1977 em Nova York, uma das cenas mais impressionantes do romance de Hallberg, segundo dizem. Mas acho que vai ficar tudo bem. Minhas considerações têm mais a ver com linguagem do que propriamente com trama.

Aquele prólogo já deixava claro que vinha coisa boa. Pra mim, quer dizer. Eu me sinto muito seduzida por coisas do tipo apesar de ela [a geladeira] só conter uma barra mesozoica de manteiga que o pessoal que está me hospedando deixou para trás quando se mandou para a praia (…). A barra mesozoica de manteiga me pegou. Há um certo ritmo que também me pega. E coisas como: As sirenes e os ruídos do trânsito e dos rádios flutuam vindo das avenidas como lembranças de sirenes e ruídos de trânsito e de rádios. Por trás das janelas de outros apartamentos, TVs estão sendo ligadas, mas ninguém se dá ao trabalho de baixar as persianas. Dá para estar lá dentro, naquela Nova York dos setenta, com muita facilidade.

De fato, meu livro já está todo sublinhado. Há imagens muito bonitas, que vão do “cigarro fantasma” (o cigarro que vai virando cinza sem ninguém bater a porcaria do cigarro) a uma descrição detalhada de cheiros: Sam ainda lembrava do cheiro da mãe quando ela voltava ao sofá, chocolate em pó e marshmallow derretido, sim, mas também uma intrincada coisa meio florestal que dizia Califórnia, de onde ela tão improvavelmente viera. Por algum motivo, no entanto, a mesma coisa que me fascina acaba me parecendo um pouco cansativa.

E não é só uma questão de cansaço, mas de ter a impressão de que eu não estou entrando no tal do estadinho emocional constrangedor. Talvez o acúmulo de imagens espertas crie um efeito indesejável de distanciamento. Esperteza, aliás, é uma palavra bem adequada aqui; Cidade em chamas exala um tipo de inteligência malandra que, com frequência, deságua em um sorrisinho de canto de boca. É possível que isso tenha uma relação com os tais andaimes que Zadie Smith menciona em um de seus ensaios sobre escrever um romance, os andaimes necessários no processo, mas dos quais o escritor deve se livrar depois. Embora ela esteja falando provavelmente de montagem da trama, não parece ruim supor que o excesso de imagens-nunca-pensadas-antes acabe chamando muita atenção sobre si mesmo (como andaimes?), me jogando para fora da história. É claro que eu não quero propôr uma discussão forma x conteúdo aqui. Só estou tentando entender uma sensação de leitura.

Eu diria que a questão de fundo é a seguinte: há no narrador de Hallberg um palpável medo de se levar a sério. Talvez esse seja o medo de toda uma geração (a minha). Opiniões sobre isso, ou sobre qualquer aspecto de Cidade em chamas, são muito bem-vindas.

* * * * *

Carol Bensimon nasceu em Porto Alegre, em 1982. Publicou Pó de parede em 2008 e, no ano seguinte, a Companhia das Letras lançou seu primeiro romance, Sinuca embaixo d’água (finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura). Seu último livro, Todos nós adorávamos caubóis, foi lançado em outubro de 2013. Ela contribui para o blog com uma coluna mensal.

Semana duzentos e noventa e cinco

Cidade em chamas, Garth Risk Hallberg (Tradução de Caetano Waldrigues Galindo)
Nova York, 1976. O sonho hippie acabou, e dos escombros surge uma nova cultura urbana. Saem as mensagens de paz e amor e as camisetas tingidas, entram as guitarras desafinadas, os acordes raivosos e os coturnos caindo aos pedaços. Por toda a cidade brotam galerias de arte e casas de show esfumaçadas. É nesse cenário que Garth Risk Hallberg situa esta obra colossal, aclamada pela crítica como uma das grandes estreias literárias de nosso tempo. Combinando o ritmo de um thriller ao escopo dos grandes épicos da literatura, Garth Risk Hallberg constrói um meticuloso retrato de uma metrópole em transformação. Dos altos salões do poder às ruelas do subúrbio, ele captura a explosão social e artística que definiu uma década e transformou o mundo para sempre. Cidade em chamas é um romance inesquecível sobre amor, traição e perdão, sobre arte e punk rock. Sobre pessoas que precisam umas das outras para sobreviver. E sobre o que faz a vida valer a pena.

Voltar para casa, Toni Morrison (Tradução de José Rubens Siqueira)
Frank Money volta da Guerra da Coreia com mais do que cicatrizes visíveis em seu corpo. Veterano como tantos outros, vive em profundo conflito com seus fantasmas, perturbado pela enorme culpa de ser um sobrevivente e pelas atrocidades que cometeu. Ao se deparar com um país racista e segregado, ele reluta em voltar à sua cidade natal na Geórgia, onde deixou dolorosas memórias de infância e a pessoa que lhe é mais querida, a irmã Ycidra. Ci sobreviveu como pôde aos anos de ausência do irmão, numa sociedade machista e opressiva em que as mulheres não têm vez, são sistematicamente abandonadas pelos maridos e muitas vezes mutiladas sem piedade. Ainda que não seja um soldado, é com imperativos que a menina foi criada: “Amarre o sapato, largue essa boneca de trapo e pegue a vassoura descruze as pernas vá tirar as ervas daninhas daquele jardim endireite as costas não me responda”. O ambiente nos Estados Unidos dos anos 1950 é tão hostil — que não se diferencia muito de um campo de batalha –, especialmente para uma mulher. Nesse mundo desfigurado, ao se reencontrarem no caminho de volta para casa, os irmãos poderão enfim ressignificar seu passado e voltar a ver com esperança o futuro. Afinal, o que é o lar, senão o lugar onde estão os nossos afetos? É no retorno à casa e no amor fraterno que Frank poderá entender sua experiência traumática na guerra e reencontrar uma força que já não acreditava ter.

Censores em ação, Robert Darnton (Tradução de Rubens Figueiredo)
Em Censores em ação, Robert Darnton recria três momentos em que a censura restringiu a expressão literária. Na França, no século XVIII, censores, autores e livreiros colaboravam no fazer literário ao navegar na intricada cultura do privilégio em torno da realeza. Em 1857, na Índia, o Rajá britânico empreendeu uma investigação minuciosa dos aspectos da vida no país, transformando julgamentos literários em sentenças de prisão. Na Alemanha Oriental, a censura era tão onipresente que se instaurou na mente dos escritores como autocensura, com sequelas visíveis para a literatura nacional. Ao enraizar a censura nas particularidades da história, este estudo revelador expõe o impacto da repressão na literatura.

Seguinte

Maré congelada — A queda dos reinos vol.4, Morgan Rhodes (Tradução de Flávia Souto Maior)
As disputas pela Tétrade, quatro cristais mágicos capazes de conferir poderes inimagináveis a quem os encontrar, continua. Amara roubou o cristal da água, Jonas conseguiu o da terra, Felix enganou os rebeldes para ficar com o cristal do ar, e Lucia está com o do fogo. Mas nem todos sabem como ativar a magia da Tétrade, e apenas a princesa feiticeira conquistou poder até agora, aliando-se ao deus do fogo que libertou de seu cristal. Gaius, o Rei Sanguinário, também não desistiu de encontrar os cristais. Ele está mais sedento por poder do que nunca, especialmente agora que não conta mais com a ajuda da imortal Melenia nem com o apoio de Magnus, o herdeiro que o traiu para poupar a vida da princesa Cleo. Para conquistar todo o mundo conhecido, Gaius resolve atravessar o mar gelado até Kraeshia, e tentar um acordo com o imperador perverso de lá. No caminho, o rei vai encontrar muitas dificuldades e inimigos, como Amara, princesa de Kraeshia, que tem seus próprios planos para conquistar o poder.

Na estrada Jellicoe, Melina Marchetta (Tradução de Guilherme Miranda)
A pequena cidade de Jellicoe, na Austrália, vive uma guerra territorial travada entre três grupos: os estudantes do internato, os adolescentes da cidade e os alunos de uma escola militar que acampa na região uma vez por ano. Taylor é líder de um dos dormitórios do internato e foi escolhida para representar seus colegas nessa disputa. Mas a garota não precisa apenas liderar negociações: ela vai ter que enfrentar seu passado misterioso e criar coragem para finalmente tentar compreender por que foi abandonada pela mãe na estrada Jellicoe quando era criança. Hannah, a única adulta em quem Taylor confia e que poderia ajudar, desaparece repentinamente — e a pista sobre seu paradeiro é um manuscrito que narra a história de cinco crianças que viveram em Jellicoe dezoito anos atrás…

Companhia das Letrinhas

Quem é você?, Pernilla Stalfelt (Tradução de Fernanda Sarmatz Åkesson)
Pode ser surpreendente encontrar alguém tão diferente de nós. Podemos ficar de queixo caído e não entender muito bem o por quê de alguém se vestir com determinada roupa, acreditar em certa coisa ou ter uma opinião oposta à nossa. Mas será que, mesmo com essas disparidades, somos tão diferentes assim? O que temos de parecido? Quem é você é um livro sobre tolerância, que nos mostra que somos tão parecidos quanto diferentes, e por isso somos todos iguais!

Portfolio-Penguin

Um ano com Peter Drucker, Joseph A. Maciariello (Tradução de André Fontenelle)
Um ano de curso de liderança, dividido em lições semanais curtas com base no programa de coaching de Peter Drucker, em publicações inéditas e em leituras selecionadas das obras clássicas do guru da administração, foi compilado por Joseph A. Maciariello, seu colaborador durante a vida toda. Este livro destila a essência do programa pessoal de mentoria de Peter Drucker num curso de 52 semanas muito simples de acompanhar, explorando temas que Drucker considerava os mais importantes no desenvolvimento de lideranças. A sabedoria de uma vida inteira está concentrada num volume essencial que serve tanto a antigos admiradores de Drucker como a jovens executivos que descobrirão agora o seu brilhantismo e a oportunidade inestimável de aprender com este grande mestre.

Suma de Letras

O cisne e o chacal, J.A. Redmerski (Tradução de Michele Vartuli)
Fredrik Gustavsson nunca considerou a possibilidade de se apaixonar — certamente nenhuma mulher entenderia seu estilo de vida sombrio e sangrento. Até que encontra Seraphina, uma mulher tão perversa e sedenta de sangue quanto ele. Eles passam dois anos juntos, em uma relação obscura e cheia de luxúria. Então Seraphina desaparece. Seis anos depois, Fredrik ainda tenta descobrir onde está a mulher que virou seu mundo de cabeça para baixo. Quando está próximo de descobrir seu paradeiro, ele conhece Cassia, a única pessoa capaz de lhe dar a informação que tanto deseja. Mas Cassia está ferida após escapar de um incêndio, e não se lembra de nada. Fredrik não tem escolha a não ser manter a mulher por perto, porém, depois de um ano convivendo com seu jeito delicado e piedoso, ele se descobre em uma batalha interna entre o que sente por Seraphina e o que sente por Cassia. Porque ele sabe que, para manter o amor de uma, a outra deve morrer.

Em tradução (Cidade em chamas)

Por Caetano Galindo

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Os últimos meses foram movimentados aqui na oficina Galindo de tradução de horas vagas (nem vos conto, oh leitores, do que andou rolando na Universidade nesse intervalo…).

Entre o dia 15 de outubro de 2015 e o primeiro de abril, agora há pouco, foram quatro romances entregues… Ou seja, depois daquela primeira entrega, dá mais ou menos um a cada dois meses.

O mais recente de Ali Smith, Como ser as duas coisas, foi entregue no dia 27 de novembro. Um retrato do artista quando jovem foi no dia 2 de fevereiro, aniversário de James Joyce. E agora, sem mentira, no primeiro de abril foi O livro de Aron, de Jim Shepard, que nem estava nos planos.

Isso tudo além do lançamento (o que inclui revisões finais e tal) de Sim, eu digo sim, a nossa “visita guiada” ao Ulysses, de Joyce.

Se tudo der certo, dou um tempo nas traduções até o segundo semestre, quando preciso finalizar O rei pálido, de David Foster Wallace. Tenho umas publicações universitárias precisando da minha atenção. Desculpa.

Mas se eu pude fazer tudo isso nesse tempo, por outro lado (poroutroladissimamente!), entre 23 de abril de 2015 e aquele 15 de outubro, quase seis meses redondos, essas minhas horas “vagas” só respiraram Cidade em chamas, só serviram aos esforços de trazer o grande Garth Risk Hallberg até o leitor brasileiro.

Agora, o livro está em produção, e tem lançamento previsto pro dia 29 de abril.

São 1040 páginas de um passeio fascinante pela cidade de Nova York em seu grande momento de crise, antes da retomada de crescimento econômico e da “limpeza” promovida por Ed Koch, Giuliani e Cia Ltda. Punks, arte de rua, decadência.

Muita música, muita ideologia radical, muita angústia adolescente.

Um mundo que era a semente de muito o que nós seríamos hoje, e que ainda por isso nos parece radicalmente estranho (ou deveria). O mundo dos Ramones, de Patti Smith, Lou Reed e das fitas piratas do Clash. Mas o mundo também dos falanstérios, das comunidades alternativas apocalíptico/anárquicas. Um mundo de leitores de Foucault e seguidores de Johnny Rotten.

E ao mesmo tempo um mundo em que os grandes conglomerados estão, como na literatura de Pynchon, de DeLillo, de David Foster Wallace, literalmente comprando a cidade, alterando sua paisagem, e um cenário onde o profeta do caos e da redenção pode ser um radialista chapado que tem um programa de madrugada onde vocifera para a cidade ir para as ruas e recobrar o que é seu.

Eu vivi seis meses com a família Hamilton-Sweeney (diga-se de passagem, há VÁRIAS referências a Sweeney Todd no romance: foi até um aluno meu [oi, Guilherme!] quem me fez ver que mesmo o título vem de uma canção do musical…). Eu passei seis meses com a angústia de William, o herdeiro milionário que prefere virar artista plástico marginal, de Regan, a irmã mais velha, personagem mais profunda do livro. Passei meio ano com Charlie, o adolescente obcecado pela antiga banda de William, com Samantha, o mito por trás de tudo. Passei meio ano com a história dos fogos de artifício, dos Estados Unidos, da música pop e da grande literatura americana.

Agora fica com vocês.

* * * * *

Caetano W. Galindo é professor de Linguística Histórica na Universidade Federal do Paraná e doutor em Linguística pela USP. Já traduziu livros de James Joyce, David Foster Wallace e Thomas Pynchon, entre outros. Ele colabora para o Blog da Companhia com uma coluna mensal sobre tradução.
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David Bowie, Patti Smith e mais nove artistas que inspiraram Cidade em chamas

Por M. J. Franklin

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Texto originalmente publicado no site Mashable. Tradução de Carlos Alberto Bárbaro.

O romance Cidade em chamas, de Garth Risk Hallberg, acompanha um amplo elenco de narradores — punks, herdeiros, detetives, jornalistas, artistas — pela Nova York dos anos 1970. Há, porém, um outro personagem que tem uma participação de peso no livro: a música.

Enquanto os personagens vão se movimentando pela cena punk da década de 1970, é a música que, a um só tempo, conduz os protagonistas do livro e enriquece o mundo de Cidade em chamas­ — por vezes, literalmente.

Por exemplo, quando Charlie, um desses protagonistas, vai ao show de Ano Novo de sua banda predileta, Hallberg escreve:

“O mero poder monofônico daquele som apagou completamente qualquer impressão que aqueles bocós de smoking pudessem ter deixado. Era uma avalanche, rolando montanha abaixo, quebrando árvores e casas como brinquedinhos de lata, pegando todo som que encontrasse e obliterando num troar branco. Enquanto Charlie se viu sendo levado, totalmente, incapaz de decidir se era bom ou ruim — incapaz, até, de dar bola.”

Considerando o papel da música no curso do romance, perguntamos a Hallberg quais foram os álbuns que mais o inspiraram quando ele escrevia Cidade em chamas. Viaje de volta aos anos 1970 com as respostas dele, a seguir.

Patti Smith — Horses (1975)

“O jeito mais fácil de explicar o quão essencial esse álbum é para Cidade em chamas: abra o livro na página 579 e olhe para a fotografia de Patti, punho ao ar. Horses foi um dos mapas que me conduziram do rock dos anos 60 e do punk dos 90 do começo da minha adolescência para a utopia, ou distopia, funk da Nova York da metade dos anos 1970. Esse disco me fazia sonhar com aquele lugar e com aquela época bem antes de eu sequer acalentar a ideia de escrever um livro sobre isso. E quando, anos mais tarde, sentei para escrever, muito do personagem Charlie veio de ‘Birdland’, enquanto Samantha veio se vangloriando diretamente de ‘Gloria’.

Lou Reed — Transformer (1972)

“Outra obra-prima dos anos 1970 que mistura a energia anarquicamente entrópica do que viria a ser o punk rock com algo mais tradicionalmente, e construtivamente, poético. Há um romance sobre Nova York apenas no solo de saxofone de ‘Walk on the Wild Side’, nas cordas de piano em ‘Perfect Day’. Eu consigo imaginar William, o pintor viciado e herdeiro desonrado, rebolando rua abaixo ao som de ‘I’m So Free’. E aqueles vocais durante toda a música… Não tem nada mais Nova York que Lou Reed.”

Billy Joel — The Essential Billy Joel (2001)

“Claro que também não tem nada mais Nova York que Billy Joel. Ainda não sei como é que essa coletânea veio parar no meu iPod; só se foi naquela vez em que eu estava caidinho por uma garota que adorava ‘The Stranger’. Fato é que o primeiro vislumbre que eu tive de Cidade em chamas, quase literalmente uma inspiração divina, me veio da primeira vez que ouvi ‘Miami 2017 (Seen the Lights Go Out On Broadway)’, o hino dos anos 70, enquanto olhava, de New Jersey, para a arruinada linha do horizonte da cidade de Nova York, por volta de 2003. Eu concebi essa grande tela dickensiana, esse grande paralelo entre duas épocas em que a cidade estava em desarranjo — e quando grandes mudanças eram possíveis.”

The Rolling Stones — Goats Head Soup (1973)

“Não conheço ninguém que tenha esse disco dos Stones como o seu preferido, mas tem algo na sonoridade de Goats Head Soup, especialmente nas primeiras faixas, que acho que capturam o choque de extremos na Nova York dos anos 1970 — a grande riqueza, a grande miséria. Eu estava com ‘Heartbreaker (Doo Doo Doo Doo)’ na cabeça quando concebi o tiroteio que encerra o Ato 1 do romance, e que serve para colocar vários dos personagens em curso de colisão. Acho mesmo que por algum tempo eu quis utilizar algum dos seus versos como uma epígrafe.”

Talking Heads — Talking Heads 77 (1977)

“Como vários dos personagens observam no livro, havia algo de talismânico e icônico sobre o ano de 1977, mesmo em 1977. E tanto foi assim que o Talking Heads batizou o seu primeiro disco com o nome desse ano. Mas para mim foi útil recordar, vencendo a tentação de reduzir aquele período de tempo a um monolítico retrato da decadência (sim, Mick Jagger, estou falando com você), de como tantas posturas e comportamentos e humores ainda circulavam pela Nova York de então: a tensão de ‘Psycho Killer,’ o chacoalhar lisérgico de ‘Don’t Worry About the Government’…”

Chic — Chic (1977)

“O livro termina imediatamente antes desse disco sair, mas a discoteca (assim como o hip-hop) já estava germinando em Nova York e em outras partes, e deu um jeito de se imiscuir no pano de fundo do romance. Eu meio que adorei, por exemplo, que Nicky Chaos, que se acha o rei dos anarquistas, também ache Donna Summer irresistível. Ou que Mercer, a professorinha travada, acaba se rendendo ao Abba. De minha parte, eu sempre fui um fã do Chic. Culpa daquele baixo…”

Bruce Springsteen — Born to Run (1975)

“Houve épocas da minha vida em que eu não ouvia nada além de Bruce Springsteen. Se tem algo que eu amo sobre o ‘Boss’ é que ele não renega suas influências; ele parece acreditar na força de sua própria paixão para conjurá-las em algo novo. É o caso de Born to Run, essa costura maluca de sons de guitarra de música de surf, percussão de trilhas de faroeste e riffs de piano dos lados B dos discos de Phil Spector em algo completamente original. É uma sinfonia barata — ‘um Chevy’57 acelerando sobre discos derretidos do selo Crystals’, como definiu um crítico. Eu torcia para que Cidade em chamas fizesse algo semelhante com todos os livros que eu mais amei, de Dickens a Virginia Woolf a David Foster Wallace.”

David Bowie — The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972)

“Para mim, Charlie parecia o tipo de garoto que realmente gostaria de David Bowie, de modo que eu me diverti à beça explorando a história de seus anos de colegial, baseando-me para isto numa leitura rigorosa de Ziggy Stardust. Adotado bem novinho, e crescendo nos subúrbios de Long Island, ele se sente um pouco como um alien que caiu na terra. E sua sensação de que Bowie, de certa forma, é o único que o entende é como eu me sinto em relação aos músicos e poetas e romancistas que falavam a mim quando eu tinha a idade dele.”

Fugazi — In On The Kill Taker (1993)

“Acho que comecei a ouvir o Velvet Underground de Lou Reed quando estava na sétima série, mas foi este álbum, que eu comprei quando tinha quinze anos, a minha verdadeira introdução ao punk rock. O que acabou por me aproximar da cena alternativa musical de meados dos anos 1990 na capital de Washington, a maior cidade próxima da cidade onde eu cresci. E à medida em que eu tentava abrir meu caminho rumo ao autêntico círculo punk de Nova York, eu me peguei fazendo a aproximação de certos elementos de um no outro.”

Joni Mitchell — Blue (1971)

“Cheguei à conclusão de que os anos 1970 me fascinavam em parte por serem como a ressaca que se seguiu aos utópicos anos 1960 — o momento em que as pessoas acordaram e perceberam que o mundo poderia não aprender como cantar em perfeita harmonia. O que o romance busca ao desenhar o passado dos seus personagens é tentar entender essa transição. E esse álbum é um documento essencial, segundo penso, desse ponto de inflexão. Ele tem tanto esperança como desespero em si, o que me faz recordar de alguns dos personagens mais maduros, em particular, Regan e Richard. Na verdade, o nome de Richard veio de ‘The Last Time I Saw Richard.’”

The Ramones — Ramones (1976)

“Se você estiver em busca de uma gravação quintessencial do punk, algo que corporifique as ‘regras do alto e rápido’, não vai encontrar nada melhor que o Ramones. Se ouvir com atenção, parte do que irá perceber é o quão marginais esses caras são, com suas histórias de ratos e punks que fogem para se juntar aos festivais de patinação no gelo. E esse senso de inadequação, transformado em um tipo de signo de comunidade, é de fato o que leva Sam e Charlie à cena punk. É um tipo de metáfora da própria Nova York: ‘Bring me your poor, your tired, your huddled masses…’ [Vinde a mim os pobres, os exaustos, as massas reunidas…] Todos os personagens deste livro, sejam eles nativos ou colonos, de algum modo ou outro sentem-se como estrangeiros. Talvez todos nós nos sintamos assim.”

Cidade em chamas, de Garth Risk Hallberg, chega às livrarias brasileiras no dia 29 de abril.

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