georges duby

Semana cento e sessenta e dois

Os lançamentos desta semana são:

Berlim: 1961, de Frederick Kempe (Trad. Hildegard Feist)
Em junho de 1961, Nikita Khruschóv chamou Berlim de “o lugar mais perigoso do mundo”. Ele não exagerava: a resistência das potências ocidentais em desocupar militarmente a porção oeste da cidade, conforme exigido por diversos ultimatos do líder comunista – que tentava conter as correntes de refugiados do Leste -, gerou sem dúvida a mais grave crise política do pós-guerra.
Culminando na construção do símbolo máximo da divisão do globo entre dois grupos antagônicos – o Muro de Berlim, que tornava palpável a metafórica Cortina de Ferro de Winston Churchill -, a crise de 1961 foi a primeira e única vez na história em que militares e tanques norte-americanos e soviéticos estiveram frente a frente, a metros de distância. Um erro, um soldado que perdesse o controle, um comandante menos preparado, qualquer escaramuça poderia ter gerado uma guerra atômica em questão de minutos.
Baseado em amplo repertório de fontes novas e entrevistas, Berlim, 1961 narra em ritmo de thriller este que foi um dos eventos cruciais do século XX, e é leitura obrigatória para a compreensão da história da Guerra Fria.

Cadê você, Bernadette?, de Maria Semple (Trad. André Czarnobai)
Bee concluiu seus estudos na Galer Street, uma escola liberal de Seattle, com as melhores notas, e tudo o que ela quer como presente de formatura é uma viagem à Antártida na companhia dos pais. Elgin é um pai ausente, mas genial: programador da Microsoft, tornou-se um rock star no mundo nerd por ter dado a quarta palestra mais vista no TED, e está prestes a lançar o Samantha 2, o projeto de sua vida. O momento não poderia ser pior para se isolar no extremo sul do planeta. A mãe, Bernadette, já não aguenta a vida em Seattle e está à beira de um ataque de nervos. poucos dias antes da viagem, ela desaparece, com medo do convívio social e de sentir enjoo durante a travessia da passagem de Drake. Agora Bee fará tudo para encontrar a mãe. Mas antes ela terá de descobrir quem é essa mulher que ela acreditava conhecer tão bem.

As damas do século XII, de Georges Duby (Trad. Paulo Neves e Maria Lúcia Machado)
O célebre historiador francês Georges Duby (1919-96) já definiu a Idade Média como a idade dos homens, Em estudos posteriores, no entanto, ele mostrou que, de certa maneira, a Idade Média foi também uma idade das mulheres, ou pelo menos de algumas delas. Saídas das sombras, elas acabaram por se revelar mais determinantes do que se costuma pensar. Em As damas do século XII, edição que reúne três de seus trabalhos sobre o tema, Duby analisa como a própria identidade de certas famílias nobres foi construída em torno de mulheres. Esta singular reinterpretação, elaborada em linguagem clara e envolvente, resulta em obra não apenas para especialistas, mas para todos os que buscam, através de leitura agradável, adentrar em camadas pouco conhecidas da história.

A lobinha ruiva, de Stela Greco Loducca
Era uma vez uma lobinha ruiva que precisava visitar a vovozinha doente. No caminho, ela encontra um caçador que é mau pra chuchu e que a engana para chegar antes à casa da vovó. Se você acha que já ouviu essa história, provavelmente está certo. E se acha que não está reconhecendo bem a trama, também acertou! Pois aqui a brincadeira é recontar uma história clássica, trocando o papel dos personagens mais importantes. parece que vai dar um nó na cabeça da gente. mas, no final, essas mudanças nos fazem pensar em um monte de coisas importantes – por exemplo, será que existe um mau que é só mau e um bom que é só bom?

Fábulas de Esopo, adaptação de Jean Philippe Mogenet (Trad. Julia da Rosa Simões)
Há mais de dois mil e seiscentos anos as Fábulas de Esopo são lidas e contadas em todo o mundo. isso porque, além de tratarem de temas que dizem respeito a todas as pessoas, essas histórias podem ser adaptadas de acordo com os costumes de cada época e com o interesse e o estilo dos autores que as recontam. E foi justamente o que fizeram Jean-Philippe Mogenet e Jean François Martin nesta edição, em que fábulas clássicas – como a da lebre que resolveu dar uma cochilada no meio da corrida ou a da raposa que queria muito comer uvas – ganharam narrativas concisas e belíssimas ilustrações, convidando novos leitores a se apaixonarem por esses contos atemporais, e quem sabe quase mágicos.

Breve Companhia

#VemPraRua, de Piero Locatelli
O furioso mês de junho de 2013 pode ter mudado o jogo político no Brasil, além de ter inaugurado uma nova era de mobilização popular no país. Mas qual é a origem dessas manifestações? Afinal, como surgiu o Movimento Passe Livre (MPL), e quem são os membros desse grupo político horizontalizado (sem líderes) que galvanizou a opinião pública desde que começou a conduzir os protestos contra o aumento da tarifa de transporte público nas capitais? O jovem repórter Piero Locatelli retraça – com rigor jornalístico e empenho narrativo – o dia a dia das manifestações, demonstra como a violência policial fez com que todas as forças sociais do Brasil (incluindo a imprensa, antes cética diante dos protestos) se mostrassem simpáticas ao movimento e reconstitui, grito após grito, marcha após marcha, os episódios mais marcantes e fundamentais para que a série de protestos se inscrevesse num dos capítulos mais poderosos da história recente do Brasil. Piero, detido numa das grandes manifestações por estar levando prosaico frasco de vinagre na mochila (artefato que deveria protegê-lo do gás lacrimogêneo), teve acesso privilegiado a diversos integrantes do MPL, jovens habitualmente relutantes em falar com jornalistas. Também conversou com diversas fontes oficiais, funcionários do governo e pessoas comuns que saíram às ruas em busca de um país mais justo para todos. O resultado é uma narrativa jornalística envolvente e esclarecedora. E o começo de uma história nova na vida política brasileira.

Semana cinquenta e oito

Os lançamentos da semana são:

Idade Média, idade dos homens, de Georges Duby (Tradução de Jônatas Batista Neto)
O livro reúne diversos textos do grande historiador francês Georges Duby, tratando em sua maior parte da questão do amor na Idade Média. Permitindo uma visão de conjunto de seu pensamento, este trabalho é quase um “caderno de anotações”, no qual Duby se permitiu, de forma menos rígida e mais ensaística, interrogar-se sobre aspectos fundamentais da chamada “sociedade feudal”. Grande parte dos textos tem, como tema, o amor e o casamento, e é por isso que se fala de uma “Idade dos Homens”. Além de estudar o casamento monogâmico a partir do século XII, Duby examina as estruturas familiares, a vida da aristocracia, o amor cortês e a questão do sofrimento físico na Idade Média.

Orgulho e preconceito, de Jane Austen (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza)
Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu. A edição conta com prefácio e notas de Vivien Jones, e introdução de Tony Tanner.

Primeiros socorros, de Drauzio Varella e Carlos Jardim (Ilustrações de Caeto)
Quando alguém se acidente ao seu lado, você: a) fica desesperado; b) faz um pouco de tudo o que passa pela sua cabeça; c) procura atendimento médico; d) nenhuma das anteriores. Em geral, pensamos que prestar os primeiros socorros é coisa de médico, mas isso só é verdade quando desconhecemos o que fazer em casa situação. Mas, como você verá neste manual, essas providências não passam de um conjunto de medidas práticas e bastante simples, ditadas pelo bom senso. São procedimentos que podem e devem ser aprendidos por mulheres, homens e crianças, pois acidentes ocorrem de forma imprevista, esteja quem estiver por perto. Conhecendo os primeiros socorros, sentimos menos medo ao enfrentar a adversidade, e nos tornamos muito mais capazes de cuidar dos outros e de nós mesmos.

Água sim, de Eucanaã Ferraz (Ilustrações de Andrés Sandoval)
Eucanaã Ferraz é um grande poeta, atualmente apaixonado pelos livros para crianças. Depois de Palhaço, macaco, passarinho, com a parceria de Jaguar, escreveu um poema sobre a água, com ilustrações de Andrés Sandoval. A partir de frases extremamente simples, com pequenas mudanças a cada página, Eucanaã serpenteia com a água em todos os seus estados físicos, pelas pedras, árvores, nuvens, passando pelo gelo, pelo sol, pelo rio. As ilustrações de Andrés partiram de um desafio gráfico — o trabalho com a monotipia, uma técnica de impressão explorada a fundo neste livro — e alcançaram uma linguagem totalmente nova e específica. Recheados de texturas que remetem à água, os desenhos acompanham o jogo de experimentação de sensações que existe no texto. Uma verdadeira viagem poética.