Michel Laub

11 livros para ler no Dia do Rock

Biografias, romances, livros que se inspiram em canções ou bandas e que falam sobre grandes nomes da música: escolhemos onze leituras para você aproveitar no Dia do Rock! :)

1. Atravessar o fogo, de Lou Reed

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O primeiro da lista não poderia ser outro. Atravessar o fogo, que faz parte da coleção listrada da Companhia das Letras, reúne traduções de Christian Schwartz e Caetano W. Galindo para mais de 300 letras de Lou Reed. À frente do Velvet Underground, Reed “trouxe dignidade, poesia e rock and roll a temas como as drogas pesadas, as anfetaminas, a homossexualidade, o sadomasoquismo, o assassinato, a misoginia, a passividade entorpecida e o suicídio”, nas palavras do lendário crítico musical Lester Bangs, com quem mantinha uma notória relação de amor e ódio. Com sua carreira solo não foi diferente. Neste livro, o leitor pode contemplar o gênio de Lou Reed em suas múltiplas facetas: o cronista do submundo nova-iorquino, o narrador de inegável talento para capturar as vozes das ruas, o fetichista depressivo com tendências suicidas e masoquistas, o amante da literatura e das artes de vanguarda.

2. John Lennon, de Philip Norman

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Biografias de grandes nomes do rock estão no nosso catálogo, e uma delas é de John Lennon. Escrito após três anos de pesquisa, e longe de contentar-se com curiosidades ou mexericos, Philip Norman fez de John Lennon: a vida o relato biográfico mais completo já escrito sobre uma das personalidades mais fascinantes da segunda metade do século XX. Com acesso a documentos inéditos e testemunhos diretos de Yoko Ono, Sean Lennon e Paul McCartney, entre outros, Norman começa por descrever em detalhes infância e adolescência do ex-Beatle, e logo traz à tona episódios e personagens cruciais para o entendimento de uma figura tão unanimemente admirada quanto controvertida.

3. Linha Mde Patti Smith

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Em 1970 Patti Smith lançou Horses, considerado precursor do punk rock e um dos cem melhores álbuns de todos os tempos. Daí para frente, Patti não parou com sua carreira na música, que é marcada pela sua paixão por poesia. Linha M é um livro onde podemos ver seu talento também para a literatura. Num tom que transita entre a desolação e a esperança — e amplamente ilustrado com suas icônicas polaroides -, Linha M é uma reflexão de Patti Smith sobre viagens, séries de detetives, literatura e café. Um livro poderoso e comovente de uma das mais multifacetadas artistas em atividade.

4. Só garotos, de Patti Smith

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Não tem como falar de Patti Smith sem lembrar de Só garotos, livro em que fala sobre o início de sua carreira, quando se muda para Nova York no final dos anos 1960, e de seu relacionamento de amor e amizade com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, para quem prometeu escrever a sua história. Só garotos é uma autobiografia cativante e nada convencional. Tendo como pano de fundo a história de amor entre Patti e Mapplethorpe, o livro é também um retrato apaixonado, lírico e confessional da contracultura americana dos anos 1970.

5. Cidade em chamas, de Garth Risk Hallberg

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Não só de música é feito Cidade em chamas, primeiro romance de Garth Risk Hallberg, mas ela é parte importante dessa história que recria a Nova York dos anos 1970. Clássicos álbuns do rock inspiraram o autor na escrita do livro (como The Rolling Stones, Patti Smith e Lou Reed, já citados na lista), e um de seus protagonistas é ex-vocalista de uma lendária banda de punk-rock, a fictícia Ex-Post Facto. Entre shows em bares abafados da cultura underground, os negócios de uma rica família de NY e a investigação de um crime, as personagens de Cidade em chamas se esbarram pela cidade que passa por transformações sociais e culturais.

6. Minha fama de mau, de Erasmo Carlos

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Com cabeça de homem e coração de menino, o cantor e compositor Erasmo Carlos conta em Minha fama de mau suas divertidas memórias, da infância humilde à consagração como ídolo do rock. Considerado por Rita Lee como “o pai do rock brasileiro”, Erasmo reuniu por dois anos e meio passagens que costuram os detalhes de sua vida e sua carreira para narrar como o menino criado pela mãe numa casa de cômodos superou todas as limitações e o preconceito da Zona Sul carioca, consagrando-se, junto ao amigo Roberto Carlos, como o porta-voz sentimental de milhões de pessoas.

7. Do que é feita uma garotade Caitlin Moran

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Do que é feita uma garota não é um livro sobre rock, mas ele é constante na vida da narradora, a adolescente Johanna Morrigan. Depois de passar vexame num programa de TV local aos 14 anos, a jovem decide mudar de vez para virar uma “garota legal”: se transforma em Dolly Wilde, uma menina gótica, loquaz e Aventureira do Sexo, que salvará a família da pobreza com sua literatura. Nos anos 1990, ela escreve críticas de shows e álbuns para uma revista de música, se relaciona com rockstars, vê nas letras das canções que escuta aquilo que faltava para a sua vida. Mas e se Johanna tiver feito Dolly com as peças erradas? Será que uma caixa de discos e uma parede de pôsteres bastam para se fazer uma garota? Caitlin Moran faz do livro uma história divertida sobre crescer e construir sua própria identidade.

8. Mick Jagger, de Philip Norman

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Mick Jagger é o astro da música que melhor encarnou o ideal de sexo, drogas e rock’n’roll. Nesta que é a mais completa biografia do líder dos Rolling Stones, Philip Norman refaz os passos da consagração de Mick Jagger e mostra como ele se tornou um showman sedutor, o protótipo do pop star genial, escandaloso e milionário. Passando pela infância e momentos turbulentos de sua carreira, Norman narra como, em sua longa trajetória de mais de cinquenta anos como astro e ícone sexual, Mick Jagger foi assimilado pelo establishment, mas manteve a mística transgressiva e fascinante do rock.

9. Norwegian Wood, de Haruki Murakami

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Uma música dos Beatles leva o narrador deste livro, Toru Watanabe, a lembrar de sua juventude em Tóquio, onde chegou aos 17 anos para estudar teatro. E é esta música que dá título a Norwegian Wood, romance de Haruki Murakami. Vivendo solitariamente em um alojamento de estudantes, um dia reencontra um rosto de seu passado: Naoko, antiga namorada de seu grande amigo de adolescência antes deste cometer suicídio. Marcados por essa tragédia em comum, os dois se aproximam e constroem uma relação delicada onde a fragilidade psicológica de Naoko se torna cada vez mais visível até culminar com sua internação em um sanatório. Ambientado em meio à turbulência política da virada dos anos 1960 para os anos 1970, Norwegian Wood é uma balada de amor e nostalgia cuja rara beleza confirma Murakami como uma das vozes mais talentosas da ficção contemporânea.

10. A maçã envenenada, de Michel Laub

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Em 1993, o grupo norte-americano Nirvana fez uma única e célebre apresentação no estádio do Morumbi, em São Paulo. Um estudante de dezoito anos, guitarrista de uma banda de rock e cumprindo o serviço militar em Porto Alegre, precisa decidir se foge do quartel — o que o levaria à prisão — para assistir ao show ao lado da primeira namorada. A escolha ganha ressonâncias inesperadas à luz de fatos das décadas seguintes. Um deles é o suicídio de Kurt Cobain, líder do Nirvana, que chocou o mundo em 1994. Outro é o genocídio de Ruanda, iniciado quase ao mesmo tempo e aqui visto sob o ponto de vista de uma garota, Immaculée Ilibagiza, que escapou da morte ao passar 90 dias escondida num banheiro com outras sete mulheres. Focado nos anos 1990, A maçã envenenada é o segundo volume da trilogia sobre os efeitos individuais de catástrofes históricas iniciada com Diário da queda, cuja ação central se dá nos anos 1980. Como no volume anterior, Michel Laub aborda o tema da sobrevivência usando os recursos da ficção, do ensaio e da narrativa memorialística, numa linguagem que alterna secura e lirismo, ironia e emoção no limite do confessional.

11. Alta fidelidadede Nick Hornby

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E terminamos nossa lista do Dia do Rock com um livro cheio de listas musicais! Rob é um sujeito perdido. Aos 35 anos, o rompimento com a namorada o leva a repensar todas as esferas da vida: relacionamento amoroso, profissão, amizades. Sua loja de discos está à beira da falência, seus únicos amigos são dois fanáticos por música que fogem de qualquer conversa adulta e, quanto ao amor, bem, Rob está no fundo do poço. Para encarar as dificuldades, ele vai se deixar guiar pelas músicas que deram sentido a sua vida e descobrir que a estagnação não o tornou um homem sem ambições. Seu interesse pela cultura pop é real, sua loja ainda é o trabalho dos sonhos e Laura talvez seja a única ex-namorada pela qual vale a pena lutar. Alta fidelidade é um romance sobre música e relacionamento, sobre as muitas caras que o sucesso pode ter e sobre o que é, afinal, viver nos anos 1990.

5 leituras sobre Auschwitz

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Há 70 anos, foram libertados os últimos prisioneiros de Auschwitz. Após a libertação pelo exército soviético, o maior campo de concentração nazista foi abandonado intacto, guardando até hoje a memória de milhões de pessoas que sofreram com um dos episódios mais macabros da história humana. E a memória de Auschwitz também está registrada em diversas obras que surgiram após a guerra, denunciando os horrores e a dimensão que as mortes e torturas deixaram em sobreviventes e seus familiares. Selecionamos aqui no blog uma lista de leituras sobre Auschwitz com histórias e relatos de quem viveu ou ainda sente as marcas do campo de concentração. Confira a seguir:

1) A trégua, de Primo Levi

Primo Levi entrou para os grandes nomes da literatura do século XX a partir dos relatos de sua experiência como prisioneiro e sobrevivente de Auschwitz. Em A trégua, Levi narra a longa e incrível viagem de volta para casa depois da libertação de Auschwitz e do fim da guerra. Numa Europa semidestruída, o autor e vários companheiros de estrada viajam sem destino pelo Leste até a URSS, entre as ruínas da maior de todas as guerras e o absurdo da burocracia dos vencedores.

2) Paisagens da metrópole da morte, de Otto Dov Kulka

Historiador de renome em temas como o nazismo e o holocausto, Otto Dov Kulka foi enviado para o campo de extermínio de Auschwitz aos 10 anos de idade. Durante dez anos, entre 1991 e 2001, Kulka fez gravações de áudio de suas memórias, evocando passagens daquele sofrimento quase indizível, somente articuladas por ele tanto tempo depois. Paisagens da metrópole da morte mistura as impressões daquele menino vivendo uma das experiências-limites do século XX com a reflexão do escritor maduro, tornando a leitura do seu livro uma poderosa experiência literária.

3) Maus, de Art Spiegelman

Em Maus, Art Spiegelman conta a história de seu pai, Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. Retratando os judeus como ratos e os nazistas como gatos, o livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos, ganhando o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. Maus é um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto.

4) Diário da queda, de Michel Laub

Das reflexões de um homem que relembra o episódio em que machucou um colega da escola, o narrador apresenta as trajetórias de seu pai, com quem o protagonista tem uma relação difícil, e de seu avô, sobrevivente de Auschwitz que passou anos escrevendo um diário secreto e bizarro. Diário da queda é uma viagem inusitada pela memória de um homem, uma reflexão corajosa sobre identidade, afeto e perda.

5) O menino do pijama listrado, de John Boyne

Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, ele pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.

Semana cento e sessenta e sete

Os lançamentos desta semana são:

A maçã envenenada, de Michel Laub
Em 1993, o grupo norte-americano Nirvana fez uma única e célebre apresentação no estádio do Morumbi, em São Paulo. Um estudante de 18 anos, guitarrista de uma banda de rock e cumprindo o serviço militar em Porto Alegre, precisa decidir se foge do quartel — o que o levaria à prisão — para assistir ao show ao lado da primeira namorada. A escolha ganha ressonâncias inesperadas à luz de fatos das décadas seguintes. Um deles é o suicídio de Kurt Cobain, líder do Nirvana, que chocou o mundo em 1994. Outro é o genocídio de Ruanda, iniciado quase ao mesmo tempo e aqui visto sob o ponto de vista de uma garota, Immaculée Ilibagiza, que escapou da morte ao passar 90 dias escondida num banheiro com outras sete mulheres.

Cidadania insurgente, de James Holston (Tradução de Claudio Carina)
Investigação etnográfica, ensaio histórico, análise sociológica, intervenção no debate político: diversas e enriquecedoras são as maneiras de ler Cidadania insurgente. Publicado originalmente nos EUA em 2008, este livro é o resultado de décadas de pesquisa sobre a cidadania brasileira e a luta por direitos como moradia e infraestrutura urbana na periferia de São Paulo. James Holston explica os processos formadores de nossa sociedade desde o período colonial até a atualidade, circunscrevendo sua aguda leitura em torno dos construtos jurídicos e práticas sociais responsáveis pela natureza ao mesmo tempo inclusiva e desigual de nossa cidadania. O autor de A cidadania modernista, clássico da crítica ao urbanismo utópico e excludente de Brasília, desmascara os mecanismos perpetuadores da desigualdade e da marginalização ao longo da violenta história social do Brasil.

Mínima lírica, de Paulo Henriques Britto
Esta edição reúne os dois títulos iniciais de um poeta que, ao longo de trinta anos de carreira, iria ostentar uma das trajetórias mais sólidas e brilhantes da lírica brasileira contemporânea. Para além da reflexão acerca da “música banal dos sentimentos” (como escreve nos versos de abertura do poema “Pour Élise”), as peças reunidas neste volume também dão conta de uma vasta gama de interesses do tradutor de, entre outros, Elizabeth Bishop e Wallace Stevens. A tradição literária, a poesia de língua inglesa e as tentativas do eu lírico de abarcar — de forma nada pretensiosa — as diversas esferas da experiência concreta estão entre os grandes momentos de um livro permeado de astúcia literária, humor e observação do cotidiano.

Manual do pequeno skatista cidadão, de Vinícius Patrial (Ilustrações de Jimmy Leroy)
O skate é o segundo esporte mais praticado no Brasil, com milhares de pistas espalhadas pelo país todo. Mas, apesar de toda essa fama, há muito pouco material sobre o skate no Brasil. Pensando nesse público, que adora se jogar nas pistas e precisa aprender a se proteger e a cair direito, a banda Pequeno Cidadão preparou um almanaque completo sobre o assunto, inspirado em uma canção do novo CD. Com informações aprovadas pela Confederação Brasileira de Skate, este manual é ideal para os que são apenas simpatizantes, para aqueles que começaram a arriscar um ollie e até para os praticantes mais experientes.

Tutu-Moringa: história que tataravó contou, de Elizabeth Rodrigues da Costa e Gabriela Romeu (Ilustrações de Marilda Castanha)
Os bichos-papões são tão assustadores quanto antigos. Com fama de feiosos e cruéis, rondam a noite infantil, assustando e roubando criancinhas, desde a Antiguidade. Na Grécia, por exemplo, os pequenos temiam ser raptados por uma velha feiíssima, a Strigalai. Já os romanos se apavoravam com a Caprimulgus, uma senhora que saía de noite para tirar leite da cabra e papar meninos e meninas. Aqui no Brasil, há vários papões: a cabra-cabriola, a cuca, o jurupari… — e os tutus, seres encantados que chegaram com os escravos africanos escravizados muito tempo atrás. Neste livro, Tataravó conta, para os netos vidrados e ao mesmo tempo apavorados, a história de Tutu-Moringa, aquele que morava numa moita no meio do mato e que, no final da tarde, saía à caça de crianças que imaginava serem seus filhinhos roubados pelos portugueses lá na África.

Editora Seguinte

Sombras vivas (Reckless, vol. 2), de Cornelia Funke (Tradução de Sonali Bertuol)
Mais uma vez no Mundo do Espelho, Jacob Reckless precisa se libertar de uma maldição que em poucos meses lhe custará a vida. Depois de tentar diferentes formas de magia, sua última opção é uma lendária balestra, arma capaz de dizimar exércitos, mas também de salvar aqueles que realmente precisam. Para encontrar esse objeto extraordinário, ele terá de viajar por Álbion, Lorena e Austrásia, enfrentar criaturas terríveis e competir com Nerron, um ser perigosíssimo que está decidido a derrotá-lo a qualquer custo e ser o primeiro a encontrar a balestra, para então se tornar o caçador de tesouros mais talentoso de todos. Jacob não tem tempo a perder. E se não fosse a presença de Fux, sua companheira de aventuras capaz de assumir tanto a forma humana quanto a figura de uma raposa, ele talvez não tivesse forças para encarar tantos obstáculos. Só assim, no limite entre a vida e a morte, ele conseguirá perceber que existem tesouros ainda mais preciosos que sua própria vida.

Editora Paralela

Um toque de vermelho (Renegade Angels, vol. 1), de Sylvia Day (Tradução de Alexandre Boide)
Adrian Mitchell não é um homem qualquer. Além de ser o mais sensual, elegante e charmoso dos seres, ele é também o grande líder de uma unidade de elite de Operações Especiais dos Serafins. Sua missão: controlar vampiros e licanos e manter todo o universo em ordem. No entanto, o seu encontro, depois de quase duzentos anos, com a alma da mulher que ama, no corpo da bela Lindsay, os leva a uma proibida — mas incontrolável — paixão que poderá colocar tudo a perder.

Semana quarenta e quatro

Os lançamentos da semana são:

A vida imortal de Henrietta Lacks, de Rebecca Skloot (Tradução de Ivo Korytovsky)
A vida imortal de Henrietta Lacks reconstitui a vida e a morte de uma das mais injustiçadas personagens da história da medicina. O livro demonstra como o progresso científico do século XX deveu-se em grande medida a uma mulher negra, pobre e quase sem instrução. Doadora involuntária da linhagem “imortal” de células HeLa, a mais pesquisada em todo o mundo, a protagonista do premiado livro de estreia de Rebecca Skloot recebe uma merecida e tardia homenagem. O livro foi eleito pelo New York Times como um dos melhores de 2010, e você pode ver seu trailer e ler a resenha publicada pela revista Época.

Diário da queda, de Michel Laub
Um garoto de treze anos se machuca numa festa de aniversário. Quando adulto, um de seus colegas narra o episódio. A partir das motivações do que se revela mais que um acidente, cujas consequências se projetam em diversos fatos de sua vida nas décadas seguintes — a adolescência conturbada, uma mudança de cidade, um casamento em crise —, ele constrói uma reflexão corajosa sobre identidade, afeto e perda. Dessa reflexão fazem parte também as trajetórias de seu pai, com quem o protagonista tem uma relação difícil, e de seu avô, sobrevivente de Auschwitz que passou anos escrevendo um diário secreto e bizarro. São três gerações, cuja história parece ser uma só. É uma viagem inusitada pela memória de um homem no momento em que ele precisa fazer a escolha que mudará sua vida. Assista ao trailer no nosso canal do YouTube.

O décimo primeiro mandamento, de Abraham Verghese (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Em 1954, nascem num hospital de Adis Adeba os gêmeos Marion e Shiba, filhos da união trágica entre um cirurgião inglês e uma jovem freira indiana. Com a morte da mãe no parto e o desaparecimento do pai, os meninos são criados por um casal de médicos missionários. Crescem unidos e interessados em medicina, numa Etiópia marcada pela turbulência política. Mas é o amor de Marion por uma mulher, muito mais do que a política, que vai separar de vez o destino dos dois irmãos. E é a medicina que vai uni-los quilômetros e anos depois, quando Marion terá de confiar sua vida aos dois homens de quem ele mais desconfiava: o pai, que o abandonou, e o irmão, que o traiu. Uma viagem inesquecível pela África e pelos Estados Unidos, pela medicina e pela literatura, e uma história sobre o poder, a intimidade e a beleza que existe no trabalho daqueles que cuidam de salvar a vida dos outros.

2 cores, de Renata Bueno (Ilustrações de Mirella Marino e Renata Bueno)
Este livro é o resultado de uma espécie de jogo: duas amigas ilustradoras escolheram duas cores — preto e vermelho — para criar ilustrações juntas. Uma começava o desenho e depois o passava à outra para que ela o terminasse. Manchas viraram bichos, linhas formaram pessoas, um simples círculo se transformou em um monstro. O último desafio foi criar o texto para cada uma dessas ilustrações, que, agrupadas, dão uma aula de imaginação às crianças. Ao final do livro, as autoras falam sobre essa experiência e sugerem aos leitores que se divirtam da mesma maneira: basta chamar um amigo para que um complete o desenho do outro.

Às avessas, de Joris-Karl Huysmans (Tradução de José Paulo Paes)
Este romance turbulento e original tem apenas um personagem. Des Esseintes é um aristocrata doente e em decadência que, ao se refugiar no campo, entrega-se à luxúria e ao excesso. Oscilando entre a inquietude e a debilidade, ele satisfaz seu apetite estético com literatura clássica, arte, joias exóticas, perfumes caros e um caleidoscópio de experiências sensuais. Às avessas, nas palavras do autor, caiu “como um meteorito” no cenário literário de sua época, e seu status de obra cult só fez aumentar ao longo do tempo. Esta edição traz introdução e notas de Patrick McGuinness e um prefácio escrito pelo autor em 1903, vinte anos deois da publicação do romance. E, complementando a fortuna crítica do livro, uma seleção de textos escritos por Mallarmé, Émile Zola e Oscar Wilde, entre outros.

Fama, de Daniel Kehlmann (Tradução de Sonali Bertuol)
Nove histórias se entrelaçam para formar este romance do premiado escritor alemão Daniel Kehlmann. Ele nos apresenta situações absurdas, mal-entendidos ou trocas de papéis, decisões inusitadas, encontros e desencontros que revelam a fragilidade das relações humanas nos universos da fama e do anonimato. Entram em cena escritores, um ator de cinema famoso e pessoas ditas “comuns”. Logo percebemos que todos eles correm o risco de perder a própria identidade, por conta da exposição excessiva a que estão sujeitos — uma das consequências de tantas novas tecnologias e meios de comunicação. Com uma prosa elegante, boas doses de humor e sem cair nas armadilhas da superficialidade, Kehlmann constrói um jogo provocador, em que não para de questionar as fronteiras entre ficção e realidade.

Na casa do Leo — Os egípcios, de Philip Ardagh (Ilustrações de Mike Gordon; Tradução de Érico Assis)
Leo é um menino como outro qualquer, a não ser por um detalhe: em sua casa, ele costuma receber as visitas mais extraordinárias. Desta vez, são os antigos egípcios que vão aparecer por lá — e tudo pode acontecer ao se abrir uma porta, como dar de cara com uma pirâmide no quintal ou um faraó na sala de estar. Com seu cachorro de estimação, o Naftalina, Leo vai percorrer os cômodos da casa guiado por Bata, o herdeiro do faraó, e descobrir, entre outras coisas, as brincadeiras preferidas das crianças egípcias; a escrita em hieróglifos; as pirâmides e seu método de construção; e como os mortos eram mumificados. Repleto de ilustrações e em formato de história em quadrinhos, o livro é escrito em linguagem acessível para leitores que estão começando a aprender sobre as antigas civilizações.

Move tudo!, de Marcelo Cipis
Ao assistirmos às imagens projetadas na imensa tela do cinema, muitas vezes sentimos vontade de estar naqueles incríveis cenários, ou até nos identificamos com os personagens, como que entrando imaginariamente em seus papéis. A brincadeira deste novo livro do artista plástico Marcelo Cipis é exatamente esta: em uma projeção de cinema, cenário e personagens do filme influenciam a plateia, assim como os espectadores acabam imprimindo modificações no que se passa na tela, entrando e saindo de lá. O fundo do mar projetado transforma espectadores em banhistas; ao assistir a uma cena de corrida, todos viram corredores; um balão sai da tela, recolhendo os espectadores e levando-os para bem longe… Não há regras e a movimentação é intensa.

Conheça o novo colunista do Blog da Companhia

Michel Laub postou em seu blog o 1º capítulo de seu próximo livro, Diário da queda, que a Companhia lança em março. Escritor e jornalista gaúcho, ele é autor de O gato diz adeus e O segundo tempo (finalista dos prêmios Jabuti e Portugal Telecom), entre outros.

Hoje também estamos felizes em anunciar que Michel escreverá aqui no Blog da Companhia a partir do dia 22, como colunista mensal!