geoff dyer

Semana duzentos e oitenta e oito

Mais um dia magnífico no mar, Geoff Dyer (Tradução Pedro Maia Soares)
Dyer relata aqui a experiência de passar duas semanas num porta-aviões norte-americano. Em 45 pequenos capítulos, escritos no estilo elegante e divertido que o tornou célebre, Dyer descreve cada aspecto da vida num navio de guerra – os marinheiros encarregados de administrar freezers gigantescos de comida processada, a academia de ginástica repleta de oficiais obcecados por musculação, o bloco prisional ocioso, que transforma os vigias em verdadeiros cativos obrigados a supervisionar celas vazias. É um cotidiano completamente oposto aos hábitos do autor. Alto, magro, incapaz de andar no convés sem se curvar, é também, em suas próprias palavras, um ranzinza cheio de restrições alimentares, com aversão a motores, ruído e combustível, e disposto a infernizar a tripulação até conseguir uma cabine privativa – luxo impensável a bordo de um porta-aviões. Ainda assim, seu relato é leve e generoso, cheio de curiosidade e respeito pelo trabalho incansável dos tripulantes: consertar aviões, lançá-los ao céu e recebê-los quando voltam da missão. Um inglês típico frente a um mundo profundamente americano, com suas constantes incitações ao sucesso e à superação, Dyer registra com brilho o cotidiano no navio. O porta-aviões é a representação de uma sociedade em que disciplina, conformidade, dedicação e otimismo se transmutam em formas de identidade.

Penguin

O homem dos lobos, Sigmund Freud (Tradução de Paulo César de Souza)
No início do século XX, Sigmund Freud revolucionou o estudo das ciências humanas ao publicar ensaios sobre o inconsciente e a sexualidade. Embora suas teorias tenham sofrido grande resistência da sociedade e em especial da classe médica, foram muito disseminadas, alterando radicalmente a percepção do indivíduo sobre o mundo e sobre si mesmo. O homem dos lobos, como ficou conhecido um dos mais instigantes casos clínicos de Freud, conta a história de um garoto amável que se torna, sem razão aparente, irritadiço e amedrontado. E dá ao leitor o privilégio de ver o pai da psicanálise destrinchar as memórias mais remotas de seu paciente, repletas de nuances e contradições, até chegar a um diagnóstico.

Objetiva

Quando os fatos mudam, Tony Judt (Tradução de Claudio Figueiredo)
Editado e apresentado pela viúva de Tony Judt, a historiadora Jennifer Homans, Quando os fatos mudam reúne importantes ensaios escritos ao longo da carreira de Judt de modo a compor uma crônica tanto da evolução de seu pensamento como da notável coerência de seu intenso engajamento e entusiasmo intelectual. Seja ao abordar a pobreza acadêmica da nova história social, a obstinada cegueira da memória coletiva francesa sobre o que aconteceu aos judeus do país na Segunda Guerra Mundial ou o desafio moral enfrentado por Israel em face à questão palestina, a grandeza da obra de Tony Judt reside na combinação de franqueza, brilho intelectual e clareza ética.

Companhia das Letrinhas

Vou crescer assim mesmo, Carlos Drummond de Andrade
Todo mundo foi criança um dia. Mas nem todo mundo fez desse tempo poesia, como Carlos Drummond de Andrade. Nos poemas reunidos neste livro, Drummond fala sobre a infância de um jeito que só os artistas sabem fazer – e é impossível não se identificar. Quem é que nunca levou uma bronca do pai, comeu jabuticabas do pé, ouviu a pergunta “o que você vai ser quando crescer”? Este livro faz parte da coleção Lembrete, que procura despertar o gosto pela leitura com o melhor da literatura brasileira, em seleções pensadas para o público entre 9 e 13 anos.

Suma de Letras

Mr. Mercedes, Stephen King (Tradução de Regiane Winarski)
Ainda é madrugada e, em uma falida cidade do Meio-Oeste, centenas de pessoas fazem fila em uma feira de empregos, desesperadas para conseguir trabalho. De repente, um único carro surge, avançando para a multidão. O Mercedes atropela vários inocentes, antes de recuar e fazer outra investida. Oito pessoas são mortas e várias ficam feridas. O assassino escapa. Meses depois, o detetive Bill Hodges ainda é atormentado pelo fracasso na resolução do caso, e passa os dias em frente à TV, contemplando a ideia de se matar. Ao receber uma carta de alguém que se autodenomina o Assassino do Mercedes, Hodges desperta da aposentadoria deprimida, decidido a encontrar o culpado.

Paralela

A cadeia da sereia, Sue Monk Kidd (Tradução de Thereza Christina Rocque Motta)
Na abadia de santa Senara, batizada com o nome de uma santa celta que fora sereia antes de ser convertida, existe uma cadeira encantada. Reza a lenda que quem tomar assento e fizer um pedido a santa Senara será ouvido. Quando Jessie Sullivan precisa retornar à ilha para cuidar de sua mãe, deixando o marido, Hugh, para trás, é forçada a encarar uma série de dúvidas sobre o seu casamento. Apesar do amor cordial que sente pelo companheiro, ela se vê atraída por um monge, o irmão Thomas, que está prestes a fazer seus votos solenes. Em meio ao mistério que envolve os poderes da “santa pecadora”, Jessie luta contra os desejos que parecem tomar conta de sua vida. Ao ser tocada pela liberdade que a Ilha inspira, seria Jessie capaz de deixar de lado a responsabilidade e o conforto do lar que criou ao lado de Hugh? Uma história comovente sobre espiritualidade e as escolhas que precisamos fazer.

 

 

 

Semana cento e cinquenta e oito

Os lançamentos desta semana são:

Todo aquele jazz, de Geoff Dyer (Trad. Donaldson M. Garschagen)
Todo aquele jazz é uma história de destruição. Chet Baker e seu rosto arruinado ainda jovem, Art Pepper e seus desvarios na cadeia, Lester Young viciado em qualquer droga a seu alcance, Thelonious Monk paralisado pela doença mental. O autor inglês Geoff Dyer rompe a distância educada típica do ensaísmo tradicional e, assumindo um tom intimista, caminha entre os músicos que formam o tema deste livro. Considerado um dos mais instigantes livros já escritos sobre o gênero, Todo aquele jazz é uma mescla de ensaio e ficção que, em um salto de imaginação, aproxima-se dos gênios que construíram a época de ouro da música que deu voz aos oprimidos e mudou a história dos Estados Unidos.

O verão sem homens, de Siri Hustvedt (Trad. Alexandre Barbosa de Souza)
Quando seu casamento chega ao fim – ou a um interlúdio sem prazo para terminar-, Mia Fredricksen se sente uma estranha na própria casa. Ainda abalada pelo colapso nervoso, decide passar as férias de verão bem longe de Nova York e de seu cotidiano habitual, em uma cidadezinha nas pradarias de Missesota, lugar onde nasceu e onde vive sua mãe. Mais perto da infância e da velhice, e longe da sombra das figuras masculinas que marcam sua vida, Mia consegue a serenidade para reavaliar sua existência e, a partir da convivência com as mulheres ao seu redor, encontrar suas próprias respostas para as eternas questões do amor e o casamento, da solidariedade e a rivalidade, e das diferenças e semelhanças entre os sexos.

Ithaca Road, de Paulo Scott
Da janela do apartamento em Ithaca Road, Narelle observa o movimento da rua e do parque. O apartamento pertence ao seu irmão, que fugiu do país às vésperas da falência de seu negócio e lhe deixou um mar de problemas para resolver. No reencontro com algumas peças fundamentais do quebra-cabeça que se tornou sua vida, Narelle mal terá tempo de reparar na menina delicada e silenciosa que passa os dias desenhando no parque em Ithaca Road. Mas um primeiro passo na direção dessa garota pode trazer à tona um inesperado e incerto encontro entre passado e futuro. Ithaca Road traz uma história única e delicada envolvendo Penélopes contemporâneas, emancipadas, inconformadas, à procura do seu lugar num mundo novo que lhes convida a querer mais, muito mais.

Pássaros amarelos, de Kevin Powers (Trad. Donaldson M. Garschagen)
Aos 21 anos, o soldado John Bartle é enviado para lutar no Iraque. Lá, ele se vê confrontado pela morte por todos os lados: seja no número crescente de baixas do Exército norte-americano, seja nos inimigos em que se vê obrigado a atirar. Bartle luta para resistir ao massacre psicológico da guerra e, ao mesmo tempo, proteger Daniel Murphy, um garoto assustado do interior dos Estados Unidos. Mas ele vê o amigo ceder aos poucos e acaba implicado em um conflito que confunde promessas, lealdade e a ética própria da guerra. A tortuosidade da memória de Bartle guia a reconstrução dos anos que se passaram desde então. Kevin Powers, ele mesmo um veterano do Iraque, combina cenas cruas de horror a observações sensíveis sobre a perda da ingenuidade neste seu primeiro romance, considerado pela crítica como “a primeira obra-prima americana produzida pela Guerra do Iraque”.

Um domingo na cozinha, de Lycia Kattan e Daniel Kondo
Para os pais de Tom, Lola e Leo, os domingos eram sinônimo de cozinha: quando finalmente tinham conseguido arrumar a bagunça do café da manhã, já era hora de preparar o almoço, e nunca sobrava tempo para os programas em família. Mas aquele seria um domingo especial; afinal, era o primeiro dia de S.A.N.D.R.O. (ou Super Auto New-Design Rare Overcooking machine) como robô-chef da casa. Acontece que o primeiro prato feito por aquela “revolução culinária”, segundo o comercial da tevê, não ficou lá muito saboroso – nem o segundo nem o terceiro nem o quarto… Apesar da decepção, as crianças acabaram arregaçando as mangas para ajudar os pais e descobriram receitas deliciosas e divertidas (que aparecem ao final do livro) e que não precisavam da ajuda de nenhum robô!

Editora Paralela

Para sempre sua, de Sylvia Day (Trad. Alexandre Boide)
Alto, moreno, rico, bem-sucedido, poderoso e, claro, lindo, Gideon Cross era o homem que qualquer mulher adoraria ter ao seu lado. Desde a primeira vez que se cruzaram, surge uma atração incontrolável entre eles. O que no começo parece ser só sexo, aos poucos vai se tornando uma paixão arrebatadora. Gideon e Eva não conseguem ficar um minuto sequer sem pensar um no outro, sem desejar-se. Os dois se entregam profundamente, revelando traumas e segredos de um passado complicado que até hoje os assombra com as suas marcas. Além disso, o dia a dia vai se revelar ainda mais desafiador. Se por um lado, Gideon e Eva não se cansam de seus encontros pra lá de sensuais, por outro, a presença implacável de Corinne, ex-mulher de Gideon, de Brett, ex-namorado gatíssimo de Eva por quem ela era apaixonada, e de Deanna, uma jornalista que só pensa em acabar com Gideon, fazem com que qualquer passo errado possa colocar tudo a perder. Mas até onde estariam dispostos a ir um pelo outro? O que sacrificariam por uma relação tão dependente quanto esta? Será que mesmo diante de todos os obstáculos conseguirão, enfim, ficar juntos?

Portfolio-Penguin

A teoria do bambu, de Ping Fu (Trad. André Fontenelle)
Ping Fu sabe o que significa ser operária de fábrica e presa política num país cuja Revolução Cultural quis eliminar todas as pessoas que tinham instrução. Sabe o que é ser espancada e estuprada apenas por fazer parte de uma família rica. Sabe o que é ser deportada para outro continente, sem dinheiro, família ou amigos, e começar uma nova vida como faxineira e garçonete. Por outro lado, Ping Fu também sabe o que é ser CEO de uma grande empresa de tecnologia, e ser eleita Empresária do Ano. Sabe como é ser amiga e mentora de um dos maiores programadores de software de que se tem notícia. Sabe o que é dar palestras para multidões e conselhos ao presidente dos Estados Unidos. Essa é a história de Ping Fu, a história de uma vida em dois mundos. Nascida às vésperas da Revolução Cultural da China, Ping Fu foi separada de sua família aos oito anos. Cresceu em meio a ritos de humilhação praticados pela Guarda Vermelha de Mao, e aos 25 anos foi forçada a deixar seu país natal para buscar uma nova vida nos Estados Unidos. Falando apenas três palavras em inglês e seguindo os ensinamentos taoistas aprendidos na infância, Ping Fu chegou aos Estados Unidos e menos de dez anos depois já era uma empresária bem-sucedida. Aos 38 anos fundou a Geomagic, empresa que é hoje a maior fornecedora de softwares 3D para a criação de modelos digitais de objetos reais. A teoria do bambu é o relato de uma jornada quase inacreditável. Um verdadeiro tributo à coragem de uma mulher em face da crueldade e uma valiosa lição sobre o poder da resiliência.