milena busquets

10 livros estrangeiros lançados (até agora) em 2016

Já chegamos na metade de 2016, e são tantos livros lançados a cada mês que fica até difícil lembrar de tudo o que você quer ler, certo? Se você deixou alguma novidade escapar, não se preocupe: selecionamos dez livros lançados até agora que merecem entrar na sua lista de futuras leituras. Nesta primeira lista, vamos falar dos lançamentos estrangeiros. Confira! :)

1) Isso também vai passarde Milena Busquets (tradução de Joana Angélica d’Avila Melo)

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O romance da espanhola Milena Busquets se transformou num sucesso internacional, chegando aqui no Brasil em fevereiro. Neste livro, o leitor acompanha uma narradora que vive o luto pela morte da mãe durante um verão em Cadaqués. Diante da ausência da mãe, restam as memórias de tudo o que a narradora viveu ao lado de quem a trouxe à vida, e o desejo de reafirmar a existência por meio do sexo, do convívio com as amigas, dos filhos e dos homens do passado. Milena Busquets combina profundidade e leveza para falar de temas universais como a dor, o amor, o medo, o desejo, a tristeza, o riso, a desolação e a beleza.

2) Romances de Patrick Melrosede Edward St. Aubyn (tradução de Sara Grünhagen)

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Edward St. Aubyn vem de uma família inglesa de “pedigree”, cujas origens nobres remontam ao século XVII. Ele cresceu em Londres e viveu a separação dos pais quando ainda era criança, e logo foi mandado para um colégio interno de elite. Seu vício em heroína desde muito jovem, assim como a conturbada história familiar, inspiraram em grande medida a vida do protagonista de seu ciclo de romances, Patrick Melrose. Lançado no Brasil em fevereiro, o primeiro volume de Romances de Patrick Melrose reúne três dos cinco livros deste ciclo: Não importaMás notíciasAlguma esperança. Alternando cenas de profunda angústia e tragédia com momentos hilários, os livros dissecam a classe alta inglesa ao narrar a história de Patrick, dos abusos na infância ao vício e, por fim, à reabilitação.

3) As meninas ocultas de Cabul, de Jenny Nordberg (tradução de Denise Bottmann)

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Durante cinco anos de pesquisas no Afeganistão, a repórter Jenny Nordberg descobriu que algumas famílias criam suas filhas como se fossem meninos, tentando fazer com que a comunidade acredite que as crianças são de fato do sexo masculino. A prática, conhecida como “bacha posh”, foi revelada por Jenny em reportagem de grande repercussão no New York Times. Neste livro, lançado em março, ela mostra em detalhe os horrores de um ambiente machista, e faz um alerta para a comunidade internacional sobre um crime que nenhum relativismo cultural é capaz de atenuar.

4) Dois anos, oito meses e 28 noites, de Salman Rushdie (tradução de Donaldson M. Garschagen)

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Em março lançamos mais um livro de Salman Rushdie, autor de Os versos satânicos. Dois anos, oito meses e 28 noites — que, para quem fizer as contas, corresponde a mil e uma noites — é um romance de tirar o fôlego e um testamento duradouro sobre o poder da ficção, as relações humanas e a nossa ancestralidade. Depois de uma tempestade em Nova York, fatos estranhos começam a ocorrer. Um jardineiro percebe que seus pés não tocam mais o chão. Um quadrinista acorda ao lado de um personagem que parece um de seus desenhos. Ambos são descendentes dos djins, figuras mágicas que vivem num mundo apartado do nosso por um véu invisível. Séculos atrás, Bunia, princesa dos djins, apaixonou-se por um filósofo. Juntos, tiveram filhos que se espalharam pelo mundo humano. Quando o véu é rompido, tem início uma guerra que se estende por mil e uma noites.

5) Uma história de solidão, de John Boyne (tradução de Henrique de Breia e Szolnoky)

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O mais recente romance adulto de John Boyne, lançado em janeiro, aborda com extrema delicadeza o tema dos abusos sexuais na Igreja católica. Uma história de solidão acompanha a vida de Odran Yates, um garoto irlandês nascido nos anos 1950 que cresce em uma família disfuncional e entra para a vida eclesiástica. Da ingenuidade dos primeiros anos de colégio à descoberta dos segredos mais bem guardados da Igreja, o padre Odran Yates descreve uma Irlanda repleta de contradições e ódio por trás de um projeto social baseado nos bons costumes e vive a decadência de seu ofício, que, diante de tantas denúncias de abuso sexual, passa a ser visto com desconfiança. O padre tenta fazer um acerto de contas com a própria consciência, depois de ter sido convencido de que era inocente demais para entender o que ocorria ao seu redor.

6) Campos de sangue, de Karen Armstrong (tradução de Rogério W. Galindo)

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A ideia de que a fé pode ser fonte de violência e intolerância vem crescendo nas últimas décadas, especialmente após o Onze de Setembro. Mas seria uma visão precisa da realidade? Neste estudo, Karen Armstrong investiga as grandes tradições religiosas em busca de respostas, e nos conduz a uma viagem pela história das maiores religiões do mundo. Amparado na vasta erudição da autora e no seu compromisso em promover a empatia entre os povos, Campos de sangue mostra que a religião não é a causa de nossos problemas.

7) Pureza, de Jonathan Franzen (tradução de Jorio Dauster)

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Em 2016 também lançamos o novo livro de Jonathan Franzen, um dos maiores autores norte-americanos da atualidade. Em Pureza, acompanhamos a história da jovem Pip Tyler. Ela sabe que seu nome verdadeiro é Purity, que está atolada em dívidas, que está dividindo um apartamento com anarquistas e que a sua relação com a mãe vai de mal a pior. Coisas que ela não sabe: quem é seu pai, por que a mãe a força a uma vida reclusa, por que tem um nome inventado e como ela vai fazer para levar uma vida normal. Um breve encontro com um ativista alemão leva Pip à América do Sul para um estágio numa organização que contrabandeia segredos do mundo inteiro — inclusive sobre sua misteriosa origem. Pureza é uma história sobre idealismo juvenil, lealdade e assassinato.

8) Meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout (tradução de Sara Grünhagen)

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Lançado agora em junho, Meu nome é Lucy Barton acaba de ser selecionado para concorrer ao Man Booker Prize 2016. O romance é narrado por Lucy Barton, uma escritora bem-sucedida que está há três semanas num hospital se recuperando das complicações de uma simples operação para extrair o apêndice. Sofrendo de saudade das filhas e do marido, ela recebe uma visita inesperada da mãe, com quem não falava havia anos. Nas cinco noites que passa com a mãe, a narradora convalescente lança um olhar aguçado e humano, sem sentimentalismos, para os acontecimentos centrais de sua vida: o isolamento e a pobreza dos anos da infância, o distanciamento de um núcleo afetivo desestruturado, a luta para se tornar escritora, o casamento e a maternidade.

9) Voltar para casa, de Toni Morrison (tradução de José Rubens Siqueira)

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Uma das mais celebradas romancistas dos Estados Unidos, a Nobel de Literatura Toni Morrison expande seu olhar sobre a história norte-americana do século XX em Voltar para casa, uma narrativa de violência, amor e redenção. Frank Money volta da Guerra da Coreia vivendo em profundo conflito com seus fantasmas, perturbado pela enorme culpa de ser um sobrevivente e pelas atrocidades que cometeu. Ao se deparar com um país racista e segregado, ele reluta em voltar à sua cidade natal na Geórgia, onde deixou dolorosas memórias de infância e a pessoa que lhe é mais querida, a irmã Ycidra. Ci sobreviveu como pôde aos anos de ausência do irmão, numa sociedade machista e opressiva em que as mulheres não têm vez, são sistematicamente abandonadas pelos maridos e muitas vezes mutiladas sem piedade. Nesse mundo desfigurado, ao se reencontrarem no caminho de volta para casa, os irmãos poderão enfim ressignificar seu passado e voltar a ver com esperança o futuro.

10) Atlas de nuvens, de David Mitchell (tradução de Paulo Henriques Britto)

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E encerramos com um lançamento deste mês: Atlas de nuvens! Neste que é um dos romances mais cultuados do nosso tempo, David Mitchell combina o gosto pela aventura, o amor por quebra-cabeças e o talento para a especulação científica conduzindo o leitor por seis histórias que se encontram no tempo e no espaço, criando um jogo de bonecas russas que explora com maestria questões fundamentais de realidade e identidade. O livro, adaptado para os cinemas em 2012 e protagonizado por Tom Hanks, finalmente está nas livrarias brasileiras!

 

Semana duzentos e oitenta e seis

Depois a louca sou eu, Tati Bernardi
Neste volume autobiográfico, porém, é como se a tampa da cabeça de Tati Bernardi fosse desatarraxada para que os fãs bisbilhotassem à vontade lá dentro. Revela-se que a vertigem alucinatória de sua prosa é produto tanto de fibrilação estilística quanto do estado natural do psiquismo da autora. Seu avô já tinha “a coisa”, como sua avó dizia. Medo de ir, ela resume — ataques de pânico, fobia a avião, a patas de barata, a vomitar, a cheiros, festa, a lugar fechado, a Ano-Novo. Sentir-se uma criança em carne viva. E então a maravilha do primeiro comprimido de Rivotril, “chuva fina que caiu sobre uma horta de manjericão fresco”. Perto do desfecho do livro, quando já não há antidepressivo nem terapeuta que dê conta, a literatura aparece como medicina das almas, capaz de remediar o escritor autêntico e o leitor sincero. Pois, numa constatação inquietante mas tranquilizadora, “ninguém está bem”.

A espiral da morte, Claudio Angelo
Um dos mais respeitados jornalistas de ciência do Brasil, Claudio Angelo passou os últimos quinze anos acompanhando o debate em torno das mudanças climáticas. Para desvendar o quebra-cabeça do aquecimento global, o autor passou os últimos anos viajando por todo o planeta e conversando com dezenas de cientistas, políticos, ambientalistas e nativos das áreas afetadas. Leu inúmeros trabalhos acadêmicos e esteve em conferências que tentaram buscar um acordo político para mitigar o problema, finalmente selado em 2015 em Paris. Perseguindo obstinadamente todas as hipóteses, o autor tem três perguntas que norteiam seu trabalho: por que o gelo dos polos está derretendo?; isso está sendo causado ou acelerado pelo homem?; e, por fim, que impactos podemos esperar nas próximas décadas, se falharmos em atacar o problema na escala necessária? Atrás dessas respostas, Claudio Angelo irá conversar com caçadores de ursos-polares, analisar o gelo ancestral da Antártida, viajar num barco do Greenpeace, estudar a florescente agricultura da Groenlândia e testemunhar a redução assustadora das geleiras do Ártico. Por fim, faz uma eletrizante reconstituição do incêndio que destruiu a estação antártica brasileira Comandante Ferraz, ao mesmo tempo que mostra a importância das pesquisas polares para o Brasil entender melhor seu novo clima e adaptar-se ao que vem por aí.

Isso também passará, Milena Busquets (Tradução de Joana Angélica d’Avila Melo)
Um dia, um poderoso imperador convoca os sábios do reino e pede uma frase que sirva a todas as situações possíveis. Depois de meses de deliberação, os sábios aparecem com uma proposta: “Isso também vai passar”. Quando Blanca era pequena, sua mãe contou essa história para ajudá-la a superar a morte do pai, e acrescentou: “A dor e o pesar passam, assim como a euforia e a felicidade”. Agora, com a morte da mãe, Blanca fala da dor da perda neste romance que começa e termina em um cemitério. Diante da ausência, restam as memórias de tudo o que a narradora viveu ao lado de quem a trouxe à vida, e o desejo de reafirmar a existência por meio do sexo, do convívio com as amigas, dos filhos e dos homens do passado. Tudo isso no transcurso de um verão em Cadaqués, com suas paisagens indômitas e sua intensa luz mediterrânea. Milena Busquets parte de seu âmago e combina profundidade e leveza para nos falar de temas universais: a dor, o amor, o medo, o desejo, a tristeza, o riso, a desolação e a beleza de uma paisagem em que se entrevê a mãe falecida passeando junto ao mar, porque aqueles que amamos não desaparecem de um dia para o outro.

Obras Completas Vol. 02 – Estudos sobre a histeria (1893-1895), Sigmund Freud (Tradução de Paulo César de Souza e Laura Barreto)
No final do século XIX as neuroses que se manifestavam por meio de somatizações, alucinações e angústias eram chamadas de “histerias”. Para estudar esse fenômeno, Freud escreveu junto com o médico Breuer os Estudos sobre a histeria – obra essencial para a compreensão da psicanálise. Relatando os casos de cinco pacientes – entre elas a célebre Anna O. -, eles argumentam que os histéricos sofrem por haverem sufocado a memória dos eventos que originaram a doença. É preciso, então, trazer à luz esses traumas, inicialmente por meio da hipnose. Mas, como isso não funciona com alguns pacientes, Freud passa a recorrer à associação livre, tornando seu método ainda mais complexo.

Penguin-Companhia

Macunaíma, Mário de Andrade
Mário de Andrade publicou Macunaíma em 1928. O livro foi um acontecimento. Debochado e intensamente brasileiro – ainda que muito pouco ou nada nacionalista -, este romance é ainda hoje um dos textos fundamentais do nosso Modernismo. E continua a influenciar as mais diversas manifestações artísticas. Nascido nas profundezas da Amazônia, o herói de Mário de Andrade é cheio de contradições – assim como o país que lhe serve de berço. É adoravelmente mentiroso, safado, preguiçoso e boca-suja. Suas peripécias vêm embaladas numa linguagem rapsódica e inventiva, um marco das pesquisas de seu autor em torno de uma identidade linguística brasileira.

Alfaguara

Essa menina, Tina Correia
Durante muito tempo, ninguém soube o verdadeiro nome de Esperança. Para todos, ela era Essa Menina. Decidida a reunir num livro as memórias de sua infância, ela desperta a criança curiosa que vivia a escutar a conversa dos adultos. Ao descrever as festas, as comidas e as brincadeiras no quintal, revela ao leitor, ainda que sob a perspectiva infantil, os anseios, fragilidades e sonhos dos que estavam à sua volta. Os grandes eventos políticos dos anos 1930 a 1960 são o pano de fundo dessas dramáticas e emocionantes histórias. Ora testemunha, ora protagonista, é a menina de olhos grandes e curiosos quem nos conduz por essa narrativa quase mítica, ambientada no interior do Nordeste.

Suma de Letras

A coroa escarlate, Cinda Williams Chima
Há mil anos, dois jovens amantes foram traídos – Alger Waterlow foi condenado à morte e Hanalea, rainha de Fells, a uma vida sem amor. Agora, mais uma vez, o reino de Fells está à beira de se desintegrar. Para a jovem rainha Raisa ana’Marianna, manter a paz é quase impossível. A tensão entre os magos e os clãs atingiu o limite. Os reinos vizinhos veem Fells como uma presa fácil, e a maior esperança de Raisa é unir seu povo contra um inimigo em comum – mas esse inimigo talvez seja o homem por quem está apaixonada. Emaranhado em uma complexa rede de mentiras e tênues alianças, o antigo dono de rua Han Alister agora é parte do Conselho dos Magos. Navegar pela mortal política dos sangues azuis nunca foi tão perigoso – e Han parece fazer inimigos por todos os lados. Sua única aliada é a rainha, e, apesar dos riscos, é impossível ignorar o que sente por ela. Então Han descobre um segredo guardado há séculos, algo poderoso o bastante para unir o povo de Fells. Mas será que ele sobreviverá por tempo suficiente para salvar o reino? Uma verdade mascarada há mil anos por uma terrível mentira vem à tona nesta emocionante conclusão da épica série de fantasia Os Sete Reinos.

Companhia das Letrinhas

Dr. de Soto, William Steig (Tradução de Eduardo Brandão)
O dr. De Soto trata dos dentes de bichos grandes e pequenos. Ele é tão bom que seus pacientes nunca sentem dor nenhuma. Mas, por ser um rato, se recusa a atender animais com um certo apetite por roedores, como gatos ou outros bichos perigosos. Porém, um dia, apareceu em seu consultório um raposo uivando de tanta dor. Como o bondoso dentista podia se recusar a tratá-lo? Por outro lado, como teria certeza de que não seria devorado depois que curasse seu feroz paciente? O dr. De Soto é esperto e descobrirá um jeito.