miriam dolhnikoff

Semana cento e dezessete

Os lançamentos desta semana são:

Companhia das Letras:

A imaginação econômica, de Sylvia Nasar (Trad. Carlos Eugênio Marcondes de Moura)
No momento em que as nuvens sombrias da crise pairam mais uma vez sobre o mundo globalizado das finanças, este livro representa um sopro de otimismo destemido. A imaginação econômica começa no século XIX, com a descoberta de que a grande maioria da humanidade não estava condenada à pobreza e que tinha a possibilidade de melhorar suas condições econômicas, e termina em sua última linha com uma mensagem clara: “retornar ao pesadelo do passado parece ser cada vez mais impossível”. Sylvia Nasar traça uma espécie de história biográfica dos últimos duzentos anos da economia mundial, desde a época em que ela era a “ciência sombria” até a grande expansão do capitalismo globalizado. Assista à animação sobre o livro.

José Bonifácio, Miriam Dolhnikoff
As diversas facetas de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838) compõem um dos personagens mais complexos da história do Brasil. Figura-chave da Independência, confidente e ministro de d. Pedro I, ele desempenhou papel central na fundação do Brasil moderno. Participou da construção das nossas primeiras instituições políticas e foi um dos artífices da unidade do país. Bonifácio possui, entretanto, uma biografia repleta de passagens ainda pouco conhecidas. Neste revelador volume da coleção Perfis Brasileiros, a professora e historiadora Miriam Dolhnikoff, especialista em Brasil Império, reconstitui a controvertida trajetória pessoal e política de Bonifácio. Homem de Estado, cientista, poeta defensor de um projeto ousado de reformas: a autora realiza uma síntese biográfica abrangente, articulando o personagem com os acontecimentos históricos, procurando compreender a dimensão de sua influência e, ao mesmo tempo, os limites impostos ao seu projeto pelo contexto em que vivia.

Os sentidos do lulismo, André Singer
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no pleito de 2006 se consumou pela mesma diferença numérica dos resultados em 2002: cerca de 20 milhões de votos. Essa semelhança mascara, no entanto, um inédito realinhamento eleitoral, indicativo de profundas transformações na sociedade brasileira. Enquanto o primeiro triunfo petista obedeceu ao padrão histórico de Lula desde a década de 1980 – isto é, alta votação na grandes cidades e a classe média -, a reeleição marcou a consolidação de um fenômeno sociopolítico ainda em curso: o lulismo. Os pobres e os muito pobres abandonaram o temor da “desordem” associado à esquerda e abraçaram em bloco a candidatura do ex-torneiro mecânico. A partir do escândalo do mensalão, por outro lado, a classe média tradicional transferiu seus votos para a direita. Neste ensaio fecundo, André Singer, ex-porta-voz do governo Lula e professor de ciência política na USP, elucida a gênese do movimento político-eleitoral mais importantes das últimas décadas, realizando uma arguta radiografia das relações de classe e poder no Brasil contemporâneo.

A desobediência civil, Henry David Thoreau (Trad. José Geraldo Couto)
Uma das mais intrigantes personalidades do século XIX, Henry David Thoreau (1817-62) foi um homem de múltiplos interesses, mas era nas letras e na oratória que se manifestava sua verdadeira vocação: a de corajoso crítico do ideal americano de viver para o trabalho e para o consumo, o nascenteAmerican Way of Life. Um dos precursores do pensamento ecológico e da resistência pacífica, conquistou admiradores ilustres, como Tolstói, Martin Luther King e Mahatma Gandhi. Formado por cinco textos, este livro traz, em sua abertura, aquele que o nomeia: “A desobediência civil”, de 1849, responsável por inserir o pensamento político de Thoreau na história mundial. O segundo ensaio, “Onde vivi, e para quê”, foi extraído de seu livro Walden, em que retrata os anos em retiro numa floresta. Em “A escravidão em Massachusetts”, Thoreau discursa contra a prisão do escravo fugitivo Anthony Burns. O quarto ensaio, “Caminhar”, tem origem numa palestra em que o filósofo se mostra em perfeita comunhão com a natureza e consigo mesmo ao passear sem objetivo por bosques e florestas. Por fim, a “Vida sem princípios” é um apelo a outro modo de viver, distante da dedicação excessiva ao trabalho.

A outra face da lua, Claude Lévi-Strauss (Trad. Rosa Freire d’Aguiar)
Aos seis anos de idade, Claude Lévi-Strauss foi presenteado pelo pai com sua primeira estampa japonesa. O acervo nipônico do futuro autor de O cru e cozido, fascinado por artistas como Toyokuni e Hokusai, não cessaria de crescer com o passar dos anos. A afeiçãoprecoce pelo Japão originou um interesse continuamente renovado por elementos-chave de sua cultura milenar – os mitos primitivos, a música refinada, a escrita ideogramática e, sobretudo, a mistura entre o antigo e o ultramoderno que tem moldado o futuro do país. Escritos entre 1979 e 2001, quando Lévi-Strauss já era reconhecido como uma figura basilar da antropologia no século XX, os textos desta coletânea oferecem uma apaixonada reflexão sobre a terra do sol nascente e suas contribuições à riqueza cultural do planeta.

A antropologia diante dos problemas do mundo moderno, Claude Lévi-Strauss (Trad. Rosa Freire d’Aguiar)
O que é a antropologia? De que maneira ela ajuda a compreender o mundo em que vivemos? Como assinala Claude Lévi-Strauss, a grande amplitude de seus temas permite simplesmente defini-la como “a ciência da cultura”. Mitos, costumes, crenças, modos de organização familiar: numerosas manifestações culturais podem fornecer ao antropólogo a matéria-prima de suas investigações. Nestas três conferências inéditas, Lévi-Strauss explica como a especulação filosófica sobre os povos “primitivos” gradativamente se converteu, a partir do século XIX, na análise das semelhanças subjacentes à fascinante diversidade da experiência humana: o autor aponta caminhos para a antropologia no contexto dos desafios éticos, políticos e econômicos impostos à humanidade pelas velozes transformações da civilização pós-industrial.

Editora Paralela:

Toda sua, Sylvia Day (Trad. Alexandre Boide)
Toda sua é um dos livros de maior sucesso da nova onda de romances eróticos que vem agitando o mercado editorial. Considerado pela crítica e pelo público melhor que Cinquenta tons de cinza, de E. L. James, tanto pelas cenas de sexo mais quentes quanto pelos personagens mais desenvolvidos e pela escrita mais profissional, o primeiro volume da trilogia Crossfire apresenta uma história de amor provocadora e excitante, que você não vai conseguir largar.