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Escrever sem passar recibo

Por Maria Clara Drummond

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Perguntar o que existe de biográfico num romance é um pouco bobo, afinal, toda ficção tende a ser, ao menos em última medida, uma autobiografia. A pessoa escreve sobre o que sabe, pelo que viveu, leu e sentiu.

Não raro, a gênese de uma criação se encontra num trauma, e às vezes esse trauma é criado a partir de um relacionamento fracassado (amoroso, familiar, afetivo). Neste caso, existem algumas questões a serem consideradas. É ético expor outra pessoa, à sua revelia e sem direito de resposta proporcional, em um romance? E também: quando estamos imbuídos de um sentimento de mágoa, com a visão obnubilada pelo rancor, estamos nas condições literárias ideais para analisar de maneira precisa essas vivências?

No livro As cidades invisíveis, de Italo Calvino, Marco Polo diz que não fala sobre sua cidade natal, Veneza, porque limitar a paisagem de sua infância a palavras seria “cancelar as margens da memória”. Com experiências traumáticas as palavras servem como filtro purificador. Mas a escrita não pode se resumir a catarse com intuitos terapêuticos. Inclusive, acho que não é eficaz o desabafo sem que haja uma preocupação em moldá-lo a uma forma em que ele adquira sentido fora da experiência pessoal. A forma ajuda a ressignificar o sofrimento e transportá-lo para o campo do universal. Aí ele transfere para o leitor, que passa a enxergar sentido em algo inicialmente tão subjetivo.

Digito uma frase num romance e logo vêm dois impulsos distintos: avaliar se está literariamente interessante ou se é apenas para satisfazer instintos de vingança. Nesses momentos, lembro de um documentário produzido pela BBC sobre Sophie Calle, a grande mestre da VigançArt. Repetir como um mantra: “Obras aparentemente íntimas, porém frias e objetivas”. Sou capaz de atingir algo ao menos similar na linguagem do romance? Mais importante: é isso que busco em meu trabalho?

Outro problema é que, ao pincelar o antagonista da vida real com as características ruins que só hoje atribui a ele, é provável que o resultado final denuncie mais os defeitos do próprio autor\narrador que do “vilão”.  Na lindíssima frase de Anaïs Nin: “Não vemos as coisas como são; vemos as coisas como somos”.

“Hoje eu o vejo como um estranho”. Essa frase é comum em rompimentos com pessoas muito íntimas, e carrega nela uma atmosfera que lembra o enredo de O médico e o monstro. O antes e o depois são duas narrativas opostas que convivem na mesma pessoa. Quem se confiou a vida inteira torna-se, da noite para o dia, alguém com toques de perversidade. Como não se perguntar onde estavam essas características cruéis durante os anos de convivência?

Logo após uma discussão com uma amiga, mostrei ao meu analista as cartas que ela me enviou ao longo de mais de dez anos, com declarações de admiração, amor e amizade, criadas em linguagem wannabe Clarice Lispector. Ele sugeriu aproveitá-las no romance que estou escrevendo. Seria um respiro cômico ao livro — ele deu muitas risadas quando mostrei algumas durante a sessão, como a última que recebi, que era um artigo de Luis Felipe Pondé acompanhado da frase: “Para uma terça chuvosa, palavras que fazem a alma sorrir”.

Não à toa, uma das suas palavras de ordem foi: “Esquece as cartas que te escrevi!”. O tom melodramático deu ares de rivalidade anti-feminista anos oitenta, gabando-se de suas conquistas numa performance de ostentação que entendi como um “orgasmo da vaidade”. A vaidade é uma autoestima feita de ar, um falso empoderamento, que precisa de constante confirmação externa de suas qualidades. A rivalidade, então, é o mecanismo perfeito para essa confirmação externa, mesmo que efêmera ou ilusória.

Reflito sobre essas questões ao tentar escrever um romance sobre o tsunami psíquico que durou um ano e meio de minha vida, contrapondo a extensa troca por escrito, as memórias, as análises posteriores. Catarse, perdão, distanciamento emocional; a dor como agente criador e de transformação e não de aprisionamento. A tentativa de usar uma matéria prima crua a serviço de um projeto literário, e não trair esse propósito na tentação de passar um recado barato. Releio estes conselhos que dou a mim mesma até introjetados por completo, o perdão ou o foda-se; o que vier primeiro.

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Maria Clara Drummond nasceu no Rio de Janeiro, em 1986, e é jornalista. Em 2013 publicou seu romance de estreia, A festa é minha e eu choro se quiser (Guarda-Chuva) e em 2015 lançou A realidade devia ser proibida pela Companhia das Letras .

A trajetória de uma personagem

Por Vinicius Felix

Companhia das Letras

Foto: Renato Parada

Estamos no mês de janeiro e isso quer dizer várias coisas, inclusive que Maria Clara Drummond está começando agora a escrever o seu terceiro romance.

E eu não sei disso porque ela contou no Facebook, sua rede social favorita (embora ela tenha feito um post sobre isso). O que acontece é que começar um novo livro em janeiro é um hábito que Maria Clara mantém desde que, por acaso, começou a escrever em um dia 1º A festa é minha e eu choro se quiser, seu primeiro livro. Lembra de como ele começa? “Cara, melhor réveillon da minha vida.”

O tal hábito foi respeitado na hora de escrever A realidade devia ser proibida, seu segundo romance, lançado ano passado pela Companhia das Letras e foco dessa entrevista. Nele, pela primeira vez, a jovem escritora assume a voz de uma narradora para contar justamente uma “pequena trajetória de empoderamento” feminino na vida de Eva. Essa novidade foi o ponto de partida do nosso papo.

Em uma entrevista sobre o primeiro livro você conta que escreveu ele na voz masculina porque tinha medo que o livro soasse como um diário. Você perdeu esse receio para fazer A realidade devia ser proibida ou não?

Então, o primeiro livro eu comecei a escrever muito sem querer e acabou que saiu na voz masculina. Eu até pensei em trocar pra voz feminina porque havia lido uma entrevista do Javier Marías sobre o assunto, só que eu falei “não, acho que vou arriscar e fazer a voz masculina mesmo”. Mas eu tive mais dificuldade em escrever na voz feminina justamente pela questão que eu tinha pensando no primeiro livro. A realidade devia ser proibida teve muitas versões, ao contrário do primeiro. O primeiro eu escrevi de um jato, tipo, foi quase que uma escrita automática. Esse eu tive que fazer várias versões. Comecei a escrever na voz feminina e achei que tava muito melodramático, aí mudei para um narrador neutro no meio do livro e achei que não tava funcionando, então mudei de novo para voz feminina, para a narradora Eva. E eu acho que nessa terceira mudança que a coisa começou a caminhar. Porque eu tive muita dificuldade de ajustar a voz. É engraçado, porque teve toda essa polêmica se pode escrever na voz de outro gênero ou não e pra mim foi muito mais difícil escrever na voz feminina.

Por quê? É a questão mesmo de ficar parecendo um relato muito pessoal?

Sim. Eu não escrevo sobre coisas distantes da minha realidade, acho que quase ninguém hoje em dia escreve. Todos os meus personagens são patchwork de coisas que eu penso, coisas que meus amigos me falam. Tem coisas no livro que pessoas que eram minhas amigas na adolescência falaram e eu guardei. Tem uma hora que uma personagem fala: “Não vale a pena ir pra Paris e não comer no L’Avenue'”. Isso uma menina me falou quando eu tinha 13 anos e eu me lembrei. Acho que na voz feminina eu sempre caio muito na tentação de se eu briguei com um amigo, vou lá e escrevo. Depois eu vejo e penso “Por que isso tá aí? Tem que apagar”. Tenho muito a tentação de me colocar demais, por isso o livro teve tantas versões. Eu fui retirando coisas. Eu falava “não, isso aqui é uma coisa que eu quis escrever porque eu tava sentindo aquilo no momento, mas não tem nada a ver com a história”.

O livro se passa no mesmo universo de A festa é minha e eu choro se quiser, certo? O Davi, narrador do seu primeiro livro, por exemplo, reaparece.

É o mesmo. O primeiro livro se passa ao longo de uns três anos, já esse se passa ao longo de um ano. O Davi começa no A festa… com 24, mas ele termina, sei lá, com 27. Neste livro, ele já é bem mais velho que a Eva, como se tivesse passado algum tempo. Eu quis fazer isso porque eu reparei no primeiro livro que, às vezes, eu falava pras minhas amigas que o Davi é meio babaca e elas falavam “ah, não achei”.

Ele virou meio que um anti-herói, pra ficar em uma definição que o Daniel Galera deu quando falou do livro.

É, eu acho que ele fica muito perto. Como ele é o narrador, ele tá muito colado, você tá vendo o tempo inteiro o lado dele, então é mais difícil de você olhar de longe e falar que ele não foi tão legal em determinado momento. Só que nesse outro livro é o contrário, você em nenhum momento chega perto do Davi. O tempo inteiro você vê ele de uma distância, a Eva não conhece bem ele. A Eva pensa horrores nele, ela tem várias conclusões sobre ele, mas eles se falam pouquíssimo ao longo do livro. Só que ela tem todo um Davi na cabeça, que uma hora é um cara incrível e outra hora é um babaca porque é só o julgamento de uma pessoa que não conhece ele direito. Eu quis fazer essa diferença de um personagem visto de muito perto, de forma que você não tem escolha a não ser simpatizar com ele, e de um personagem visto de muito longe, que aí você só tem, tipo, névoas – “ah, ele é um babaca”, “não, ele é um máximo”. Ele não é nem o máximo nem um babaca, provavelmente.

Para o lançamento de A realidade devia ser proibida, você escreveu no Blog da Companhia um relato sobre sua depressão. Quando eu li seu texto imaginei que fosse um tema que você abordasse no livro, mas isso não acontece de uma maneira clara. A Eva tem depressão?

Então, o Davi no primeiro livro tem depressão. Ali ele fala bastante disso, de remédios e tal. Como isso é um tema muito presente na minha vida, eu no livro original rascunhava algumas coisas, tipo, tinha alguns indicativos de que a Eva pudesse ter depressão. Só que depois eu tirei por uma questão pragmática. Como eram indicativos muito espaçados, um tema que eu apenas pincelava ao longo do livro, eu achei que ou eu falava de verdade ou não falava. Resolvi tirar por uma questão de trama. Mas, sim, acho que é um livro triste, faz sentido.

Essa é sua avaliação? Sem entregar muito o jogo, ele tem um final otimista…

Sim, ela consegue se empoderar, né? Acho que o que eu quis passar no livro, a trajetória da Eva, foi uma pequena trajetória de empoderamento. Porque no início ela fica muito refém das opiniões da mãe, das amigas, muito dependente da figura masculina. O que eu quis passar é ela ganhando autoconfiança, ganhando uma independência maior. O primeiro livro termina de uma forma um pouco niilista, queria que esse terminasse de uma forma positiva, como se fosse um passo na construção da identidade dela.

Contar essa história de empoderamento é importante no momento atual, certo? Em 2015, o debate sobre feminismo chegou para muita gente, ganhou um alcance novo. Você escreveu pensando nesse momento?

É, tem gente que ainda nem sabe o que significa a palavra. Eu escrevi pensando muito nesse momento. O livro era muito mais bandeiroso do que ele tá hoje, do que saiu. Mas mesmo antes de eu enviar para a Companhia das Letras, nem foi edição deles, foi edição minha. Nas primeiras versões era um panfleto, eram monólogos de panfleto. Eu tirei porque não tava fazendo sentido na história, tirei porque não tava bom literariamente. Mas, com certeza, eu espero escrever livros mais feministas a cada vez. Acho que esse é um tema que eu coloco muito, que eu pensei conscientemente o tempo inteiro. Eu queria ter conseguido fazer ele mais panfletário, talvez esse tenha sido o principal dilema, porque era uma mensagem que eu queria muito passar, mas eu tive um pouco de dificuldade de por isso de forma natural e aí acabou que não ficou tão forte quanto eu gostaria.

Você preferiu atenuar a questão para não perder a história.

É, porque se eu escrevesse um panfleto em um livro literariamente ruim não iam querer nem publicar. Eu diminui por questões de literatura, mas acho que é possível você escrever um livro ultra panfletário e super literário, só que é meu segundo livro, eu tentei. Queria ter falado muito mais do que eu falei.

A gente cresce com um entretenimento na cultura mainstream ainda muito machista em questões sutis. Sabe aquele teste para indicar se um filme é feminista ou não? Tem uma mulher na cena? Sim ou não? Essa mulher contracena com um homem ou com uma mulher? Se essa mulher tá contracenando com outra mulher, elas tão falando sobre homem? Você vê todas as comédias românticas, mesmo as boas, de qualidade, são sempre uma mulher querendo um homem, perseguindo um ideal romântico. Acho que essa é a questão da Eva, ela cresceu acreditando que ela devia perseguir esse ideal romântico, que ela só seria feliz ao lado de um homem, porque é isso que a gente aprende. Eu nunca consumi uma cultura muito trash, mas mesmo a cultura mainstream de qualidade aponta para esse lado, essa dependência emocional feminina em relação ao homem.

A Eva até fala em um momento algo do tipo: “Vou nessa festa porque posso encontrar o homem da minha vida”. Ela sofreu com essa pressão cultural.

Ela tem isso. Ela começa o livro com umas ideias muito automáticas do que deveria ser o corpo dela, o cabelo dela. Ela tem a coisa do príncipe encantado, que é um príncipe encantado um pouco diferente, que não é o cara do mercado financeiro, é o cara bem sucedido no meio cultural, mas é um príncipe encantado. Essa ideia de você se projetar através do homem é engraçada, porque ela não quer ser uma cineasta bem sucedida, ela quer namorar um cineasta bem sucedido. Tipo, você terceiriza o sucesso pro namorado. Eu acho que esse pequenos questionamentos do dia a dia que ela tem são os questionamentos que eu lido no meu próprio dia a dia.

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Vinicius Felix é jornalista freelancer.

We accept you, one of us

Por Maria Clara Drummond

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O primeiro beijo, o primeiro livro, a primeira festa, a primeira viagem ou ainda a primeira vez que você se sentiu parte de alguma coisa. A partir de hoje, o blog recebe colaborações semanais de autores convidados a escreverem relatos sobre a primeira vez em que algo importante aconteceu em suas vidas. O primeiro texto é de Maria Clara Drummond, autora de A realidade devia ser proibida, que conta sobre a primeira vez em que vivenciou o sentimento de pertencimento.

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Disseram-me outro dia que a literatura é o lugar do loser, pois bem, então estou em casa. Fora um período excepcionalmente sociável na primeira infância  lembro-me de ser uma criança alegre  todo resto da minha trajetória de vida foi marcada por um profundo sentimento de ser estrangeira a qualquer ambiente social que eu pudesse ser incluída. Desde a adolescência, na mais absoluta solidão, até a juventude, quando tentei me enquadrar nos mais diversos esquemas: de brincão e cabelo alisado trocando beijos com surfistas na Baronetti, me esforçando para parecer menos patricinha aos olhos dos indies cheios de referências da Casa da Matriz, ou à procura de alguma conversa inteligente nos salões do Fasano. A cada fase, buscava um grupo de amigos diferente, tentando me moldar às regras de aceitação vigente, emulando seus códigos, e por mais que tenha feito amigos que me são queridos até hoje, é muito difícil ser feliz quando é preciso um esforço sobrenatural para ser acolhida.

Em 2012, fui convidada para a festa de aniversário da minha amiga Bettina. Estávamos há alguns meses sem nos ver por conta da minha recente mudança para São Paulo, e por isso não conhecia nenhum dos seus amigos presentes. Em dado momento, me vi no pátio interno da casa, onde os convidados sentavam-se em torno de uma grande mesa redonda. À essa altura, eu já ensaiava algumas das características sociais que tenho hoje, como a aparente extroversão, o gestual  expansivo, a verborragia, a fala alguns decibéis acima do normal, o timing para contar algumas histórias como num palco imaginário. E disse: essa semana entrevistei Heloísa Buarque de Hollanda, a mulher que deu a festa que mudou o Brasil!

Todos olharam para mim ao mesmo tempo. Alguns soltaram uma gargalhada expressiva, e em seguida ocorreu um breve silêncio. Um dos meninos que se sentava no canto oposto da mesa, a partir do meu posicionamento no jardim, disse: continua o que você está dizendo. Achei interessante. Então continuei, muito animada, contando sobre a festa narrada no primeiro capítulo de 1968: o ano que não terminou, do Zuenir Ventura. Um dos convidados percebeu que a festa iria dar em merda quando ele pediu ao barman duas doses de whisky e recebeu, em vez de dois copos, duas garrafas de whisky! Percebendo uma receptividade até então inédita na minha vida, prossegui: o Elio Gaspari disse que, depois do réveillon da Helô, o Rio de Janeiro nunca mais foi o mesmo!

É difícil explicitar porque esse momento foi diferente dos anteriores. Talvez tenham se identificado por eles próprios frequentarem uma certa cena noturna que apreciaria o tipo de causação que eu descrevia, mas creditar somente a isso seria bobo e simplista. Acho que a estranheza inerente à minha personalidade que outrora me afastava dos demais para eles fosse bem-vinda. De repente, ser inadequado socialmente passou a ser legal, e essa percepção foi muito libertadora para mim. ­­Finalmente pude ser espontânea sem olhares recriminatórios. É bem provável que eu ainda seja bem mais inadequada que os demais, mas ao menos eu passei a me aceitar como tal, e até mesmo gostar desse meu modo meio sem-noção de me comportar na vida. Muitos que estavam presentes nesse dia se tornaram parte do meu círculo mais íntimo. Desde então, a cada dia que passa faço mais amigos, e em muitos momentos chego até a me sentir amada, o que é sempre uma vitória. Por isso considero o aniversário da Bettina como um divisor de águas. E esta foi a minha primeira sensação de pertencimento.

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Maria Clara Drummond nasceu no Rio de Janeiro, em 1986, e é jornalista. Em 2013 publicou seu romance de estreia, A festa é minha e eu choro se quiser (Guarda-Chuva) e em 2015 lança A realidade devia ser proibida pela Companhia das Letras .

Semana duzentos e setenta e quatro

 

A realidade devia ser proibida, Maria Clara Drummond
Os dilemas e as pressões sociais de Eva podem se parecer com os de qualquer garota da elite. Para quem vê de fora, sua vida se dá entre o restaurante chique e a festa com DJ francês regada a MDMA.  No entanto, tudo que é óbvio sobre Eva será desconstruído pela autora Maria Clara Drummond. Como o ator consciente da farsa encenada, a jovem colocará em evidência cada parte dessas engrenagens sociais.

Galveias, José Luis Peixoto
Pequena aldeia no Alentejo, interior de Portugal, Galveias é onde nasceu José Luís Peixoto. A partir de suas memórias de infância, o autor constrói neste romance o universo de um lugarejo quase parado no tempo, que subitamente se vê diante de um imenso mistério. Com grandes histórias e um elenco de personagens admiráveis, ele traça um retrato da vida rural portuguesa no início dos anos 1980, que vivia então um embate entre a tradição e a inevitável chegada da modernidade, em um momento economicamente difícil para o país. Um livro essencial para compreender a identidade lusitana no mundo contemporâneo.

Poesia antipoesia antropofagia & cia, de Augusto de Campos
Edição revista e ampliada pelo autor volta às livrarias, com a seção & cia., incluindo textos publicados desde então. Os objetos de análise são Ernani Rosas, Oswald de Andrade (novos textos), Sousândrade, Décio Pignatari, Cyro Pimentel, Erthos Albino de Souza e Waldemar Cordeiro, além de reflexões sobre as perspectivas oferecidas à poesia concreta pelas novas tecnologias.

Comando e controle, Eric Schlosser (Tradução  de Laura Teixeira Motta)
Comando e controle explora um dilema existente desde as origens da era nuclear: como desenvolver armas de destruição em massa sem ser destruído por elas?
Escrita com a agilidade de um thriller, esta reportagem de fôlego traz os detalhes sobre o acidente com um míssil nuclear ocorrido nos Estados Unidos em 1980, abarcando uma perspectiva histórica de mais de cinquenta anos. O livro acompanha a trajetória de pessoas comuns. Pilotos de bombardeiros, engenheiros, tripulações e funcionários do governo que arriscaram a vida para evitar um holocausto nuclear.

Companhia das Letrinhas

Charlie Brown não desiste nunca, Charlie M. Schulz (Tradução de André Conti)
Charlie Brown não é capaz de rebater uma bola de beisebol nem de empinar pipa sem que ela seja engolida pela Árvore Comedora de Pipas. Mas ele também não é capaz de desistir de algo que já começou. Então, quando uma certa Garotinha Ruiva se muda para a sua rua, ele decide conquistá-la de qualquer maneira – mesmo que isso signifique participar do concurso de talentos da escola ou entrar numa competição de dança. Será que dessa vez vai dar certo? Todos estão torcendo por Charlie Brown!