laurabeatriz

Semana trinta e oito

Os lançamentos desta semana são:

O triunfo da música, de Tim Blanning (Tradução de Ivo Kotytovski)
O que um concerto de Franz Liszt, uma improvisação de John Coltrane e uma turnê de Paul McCartney possuem em comum? Transitando livremente entre fronteiras estéticas, geográficas e temporais, o especialista em história cultural Tim Blanning analisa os fatores históricos que tornaram a música a mais bem-sucedida e influente forma artística da atualidade. Professor da Universidade de Cambridge, o autor amalgama os mais variados estilos — ópera e rock’n’roll, jazz e música sinfônica — numa fascinante história dos instrumentos, gêneros e práticas de escuta e execução.

Em defesa de Deus, de Karen Armstrong (Tradução de Hildegard Feist)
Numa prosa ao mesmo tempo erudita e fluente, Em defesa de Deus resgata os fundamentos históricos e filosóficos das religiões abraâmicas. Judaísmo, cristianismo e islamismo são apresentados em suas principais diferenças e semelhanças. O livro percorre a labiríntica história da fé para apresentar os conceitos fundadores da ideia revolucionária de uma divindade única, atemporal e criadora dos homens e do Universo. Karen Armstrong demonstra como ethos social dos povos monoteístas foi construído em torno do enigma da figura de Deus.

Gumercindo e a galinha garoupa, de Joaquim de Almeida (Ilustrações de Laurabeatriz)
Quando encontrou uma galinha no meio da rua, em plena noite de sexta-feira 13, Gumercindo não imaginava que aquele seria o início de uma amizade que incluiria um desafio entre repentistas, uma maldição e uma viagem pelo sertão até o oceano. E tudo isso embalado pelos versos improvisados na levada do repente…

Papéis avulsos, de Machado de Assis
Papéis avulsos, primeiro livro de contos publicado por Machado de Assis (1839-1908) após o lançamento de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), é integralmente composto por momentos antológicos da ficção curta brasileira. De “O alienista”, um dos mais famosos contos do autor, a “O espelho”, cujo enredo psicológico tem fascinado sucessivas gerações de leitores e escritores (inclusive Guimarães Rosa, que escreveu um conto homônimo como “resposta”), este livro concentra alguns dos melhores personagens e situações do criador de Dom Casmurro. Com introdução de John Gledson e notas de Hélio Guimarães, esta edição dispõe os contos de acordo com a data original de publicação, indicada por Machado na primeira edição do livro (1882).

Crônica de uma namorada, de Zélia Gattai
Este livro acompanha as dores e descobertas da menina Geane, que precisa enfrentar a morte da mãe e conviver com uma madrasta ao mesmo tempo que experimenta transformações físicas e o despertar da sexualidade. Sem moldes e sem fórmulas, a menina se faz a cada pequeno golpe que a realidade lhe aplica. As paixões súbitas que atordoam suas relações com os meninos; a força das palavras, que pode estar nas linhas precárias de um telegrama; as lembranças infantis das férias, do Natal, das conversas com os mais velhos, que ajudam a temperar a agitação das mudanças. Tendo como pano de fundo o início dos anos 1950 na cidade de São Paulo, Zélia não se deixa levar nem pela tentação sociológica nem por apelos da psicologia. Ela não escreve para explicar ou para interpretar, mas para contar uma boa história.

Juca e os anões amarelos, de Jostein Gaarder (Tradução de Luiz Antônio de Araújo; Ilustrações de Jean-Claude R. Alphen)
Ao voltar da escola, Juca descobre que está completamente só: não há ninguém em casa, nem na rua, em lugar nenhum. Há apenas um anão amarelo que lança sem parar um dado, repete frases estranhas e está por trás de um plano para ocupar o nosso planeta. E o menino é o único que pode salvar a humanidade do “perigo amarelo”. Uma história cheia de mistérios e surpresas contada pelo consagrado autor norueguês e ilustrada pelo franco-brasileiro Jean-Claude R. Alphen.

A Flipinha é demais

Por Júlia Moritz Schwarcz


(Foto por Walter Craveiro)

Dessa vez o Ziraldo errou feio. Disse que não é autor de Flipinha. É que ele não sabe do que está falando. A Flipinha é demais. Acontece de janeiro a dezembro e envolve as escolas da região de uma maneira incrível. Quem participa da Flip percebe isso. O palco da Flipinha, em frente à praça da Matriz, está enfeitado com os trabalhos feitos pelos alunos, e tem sempre alguma atração ou apresentação acontecendo. As árvores da praça estão cheias de livros, e uma biblioteca em forma de circo ocupa todo o espaço do meio — jovens muito bem treinados leem para as criancinhas de bobeira e para os alunos paratyenses, que frequentam aos montes a Festa. Ah, tem os bichos e bonecos de papel machê, feitos pelos alunos em oficinas. Eles trabalham com os livros durante os doze meses do ano, e os professores também passam por cursos sobre literatura. Enfim, parece até propaganda, mas eu sou mesmo fã, acho demais o que se criou a partir de 2003, com essa história de Flipinha.

Este ano, a Laurabeatriz e o Lalau foram convidados da Flipinha. Pedi um depoimento a cada um sobre essa experiência. É o que vem a seguir.

Sempre tive curiosidade de conhecer a Flipinha e tive uma bela surpresa. Achei importantíssimo o papel que esse programa educativo está desempenhando junto às crianças e adolescentes, especialmente os de Paraty e cercanias. Com essa influência superpositiva, com certeza as crianças que vêm participando da Flipinha vão ter uma mudança bem significativa em suas vidas.

É muito animador, neste mundo de hoje, tão ameaçado por catástrofes dos mais variados tipos, tão bombardeado pela mídia do consumismo, encontrar um oásis tão florescente e uma atmosfera tão promissora. Certamente, essas sementes que a Flipinha está semeando já estão começando a brotar e são uma notícia muito alvissareira no cenário do planeta Terra neste ano de 2010.

Laurabeatriz

Charretes transportavam poemas. Homens e mulheres trocavam palavras impressas em várias línguas. Algumas estátuas ficavam paradas, enquanto outras se moviam de tempos em tempos. Ondas pequeninas escreviam suas memórias na areia. Vi um livro bater suas páginas, sobrevoar a cidade e pousar numa das árvores da praça. Depois, veio outro, outro, mais outro. E vieram centenas deles. Vi crianças perseguindo histórias pelas ruelas de pedras no chão. Vi crianças sorrindo para mim. Foi um sonho, um dos grandes sonhos de minha vida.

Lalau

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Júlia Moritz Schwarcz é editora dos selos Companhia das Letrinhas e Cia. das Letras. Ela contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre literatura infantil.

Semana sete

Os lançamentos desta semana foram:

O castelo nos Pirineus, de Jostein Gaarder (Tradução de Luiz A. de Araújo)
Por cinco anos intensos na década de 1970, Steinn e Solrunn foram felizes. Então tomaram rumos diversos, por razões desconhecidas a ambos. No verão de 2007, depois de trinta anos distantes, eles se encontram por acaso num lugar intimamente relacionado à separação no passado. Mas terá sido esse encontro, em lugar tão significativo, um mero acaso? Buscando respostas a essa pergunta, e para entender como um relacionamento que prometia ser duradouro pôde acabar subitamente, o ex-casal começa uma frenética troca de e-mails — a matéria e a forma deste romance filosófico. O autor, que também escreveu o best-seller O mundo de Sofia, estará na Bienal do Livro de São Paulo, em agosto.

As viúvas de Eastwick, de John Updike (Tradução de Fernanda Abreu)
O livro narra os reencontro das três conhecidas personagens de As bruxas de Eastwick: Alexandra, a encarnação da força natural feminina, afastada da família e perdendo a vontade de viver; Jane, a violoncelista esnobe e sarcástica, que convive com uma sogra aparentemente imortal; e Sukie, a autora de literatura amorosa, que procura sublimar na ficção o furor carnal que resiste com o passar dos anos. Após os acontecimentos do primeiro livro, elas foram viver em cidades diferentes, e agora, viúvas septuagenárias, reatam a amizade e viajam pelo mundo procurando combater a solidão da velhice.

A Costa Oeste, de Paula Fox (Tradução de Sonia Moreira)
Este romance de uma das mais importantes escritoras norte-americanas contemporâneas expõe os dramas de seus personagens contra um cenário social e político marcado pelo fim da Grande Depressão e pela tensa antevéspera da Segunda Guerra Mundial. Apesar disso, a protagonista da história, a jovem e inexperiente Annie Gianfala, vive na mais completa alienação numa Califórnia intoxicada de vaidades. Cabe a outros personagens a tarefa de iniciá-la nas engrenagens do mundo e nas armadilhas da sexualidade e do amor.

Uma casa para o sr. Biswas, de V. S. Naipaul (Tradução de Paulo Henriques Britto)
Uma casa para o sr. Biswas é inspirado na infância e adolescência do autor indiano, e a maior ambição de seu protagonista é ter sua própria casa. A história desse personagem irremediavelmente deslocado é recheada de divertidas peripécias, sempre girando em torno da eterna busca de um lar e de uma ocupação satisfatória. Em suas aventuras, está sempre às voltas com parentes, vizinhos e amigos intrometidos, que ora o atrapalham ora o ajudam em sua cruzada. Com muito humor, o autor faz a mais sutil e abrangente análise da situação colonial já elaborada em literatura de ficção.

O teatro de Sabbath, de Philip Roth (Tradução de Rubens Figueiredo)
Nova edição do romance que apresenta ao leitor o sexagenário Mickey Sabbath, artista de fantoches aposentado. Entre o sexo e a morte, Sabbath vai resistindo a tudo o que no mundo apaga nossa incandescência. E Phillip Roth, no auge de sua carreira, realiza uma façanha de virtuosismo erótico e dramático. Entre as perguntas que o livro sugere está descobrir até que ponto é possível escrever o sexo. O erótico e o humano se confundem, de modo comovente, neste romance que fala ainda mais quando não há o que falar. Comparada a O teatro de Sabbath, a literatura erótica ainda precisa aprender muita coisa.

Que João é esse? Que Maria é essa?, de Lalau (Ilustrações de Laurabeatriz)
João-deitado e Maria-mole, João-teimoso e Maria-fumaça, João-teneném e Maria-faceira… Vixe, Maria! É João e Maria que não acaba mais. Pensando nessa presença constante das duas palavras entre os nomes que damos aos bichos, plantas, bonecos e até penteados de cabelo, a dupla Lalau e Laurabeatriz criou e ilustrou doze poemas, cada um com uma dupla de personagens. O resultado é um livro que não só ensina poesia para as crianças pequenas como apresenta curiosidades da cultura brasileira, pois, ao final do volume, um glossário explica o que é e de onde vem cada expressão que aparece nos poemas.

Às margens do Amazonas, de Laurence Quentin (Ilustrações de Catherine Reisser; Tradução de Rosa Freire d’Aguiar)
Apesar de pouco povoada, a floresta amazônica é tão extensa que abriga as mais diversas etnias. O livro convida as crianças a conhecer a história, a vida, os costumes e o habitat de três povos amazônicos, de países diferentes: no Brasil, os caboclos; entre o Brasil e a Venezuela, os ianomâmis; e no Equador, os otavalos. Textos explicativos são acompanhados de narrativas ficcionais, sugestões de jogos e atividades culinárias, e ilustrados com desenhos, fotos e mapas da região.

A cicatriz, de Ilan Brenman (Ilustrações de Ionit Zilberman)
Conversando com os pais, Silvinha descobre que seu queixo machucado vai ganhar uma cicatriz para a vida inteira. A novidade deixa a menina tão empolgada que ela resolve investigar as cicatrizes de todos os parentes. A partir disso, Silvinha se põe a pensar sobre a passagem do tempo, sobre as marcas dos acontecimentos na vida das pessoas, e vai conhecer histórias interessantíssimas dos avós, tios, primos e primas.