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Ian McEwan e David Grossman se encontram em São Paulo

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Hoje, dia 25 de outubro, dois dos principais autores da Companhia das Letras participam de um encontro especial que comemora os 30 anos da editora: Ian McEwan e David Grossman. O evento acontece às 20h no Sesc Pinheiros, em São Paulo, e terá presença da cantora Adriana Calcanhotto e dos atores Denise Fraga e Wagner Moura, que farão a leitura de trechos das obras dos autores.

Os ingressos para o evento são gratuitos e serão distribuídos a partir das 14h nas bilheterias da rede Sesc da cidade de São Paulo, limitados a dois por pessoa.

O inglês Ian McEwan, autor de Reparação e Amor sem fim, acaba de lançar seu mais novo romance no Brasil, Enclausurado, narrado por um feto que escuta os planos de sua mãe para, em conluio com seu amante, assassinar o marido. Enclausurado é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de um dos maiores escritores da atualidade.

Nascido em Jerusalém em 1954, David Grossman lança no Brasil O inferno dos outros, livro em que um humorista expõe seus dramas mais profundos, convertendo o riso em melancolia. Enquanto faz piadas mais ou menos sagazes, no limite do politicamente correto e do bom gosto, passeando por temas tão amplos quanto o conflito Israel-Palestina e os palavrões proferidos por um papagaio, o comediante provoca o riso da plateia, mas também o desconforto. Um romance corajoso e atual, breve mas avassalador, de um dos maiores ficcionistas contemporâneos. 

Já passaram pelos encontros que comemoram os 30 anos da Companhia das Letras os autores Robert Darnton, Alberto Manguel e Mia Couto, que em sua passagem pelo Brasil conversou com Maria Bethânia e com o jovem escritor Julián Fuks, finalista do Prêmio Jabuti 2016. McEwan e Grossman encerram a comemoração com o público fã das letras.

Semana trezentos e dezoito

Companhia das Letras

Rio acima, de Pedro Cesarino
Um antropólogo desembarca na Amazônia para estudar os mitos de um povo indígena e a misteriosa história do “apanhador de pássaros”. Aos poucos, o pesquisador vai se aproximando da descoberta — mas ela pode ter consequências desastrosas. Narrado com precisão e agilidade, Rio acima é um misto de Nove noites, o romance de Bernardo Carvalho em que um pesquisador mergulha na vida dos índios do Xingu, e de Coração das trevas, o clássico de Joseph Conrad em que o lento avançar por um rio selvagem revela um universo sombrio. Pedro Cesarino é um dos pesquisadores mais brilhantes de sua geração e mostra que é também um grande ficcionista, capaz de ombrear com os melhores da nova literatura brasileira.

Enclausurado, de Ian McEwan (tradução de Jorio Dauster)
O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante — que é também tio do bebê -, assassinar o marido. Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica. Em sua aparente simplicidade, Enclausurado é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.

O voyeur, de Gay Talese (tradução de Pedro Maia Soares)
“Conheço um homem casado, com dois filhos, que comprou um motel de 21 quartos perto de Denver, há muitos anos, a fim de se tornar um voyeur residente.” Assim começa a espantosa história que Gay Talese, um dos maiores nomes do jornalismo literário, narra em O voyeur. O homem é Gerald Foos, que construiu uma “plataforma de observação” para bisbilhotar a vida de seus hóspedes. Intrigado, Talese investiga os diários do proprietário, um complexo registro de suas obsessões e das transformações da sociedade americana, mas só após trinta e cinco anos o jornalista pode divulgar a história. Um trabalho extraordinário e polêmico do repórter que mudou para sempre a face do jornalismo.

Como ser as duas coisas, de Ali Smith (tradução de Caetano W. Galindo)
Escritas com paixão, as obras de Ali Smith são únicas. Aclamadas, discutidas e premiadas, renderam um séquito de leitores à escocesa, sensação literária da contemporaneidade. Como ser as duas coisas não é diferente. Na Inglaterra, o livro vendeu 150 mil exemplares no primeiro ano — feito raro para um romance literário. A versatilidade da arte é o tema por trás das trajetórias de amor e injustiça que aqui se espelham dissolvendo gêneros, formas, tempos, realidades e ficções. Com técnica análoga à pintura de afrescos, Smith cria uma original história de duplos, protagonizada por um pintor renascentista dos anos 1460 e uma neta dos anos 1960.

Paraíso & inferno, de Jón Kalman Stefánsson (tradução de João Reis)
Numa parte remota da Islândia do século XIX, um pequeno barco de pesca é apanhado no meio de um violento temporal e a tragédia abate-se sobre os homens. Entre os tripulantes, um jovem pescador fica surpreso pela aparente indiferença dos companheiros à morte por hipotermia do seu único amigo. Desiludido e confuso ao retornar, ele decide abandonar sua aldeia, arriscando atravessar a pé as montanhas em pleno inverno, com uma ideia fixa: chegar à cidade mais próxima para devolver o livro Paraíso perdido, de John Milton, a um velho capitão cego, que o emprestara a seu amigo. Uma história vívida e lírica, com a intensidade da paisagem natural islandesa.

Penguin-Companhia

Romeu e Julieta, de William Shakespeare (tradução de José Francisco Botelho)
Há muito tempo duas famílias banham em sangue as ruas de Verona. Enquanto isso, na penumbra das madrugadas, ardem as brasas de um amor secreto. Romeu, filho dos Montéquio, e Julieta, herdeira dos Capuleto, desafiam a rixa familiar e sonham com um impossível futuro, longe da violência e da loucura. Romeu e Julieta é a primeira das grandes tragédias de William Shakespeare, e esta nova tradução de José Francisco Botelho recria com maestria o ritmo ao mesmo tempo frenético e melancólico do texto shakespeariano. Contando também com um excelente ensaio introdutório do especialista Adrian Poole, esta edição traz nova vida a uma das mais emocionantes histórias de amor já contadas.

Objetiva

Verissimas, de Luis Fernando Verissimo
Antologia reúne, em pílulas de sabedoria e humor, o suprassumo da obra do escritor e cronista, que completa 80 anos. O publicitário e jornalista Marcelo Dunlop tinha apenas dez anos quando descobriu, lendo um texto de Luis Fernando Verissimo, que até a morte podia ser engraçada. Deslumbrado com o achado e às gargalhadas, o menino recortou a crônica do jornal e passou a fazer o mesmo com várias outras. Duas décadas depois, eis aqui o resultado da empreitada: uma seleção de pérolas garimpadas em toda a obra do escritor. Salpicada de cartuns raros recolhidos no baú do autor, esta coletânea traz cerca de oitocentos verbetes — ou Verissimas — em ordem alfabética. Conduzido e instigado por esse alfabeto particular, o leitor seguirá se divertindo de A a Z com as comparações, máximas, mínimas e metáforas do mestre do humor sintético.

Como ter um dia ideal, de Caroline Webb (tradução de André Fontenelle)
Através de técnicas simples baseadas em pesquisas científicas de economia, psicologia e neurociência, Caroline Webb ajuda você a melhorar seu dia a dia. Em Como ter um dia ideal, Caroline Webb mostra que é possível usar as recentes descobertas da economia comportamental, da psicologia e da neurociência para transformar nossa relação com o cotidiano profissional. Avanços nessas ciências nos oferecem um melhor entendimento de como nosso cérebro funciona, por que fazemos as escolhas que fazemos e o que é necessário para conseguirmos dar o melhor de nós. Webb explica como aplicar essas descobertas em nossas tarefas e rotinas diárias e, assim, lidar melhor com os desafios do ambiente de trabalho moderno — dos conflitos com colegas a reuniões tediosas e caixas de entrada lotadas — com destreza e facilidade.

Reimpressões

Alta fidelidade, de Nick Hornby
Brasil: Uma biografia, de Lilia M. Schwarcz e Heloísa Starling
Budapeste, de Chico Buarque
Marighella, de Mário Magalhães
Mulheres de cinzas, de Mia Couto
O anjo pornográfico, de Ruy Castro
A corrida para o século XXI, de Nicolau Sevcenko
Pippi nos mares do sul, de Astrid Lindgren
O mundo assombrado pelos demônios (Edição de bolso), de Carl Sagan
Obra completa (Edição de bolso), de Murilo Rubião
Rumo à estação Finlândia (Edição de bolso), de Edmund Wilson
Anticâncer, de David Servan-Schreiber
Fora da curva, de Pierre Moreau

Semana cento e quarenta e cinco

Os lançamentos desta semana são:

Sábado, de Ian McEwan (Trad. Robens Figueiredo)
Nascido em 1948, Ian McEwan é considerado por muitos o melhor romancista de sua geração. Em Sábado, ele conta todas as horas de um dia na vida de Henry Perowne, neurocirurgião londrino de alto gabarito. A data é 15 de fevereiro de 2003. No centro de Londres se prepara a maior manifestação popular já vista na cidade, com 1 milhão de pessoas nas ruas para contestar a invasão iminente do Iraque; ao mesmo tempo, um banal acidente de trânsito envolvendo o carro de Perowne e o de um homem com problemas neurológicos trará consequências graves para o médico e sua família. McEwan retrata com agudeza um momento em que o impacto dos atentados de Onze de Setembro em Nova York repercute na consciência dos ingleses. O escritor vale-se do ambiente impregnado pelo temor de novos atentados para conferir a detalhes triviais do cotidiano uma carga de tensão que carrega o leitor até a última página.

Machu  Picchu, de Tony Bellotto
Ambientado num único dia, Machu Picchu é um romance sobre as agruras do casamento e da família. Mas engana-se quem pensa encontrar aqui pessoas sentadas à mesa, discutindo o trabalho e a vizinhança. Presos em seus carros, a caminho de celebrar dezoito anos de casamento, Zé Roberto e Chica reveem cada um dos seus dramas, a maioridade de uma relação conturbada e não exatamente honesta. A partir desse cenário, Tony Bellotto coloca sob a lupa a geração que viveu a euforia dos anos 1990, e que chega agora à meia-idade sem planos nem projetos. Uma visão ácida, cômica e assustadoramente real do nosso tempo.

Editora Seguinte

Dizem por aí, de Ali Cronin (Trad. Rita Sussekind)
Entre seus amigos, Ashley sempre foi a garota divertida que sabe o que quer. Ela nunca procurou um compromisso sério, mas tudo muda quando, através de sua melhor amiga Donna, ela conhece Dylan. Pela primeira vez, Ash fica interessada em mais do que só uma noite. Contudo, os sinais recebidos de Dylan a deixam confusa — quando estão sozinhos, eles se dão bem e se aproximam; quando se encontram nas festas, o garoto a evita. Com esse vaivém, Ashley fica insegura e passa a tomar decisões erradas. Será que ela conseguirá deixar seu estilo de vida para trás e viver esse novo amor?

London Calling

Por Tony Bellotto


Christopher Hitchens e Salman Rushdie com busto de Voltaire.

Confesso que nunca tinha lido nada do Salman Rushdie até o final do ano passado, quando li Joseph Anton: memórias, que narra a experiência do escritor durante os anos em que viveu escondido e sob proteção policial, depois de sua condenação à morte pelo abominável aiatolá Khomeini.

Joseph Anton — o codinome escolhido por Salman para enfrentar a forçada clandestinidade, inspirado por dois de seus ídolos literários, Joseph Conrad e Anton Tchekhov — é um livro delicioso, da estirpe dos que não se consegue largar, uma reflexão preciosa sobre a liberdade (e a falta dela) num mundo confuso em que barbárie e obscurantismo desfilam como um casal charmoso de monarcas up to date.

Em Joseph Anton, Salman afirma que o apoio dos amigos foi fundamental para que sobrevivesse à angústia do desterro surreal. Entre eles encontram-se três figuras destacadas da literatura e do jornalismo britânicos: Martin Amis, Ian McEwan e Christopher Hitchens.

Nas trevas, os bons companheiros se aproximam de Salman com as potentes lanternas da razão e da solidariedade, acendem a fogueirinha (nunca usando livros como lenha), cantam velhas canções dos Rolling Stones e bebem algumas garrafas de uísque antes que o sol nasça de novo (devem ter cantado também “Here Comes The Sun”, dos Beatles).

Gosto de deixar que livros que me impressionam orientem minhas próximas leituras. Portanto, para mim o ano começa com um sabor de London Calling (apesar das temperaturas saarianas do verão carioca).

Além de Os versos satânicos (que pretendo ler em breve ), termino de ler Hitch-22, uma autobiografia impiedosa e divertida de Christopher Hitchens — nos picos de seu estilo verborrágico, irônico e digressivo —, e já acabei de ler Grana, de Martin Amis, um romance de 1984 (alguém pensou em George Orwell?) que transborda cinismo com a acuidade de uma prosa que pode ser definida como Vladimir Nabokov viajando de ácido.

Do Ian McEwan o último que li acho que foi Solar, mas Serena já está taxiando no tapete.

London calling to the faraway towns
Now war is declared and battle come down
London calling to the underworld
Come out of the cupboard, you boys and girls!

Pressinto um ano de muitos combates e altas temperaturas.

* * * * *

Tony Bellotto, além de escritor, é compositor e guitarrista da banda de rock Titãs. Seu livro mais recente, No buraco, foi lançado pela Companhia das Letras em setembro de 2010.

Orgulho e indagação

Por Luiz Schwarcz


Ian McEwan (Foto por Lilia M. Schwarcz)

Acompanhar autores, editores e agentes literários em visita ao Brasil é um dos grandes prazeres da vida de um editor tupiniquim. Pelo menos é o que sinto quando recebo pessoas e me ponho a mostrar não só a mim mesmo, como sobretudo a Companhia das Letras, e meu país. É curioso como nessa hora percebo o quanto me orgulho de ser brasileiro. É um sentimento que não sei explicar, mas, ao frequentar o país com os olhos de quem o visita pela primeira vez, eu sinto uma alegria imensa.

Ao emprestar o olhar do estrangeiro, as vantagens de ter nascido e construído a vida no Brasil me parecem muito maiores do que as dificuldades e vícios.

Pois este ano, depois da Flip, a Lili e eu juntamos um grupo que em parte mal se conhecia e tivemos uma semana de sonho, passando por Tiradentes, Ouro Preto e Inhotim.

Jonathan Galassi, editor da Farrar Straus and Giroux, é um dos meus melhores amigos no mundo editorial. Um dia escreverei um post só sobre ele. Jonathan veio para o Brasil por dois motivos: como acompanhante de Jonathan Franzen, um de seus autores mais importantes, e também para assistir à Flip que homenageava Carlos Drummond de Andrade. Jonathan publicará Drummond em inglês. Já conhecia o poeta mineiro a fundo, pois foi aluno, e depois também editor, de Elizabeth Bishop — tradutora de alguns poemas de Drummond para o inglês.

Deborah Rogers é uma das principais agentes literárias do mundo, e representa vários autores da Companhia das Letras no exterior; graças à amizade que desenvolvemos há mais de duas décadas. Deb, como é conhecida, veio para a Flip com seu marido, o compositor Michael Berkeley, que prepara com Ian McEwan uma ópera baseada em Reparação. Tanto Deborah como Jonathan tinham um plano pós Flip: ir a Ouro Preto, para conhecer a cidade e a casa onde viveu Elizabeth Bishop.

Ian McEwan e Annalena McAfee são dois autores que não têm uma relação estritamente profissional comigo. Ficamos amigos há tempos, antes da Flip existir. Assim, Ian aceitou lançar seu novo livro, Serena, primeiro no Brasil; e vir à Flip para depois realizar um plano antigo: passar uns dias comigo e com a Lili, em nossa casa no interior de São Paulo.

Deborah é a agente literária de Ian e Annalena. Aproveitei a presença dos dois casais, muito amigos entre si, e de Jonathan Galassi, que pouco ou nenhum contato tinha com o resto do grupo, para propor que nos juntássemos e viajássemos juntos.

Deixamos a serra da Mantiqueira para outra ocasião, e fizemos um roteiro exclusivamente mineiro. Unidos pela amizade com a Lili e comigo, pelo interesse em Elizabeth Bishop e pela vontade de conhecer o Brasil, o grupo teve uma convivência mais que prazerosa. A casa de Bishop em Ouro Preto foi aberta para nós por seus atuais e super zelosos proprietários Linda e José Alberto Nemer, que chegaram a cobrir as camas com as mantas indianas que a poeta trouxe consigo dos Estados Unidos. Isso para que tivéssemos a ideia mais completa de como Bishop vivia. Vimos o estúdio onde ela escrevia, a sala de estar, a mesa de jantar e o seu jardim com a majestosa vista da cidade. Passeamos pelas ruelas de Ouro Preto, visitamos algumas igrejas — parte em bom estado de conservação — e tivemos a sorte de assistir, por conta do Festival de Inverno, a um show da Velha Guarda da Portela. Na noite fria da cidade barroca, Monarco cantava os grandes sucessos da escola azul e branco, enquanto Deborah dançava com um senhor desconhecido, os dois deixando a terceira idade de lado, com samba no pé. Ele havia ingerido uma quantidade considerável de álcool, mas apenas sorria e dançava com sua nova amiga. Enquanto isso eu tentava traduzir as letras dos sambas para Ian e Annalena e explicava se tratarem, na sua maioria, de canções sobre desilusões amorosas e corações partidos. Ao fazê-lo me dei conta de que todas estas canções tristíssimas são apresentadas no Brasil com melodias alegres e ritmo pulsante. A felicidade do samba, a serviço das mazelas do coração, é uma grande maneira de entender o país.

A cordialidade e hospitalidade superlativas do povo mineiro e a surpresa dos estrangeiros com a excessiva intimidade que nos era concedida logo no primeiro contato permitiam mostrar aos convidados o país do “homem cordial”, onde todos se unem na amizade, mas, ao mesmo tempo, com tão frágeis e tardias conquistas formais de cidadania e de igualdade social.

Nosso almoço no restaurante mais popular dos caminhoneiros, entre Congonhas do Campo e Ouro Preto, foi dos pontos altos do roteiro gastronômico, que incluiu também uma leitoa à pururuca em uma fazenda de Tiradentes, e frango ao molho pardo em uma casa de família, transformada em restaurante informal.

Ian comentou no final da estadia que os banheiros dos lugares públicos que visitamos eram extremamente limpos. Essa pequena observação, vinda de um escritor acostumado a viajar aos mais variados lugares, me fez pensar que talvez esse fato não fosse verdade há pouco tempo atrás, e que no banheiro asseado das estradas de Minas há razões para otimismo — quem sabe o país esteja de fato mudando.

A grandiosidade dos jardins e pavilhões de Inhotim, mesmo com os questionamentos que envolvem o projeto deste museu a céu aberto sem igual no Planeta, juntaram-se ao samba triste, em um novo retrato do Brasil. Um país aparentemente tão sedutor, mas difícil de decifrar. Com orgulho e indagações — haveria melhor forma de terminar uma semana de visita ao meu país?

Tiradentes:

Casa de Elizabeth Bishop:

Mariana:

Ouro Preto:

(Fotos por Lilia M. Schwarcz)

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Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de sinais, entre outros. Ele contribui para o Blog da Companhia com uma coluna quinzenal chamada Imprima-se, sobre suas experiências como editor.

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