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Semana duzentos e cinquenta e dois

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Os boêmios, de Anne Gédéon Lafitte (tradução de George Schlesinger e Rosa Freire d’Aguiar)
Os boêmios é mais que um folhetim erótico: trata-se de uma análise demolidora do clero na França do século XVIII. O livro conta a história de um bando de “filósofos” que percorrem a região de Champagne sem um destino definido, alimentando-se de galinhas roubadas dos camponeses. Publicado em 1790, esse romance inusitado continuaria relegado ao esquecimento não tivesse Robert Darnton — que assina a introdução e as notas da edição — encontrado em Paris um dos seis exemplares que restaram da destruição promovida por seu próprio editor.

Hélio Oiticica: Qual é o parangolé?, de Waly Salomão
“Qual é o parangolé?”, explica Waly Salomão a dada altura do perfil de Hélio Oiticica, “era uma expressão muito usada quando cheguei da Bahia para viver no Rio de Janeiro, e significava ‘O que é que há?’.” A mesma fluidez da gíria do morro aparece nos parangolés criados por Hélio Oiticica, objetos abertos à contingência e ao movimento. A trajetória de um dos mais relevantes artistas de vanguarda do século XX é desenhada com estilo e desenvoltura pelo poeta que não via limites para a experimentalidade e a ousadia. Um encontro de gênios, beneficiado pela proximidade dos dois interlocutores e amigos e pelo conhecimento de quem atuou como conselheiro do acervo de Oiticica e editor de seus textos.

O mistério da consciência, de António Damásio (tradução Laura Teixeira Motta) — Edição Econômica
Como uma pessoa sabe que está sentindo dor? Que está apaixonada? Como sabe o que está fazendo e o que quer fazer? O que é a consciência, esse fenômeno que aciona o corpo, a emoção e a mente para assegurar não só a sobrevivência, mas todas as criações do homem? O que se dá em nosso organismo, e especialmente no cérebro, que nos faz tomar conhecimento do mundo e de dentro do nosso corpo? O que nos permite lembrar o passado e planejar o futuro? O que nos abre as portas da arte, da ética e da ciência? O neurologista António Damásio, um dos grandes cientistas contemporâneos, revela neste livro sua teoria revolucionária sobre o enigma da consciência – o maior desafio da filosofia e das ciências da vida.

A zona de interesse, de Martin Amis (tradução de Donaldson M. Garschagen)
A Zona de Interesse, em Auschwitz, era o local onde os judeus recém-chegados passavam pela triagem, processo que determinava se seriam destinados aos trabalhos forçados ou às câmaras de gás. Este romance se passa nesse lugar infernal, em agosto de 1942. Cada um dos vários narradores testemunha o inominável a sua maneira. O primeiro é Golo Thomsen, um oficial nazista que está de olho na mulher do comandante. Paul Doll, o segundo, é quem decide o destino de todos os judeus. E Szmul, o terceiro, chefia a equipe de prisioneiros que ajudam os nazistas na logística do genocídio. Neste romance, Martin Amis reafirma seu lugar entre os mais argutos intérpretes de nosso tempo.

Paralela

Na pele de uma jihadista, de Anna Erelle (tradução de Eduardo Brandão e Dorothée de Bruchard)
A jovem e frágil Mélodie, recém-convertida ao islamismo, conhece, num chat do Facebook Bilel, integrante de alto escalão do Estado Islâmico e braço direito de Abu Bakr al-Baghdadi, um dos terroristas mais perigosos do mundo. Após somente dois dias de conversas por Skype, ele já se declara “apaixonado”. Mais do que isso: pede Mélodie em casamento, instigando-a a juntar-se a ele na Síria para viverem juntos uma vida idílica, repleta de riquezas materiais e espirituais. Mas o que Bilel não sabe é que Mélodie não existe fora do mundo virtual. Ela é, na verdade, Anna Erelle, uma jovem repórter parisiense que investiga as redes de recrutamento de grupos terroristas e suas propagandas digitais.

Seguinte

O império de ferro — Infinity Ring  7, de James Dashner (tradução de Alexandre Boide)
Quando Sera, Dak e Riq começaram a viajar no tempo usando o Anel do Infinito, nem imaginavam que navegariam na caravela de Cristóvão Colombo, defenderiam grandes cidades de ataques vikings e mongóis e encontrariam alguns dos personagens mais célebres da história pelo caminho. Agora, os três jovens finalmente voltam até o momento em que a primeira Fratura começou a alterar o destino da humanidade. Sua última missão é salvar Alexandre, o Grande, e para isso terão de contar com a ajuda de ninguém menos do que o brilhante filósofo Aristóteles. Mas eles não são os únicos viajantes do tempo na Grécia Antiga. Uma batalha épica contra seu maior inimigo os espera… e a história será escrita pelos vencedores.

Portfolio-Penguin

Economia: modo de usar, de Ha-Joon Chang (tradução de Isa Mara Lando e Rogério Galindo)
De maneira irreverente e sagaz e com um conhecimento histórico profundo, Ha-Joon Chang apresenta um acessível manual que explica como a economia global realmente funciona. Diferente de muitos economistas que apresentam apenas uma vertente de sua área, Chang introduz uma variedade de teorias econômicas, da clássica à keynesiana, revelando os pontos fortes e fracos de cada uma, e apresenta as ferramentas necessárias para entender esse mundo cada vez mais interconectado, frequentemente guiado pela economia. Do futuro do euro à desigualdade na China ou à condição da indústria de manufatura norte-americana, Economia: modo de usar é um conciso e hábil guia sobre os fundamentos econômicos.

Semana cento e quarenta e oito

Os lançamentos desta semana são:

O mais estranho dos países, de Paulo Mendes Campos
Paulo Mendes Campos tinha extrema precisão ao perfilar personagens de sua época dourada — aquele Brasil eufórico das décadas posteriores à Segunda Guerra. Para falar de Vinicius de Moraes, cita um encontro do poeta com uma ex: “Você continua no Jardim Botânico?”, ele pergunta. A mulher informa: “Não, estou há muito tempo no São João Batista.” Vinicius não se aguenta: “E qual é o número de sua sepultura?” Para falar de Drummond, lembra um episódio surpreendente: “Entro no seu gabinete pela manhã e encontro o poeta desalinhado, procurando os óculos: embolara-se com um funcionário malcriado que o ofendera. E estava bem feliz com o resultado do round”. Para lembrar o místico Jayme Ovalle: “Andando às vezes pela Lapa, de madrugada, costumava-se agarrar a um poste, transtornado com a beleza da aurora: ‘Meu Deus, eu morro…'”. E para retratar o grande amigo Rubem Braga: “Deitado na rede, armada no gabinete de trabalho, falava de mulheres, da raridade de um cotovelo bonito, de paixões, arrasadoras ou frívolas, mas a conversa acabava quase sempre no mato, onde ele gostaria de viver”.

O amor acaba, de Paulo Mendes Campos
Deixai para trás toda desesperança, ó leitor: o bem-aventurado que aqui vier em busca de motivos para amar a beleza da mulher, enaltecer a virtude do ócio, maldizer o tédio e rezar no altar da boemia encontrará motivos de sobra nas crônicas de Paulo Mendes Campos. Exímio na ciência de aproximar a prosa da poesia em textos elegantes, leves e bem-humorados, nas crônicas de O amor acaba o mineiro radicado no Rio de Janeiro é menos o contador de causos do que o apóstolo da boa vida. Publicados quase sempre em jornais, são antes ensaios sobre a efemeridade do êxtase achado no cotidiano mais áspero do que narrativas sobre o Brasil dos anos 1950 e 60 — ambiente que fomentou a bossa nova, o cinema novo, o futebol-arte e a arte da conversa fiada, expressa na geração que gerou, entre outros, Rubem Braga, Fernando Sabino, Antônio Maria e Drummond como luminares deste gêneto tão preciso quanto fugidio: a crônica.

Morte em Pemberley, de P.D. James (Trad. Sonia Moreira)
O ano é 1803. Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy já estão casados, tiveram dois filhos e sua felicidade na imponente propriedade rural de Pemberley parece inabalável. Mas a paz do lugar é ameaçada quando, na noite da véspera do baile anual de Pemberley, Lydia, uma das irmãs Bennet, chega à mansão gritando que o marido, George Wickham, foi assassinado na floresta. Com este ponto de partida, P.D. James retoma o universo do clássico Orgulho e preconceito, de Jane Austen, numa trama de assassinato em que nada é o que parece. Morte em Pemberley segue a tradição dos grandes romances de mistério sobre a aristocracia inglesa. P.D. James, criadora do detetive Adam Dalgliesh, estrela da maioria de seus livros, combina sua paixão pela obra de Austen a um suspense eletrizante, em que nem o grande casal da literatura inglesa está acima de qualquer suspeita.

Editora Seguinte

Infinity Ring: Um motim no tempo, de James Dashner (Trad. Alexandre Boide)
Quando os amigos Dak Smyth e Sera Froste descobrem o segredo da viagem no tempo — um dispositivo portátil conhecido como Anel do Infinito — eles não têm nem ideia da guerra oculta e milenar em que estão entrando; e muito menos de que a partir daquele momento embarcarão numa jornada cheia de perigos e serão responsáveis por salvar a humanidade. Neste volume, os garotos são apresentados aos Guardiões da História, uma sociedade secreta que remonta aos tempos de Aristóteles, e descobrem que fatos históricos importantíssimos estão sendo misteriosamente modificados, gerando Grandes Fraturas na Terra. Com a ajuda do Anel, Dak e Sera vão viajar até a Espanha de 1492 para tentar impedir a primeira catástrofe: um navegador chamado Cristóvão Colombo está sofrendo um motim terrível e será lançado ao mar antes de conseguir chegar na América! Eles precisam ser rápidos…