Juliana Parrini

Semana trezentos e oito

Companhia das Letras

O melhor do humor brasileirode Flávio Moreira da Costa (Organizador)
De relatos e poemas anônimos dos primórdios da nossa colonização aos grandes nomes do humor atual, este volume — com textos garimpados durante anos por Flávio Moreira da Costa — é um passeio delicioso e instrutivo pelo olhar brasileiro mais sardônico. Os textos (crônicas, contos, poemas, trechos espertos de peças teatrais e de romances) contam o acidentado percurso do riso em nossa literatura. Modalidade vista às vezes com algum preconceito pelos letrados mais circunspectos, o humor tem se mostrado uma das forças-motrizes mais vitais e revigorantes das letras brasileiras. Muito deboche e inteligência ao longo de mais de 500 anos.

Meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout (tradução de Sara Grünhagen)
Uma visita ao hospital serve de mote para este romance que fala da relação entre mãe e filha. Hoje autora bem-sucedida e narradora deste romance, Lucy está há três semanas num hospital se recuperando das complicações de uma simples operação para extrair o apêndice. Sofrendo de saudade das filhas e do marido, ela recebe uma visita inesperada da mãe, com quem não falava havia anos. Mas o que se segue durante as cinco noites em que as duas ficam juntas não são longas discussões de relacionamento ou uma reconciliação verbal. Estimulada pelo exercício da memória, a narradora convalescente lança um olhar aguçado e humano, sem sentimentalismos, para os acontecimentos centrais de sua vida: o isolamento e a pobreza dos anos da infância, o distanciamento de um núcleo afetivo desestruturado, a luta para se tornar escritora, o casamento e a maternidade. Meu nome é Lucy Barton está entre os livros indicados ao Man Booker Prize.

O livro de Aron, de Jim Shepard (tradução de Caetano W. Galindo)
A Europa está em chamas. Com a invasão da Polônia, Adolf Hitler dá início a uma das campanhas de guerra mais sangrentas da história da humanidade, num conflito que irá definir o destino de milhões de pessoas. Aron é uma dessas vítimas colaterais, um garoto cuja vida será transformada para sempre. Morando no campo, ele se vê forçado a mudar com a família para Varsóvia, cidade que vive dias de terror e é assolada pela fome e por uma onda de doenças. Conforme a necessidade aumenta, é obrigado a realizar pequenos trabalhos sujos no mercado negro, onde conhece uma fauna de meninos e meninas que, como ele, farão de tudo para sobreviver e ajudar suas famílias. À medida que o cerco alemão se fecha, a vida de Aron vai se tornando mais difícil. Perseguidos pela Gestapo, os garotos também sofrem extorsões de poloneses, se veem às voltas com a polícia e começam a guerrear entre si. Enfim separado da família, Aron vai parar num orfanato, sem saber que o destino daqueles internos já foi traçado pelo alto-comando nazista. O administrador do orfanato, no entanto, é o célebre médico Janusz Korczak, um humanista e pedagogo que adotará Aron como seu novo pupilo. Com a ameaça dos campos de concentração cada vez mais próxima, será que Aron conseguirá escapar do gueto e expor ao mundo as atrocidades nazistas, exatamente como Janusz espera?

Alfaguara

Fabián e o caosde Pedro Juan Gutiérrez (tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman)
Cuba, anos 1960. Em um momento de turbulência política, o acaso une dois rapazes que aparentemente não têm nada em comum. Pedro Juan é um hedonista sedutor e insolente que leva uma vida caótica. Fabián, ao contrário, é um pianista recluso, frágil, medroso e homossexual. Apesar das diferenças, ambos possuem condutas que não se ajustam aos princípios ideológicos do novo regime de Fidel Castro. Anos mais tarde, seus caminhos voltam a se cruzar quando os dois são conduzidos a uma fábrica de enlatados onde trabalham os párias da sociedade revolucionária. Tendo como cenário uma Cuba efervescente e sórdida, Pedro Juan Gutiérrez narra em tom direto e visceral a amizade entre dois jovens que tentam, cada um à sua maneira, enfrentar a repressão e lutar pela liberdade.

Seguinte

O menino no alto da montanha, de John Boyne (tradução de Henrique de Breia e Szolnoky)
Quando fica órfão, Pierrot é obrigado a deixar sua casa em Paris para recomeçar a vida com sua tia Beatrix, governanta de uma mansão no alto das montanhas alemãs. Porém, essa não é uma época qualquer: estamos em 1936, e a Segunda Guerra Mundial se aproxima. E essa não é uma casa qualquer: seu dono é Adolf Hitler. Logo Pierrot se torna um dos protegidos do Führer e se junta à Juventude Alemã. Mas o novo mundo que se abre ao garoto fica cada vez mais perigoso, repleto de medo, segredos e traição — e talvez ele nunca consiga escapar.

Penguin-Companhia

Dom Casmurro, de Machado de Assis
Poucos romances examinam as artimanhas do ciúme com tanta sutileza como Dom Casmurro. Publicado em 1899, o livro permanece uma das mais fascinantes radiografias da traição, que, como o leitor mais atento perceberá, são supostamente duas: a de Capitu, exposta pelo marido Bentinho, e a da própria narrativa, revelada pela maneira como Bentinho modifica os fatos para corroborar suas suspeitas matrimoniais. Tudo isso se manifesta com graça e inteligência num romance que jamais parece esgotar suas possibilidades de leitura. Tanto que críticos como Roberto Schwarz e Susan Sontag consideram a obra de Machado um dos momentos mais altos da prosa ocidental do final do século XIX. Esta edição de Dom Casmurro conta com esclarecedora introdução de Luís Augusto Fischer e estabelecimento de texto e notas de Manoel M. Santiago-Almeida.

Quadrinhos na Cia.

Sopa de salsicha, de Eduardo Medeiros
Contando com uma legião de fãs na internet,Sopa de salsicha é a crônica do dia a dia de Eduardo Medeiros, um talentoso quadrinista metido em encrencas clássicas: aperto financeiro, mudanças de lar e um difícil projeto pela frente. O projeto é este romance gráfico, um trabalho de fôlego em que Medeiros narra, com ajuda da indefectível Baixinha e de outros quadrinistas, suas aventuras diárias e seus embates com o processo criativo, a vida nova em Florianópolis e as visitas de um Michael Bolton que talvez esteja tentando conquistar a sua mãe. Um dos mais talentosos nomes do novo quadrinho brasileiro numa história surpreendente sobre amadurecimento, mudanças importantes e chuveiros apertados.

Suma de Letras

Novamente vocêde Juliana Parrini
É possível se apaixonar duas vezes pela mesma pessoa? Maria Rita foi embora para nunca mais voltar. Deixou para trás o marido, os pais, as irmãs e uma vida de pobreza em uma cidade pequena da qual sempre quis sair. Doze anos depois, ela volta como partiu: sem maiores explicações. Mas agora Maria Rita é a sofisticada Miah, acostumada ao glamour e à vida superficial de Hollywood. Ao chegar, ela se dá conta de que não foi a única que mudou: seu ex-marido, Leonardo Júnior, agora é um homem bem-sucedido, diferente do caiçara com quem ela se casou ainda muito jovem. Empresário de sucesso, Léo parece ter superado o trauma de ser abandonado pelo grande amor de sua vida, até que reencontra a mulher que pensou que nunca mais veria. Apesar da mágoa, ele não consegue deixar de ter vislumbres de sua Maria Rita sob a pele da arrogante Miah. E resistir à antiga paixão será o maior desafio que já enfrentou.

A livraria dos finais felizesde Katarina Bivald (tradução de Carol Selvatici)
Sara tem 28 anos e nunca saiu da Suécia — a não ser através dos (vários) livros que lê. Quando sua amiga Amy, uma senhora com quem troca livros pelo correio há anos, a convida para visitá-la na cidade de Broken Wheel, Iowa, Sara decide se aventurar. Mas ao chegar lá, descobre que Amy faleceu. Sara se vê desacompanhada na casa da amiga, em uma cidade muito pequena, e começa a pensar que talvez esse não seja o tipo de férias que havia planejado.  Com o tempo, Sara descobre que não está sozinha. Nessa cidade isolada e antiga, estão todas as pessoas que ela conheceu através das cartas da amiga: o pobre George, a destemida Grace, a certinha Caroline e Tom, o amado sobrinho de Amy.  Logo Sara percebe que Broken Wheel precisa desesperadamente de alguma aventura, um pouquinho de autoajuda e talvez uma pitada de romance. Resumindo: a cidade precisa de uma livraria.

O livro da escuridãode John Stephens (tradução de Regiane Winarski)
As aventuras dos irmãos Kate, Michael e Emma tomam o rumo final quando eles começam a busca pelo último Livro do Princípio — o Livro da Morte. Quando os três livros forem reunidos, seus poderes combinados podem ser invencíveis. Por isso, as três crianças correm contra o tempo para deter Magnus Medonho em sua caçada. É a vez de Emma embarcar em uma aventura entre dois mundos, enfrentando inimigos terríveis, monstros e fantasmas, e seus próprios medos mais profundos. Agora, ela deve aprender a dominar os poderes do livro mais perigoso de todos para que, com Kate e Michael, possa salvar o mundo do terrível confronto que Magnus Medonho está planejando; a batalha decisiva entre seres mágicos e pessoas comuns. Este é o último livro da trilogia de sucesso Os Livros do Princípio, que começou com O Atlas Esmeralda. Considerada pelo New York Times “o novo Crônicas de Nárnia”, a série de John Stephens conquistou fãs por todo o mundo.

Paralela

Majude Maju Trindade
Maju Trindade é uma garota simples, mas cheia de personalidade e atitude. Ela impressiona pelo visual, que mistura piercing no nariz com combinações de roupa tiradas de sua cabeça, assim como pelo jeito espontâneo com que fala tanto da vida no interior quanto de Justin Bieber. No seu primeiro livro, Maju, fica claro por que essa menina de 18 anos virou a namoradinha da internet brasileira. Com milhões de seguidores no Twitter, no Instagram e no YouTube, ela fala da sua infância, do seu trabalho, das viagens marcantes que fez e dos seus sonhos.

Companhia das Letrinhas

Quem tem medo de Curupira, de Zeca Baleiro (organização de Gabriela Romeu e ilustrações de Raul Aguiar)
O maior medo dos seres da mata é cair no esquecimento. O que seria da Mãe-D’água sem jogar seus feitiços, do Curupira sem pitar seu cachimbo e do Saci sem pregar peças? Aflitos com a falta de visitas na floresta, eles decidem ir à cidade para recuperar a fama e voltar a fazer parte da imaginação de crianças e adultos. Mas, para isso, vão precisar se adaptar à selva de pedra. O pop e o popular, o tradicional e o contemporâneo, o urbano e o rural são algumas das mesclas que aparecem em Quem tem medo de Curupira?, um musical escrito pelo cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro. Quarto título da coleção Fora de Cena, este volume inclui entrevista com autor e glossário de ritmos brasileiros.

Claro Enigma

O século da escassezde Marussia Whately e Maura Campanili
Um dos indícios de que o Brasil não se deu conta da complexidade do tema é o jargão “crise da água”. Por definição, as crises são períodos de exceção dentro da normalidade. O que vemos, no entanto, é um cenário de difícil reversão. Boa parte dos rios estão poluídos; a indústria, a agricultura e as hidrelétricas consomem grandes quantidades de água e a distribuição irregular no território pode acentuar conflitos políticos e comerciais à medida que a água se tornar um bem cada vez mais raro. O século da escassez apresenta os principais conceitos sobre o tema, mostra dados estatísticos com foco no território brasileiro e aponta caminhos possíveis para evitar o colapso no abastecimento. Mais do que o seu uso consciente, o que está em jogo é o modo de vida do homem moderno e a busca por alternativas que revertam o caráter predatório desse recurso essencial para a nossa sobrevivência.

 

Semana duzentos e setenta

O grifo de Abdera, de Lourenço Mutarelli
Mauro é roteirista dos quadrinhos de Paulo. Os dois publicam sob a alcunha de Lourenço Mutarelli, e são representados publicamente pelo bêbado Raimundo. Mas a morte de Paulo forçará Mauro a tentar uma carreira solo com O cheiro do ralo, seu primeiro e bem-sucedido livro. É quando ele recebe de um estranho uma moeda antiga, o Grifo de Abdera, e sua vida muda. Oliver não conhece Paulo, Mauro, Raimundo ou Lourenço. Mas, quando Mauro recebe a moeda, uma conexão se forma entre eles. É este delicioso jogo que alimenta O grifo de Abdera, primeiro romance de Mutarelli desde Nada me faltará, de 2010. Um labirinto de obsessões, taras, perguntas e mistérios, acompanhado ainda de uma longa história em quadrinhos.

Primeiro amor, de Ivan Turguêniev
Em um passeio por sua casa de veraneio nos arredores de Moscou, o garoto Vladímir Petróvitch, filho único de uma família tradicional, vê uma moça exuberante brincando nos fundos da propriedade. Trata-se de Zinaida, filha de sua vizinha, por quem se apaixonará de forma avassaladora.  À medida que eles se aproximam, fica claro quem está no controle da situação. Disposto a tudo para ser correspondido, Vladímir terá de aprender rapidamente o intrincado jogo da sedução, em que as regras são tão aleatórias quanto obscuras. Admirado por Henry James e Gustave Flaubert, Ivan Turguêniev foi o primeiro autor russo a ser traduzido na Europa, reconhecido, ainda em vida, como um dos grandes escritores de sua época.

Contos de odessa, de Isaac Bábel
No alvorecer do século XX, Odessa, na Ucrânia, era uma dessas cidades que, como Paris e Nova York, atraíam todo mundo: comerciantes do Leste, marujos, minorias, estudantes, bandidagem. A cidade portuária fervilhava; os jornais estampavam notícias sensacionalistas e a população se amontoava em cortiços. O sublime e o grotesco apareciam em um simples passeio pelas ruas. É este mundo que vem à tona nos contos de Isaac Bábel. Em uma prosa sintética e cortante, o escritor – que renovou a narrativa curta – captura a vida da cidade, com foco na comunidade judaica. Como em um filme de Tarantino, figuras violentas e burlescas de ladrões e mafiosos cômicos aparecem registradas de maneira quase jornalística.

Editora Alfaguara

Homens sem mulheres, de Haruki Murakami
Murakami é um autor capaz de criar universos próprios, que se desdobram em romances de fôlego e personagens cativantes. Mas ele é também um excelente contista, e sua produção mais recente está reunida neste volume: sete histórias que tratam de relações amorosas e trazem o estilo único do autor. São contos sobre o isolamento e a solidão que permeiam as relações amorosas: homens que perderam uma mulher depois de um relacionamento marcado por mal-entendidos. No entanto, as verdadeiras protagonistas destas histórias — cheias de referências à música, a Kafka, às Mil e uma noites e, no caso do título, a Hemingway — são as mulheres, que misteriosamente invadem a vida dos homens e desaparecem, deixando uma marca inesquecível na vida daqueles que amam.

Editora Objetiva 

A grande magia, de Elizabeth Gilbert
De volta à não-ficção, Elizabeth Gilbert compartilha histórias pessoais, de amigos e pessoas que sempre a sinpiraram, e reflete sobre oq ue significa vida criativa. Segundo ela, ser criativo não é estar voltado exclusivamente às artes: uma vida criativa é aquela motivada pela curiosidade. Uma vida mais ampla, um ato de coragem. A partir de uma perspectiva única, Grande Magia nos mostra como abraçar essa curiosidade e nos entregar àquilo que mais amamos: escrever um livro, encontrar novas formas de lidar com as dificuldades no trabalho, embarcar de vez em um sonho sempre adiado ou simplesmente acrescentar paixão à vida cotidiana. Com profunda empatia e generosidade, Elizabeth Gilber oferece poderosas reflexões sobre os mistérios da inspiração.

Sete breves lições de física, de Carlo Rovelli
Sete breves lições de física traz pequenas lições que nos guiam, com simplicidade e clareza, pelas revoluções científicas que transformaram os séculos XX e XXI. Nesta linda e comovente introdução à física moderna, Carlo Rovelli explica a teoria geral da relatividade de Einstein, a mecânica quântica, os buracos negros, as partículas elementares, a gravidade e a complexa arquitetura do universo. Best seller na Itália, Sete breves lições de física é um livro sobre a alegria da descoberta. “À beira daquilo que sabemos, em contato com o oceano do desconhecido, reluzem o mistério e a beleza do mundo” escreve Rovelli. “E é de tirar o fôlego”.

Alfaguara

Maracanazo, de Arthur Dapieve
Arthur Dapieve mescla ficção e realidade para compor cinco histórias que mostram uma enorme coesão narrativa, seja na sua atualidade, seja no seu impacto. No primeiro conto, dois garotos pegam onda no mar batido de Copacabana, sem saber que estão prestes a enfrentar um evento inesperado. Os dois contos seguintes apresentam o universo da música — em um concerto em Viena, em 1939, e em um ensaio do Pink Floyd em Londres. Já “Bloqueio” descreve uma situação absurda de uma pessoa que se vê num impasse nas ruas do Rio. “Maracanazo”, história que fecha o volume, é um relato surpreendente que se inicia com a partida que eliminou a seleção espanhola da Copa do Mundo de 2014.

Suma de Letras

Antes que aconteça, de Juliana Parrini
Isabel passou um ano fugindo. Depois de uma grande desilusão, ela não acreditava que conseguiria ser feliz novamente. Até que conhece Daniel e decide recomeçar. Quando Isabel finalmente dá uma segunda chance ao amor, o destino a surpreende com uma notícia que poderá mudar sua vida para sempre. Em Antes que aconteça, o desfecho de Depois do que aconteceu, Isabel terá a chance de reencontrar o passado e lutar pela sua felicidade.

Paralela

After – Depois da promessa, de Anna Todd
Bem quando Hardin acreditava já ter enfrentado todos os fantasmas de seu passado, um terrível segredo sobre seus pais é revelado, despertando os seus piores demônios internos. Tessa sabe que só ela tem o poder de aliviar todos os sentimentos de raiva, traição e confusão que afligem seu amado badboy. Só ela sabe como salvá-lo de seu ciclo de autodestruição. Mas, dessa vez, ela não pode. Porque, quando menos espera, sua vida é para sempre alterada por uma tragédia. Hardin e Tessa prometem lutar com todas as suas forças para que o destino não os separe para sempre. Mas o que acontecerá quando suas forças chegarem ao fim? Depois da promessa… qual será o desfecho dessa história?