gregorio duvivier

Semana duzentos e setenta e seis

 

Percatempos, Gregorio Duvivier
Com influência de Millôr, Sempé, Steinberg e de sua avó Ivna, Gregorio Duvivier nos oferece dezenas de desenhos inéditos de nanquim e aquarela, que conciliam o lirismo, a irreverência e o engenho já familiares a seus fãs. Em um passeio pelo repertório cultural do autor, vemos reinventadas vida e língua cotidianas. A originalidade e o frescor de Gregorio estão de volta, desta vez para enriquecer a tradição de nosso humor gráfico.

Uma menina está perdida no seu século à procura do pai, Gonçalo M. Tavares
Na Europa após a Segunda Guerra, em meio a uma paisagem de escombros, figuras esqueléticas e quase absoluto desamparo social e psicológico, uma menina e um homem perambulam por entre as ruínas. A menina é Hanna, tem catorze anos, é portadora de uma doença congênita e está em busca do pai; o homem é Marius, sujeito enigmático que parece se esconder do próprio passado. Essa improvável dupla protagoniza Uma menina está perdida no seu século à procura do pai. Desprotegida, com dificuldades de comunicação, Hanna carrega uma caixa repleta de fichas com uma espécie de curso, com atividades e perguntas, e é a partir delas que se lança num questionamento sobre o que é o ser humano – muitos dos objetivos de aprendizagem são difíceis de serem atingidos até por pessoas sem deficiência mental. Junto com Marius ela vai parar em um estranho hotel em Berlim: os quartos não têm números, mas carregam os nomes dos campos de concentração que, pouco tempo antes, foram o palco do inferno para milhões de pessoas. Quando Marius pergunta por que fazem aquilo, a dona do hotel responde: “Porque podemos. Somos judeus”.

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Star Wars: Estrelas Perdidas, Claudia Gray (Tradução Fábio Fernandes e Zé Oliboni)
Ciena Ree e Thane Kyrell se conheceram na infância e cresceram com o mesmo sonho: pilotar as naves do Império, cujo poder sobre a galáxia aumentava a cada dia. Durante a adolescência, sua amizade aos poucos se transforma em algo mais, porém suas diferenças políticas afastam seus caminhos: Thane se junta à Aliança Rebelde e Ciena permanece leal ao imperador. Agora em lados opostos da guerra, será que eles vão conseguir ficar juntos? Através dos pontos de vista de Ciena e Thane, você acompanhará os principais acontecimentos desde o surgimento da Rebelião até a queda do Império – como as Batalhas de Yavin, Hoth e Endor – de um jeito absolutamente original e envolvente. O livro relata, ainda, eventos inéditos que se passam depois do episódio VI, O retorno de Jedi, e traz pistas sobre o episódio VII, O despertar da Força!

Paralela

Hunter Killer, de Kevin Maurer e T. Mark McCurley (Tradução de Berilo Vargas)
Em uma narrativa eletrizante, um dos primeiros pilotos a transformar os drones em máquinas de guerra oferece uma visão fundamental sobre a vida na comunidade de aeronaves remotamente pilotadas. Antes de se juntar à equipe do Predator, o tenente-coronel Mark McCurley associava a ideia de drones a aviões de controle remoto. Não poderia estar mais enganado: com seus novecentos quilos, são máquinas complexas, que representam um desafio para os novatos – o próprio McCurley teve de reaprender a voar sem asas. Narrando sua trajetória de aspirante a piloto da Força Aérea a autor do primeiro manual do Predator, o tentente-coronel também revela alguns dos momentos mais marcantes – e secretos – da história da aeronave, como a morte do terrorista Anwar al-Awlaki e a participação no resgate de Marcus Luttrell, cuja história inspirou o filme O grande herói.

Portfolio-Penguin

Felicidade dá lucro, Márcio Fernandes
Em Felicidade dá lucro, o líder mais admirado do país alia lições extraídas de passagens autobiográficas – que ressaltam sempre a importância de seus pais e esposa na sua formação – a ensinamentos que vão na contramão do bom senso. Ele crê, por exemplo, que injetar capital na formação de seus colaboradores – como prefere chamar o time que lidera – é perda de tempo. Márcio acredita que eles precisam investir sozinhos no seu aprimoramento. Dessa forma, esses colaboradores certamente serão notados, ganhando lugar de destaque na estrutura da empresa. Um livro rico em ideias e provocador na sua essência.

20 leituras sobre amor (com finais felizes ou não)

O Dia dos Namorados está chegando, e nós aqui da Companhia das Letras achamos que um livro é um ótimo presente para celebrar, ou enfrentar, o amor. Eles contam histórias de grandes paixões e não importa se no final os relacionamentos dão certo ou errado: cada livro apresenta uma forma diferente de amar ou de encarar o amor. Pensando nisso, selecionamos vinte leituras inspiradas no Dia dos Namorados, seja para quem quer se emocionar com o final feliz de um romance ou para quem prefere histórias em que, apesar do amor, nada dá certo. Na alegria ou na tristeza, o amor é sempre belo. Confira!

1. Declaração de amor, de Carlos Drummond de Andrade

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Quem está apaixonado ou buscando inspiração não pode deixar de ler os poemas mais românticos de Carlos Drummond de Andrade. Este volume, organizado pelos seus netos Luis Mauricio e Pedro Augusto Graña Drummond, reúne os poemas mais amorosos, românticos e deliciosamente apaixonados do grande poeta mineiro. E ainda conta com ilustrações de Nik Neves para deixar os versos de Drummond ainda mais belos.

2. Afterde Anna Todd

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Para jovens leitores e adultos, Anna Todd conta nesta série a romântica e inconstante história de amor entre Tessa e Hardin. Ela acaba de completar 18 anos e ir para a faculdade, uma garota certinha e estudiosa. Ele é um garoto rude, que implica logo de cara com o jeito de Tessa. Mas a atração que um sente pelo outro é irresistível, e depois de Hardin, Tessa nunca mais será a mesma. A série nasceu como uma fanfic da banda One Direction e teve mais de 1 bilhão de leituras na plataforma Wattpad. No Brasil, serão publicados cinco livros pela Editora Paralela, e o terceiro chega às livrarias nesta semana. Uma leitura para quem gosta de rir, chorar, amar, odiar, enfim, para quem quer sentir tudo pelas personagens.

3. Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo, de Benjamin Alire Sáenz

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Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão. Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Em Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo, Benjamin Alire Sáenz conta uma história belíssima em que Ari e Dante descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.

4. A arte de ouvir o coração, de Jan-Philipp Sendker

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Um bem-sucedido advogado de Nova York desaparece de repente sem deixar vestígios e sem que sua família tenha qualquer ideia de onde ele possa estar. Até o dia em que Julia, sua filha, encontra uma carta de amor que ele escreveu há muitos anos para uma mulher birmanesa da qual nunca tinham ouvido falar. Com a intenção de resolver o mistério e descobrir enfim o passado de seu pai, Julia decide viajar para a aldeia onde a mulher morava, onde descobre histórias de um sofrimento inimaginável, a resistência e a paixão que irão reafirmar a crença no poder que o amor tem de mover montanhas.

5. A imortalidade, de Milan Kundera

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A partir do gesto que uma mulher faz a seu professor de natação quando sai da piscina, a personagem Agnes surge na mente de um autor chamado Kundera. Como a Emma de Flaubert ou a Anna de Tolstoi, a Agnes de Kundera se torna objeto de fascínio e de uma busca insondável. Ao imaginar o cotidiano dessa personagem, o narrador-autor dá corpo a um romance em sete partes, que intercala as histórias de Agnes, seu marido Paul e sua irmã Laura com uma narrativa retirada da história da literatura: a relação de Goethe e Bettina von Arnim. Com seus personagens reais e inventados, Kundera reflete sobre a vida moderna, a sociedade e a cultura ocidentais, o culto da sentimentalidade, a diferença entre essência individual e imagem pública individual, os conflitos entre realidade e aparência, as variedades de amor e de desejo sexual, a importância da fama e da celebridade, e a típica busca humana pela imortalidade.

6. O irresistível café de cupcakes, de Mary Simses

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Ellen é uma advogada de Manhattan e seu noivo está prestes a se tornar um importante político. Tudo em sua vida parece estar perfeito e no caminho certo. Até que ela decide realizar o último desejo de sua avó e entregar em mãos uma carta. Para isso, ela precisa ir para Beacon, uma charmosa cidadezinha do interior. Entre cupcakes de blueberry e deliciosas rosquinhas, Ellen desvenda os mistérios da vida de sua avó. Aos poucos, ela descobre os simples prazeres da vida e que “perfeito” nem sempre é o que parece.

7. Ligue os pontos, de Gregorio Duvivier

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Os “poemas de amor e big bang” de Gregorio Duvivier têm foco na importância descomunal dos momentos insignificantes do cotidiano. Ligue os pontos mostra que, para além da prosa humorística do autor, um dos responsáveis pelo sucesso do Porta dos Fundos, o tratamento lúdico das palavras pode render poesia de qualidade, falando da adolescência, do mistério da criação, das palavras e suas relações inusitadas, da experiência do amor vivido enfim como gente grande e da transitoriedade de tudo.

8. Mil rosas roubadas, de Silviano Santiago

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Como nasce e de que se alimenta o afeto entre dois adolescentes do mesmo sexo? Da solidão em família, do repúdio à rotina estudantil, das caminhadas pela metrópole? Como esse afeto se frustra e se transforma em amizade duradoura? No ano de 1952, dois rapazes se encontram em Belo Horizonte à espera do mesmo bonde. O acaso os transforma em amigos íntimos. Passam-se sessenta anos. Numa tarde de 2010, Zeca, então produtor cultural de renome, agoniza no leito do hospital. Ao observá-lo, o professor aposentado de História do Brasil entende que não perde apenas o companheiro de vida, mas seu possível biógrafo. Compete-lhe inverter os papéis e escrever a trajetória do amigo inseparável.

9. Amor ao pé da letra, de Melissa Pimentel

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Quando se mudou para Londres, Lauren pensou que seria fácil sair com os belos ingleses. Mas a animação inicial foi logo frustrada: por mais que fosse linda, independente e não procurasse por um relacionamento sério, os homens pareciam fugir dela. Até que teve uma ideia meio maluca: a cada mês, seguir ao pé da letra os conselhos dos mais famosos guias de relacionamento, e contando em seu blog os resultados dessa experiência.

10. O amor natural, de Carlos Drummond de Andrade

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Se em Declaração de amor Drummond mostra a sua faceta mais romântica, em O amor natural a coisa é um pouco diferente. Publicado originalmente em 1992, cinco anos depois da morte do poeta, O amor natural foi saudado, com justiça, como um grande acontecimento cultural: a lírica erótica (e por vezes pornográfica) de um dos maiores poetas da literatura brasileira finalmente vindo a lume. Compostos no decurso da longa carreira literária do autor, os textos reafirmam a enorme vitalidade — pessoal e literária — do autor.

11. Nunca vai embora, de Chico Mattoso

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Renato Polidoro conheceu Camila no consultório odontológico — não em consulta, mas durante uma filmagem. Ocorreu então um pequeno milagre: a esperta aluna de cinema se apaixonou pelo dentista em eterna crise de autocomiseração. Quando a garota termina a faculdade, decide arrastar o namorado para a viagem tão sonhada: Havana. Na capital cubana, ela pretende fazer um documentário que dê vazão a suas elevadas (e um tanto quanto idealizadas) ambições estéticas. Mas logo o que prometia ser uma temporada caliente resulta em uma sucessão de desencontros — e em um desaparecimento misterioso.

12. Os enamoramentos, de Javier Marías

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María Dolz, uma solitária editora de livros, admira à distância, todas as manhãs, aquele que lhe parece ser o “casal perfeito”: o empresário Miguel Desvern e sua bela esposa Luisa. Esse ritual cotidiano lhe permite acreditar na existência do amor e enfrentar seu dia de trabalho. Mas um dia Desvern é morto por um flanelinha mentalmente perturbado e María se aproxima da viúva para conhecer melhor a história. Passa então de espectadora a personagem, vendo-se cada vez mais envolvida numa trama em que nada é o que parecia ser, e em que cada afeto pode se converter em seu contrário: o amor em ódio, a amizade em traição, a compaixão em egoísmo.

13. Diga o nome dela, de Francisco Goldman

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Em 2005, o escritor e professor norte-americano Francisco Goldman se casou com Aura Estrada, uma jovem e promissora estudante de literatura. Pouco antes de o casamento completar dois anos, durante as férias numa praia do México, Aura quebrou o pescoço após ser tragada por uma onda. Responsabilizado pela morte de Aura e mortificado pela culpa, Francisco entregou-se ao desespero. Passava os dias sem rumo, bebendo e flertando com a catatonia, a depressão, o suicídio. Para vencer a crise, escreveu Diga o nome dela, um romance sobre o amor e a dor da perda. Diga o nome dela é uma história sobre o luto — uma mostra pungente de que só com a organização da memória é possível driblar a falta de sentido e reafirmar o desejo de seguir adiante.

14. Cartas extraordinárias, de Shaun Usher

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Nem todas as cartas reunidas neste livro por Shaun Usher são de amor, mas tem ato mais romântico do que escrever ou receber cartas? Cartas extraordinárias é uma celebração do poder da correspondência escrita, que captura o humor, a seriedade e o brilhantismo que fazem parte da vida de todos nós. A coletânea reúne mais de 125 cartas, com sua transcrição e uma breve contextualização, além de ser ricamente ilustrado com fotografias e documentos. A engenhosa organização de Shaun Usher cria uma experiência de leitura que proporciona muitas descobertas, e cada nova página traz uma bela surpresa para o leitor. Não apenas um deleite literário, mas também um livro-presente inesquecível.

15. O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de João Paulo Cuenca

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Este romance de J. P. Cuenca se passa em um futuro próximo na cidade de Tóquio e é centrado na figura de Shunsuke Okuda, um jovem funcionário de uma multinacional. Conquistador inveterado, ele cria uma identidade para cada namorada que conhece nos bares do distrito de Kabukicho. Mas sua rotina é abalada pelo aparecimento de Iulana, uma garçonete por quem fica obcecado. Iulana é apaixonada por uma dançarina e mal fala japonês, mas nada disso impede que os dois mergulhem numa relação conturbada. O maior problema, contudo, é que estão sendo observados. O pai de Shunsuke, sr. Okuda, paira sobre o livro como uma figura onipresente e maligna que parece querer destruir qualquer chance de felicidade do filho.

16. Uma teoria provisória do amor, de Scott Hutchins

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Uma modesta empresa de informática de San Francisco, a Amiante Systems, fundada e comandada pelo genial pioneiro Henry Livorno — hoje velho e decadente —, aposta todas as suas fichas na tentativa de criar o primeiro computador verdadeiramente inteligente do mundo. Para isso, contrata o ex-redator de publicidade Neill Bassett Jr. O motivo é simples: a memória do computador é alimentada pelos diários secretos escritos pelo pai de Neill, o dr. Basset, um médico do Arkansas que se suicidou quando o filho tinha dezenove anos. Dilacerado pelos dilemas morais envolvidos na operação de fazer reviver, ainda que virtualmente, o próprio pai, Neill ainda tem que lidar com a nova namorada desmiolada de vinte anos e com os encontros perturbadores com a ex-mulher.

17. Meu coração de pedra-pomes, de Juliana Frank

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Lawanda trabalha num hospital, mas não está ali para lidar com os pacientes — não oficialmente, pelo menos. Ela é uma das encarregadas da limpeza e vive sob a fiscalização da insuportável Lucrécia, que insiste em controlar seus horários e reclamar de seus atrasos. Mas, como os serviços de faxina são muito mal pagos, Lawanda precisa de outros meios para conseguir comprar os besouros que coleciona (ainda que sua mãe preferisse que ela poupasse para adquirir um apartamento). Assim, presta pequenos serviços escusos aos internos do hospital.
Ela também é colecionadora de borboletas, que costura com esmero em suas calcinhas, sempre usando a linha da mesma cor das asas. Faz esta e outras macumbas para que seu amado José Júnior largue a mulher de uma vez e fique só com ela. Na cama, Lawanda sabe que é imbatível, mas a pressão das tias velhas é grande e o rapaz tem dificuldades de se libertar.

18. Manual do mimimi, de Lia Bock

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Lia Bock se considera uma ativista sentimental que ama amar as coisas. Depois de criar o blog mais acessado da revista TPMManual do mimimi marca a estreia de Lia no mundo dos livros. Em textos irônicos, ácidos, mas também sentimentais, além de profundamente sinceros, Lia (uma verdadeira expert nos assuntos do coração) — com charme e estilo inconfundíveis — falar com todas as mulheres: solteiras, casadas, recém-separadas e à procura.

19. As horas nuas, de Lygia Fagundes Telles

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Rosa Ambrósio, uma atriz de teatro decadente, passa em revista, entre generosas doses de uísque, os amores de sua vida. O primo Miguel, sua paixão adolescente, morreu de overdose por volta dos vinte anos. Gregório, seu marido, virou um homem taciturno depois que foi torturado pela ditadura militar. Diogo, seu amante e último companheiro, trocou-a por moças mais jovens. Neste livro, Lygia Fagundes Telles põe em cena grandes temas de nosso tempo — o movimento feminista, a cultura de massa, a aids, as drogas —, mediados pelos destinos individuais de um punhado de criaturas.

20. Flores azuis, de Carola Saavedra

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No apartamento para onde se mudou depois de se separar da mulher e da filhinha de três anos, um homem recebe uma carta destinada ao antigo morador e não resiste ao impulso de abri-la. É uma carta de amor, escrita por uma mulher e assinada simplesmente com a inicial “A”. Também separada, a autora da carta repassa, inconformada, as últimas horas de seu relacionamento amoroso com o destinatário. Novas cartas chegam diariamente, sempre revisitando o dia da separação e acrescentando detalhes cada vez mais perversos aos acontecimentos. O homem que as recebe não apenas sucumbe ao desejo de lê-las como passa a viver em função disso, o que acaba por desestabilizar a sua relação com o trabalho, com a ex-mulher, com a filha e com a atual namorada, todas elas mulheres que ele não compreende e pelas quais se sente acuado.

Noite de Estreia #2 – Fernanda Torres e Gregorio Duvivier

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Foto: Renato Parada

No dia 13 de novembro aconteceu em São Paulo, no Cine Joia, o Noite de Estreia #2, evento de lançamento dos livros Sete anosde Fernanda Torres, e Put some farofa, de Gregorio Duvivier. Antes da sessão de autógrafos, os autores fizeram um bate-papo em que comentaram suas obras e falaram de suas carreiras. Leia a seguir os textos de apresentação de Fernanda e Gregorio.

* * *

Por Gregorio Duvivier

O mundo tem uma relação complicada com os atores. A primeira impressão é que são idolatrados: frequentam todas as campanhas publicitárias, vivem nos castelos de “Caras”, nas ilhas de “Contigo”, nas cordilheiras da “Quem”.

No entanto, basta um olhar mais aprofundado para perceber uma relação, no mínimo, desconfiada para com (sempre quis usar “para com”) o ator.

“Não acredita nele, esse cara é um ator”. O ator está lá nos últimos círculos do inferno, ao lado dos advogados e dos atendentes de telemarketing.

A mesma desconfiança temos com a mulher, de quem a sabedoria popular diz que devemos desconfiar. “Como pode querer que a mulher vá viver sem mentir?” “Todo o mundo trai, a diferença é que mulher sabe trair.”

Toda mulher é vista como uma atriz: talvez seja a possibilidade de esconder a paternidade que deixe o homem paranoico. Talvez seja a possibilidade de fingir um orgasmo. O fato é que aprendemos desde cedo: mulher mente.

Fernanda Torres venceu todos os preconceitos. Mulher, atriz, filha de gênios (mais que isso: filha da nossa maior unanimidade), Fernanda é a pessoa mais genial — e confiável — que eu conheço. Sigo ela há muito tempo.

Na época, para seguir alguém não bastava clicar no “follow” — antigamente era preciso ir aos teatros, cinemas, enfrentar filas, pagar ingressos.

Mesmo que fosse na televisão: era preciso ficar acordado até tarde, perder festas, jantares, aniversários — dava trabalho gostar das pessoas.

Segui a Fernanda obsessivamente, e ela nunca me decepcionou.

Seu livro Fim é um primor. Seu livro Sete anos é uma delícia do começo ao fim. Fernanda fala de pornochanchada como quem fala de Nietzsche, enxergando metafísica na putaria e vice-versa.

Foge do óbvio como se ele fosse um atendente de telemarketing. Cada coluna tem o entusiasmo da primeira e a coragem da última. Fernanda levou para a crônica o grande trunfo da atriz, o de injetar emoção na repetição.

Camus comparava o ator a Sísifo, figura mitológica condenada a carregar uma pedra até o alto do monte e, chegando ao topo, assistir a pedra rolar ribanceira abaixo, para só aí repetir sua tarefa. A cada dia, o ator de teatro perde tudo o que faz e, no dia seguinte, retoma tudo do começo.

Fernanda, nossa melhor Sísifa, passou a vida empurrando cada rocha como se fosse a primeira, como se fosse a última. À diferença dos espetáculos, suas novas rochas já não precisam descer ribanceira abaixo. No livro, elas estão lá no alto, perfeitamente suspensas, enfileiradas, como um Stonehenge celeste — só nos restas venerá-las.

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Por Fernanda Torres

A primeira vez que eu senti que estava demodê foi com o Gregorio. Gravávamos um comercial de sabão líquido, sentados num sofá, bancando o marido e mulher.

O Gregorio é desses homens que não tem idade, nasceu com cara de velho e vai ser um velho com cara de garoto. De forma que eu estava lá, comendo pipoca em frente à TV do cenário, fingindo que eu era casada com ele. Lá pelas tantas, perguntei por perguntar em que ano ele havia nascido. 80? Arrisquei. E 6, ele respondeu, 86. Me senti pessoalmente ofendida.

Em 86, eu tinha 21 anos, eu estrelava uma novela das 8 e ganhava um prêmio de atriz em Cannes. Imaginei o bebê Gregorio, já com essa carinha de vovô, casado comigo, já de maior. A campanha publicitária de sabão líquido ganhou ares de pedofilia.

Mas o sentimento de fruta madura não se deve só à idade. O Gregorio, lá com a cambada dele, inventou o primeiro canal de Internet que deu certo no Brasil. O Porta dos Fundos faz humor ferino, com inteligência, sem intermediários. Enquanto eu não uso o Twitter, só recentemente aderi ao Facebook e ainda vivo de contrato. O Gregorio é ídolo do meu filho, que me trata como se eu fosse tataravó dele.

Os textos do Gregorio na Folha são desabusados, irônicos, irreverentes. Ele diz que fuma maconha, cheira pó, toma psicotrópicos, e isso não arranha em nada a sua reputação. Eu me sinto ameaçada nesse palco porque sei que ele vai ler aquela pintura do “Pardon Anything” e eu só tenho as minhas considerações de meia idade para oferecer. Aqui, eu sou escada de um fedelho, é duro, mas é verdade.

Como se não bastasse, o Gregorio tem voz suficiente para cantar em musical e faz poesia. Boa, o que é pior. Enquanto eu me formava em escolas experimentais do Rio de Janeiro, daquelas que dão muita importância à criatividade do aluno, ele cursava o Licée francês. O Gregório deu filosofia no ensino médio, para não usar o antigo termo: científico.

Gregorio, eu não posso dizer que quando eu crescer eu quero ser você. Porque se eu crescer muito, é a morte que me espera. Declaro, aqui, que quando eu reencarnar, eu quero voltar igual a você. Com uns vinte centímetros a mais, é verdade, um peitoral mais trabalhado, com uma cabeleira mais farta, mas com um córtex frontal igualzinho ao seu. Não sei, uma mistura sua com o Chay Suede me cairia muito bem.

Mas como eu não sou budista reencarnacionista, me contento em estar aqui do seu lado, em ler suas crônicas no jornal, em ligar os pontos da sua poesia, em rir de você no computador e em agradecer a Deus por dividir esse palco, nessa noite, com você.

Semana duzentos e vinte e nove

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O irmão alemão, de Chico Buarque
O Irmão Alemão, novo livro de Chico Buarque: um romance em busca da verdade e dos afetos.

Put some farofa, de Gregorio Duvivier
Don’t repair the mess. The house is yours. I make question. Pardon anything. Go with god. Come back always. Publicada em julho de 2014, a crônica que dá título a este volume, que cria uma conversa imaginária entre um brasileiro e um gringo visitando o Brasil durante a Copa, rapidamente se tornou um viral de internet com mais de 230 mil compartilhamentos, até ser comentada em artigo do Washington Post. Trata-se de uma amostra da verve humorística – embebida de zeitgeist, crítica ferina e muito afeto – de Gregorio Duvivier, um dos autores mais inventivos e promissores do Brasil na atualidade. Reunindo o melhor de sua produção ficcional, Put some farofa traz textos publicados na Folha de S.Paulo e esquetes escritos para o canal Porta dos Fundos, além de alguns inéditos. Se Gregorio revela o raro dom da multiplicidade, tendo despontado no cenário cultural brasileiro ao mesmo tempo como ator, roteirista, comediante, cronista e poeta, também múltiplo é este volume, que transita entre ficções, memórias de infância, ensaios sobre artistas que o influenciaram, artigos de opinião, exercícios de estilo e experimentações sem fim. Os textos vão da pauta que está sendo debatida naquele dia no jornal ao completo nonsense; do lirismo ao humor escrachado; do íntimo ao universal. No conjunto, o que espanta no autor é o frescor, a coragem, e, sobretudo, a capacidade inesgotável de se renovar a cada semana, contando sempre com a inteligência e a sensibilidade do leitor.

 Editora Seguinte

Diário da Seleção, baseado na série de Kiera Cass
366 atividades relacionadas ao universo da Seleção! A Seleção é aquele tipo de série que nos deixa pensando sobre a história e os personagens por muito tempo… e com vontade de compartilhar tudo com outras leitoras tão apaixonadas quanto a gente.
Se você não consegue ficar muito tempo longe de America, Maxon e o mundo de Illéa, o Diário da Seleção será sua companhia perfeita durante um ano inteiro. Em suas páginas com design especial, você poderá mergulhar no universo da série, contar um pouco sobre você, além de montar playlists, criar desenhos, colagens, novas passagens para os livros e muito mais.

Breve história da internet

Por Gregorio Duvivier


Ligue os pontos mostrou que Gregorio Duviver tem talento não só no humor, mas também na poesia. Com sua coluna semanal na Folha de S.Paulo, o ator, roteirista, comediante, cronista e poeta atingiu com seus textos quem ainda não havia tido contato com seu trabalho no Porta dos Fundos. Sendo no YouTube ou no jornal, Gregorio se espalha pela internet – às vezes até parando num veículo do exterior. E agora está de volta nos livros.

Put some farofa reúne as principais crônicas publicadas no jornal, roteiros das melhores esquetes do Porta dos Fundos e textos inéditos do autor para esta edição, uma mistura entre ficções, memórias de infância, ensaios sobre artistas que o influenciaram, artigos panfletários, exercícios de linguagem e outras experimentações. Abaixo, leia uma das crônicas do livro que chega nas livrarias em novembro.

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Agosto de 2013

Conheceram-se na sala ‘10 a 15 anos’ do bate-papo UOL. De onde teclas? Ele teclava de Belo Horizonte, ela de Caxias do Sul. Ele deu um número de ICQ. Passaram dias ao som de oh-ou e navios partindo. Ele pediu uma foto. Ela não tinha foto. Descreveu-se ruiva (não era). Ele se apaixonou perdidamente. Pediu o e-mail dela: era do iG, por causa do cachorrinho. O dele era Zipmail, por causa da Luana Piovani. Mandou um poema. Ela respondeu dez minutos depois. Trocaram todo tipo de poemas e cartas de amor. Até a caixa postal dele lotar, na semana seguinte. Ele apagou todos os e-mails que não eram dela (ou pra ela). Não eram muitos. Logo lotou de novo. Migraram para o Hotmail. A caixa postal era um pouco maior. Conheceram o MSN. Ele pediu uma foto. Ela pintou o cabelo de vermelho só pra foto. Mandou. Ele gostou mais ainda. Ela fez um Fotolog só com fotos dela. Pra ele. O Fotolog fez sucesso, não só com ele. Combinaram de se encontrar em São Paulo. Ele foi, ela não. Pararam de se falar por um tempo. No Orkut, se encontraram dois anos mais velhos. Ela pediu desculpas em um lindo testimonial. Ele aceitou. As desculpas, não o testimonial. Não era pra aceitar. Passaram a trocar scraps. Ele era um figura popular, tinha criado a comunidade do Pearl Jam. Ela criou “Adoro banho quente”, comunidade popular mas não tanto quanto sua rival “Odeio banho gelado”. Combinaram de se encontrar em São Paulo. Os dois foram. Beijaram-se assistindo A era do gelo. Ou não assistindo. Começaram um namoro à distância. Foram meses difíceis de MSN, até que inventaram o Skype. A vida mudou. Beijavam a tela, dormiam abraçados com ela. Ele fez uma música para ela e postou no YouTube. Ganhou seguidores no Twitter. A caixa postal do Hotmail lotou. Migraram para o Gmail e sua caixa infinita (ou quase). Ela foi pro Rio de Janeiro fazer faculdade. Ele foi atrás. Entraram no Facebook quando ainda não tinha quase ninguém. A foto de um era a cara do outro. Moravam juntos, dividiam o mesmo computador, compartilhavam os mesmos vídeos. O Gmail e sua estranha mania de não dar logout automaticamente fizeram com que ela lesse toda a correspondência dele. Ele ficou puto com o que ela leu. Ela ficou puta com o que ele tinha escrito. Quase terminaram. Preferiram comprar outro computador. E cada um passou a ter uma senha. Riram muito no 9Gag. Recusaram-se a entrar para o Google Plus. Hoje se falam o dia inteiro pelo WhatsApp. E o Instagram deles está cheio de fotos do bebê.

 

 

 

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Gregorio Duvivier nasceu no Rio de Janeiro, em 1986. É formado em letras pela PUC-Rio. Participou de séries de televisão como A grande família, de filmes como Apenas o fim(2009) e encenou diversas peças, entre elas Uma noite na Lua, pela qual venceu o prêmio APTR de melhor ator em 2012. É um dos idealizadores do coletivo Porta dos Fundos, em que trabalha como roteirista e ator. Antes de lançar seu primeiro livro, A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora(2008, 7Letras), teve poemas publicados na revista piauí e no jornal O Globo. Gregorio colabora com a Folha de S.Paulo, assinando uma coluna semanal na Ilustrada. Publicou pela Companhia das Letras o livro de poemasLigue os pontos.

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