heinz janisch

Semana onze

Os lançamentos desta semana foram:

Luka e o fogo da vida, de Salman Rushdie (Tradução de José Rubens Siqueira)
Luka tem doze anos e sonha em seguir os passos do pai, famoso contador de histórias, e do irmão mais velho, que já se aventuraram pelo mundo da magia. É então que, sem querer, ele roga uma maldição contra um circo que visita a cidade, cujos animais são maltratados pelo dono, o Capitão Aag. Naquela noite, o circo é destruído por um incêndio. Mas o Capitão Aag se vinga, enfeitiçando o pai de Luka e fazendo-o cair num sono profundo, que acabará por matá-lo se o feitiço não for quebrado. Luka então descobre que o único jeito de salvar o pai é roubando o Fogo da Vida do topo da Montanha do Conhecimento. Leia a carta em que o autor, que estará na Flip, conta sobre o que o levou a escrever o livro.

Vultos da República, organização de Humberto Werneck
Uma coletânea dos perfis longos e caprichados publicados na revista piauí, escritos por quatro dos melhores jornalistas brasileiros da atualidade — Consuelo Dieguez, Daniela Pinheiro, João Moreira Salles e Luiz Maklouf Carvalho. Um retrato mordaz — e certeiro — de figuras que, por afinidade ou manobra do destino, estão no centro do panorama político nacional.

Fumaça humana, de Nicholson Baker (Tradução de Luiz A. de Araújo)
Numa prosa extremamente original, Nicholson Baker revisa mitos e desconstrói verdades elaboradas pela ideologia dos vencedores. Sem jamais relativizar a barbárie nazista — e também o lado patético de lideranças do Terceiro Reich —, Baker recupera verdades dolorosas, como o disseminado antissemitismo na Europa e nos Estados Unidos do entreguerras e a posição evasiva da Inglaterra e da França, que num primeiro momento preferiram enxergar a Alemanha como o fiel da balança contra o avanço soviético no continente — culminando no desastroso Tratado de Munique, que concedeu os Sudetos à Alemanha nazista e deu vazão aos delírios imperiais de Hitler.

O adolescente, de Dostoiévski (Tradução e adaptação de Diego Rodrigues; Ilustrações de Renato Alarcão)
Narrado em primeira pessoa, O adolescente é um relato apaixonado e caótico das incursões de um jovem pelo mundo adulto e das escolhas que ele deverá fazer a partir de suas crenças e das incontingências dessa nova fase da vida. Versão adaptada para a coleção Germinal, o livro vem com um texto introdutório, um mapa de época, uma explicação sobre a composição dos nomes russos e uma lista com todos os personagens do romance.

O grande circo do mundo, de Marta de Senna (Ilustrações de Daniel Bueno)
Inspirado numa peça escrita há mais de trezentos anos— O grande teatro do Mundo —, por Pedro Calderón de la Barca, O grande circo do mundo é uma peça de teatro e também um livro para se ler sozinho e quieto em casa. Escrito em verso, traz as falas do Mestre de Cerimônias intercaladas com as dos artistas deste circo, que é mais uma espécie de miniatura do mundo. Pois, apesar de as personagens serem aquelas que normalmente encontramos nos circos — como o Domador, o Trapezista, o Palhaço, a Bailarina —, são gente como a gente, e falam de seus problemas, de suas conquistas, de seus medos, de suas alegrias.

O rei e o mar, de Heinz Janisch (Ilustrações de Wolf Erlbruch; Tradução de Sergio Tellaroli)
Quem é que pode com a chuva quando ela resolve chover? Ou com um cachorrinho teimoso, quando ele se recusa a obedecer ao dono — ainda que esse dono seja ninguém menos que o rei? Reis são pessoas muito poderosas, todo mundo sabe disso. Só que, às vezes, acontece de toparem com quem pode muito mais do que eles. Em 21 historinhas com ilustrações belíssimas e textos curtos e diretos, mas recheados de poesia, Janisch e Erlbruch, veterana e premiada dupla de autores de livros infantis, conseguem formular uma única grande questão filosófica: existe poder absoluto?