joel silveira

14 livros para você ler no Dia do Jornalista

“Apesar de uma baixa difusão, os jornais tiveram e ainda têm uma inegável influência na vida do país. Eles foram, durante um século e meio, os principais meios de comunicação e de formação da opinião pública, e praticamente os únicos.Eram o fórum de debates do país, a ágora onde se discutiam os principais temas. Sua influência ia muito além das magras tiragens. O Brasil é um país de rica tradição oral, e no século xix era comum nas cidades do interior as pessoas se reunirem em lugares públicos para ouvir a leitura das notícias e dos folhetins que chegavam pelo correio, que depois seriam comentados nas praças, na rua e nas tabernas.

Os jornais contribuíram para a proclamação da Independência; para a definição da estrutura política e social; para a abdicação de d. Pedro I e seu retorno a Portugal; para a consolidação da Regência; para minar a Monarquia e instaurar a República; para acelerar a queda da República Velha; para derrubar Getúlio Vargas em 1945 e para seu suicídio em 1954; para o desgaste do governo Goulart e para a implantação de uma ditadura militar — papel de que se arrependeriam tardiamente.”

O trecho acima foi retirado do livro História dos jornais no Brasil, de Matias Molina, obra essencial para o jornalismo que acaba de ser lançada. No Dia do Jornalista, conheça mais livros com grandes histórias escritas pelos principais nomes do jornalismo mundial.

1) História dos jornais no Brasil, de Matias Molina

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Resultado de décadas de pesquisa de Matias Molina, História dos jornais no Brasil é o primeiro volume de uma trilogia que busca abarcar toda a história da imprensa no país, desde suas primeiras manifestações no Brasil colônia até os dias atuais. Este livro aborda a imprensa no período colonial, no tempo em que o Rio de Janeiro era sede da Corte, estende-se até a época da Independência, quando os jornais foram palco de renhidas disputas políticas, e termina com a ascensão de D. Pedro II ao poder, na década de 1840. Como epílogo, traz uma análise dos fatores que condicionaram o desenvolvimento da imprensa no país e ajudam a explicar a baixa penetração dos jornais na sociedade brasileira. Um livro para jornalistas, professores, estudantes e interessados na história da imprensa brasileira.

2) A sangue frio, de Truman Capote

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A grande obra de Truman Capote é um romance-reportagem que conta a história da morte de toda a família Clutter, em Holcomb, Kansas, e dos autores da chacina. Capote decidiu escrever sobre o assunto ao ler no jornal a notícia do assassinato da família, em 1959. Quase seis anos depois, em 1965, a história foi publicada em quatro partes na revista The New Yorker. Além de narrar o extermínio do fazendeiro Herbert Clutter, de sua esposa Bonnie e dos filhos Nancy e Kenyon – uma típica família americana dos anos 50, pacata e integrada à comunidade -, o livro reconstitui a trajetória dos assassinos. Truman Capote passou um ano na região de Holcomb, investigando e conversando com moradores, ele se aproximou dos criminosos e conquistou sua confiança. E assim escreveu A sangue frio, um marco na história do jornalismo e da literatura dos Estados Unidos.

3) Chê – uma biografia, de Jon Lee Anderson

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Aclamada internacionalmente, a biografia definitiva sobre Che Guevara, de Jon Lee Anderson, consegue transcender e retratar em detalhes um ser humano complexo. Em sua busca para descobrir quem era o verdadeiro líder revolucionário, Anderson se mudou para Havana e teve acesso a arquivos pessoais mantidos pela viúva de Che. Passou meses com velhos amigos de Che na Argentina, entrevistou seus companheiros de luta em Cuba, no Congo e na Bolívia, e conversou com personagens dos dois lados da Guerra Fria, em Moscou e na CIA. Publicado originalmente em 1997 e eleito o livro do ano pelo New York Times, a biografia traz informações que durante muito tempo permaneceram em sigilo, como a que revela como o corpo de Che havia sido escondido depois de seu assassinato em 1967.

4) Deu no New York Times, de Larry Rother

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Deu no New York Times é fruto das experiências vividas pelo correspondente norte-americano Larry Rohter durante quase quatro décadas passadas no Brasil. Enviado do New York Times ao país entre 1999 e 2007, o jornalista já havia desempenhado a mesma função no final da década de 70 e no começo dos anos 80 na revista Newsweek e no jornal The Washington Post. Este livro reúne textos inéditos nos quais Rohter analisa o país sob a ótica de um jornalista experiente e profundo conhecedor da nossa nação, escrevendo sobre política, cultura, meio ambiente e raça, entre outros temas. O livro ainda traz algumas das melhores reportagens do correspondente sobre o Brasil e os brasileiros publicadas no jornal americano. Acompanhando os textos, o jornalista acrescenta comentários nos quais aproveita para dizer tudo que tinha vontade mas não podia, devido às restrições impostas por sua posição no NYT.

5) Vida de escritor, de Gay Talese

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Vida de escritor não é uma autobiografia convencional. Gay Talese, um dos maiores jornalistas norte-americanos, fala sobre o ofício da escrita e os reveses que acometem aos que por ele se aventuram. Entre as histórias que vão desde o jornalzinho da faculdade no Alabama às redações de grandes revistas como a New Yorker, Talese conta como passou meses apurando a história de Lorena Bobbit, que, num surto de fúria, cortou com uma faca de cozinha o pênis do marido. Ele se esfalfou para reconstituir a noite da agressão e tentou entrevistar todos os envolvidos no episódio. Enfurnou-se num quarto e escreveu uma longuíssima reportagem, enviou-a à revista e, no dia seguinte, acordou à tarde com um fax na porta: a diretora da revista recusava a reportagem, e sugeria que Talese fizesse um pequeno livro sobre o crime. Talese mostra como o fracasso é inerente à profissão, e como mesmo na autobiografia de um jornalista, o que importa são os outros.

6) Despachos do front, de Michael Herr

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Despachos do front é um visceral relato escrito pelo jornalista norte-americano Michael Herr sobre sua temporada no Vietnã como correspondente da revista Esquire. Considerado o mais brilhante tratamento literário sobre o Vietnã, o livro usa uma linguagem “suja”, repleta de gíria, jargão militar e do linguajar grosseiro e deturpado dos marines, para transmitir o caráter surreal de uma guerra pouco convencional, embalada por drogas e rock’n roll. Pois se o Vietnã foi palco de crueldades desumanas e baixas numerosíssimas, foi também, ironicamente, o lugar onde jovens vindos dos cantos mais remotos dos Estados Unidos escutaram The Doors, fumaram maconha e viveram, de certa forma, a experiência de suas vidas.

7) O jornalista e o assassino, de Janet Malcolm

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Janet Malcolm é uma das mais importantes jornalistas americanas do século XX. Em O jornalista e o assassino, ela narra a história de um médico, Jeffrey MacDonald, que, condenado pelo assassinato da esposa e das duas filhas, moveu um processo contra um jornalista que escrevera um livro sobre ele com base em entrevistas feitas durante o julgamento e na prisão. Colocando em pauta temas tão polêmicos quanto a ética do jornalismo e a liberdade de imprensa, o livro de Malcolm tornou-se um clássico instantâneo sobre a relação entre jornalismo e poder.

8) A milésima segunda noite da Avenida Paulista, de Joel Silveira

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A milésima segunda noite da avenida Paulista é uma coletânea de textos escritos ao longo da década de 40, em que Joel Silveira emprega, de forma inovadora no Brasil, recursos próprios da literatura. Dono de um estilo famoso pela mordacidade, o jornalista cobriu fatos que marcaram a vida política do país e, no Rio de Janeiro, conviveu com artistas e intelectuais como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. Além de reportagens, o livro traz crônicas curtas e bem-humoradas sobre a vida cultural do Rio e textos situados entre o perfil e a entrevista, retratando escritores e artistas como Monteiro Lobato, Agripino Grieco, Antônio Nássara, Candido Portinari e João Cabral de Melo Neto.

9) O inverno da guerra, de Joel Silveira

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Joel Silveira tinha 26 anos quando foi escalado para cobrir a Segunda Guerra Mundial pelo Diário dos Associados. “Você vá, mas não me morra!”, foi o que ouviu do dono do jornal, Assis Chateaubriand, ao ser enviado para a Itália. Escrito como um diário de bordo, O inverno da guerra reúne as melhores histórias do trabalho de Joel como correspondente do jornal – publicadas originalmente em 1945 no livro Histórias de Pracinhas –, além de um texto inédito do autor preparado especialmente para esta edição. O livro apresenta o cotidiano de uma guerra com seus absurdos e contradições, em momentos de tensão, medo e horror, mas também de heroísmo e solidariedade.

10) Hiroshima, de John Hersey

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A bomba atômica matou 100 mil pessoas na cidade japonesa de Hiroshima, em agosto de 1945. Um ano depois, a reportagem de John Hersey reconstituía o dia da explosão a partir do depoimento de seis sobreviventes. O texto tomava a edição inteira da revista The New Yorker, uma das mais importantes publicações semanais dos Estados Unidos, alcançando repercussão extraordinária. A narrativa de Hersey dava rosto à catástrofe da bomba: o horror tinha nome, idade e sexo. Ao optar por um texto simples, sem enfatizar emoções, o autor deixou fluir o relato oral de quem realmente viveu a história. Quarenta anos mais tarde, Hersey voltou a Hiroshima e escreveu o último capítulo da história dos hibakushas – as pessoas atingidas pelos efeitos da bomba.

11) Paralelo 10, de Eliza Griswold

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Filha de um proeminente bispo da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, Eliza Griswold acostumou-se desde criança ao convívio com o sagrado. Entretanto, como demonstram as reportagens reunidas em Paralelo 10, ela procura enxergar os conflitos religiosos que atingem boa parte da humanidade no século XXI com um penetrante viés socioeconômico, amparado por amplas pesquisas históricas – e, sobretudo, por arriscadas viagens às zonas de conflito. Griswold visita seis países situados nas proximidades do paralelo 10 – linha imaginária que atravessa boa parte do continente africano e das ilhas do Sudeste Asiático, delimitando de modo aproximado a fronteira entre o cristianismo e o islamismo – com o intuito de esmiuçar o atual “choque de civilizações” em suas peculiaridades locais.

12) A face da guerra, de Martha Gellhorn

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A face da guerra é uma seleção de reportagens de Martha Gellhorn, uma das maiores correspondentes de guerra do século XX. São relatos enviados diretamente dos campos de batalha, que refletem a forte ligação da autora com as pessoas retratadas no livro, independente das ideologias. Da estréia na Espanha até os conflitos na América Central dos anos 1980, ela cobriu tudo: várias fases da Segunda Guerra Mundial; a resistência da China ao domínio japonês; a Guerra dos Seis Dias, a primeira guerra de alta tecnologia, em que os judeus arrasados pela Alemanha nazista usaram a tática alemã da “guerra relâmpago” para vencer uma coalizão de todos os países árabes; e o Vietnã. A face da guerra é Um clássico da literatura pacifista.

13) O xá dos xás, de Ryszard Kapuscinski

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Para narrar o processo de ascensão e queda do último xá do Irã, Mohammed Reza Pahlevi, Kapuscinski lança mão de uma técnica mista, em que entram narrativa histórica, crônica jornalística e escrita de ficção. Sem entrevistar representantes do novo governo ou adentrar o palácio onde viveu o xá, o autor busca no homem comum o significado profundo da cultura, da religiosidade e da revolução iraniana.

14) Notas sobre Gaza, de Joe Sacco

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Uma década depois de ter surpreendido o mundo com seus relatos em quadrinhos sobre o conflito entre israelenses e palestinos, Joe Sacco volta à Faixa de Gaza para realizar seu projeto mais ambicioso até aqui: resgatar do esquecimento quase completo dois episódios ocorridos quase cinquenta anos antes. O jornalista mergulha nos escombros de um conflito que parece não ter fim para reconstituir alguns dos eventos mais importantes para a escalada de violência em que se transformou a relação entre israelenses e palestinos.