josé saramago

Dia de Saramago

Por Julia Bussius

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Hoje José Saramago faria 92 anos. Celebramos neste 16 de novembro o dia daquele que foi “um escritor imenso, zelador apaixonado da língua portuguesa”, como bem disse Chico Buarque.

A Companhia das Letras tem enorme orgulho em publicar toda a obra do autor no Brasil — um desejo antigo de Saramago que em 2013 finalmente pôde se cumprir. Desde que foi lançado seu primeiro livro na editora, Jangada de pedra (1988), firmou-se um compromisso de fidelidade, que se solidifica em 2014 com a publicação de todos os títulos também em formato digital, além da edição em seis volumes de suas obras completas e do livro póstumo Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas, romance iniciado pelo autor pouco antes de sua morte e que nos trouxe a oportunidade preciosa de ler seus últimos escritos.

Viva Saramago!

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Julia Bussius é editora da Companhia das Letras.

Semana cento e sessenta e seis

Os lançamentos desta semana são:

Memorial do convento, de José Saramago
Para pagar uma promessa, D. João V, rei de Portugal, ordena a construção de um convento que irá consumir toneladas de minério brasileiro e o sangue de milhares de operários. Dentre eles, um certo Baltasar, da estirpe de Sete-Sóis, inválido da mão esquerda depois de uma guerra e apaixonado por Blimunda, uma jovem dotada de poderes extraordinários. Indivíduos que não costumam ser observados pela dita história oficial, mas que no entanto constituem  seu tecido mais delicado e essencial.
Graças ao entrelaçamento da narrativa história com tragédias individuais, e urdido numa prosa fulgurante e dotada da mais fina ironia na observação dos fatos, Memorial do Convento tornou seu autor, o prêmio Nobel José Saramago, um nome internacionalmente aclamado da literatura contemporânea.

Levantado do chão, de José Saramago
Esta é a história dos Mau-tempo, família de lavradores cuja trajetória, do começo do século XX até a Revolução dos Cravos, em 1974, é contada com o arsenal dos melhores fabulistas e o olhar generoso dos grandes críticos sociais. É também a narrativa das mudanças que um país saudoso de poder e de glória atravessaria ao longo dos anos. E da luta de muitos de seus cidadãos para assegurar uma vida mais digna no campo e na cidade.
Publicado em 1980, e imediatamente aclamado em seu país, Levantado do chão é uma dessas obras incontornáveis na luminosa produção do português José Saramago, um dos grandes narradores do nosso tempo. A história social e a observação poética e particularizada da vida humana ganham aqui contornos de uma espécie de épico da vida ordinária — mas jamais comum, uma vez que cada um de seus personagens reluz com o brilho singular de uma das mais poderosas criações ficcionais das últimas décadas.

A conferência dos pássaros, de Peter Sís.
Num mundo repleto de disputas, revoltas e destruição, os pássaros, liderados pela poupa, decidem ir em busca do rei Simorgh. Ele tem a resposta para todas as perguntas e será o único capaz de encontrar uma solução para tanta descrença e infelicidade. Depois de superarem o medo e o comodismo, as corajosas aves alçam voo, percorrem todos os cantos do planeta e atravessam sete vales: o Vale da Procura, o Vale do Amor, o Vale da Compreensão, o Vale do Desapego, o Vale da Unidade, o Vale do Deslumbramento e o Vale da Morte. Mas, ao encontrar o grande sábio, descobrem que a resposta estava muito mais perto do que imaginavam…

Duas comemorações

Por Luiz Schwarcz

Saramago e Mia Couto

O meu post de hoje vem apenas comemorar dois eventos importantes. O primeiro acontecerá no dia 13 de agosto, no Sesc Consolação, e contará com a presença de Pilar del Río, Mia Couto, Milton Hatoum e Andréa del Fuego. Nesse dia lançaremos as novas edições de Memorial do Convento e Levantado do chão, os dois únicos livros de José Saramago que não haviam sido publicados pela Companhia das Letras. Realizaremos, assim, um desejo antigo do escritor português, que a cada vinda ao Brasil me cobrava uma atitude, no sentido de reunir toda a sua obra em uma só editora.

Sempre expliquei ao José que estávamos de mãos atadas. A editora Caminho, que o representava, havia assinado um contrato sem prazo de encerramento com outra editora brasileira. E o cancelamento desse documento tinha que partir deles, não de nós. Apesar dos pedidos reiterados do seu principal autor, a Caminho nunca foi a fundo nem quis lidar diretamente com esse assunto.

Agora, com os direitos em posse da Fundação Saramago, e com a ajuda de Silvia Gandelman, chegamos a um acordo com a antiga detentora, a editora Bertrand Brasil, e a celebração é portanto mais do que justa. Pilar estará entre nós relembrando tantos momentos em comum e festejando a realização de um desejo tão antigo.

O segundo motivo de comemoração tem a ver com Vinicius de Moraes. A razão de minha alegria, neste caso, é a assinatura do acordo com a família de Vinicius para a edição completa das obras do autor em formato digital.

A partir de outubro, o mês do centenário de nascimento de VM, suas obras estarão disponíveis em sua completude, incluindo todos os aparatos críticos. A versão existente, que não é de nossa responsabilidade, não traz o texto definitivo, conforme o estabelecimento realizado para nossas edições. Tenho mais a dizer sobre a obra de Vinicius e as celebrações que ocorrerão ao longo desse segundo semestre, mas o farei em ocasiões futuras.

Ps.: queridos amigos aqui do blog, tirarei um tempo de férias como colunista. Durante esse período, ainda indeterminado, meu espaço quinzenal às quintas será ocupado por novos autores da casa. Curtam as (minhas) férias. Abraços.

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Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de sinais, entre outros. Ele contribui para o Blog da Companhia com uma coluna quinzenal chamada Imprima-se, sobre suas experiências como editor.

Companhia das Letras realiza sonho de José Saramago, ao reunir todos os seus livros

[Texto escrito pela Fundação José Saramago]

Estas são as capas das obras de José Saramago Levantado do chão e Memorial do convento que vão ser finalmente editados no Brasil pela Companhia das Letras. Assim se cumprirá o desejo de José Saramago de ver reunidos todos os seus livros na Companhia das Letras, que para ele era mais do que uma editora.

A linha gráfica destas capas é a mesma das obras anteriormente editadas. Construídas a partir de trabalhos em relevo sobre redes metálicas de Arthur Luiz Piza, estas são capas sóbrias e elegantes, obras singulares para livros que são eles próprios esplendorosos.

Nascido em São Paulo, Brasil, em 1928, Arthur Luiz Piza vive em Paris há mais de 50 anos. Criador de gravuras, desenhos e esculturas, é considerado um dos mais importantes artistas do seu tempo, com mais de 75 exposições individuais, 100 coletivas, participações em 53 bienais e prémios de grande prestígio em todo o mundo.

“O que faço é garimpar. Trabalho como se estivesse criando música”, disse em março último, numa entrevista a propósito de uma exposição em Belo Horizonte. “Posso dizer que nos trabalhos grandes lanço como redes para pescas quotidianas, filtros experimentais. As pequenas caixas que multiplico com voracidade são como pedaços de mim mesmo. Doce paranoia? Não sei responder. Não tem importância. Porque é no ato de olhar ou de ver que algo pode acontecer.”

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Evento em homenagem a José Saramago:

Pilar del Río, Mia Couto, Milton Hatoum e Andréa del Fuego leem trechos de Memorial do Convento e Levantado do chão.

Terça-feira, 13 de agosto, às 19h30
Sesc Consolação – Teatro Anchieta
Rua Dr. Vila Nova, 245
* Evento gratuito. Senhas disponíveis 1 hora antes do evento na bilheteria do teatro. Sujeito à lotação.

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Sorteio: Concorra a 3 kits com os livros Levantado do chão e Memorial do Convento

Para participar, basta deixar um comentário neste post até a meia-noite do dia 13 de agosto dizendo qual é seu livro favorito de José Saramago. Sortearemos 3 comentários, e seus autores receberão um kit com um exemplar de Levantado do chão e um exemplar de Memorial do Convento. Aceitaremos apenas uma resposta por pessoa. O resultado será divulgado neste mesmo post, no dia 14 de agosto.

Publicado originalmente em 1980 e logo aclamado em seu país, Levantado do chão é uma dessas obras incontornáveis na luminosa produção do português José Saramago, um dos grandes narradores do nosso tempo. A história social e a observação poética e particularizada da vida humana ganha aqui contornos de uma espécie de épico da vida ordinária — mas jamais comum, uma vez que cada um de seus personagens reluz com o brilho singular de um das mais poderosas criações ficcionais das últimas décadas.

Memorial do Convento — publicado a primeira vez em 1982 —, tornou Saramago um nome internacionalmente aclamado da literatura contemporânea, graças à mistura entre narrativa histórica e história individual. Embora esteja firmemente assentado na tradição da melhor ficção de seu país, a obra cativaria leitores das mais diversas culturas.

[Atualizado dia 14 de agosto]

Obrigada a todos que participaram! O resultado do sorteio está abaixo, entraremos em contato por e-mail.

Quem é quem na Companhia das Letras

Nome: Alexandra Muller

Há quanto tempo trabalha na editora? 17 anos

Função: Vendedora. Meu trabalho é visitar os clientes, descobrir se precisam repor alguns livros, cuidar do acervo das lojas, verificar exposição, falar sobre as novidades, criar novas oportunidades para determinados livros, dar suporte no acerto das consignações, enfim, bastante trabalho. Que bom!!!

Um livro: Me recuso a falar de um único livro. Vou falar de dois, pode ser? Deixa, vai?
Minha querida assombração, de Reginaldo Prandi. Esse livro é mágico, me fez voltar no tempo, mas não em qualquer tempo: eu voltei no tempo da minha infância, quando íamos eu e minhas duas irmãs na casa da Bisa e da Avó, e como uma boa casinha de interior (naquele tempo era), não tinha luz elétrica (era lampião) e, consequentemente, não tinha televisão (rs). A Bisa abusava disso, e para fazer a criançada dormir mais rápido começava contando umas histórias de puro terror. Bastava fechar os olhos e ler o livro… que me fazia voltar, ops! Eu tinha que continuar de olhos bem abertos, afinal, estava lendo Minha querida assombração. Ficava pensando: “Esse Reginaldo… Só pode ter conhecido a minha bisa”. Como pode? Descrever com tamanha maestria coisas que só eu e minhas irmãs sabíamos? Deste dia em diante fiquei fã deste incrível escritor que transita por várias áreas e sempre com muita qualidade literária. Dele, a editora já publicou livros, infantis, juvenis, policial…
O outro livro? O décimo primeiro mandamento, de Abraham Verghese. O livro começa com a incrível história de um parto, mas também não é qualquer parto; é O Parto. Aquele cheio de dificuldades, irmãos gêmeos unidos pela cabeça. Normal? Não, de forma alguma. Fórceps também não, teria que ser uma cesária, mas e a mãe? Ela já estava quase sem forças, mas e as crianças? Precisavam nascer. Após o nascimento, vamos acompanhar esses dois personagens tão parecidos e tão diferentes. E tem ainda um detalhe… O que seria o décimo primeiro mandamento? Eu só conhecia dez, até ler este livro.

Uma citação ou passagem de livro: “Você se torna eternamente responsável por tudo aquilo que cativas”. — O pequeno príncipe (e eu realmente acredito nisso)

Sua parte favorita do trabalho: Quando chego a uma livraria e começo a falar sobre os livros. Eu realmente acredito no potencial de cada um deles e procuro passar isso aos meus clientes, e fico muitíssimo feliz quando volto à mesma livraria e descubro que aquele título foi parar na mesa dos mais vendidos. Aí vem o vendedor e me diz: “Este livro é realmente incrível, li, indiquei e ele está fazendo sucesso”. Esta é a parte mais bacana.

Por que você decidiu seguir essa carreira? Eu trabalhava no departamento comercial, atendia as pessoas ao telefone, tirava pedidos e atendia também na lojinha da editora, destinada ao atendimento de colaboradores, professores, autores, enfim. Trabalhei também em algumas feiras e bienais e sempre gostei de gente (rs), é verdade… Quando surgiu a oportunidade de trabalhar na rua, pensei: “Vou unir o útil ao agradável”. Hoje, trabalho na rua e o mais bacana disso tudo é que meus dias são sempre diferentes uns dos outros e neste ramo conheci muitas pessoas interessantíssimas, pessoas comprometidas com o livro, algumas nem tanto, mas pessoas são diferentes e isso é muito legal.

Uma história que você se lembre da editora: Existem gigantes que sabem tratar bem os pequeninos (isso é uma das qualidades que mais admiro em um ser humano). Dito isso, contarei agora uma das histórias da Companhia das Letras que mais me sensibilizou.
José Saramago esteve no Brasil pela última vez acho que foi em 2008, no Sesc da Vila Mariana. Após a palestra ele daria autógrafos, mas como não era qualquer escritor (era o José Saramago!), a fila dobrava a esquina do Sesc, e nós (os organizadores) estávamos muito preocupados com a saúde do nosso querido autor, que (não sei se me recordo bem) já estava com a saúde debilitada. Enfim, fomos perguntar a ele: “O senhor dará quantos autógrafos?”. E ele responde: “Quantos forem necessários e até a última pessoa da fila”. Aquilo realmente me impressionou e eu pensava: “Será que ele sabe quantas pessoas tem nesta fila?”. E, como se não bastasse, lá pelo final da fila havia um garotinho com um papelzinho nas mãos, querendo o tão famoso autógrafo, e alguém disse: “Garoto, só com livro você pode pegar o autógrafo”, mas o Saramago escutou e disse: “De forma alguma! Venha cá que lhe darei o autógrafo”. Impressionante! Era ou não um gigante?