mario vargas llosa

Semana trezentos e treze

Companhia das Letras

Mutações da literatura no século XXI, de Leyla Perrone-Moisés
Leyla Perrone-Moisés é uma das críticas mais atentas e curiosas do Brasil. É famosa por descobrir os melhores jovens autores, além de se destacar pela qualidade de seus escritos. Neste livro atual e desafiador, ela lê autores como Jonathan Franzen, Bernardo Carvalho e Roberto Bolaño para tentar compreender como grandes livros continuam a surgir e a impactar os leitores. Como diz a autora na “Apresentação”: “Enquanto a situação do ensino da literatura continuou se degradando, a prática da literatura não só tem resistido ao contexto cultural adverso mas tem dado provas de grande vitalidade, em termos de quantidade, de variedade e de qualidade. E é isso que pretendo mostrar neste livro”.

Soy loco por ti, América, de Javier Arancibia Contreras
Diego García, obituarista de um grande jornal portenho, é enviado como correspondente à Guerra das Malvinas, enquanto trava uma guerra particular consigo mesmo. Santiago Lazar, poeta-pichador nas ruas militarizadas de Santiago do Chile, se torna William White ao se exilar em Londres. Duas décadas depois, é obrigado a reviver um traumático fato do passado. Sergio Vilela, brilhante e inescrupuloso jornalista, entra numa espiral de loucura e poder na Brasília selvagem dos anos oitenta. Condenado ao ostracismo, tenta se redimir ao investigar uma estranha seita que envolve um poderoso político.  Marlon Müller, milionário mimado e rebelde, inicia com outros dois jovens na Cidade do México um movimento controverso que usa a tecnologia para provocar o caos na sociedade midiática globalizada. Com essas quatro histórias interligadas no tempo e no espaço da América Latina dos anos sessenta até os dias atuais, Javier Arancibia Contreras afirma-se como um dos melhores talentos da literatura brasileira contemporânea.

Viva a língua brasileira!, de Sérgio Rodrigues
Este livro é uma declaração de amor à língua portuguesa falada no Brasil. Em forma de verbetes rápidos e instrutivos, dá dicas e tira dúvidas que você sempre teve sobre o uso do idioma. Contra aqueles que defendem que só os irmãos de Portugal sabem tratar a gramática como ela merece, aqui está um antídoto. Contra aqueles que adoram corrigir o que nunca esteve errado e defendem bobagens, aqui está a resposta perfeita. Contra o analfabetismo funcional, o pedantismo do juridiquês, a barbaridade do corporativês, a importação servil de estrangeirismos e o chiclete viciante do clichê, este é um manual perfeito para usar nossa língua em toda sua riqueza e sem nenhum preconceito.

Alfaguara

A literatura como turismo, de João Cabral de Melo Neto (seleção e texto Inez Cabral)
Nesta antologia, a poesia de João Cabral e as memórias de Inez Cabral, sua filha, revelam a faceta mais íntima de um dos maiores escritores da literatura brasileira. Ao longo de seus quase cinquenta anos de carreira diplomática, João Cabral de Melo Neto morou em países como Espanha, Inglaterra, Senegal, Equador e Honduras. A cultura e a paisagem desses lugares marcaram sua poesia de forma expressiva. Sevilha talvez tenha sido a cidade mais cantada pelo poeta, mas não foi, de modo algum, a única. No Equador, por exemplo, o fascínio pela natureza e os índios dos Andes produziu joias como “O corredor de vulcões” e “O índio da Cordilheira”. Entrelaçados a esses poemas, os relatos memorialistas de Inez Cabral revelam ao leitor aspectos cotidianos da vida de João: seus hábitos, opiniões e gostos.

Morte e vida Severina – auto de natal pernambucano, de João Cabral de Melo Neto
Publicado pela primeira vez há sessenta anos, o poema mais conhecido de João Cabral mudou os rumos da poesia no Brasil. Um dos poemas mais populares de João Cabral de Melo Neto, “Morte e vida severina” dá voz aos retirantes nordestinos e ao rio Capibaripe, em cenas fortes e contundentes. Clara crítica social, o autor descreve a viagem de um sertanejo chamado Severino, que sai de sua terra natal em busca de melhores condições de vida. Durante a jornada, Severino se encontra tantas vezes com a Morte que, desiludido e impotente, percebe que a luta é inútil — como ele, tantos outros severinos padecem com a miséria e o abandono. Apenas o nascimento de um bebê, uma criança-severina, renova as esperanças e o espírito cansado daquele que já não tinha motivos para continuar a viver.

Cinco esquinas, de Mario Vargas Llosa (tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman)
Uma sociedade permeada pela corrupção e pelo jornalismo sensacionalista é examinada pela lupa sensual do vencedor do Nobel, Mario Vargas Llosa. A amizade de Marisa e Chabela se transforma quando, presas tarde da noite na casa de uma delas, as duas se veem sozinhas, deitam-se na mesma cama e, sem conseguir dormir, dão asas aos seus mais reprimidos desejos. Quique e Luciano, seus maridos e amigos de longa data, são empresários peruanos de sucesso e não desconfiam de nada. Na verdade, Quique não tem tempo para isso. Ao receber a visita de um jornalista que possui fotos comprometedoras, ele se vê enredado num submundo de intriga e violência controlado pelas mais altas esferas do poder. Parte romance de costumes — na melhor tradição de Travessuras da menina má — parte suspense, Cinco esquinas é um livro envolvente, que retrata uma sociedade às voltas com a corrupção e o terrorismo, acossada pelo jornalismo sensacionalista, mas que luta até o fim pela liberdade.

Seguinte

Outra página de cada vez – Motivação para hoje e amanhã, de Adam J. Kurtz (tradução de Henrique de Breia e Szolnoky)
Com muita criatividade, humor e um toque de autoajuda, o designer americano Adam J. Kurtz encantou os brasileiros com seu primeiro livro, 1 página de cada vez. Lançado em 2014, ele já vendeu mais de cem mil cópias no país. Agora Adam está de volta com Outra página de cada vez, que reúne novas atividades capazes de melhorar o nosso dia a dia de maneira lúdica. Lançando mão de novo de um traço simples e elegante, ele propõe outras brincadeiras e questionários que levam o leitor a pensar ou simplesmente levantam a nossa moral nessa época difícil. Sempre com inteligência e sensibilidade. Algumas páginas são só para ler e pensar, mas nem por isso são menos divertidas. Como no primeiro livro, você pode fazer várias atividades de uma vez ou abrir o livro de vez em quando e brincar. Um raio de sol em tempos de trovoadas.

O livro de memórias, de Lara Avery (tradução de Flávia Souto Maior)
Uma história emocionante sobre aprender a viver quando a vida não sai como a gente espera. Sammie sempre teve um plano: se formar no ensino médio como a melhor aluna da classe e sair da cidade pequena onde mora o mais rápido possível. E nada vai ficar em seu caminho – nem mesmo uma rara doença genética que aos poucos vai apagar sua memória e acabar com sua saúde física. Ela só precisa de um novo plano. É assim que Sammie começa a escrever o livro de memórias: anotações para ela mesma poder ler no futuro e jamais esquecer. Ali, a garota registra cada detalhe de seu primeiro encontro perfeito com Stuart, um jovem escritor por quem sempre foi apaixonada, e admite o quanto sente falta de Cooper, seu melhor amigo de infância e de quem acabou se afastando. Porém, mesmo com esse registro diário, manter suas lembranças e conquistar seus sonhos pode ser mais difícil do que ela esperava.

Sou fã! E agora?, de Frini Georgakopoulos
Fã que é fã adora conversar, discutir, interagir. Mas nem sempre temos por perto um amigo tão fanático quanto a gente para desabafar. Foi pensando nisso que Frini Georgakopoulos, uma fã de carteirinha, escreveu este livro: um manual de sobrevivência voltado para quem é apaixonado por livros, filmes, séries de TV… Com uma linguagem rápida e divertida, Sou fã! E agora? é uma mistura de artigos breves e atividades interativas que convidam a refletir sobre os motivos para curtirmos tanto as histórias, além de ajudar a descobrir o que fazer com todo esse amor: criar seu próprio cosplay, escrever uma fanfic, organizar um evento, começar um blog ou canal e muito mais!

Reimpressões

Branca de neve e as sete versões, de José Roberto Torero
Tá gravando. E agora?, de Kéfera Buchmann
Macunaíma (nova edição), de Mário de Andrade
A queda dos reinos, de Morgan Rhodes
Por lugares incríveis, de Jennifer Niven
Lolita, de Vladimir Nabokov
Amor sem fim, de Ian McEwan
Amsterdam, de Ian McEwan
Costumes em comum, de E. P. Thompson
Depois a louca sou eu, de Tati Bernardi
Poemas, de Wislawa Szymborska
Sejamos todos feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie
Steve Jobs, de Walter Isaacson
Trópicos utópicos, de Eduardo Giannetti
A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera
Felicidade dá lucro, de Márcio Fernandes
O menino no alto da montanha, de John Boyne

Madrastas, peruanas e meninas más

Por Marcelo Ferroni

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Em seu novo romance, Vargas Llosa volta à boa forma, misturando um thriller político — sobre a corrupção governamental e o jornalismo sensacionalista no Peru dos anos 1990 — a uma história com pitadas eróticas. É o 18º romance do escritor peruano. Lançado em março deste ano na Espanha e na América Latina, mês do aniversário de 80 anos do autor, Cinco esquinas se tornou sucesso imediato.

Vargas Llosa recebeu o Prêmio Nobel em 2010. Seus dois romances seguintes, O sonho do celta (2010) e O herói discreto (2013), seguiam com ênfase pelo lado do thriller político. São livros mais sérios, no caso do primeiro baseado em fatos reais, que se concentram muito na corrupção do poder e nas lutas contra o autoritarismo, e pouco mostram desse seu lado mais bem-humorado e leve. Em Cinco esquinas, no entanto, ele conseguiu aliar tudo numa só história. E com uma boa dose de erotismo, que traz à tona dois de seus grandes sucessos, Travessuras da menina má e Elogio da madrasta. É difícil ler o novo romance sem pensar neles.

Travessuras, lançado em outubro de 2006, conta a história de Lily, uma garota ousada e independente, que reencontra o narrador em diferentes momentos da vida. A cada reencontro, ela lhe conta suas novas e picantes histórias. O livro inaugurou o selo Alfaguara no Brasil, há dez anos, e ficou por meses na lista de mais vendidos por aqui.

Depois do êxito de Travessuras, a Alfaguara relançou boa parte da obra de Vargas Llosa no Brasil, incluindo títulos emblemáticos, como A cidade e os cachorros e Pantaleão e as visitadoras. Em 2009, foi a vez de um livro menos conhecido dele, Elogio da madrasta, que havia saído originalmente no Brasil no final dos anos 1980. Em seu relançamento, talvez pelo sucesso de Travessuras, e contra todas as expectativas, o livro entrou na lista de mais vendidos e se tornou um dos grandes sucessos recentes de Vargas Llosa. Ele conta a história de Fonchito, um garoto que se envolve com Lucrecia, sua madrasta, numa linha delicada entre paixão e inocência.

Agora, em Cinco esquinas, um dos fios condutores narra as aventuras de Marisa e Chabela, amigas de longa data, ambas felizes no casamento, cuja amizade se transforma quando, presas tarde da noite na casa de uma delas, e com os maridos viajando, dividem inocentemente a mesma cama. Muito próximas, silenciosas no meio da madrugada, elas lentamente começam a se tocar e, bom, fazem de tudo, menos dormir.

Em contraponto a essa relação, está a história de Quique e Luciano, os maridos, também amigos de longa data, empresários peruanos de sucesso. Quique recebe em seu escritório a visita de um jornalista do semanário Revelações, com fotos comprometedoras suas. Ele logo se vê enredado num submundo controlado pelas mais altas esferas do poder: o próprio presidente Alberto Fujimori — para quem, aliás, Vargas Llosa perdeu as eleições presidenciais em 1990 — e seu implacável chefe de Segurança de Estado.

A mistura desses elementos torna Cinco esquinas um livro imperdível, com muitas pitadas de outros de seus grandes temas, como o Peru corrupto e a guerra pelo poder; jornalistas que se envolvem com uma trama que não podem compreender; um país rural e violento, mas também surpreendente.

* * * * *

Marcelo Ferroni é publisher da Alfaguara e autor dos livros Método prático da guerrilha Das paredes, meu amor, os escravos nos contemplam, publicados pela Companhia das Letras.

Os 80 anos de Mario Vargas Llosa

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Nesta segunda-feira, 28 de março, o escritor peruano Mario Vargas Llosa, único vencedor do Nobel de Literatura latino-americano ainda vivo, comemora 80 anos. Autor de mais de 30 romances, ensaios, peças e livros infantis, Llosa deve celebrar em grande estilo. Segundo informações da imprensa internacional, são aguardados cerca de 400 convidados no exclusivo hotel Villa Magna, em Madri, entre eles os ex-presidentes da Espanha Felipe González e José María Aznar, o ex-mandatário da Colômbia Álvaro Uribe e o ex-presidente do Chile Sebastián Piñera, além do também Nobel da Literatura Orhan Pamuk e de Isabel Preysler, atual mulher de Vargas Llosa.

Ainda dentro das comemorações, a biblioteca Mario Vargas Llosa em Arequipa receberá um lote com mais de 3 mil publicações do acervo do autor. Desde 2012, Vargas Llosa anunciou a doação de 30 mil livros para a biblioteca em sua terra natal no Peru. Entre tantas honrarias, talvez a mais emblemática seja a edição pela prestigiosa La Pléiade, da editora francesa Gallimard, de uma seleção com as obras mais emblemáticas do autor, um feito raro para um escritor ainda vivo e inédito entre autores que não nasceram na França.

No Brasil, a Alfaguara acaba de lançar uma edição em capa dura, ilustrada por Zuzanna Celej, do romance infanto-juvenil O barco das crianças, em que Llosa retoma o personagem Fonchito, desta vez já um pré-adolescente. Em 9 de maio, o escritor virá a São Paulo para o ciclo de debates Fronteiras do Pensamento no Instituto Tomie Ohtake.

Llosa é também notícia na imprensa brasileira. O jornal O Globo preparou um especial em seu site com um texto sobre a vida e a obra do escritor, e disponibilizou o acesso para assinantes a matérias sobre Llosa publicadas pelo veículo nas últimas três décadas. Em sua última edição, a revista IstoÉ chama a atenção para o lançamento de O barco das crianças por aqui e a publicação do romance Cinco esquinas, ainda inédito no Brasil, na Espanha, na França e no Peru. A Época também destaca em nota o último lançamento do autor no Brasil.

Aqui no blog, preparamos uma homenagem ao escritor peruano com uma lista de 12 títulos publicados no Brasil pela Alfaguara — entre romances, ensaios e obras voltadas para o público infantil e juvenil — e uma seleção de links para vídeos e artigos sobre o autor. Confira!

A cidade e os cachorros (Romance de estreia de Mario Vargas Llosa)

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A cidade e os cachorros é considerado hoje um clássico da literatura latino-americana. Com um história de fundo autobiográfico, sua trama se desenvolve no Colégio Militar Leoncio Prado, em Lima, onde um violento código de conduta permeava o cotidiano dos cadetes — experiência vivida pelo próprio autor, enviado para lá ainda menino pelo pai autoritário.

Leia um trecho do livro em tradução de Samuel Titan Jr. para a Alfaguara, a crítica de Luiz Zanin Oricchio sobre o romance de formação de Mario Vargas Llosa e veja um trecho do filme de 1985 dirigido pelo cineasta Francisco Lombardi em matéria do Estadão de 2012.

A casa verde

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Publicado originalmente em 1966, o romance recebeu no mesmo ano o Prêmio da Crítica, na Espanha, e, em 1967, o Prêmio Internacional de Literatura Rómulo Gallegos, na Venezuela, como melhor romance em língua espanhola. Vargas Llosa tinha apenas 29 anos quando terminou o livro. Antes, já havia tido grande sucesso com a publicação dos contos reunidos em Os chefes (1959) e com o lançamento de seu primeiro romance, A cidade e os cachorros (1963). Com A casa verde, ele se firmou como um dos principais autores latino-americanos dos anos 1960.

Conversa no Catedral

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Publicado originalmente em 1969, Conversa no Catedral é um dos livros mais importantes do autor Prêmio Nobel de Literatura, além de uma das obras mais contundentes da ficção latino-americana do século XX. Vargas Llosa narra uma história ambientada em um período de grande insatisfação política, em que os protagonistas da trama apresentam, cada um à sua maneira, ligações com a ditadura do general Manuel Odría (de 1948 a 1956). O próprio romancista chegou a declarar que “se tivesse que salvar do fogo só um dentre os (romances) que escrevi, salvaria este.”

Leia mais sobre o livro na matéria do jornal espanhol El País em português.

A festa do bode

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Considerado um dos romances mais importantes de Mario Vargas Llosa,  A festa do bode recria a República Dominicana de meados do século XX para recontar a história do general Rafael Leonidas Trujillo Molina — o “Bode” — e a implacável ditadura que implantou no país durante seus 31 anos de governo. Com uma pesquisa histórica rigorosa e uma preocupação flaubertiana pelos detalhes, Llosa propicia um mergulho em um dos momentos mais dramáticos da história recente da América Latina

A guerra do fim do mundo

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A guerra do fim do mundo pode ser considerado um raro exemplar dentro da vasta bibliografia de Mario Vargas Llosa, uma vez que não segue o caminho traçado na maioria de suas obras. Em vez de optar por uma reunião de memórias e personagens familiarizados com sua vida pessoal, o autor mergulhou no sangrento confronto da Guerra de Canudos para tentar decifrar a verdadeira face por trás do mito chamado Antônio Conselheiro. Em 1977, Vargas Llosa iniciou este romance, após se encantar, cinco anos antes, com a leitura de Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha, obra que registrou o conflito com detalhes minuciosos e impressionantes. Um dos personagens, inclusive, é um jornalista com traços inspirados no próprio Euclides, principalmente pelo seu aspecto frágil.

Os cadernos de dom Rigoberto

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Os cadernos de dom Rigoberto é um livro sobre a arte de amar, em suas formas mais variadas e profundas. Lançado originalmente em 1997, tornou-se um sucesso mundial. No romance, Llosa retoma os personagens de seu romance Elogio da madrasta, de 1988, para narrar uma nova história de paixões e intrigas. Dom Rigoberto, embora seja um homem discreto, leva uma vida dupla. De dia, comporta-se como um senhor respeitável e de hábitos metódicos. À noite, aproveita as madrugadas insones para registrar fantasias amorosas em seus cadernos. Neles, sua ex-mulher, a voluptuosa Lucrecia, ocupa sempre o espaço da personagem principal.

Travessuras da menina má

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Nos anos 50, no bairro aristocrático de Miraflores, em Lima, o jovem Ricardo Somocurcio se apaixona pela estonteante e misteriosa “chilena” Lily. Depois de descobrir que, na verdade, ela é peruana e de origem humilde, ele a perde de vista, mas não consegue esquecê-la. Ricardo, um intérprete da ONU sem grandes ambições, e Lily, mulher fria e manipuladora que vive mudando de nome e de marido conforme as conveniências, se reencontram ao longo da vida, em diferentes momentos e em várias cidades do mundo. Segundo Vargas Llosa, este é um romance que desejava escrever há muito tempo. “É uma história de amor, um amor moderno, condicionado pelo mundo em que vivemos e que está muito mais próximo da realidade do que os amores românticos da literatura.”, afirmou ao El País.

Leia a entrevista publicada na Folha de S. Paulo em dezembro de 2006 sobre o romance Travessuras da menina má, um dos maiores êxitos comerciais do autor no Brasil.

Pantaleão e as visitadoras

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Publicada em 1974 e adaptada para o cinema, Pantaleão e as visitadoras é uma das obras mais populares e divertidas de Mario Vargas Llosa. Pantaleão Pantoja, um capitão recém-promovido do exército, recebe uma missão inesperada: criar um serviço de prostitutas para as Forças Armadas do Peru isoladas na selva amazônica, dentro do mais absoluto sigilo militar. O capitão tem que se mudar para Iquitos, se manter afastado dos demais militares, usar trajes civis e, acima de tudo, não contar nada à mãe e à mulher. É obrigado a trabalhar nas madrugadas, bebendo em bares infectos, e cuidar do empreendimento com personagens insólitos.

Veja o trailer da adaptação do romance para o cinema pelo diretor Francisco Lombardi:

A orgia perpétua – Flaubert e Madame Bovary

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Neste ensaio memorável, Vargas Llosa mescla memória e erudição para falar de um autor essencial para a arte do romance: Gustave Flaubert. Llosa não fala apenas “por que Madame Bovary remexeu camadas tão profundas do meu ser, por que me deu o que outras histórias não conseguiram me dar”, conta também as circunstâncias em que Flaubert o escreveu, de suas dificuldades para encontrar “a palavra justa” em cada frase, e de suas frequentes discussões e ideias sobre a literatura. A orgia perpétua é uma porta de entrada ao mundo flaubertiano, mas é também uma experiência emocionante sobre a força transformadora da ficção.

Leia a entrevista do escritor para o Estadão em novembro de 2015 em que Llosa fala sobre o impacto da leitura de Flaubert ao chegar a Paris em 1959. “O texto me deu prazer como leitor, mas me ajudou a descobrir o tipo de escritor que eu queria ser.”

A civilização do espetáculo

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A banalização das artes e da literatura, o triunfo do jornalismo sensacionalista e a frivolidade da política são características da sociedade contemporânea: a ideia temerária de converter em bem supremo a natural propensão humana para o divertimento. Este é o tema central deste ensaio de Mario Vargas Llosa. Em A civilização do espetáculo, o escritor defende que no passado a cultura era uma espécie de consciência que impedia que virássemos as costas para a realidade. Hoje, lamenta o escritor, a cultura atua como mero mecanismo de distração e entretenimento.

Em conferência de abertura do Fronteiras do Pensamento em 2013, Mario Vargas Llosa apresenta uma visão crítica sobre a produção cultural contemporânea. Segundo o autor, o livro de ensaios A civilização do espetáculo é “uma defesa rigorosa da importância da cultura e uma crítica da busca desenfreada pelo entretenimento light”:

Fonchito e a Lua

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Fonchito e a Lua é o primeiro livro infantil do autor peruano e vencedor do Prêmio Nobel de literatura em 2010. Originalmente, faz parte do projeto da Alfaguara espanhola de publicar os grandes nomes da literatura do país para crianças menores de dez anos. No livro, o pequeno Fonchito morre de vontade dar um beijinho no rosto de Nereida, a menina mais bonita da escola. Mas como nem tudo é tão simples, Nereida só aceitará o carinho se Fonchito puder lhe trazer, nada mais nada menos, do que a Lua! Em Lima, a Lua aparece muito pouco já que o céu quase sempre está nublado. Mas como nada é impossível, no terraço de sua própria casa, numa noite de sorte, Fonchito descobrirá uma maneira de conseguir o que tanto queria.

O barco das crianças

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Mario Vargas Llosa dedica o livro ao público mais jovem, construindo uma narrativa digna da tradição dos grandes contadores de histórias. Diariamente, ao se preparar para ir à escola, Fonchito vê de sua casa um homem sentado no banco do parque, contemplando o mar. Intrigado, resolve ir ao seu encontro e perguntar o que ele procura ali. O velhinho, com um sorriso nos lábios, decide compartilhar com Fonchito uma história tão antiga quanto extraordinária. Assim, sempre antes de o ônibus da escola chegar, Fonchito ouve um novo capítulo das aventuras de um barco cheio de crianças que, desde a época das Cruzadas, singra os mares do mundo. Inspirado pelo conto A cruzada das crianças, de Marcel Schwob (1867-1905), Llosa compõe uma bela ficção histórica com ecos de fábulas e mitos antigos.

Semana duzentos e sessenta e seis

Te vendo um cachorro, Juan Pablo Villalobos (Tradução de Sérgio Molina)
Te vendo um cachorro trata de uma mãe e de um vendedor de tacos obcecados por cães. Ela para aplacar a solidão; ele para lucrar um pouco mais com o seu negócio. É também a história de um garoto que herdou, não se sabe se por destino ou talento, a taqueria do tio e, com ela, a técnica de preparar tacos à base de filés caninos… Mas é possível que o cerne desse romance seja mesmo ironizar os desejos sexuais, a velhice, a vida adulta, a juventude, a literatura, os religiosos, os críticos, os leitores e o México.

A conexão Bellarosa – 4 novelas, Saul Bellow (Tradução de Caetano Waldrigues Galindo e Rogério Galindo)
As quatro novelas deste volume, escritas na fase final da vida do autor – Um furto, A conexão Bellarosa, Uma afinidade verdadeira e Ravelstein -, são o testemunho do talento e da vitalidade do maior renovador do romance americano depois de William Faulkner. Com temas como a perseguição ao próprio passado, as tragédias do século XX, o adultério e a comédia da vida intelectual, as histórias são tão divertidas e leves quanto melancólicas e intrincadas. Um triunfo.

Alfaguara

A orgia perpétua – Flaubert e Madame Bovary, Mario Vargas Ll0sa (Tradução de José Rubens Siqueira)
Neste ensaio memorável, Vargas Llosa mescla memória e erudição para falar de um autor essencial para a arte do romance: Gustave Flaubert. Vargas Llosa não fala apenas “por que Madame Bovary remexeu camadas tão profundas do meu ser, por que me deu o que outras histórias não conseguiram me dar”, fala também das circunstâncias em que Flaubert o escreveu, de suas dificuldades para encontrar “a palavra justa” em cada frase, e de suas frequentes discussões e ideias sobre a literatura. A orgia perpétua é uma porta de entrada ao mundo flaubertiano, mas é também uma experiência emocionante sobre a força transformadora da ficção.

A linha azul, Ingrid Betancourt (Tradução de Julia da Rosa Simões)
Buenos Aires, década de 1970. Julia, uma jovem que tem o misterioso dom de prever o futuro, se apaixona por Theo – um ativista político idealista. O caso de amor faz com que Julia se una à luta contra a ditadura argentina, marcando profundamente a trajetória de ambos. Mais tarde, grávida de poucos meses, Julia e Theo são capturados pelos militares. Após um período de torturas inimagináveis, eles conseguem. Somente anos depois, refugiados nos Estados Unidos, terão a chance de se reencontrar. Contudo, o casal nunca mais será o mesmo.

Um homem chamado Ove, Frederik Backman (Tradução de Paulo Chagas de Souza)
Ove tem cinquenta e nove anos e não gosta muito das pessoas. Afinal, hoje em dia ninguém mais sabe trocar um pneu, escrever à mão ou usar uma chave de fenda. Ninguém mais quer trabalhar e assumir responsabilidades. Todo mundo é jovem, usa calça justa e só quer saber de internet. Para Ove, uma sociedade em que tudo se resume a computadores e café instantâneo só pode decepcioná-lo. Como se isso não bastasse, a única pessoa que ele amava faleceu. Sem sua esposa, a vida de Ove perdeu a cor e o sentido. Meses depois, ele toma uma decisão: vai dar fim à própria vida. No entanto, cada uma de suas tentativas é frustrada por algum vizinho incompetente que precisa de ajuda. Mas, quando uma estranha família se muda para a casa ao lado, Ove aos poucos passa a encarar o mundo de outra forma.

O elefante e a porquinha: Posso brincar também, Mo Willems (Tradução Nina Lua)
Em Posso brincar também?, o Elefante e a Porquinha estão brincando de jogar e pegar a bola quando aparece uma nova amiga para participar do jogo: a cobrinha. Mas cobras não tem braços e eles não sabem como dizer isso a ela. Será que conseguirão encontrar um jeito de incluí-la na brincadeira?

Suma de Letras

O risco, Rachel Van Dyken (Tradução de Flora Pinheiro)
Beth nunca fez nada de arriscado. De inconsequente. De divertido. Isso é, até acordar em um quarto de hotel ao lado de Jace, um senador sexy, que ela reencontrou em uma festa de casamento na noite anterior. O problema é que sua última lembrança da noite é estar na cama, abraçada a uma caixa de biscoitos, chorando copiosamente. E Jace também não se recorda de muito mais. Outro problema? Eles foram fotografados entrando juntos no hotel, e agora a mídia está em polvorosa, especulando quem é a misteriosa acompanhante do senador. Uma amiga? Uma antiga namorada? Uma… prostituta?