muriel barbery

Semana duzentos e setenta e três

 

Diários da Presidência 1995-1996 (Volume1), Fernando Henrique Cardoso
Os diários têm a franqueza das confissões deixadas à posteridade – como de fato era a intenção original do autor. Neles transparecem as hesitações do cotidiano, os julgamentos duros de amigos próximos, os pontos de vista que mudam com os fatos, as afinidades que se criam e as que arrefecem. Para o leitor, são não só uma janela aberta para a intimidade do poder como uma ferramenta valiosa para a compreensão do Brasil contemporâneo. Os registros orais de FHC foram transcritos por Danielle Ardaillon, curadora do acervo da Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso, revistos pelo autor e pela editora, e serão organizados em quatro volumes bianuais (1995-6; 1997-8; 1999-2000; 2001-2). Os dois primeiros anos compreendem quase noventa horas de gravação, decupadas a partir de 44 fitas cassete, que renderam mais de novecentas páginas.

Doutor Fausto, Thomas Mann (Tradução de Herbert Caro)
Último grande romance de Thomas Mann,Doutor Fausto foi publicado em 1947. O escritor fez uma releitura moderna da lenda de Fausto, na qual a Alemanha trava um pacto com o demônio – uma brilhante alegoria à ascensão do Terceiro Reich e à renúncia do país a sua própria humanidade. O protagonista é o compositor Adrian Leverkühn, um gênio isolado da cultura alemã, que cria uma música radicalmente nova e balança as estruturas da cena artística da época. Em troca de 24 anos de verve musical sem paralelo, ele entrega sua alma e a capacidade de amar as pessoas. Mann faz uma meditação profunda sobre a identidade alemã e as terríveis responsabilidades de um artista verdadeiro.

A morte em Veneza & Tonio Kröger, Thomas Mann (Tradução de Herbert Caro e Mario Luiz Frungillo)
A morte em Veneza (1912), aqui na tradução de Herbert Caro, é uma das novelas exemplares da moderna literatura ocidental. A história do escritor Gustav von Aschenbach, que viaja a Veneza para descansar e lá se vê hipnotizado pela beleza do jovem polonês Tadzio, mais tarde daria origem ao notável filme homônimo do diretor italiano Luchino Visconti, de 1971. O volume traz ainda Tonio Kröger, narrativa de 1903 que Thomas Mann declarava ser uma de suas favoritas. A novela tem diversos traços autobiográficos e está centrada na relação entre artista e sociedade, um tema muito caro à obra de ficção do escritor, sobretudo nos primeiros trabalhos. A nova tradução é de Mario Luiz Frungillo.

A vida dos elfos, Muriel Barbery (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar)
Maria e Clara são jovens órfãs unidas por dons secretos. A chegada de Maria a uma granja na Borgonha traz prosperidade à terra, o que leva todos a acreditarem que a menina conversa com a natureza. Enquanto isso, Clara cresce numa aldeia perdida nos Abruzos, no sul da Itália, aprende italiano “na velocidade do milagre” e, depois de se revelar um prodígio no piano, é enviada a Roma para desenvolver sua veia musical. As duas garotas, cada uma à sua maneira, se comunicam com um mundo misterioso que garante à vida dos homens sua profundidade e beleza, mas ao mesmo tempo oferece uma ameaça grave contra nossa espécie. As sombras da guerra e do mal avançam, e só Maria e Clara poderão combatê-las, reinstaurando a paz. Mas elas ainda não compreendem os muitos enigmas que as envolvem. De onde vêm? O que as conecta?

Benjamin Franklin, Walter Isaacson (Tradução de Pedro Maia Soares)
Um dos chamados Pais Fundadores dos Estados Unidos, Benjamin Franklin está entre as figuras mais influentes de sua época, cujas descobertas científicas e ideias filosóficas e de negócios reverberam mundo afora. É também um homem de carne e osso que foi fundamental no desenvolvimento do que é hoje a nação mais poderosa do mundo. Nessas páginas, Walter Isaacson – autor do best-seller Steve Jobs: A biografia – narra a tumultuada trajetória desse escritor, cientista, inventor, diplomata e jornalista. Isaacson mostra como essa vida inacreditável ultrapassa o seu próprio tempo, e como a colaboração de Franklin em documentos como a Declaração de Independência Americana ajudou a moldar o mundo moderno.

Um crime na Holanda, Georges Simenon (Tradução de André Telles)
Quando um professor francês em visita a um pacato vilarejo da Holanda se vê acusado de assassinato, o comissário Maigret é enviado para investigar o caso.
A comunidade parece satisfeita em acusar um estrangeiro desconhecido, mas há pessoas do lugarejo que sabem muito mais do que aparentam: Beetje, a filha insatisfeita de um fazendeiro da região, Any van Elst, cunhada do falecido, e um notório vigarista local.
Nesta sétima jornada de Maigret – Simenon escreveu 75 livros com o personagem -, o carismático investigador francês aprende a duvidar de suas certezas.

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Star Wars: A arma de um jedi, Jason Fry (Tradução de Álvaro Hattnher)
Nesta história, que se passa entre Uma nova esperança (episódio IV) e O Império contra-ataca (episódio V), Luke está no meio de uma tarefa para a Aliança Rebelde quando um chamado da Força o leva até Devaron, um planeta misterioso onde há muito tempo erguia-se um templo Jedi, agora reduzido a ruínas.
Luke decide se desviar temporariamente da missão e seguir aquele chamado, com a ajuda de um guia local corajoso o suficiente para ignorar as lendas que diziam que o lugar era mal-assombrado. Em meio aos escombros, Luke descobrirá que, mesmo sem um mestre, poderá continuar seu treinamento Jedi – isto é, caso consiga sobreviver à sua primeira batalha com um sabre de luz. Nesta série, você encontrará aventuras inéditas de seus personagens favoritos, além de algumas caras novas. Mas leia com atenção! Há pistas escondidas nas páginas dos livros, que dão dicas preciosas sobre o episódio VII, O despertar da Força!

Star Wars: Alvo em movimento, Jason Fry e Cecil Castellucci (Tradução de Érico Assis)
Nesta história, que se passa entre O Império contra-ataca (episódio V) e O retorno de Jedi(episódio VI), Leia descobre que o Império está construindo uma nova Estrela da Morte e, enquanto o alto-escalão da Aliança organiza um ataque, a princesa bola um plano para ajudar: atrair parte da frota imperial para outro setor da galáxia, distante de onde o verdadeiro ataque iria acontecer. Para isso, ela precisará passar por três planetas do setor Corva, recrutando líderes para uma reunião da causa rebelde. A primeira parada seria no planeta rochoso de Basteel, seguida pelo planeta aquático de Sesid e terminando nas terras rurais de Jaresh. Logo Leia chama a atenção do Império, conforme o planejado – mas talvez um Destróier Estelar e uma capitã implacável em sua cola sejam demais! Nesta série, você encontrará aventuras inéditas de seus personagens favoritos, além de algumas caras novas. Mas leia com atenção! Há pistas escondidas nas páginas dos livros, que dão dicas preciosas sobre o episódio VII, O despertar da Força!

Star Wars: A missão do contrabandista, Greg Rucka (Tradução de André Czarnobai)
Nesta história, que se passa entre Uma nova esperança (episódio IV) e O Império contra-ataca (episódio V), Han e Chewie precisam pilotar a Millennium Falcon numa missão ultrassecreta da Aliança Rebelde: resgatar o tenente Ematt, um oficial da Rebelião que está sozinho e desprotegido no venenoso planeta de Cyrkon.
A dupla viaja até lá e logo percebe que a missão será bem complicada, já que Han Solo está sendo procurado por todos os contrabandistas da galáxia, que querem levá-lo a Jabba para receber uma alta recompensa. Para piorar, a oficial do Império Alecia Beck também está no planeta procurando por Ematt. Agora, Han precisa encontrá-lo e fugir dali o quanto antes – para seu próprio bem. Nesta série, você encontrará aventuras inéditas de seus personagens favoritos, além de algumas caras novas. Mas leia com atenção! Há pistas escondidas nas páginas dos livros, que dão dicas preciosas sobre o episódio VII, O despertar da Força!

Claro Enigma

A Grécia Antiga passo a passo, de Éric Teyssier e Éric Dars (Tradução de Julia da Rosa Simões)
Grécia antiga passo a passo faz um passeio pela cultura grega em suas muitas facetas, desde as informações mais comuns até as descobertas científicas nos campos física, matemática e astrologia. E ainda traz curiosidades culturais como o repúdio à profissão de pescador, que “ousava” viver como os deuses, e o status dos piratas, que eram bem vistos pela sociedade. Com leveza e humor, o leitor entenderá que o legado dessa antiga civilização está muito mais próximo de nosso cotidiano do que conseguimos imaginar.

Companhia apresenta: A vida dos elfos, de Muriel Barbery

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Maria e Clara são jovens órfãs ligadas por dons secretos. A chegada de Maria traz prosperidade à granja francesa onde é criada, enquanto Clara, crescida em uma aldeia do sul da Itália, é enviada a Roma para desenvolver sua veia musical prodigiosa. Cada uma à sua maneira, elas se comunicam com um mundo misterioso, que garante profundidade e beleza à vida humana, mas, ao mesmo tempo, oferece uma ameaça grave contra a nossa espécie. Só Maria e Clara poderão combatê-la.

A vida dos elfos é o novo romance de Muriel Barbery, autora do best-seller A elegância do ouriçoNeste romance de atmosfera inesquecível, primeiro de dois volumes, a autora se aventura pela fantasia para fazer um elogio do encantamento, da poesia e da natureza. Com lançamento marcado para outubro deste ano pela Companhia das Letras, o livro é uma trama fantástica que flerta com os universos de Harry Potter e Nárnia.

Para você conhecer mais sobre o novo livro de Muriel Barbery, publicamos a seguir uma entrevista com a autora realizada durante o lançamento do romance na França (tradução de Rosa Freire d’Aguiar).

A vida dos elfos se inicia com dois contos, as histórias de Maria e de Clara. Pode-se ler o romance como um conto ou como uma parábola?

Além desses dois contos inaugurais, não creio que o próprio romance seja um conto, embora pegue certos elementos desse gênero, mas também do universo do maravilhoso, e de uma certa literatura da terra. Também não penso que seja uma parábola. No fundo, não sei o que é este texto, caberá ao leitor decidir.

Da mesma maneira, os elfos não parecem os elfos dos contos… 

Por muito tempo eu não soube se eles seriam reais ou apenas do mundo dos sonhos, e, aliás, no fim não há uma decisão clara nesse sentido. Mas eles assumiram a forma que o romance lhes dava naturalmente, a de seres conectados com a natureza e com a parte animal dos vivos, daí suas formas estranhas.

O romance é cruzado pelo tema da harmonia, sobretudo da harmonia com a natureza…

Um dos gatilhos do romance é uma frase de O livro do chá, de Kakuzô Okakura, no qual, em 1906, ele fala saudoso da China antiga, que ofereceu à arte japonesa seus mais belos artefatos. Mas ele lamenta que o mundo chinês tenha se tornado “moderno, o que equivale a dizer velho e desencantado”. Acho fascinante, de uma concisão e de uma limpidez extremas, essa caracterização do mundo moderno, apartado de seus encantamentos, e por isso mesmo de suas ilusões poéticas. E é esse mesmo encantamento, seja ele poético ou natural, o ponto de partida e o guia do romance.

Uma outra frase, ou melhor, um divisa — “Manterei sempre” — parece igualmente importante…

Sempre fiquei intrigada com essa divisa — que em sua origem era a dos Príncipes de Orange —, em razão de sua forma enigmática, quase gramaticalmente incorreta já que esperaríamos um complemento, um objeto direto. No romance, o mundo élfico, em especial, é aquele em que se tenta manter juntos os poderes da natureza e da arte. Mas neste primeiro volume da obra a divisa fica voluntariamente enigmática.

O mundo élfico será, portanto, o mundo das artes por oposição ao mundo técnico, encarnado pelo inquietante Governador?

Na verdade, a mesma linha de falha, o mesmo desencantamento e a mesma ameaça pesam sobre o mundo humano e o mundo élfico.

As flores e os jardins também ocupam um lugar privilegiado…

Sim, o espinheiro, a violeta e sobretudo as pequenas írises que encontramos no Japão, essas iris japonica que são, desde que as conheço, minha flor preferida. Outro detonador do texto de A vida dos elfos foi uma conversa com um amigo a respeito dos jardins japoneses e da concepção francesa da beleza natural. Eu dizia a ele que os jardins japoneses são élficos, ao passo que a estética francesa da natureza é humana, e um pedaço do romance nasceu no dia dessa conversa. Mas também tenho, e acho que é profundamente compatível, gosto pelos tratados e pelas enciclopédias de plantas medicinais, pelos tempos em que os homens procuravam na natureza o princípio e a temporalidade das curas e faziam as plantas e as flores falarem uma linguagem simbólica que também tem enorme poder poético.

Nesse romance você inaugura uma língua muito particular, rica e simples ao mesmo tempo… 

Essa língua veio naturalmente, à medida que eu escrevia o conto original, e foi ela que transportou o relato. Ela se tornou imediatamente atemporal, embora bastante arcaizante, de modo que não seja possível situar a época e o estilo literários, e a mesma coisa vale para a história que é contada no romance.

Essa escrita impõe também um ritmo de leitura muito particular…

Acho que se não se adere a essa escrita, não é possível entrar no relato. Escrever pela primeira vez na terceira pessoa liberou um espaço da língua e um viveiro de possibilidades narrativas inéditas. Foi uma tremenda batalha, eu retrabalhei muito o texto e várias vezes a experiência foi difícil, complicada e frustrante, mas a vivi in fine com grande júbilo.