história da arte

Semana oitenta e oito

Os lançamentos da semana são:

1922 – A semana que não terminou, de Marcos Augusto Gonçalves
Na noite de 13 de fevereiro de 1922, curiosos, estudantes, figurões da política e sobrenomes de tradicionais famílias paulistas compareceram ao Teatro Municipal para a inauguração da Semana de Arte Moderna. Iniciativa de representantes da elite de São Paulo e de talentos da nova geração, como o pintor Di Cavalcanti e os escritores Mário e Oswald de Andrade, a Semana, com o passar dos anos, transformou-se numa espécie de mito sobre a fundação da cultura moderna no Brasil. Noventa anos depois, o jornalista Marcos Augusto Gonçalves mescla reportagem e relato histórico para revisitar os principais fatos e personagens da semana mais polêmica do país.

Festa no covil, de Juan Pablo Villalobos (Tradução de Andreia Moroni)
Tochtli é um pequeno príncipe herdeiro do narcotráfico mexicano. Fechado numa fortaleza no meio do nada, engana a solidão colecionando chapéus e palavras exóticas. Ele também tem uma ideia fixa: completar seu minizoológico com hipopótamos anões da Libéria e é bem capaz de conseguir que o rei, Yolcault, atenda seu desejo. Involuntariamente assustador e hilário em sua cândida crueldade, Tochtli relata sua própria educação sentimental, mostrando o coração do crime para além do bem e do mal. Nas ingênuas e disparatadas especulações desse improvisado detetive-antropólogo, atravessadas por suas fantasias e caprichos infantis, revela-se um quadro sinistro e doce como uma caveira de açúcar. Leia o post sobre a capa do livro, e um texto do autor.

Chamadas telefônicas, de Roberto Bolaño (Tradução de Eduardo Brandão)
O autor chileno compôs uma série de histórias breves, com desfechos inesperados, ocasionalmente abruptos, que abrem caminho para múltiplas interpretações. São tramas que muitas vezes ocultam mais do que revelam sobre seus personagens. O universo da literatura é tema recorrente na obra de Bolaño, e confere o eixo da primeira parte do livro. Na segunda parte, em que o espectro metaliterário cede lugar à violência, os leitores de Bolaño reencontrarão personagens já conhecidos. A sensação de déjá-vu estende-se também à terceira e última parte, protagonizada por personagens femininas indecifráveis, cujas ações nunca são inteiramente compreendidas.Ao repetir personagens e cenas, Bolaño constrói, livro a livro, um vasto universo ficcional. As breves narrativas de Chamadas telefônicas são assim tanto um complemento para ávidos leitores do autor quanto uma porta de entrada para esse território de figuras solitárias e deslocadas.

O xá dos xás, de Ryszard Kapuscinski (Tradução de Tomasz Barcinski)
Mohammed Reza Pahlevi governou o Irã por 25 anos. Após meses de manifestações populares nas ruas das principais cidades do país, o xá renunciou em janeiro de 1979. Imagens da revolução rodaram o mundo, mas poucos cronistas foram capazes de compreender as bases desse impressionante levante popular. Imiscuindo-se no cotidiano dos cidadãos comuns de Teerã, Ryszard Kapuscinski ouviu dezenas de anônimos, recortou pequenos textos de jornais locais, atentou para fotos antigas, coletou relatos de crianças. Assim nasceu O xá dos xás, não apenas a mais abrangente reportagem sobre a Revolução Iraniana como um relato sensível da experiência vivida pelo repórter naquele país.

Miguel Street, de V.S. Naipaul (Tradução de Rubens Figueiredo)
Um estranho podia passar de carro pela Miguel Streel e dizer apenas: “Favela!”, porque não conseguia enxergar mais nada. No entanto nós que morávamos lá víamos nossa rua como um mundo, onde cada um era completamente diferente do resto. Homem-homem era maluco; George era burro; Pé Grande era brigão; Hat era um aventureiro; Popo era um filósofo; e Morgan era nosso comediante.

O Estado como obra de arte, de Jacob Burckhardt (Tradução de Sergio Tellaroli)
A partir do século XIV, numerosos tiranos e déspotas começam a tomar o poder nos pequenos Estados da Península Italiana, então dividida entre as influências antagônicas da Igreja e do imperador germânico. Valendo-se de métodos ilegítimos e quase sempre sangrentos, os Baglioni de Peruga, os Sforza de Milão, os Médici de Florença, entre outros, estabeleceram ferozes ditaduras em seus domínios. Ao mesmo tempo, todo uma nova classe de intelectuais e artistas surge em torno das suntuosas cortes desses príncipes, criando as condições para o Renascimento. Em O Estado como obra de arte, primeira parte de A cultura do Renascimento na Itália, Jacob Burckhardt analisa a tumultuada evolução política dos Estados italianos durante um dos períodos mais decisivos da história do Ocidente.