karen armstrong

10 livros estrangeiros lançados (até agora) em 2016

Já chegamos na metade de 2016, e são tantos livros lançados a cada mês que fica até difícil lembrar de tudo o que você quer ler, certo? Se você deixou alguma novidade escapar, não se preocupe: selecionamos dez livros lançados até agora que merecem entrar na sua lista de futuras leituras. Nesta primeira lista, vamos falar dos lançamentos estrangeiros. Confira! :)

1) Isso também vai passarde Milena Busquets (tradução de Joana Angélica d’Avila Melo)

issotambem

O romance da espanhola Milena Busquets se transformou num sucesso internacional, chegando aqui no Brasil em fevereiro. Neste livro, o leitor acompanha uma narradora que vive o luto pela morte da mãe durante um verão em Cadaqués. Diante da ausência da mãe, restam as memórias de tudo o que a narradora viveu ao lado de quem a trouxe à vida, e o desejo de reafirmar a existência por meio do sexo, do convívio com as amigas, dos filhos e dos homens do passado. Milena Busquets combina profundidade e leveza para falar de temas universais como a dor, o amor, o medo, o desejo, a tristeza, o riso, a desolação e a beleza.

2) Romances de Patrick Melrosede Edward St. Aubyn (tradução de Sara Grünhagen)

patrick

Edward St. Aubyn vem de uma família inglesa de “pedigree”, cujas origens nobres remontam ao século XVII. Ele cresceu em Londres e viveu a separação dos pais quando ainda era criança, e logo foi mandado para um colégio interno de elite. Seu vício em heroína desde muito jovem, assim como a conturbada história familiar, inspiraram em grande medida a vida do protagonista de seu ciclo de romances, Patrick Melrose. Lançado no Brasil em fevereiro, o primeiro volume de Romances de Patrick Melrose reúne três dos cinco livros deste ciclo: Não importaMás notíciasAlguma esperança. Alternando cenas de profunda angústia e tragédia com momentos hilários, os livros dissecam a classe alta inglesa ao narrar a história de Patrick, dos abusos na infância ao vício e, por fim, à reabilitação.

3) As meninas ocultas de Cabul, de Jenny Nordberg (tradução de Denise Bottmann)

meninasocultas

Durante cinco anos de pesquisas no Afeganistão, a repórter Jenny Nordberg descobriu que algumas famílias criam suas filhas como se fossem meninos, tentando fazer com que a comunidade acredite que as crianças são de fato do sexo masculino. A prática, conhecida como “bacha posh”, foi revelada por Jenny em reportagem de grande repercussão no New York Times. Neste livro, lançado em março, ela mostra em detalhe os horrores de um ambiente machista, e faz um alerta para a comunidade internacional sobre um crime que nenhum relativismo cultural é capaz de atenuar.

4) Dois anos, oito meses e 28 noites, de Salman Rushdie (tradução de Donaldson M. Garschagen)

doisanos

Em março lançamos mais um livro de Salman Rushdie, autor de Os versos satânicos. Dois anos, oito meses e 28 noites — que, para quem fizer as contas, corresponde a mil e uma noites — é um romance de tirar o fôlego e um testamento duradouro sobre o poder da ficção, as relações humanas e a nossa ancestralidade. Depois de uma tempestade em Nova York, fatos estranhos começam a ocorrer. Um jardineiro percebe que seus pés não tocam mais o chão. Um quadrinista acorda ao lado de um personagem que parece um de seus desenhos. Ambos são descendentes dos djins, figuras mágicas que vivem num mundo apartado do nosso por um véu invisível. Séculos atrás, Bunia, princesa dos djins, apaixonou-se por um filósofo. Juntos, tiveram filhos que se espalharam pelo mundo humano. Quando o véu é rompido, tem início uma guerra que se estende por mil e uma noites.

5) Uma história de solidão, de John Boyne (tradução de Henrique de Breia e Szolnoky)

solidao

O mais recente romance adulto de John Boyne, lançado em janeiro, aborda com extrema delicadeza o tema dos abusos sexuais na Igreja católica. Uma história de solidão acompanha a vida de Odran Yates, um garoto irlandês nascido nos anos 1950 que cresce em uma família disfuncional e entra para a vida eclesiástica. Da ingenuidade dos primeiros anos de colégio à descoberta dos segredos mais bem guardados da Igreja, o padre Odran Yates descreve uma Irlanda repleta de contradições e ódio por trás de um projeto social baseado nos bons costumes e vive a decadência de seu ofício, que, diante de tantas denúncias de abuso sexual, passa a ser visto com desconfiança. O padre tenta fazer um acerto de contas com a própria consciência, depois de ter sido convencido de que era inocente demais para entender o que ocorria ao seu redor.

6) Campos de sangue, de Karen Armstrong (tradução de Rogério W. Galindo)

campos

A ideia de que a fé pode ser fonte de violência e intolerância vem crescendo nas últimas décadas, especialmente após o Onze de Setembro. Mas seria uma visão precisa da realidade? Neste estudo, Karen Armstrong investiga as grandes tradições religiosas em busca de respostas, e nos conduz a uma viagem pela história das maiores religiões do mundo. Amparado na vasta erudição da autora e no seu compromisso em promover a empatia entre os povos, Campos de sangue mostra que a religião não é a causa de nossos problemas.

7) Pureza, de Jonathan Franzen (tradução de Jorio Dauster)

pureza

Em 2016 também lançamos o novo livro de Jonathan Franzen, um dos maiores autores norte-americanos da atualidade. Em Pureza, acompanhamos a história da jovem Pip Tyler. Ela sabe que seu nome verdadeiro é Purity, que está atolada em dívidas, que está dividindo um apartamento com anarquistas e que a sua relação com a mãe vai de mal a pior. Coisas que ela não sabe: quem é seu pai, por que a mãe a força a uma vida reclusa, por que tem um nome inventado e como ela vai fazer para levar uma vida normal. Um breve encontro com um ativista alemão leva Pip à América do Sul para um estágio numa organização que contrabandeia segredos do mundo inteiro — inclusive sobre sua misteriosa origem. Pureza é uma história sobre idealismo juvenil, lealdade e assassinato.

8) Meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout (tradução de Sara Grünhagen)

lucybarton

Lançado agora em junho, Meu nome é Lucy Barton acaba de ser selecionado para concorrer ao Man Booker Prize 2016. O romance é narrado por Lucy Barton, uma escritora bem-sucedida que está há três semanas num hospital se recuperando das complicações de uma simples operação para extrair o apêndice. Sofrendo de saudade das filhas e do marido, ela recebe uma visita inesperada da mãe, com quem não falava havia anos. Nas cinco noites que passa com a mãe, a narradora convalescente lança um olhar aguçado e humano, sem sentimentalismos, para os acontecimentos centrais de sua vida: o isolamento e a pobreza dos anos da infância, o distanciamento de um núcleo afetivo desestruturado, a luta para se tornar escritora, o casamento e a maternidade.

9) Voltar para casa, de Toni Morrison (tradução de José Rubens Siqueira)

voltar

Uma das mais celebradas romancistas dos Estados Unidos, a Nobel de Literatura Toni Morrison expande seu olhar sobre a história norte-americana do século XX em Voltar para casa, uma narrativa de violência, amor e redenção. Frank Money volta da Guerra da Coreia vivendo em profundo conflito com seus fantasmas, perturbado pela enorme culpa de ser um sobrevivente e pelas atrocidades que cometeu. Ao se deparar com um país racista e segregado, ele reluta em voltar à sua cidade natal na Geórgia, onde deixou dolorosas memórias de infância e a pessoa que lhe é mais querida, a irmã Ycidra. Ci sobreviveu como pôde aos anos de ausência do irmão, numa sociedade machista e opressiva em que as mulheres não têm vez, são sistematicamente abandonadas pelos maridos e muitas vezes mutiladas sem piedade. Nesse mundo desfigurado, ao se reencontrarem no caminho de volta para casa, os irmãos poderão enfim ressignificar seu passado e voltar a ver com esperança o futuro.

10) Atlas de nuvens, de David Mitchell (tradução de Paulo Henriques Britto)

atlas

E encerramos com um lançamento deste mês: Atlas de nuvens! Neste que é um dos romances mais cultuados do nosso tempo, David Mitchell combina o gosto pela aventura, o amor por quebra-cabeças e o talento para a especulação científica conduzindo o leitor por seis histórias que se encontram no tempo e no espaço, criando um jogo de bonecas russas que explora com maestria questões fundamentais de realidade e identidade. O livro, adaptado para os cinemas em 2012 e protagonizado por Tom Hanks, finalmente está nas livrarias brasileiras!

 

Semana duzentos e noventa e seis

Campos de sangue, de Karen Armstrong (Tradução de Rogério W. Galindo)
A ideia de que a fé pode ser fonte de violência e intolerância vem crescendo nas últimas décadas, especialmente após o Onze de Setembro. Mas seria uma visão precisa da realidade? Neste estudo, Karen Armstrong investiga as grandes tradições religiosas em busca de respostas, e nos conduz a uma viagem pela história das maiores religiões do mundo. O resultado é uma visão despida dos preconceitos que tanto obscurecem o debate, imprescindível num momento em que as tensões geopolíticas parecem prestes a transbordar. Amparado na vasta erudição da autora e no seu compromisso em promover a empatia entre os povos, Campos de sangue mostra que a religião não é a causa de nossos problemas.

Alfaguara

O reinode Emmanuel Carrère (Tradução de André Telles)
O Reino mergulha — e busca reconstituir — as origens do cristianismo, no final do primeiro século depois de Cristo. Carrère descreve como dois homens, Paulo e Lucas, transformaram uma pequena seita judaica, centrada em seu pregador, crucificado durante o reinado de Tibério e que acreditavam ser o messias, em uma religião que em três séculos transformou a fé no Império Romano e a seguir conquistou o mundo. Quem narra — e se coloca na história como investigador e personagem — é o próprio Emmanuel Carrère. Partindo de uma narrativa sobre sua juventude, quando se tornou um católico fervoroso, até suas dúvidas e sua renúncia à religião, Carrère mescla presente e passado numa história turbulenta, e procura descobrir as figuras humanas por trás desses dois personagens tão marcantes da história mundial.

A caderneta vermelha, de Antoine Laurain (Tradução de Joana Angélica d’Ávila Melo)
Caminhando pelas ruas de Paris em uma manhã tranquila, o livreiro Laurent Letellier encontra uma bolsa feminina abandonada. Não há nada em seu interior que indique a quem ela pertence — nenhum documento, endereço, celular ou informações de contato. A bolsa contém, no entanto, uma série de outros objetos. Entre eles, uma curiosa caderneta vermelha repleta de anotações, ideias e pensamentos que revelam a Laurent uma pessoa que ele certamente adoraria conhecer. Decidido a encontrar a dona da bolsa, mas tendo à sua disposição pouquíssimas pistas que possam ajudá-lo, Laurent se vê diante de um dilema: como encontrar uma mulher, cujo nome ele desconhece, em uma cidade de milhões de habitantes?

Objetiva

Sobre a felicidadede Frédéric Lenoir (Tradução de Véra Lucia dos Reis)
O que sabemos sobre a felicidade? Depende de nossos genes, da sorte, de nossa sensibilidade? Ser feliz é aprender a escolher — nos diz Frédéric Lenoir. Escolher os prazeres, os amigos, os valores sobre os quais queremos estabelecer nossa vida. Para nos ajudar nessa busca, o autor propõe uma viagem engrandecedora pela história do pensamento na companhia de grandes sábios do Oriente e Ocidente: de Aristóteles, Platão e Chuang-Tzu a Buda, Jesus e Muhammad; de Voltaire, Spinoza e Schopenhauer a Kant, Freud e os neurocientistas modernos.

Fontanar

Orações de Nossa Senhora, de Carolina Chagas
Carolina Chagas é autora de oito livros sobre os santos. Para este, selecionou as aparições mais queridas do Brasil dentre as mais de mil invocações de Maria reconhecidas pela Igreja católica. Com belas ilustrações, Orações de Nossa Senhora conta a história de cada santa e reúne os pedidos e as orações adequados para cada uma. Inclui também um calendário com as datas comemorativas mais importantes.

Reviravolta

Diferentes, não desiguais, de Beatriz Accioly Lins, Bernardo Fonseca Machado e Michele Escoura
Meninos são melhores em matemática, já as meninas são caprichosas; meninos gostam de futebol, meninas estão mais interessadas em roupa e maquiagem — desde pequenos, aprendemos rapidamente que o mundo é dividido entre o feminino e o masculino e também de que lado devemos estar. Ao longo da infância, passamos por inúmeras situações que supõe uma divisão de gênero, muitas delas vividas e reproduzidas no ambiente escolar. Mas, afinal, o que é gênero? A partir da discussão desse conceito — que nada mais é do que um dispositivo cultural, constituído historicamente, que classifica e posiciona o mundo a partir da relação entre o que se entende como feminino e masculino —, os autores deste livro nos convidam a pensar nas implicações que esse conceito tem na vida cotidiana das crianças, e como os arranjos de gênero podem muitas vezes restringir, excluir e criar desigualdade.

Semana cento e vinte e quatro

Os lançamentos desta semana são:

Monstros, de Gustavo Duarte
As portas do Bar do Pinô estão abertas, à espera dos clientes. O proprietário, ansioso para ver os amigos, aguarda na soleira. Mas algo está errado. Os clientes não aparecem. Ao que tudo indica, monstros invadiram a cidade de Santos. O povo, desesperado, corre nas ruas. Mas Pinô tem um negócio — e uma reputação — a manter.

Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo, de David Foster Wallace (Trad. Daniel Galera e Daniel Pellizzari)
Será aceitável mergulhar uma lagosta viva numa panela de água fervente para saciar nossos desejos gastronômicos? O que a experiência de ser “mimado até a morte” num cruzeiro pelo Caribe revela sobre a natureza humana e a maneira como vivemos hoje? O que há de sublime nas raquetadas de Roger Federer e de engraçado nas narrativas sufocantes de Kafka? Como e por que praticar a compaixão na fila do caixa de um supermercado lotado? Nesta antologia de ensaios publicados ao longo de sua carreira, David Foster Wallace, autor de livros como Breves entrevistas com homens hediondos e Infinite Jest, investiga esses e muitos outros temas com humor, inteligência, inventividade e um poder da observação assombroso, marcas de um estilo que influenciou toda uma geração de escritores.

Sentimental, de Eucanaã Ferraz
O sexto livro de poemas de Eucanaã Ferraz, é ao mesmo tempo claro e paradoxal. Claro porque, a exemplo de livros como Rua do mundoCinemateca, suas obras anteriores, busca a luz mais clara do pensamento numa poesia que é, acima de tudo, a procura pelo entendimento das coisas. Paradoxal porque, como seu título pode sugerir, investe num olhar mais emocional da vida. Há isso, claro, no conjunto de poemas. Porém sem uma gota de sentimentalismo. É esse equilíbrio entre sentimento e razão que faz do livro um acontecimento literário na poesia brasileira. Com poemas que tratam da memória dos afetos e das relações destinadas a compor a tessitura de nossos sonhos e recordações, Sentimental investe — com a ensolarada delicadeza característica do autor — no amor, nas viagens, na literatura. Por vezes irônico, sempre coloquial e com grande finura, Eucanaã cria um elenco de poemas que sinalizam, em sua precisa elegância, a construção de uma obra das mais originais em nosso cenário.

Big Jato, de Xico Sá
Vale do Cariri, início da década de 1970. Um caminhão, apelidado carinhosamente de Big Jato, é destinado a esvaziar as fossas das casas sem encanamento do Crato. No parachoque, a frase “DIRIGIDO POR MIM, GUIADO POR DEUS”. O garoto ao lado do motorista pensa: “Não sou um nem o outro”. O caminhão faz parte da vida do garoto. Com seu pai, percorre as ruas da cidade lidando com o dejeto alheio, enquanto acompanha um mundo em transformação. Assim como sua própria infância, algo ali parece estar chegando ao fim, e as mudanças não passam despercebidas aos dois. Em Big Jato, o escritor e cronista Xico Sá cria, a partir de suas memórias, um retrato afetivo de uma juventude passada no Cariri. Estão lá os primeiros encontros com o amor e o rock. As paisagens e as pessoas que ele encontrou. As mudanças nas relações familiares. Leitores familiarizados com as crônicas e participações televisivas do autor podem se deparar aqui com o mesmo olhar lírico e frequentemente hilariante que Xico costuma dedicar aos relacionamentos e ao futebol. Mas irão se surpreender com a ficção do autor. O que emerge de Big Jato é uma prosa madura, uma novela capaz de encapsular um tempo e um espaço onde humor e drama ocorrem nos pequenos momentos do dia a dia. E na boleia do Big Jato, com os Beatles tocando no rádio.

Editora Paralela

12 passos para uma vida de compaixão, de Karen Armstrong (Trad. Hildegard Feist)
Tomando como ponto de partida os ensinamentos de religiões do mundo todo, Karen Armstrong demonstra em doze passos práticos como podemos trazer a compaixão para o primeiro plano de nossa vida. Praticar esses passos não vai mudar nossa vida da noite para o dia ou nos transformar em santos ou sábios: tornar-se um ser humano compassivo é um projeto para a vida toda. No entanto, transcendendo diariamente as limitações do egoísmo podemos não apenas fazer a diferença no mundo, mas também ter uma vida mais feliz e satisfatória.

Semana quarenta

Os lançamentos da semana são:

Suor, de Jorge Amado
Um casarão do Pelourinho transformado em cortiço, com suas dezenas de moradores pobres e marginalizados, é o ambiente de Suor, publicado em 1934, quando Jorge Amado tinha 22 anos. De modo cru, mas com sua característica prosa envolvente e calorosa — sempre atenta à musicalidade da fala popular —, Jorge narra um cotidiano de miséria, falta de higiene e ausência de perspectivas. Nos quartos precários do cortiço, homens e mulheres convivem com ratos e baratas e dão vazão às pulsões mais básicas.

A cultura-mundo — Resposta a uma sociedade desorientada, de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy (Tradução de Maria Lúcia Machado)
Que cultura caracteriza o mundo hoje? De que forma ela se relaciona com os principais eixos de nossa época: capitalismo globalizado, individualismo, consumismo, internet? Num ensaio iluminador, Gilles Lipovetsky e Jean Serroy explicam a gênese e os impasses desse novo e complexo sistema de valores.

Uma aventura secreta do Marquês de Bradomín, de Teresa Veiga
Quem lê este livro tem a impressão de estar diante da narrativa dos feitos de homens que, por motivos diversos, são merecedores de alguma notoriedade. No entanto, aos poucos, e com a naturalidade inerente a todo grande narrador, os acontecimentos tomam rumos inesperados, e o foco da lente precisa de Teresa Veiga (uma das principais autoras da atualidade em Portugal) se ajusta sobre as mulheres que são o verdadeiro motor a impulsionar seus contos.

A ninfa inconstante, de Guillermo Cabrera Infante (Tradução de Eduardo Brandão)
Estela ainda não tem dezesseis anos nem entende o palavrório do crítico de cinema que por ela caiu de amores. Ele é bem mais velho, e tem uma esposa que cansou de esperá-lo acordada. Mas essa não é outra história de amor em que um intelectual maduro se deslumbra pela beleza de uma adolescente ingênua. Porque Estela é tudo, menos inocente. Romance inédito do cubano exilado Guillermo Cabrera Infante, A ninfa inconstante mostra todas as facetas do estilo do autor: os jogos de palavras que tanto fascinavam esse infatigável explorador da linguagem, as suas referências cinematográficas e literárias, o gosto pelas expressões populares e o sentido de humor único que povoa suas páginas.

Jerusalém — Uma cidade, três religiões, de Karen Armstrong (Tradução de Hildegard Feist)
Como que saída da pena de Borges ou de Calvino, Jerusalém guarda muito de fantástico e imaginário em seus muros milenares. Mas a cidade toma contornos e significados próprios aos olhos de cada uma das três principais religiões do Ocidente: o islamismo, o judaísmo e o cristianismo. Num livro que abarca desde os primeiros vestígios de povoamento na região até os nossos dias, Karen Armstrong narra toda a história de ocupações e intolerância — mas muitas vezes também de convivência pacífica — que forjou o destino da Cidade Santa, e mostra como a aura mítica que Jerusalém adquire para judeus, cristãos e muçulmanos desafia a busca de uma solução meramente racional para os conflitos que até hoje marcam a região.

Jake Cake e a professora lobisomem, de Michael Broad (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Jake Cake é um menino que, além de ter nome de comida, gosta de escrever sobre as coisas que acontecem com ele, ou melhor, sobre as aventuras em que se mete. Ele também faz alguns desenhos — da mãe e sua cara de brava, da professora de matemática transformada em lobisomem, da babá-monstro estraçalhando todos os móveis da sala, da múmia que encontrou vagando por um museu, entre outras doideiras. Claro que os adultos costumam não acreditar nas histórias do menino, mas ele garante que tudo realmente aconteceu. Este é o primeiro volume de uma coleção de diários do Jake Cake, cada um com três episódios. Neles, as crianças vão se divertir ao conhecer as aventuras e confusões do Jake, narradas e ilustradas pelo próprio trapalhão por trás delas.

Os combates de Aquiles, de Mano Gentil (Tradução de Álvaro Lorencini)
Neste livro, a história de Aquiles, um dos mais famosos e trágicos heróis de todos os tempos, é narrada em forma de romance. Guerreiro exemplar, de coragem e força inigualáveis, Aquiles tem também um senso sutil de honra e justiça. No entanto, quando é ferido, pode se tornar selvagem e sanguinário, contrariando as leis da civilização e dos deuses. Como nos outros volumes da coleção, para que se possa compreender melhor a tragédia e seu alcance, um apêndice contextualiza o mito — sua origem, as várias interpretações que recebeu e algumas de suas representações nas artes — e um glossário explica termos destacados no texto.

Semana trinta e oito

Os lançamentos desta semana são:

O triunfo da música, de Tim Blanning (Tradução de Ivo Kotytovski)
O que um concerto de Franz Liszt, uma improvisação de John Coltrane e uma turnê de Paul McCartney possuem em comum? Transitando livremente entre fronteiras estéticas, geográficas e temporais, o especialista em história cultural Tim Blanning analisa os fatores históricos que tornaram a música a mais bem-sucedida e influente forma artística da atualidade. Professor da Universidade de Cambridge, o autor amalgama os mais variados estilos — ópera e rock’n’roll, jazz e música sinfônica — numa fascinante história dos instrumentos, gêneros e práticas de escuta e execução.

Em defesa de Deus, de Karen Armstrong (Tradução de Hildegard Feist)
Numa prosa ao mesmo tempo erudita e fluente, Em defesa de Deus resgata os fundamentos históricos e filosóficos das religiões abraâmicas. Judaísmo, cristianismo e islamismo são apresentados em suas principais diferenças e semelhanças. O livro percorre a labiríntica história da fé para apresentar os conceitos fundadores da ideia revolucionária de uma divindade única, atemporal e criadora dos homens e do Universo. Karen Armstrong demonstra como ethos social dos povos monoteístas foi construído em torno do enigma da figura de Deus.

Gumercindo e a galinha garoupa, de Joaquim de Almeida (Ilustrações de Laurabeatriz)
Quando encontrou uma galinha no meio da rua, em plena noite de sexta-feira 13, Gumercindo não imaginava que aquele seria o início de uma amizade que incluiria um desafio entre repentistas, uma maldição e uma viagem pelo sertão até o oceano. E tudo isso embalado pelos versos improvisados na levada do repente…

Papéis avulsos, de Machado de Assis
Papéis avulsos, primeiro livro de contos publicado por Machado de Assis (1839-1908) após o lançamento de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), é integralmente composto por momentos antológicos da ficção curta brasileira. De “O alienista”, um dos mais famosos contos do autor, a “O espelho”, cujo enredo psicológico tem fascinado sucessivas gerações de leitores e escritores (inclusive Guimarães Rosa, que escreveu um conto homônimo como “resposta”), este livro concentra alguns dos melhores personagens e situações do criador de Dom Casmurro. Com introdução de John Gledson e notas de Hélio Guimarães, esta edição dispõe os contos de acordo com a data original de publicação, indicada por Machado na primeira edição do livro (1882).

Crônica de uma namorada, de Zélia Gattai
Este livro acompanha as dores e descobertas da menina Geane, que precisa enfrentar a morte da mãe e conviver com uma madrasta ao mesmo tempo que experimenta transformações físicas e o despertar da sexualidade. Sem moldes e sem fórmulas, a menina se faz a cada pequeno golpe que a realidade lhe aplica. As paixões súbitas que atordoam suas relações com os meninos; a força das palavras, que pode estar nas linhas precárias de um telegrama; as lembranças infantis das férias, do Natal, das conversas com os mais velhos, que ajudam a temperar a agitação das mudanças. Tendo como pano de fundo o início dos anos 1950 na cidade de São Paulo, Zélia não se deixa levar nem pela tentação sociológica nem por apelos da psicologia. Ela não escreve para explicar ou para interpretar, mas para contar uma boa história.

Juca e os anões amarelos, de Jostein Gaarder (Tradução de Luiz Antônio de Araújo; Ilustrações de Jean-Claude R. Alphen)
Ao voltar da escola, Juca descobre que está completamente só: não há ninguém em casa, nem na rua, em lugar nenhum. Há apenas um anão amarelo que lança sem parar um dado, repete frases estranhas e está por trás de um plano para ocupar o nosso planeta. E o menino é o único que pode salvar a humanidade do “perigo amarelo”. Uma história cheia de mistérios e surpresas contada pelo consagrado autor norueguês e ilustrada pelo franco-brasileiro Jean-Claude R. Alphen.