james joyce

Semana trezentos e onze

Penguin-Companhia

Um retrato do artista quando jovem, de James Joyce (tradução de Caetano Waldrigues Galindo)
Um dos romances de formação mais importantes da literatura universal, Um retrato do artista quando jovem narra a infância e a juventude de Stephen Dedalus, alter ego literário de James Joyce. O personagem, que teria lugar de destaque no Ulysses, romance seguinte do autor, aparece aqui como um jovem em busca de identidade, seja ela artística, política ou pessoal. A experiência num internato jesuíta, onde conhece a teoria estética de São Tomás de Aquino, transformará Dedalus de forma irremediável e o colocará em contato com uma das mais belas epifanias artísticas já registradas num romance.

Paralela

O diário de Bridget Jones, de Helen Fielding (tradução de Beatriz Horta)
Bridget Jones já é uma personagem querida por milhões de leitores. Seja pelas desventuras amorosas ou pelos problemas com os pais, é muito fácil se identificar (e se encantar) com a personagem criada por Helen Fielding. Nesta nova edição comemorativa dos vinte anos de lançamento do primeiro livro, os fãs antigos terão a chance de reencontrá-la e os novos leitores descobrirão uma paixão por este clássico! Bridget continua atual e afiada como nunca: uma personagem tão perfeitamente imperfeita para ajudar todos aqueles que já se sentiram incapazes de tomar as rédeas da própria vida.

Suma de Letras

Depois da última dança, de Sarra Manning (tradução de Viviane Diniz)
Duas mulheres separadas pelo tempo. Dois casos de amor ligados pelo destino. Uma história inesquecível. Estação de King’s Cross, 1943. Rose chega a Londres querendo se entregar a uma vida de romance, glamour e dança, e para isso ela escolhe o Rainbow Corner, o mais famoso salão de dança da cidade. Enquanto a Segunda Guerra Mundial entra em seu momento final, Rose se apaixona perdidamente por um piloto, mas terá que lidar com as reviravoltas do destino antes que a guerra chegue ao fim. Las Vegas, dias atuais. Uma linda mulher vestida de noiva entra em um bar procurando alguém para se casar com ela. Quando Leo assume o papel e diz “sim”, ele não tem nenhuma ideia da situação em que está se metendo. Quem será Jane, a mulher misteriosa? Quando Jane e Rose, agora uma senhora de idade, se conhecem, a fagulha da discórdia se acende. Mas acontecimentos que elas não podem controlar fazem com que o tempo se torne um bem muito precioso. Depois da última dança conta a extraordinária história dessas duas mulheres, separadas pelo tempo mas ligadas pelo destino. Um romance que fará com que você acredite no poder do amor.

Quadrinhos na Cia.

Reportagens, de Joe Sacco (tradução de Érico Assis)
Na última década, Joe Sacco tem se voltado cada vez mais aos quadrinhos curtos para nos mandar seus relatos dos conflitos ao redor do globo. Reunidas pela primeira vez, essas reportagens mostram por que Sacco é um dos principais correspondentes de guerra dos nossos tempos. São histórias de refugiados africanos em Malta, de contrabandistas palestinos, de criminosos de guerra e de suas vítimas. E ainda de uma incursão com o exército americano no Iraque, em que ele vê de perto a miséria e o absurdo da guerra. Um de seus trabalhos mais maduros, Reportagens traz Sacco nas linhas de frente dos conflitos, relatando com sensibilidade e crueza os horrores — e as esperanças — da humanidade.

Magda, de Rafael Campos Rocha
Um ser ancestral se esconde na Terra, um predador de milhares de anos que pode ter sido responsável por extinções do passado. Agora ele se apossou de Magda, numa relação de simbiose que acaba por criar um dos seres mais poderosos do planeta. E Magda está com fome. A partir dessa premissa, Rafa Campos Rocha criou um álbum de aventura e ficção científica que bebe na obra de clássicos como Moebius, Robert E. Howard e Milton Caniff. A isso, o quadrinista combina sua imaginação fértil e levemente doentia. O resultado é um álbum tão inesperado quanto violento, tão sensível quanto brutal. Numa jornada de autoconhecimento, o monstro encontrará em Magda sua melhor — e mais perigosa — aliada.

Em tradução (Joyce)

Por Caetano Galindo

5412968573_eca125958c

Recentemente eu li o belíssimo romance The Crimson Petal and the White, de Michel Faber. Na semana anterior eu tinha lido The Book of Strange New Things, que me deixou encantado. Aí li correndo Under the Skin e depois encarei o romanção histórico. Sabe como, né? Quando você quer ler tudo de um autor.

Depois de terminar o Crimson Petal, eu descobri que ele tinha escrito alguns contos, de início pra aquietar os leitores que queriam um “volume dois”. São contos com personagens do romance, às vezes em momentos anteriores, às vezes depois da ação descrita ali. Até o destino da personagem principal, a prostituta Sugar, fica mais ou menos iluminado.

Me deu vontade de sair recomendando pra tudo quanto é autor bom esse negócio de reaproveitar as personagens.

Claro que Balzac meio que inventou o jogo, nem que pra isso tivesse, como teve, que mudar o nome de personagens de obras já publicadas anteriormente. Claro que Shakespeare (Henrique, Falstaff) tinha feito isso antes. Claro que Conan Doyle fez Sherlock Holmes virar grife. Claro que, no Brasil, Rubem Fonseca já brincou disso, Dalton Trevisan e, mais recentemente, Cristovão Tezza com a sua Beatriz, que já esteve em dois livros (um romance e um de contos) e deve voltar em novo romance este ano.

E em todos esses casos me parece que a gente encontra uma maneira bem poderosa (talvez precisamente por ser “fraturada”) de conhecer mais a fundo aquelas personagens… Uma maneira que, no nosso tempo obcecado por séries de televisão, me parece ter alguma coisa a ver com a dinâmica da “longa duração” dessas narrativas que duram 5, 7 anos…

Curiosamente, Joyce também participou da brincadeira.

Claro que ele foi diferentão, e fez a coisa ao contrário. Se tivesse escrito o Ulysses e aí saído reaproveitando as personagens, tudo bem, a gente estaria em casa. Mas o que ele fez foi escrever seu grande romance usando como protagonista o herói de seu romance anterior, Um retrato do artista quando jovem, e usando como figurantes, ou pessoas mencionadas de passagem, cerca de trinta personagens de seu livro de contos, Dublinenses.

Os três livros foram publicados num intervalo de oito anos. Para o leitor de hoje, no entanto, que pode ter os três à mão ao mesmo tempo (aguardem a minha tradução de Dublinenses!), eles podem funcionar em qualquer ordem.

Como os dois livros menores são em alguma medida “mais simples”, é normal recomendar que eles sejam lidos antes. Mas a experiência de usar os dois como “consolo” depois do fim do Ulysses, mais ou menos como eu fiz com os contos do Faber, também é muito interessante…

No caso de Um retrato… que será lançado este mês aqui na Penguin-Companhia, o que rola é uma verdadeira explosão das ideias que o leitor elabora a respeito de Stephen Dedalus durante o Ulysses. Como eu acho que já disse aqui, depois de traduzir e anotar o Retrato, depois dessa leitura “funda” que é a tradução, cada vez menos me parece que ele seja um livro que “prepara” o Ulysses: ele é efetivamente a primeira parte do Ulysses, que, na medida em que seja possível, fica “mais perfeito” se lido junto com seu irmão “menor”.

Menor?

Bom… não é crime ser menor que o Ulysses.

* * * * *

Caetano W. Galindo é professor de Linguística Histórica na Universidade Federal do Paraná e doutor em Linguística pela USP. Já traduziu livros de James Joyce, David Foster Wallace e Thomas Pynchon, entre outros. Ele colabora para o Blog da Companhia com uma coluna mensal sobre tradução.
Twitter

Em tradução (Dublinenses)

Por Caetano Galindo

1955997274_009b0d18c3

Estou dando tratos razoavelmente finais à tradução de Dublinenses, único livro de contos de James Joyce, publicado em 1914, dois anos antes de Um retrato do artista quando jovem e oito anos antes do Ulysses.

Com a publicação do guia de leitura Sim, eu digo sim, no começo do ano, essa tradução encerra todo um projeto de dar ao leitor brasileiro a mais completa via de acesso ao Ulysses. Pois se o Retrato é a apresentação de Stephen Dedalus (e, em vários sentidos, pode ser considerado mesmo como a “primeira parte” do Ulysses), Dublinenses apresenta mais de TRINTA personagens que o leitor vai reencontrar no romance de 1922. E se em alguns casos se trata apenas de um nome que recorre, em outros acabamos tendo acesso a visões mais profundas e quase contraditórias, se comparadas ao que pudemos ver de cada um deles no Ulysses.

Tanto o Retrato quando esse Dublinenses devem sair com notas de leitura, pra facilitar o processo de se lidar com uma cultura cem anos e milhares de quilômetros distante, e também pra apontar essas conexões entre os livros. São ao todo mais de 400 notas, mais prefácios e “notas introdutórias” do tradutor. Quando os quatro livros estiverem nas livrarias, Ulysses, Guia, Retrato e Dublinenses, o nosso Kit-Joyce estará pronto. (E pensar no Finnegans Wake, pro futuro curto…?)

Mas, propagandas e autocongratulações à parte, lidar com os contos de Dublinenses me deixou pasmado. Como sempre.

Joyce gostava de correr riscos, e normalmente bancava os riscos e saía triunfante de cada experiência. O Retrato já é um livro arriscado: pense naquela primeira página, escrita toda no que seria o discurso indireto livre de uma criancinha, sem maiores explicações. Do Ulysses, nem preciso falar! Mas em Dublinenses, o que o leitor encontra é aquele que talvez seja o maior prosador da história da língua inglesa exercendo todo seu talento em chão e com regras muito mais firmes. É como se ele estivesse fazendo alongamentos pra saltar mais longe, testando suas forças, vendo o que é que poderia fazer na linguagem “tradicional” do conto tchekhoviano, flaubertiano.

Isso, claro, ainda tem que levar em conta que ele escreve os contos quase todos entre 1904 e 1906. Só “Os Mortos”, aquela pérola absurdamente linda, vem de 1907. E, veja bem, ele tinha 25 anos em 1907. Ele conseguiu escrever um conto incrível como “Eveline”, que envolve um mergulho sem freios na consciência de uma mulher, antes de completar 23 anos. Não é só de prosa que se fala aqui. É dessa capacidade de ser outras pessoas, de forçar os limites da empatia e, no fundo, os limites do “eu”. Daquilo que faz a grande literatura.

E é um prazer tremendo lidar com esse Joyce joalheiro, esse Joyce que, antes de se deliciar com uma estética de arestas, de riscos e furos, de excessos e faltas controladas, parece ter se dado o direito de ser perfeito.

Desculpa, parece chato, parece bobo, mas era só nisso que eu pensava enquanto traduzia. O que ele queria com esses contos era a “perfeição”. E conseguiu, com sobras, uma dúzia de vezes.

Fique aqui com uma amostra elegantíssima da abertura do conto “Uma Mãe”:

A srta. Devlin se tornou sra. Kearney por despeito. Tinha sido educada num convento de alto nível onde aprendeu francês e música. Como era por natureza pálida e de modos inflexíveis fez poucas amigas na escola. Quando chegou à idade de casar foi enviada a várias casas onde seu piano e seus modos ebúrneos foram muito admirados. Ficava sentada no centro do gélido círculo de seus talentos, esperando que algum pretendente tomasse coragem e lhe oferecesse uma vida luminosa. Mas os rapazes que encontrava eram comuns e ela não os encorajava, tentando consolar seus desejos românticos comendo não pouco manjar turco às escondidas. No entanto, quando foi chegando ao limite e suas amigas começaram a soltar a língua a respeito dela, ela as calou se casando com o sr. Kearney, que fabricava botas no Ormond Quay.

Era muito mais velho que ela. Sua conversa, que era séria, surgia esporadicamente de sua grande barba castanha. Depois do primeiro ano de casada a sra. Kearney percebeu que um homem desse tipo ia envelhecer melhor que uma pessoa romântica mas ela nunca deixou de lado suas ideias românticas. Ele era sóbrio, econômico e devoto; ia até o altar toda primeira sexta-feira do mês, às vezes com ela, mais normalmente sozinho. Mas ela nunca diminuiu sua religiosidade e era uma boa esposa para ele. Em alguma festa numa casa desconhecida quando ela erguia a sobrancelha só um tiquinho ele levantava para se despedir e, quando a tosse dele incomodava, ela colocava um acolchoado sobre seus pés e lhe fazia um ponche de rum bem forte.

* * * * *

Caetano W. Galindo é professor de Linguística Histórica na Universidade Federal do Paraná e doutor em Linguística pela USP. Já traduziu livros de James Joyce, David Foster Wallace e Thomas Pynchon, entre outros. Ele colabora para o Blog da Companhia com uma coluna mensal sobre tradução.
Twitter

Em tradução (Ulysses?)

Por Caetano Galindo

2865853675_4c74cfbd5e

Com a perspectiva do lançamento de Um retrato do artista quando jovem (cf. coluna anterior), eu já vou dando os pontos finais no meu “projeto Ulysses”.

Tudo bem que final-final nunca vai ser.

Se pros leitores, pros bem-aventurados leitores, o livro nunca há de acabar, e vai sempre ser motivo de releitura e rediscussão (e espero que essa nova tradução do romance que o antecede gere ainda mais releituras e rediscussões, como rendeu pra mim), imagine como é que seria pro humilde tradutor.

Mas mesmo assim tem mais.

Tinha mais.

Lá no prefácio à tradução do Ulysses (no que já me parece o longínquo ano da graça de 2012), eu prometia um Guia de Leitura da obra. Afinal, se a gente estava apresentando naquele momento uma tradução nova do romance na crença de que isso fazia parte de uma tentativa de propiciar um acesso mais amplo e mais pleno a um romance cuja leitura a gente considera fundamental (a gente aqui é plural de verdade, ok?), ainda restava o problema de que o leitor brasileiro do Ulysses se vê alijado daquilo que vem facilitando, ou tentando facilitar, a vida dos leitores anglófonos desde 1930, com a publicação de James Joyce’s Ulysses, de Stuart Gilbert: guias, explicações, glosas, estudos… a bibliografia de interpretação e de apoio nunca parou de crescer.

Mas aqui ela ainda é limitada. E eu meio que achava que precisava dar esse pitaco, pra tentar inclusive botar no papel coisas que eu venho desenvolvendo em sala de aula, em palestras, em cursos, de 2002 pra cá.

Pode ter demorado (a vida… a universidade… outras traduções…) mas agora em março a Companhia das Letras publica Sim, eu digo sim: uma visita guiada ao Ulysses de James Joyce.

!YAY!

O livro tem uma introdução beeeem generosa, que dá conta de um monte de questões gerais (biografia, Homero, estrutura…), e depois uma leitura do livro, episódio a episódio, sob uma ótica bem singular (a gente acha mesmo que até na comparação com todos os outros guias em inglês e em outras línguas esse ficou diferentinho): uma coisa de ficar o tempo todo dizendo “preste atenção”, veja bem…

Ainda tem um resumo da bibliografia disponível em português, que é pra garantir, e mais uns comentários sobre o indispensável em inglês. (No meu site, onde normalmente ficam as informações das minhas disciplinas, vai ter uma seção mais atualizada e hiperativa de notas e referências).

Enfim.

Ufa, né?

É isso.

Como diz o grande scefigno André Conti, divertido pensar que alguém que hoje está na escolinha pode daqui a dez, quinze anos, decidir encarar o Ulysses e usar esta nossa tradução, com o apoio do “nosso” retrato e do meu Guia.

Acima de tudo divertido pensar que você aí, lendo agora, pode tirar alguma coisa útil disso tudo. É pra isso que devia servir.

Boa leitura.

(E agora toca eu pensar em coisas diferentes pra dizer em sala de aula!)

* * * * *

Caetano W. Galindo é professor de Linguística Histórica na Universidade Federal do Paraná e doutor em Linguística pela USP. Já traduziu livros de James Joyce, David Foster Wallace e Thomas Pynchon, entre outros. Ele colabora para o Blog da Companhia com uma coluna mensal sobre tradução.
Twitter

7 livros para o Bloomsday e outros links

Em 1904, um homem estaria andando pelas ruas de Dublin neste momento. Fãs de James Joyce comemoram todo 16 de junho o Bloomsday, data em homenagem a Leopold Bloom, protagonista de Ulysses. Como escreveu o editor André Conti antes do lançamento da última tradução do romance para o português, o “sr. Bloom não é um homem comum que representa a todos nós. Ele é, única e exclusivamente, o sr. Bloom. Mas o acesso que Joyce nos permite a ele — por meio de uma série de manobras estilísticas — universaliza a experiência humana e nos insere, com toda nossa mesquinhez, com nossas manias abjetas, nossos grandes (e secretos) fracassos e nossas vitórias microscópicas, no centro do que é estar vivo e apreender a realidade a nossa volta.” Aproveitando a data, escolhemos algumas leituras entre links bacanas e livros para quem quer entrar no clima do Bloomsday, ou então também conhecer mais da obra de James Joyce. Confira!

1- Ulisses

ulisses1

Ulisses contava apenas com uma tradução no Brasil quando a Alfaguara lançou, em 2008, uma nova versão, desta vez passada para o português pela professora Bernardina da Silveira Pinheiro. A tradução veio para apresentar o livro para um número maior de leitores, resgatando a linguagem coloquial de Joyce que narra as andanças de Leopold Bloom e Stephen Dedalus por Dublin durante o 16 de junho de 1904. Ulisses abarca toda a gama das emoções e experiências humanas, que o leitor vivencia pelo olhos, ouvidos e entranhas de personagens inesquecíveis.

2- Ulysses

ulysses

Quatro anos após o lançamento da tradução de Bernardina da Silveira Pinheiro, Caetano W. Galindo lançou a sua versão, Ulysses — com Y. Publicada pelo selo Penguin-Companhia, a tradução foi inicialmente um projeto da tese de mestrado de Galindo, “dois anos, diários, de leitura, escrita e releitura” do livro, como ele escreveu durante o lançamento desta edição. Trazendo novamente para o leitor brasileiro a narrativa revolucionária e resgatando o bom humor presente no romance de James Joyce, Ulysses ganhou os prêmios de tradução da Associação Paulista de Críticos de Arte, da Academia Brasileira de Letras e o Jabuti.

3- Um retrato do artista quando jovem

retrato

Indo além do maior romance de James Joyce  e do século XX  , seus outros livros também são ótimas leituras para o Bloomsday! Com 22 anos de idade, Joyce descobriu que podia se transformar em um artista escrevendo sobre o processo de se tornar um artista, escrevendo um ensaio autobiográfico que intitulou de A portrait of the artist — que depois se tornaria Um retrato do artista quando jovem. O livro narra as experiências do jovem Stephen Dedalus e termina com a recriação de seus ritos de passagem para a idade adulta, que incluíram deixar para trás a família, os amigos e a Irlanda para viver no continente. Segundo Bernardina da Silveira Pinheiro, na introdução do livro que também tem sua tradução, “nesta obra Joyce vai introduzir, de maneira inovadora, o uso sistemático do monólogo interior”, estilo marcante que aparecerá em seus futuros livros, como Ulysses.

4- Finn’s Hotel

finnshotel

No início dos anos 1990, o surgimento de um manuscrito causou alvoroço entre os estudiosos de James Joyce. Encontrado em meio a seus papéis e anotações, Finn’s Hotel foi anunciado como embrião daquele que seria o mais enigmático dos livros do autor, Finnegans Wake. Apenas 20 anos após a descoberta do manuscrito é que Finn’s Hotel chegou às mãos do leitor, lançado no Brasil no ano passado. Tremendamente claro e acessível, é composto de onze pequenos contos sobre a história da Irlanda, e a edição ainda traz uma nova tradução do poema Giacomo Joyce, feita por Caetano W. Galindo.

5- Os mortos

mortos

Lançado pela coleção “Grandes Amores” do selo Penguin-Companhia, Os mortos traz dois contos de James Joyce publicados em Dublinenses:  “Os mortos”, onde Gabriel Conroy descobre numa festa fatos novos sobre a vida afetiva pregressa da esposa, e a partir de então começa a repensar sua relação conjugal e até mesmo seu próprio conceito de amor; e “Arábias”, em que um garoto, incapaz de encontrar num bazar um presente para a menina por quem é apaixonado, descobre a falsidade por trás da ideia da idealização do amor romântico. Além desses textos, Os mortos também reproduz o monólogo de Molly Bloom no último capítulo de Ulysses. 

6- Constelação de gênios, de Kevin Jackson

genios

Para quem, além de ler James Joyce, também quer conhecer mais sobre ele, uma dica é Constelação de gênios, em que Kevin Jackson faz um retrato do período mais efervescente da modernidade, o contexto em que James Joyce e T. S. Eliot publicaram seus escritos mais famosos: o ano de 1922. Ano de publicação de Ulysses, neste livro o autor narra os acontecimentos mais importantes e entrega ao leitor um diário intenso e apaixonante sobre o ano que é considerado por muitos o mais importante do modernismo.

7- A anatomia da influência, de Harold Bloom

anatomia

A anatomia da influência não é um livro que fala sobre James Joyce e sua obra, mas é uma leitura importante para quem busca conhecer mais sobre a teoria literária e, claro, entender por que Ulysses revolucionou a literatura moderna. Desde que Harold Bloom publicou A angústia da influência, nos anos 1970, o conceito da influência literária tornou-se a verdadeira obsessão de seu trabalho. No livro, o crítico literário contemporâneo mais reconhecido da atualidade jogava por terra décadas de ideias preconcebidas ao mostrar que as grandes obras da literatura não surgem completamente formadas, mas por meio de um processo de intensa luta com aquelas que as precederam. A anatomia da influência é uma versão ampliada e revisada desse livro, uma coleção de ensaios, uma autobiografia literária e um convite para o corpo a corpo com os mestres do nosso pensamento.

Quer ir além dos livros? Confira também estes links com mais leituras sobre Ulysses e James Joyce:

Esta é a balada irlandesa tradicional que inspirou o Finngeans Wake. Fala do pedreiro Tim Finnegan, que caiu, bateu a cabeça e morreu. No velório, derrubam uísque sobre o corpo dele e Finnegan volta à vida (Uísque vem do gaélico uisce beatha, que significa “água da vida”). Aqui, em versão com os Irish Rovers.

Aqui neste link tem um texto sobre o sr. Hunter, o misterioso dublinense que inspirou Joyce a criar Leopold Bloom. Hunter seria protagonista de um conto de Dublinenses, mas a história cresceu e virou Ulysses. O texto também tem links para documentos e muito mais.

Ouça Joyce lendo um trecho do episódio Éolo, de Ulysses.

Joyce lendo, supostamente de cabeça, o trecho mais famoso de Finnegans Wake.

Aqui, o JoyceGeek explica (e ajuda a pronunciar) a palavra trovão do Finnegans Wake.

Vladimir Nabokov era um grande leitor de Joyce, e neste link esboça um mapa das andanças do Bloom por Dublin.

Começou a ler Ulysses agora? Veja um maravilhoso mapa interativo das andanças de Leopold Bloom por Dublin, com rotas para serem traçadas capítulo a capítulo. E para comparar, mapa interativo das andanças do Odisseu conforme tenta voltar para a casa depois da guerra de Troia.

Jorge Luis Borges também foi leitor de James Joyce. Veja esta conferência do escritor sobre o Joyce, gravada nos anos 1960.

Por fim, o divertido filme baseado em Ulysses lançado em 1967, que transporta a ação do livro para a Dublin do final dos anos 1960.

Aproveitem as dicas e bom Bloomsday!

1234