literatura juvenil

Semana oitenta e seis

Os lançamentos da semana são:

Os gêmeos (Crônicas de Salicanda – Volume 1), de Pauline Alphen (Tradução Dorothée de Bruchard)
Na floresta de Salicanda vivem os gêmeos Jad e Claris, que na noite em que completam três luadas perdem a mãe e passam a apresentar alguns poderes estranhos. Estamos no século XXIII, em um mundo de práticas quase medievais: o escambo impera e não há o menos sinal da tecnologia que conhecemos nos dias de hoje. Os irmãos não conhecem a história da humanidade, assim como não sabem por que a mãe desapareceu, e estão em busca de respostas.

O último suspiro do mouro, de Salman Rushdie (Tradução Paulo Henriques Britto)
Em 1988, o aiatolá Khomeini condenou Salman Rushdie à morte por ter escrito um livro que desagradou aos fundamentalistas islâmicos. A resposta do autor foi este romance: uma defesa contundente das virtudes do pluralismo e da tolerância, em oposição às pretensas verdades únicas e excludentes. O protagonista da história é o “Mouro” Zogoiby – filho único de uma família abastada da boemia artística de Bombaim –, que se encontra num momento de crise profunda. Sua mãe, uma pintora famosa, ama a beleza, mas o Mouro é feio e tem uma mão deformada. Ele se apaixona por uma mulher casada e ambos acabam sendo expulsos de casa, levando a um pacto suicida que não funciona como o esperado. O Mouro decide aceitar seu destino e mergulha numa vida depravada em Bombaim.

A educação de uma criança sob o Protetorado Britânico, de Chinua Achebe (Tradução Isa Mara Lando)
“Onde quer que haja Alguma Coisa, Alguma Outra Coisa virá ficar a seu lado”. Formulado pela tradição imemorial da cultura igbo, o provérbio citado pelo nigeriano Chinua Achebe nesta coletânea de ensaios poderia resumir sua própria visão de mundo como romancista e pensador. Instantâneos autobiográficos e bastidores da criação literária, bem como reflexões históricas e culturais, dialogam de modo fecundo com as opiniões do autor de O mundo se despedaça acerca da tumultuada política de seu país, mostrando que realidade e ficção são faces complementares da experiência. Achebe, um dos escritores mais importantes da literatura contemporânea, analisa as conseqüências funestas do colonialismo sem jamais dispensar a lucidez, o bom humor e a ironia.

Clara dos Anjos, de Lima Barreto
Livro-chave para a interpretação da obra de Lima Barreto, Clara dos Anjos narra as desventuras de uma adolescente pobre e mulata seduzida por um malandro branco. Os subúrbios do Rio de Janeiro no início dos anos 1920, desempenham papel central num enredo de conexões históricas e sociológicas que, na habilidosa construção da narrativa, converte o triste fim da protagonista numa crítica feroz da alegada “democracia racial” brasileira. A edição traz textos elucidativos de Beatriz Resende, Lúcia Miguel Pereira e Sérgio Buarque de Holanda, e notas elaboradas por Lilia Moritz Schwarcz e Pedro Galdino.

Diário de Oaxaca, Oliver Sacks (Tradução Laura Teixeira Motta)
Como são e o que fazem cientistas quando se vêem longe de seus laboratórios e perto do habitat de seus objetos de pesquisa? O que explica seu entusiasmo quase juvenil pela descoberta de um novo espécime? Ao narrar sua experiência junto a um grupo de aficionados por samambaias que se desloca de Nova York a Oaxaca, no sul do México, para ver as pteridófitas mais raras do mundo, Oliver Sacks nos mostra como o romantismo é inerente à ciência e homenageia os grandes pioneiros da biologia, como Alexander on Hulbold e Charles Darwin, cujos relatos célebres de expedições são até hoje lidos com entusiasmo.

A águia que não queria voar, de James Aggrey e Wolf Erlbruch (Tradução Sergio Tellaroli)
A águia, rainha das aves, é símbolo de nobreza e poder. Já a galinha não teve a mesma sorte. E que, na imaginação das pessoas, ser águia significa encarar o sol de frente e alçar grandes voos. Ao passo que ser galinha…Bom, além de mal sair do chão, elas têm de se contentar com os grãozinhos de milho que recebem. Majestade e submissão se encontram nesta bela história da águia que, criada como galinha, se recusa a voar. Escrita para os povos africanos — que, dominados pelos europeus, deixaram de acreditar na riqueza da sua cultura e na capacidade de tomar o seu destino nas próprias mãos –, esta fábula nos lembra que, mesmo adormecida, a grandeza humana não se deixa extinguir nem mesmo pela mais severa opressão.

Na casa do Leo — O corpo humano, de Philip Ardagh (Tradução Érico Assis)
Entre (não precisa bater!) e descubra: que os bebês têm mais ossos que um adulto; que os nossos ouvidos, além de responsáveis pela audição, promovem também o equilíbrio do corpo; por que o nosso pulmão esquerdo é menos que o direito. Uma casa repleta de curiosidades e diversão!

Beto e Bia em De Mentirinha, de Geoffrey Hayes (Tradução Érico Assis)
Beto adora brincar de pirata valente, mas é difícil viver suas aventuras com Bia, sua irmã menos, sempre atrás dele. Ela quer brincar junto, mas é pequena demais e não entende nada! Beto precisa dar um jeito de fugir dela. Quando ele finalmente consegue se livrar da irmã, descobre que brincar sozinho não é tão divertido.

O peixe e a passarinha, de Blandina Franco e José Carlos Lollo
Em um rio cercado de árvores viviam um certo peixe, que passava horas admirando o desenho das nuvens, e uma certa passarinha, que adorava observar a paisagem refletida na água. Quando um dia os dois resolvem comer a mesma minhoca na mesma hora dão início a uma longa amizade, que acaba se transformando em amor. Dos autores de Quem soltou o Pum?, uma história de um amor improvável mas não impossível.

Semana oitenta e três

Os lançamentos da semana são:

Nove ensaios dantescos & A memória de Shakespare, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Ainda muito moço, Borges começou a percorrer a árdua topografia do mundo dantesco ao longo das viagens de bonde que o levavam ao trabalho cotidiano na biblioteca municipal de Buenos Aires. Os ensaios deste livro são como relatos que refazem, numa tela fragmentária, os sugestivos pormenores simbólicos da história dessa viagem, ao mesmo tempo comum e insólita. Depois vêm “A memória de Shakespeare” e mais 3 contos fantásticos, em que o tranquilo domínio do estilo e as pulsantes obsessões se casam a motivos recorrentes da obra de Borges.

O fim da Terra e do Céu, de Marcelo Gleiser
Ao tratar das relações entre religião e ciência diante da questão do “fim de tudo”, Marcelo Gleiser homenageia a imaginação e a criatividade do homem. Seu enfoque é multidisciplinar, mostrando de que maneira ideias sobre o “fim” inspiram não só as religiões e a pesquisa científica, mas também a literatura, a arte e o cinema.

Crônica de um vendedor de sangue, de Yu Hua (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Na China recém-convertida ao comunismo, um operário se vê obrigado a vender o próprio sangue para sustentar a família. Quando desconfia que o seu primogênito é fruto de uma relação clandestina de sua mulher, ele tem de empreender uma batalha contra seus próprios valores para provar que os vínculos afetivos que o unem ao garoto podem ser mais fortes que os laços consanguíneos.

Ho-ba-la-lá: à procura de João Gilberto, de Marc Fischer (Tradução de Sergio Tellaroli)
Um detetive alemão improvisado e sua assistente brasileira vasculham a cidade do Rio de Janeiro em busca de alguma pista que conduza ao misterioso… João Gilberto. A missão é quase impossível; o tempo para cumpri-la, curtíssimo. Menescal, Miéle, João Donato, Marcos Valle, Miúcha, o cozinheiro, o duplo, o Copacabana Palace, Diamantina — em tom de uma divertida história detetivesca, o jornalista Marc Fischer faz uma bela declaração de amor à bossa nova.

A vida de Joana d’Arc, de Erico Verissimo (Ilustrações de Rafael Anton)
Erico Verissimo constrói com delicadeza exemplar a personalidade de Joana, a menina francesa do século XV que ouvia vozes de santos e que transgrediu as convenções de seu tempo e de seu gênero vestindo-se de homem, lutando entre os soldados e defendendo seu rei.

A luz no túnel (Os subterrâneos da liberdade, vol 3), de Jorge Amado
O volume que fecha a épica trilogia apresenta o painel ficcional de um momento muito sombrio, quando republicanos espanhóis perdem a Guerra Civil para Franco, os alemães começam a Segunda Guerra e Getúlio Vargas mostra simpatia por Hitler e Mussolini.

O livro selvagem, de Juan Villoro (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Juan precisa ler um livro completamente selvagem, que não se deixa ler. Mas por que o livro resiste à leitura? E por que Juan é o único capaz de desvendar seus mistérios? Com ele, os leitores vão descobrir não só a companhia que os livros podem nos fazer nos bons e maus momentos, como também a importância de se compartilhar o prazer e o conhecimento que as leituras nos proporcionam.

Assim falou Zaratustra, de Friedrich Niestzsche (Tradução de Paulo César de Souza)
Escrito e publicado progressivamente, entre 1883 e 1885, este veio a se tornar o mais famoso livro de Nietzsche. Nele se acha o relato das andanças, dos discursos e encontros inusitados do profeta Zaratustra, que deixa seu esconderijo nas montanhas para pregar aos homens um novo evangelho. Muitas das concepções apresentadas em outras obras do autor (como a morte de Deus, o super-homem, a vontade de poder e o eterno retorno) reaparecem aqui em nova linguagem, numa singular mistura de ficção poética, indagação filosófica e reflexão religiosa.

Olavo Holofote, de Leigh Hodgkinson (Tradução de Érico Assis)
Este livro é fantástico porque ele é totalmente dedicado ao Olavo Holofote. Aliás, é tão fantástico que o Olavo acha que não sobra epaço para mais ninguém além dele… Mas, quando todo mundo cai fora, Olavo começa a pensar: para que serve se exibir para si mesmo? Com certeza, isso não é muito divertido…

Fotobiografia de Fernando Pessoa, de Richard Zenith & Joaquim Vieira
Concebido por um editor experiente e por um dos grandes especialistas em Fernando Pessoa, o livro apresenta centenas de imagens inéditas e conhecidas do poeta e sua família, desde os primeiros anos de vida do autor até os principais acontecimentos de sua vida — incluindo fotos, desenhos, caricaturas, cartas, diários, rascunhos, manuscritos e datiloscritos, reproduções de jornais e revistas em que publicou, além de obras de arte feitas em homenagem a Pessoa.

Ismael e Chopin, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Entre seus 52 irmãos coelhos, Ismael foi o escolhido pelo pai para aprender tudo o que ele tinha para ensinar. Juntos, os dois passam os dias a se aventurar pelos cantos da floresta, observando animais e plantas, e aprendendo segredos sobre um outro mundo. É que o pai de Ismael conhece a língua dos homens e a ensina ao filho — sem nem imaginar que isso levaria ao início de uma amizade muito especial, entre um coelho e um dos maiores compositores da música ocidental.

O segredo do rio, de Miguel Sousa Tavares (Ilustrações de Fernanda Fragateiro)
Era uma vez um rio que passava bem em frente à casa de um menino. Ali, ele formava um lago, onde esse pequeno camponês passava grande parte de seu tempo, nadando de olhos abertos em suas águas cristalinas ou se aquecendo em um banco de areia que se formava nas laterais. Neste rio, se escondia um segredo surpreendente.

Garrafinha, de Mariana Caltabiano (Ilustrações de Rodrigo Leão)
Com seus óculos fundo de garrafa e altura de tampinha, Garrafinha se sente rejeitada por sua aparência e, como acontece a partir de certa idade, quer mais é ter amigos e ser popular. Mas seu grande motivo de sofrimento acabou se tornando a sua solução: como ela estava sempre sozinha, passava boa parte do tempo observando os outros — e também desenhando o que via. Esses desenhos fizeram sucesso entre as crianças, e Garrafinha achou o seu jeito de se expressar. Acesse o hotsite da Garrafinha para conhecer mais da personagem.

Semana setenta e nove

Os lançamentos da semana são:

Como mudar o mundo, de Eric Hobsbawm (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Nesta seleção de conferências, ensaios e artigos escritos ao longo de mais de cinco décadas, o consagrado historiador britânico oferece um panorama do legado intelectual de Karl Marx, bem como de sua repercussão na história dos séculos XIX e XX. Eric Hobsbawm, cujo refinado método de interpretação marxista transparece em títulos como Era dos extremos e Ecos da Marselhesa, analisa os trabalhos pioneiros do “socialismo científico”, com ênfase na necessidade de reavaliá-los segundo seu contexto de produção original, relativizando as formulações posteriores de seus fervorosos inimigos e apologistas. Num livro que explicita a influência decisiva do autor de O capital sobre sua própria visão da história, Hobsbawm reconhece na atual crise sistêmica das finanças globalizadas uma confirmação quase profética da crítica de Marx às contradições insolúveis do capitalismo.

A maldição da pedra, de Cornelia Funke (Tradução de Sonali Bertuol)
Jacob Reckless descobriu um mundo mágico, escondido atrás de um espelho do escritório do pai, um lugar em que fadas, bruxas, unicórnios e tritões convivem com seres humanos e no qual os aspectos mais sombrios dos contos de fadas se tornam realidade. É lá que Jacob vai passar a maior parte do tempo, longe do seu irmão mais novo, Will. Muitos anos depois, Will descobre a passagem e segue o irmão. Mas lá, no Mundo do Espelho, acaba sendo atingido por uma maldição: aos poucos se transformará em uma criatura terrível, com pele de jade. Nessa terra cheia de perigos, Jacob finalmente percebe o quanto o irmão caçula significa para ele, e vai precisar usar toda a sua esperteza, coragem e espírito de aventura para reverter o feitiço, antes que seja tarde demais.

Semana setenta e quatro

Os lançamentos da semana são:

Odisseia, de Homero (Tradução de Frederico Lourenço)
Poema épico fundamental para a tradição literária ocidental, a Odisseia narra as desventuras de Ulisses, herói mítico da Guerra de Troia, em seu caminho de volta a Ítaca, sua terra natal, uma jornada que se estendeu por dez anos. Esta edição em verso traz, além da premiada tradução do helenista português Frederico Lourenço, uma introdução assinada por Bernard Knox, o primeiro diretor do Centro de Estudos Helênicos da Universidade de Harvard, apresentando um panorama detalhado das diferentes teorias que surgiram ao longo dos séculos sobre a origem da narrativa e de seu autor, além de mapas que ajudam a situar o leitor no complexo mundo da geografia homérica.

A lua no cinema e outros poemas, de vários (Organização de Eucanaã Ferraz; Ilustrações de Fábio Zimbres)
De Caetano Veloso a Sophia de Mello Breyner Andresen, de Manoel de Barros a Fernando Pessoa, esta coletânea reúne 19 nomes representativos da poesia de língua portuguesa e realiza uma espécie de mapeamento poético dos séculos XX e XXI, dos dois lados do Atlântico, destinado especialmente aos jovens. O livro é dividido em 4 partes: a primeira, “O verbo ser e outros verbos”, traz uma visão do homem no tempo; na segunda, “Não sei se isto é amor e outras dúvidas”, o amor é o tema; na terceira, “Na ribeira deste rio e outras paisagens”, os poemas são voltados para a natureza e as coisas; e, na última parte, “Não-coisa e outras coisas”, tudo se confunde com a poesia, e faz-se uma espécie de reflexão sobre a existência, o mundo, os sentimentos e o cotidiano. O volume é enriquecido ainda com o traço bem-humorado e irônico de Fábio Zimbres, promovendo-se assim um diálogo entre palavra e imagem.

Histórias arrepiantes de crianças-prodígio, de Linda Quilt (Tradução de Luciano Vieira Machado)
Os sete protagonistas das histórias deste livro não são crianças-prodígio como Mozart. Entretanto, suas vidas são prodigiosas porque estão em contradição com as leis da natureza. Melinda, por exemplo, cospe um sapo toda vez que conta uma mentira. O extremamente tímido Begon, por sua vez, percebe que as pessoas desaparecem quando ele diz seu próprio nome em voz alta. Com Norm, as coisas são bem diferentes. Ele é tão normal que ninguém nota a sua presença, nem mesmo seus pais, que às vezes se perguntam quem é aquele garoto em sua casa. A essas histórias se unem a de Orville O’Raghallaigh, um garoto incapaz de guardar qualquer coisa na memória; a da bebê A., irmã gêmea de B., que possui uma inteligência tão incomparável que desperta o interesse da comunidade científica; a de Wanda Wippleton, uma adorável preguiçosa que não faz nada além de dormir e ler; e a de Balthazar Bollinger, tão redondinho e leve que precisa usar sapatos de chumbo para não sair voando.

Semana setenta e dois

Os lançamentos da semana são:

Livro do desassossego, de Fernando Pessoa (edição revista e ampliada)
O narrador principal das centenas de fragmentos que compõem este livro é o “semi-heterônimo” Bernardo Soares. Ajudante de guarda-livros em Lisboa, ele escreve sem encadeamento narrativo claro e sem uma noção de tempo definida. Os temas não deixam de ser adequados a um diário íntimo: a elucidação de estados psíquicos, a descrição das coisas através dos efeitos que elas exercem sobre a mente, reflexões sobre a paixão, a moral, o conhecimento. Nesta nova edição, o pesquisador Richard Zenith estabelece nova ordem, acrescenta trechos recentemente descobertos e descarta outros que só depois da digitalização do acervo do autor puderam ser corretamente compreendidos — a caligrafia difícil dava margem a inúmeros equívocos. Livro fundamental para a compreensão da extensa influência de Pessoa na criação da noção contemporânea de indivíduo, suas páginas revelam o gênio de um autor no seu auge.

Os cantos perdidos da Odisseia: um romance, de Zachary Mason (Tradução de Rubens Figueiredo)
Odisseu está sempre voltando a Ítaca, por mais que os deuses retardem seu regresso à terra natal. Aqui, porém, os acontecimentos escapam a seu controle, e o herói da Guerra de Troia já não se comporta como um guerreiro mítico. Este é um Odisseu de carne e osso, abandonado pelos deuses, que faz a corte a Helena, dá vida a um duplo de Aquiles, enfrenta a ira do ciclope Polifemo e o canto das sereias. E enfim retorna a Ítaca para reencontrar uma Penélope envelhecida e cansada de esperá-lo. Zachary Mason cria 44 cantos para uma história fundadora, reinventado-a a partir de episódios inusitados e explorando as possibilidades imaginativas da literatura.

Poemas, de Wisława Szymborska (Tradução de Regina Przybycien)
Este livro da maior poeta polonesa viva, ganhadora do Nobel e inédita no Brasil, inaugura, ao lado de Omeros, a reedição da coleção de poesia traduzida da Companhia das Letras, com novas capas e projeto gráfico. Aos 88 anos, Wisława Szymborska vive desde menina em Cracóvia, no sul da Polônia. O fato de ter permanecido a vida inteira no mesmo lugar diz muito sobre essa poeta conhecida por sua reserva e extrema timidez. Seus poemas, contudo, viajam pelo mundo. Não são tantos: sua obra inteira consiste em cerca de 250 poemas cuja função, como declarou a poeta no discurso de Oslo, é perguntar, buscar o sentido das coisas. Com sua poesia indagadora, Szymborska foi chamada “poeta filosófica”, ou “poeta da consciência do ser”. No Brasil, teve poemas esparsos publicados em jornais e revistas ao longo dos anos, mas esta edição, com seleção, introdução e tradução de Regina Przybycien, é a primeira oportunidade que tem o leitor brasileiro de lê-la em português. A coletânea de 44 poemas é uma belíssima apresentação à obra dessa importante poeta contemporânea.

Contos e lendas dos Jogos Olímpicos, de Gilles Massardier (Ilustrações de Nicolas Thers; Tradução de André Viana)
No fim do século XIX, o barão de Coubertin, um grande incentivador da prática de esportes nas escolas e admirador incondicional da Grécia, teve uma grande ideia: reviver os antigos Jogos Olímpicos. Assim, em 1986, foram realizadas as primeiras Olimpíadas da era moderna. Desde então, de quatro em quatro anos, homens e mulheres tentam romper os limites físicos da humanidade, de acordo com um dos lemas dos jogos: ser mais rápido, ir mais alto, impor mais força. Os contos deste livro trazem informações sobre a história dos jogos e dados biográficos de alguns atletas ainda pouco conhecidos, entremeados em narrativas de ficção. Alguns deles são cômicos; outros, emocionantes e outros ainda bastante inusitados. Em comum, falam de maneira variada sobre o universo dos esportes, para aqueles que não perdem uma boa história.

Cinco histórias de cinco continentes (Vários autores e ilustradores; Tradução de Heloisa Jahn)
Dizem que as histórias nos fazem viajar sem sair do lugar. Se elas falam de outras culturas, o passeio fica ainda mais interessante. Como numa espécie de volta ao mundo em 120 páginas, este livro apresenta histórias dos cinco continentes do planeta Terra: partindo da Rússia, as narrativas passam pela China, Austrália, Magreb e América do Norte. Um menino que engana a bruxa Baba Yaga com sua esperteza; uma princesinha muito voluntariosa que aprende a sua lição; um papagaio que, com seu sangue colorido, pinta os pássaros; uma lebre que acredita estar sendo perseguida mas acaba descobrindo que tem uma sombra; e uma cigarra que procura um pretendente para casar e acaba arranjando um partidão são os personagens que recheiam esta antologia ilustrada e saborosa.

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