mia couto

Semana trezentos e sete

Companhia das Letras

Farewell, de Carlos Drummond de Andrade
Publicado em 1996, Farewell é um livro póstumo de poemas de Carlos Drummond de Andrade. Mesmo tendo sido lançado nove anos após a morte do autor, esta é uma obra fundamental que toca em temas centrais da poética do escritor mineiro: o tempo, o amor, a brevidade da vida, a família, o encantamento pelos cinco sentidos. A melancolia de mãos dadas com o humor gauche, algo canhestro. A suave metafísica e a ironia delicada. Minas e o vasto mundo. Depuração de uma carreira exemplar e rara em nossas letras, Farewell reafirma, com a sensibilidade característica de seu autor, o percurso formal e ético de Carlos Drummond de Andrade.

Poemas escolhidos, de Mia Couto
O escritor moçambicano Mia Couto tem grande incursão na prosa, com livros de contos, crônicas e romances premiados, mas a poesia sempre fez parte de seu universo criativo e segue como uma de suas formas de expressão favoritas. Para esta antologia poética, o autor selecionou poemas de seus livros Idades cidades divindades, Raiz de orvalho e outros poemas e Tradutor de chuvas.

Seguinte

Uma canção de ninarde Sarah Dessen (tradução de Flávia Souto Maior)
Remy não acredita no amor. Sempre que um cara com quem está saindo se aproxima demais, ela se afasta, antes que fique sério ou ela se machuque. Tanta desilusão não é para menos: ela cresceu assistindo os fracassos dos relacionamentos de sua mãe, que já vai para o quinto casamento. Então como Dexter consegue fazer a garota quebrar esse padrão, se envolvendo pra valer? Ele é tudo que ela odeia: impulsivo, desajeitado e, o pior de tudo, membro de uma banda, como o pai de Remy — que abandonou a família antes do nascimento da filha, deixando para trás apenas uma música de sucesso sobre ela. Remy queria apenas viver um último namoro de verão antes de partir para a faculdade, mas parece estar começando a entender aquele sentimento irracional de que falam as canções de amor…

Suma de Letras

Guia astrológico para corações partidos, de Silvia Zucca (tradução de Joana Angélica D’Avila Melo)
Quando Alice recebe, na mesma semana, a notícia de que seu ex vai se casar e de que a empresa onde trabalha contratou um consultor chamado David Nardi para avaliar e demitir parte do pessoal, ela tem certeza de que está vivendo um inferno astral. E tem razão. Tito, seu melhor amigo e superentendido de astrologia, jura que é um péssimo momento para ser de Libra, mas que as estrelas também estão lá para nos dizer os dias mais auspiciosos para a esfera profissional ou para encontrarmos nossa alma gêmea. Embora cética, Alice decide apostar nas dicas de seu guia astrológico, mas, estranhamente, a astrologia não a protege de encontros péssimos, decepções terríveis e algumas pequenas surpresas emocionantes. Por exemplo: por que David lhe parece cada vez mais interessante, se seus quadros astrológicos são a combinação para um desastre?

Companhia das Letrinhas

Marco queria dormir, de Gabriela Keselman (ilustrações de Noemí Villamuza e tradução de Mell Brites)
À noite, parece que tudo se transforma: o que é pequeno fica grande, o que é concreto vira abstrato e as coisas são engolidas pela escuridão. Era por isso que Marco não conseguia dormir. Para ajudá-lo, sua mãe tenta de tudo: cria um traje antimosquitos, escreve uma carta à Lua, arranja um bastão de escalada para manter o filho firme na cama… Mas será que Marco precisava mesmo de tudo isso? Às vezes, o que está faltando para uma noite tranquila é algo mais simples, que não tem forma nem cor, mas muda alguma coisa dentro da gente.

Na berma de tantas Moçambiques

Por Angelo Abu

capasmia

Há alguns anos, utilizando a técnica de recorte e colagem, ilustrei um livro chamado Dima, o pássaro que criou o mundo, uma antologia de contos de autores de todos os países lusófonos organizado pela editora Melhoramentos. No final do ano passado, o Alceu, diretor de arte da Companhia das Letras, viu as tais imagens em meu site e propôs como teste que eu refizesse duas das capas do renomado escritor moçambicano Mia Couto utilizando aquela mesma técnica. A editora estava com planos de refazer todas as capas de quatorze volumes do autor que eles editam, com exceção de uma trilogia mais recente em que todos os três volumes são ilustrados pelo talentoso Marcelo Cipís. Caso essas duas primeiras capas passassem no teste, caberia a mim refazer as quatorze!

Conhecia o Mia apenas de entrevistas e por amigos. Ainda não havia lido nada dele, mas sabia do peso de seu nome e, logo, do tamanho da minha missão.

Passei, então, duas semanas mergulhado na leitura de A confissão da leoa e de O último voo do flamingo.

À medida que adentrei no primeiro livro, ele me encantou com sua atmosfera misteriosa e feminina. A partir do momento em que percebi aquele clima na história, a imagem que buscava se revelou muito explicitamente enquanto lia, na poética e emblemática cena do encontro de olhares entre a leoa que sacia sua sede e a protagonista que tinge o rio com gotas vermelhas do ciclo de seu sangue. Aquela era a cena síntese da história.

Primeiro estudo de leoa

Passei, então, a pesquisar imagens de leoas bebendo água para, a partir dali, começar a recortar. As primeiras me pareceram muito explícitas, pouco étnicas, quase cartunescas. Por isso, achei que ficaria mais elegante, mais no tom da história, se me baseasse não em leoas em si, mas em representações moçambicanas delas. Assim, decidi me basear em máscaras africanas de leoas. O sangue escorrido da protagonista foi apenas insinuado com alguns pedaços de papel vermelho rasgado. O resto da composição deveria ser construído pela vegetação ribeirinha, que delimitaria o rio com sua simples ausência. O fundo preto terminaria de compor o clima inconsciente do mistério feminino.

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Já em O último voo do flamingo, a pequena lenda que dá título ao livro – que simboliza a última gota de esperança em um país desolado pela guerra – se repete ao longo da história, quase se impondo como imagem. Sentia-me um pouco resistente em ser mais uma vez literal ao incluir na imagem o animal contido no título. A princípio, pensei em manter do flamingo apenas a cor rosa no céu de fundo, cuja luz crepuscular quase apocalíptica era pertinente ao ocaso histórico da narrativa. Cogitei substituir a ave por outros elementos da história, como capacetes azuis dos soldados explodidos pendurados nas árvores, por exemplo. Mas ao final não resisti à forma expressiva e sinuosa do corpo dos flamingos e acabei optando, mesmo correndo o risco de estar sendo óbvio, por sua silhueta, que pelo menos é um pouco menos explícita que a imagem completa. Para completar, deixei o chão todo fragmentado por blocos de papel rasgado, remetendo ao país em decomposição que é apresentado no texto.

O Uultimo voo do Flamingo

Para minha grande alegria, as duas capas foram aprovadas pelo editor e pelo autor. Dali em diante, mergulharia profundamente no universo do Mia. Mesmo já havendo ilustrado cinco das quatorze capas, não descarto ainda a possibilidade de fazer uma visita a Moçambique. Para isso, estou tentando um contato com o autor através da editora, mas tudo ainda um tanto incerto.

O primeiro que recebi dos doze livros seguintes foi Terra sonâmbula. A princípio, os guerreiros naparama foram os principais candidatos a figurarem na capa, por sua força simbólica na história. Mas ao final da leitura, percebi que a única constante naquele mundo de terras movediças era o ônibus batido no embondeiro (baobá). Repeti o recurso da fragmentação da terra agora no céu entremeado por pontos de luz-estrelas. Explorei na composição a forma de ampulheta, expandindo as raízes e os galhos do Baobá para a eternidade fora da página, para dialogar com o tempo daquela história.

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Em seguida veio O outro pé da sereia, cuja cena inicial da estrela (meteoro) caindo em chamas se imprimiu espontaneamente em todo o resto de minha leitura. Acabei incluindo ele na imagem de modo estilizado, na forma de um rasgão revelando cores quentes à esquerda da composição. À direita incluí a sereia do título, que na verdade é N. Senhora D’Ajuda. Optei por omitir o rosto e a coroa, que cheguei a fazer, para que os leitores tivessem maior margem para projetar, como no livro, suas próprias sereias na santa. O azul do manto foi dado pelo texto, e as estrelas estampadas nele são em referência à estrela cadente que substituí pelo rasgão.

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A mais difícil de todas até agora foi a mais recente, Venenos de Deus, remédios do diabo. As relações humanas eram o ponto forte da história, sem grandes ícones visuais ou alegorias no texto. Havia um lírio branco que se torna uma mão em um jarro, mas que não era muito significativo para a história. Seguia lendo, percebendo cada vez mais que era um texto de personagens. Pesquisava a população daquele país pela internet, no entanto ainda meio hesitante em escolher uma indumentária que fosse estereotipada, equivocada ou algo assim. Minha demanda por conhecer Moçambique cresceu novamente.

Quando estava no finalzinho da leitura, me deparei com uma cena que era a que buscava. Ao mesmo tempo icônica, pertinente ao resto da história, e o mais importante naquele momento: sem humanos. Tratava-se de um cemitério com flores brancas, onde havia, no lugar de uma das cruzes, uma âncora. De quebra, a corrente em torno da âncora poderia remeter à serpente enroscada no cálice do símbolo da medicina, tão presente no texto e no título. Mas a imagem não ficou boa. Ficou sóbria, sem nenhuma estilização, burocrática, desinteressante. Sorte que, quando pedi a opinião do Alceu, ele sugeriu que houvesse algo na imagem que remetesse ao romance entre o dr. Sidonho com a jovem Deolinda, personagem que jamais aparece na história. A presença dos humanos de fato se mostrou imprescindível no caso. Precisava ganhar intimidade imediata com a população moçambicana. Uma viagem relâmpago ao país estava fora de cogitação naquele ponto. Foi então que comecei a visitar sites de relacionamento para entrar em contato com pessoas reais.

Caminho refutado para _Venenos de Deus..._

Fiz amizade no Facebook, visitei os perfis das amigas das novas amigas, fotógrafos de moda locais, modelos, para entender o que cada grupo social costuma usar. Na manhã seguinte, me baseei em algumas delas para compor uma Deolinda. Acabei optando em silhuetá-la e vesti-la com roupas muito estampadas que a personagem talvez só usasse em algum ensaio fotográfico. Mesmo sendo menos preciso e, de fato, estereotipado (talvez calça jeans e camiseta representasse melhor uma garota de classe média moçambicana que vai estudar na Europa), a opção pelo turbante e pelas cores e estampas me pareceu graficamente melhor. Mesclei, então, a personagem com a âncora previamente feita em uma mesma cena, buscando uma síntese entre as duas composições.

Venenos de DeusRosa

A cada dois Mia Coutos que leio, tenho procurado ler algum livro curto de outro autor para refrescar meu olhar, para não enjoar de seu estilo de que tanto tenho desfrutado e, sobretudo, para não começar a misturar tudo na memória. Afinal, são quatorze livros e ainda nem cheguei na metade. Partindo agora para o Na berma de nenhuma estrada, primeiro de contos. Um refresco em pílulas, contos curtos e inspiradores. Ainda sem a menor ideia sobre por quais caminhos este me levará.

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As novas edições de A confissão da leoa O último voo do flamingo já estão nas livrarias.

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Angelo Abu nasceu em Belo Horizonte em 1974. Graduou-se em cinema de animação pela UFMG, e vem ilustrando, nos últimos 20 anos, livros infantis e juvenis para diversas editoras. Em 2010, ficou em primeiro lugar no concurso de caricaturas da Folha de S. Paulo, para onde passou a contribuir esporadicamente. Neste ano, lançou Macunaíma em quadrinhos, adaptado e ilustrado em parceria com Dan X, pela editora Peirópolis.

Semana duzentos e setenta e sete

A noite do meu bem, Ruy Castro
Os cassinos fecharam para sempre, mas os indestrutíveis profissionais da noite, sem falar nos boêmios de plantão, logo encontraram um novo habitat: as boates de Copacabana.Eram casas em tudo diversas dos cassinos. Em vez das apresentações grandiosas, dos espaçosos salões de baile e das orquestras em formação completa — que estimulavam uma noite ruidosa —, as boates, com seus pianos e candelabros, favoreciam a penumbra e a conversa a dois.
Isso não quer dizer que tenham deixado de ser o centro da vida social. Ao contrário, não havia lugar melhor para saber, em primeira mão, da queda de um ministro, de um choque na cotação do café ou de um escândalo financeiro do que nas principais boates, como o mítico Vogue, frequentado por exuberantes luminares da República e por grã-finos discretos e atentos. Mas a noite era outra: assim como a ambiance, a música baixou de tom. Os instrumentistas e cantores voltaram aos palcos em formações menores, andamento médio e volume baixo, quase um sussurro. Tomava corpo um novo gênero, um samba suavizado pela canção, que encontrou nas boates o lugar ideal para se desenvolver plenamente. Essa nova música, com seus compositores, letristas e cantores; as boates, com seus criadores, funcionários e frequentadores, e o excitante contexto social e histórico que fez tudo isso possível são o tema do novo livro de Ruy Castro, que mais uma vez nos delicia com sua prosa arrebatadora.

Mulheres de cinzas, Mia Couto
Primeiro livro da trilogia As Areias do Imperador, Mulheres de cinzas é um romance histórico sobre a época em que o sul de Moçambique era governado por Ngungunyane (ou Gungunhane, como ficou conhecido pelos portugueses), o último dos líderes do Estado de Gaza – segundo maior império no continente comandado por um africano. Em fins do século XIX, o sargento português Germano de Melo foi enviado ao vilarejo de Nkokolani para a batalha contra o imperador que ameaçava o domínio colonial. Ali o militar encontra Imani, uma garota de quinze anos que aprendeu a língua dos europeus e será sua intérprete. Ela pertence à tribo dos VaChopi, uma das poucas que ousou se opor à invasão de Ngungunyane. Mas, enquanto um de seus irmãos lutava pela Coroa de Portugal, o outro se unia ao exército dos guerreiros do imperador africano. O envolvimento entre Germano e Imani passa a ser cada vez maior, malgrado todas as diferenças entre seus mundos. Porém, ela sabe que num país assombrado pela guerra dos homens, a única saída para uma mulher é passar despercebida, como se fosse feita de sombras ou de cinzas.
Ao unir sua prosa lírica característica a uma extensa pesquisa histórica, Mia Couto construiu um romance belo e vívido, narrado alternadamente entre a voz da jovem africana e as cartas escritas pelo sargento português.

Confissões de um homem livre, Luiz Alberto Mendes
Quando tinha doze anos, Luiz Alberto Mendes fugiu de casa pela primeira vez. Filho de pai alcoólatra e de dona Eida, vivia num ambiente de brigas intermináveis e de opressão. Aos dezenove foi preso, acusado de assalto e homicídio. Primeiro passou pela Febem, atual Fundação Casa, depois, já adulto, cumpriu pena em várias casas de detenção. Em 1984, fugiu e foi recapturado. Quase dez anos depois, vivendo em regime semiaberto, com um pé na liberdade e outro no sistema prisional, foi detido em flagrante por roubo. Em um dos pontos altos deste livro, o autor narra a fuga repleta de tensão, imprevistos e erros, que culminaram no cerco da polícia.
Faltando pouco para alcançar a liberdade definitiva, teria que amargar mais alguns anos na cadeia. Mas dessa vez o anti-herói deste relato autobiográfico tinha um bom motivo para viver à margem das confusões e dos grupos radicais: agora era pai de Renato, fruto do casamento com Irismar. Enquanto esteve preso, trabalhou no setor jurídico, em um grupo espírita, nos Correios, foi professor e até produziu bichinhos de pelúcia. Passou por muitas celas, foi transferido para diferentes presídios, e cada mudança representava um recomeço: impor-se diante dos colegas, conhecer as regras, conquistar privilégios e arrumar um emprego para sustentar a família.
Confissões de um homem livre encerra a trilogia que começou com Memórias de um sobrevivente e foi seguida de Às cegas. Assim como nos outros livros, o seu relato do mundo do crime é um dos poucos que não doura a pílula. O discurso é seco, nervoso e direto. Sua honestidade, desconcertante. E são essas qualidades que aparecem de modo mais contundente nesta história sobre os anos que antecederam a sua liberdade.

Flores, votos e balas, Angela Alonso
É vasta a bibliografia sobre a abolição. Já foram discutidas suas causas econômicas, as resistências judiciais e cotidianas de que foi alvo, as revoltas e as fugas de escravos. Ainda não foi plenamente reconhecida, contudo, a relevância do movimento abolicionista .Joaquim Nabuco, um de seus líderes, atribuiu a libertação dos escravos à magnanimidade da casa imperial. No centenário da Lei Áurea, em 1988, estudiosos e ativistas do movimento negro contestaram essa versão e ressaltaram a resistência dos cativos, operando apenas uma inversão de sinal: em vez da liderança da dinastia, o protagonismo dos escravos; em vez da princesa Isabel, Zumbi. Esse deslocamento deixou à sombra um fenômeno que não foi nem obra de escravos, nem graça da princesa: o movimento pela abolição da escravidão. Este livro conta sua história. Reconstrói a trajetória da rede de ativistas, associações e manifestações públicas antiescravistas que, a exemplo de outros países, conformou um movimento social nacional – o primeiro no Brasil do gênero. O movimento elegeu retóricas, estratégias e arenas, operando sucessivamente com flores (no espaço público), votos (na esfera político-institucional) e balas (na clandestinidade), num jogo que se estendeu por duas décadas, de 1868 a 1888. Tudo isso é narrado por meio da trajetória de ativistas nacionais decisivos para o desfecho da empreitada: André Rebouças, Abílio Borges, Luís Gama, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco – três deles negros. A abolição não se faria por si, pelo desenvolvimento da economia ou por decisão solitária do sistema político, como não se fez por canetada da princesa. É a relevância do movimento abolicionista para o fim da escravidão que este livro mostra de forma brilhante. A luta pela libertação dos escravos dividiu águas na história do país – investigar sua natureza é também compreender um processo que ainda reverbera nas formas contemporâneas da desigualdade no Brasil.

Receita de Ano-Novo, Carlos Drummond de Andrade (Ilustrações de Andrés Sandoval)
Natal, Ano-Novo, tempo de balanço pessoal, de renovação. Sentimentos um tanto ambíguos se alternam, quando a eletricidade pelo encerramento de mais um ciclo vem acompanhada de inefável melancolia. Esse é o espírito evocado pelos poemas de Carlos Drummond de Andrade, selecionados por Luis Mauricio Graña Drummond e Pedro Augusto Graña Drummond, neste Receita de Ano-Novo. Com projeto gráfico exclusivo e ilustrações de Andrés Sandoval, colaborador de publicações como piauí e The New Yorker e autor de Socorram-me em Marrocos (Companhia das Letrinhas), Receita de Ano-Novo é um brinde — muito drummondiano, pois — ao final do ano. Boas festas!

Fontanar

Uma luz entre nós, Laura Lynne Jackson (Tradução de Luiz A. de Araújo e Afonso Celso da Cunha Serra)
Uma luz entre nós lista algumas dicas para termos uma vida rica e plena. Através de sua maravilhosa visão de mundo, Laura Lynne Jackson nos lembra de que nosso relacionamento com aqueles que amamos é duradouro; que estamos todos conectados e participamos das vidas uns dos outros; que estamos aqui para amar e sermos amados. Sua história oferece um novo entendimento sobre as nossas consciências e a experiência humana.

Companhia das Letrinhas

Você tem talento, Charlie Brown!, Charles M. Schulz (Tradução de André Conti)
Charlie Brown vai fazer de tudo para impressionar a Garotinha Ruiva! Participar do concurso de talentos da escola com um número de mágica, tentar alguns passos de dança bem originais em uma competição e muito mais. Será que ele finalmente vai provar que tem um grande talento? Ou mais uma vez vai fazer um papelão daqueles?

Semana duzentos e quarenta e nove

blog

As transições e os choques, de Martin Wolf (tradução de Otacílio Nunes)
As transições e os choques não é apenas mais uma história da crise, e sim o relato mais abrangente a respeito dos efeitos da crise sobre a economia moderna. Ele mostra que novas crises estão por vir e que as atuais mudanças políticas fazem da Europa um ambiente instável. Escrito com a segurança intelectual que fez de Martin Wolf um dos mais influentes colunistas de economia do mundo, este é um livro que nenhum interessado nos rumos da economia mundial poderá ignorar.

Alex através do espelho, de Alex Bellos (tradução de Paulo Geiger)
De triângulos, rotações e números primos a fractais, cones e curvas, Alex Bellos nos leva a uma viagem de descoberta matemática. Com ânimo e sagacidade, suas marcas registradas, Bellos atravessa o globo em busca de histórias e pessoas que o ajudem a compreender a belíssima natureza dos números. É a partir desses encontros que o autor irá nos mostrar como a matemática pôde transformar o mundo. Ao longo das aventuras de Bellos, vemos os conceitos que antes nos pareciam complexos ganharem explicações simples e surpreendentes. Todos os que já temeram algum dia as ciências exatas encontrarão aqui uma brilhante defesa de como os números podem ser divertidos.

A falta que ama, de Carlos Drummond de Andrade
Publicado em 1968, A falta que ama aprofunda questões que sempre marcaram a obra poética de Carlos Drummond de Andrade: afetos, memória e observações sobre a realidade brasileira. Com posfácio de Marlene de Castro Correia, esta edição de A falta que ama conta com caderno de imagens e bibliografia recomendada para aqueles que quiserem mergulhar mais fundo na obra de um de nossos maiores poetas.

Seguinte

A Herdeira – A Seleção Vol.4, de Kiera Cass (tradução de Cristian Clemente)
Vinte anos atrás, America Singer participou da Seleção e conquistou o coração do príncipe Maxon. Agora chegou a vez da princesa Eadlyn, filha do casal. Prestes a conhecer os trinta e cinco pretendentes que irão disputar sua mão numa nova Seleção, ela não tem esperanças de viver um conto de fadas como o de seus pais… Mas assim que a competição começa, ela percebe que encontrar seu príncipe encantado talvez não seja tão impossível quanto parecia.

Companhia das Letrinhas

Malala – a menina que queria ir para a escola, de Adriana Carranca
Por mais absurdo que pareça, Malala Yousafzai quase perdeu a vida por querer ir para a escola. Ela nasceu no Paquistão, em uma região pacífica, mas quando tinha dez anos, viu a sua cidade ser atacada e dominada por um grupo extremista chamado Talibã. Eles impuseram muitas regras, entre elas a que determinava que somente os meninos poderiam estudar. Mas Malala foi ensinada a defender aquilo em que acreditava e lutou com todas as forças para continuar estudando. Por isso, em 9 de outubro de 2012, tomou um tiro na cabeça quando voltava de ônibus da escola. A jornalista Adriana Carranca visitou o vale do Swat pouco depois do atentado, e conta tudo o que viu e aprendeu por lá, apresentando a história dessa menina que, além de ser a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz, é um grande exemplo, no mundo todo, do poder do protesto pacífico.

Companhia de Bolso

Terra Sonâmbula, de Mia Couto
No Moçambique pós-independência, mergulhado na devastadora guerra civil que se estendeu por dez anos, o velho Tuahir e o menino Muidinga empreendem uma viagem recheada de fantasias míticas. Terra sonâmbula – considerado pelo júri especial da Feira do Livro de Zimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX – é um romance em abismo, escrito numa prosa poética que remete a Guimarães Rosa. Mia Couto se vale também de recursos do realismo mágico e da arte narrativa tradicional africana para compor esta bela fábula, que nos ensina que sonhar, mesmo nas condições mais adversas, é um elemento indispensável para se continuar vivendo.

Semana cento e setenta

Os lançamentos desta semana são:

O livro de Tiradentes, Kenneth Maxwell (coord.) (Tradução de Maria Lucia Machado e Luciano Vieira Machado)
O Recueil des Loix Constitutives des État-Unis de l’Ámerique, que compõe o cerne desta história, é a coletânea dos documentos constitucionais fundadores dos Estados Unidos da América: a Declaração de Independência, uma primeira redação dos Artigos de Confederação, um censo das colônias inglesas de 1775 e outros termos acessórios, como a constituição de seis dos treze estados confederados. Mas o Recueil (ou “O livro de Tiradentes”, como passou a er conhecido nas Minas) é muito mais que isso: protagonista de uma história que envolve o Brasil, a América do Norte, a Europa e suas relações recíprocas entre 1776-8 e 1789-2, a coletânea de leis foi o principal veículo de informações sobre o republicanismo norte-americano para os conjurados mineiros, os quais passavam de mão em mão duas edições que chegaram por vias tortuosas à porção insurgente da colônia portuguesa nas Américas. Com textos que elucidam o documento analisado e seus contextos, este volume é uma viagem por essa verdadeira história atlântica de transmissão de ideias políticas.

Se vivêssemos em um lugar normal, de Juan Pablo Villalobos (Tradução de Andreia Moroni)
Na periferia de Lagos de Moreno, no México, a casa do adolescente Orestes e sua família é a única construção humana à vista.  Minúscula e mal-acabada, a “caixa de sapato” atrai a atenção de um grupo de especuladores que pretende erguer ali um condomínio de luxo. O pai é um mestre do insulto e defensor de uma moral que parece não caber no mundo em que vive. A mãe recusa a sua condição social bradando aos quatro ventos que a família pertence à classe média, “como se os níveis socioeconômicos fossem um estado mental”. Tudo aconteceu nos anos 1980. Vinte e cinco anos depois o herói desta saga moderna reconstrói o passado escancarando a violência cotidiana e desmantelando as fronteiras entre o trágico e o cômico.

A menina sem palavra – histórias de Mia Couto, de Mia Couto
Vencedor do prêmio Camões em 2013, Mia Couto é um dos autores mais versáteis da atualidade, com uma obra que inclui poesia, crônicas, romances e contos. É também conhecido (e adorado) por sua prosa sensível e muitas vezes poética. Nesta edição, que privilegia histórias da infância, o leitor conhecerá a prosa inconfundível de Mia Couto através de dezessete contos selecionados, entre eles, “O embondeiro que sonhava pássaros”, que conta a história de um vendedor de pássaros rechaçado pela vizinhança por ser negro, e “A Rosa Caramela”, qu descreve a surpresa de um filho ao descobrir que o pai foi protagonista de uma história de amor. Prosador atento às complexidades da vida, Mia Couto é sempre capaz de criar histórias que nos alimentam e nos enchem de esperança.

O homem que fazia chover & outras histórias, de Carlos Drummond de Andrade
Fábulas, anedotas, parábolas e contos. Não há modalidade de prosa que não tenha sido tocada por Carlos Drummond de Andrade. Nas crônicas e contos reunidos para esta edição, buscou-se aqueles textos que evidenciam o pendor mais ficcional do grande poeta brasileiro. São histórias divertidas e tocantes que atestam a extraordinária imaginação e o amplo arsenal verbal do escritor mineiro para desfiar os mais diversos causos, muitos deles a partir de notícias de jornal. Numa prosa hábil em caracterizar personagens e escritas numa voz amigável, as histórias de Drummond — selecionadas a partir de livros como Contos de aprendiz, Contos plausíveis, A bolsa e a vida, entre outros — divertem e iluminam aspectos do nosso cotidiano a cada nova leitura.