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Semana duzentos e catorze

A festa da insignificância, de Milan Kundera (Trad. de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca)
Autor de romances, volumes de contos, ensaios, uma peça de teatro e alguns livros de poemas, Milan Kundera, nascido na República Tcheca e naturalizado francês, é um dos maiores intelectuais vivos. Ficou especialmente conhecido por aquela que é considerada sua obra-prima, A insustentável leveza do ser, adaptada ao cinema por Philip Kaufman em 1988. Vencedor de inúmeros prêmios, como o Grand Prix de Littérature da Academia Francesa pelo conjunto da obra e o Prêmio da Biblioteca Nacional da França, Kundera costuma figurar entre os favoritos ao Nobel de Literatura. Seus livros já foram traduzidos para mais de trinta línguas, e há mais de quinze anos o autor tem sua obra publicada no Brasil pela Companhia das Letras. Em 2013, o mundo editorial se surpreendeu com um novo romance de Kundera, que já não publicava obras de ficção desde o lançamento de A ignorância, em 2002. A festa da insignificância foi aclamado pela crítica e despertou enorme interesse dos leitores na França e na Itália, onde logo figurava em todas as listas de best-sellers. Lembrando A grande beleza, filme de Paolo Sorrentino acolhido com entusiasmo pelo público brasileiro no mesmo ano, o romance de Milan Kundera coloca em cena quatro amigos parisienses que vivem numa deriva inócua, característica de uma existência contemporânea esvaziada de sentido. Eles passeiam pelos jardins de Luxemburgo, se encontram numa festa sinistra, constatam que as novas gerações já se esqueceram de quem era Stálin, perguntam-se o que está por trás de uma sociedade que, em vez dos seios ou das pernas, coloca o umbigo no centro do erotismo.
Na forma de uma fuga com variações sobre um mesmo tema, Kundera transita com naturalidade entre a Paris de hoje em dia e a União Soviética de outrora, propondo um paralelo entre essas duas épocas. Assim o romance tematiza o pior da civilização e lança luz sobre os problemas mais sérios com muito bom humor e ironia, abraçando a insignificância da existência humana. Mas será insignificante a insignificância? Assim Kundera responde a essa questão: “A insignificância, meu amigo, é a essência da existência. Ela está conosco em toda parte e sempre. Ela está presente mesmo ali onde ninguém quer vê-la: nos horrores, nas lutas sangrentas, nas piores desgraças. Isso exige muitas vezes coragem para reconhecê-la em condições tão dramáticas e para chamá-la pelo nome. Mas não se trata apenas de reconhecê-la, é preciso amar a insignificância, é preciso aprender a amá-la”.

Flubete, de Dalcio Machado
Flubete é uma raia de olhos muito sensíveis, que ardem pra valer nas águas salgadas do mar. Um dia, cansada de planar com os olhos apertadinhos e irritados, decide se transformar em outra coisa. Com a ajuda do talentoso polvo Moucas, ela consegue escapulir do oceano. Então, não se assuste se, ao abrir este livro, você não conseguir identificar a raia Flubete entre peixinhos, gaivotas, pipas ou asas-deltas…

Alfabarte, de Anne Guéry e Olivier Dussutour
Olhe bem para este quadro. Que letras você vê? Essa foi fácil, não? Pois então se prepare para uma tarefa mais desafiadora: neste livro, você conhecerá 26 obras de mestres da pintura ocidental, e em cada uma delas há uma letra do alfabeto escondida. Será que você consegue achar o F em meio  às linhas abstratas de Mondrian? Onde está o H, nessa corrida de cavalos emocionante retratada por Manet? Experimente procurar o L na cena campestre de Bosch… e o V, você enxerga no retrato feito por Van Gogh? Encontra as letras camufladas, aprecie alguns dos quadros mais conhecidos da história da pintura e faça muitas outras descobertas que só a arte pode proporcionar.

Brasil 100 palavras, Gilles Eduar
Você já ouviu falar em bioma? Bioma é um conjunto de ecossistemas, onde vivem bichos e plantas que gostam do clima, do relevo e do solo desse pedaço de terra. No Brasil há seis diferentes: Amazônia, Caating, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa, com uma enorme diversidade de seres vivos. Se você ficou curioso e quer conhecer as paisagens e as características de cada bioma, aqui vai um convite: aguce os sentidos e observe – com gosto e sem pressa. Você vai ver como as imagens também contam muitas coisas.

Editora Seguinte

Eu e você, de Ali Cronin (série Garoto <3 Garota, vol.6) (Trad. de Rita Sussekind)
Donna encontrou seu par perfeito. Jack aparentemente está feliz com Hannah. Ashley, antes solteira convicta, namora firma com Dylan. Mas e Sarah? Depois de uma decepção amoroso e do início conturbado de uma relação com seu melhor amigo Ollie, a garota decidiu dar mais uma chance a esse relacionamento. Será que Ollieé o amor de sua vida?

Portfolio Penguin

Empreendedorismo Criativo, de Mariana Castro
Quem são os novos talentos brasileiros que criaram negócios nos quais o propósito de vida é fundamental? Que trocaram salário e estabilidade pela possibilidade de fazer aquilo em que acreditam, da forma como acreditam, ao lado de pessoas que admiram? Quais são as empresas que estão inventando novos produtos e serviços – ou ainda reinventando produtos e serviços da maneira como conhecemos? A partir da história de empresas inovadoras e de seus idealizadores, Mariana Castro revela ao leitor como empreendedores criativos estão conseguindo criar para si o tipo de negócio ideal – e esperam transformar o mundo como resultado de seu trabalho.

Semana cento e trinte e um

Os lançamentos desta semana são:

Lançamentos da semana

Bocejo, de Ilan Brenman e Renato Moriconi
Um bocejo pode contagiar o outro e o outro e o outro… E quem sabe o mundo inteiro? Foi a partir dessa ideia que Ilan Brenman e Renato Moriconi desenvolveram a brincadeira deste livro-imagem, composto por lindas pinturas a óleo que mostram diversos personagens, míticos ou históricos, em seu momento mais sonolento.
E como a proposta era fazer o mundo inteiro bocejar, nada mais justo que chamar o leitor para o jogo: com o papel espelhado ao final do livro, o contágio termina não nos momentos históricos ou míticos retratados ao longo da história, mas sim no leitor em seu mundo e em seu tempo. A última página é o retrato de um eterno presente preguiçoso.

Diversidade da vida, de Edward O. Wilson (Trad. Carlos Afonso Malferrari)
Edward O. Wilson é considerado o papa da biodiversidade. Neste livro, o autor ilumina a grave degradação ambiental em curso: populações em risco, ameaças à evolução, drástica redução de flora e fauna. O autor analisa cataclismos dos últimos seiscentos milhões de anos: desastres naturais provocados por meteoritos e mudanças climáticas que levaram a longos processos de reconstituição ecológica. Wilson alerta que o impulso acelerado de destruição da Terra, hoje causado pelo homem, pode ser irreversível. As saídas que o autor propõe são complexas, à altura do problema, mas factíveis, e conciliam produtividade e proteção ambiental. Desafiadores, permitem que a consciência ecológica e as práticas sociais alcancem novo patamar, nas atitudes individuais, na vida cotidiana e nas políticas de preseervação.

Dom Quixote, de Miguel de Cervantes (Trad. de Ernani Ssó)
Dom Quixote de La Mancha não tem outros inimigos além dos que povoam sua mente enlouquecida. Seu cavalo não é um alazão imponente, seu escudeiro é um simples camponês da vizinhança e ele próprio foi ordenado cavaleiro por um estalajadeiro. Para completar, o narrador da história afirma se tratar de um relato de segunda mão, escrito pelo historiador árabe Cide Hamete Benengeli, e que seu trabalho se resume a compilar informações. Não é preciso avançar muito na leitura para perceber que Dom Quixote é bem diferente das novelas de cavalaria tradicionais – um gênero muito cultuado na Espanha do início do século XVII, apesar de tratar de uma instituição que já não existia havia muito tempo. A história do fidalgo que perde o juízo e parte pelo país para lutar em nome da justiça contém elementos que iriam dar início à tradição do romance moderno – como o humor, as digressões e reflexões de toda ordem, a oralidade nas falas, a metalinguagem – e marcariam o fim da Idade Média na literatura.
Mas não foram apenas as inovações formais que garantiram a presença de Dom Quixote entre os grandes clássicos da literatura ocidental. Para milhões de pessoas que tiveram contato com a obra em suas mais diversas formas – adaptações para o público infantil e juvenil, histórias em quadrinhos, desenhos animados, peças de teatro, filmes e musicais -, o Cavaleiro da Triste Figura representa a capacidade de transformação do ser humano em busca de seus ideais, por mais obstinada, infrutífera e patética que essa luta possa parecer.

Primeiras leituras, de Paulo Mendes Campos
Dono de um texto arejado, delicioso e sempre instrutivo, o mineiro Paulo Mendes Campos (1922-1991) foi um gênio da crônica, gênero tão brasileiro de escrita. Falando sobre Ipanema – onde viveu grande parte de sua vida depois de ter se mudado para o Rio de Janeiro -, comentando os eventos cotidianos, cantando o amor de modo ensolarado ou fustigando (com graça e humor) os usos e costumes do seu tempo, Paulo Mendes Campos é um desses autores que ensinam a pensar e a escrever melhor. Esta seleção de crônicas, produzida a partir de diversos títulos do autor, muitos deles esgotados nas livrarias, é a melhor porta de entrada para aqueles que apreciam um texto leve e saboroso. E – claro! – para quem gostaria de entrar em contato com o universo de um dos nossos mais cativantes escritores.

Às armas, cidadãos, de José Murilo de Carvalho, Lúcia Bastos e Marcello Basile
Distribuídos de mão em mão, afixados nos postes ou lidos em voz alta para um público eletrizado e buliçoso, os panfletos manuscritos que circularam nas ruas do Brasil e de Portugal às vésperas da Independência são documentos de valor inestimável para a historiografia do período. Esta compilação dos “papelinhos” (como então eram conhecidos) políticos sobreviventes, produzidos tanto por brasileiros autonomistas como por partidários da monarquia portuguesa, reconstitui os principais acontecimentos que resultaram no Sete de Setembro de 1822: a repercussão da Revolução Liberal do Porto, o regresso do rei d. João VI a Lisboa, as agitações militares em diversas províncias do Brasil e, finalmente, a deflagração do movimento independentista centrado no príncipe d. Pedro. Com organização, introdução e amplo aparato crítico de José Murilo de Carvalho, Lúcia Bastos e Marcello Basile, este volume constitui uma valiosa referência para a compreensão de fatos e personagens decisivos do nascimento político do Brasil.

Os desejos de Nina, de Gilles Eduar
Todos aqueles que já acompanharam as crianças em um passeio irão se divertir com este livro. É sempre um tal de “quero este” pra cá, “quero aquele” pra lá, que até os mais pacientes podem chegar a ficar um pouquinho irritados.
Aproveitando esta vontade incontrolável dos pequenos, Gilles Eduar inventou este livro-jogo, em que as crianças percorrerão a cidade junto com o cavalo Heitor e a gatinha Nina e ajudarão o pobre Heitor a encontrar todos os pedidos da gata exigente – ela não se contenta com qualquer mimo e não faz nem ideia de que o coração de Heitor bate mais forte quando ela está por perto…

Semana setenta e um

Não há nada lá, de Joca Reiners Terron
Publicado originalmente em 2000, Não há nada lá ganhou status de cult na última década. E para além do divertido quebra-cabeça literário, há também um livro ambicioso, que costura tempos e realidades distintas com rigor narrativo digno dos grandes prosadores.
Os devaneios de Guilherme Burgos, o encontro de Jaime Hendrix com Torquato Neto e a relação do ocultista Alistério Crowley com o “astrólogo” Fernando Pessoa levam a trama por um labirinto de acontecimentos insólitos, que podem (ou não) conduzir o mundo ao Apocalipse.

Diálogos fabulosíssimos, de Gilles Eduar
O francês Jean de la Fontaine (1621-95) dedicou-se a diversos gêneros da literatura, mas foi com a publicação de suas fábulas que ele adquiriu grande fama. Eduar retomou algumas das mais conhecidas e as recontou em forma de diálogo. São conversas divertidas e muitas vezes surpreendentes, pois o autor subverte a moral contida na fábula clássica e a reinterpreta de forma criativa e original, apresentando outro desfecho ou outro ponto de vista sobre a moralidade que ela inspira. Assim, na nova versão da história da Cigarra e da Formiga, por exemplo, a Cigarra convida a Formiga a ir a uma festa onde vai tocar e cantar, e a pequena trabalhadora, que nunca pensara que podia se divertir, topa pagar o ingresso para assistir ao show da amiga artista.

Pequenos contos para sentir medo, de Christine Palluy (Tradução de Heloisa Jahn)
Quem é que não gosta de ouvir histórias de monstros e outras criaturas assustadoras, daquelas que fazem a gente ter vontade de se esconder debaixo da cama? As que foram reunidas neste volume nem são tão terríveis assim, pois apesar dos personagens pavorosos – um dragão japonês de oito cabeças, uma feiticeira russa, alguns trolls noruegueses, entre outras criaturas assustadoras – todas terminam com uma lição valiosa: a esperteza e a sabedoria sempre vencem o medo e a força bruta.
Ilustrados por vários artistas, os dez contos são provenientes de diversos locais: Noruega, Espanha, Alemanha, França, Japão, Senegal, Cabília (na Argélia), Rússia, Irlanda e China.
Da mesma série, foram publicados também os volumes Pequenos contos para crescerPequenos contos para rir.